quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Formas de regionalização

A regionalização pode considerar critérios naturais, políticos, sociais e econômicos, entre outros. Como campo do conhecimento geográfico, a Geografia física estuda a distribuição espacial de fenômenos naturais, como a, o relevo, o clima e a vegetação. Desse modo, podem ser elaborados mapas temáticos. No mapa de estrutura geológica, evidenciam-se a compartimentação, a extensão e a localização das distintas estruturas geológicas. É possível observar as áreas de depósitos sedimentares recentes, as formações cristalinas antigas e as áreas de dobramentos modernos.

Domínios morfoclimáticos

A combinação de características do quadro natural, conforme proposto nessa sobreposição, é um tipo de raciocínio que inspirou o geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber a criar, em 1977, uma regionalização do Brasil e da América do Sul que ficou conhecida como “domínios morfoclimáticos”. Os domínios morfoclimáticos constituem regiões que apresentam uma combinação de condições climáticas, de relevo e de vegetação próprias. A relação entre esses elementos forma diferentes paisagens, que expressam um conjunto de características naturais que ocorrem de modo contínuo.

Ferramentas cartográficas a serviço da regionalização

A cartografia é uma ferramenta importante para a representação de uma regionalização. Os mapas permitem visualizar as propostas de regionalização. Os fenômenos podem ser representados em um mapa por meio de pontos, linhas ou manchas, conforme sua ocorrência. Em uma representação ordenada, ou seja, que mostre a ordem do fenômeno representado, as cores, pontos e linhas devem indicar também uma ordem visual.

Regionalização com base na sociedade 

A regionalização também pode ser feita com base na sociedade. É possível escolher fenômenos humanos, referentes a questões sociais, econômicas, políticas e culturais, e relacioná-los com outros critérios para regionalizar, isto é, agrