segunda-feira, 4 de maio de 2026

GRUPOS DE SERES VIVOS

O estudo das formas de vida que habitam o planeta gera uma grande quantidade de informações. Para facilitar o acesso a essas informações, os seres vivos são organizados em grupos de acordo com suas características ou padrões. Esse processo de categorização é chamado de classificação biológica. 
Os cientistas que trabalham com a classificação biológica são os sistematas. Eles classificam os seres vivos em grupos e criam nomes científicos adequados para cada um deles. 
Para separar os seres vivos em grupos, são usados diversos critérios, como as semelhanças. Para encontrar semelhanças, compara-se não apenas o aspecto exterior, mas principalmente a estrutura corporal – células, tecidos e órgãos –, sua composição química e mesmo o material hereditário.
O agrupamento básico para a classificação dos seres vivos é a espécie. Diversas definições para espécie já foram criadas. Utilizamos a definição de espécie biológica: um grupo de seres vivos que consegue cruzar entre si e se reproduzir, gerando descendentes férteis.

O NOME CIENTÍFICO 


Cada idioma tem uma palavra própria para se referir a um determinado ser vivo. O cavalo, por exemplo, é horse em inglês, Pferd em alemão, cheval em francês e caballo em espanhol. Os nomes também variam de acordo com a região do país: por exemplo, no Brasil, os nomes mandioca, aipim, macaxeira e maniva são usados para se referir à mesma planta. 
Entretanto, nos trabalhos científicos, é necessário se referir a uma espécie de um modo que pesquisadores de todo o mundo entendam. Por isso, os cientistas usam o nome científico para definir a espécie. O nome científico do cavalo, por exemplo, é Equus caballus, enquanto o da mandioca é Manihot esculenta. Pesquisadores de qualquer parte do mundo podem utilizar es ses nomes para se referir a esses organismos.
Veja a seguir as normas que devem ser usadas para criar e escrever um nome científico. 
• Os nomes científicos devem ser escritos em itálico ou sublinhados, sempre em latim. 
• O nome de cada espécie é composto de duas palavras, por isso essa forma de nomear as espécies é denominada sistema binomial
• A primeira palavra deve indicar o gênero, e a segunda é chamada epíteto específico. 
• O nome do gênero deve iniciar com letra maiúscula, en quanto o epíteto da espécie deve ser escrito com letras minúsculas. 
Ao escrever em sequência o nome de vários organismos que pertencem ao mesmo gênero, a primeira palavra (correspondente ao nome do gênero) pode ser abreviada a partir da segunda citação. Por exemplo: laranjeira (Citrus sinensis), cidreira (C. medica) e pé de tangerina (C. reticulata). O sistema binomial foi elaborado pelo naturalista sueco Carolus Linnaeus (1707-1778) – ou simplesmente Lineu – em 1735. 
Na época de Lineu, o latim era a língua universal do ensi no no mundo ocidental e os trabalhos científicos eram escritos nesse idioma. Utilizando, portanto, a estrutura das palavras em latim, Lineu adotou essa língua para criar os nomes científicos.

O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE LINEU 


O sistema binomial de Lineu é usado até hoje, mas com algumas modificações. 
Nesse sistema, os seres vivos são agrupados em categorias ou níveis de classificação. Cada categoria é um agrupamento de organismos que apresentam uma ou mais características em comum. 
O sistema de classificação biológica atual utiliza as seguintes categorias ou níveis de classificação: 

O reino é um conjunto de filos. Os animais fazem parte do reino Animalia.
O filo é um conjunto de classes. O filo dos cordados abrange todas as classes de animais que desenvolvem uma estrutura de sustentação chamada notocorda. São exemplos os mamíferos, os répteis e os peixes.
A classe é um conjunto de ordens. A classe dos mamíferos reúne todas as ordens de animais que produzem leite para alimentar seus filhotes, como os carnívoros, os primatas (macacos e humanos), os cetáceos (baleias) e os quirópteros (morcegos).
A ordem é uma reunião de famílias. A ordem dos carnívoros abrange diversas famílias de animais que, em geral, consomem carne na sua alimentação. São exemplos os felídeos e os canídeos.
As famílias são conjuntos de gêneros. A família dos felídeos reúne todos os gêneros dos animais que conhecemos popularmente como felinos, como Panthera, Felis e Puma.
O gênero é um conjunto de espécies. O gênero Panthera inclui espécies como Panthera onca (onça), Panthera leo (leão) e Panthera tigris (tigre).
Conjunto de organismos que se reproduzem e geram descendentes férteis. A espécie é a unidade básica da classificação biológica. A onça-preta (Panthera onca) é uma espécie encontrada em vários biomas brasileiros.

REINOS E DOMÍNIOS 


Diversos sistemas de classificação já foram adotados ao longo do tempo, de acordo com diferentes critérios para for mar os grupos. 
As classificações mais antigas seguiam critérios que não representavam características específicas dos organismos, mas sim de sua relação com o ser humano. Assim, os animais podiam ser classificados, por exemplo, como perigosos ou inofensivos, comestíveis ou venenosos. 
Aristóteles, que viveu no século IV a.C., é considerado a primeira pessoa a empregar um sistema racional, usando características inerentes aos seres: os seres imóveis seriam as plantas, enquanto os animais seriam os organismos móveis. 
A invenção do microscópio no final do século XVI possibilitou a descoberta de seres muito pequenos, que inicialmente também foram classificados como animais ou plantas. No século XIX, o reino Protista foi proposto para abrigar organismos que não se adequavam nem ao reino das plantas nem ao dos animais. 
Em 1969, o biólogo estadunidense Robert H. Whittaker (1920--1980) elaborou um sistema de cinco reinos, que até hoje é muito usado. Esse sistema se baseia em critérios como organização celular e modo de obter alimento. 
Na década de 1970, o pesquisador estadunidense Carl Woese (1928-2012) propôs que os seres vivos fossem agrupados em três domínios: Bacteria, Archaea e Eukarya. Veja, a seguir, como os organismos são agrupados segundo esse sistema.

   BACTERIA       ARCHAEA       EUKARYA

              ↖       ⬆           
                               seres vivos mais antigos

GRUPOS DE SERES VIVOS 


A diversidade de seres vivos é muito grande e isso motivou o desenvolvimento de sistemas de classificação.
 

A EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS 


Um dos critérios mais utilizados atualmente para agrupar os seres vivos é o parentesco evolutivo entre eles. Esse critério se baseia na ideia de que as espécies se modificam ao longo do tempo, um processo conhecido como evolução.
De acordo com as teorias evolutivas mais aceitas atualmente, todos os seres vivos teriam surgido de um organismo original, e novas espécies surgem a partir de espécies já existentes. Portanto, todas as espécies que existem e já existiram apresentam alguma relação de parentesco evolutivo, em maior ou menor grau. 
A história da vida na Terra poderia ser representada como uma árvore ramificada. Na base da árvore, estaria o ancestral comum de todos os seres vivos. Ao longo do tempo, surgi riam ramificações nessa árvore, ou seja, diferentes espécies ou grupos de seres vivos.
As novas formas de vida bem-sucedidas deixariam descendentes. Outras, não tão bem-sucedidas, en trariam em extinção. Assim, na árvore dos seres vivos haveria ramos com representantes atuais e outros que só poderiam ser reconhecidos em formas fósseis, isto é, que já não existem na atualidade.
(A)


(B)

Por muito tempo, as garças (Ardea alba) (A) e os tuiuiús (Jabiru mycteria) foram classificados na mesma ordem.
Porém, após uma série de estudos sobre o material genético desses animais, os cientistas concluíram que é mais
correto classificar os tuiuiús na mesma ordem dos pelicanos (Pelecanus onocrotalus) (B).

Atualmente, todos os estudos sobre a classificação dos seres vivos levam em consideração aspectos evolutivos. Por isso, novas descobertas e pesquisas podem alterar a classificação das espécies e até mesmo criar ou descartar agrupamentos.



Relações entre os seres vivos

Nos ecossistemas, ocorrem interações entre indivíduos de uma mesma espécie, chamadas relações intraespecíficas, e interações entre indivíduos de espécies distintas, chamadas relações interespecíficas
Essas interações favorecem a obtenção ou o compartilhamento de abrigo, alimento e recursos do ambiente. Podemos dividir essas relações em harmônicas, quando trazem benefícios aos seres vivos envolvidos ou não os prejudicam, e desarmônicas, quando um dos indivíduos que participa da relação é prejudicado.

Relações harmônicas intraespecíficas Alguns exemplos de relações harmônicas entre indivíduos da mesma espécie são as colônias e as sociedades, que veremos a seguir.

Colônias 


Em uma colônia, os indivíduos estão fisicamente conectados uns aos outros e não sobrevivem isolados. Há colônias em que cada indivíduo executa as mesmas funções, por exemplo, os recifes de coral. Em outras, como a caravela, ocorre divisão do trabalho e há indivíduos especializados em proteção e defesa, reprodução, natação, flutuação e alimentação.

A caravela-portuguesa (Physalia physalis) é uma colônia formada por indivíduos com diferentes funções ao longo dos tentáculos, que estão presos ao flutuador cheio de gases. Alguns tentáculos têm indivíduos que lançam toxinas que paralisam peixes, os quais são digeridos por outros indivíduos nos tentáculos encarregados da digestão. Há tentáculos com indivíduos que participam da reprodução. O flutuador da caravela-portuguesa mede cerca de 30 cm e seus tentáculos têm em média 10 m.

Sociedades 


Nas sociedades, os indivíduos atuam em conjunto e de forma cooperativa, têm hierarquia e apresentam divisão de trabalho. Algumas espécies de vespa, cupim, formiga e a maioria das abelhas são exemplos de animais que vivem em sociedade.

Em uma colmeia, há a rainha, as operárias e os zangões. A rainha é a mãe de todas as abelhas da colmeia. De seus ovos nascem operárias, zangões e futuras rainhas. A larva fêmea que será rainha recebe geleia real e cresce muito mais que as outras.

Relações harmônicas interespecíficas 


As relações harmônicas entre indivíduos de espécies distintas são aquelas em que há benefício para as duas espécies ou somente para uma delas sem prejudicar a outra. Veremos alguns exemplos a seguir.

Mutualismo 


É a relação entre indivíduos na qual ambos são beneficiados. Eles podem compartilhar abrigo, alimentos ou recursos do ambiente. No mutualismo, as espécies dependem dessa relação para sobreviver.

Em alguns liquens (associações de fungos e algas), os organismos associados provêm recursos que o outro não obtém sozinho. As algas fornecem nutrientes ao fungo, que fornece um ambiente adequado para o crescimento delas, pois retém água e nutrientes.

Os cupins alimentam-se de madeira. A digestão da celulose é feita por protozoários e bactérias que habitam o estômago do cupim. 

Protocooperação 


Protocooperação ou mutualismo facultativo é a relação entre dois indivíduos na qual ambos são beneficiados. Essa relação, porém, não é obrigatória para a sobrevivência dos organismos.

O peixe-palhaço (Amphiprion sp.) tem cerca de 10 cm e vive junto às anêmonas-do-mar, que o protegem de predadores. Quando se alimenta, o peixe-palhaço fornece alimento para as anêmonas. 

Comensalismo 


O comensalismo envolve a interação entre dois organismos na qual um deles é beneficiado e o outro não é beneficiado nem prejudicado com a relação.

A rêmora (Remora sp.) mede cerca de 40 cm de comprimento. É um peixe que se prende ao corpo de outros animais, como tubarões, e se alimenta dos restos alimentares que estes deixam na água.

O epifitismo é um tipo de comensalismo. As orquídeas são exemplos de epífitas, pois se fixam em troncos de árvores sem prejudicá-las e, assim, recebem mais luminosidade. 

Relações desarmônicas intraespecíficas


Vamos ver agora alguns exemplos de relações desarmônicas de indivíduos de uma mesma espécie.

Canibalismo


O canibalismo é uma relação em que indivíduos se alimentam de outros indivíduos da própria espécie. Geralmente, ocorre em situações de falta de alimento ou de limitação de espaço.

Competição intraespecífica


É a disputa entre indivíduos da mesma espécie por algum recurso do ambiente, por exemplo, alimento e território, e por parceiros sexuais.

Os machos de elefantes-marinhos (Mirounga sp.) lutam entre si para se reproduzir com um grupo de fêmeas. Essas lutas podem levar o oponente à morte. O macho dessa espécie pode chegar a 6,5 m de comprimento.

Relações desarmônicas interespecíficas


Também existem relações desarmônicas entre indivíduos de espécies diferentes. Observe alguns exemplos a seguir.

Competição interespecífica


Indivíduos de espécies diferentes podem disputar território e recursos do ambiente. Essa relação é a competição interespecífica. Por exemplo, há aves de espécies distintas que disputam o mesmo material para a construção de seus ninhos.

Hienas (Crocuta crocuta) disputam as carcaças com outros animais. Esse é um exemplo de competição interespecífica. As hienas podem medir cerca de 1,7 m de comprimento.

Predação


A predação ocorre quando um indivíduo de uma espécie (o predador) se alimenta de um indivíduo de outra espécie (a presa) ou de suas partes. Os animais carnívoros são exemplos de predadores.

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas,
chegando a medir cerca de 2 m de comprimento. É um animal
carnívoro que se alimenta de outros mamíferos, como capivaras, queixadas e veados, e de répteis, como jacarés. Habita áreas de vegetação densa, com abundância de água e alimentação. São animais de hábitos solitários e terrestres e caçam tanto à noite quanto durante o dia.

Parasitismo 


A relação de parasitismo se dá quando um indivíduo de uma espécie (o parasita) sobrevive à custa de um indivíduo de outra espécie (o hospedeiro), que é prejudicado. Na maioria dos casos, a interação com o parasita não mata o hospedeiro. Os parasitas podem ser endoparasitas, que penetram o organismo, ou ectoparasitas, que não invadem o organismo (do grego endo = dentro; e ektós = fora). 
O amarelão, ou ancilostomose, é uma parasitose que provoca anemia, causada por vermes endoparasitas, cujas larvas penetram a pele. Já o piolho, o carrapato, o bicho-de-pé e a sarna são exemplos de ectoparasitas. 
O parasitismo também ocorre em espécies vegetais. O cipó-chumbo, por exemplo, não tem folhas nem clorofila, portanto, não faz fotossíntese. Ele se alimenta da seiva que retira do caule da planta hospedeira por meio de suas raízes.

O cipó-chumbo (Cuscuta sp.) é uma planta parasita. Quando cobre completamente a planta hospedeira, esta acaba morrendo e o cipó-chumbo também.

Amensalismo ou antibiose 


São relações desarmônicas em que indivíduos de uma população ini bem ou impedem o desenvolvimento de indivíduos de populações de outras espécies. 
Um exemplo de amensalismo é a relação entre alguns fungos e bactérias. Determinados fungos produzem substâncias que, lançadas no ambiente à sua vol ta, impedem ou dificultam o crescimento e o desenvolvimento de bactérias. 
Com base nessa constatação, os pesquisadores puderam desenvolver a penicilina, antibiótico que já salvou muitas vidas.

O eucalipto (Eucalyptus sp.) pode chegar a medir cerca de 70 m de altura. As folhas que caem no solo liberam uma substância que inibe o desenvolvimento de outras plantas. Esse tipo de relação desarmônica é denominado amensalismo.
 


GRUPOS DE SERES VIVOS

O estudo das formas de vida que habitam o planeta gera uma grande quantidade de informações. Para facilitar o acesso a essas informações, os...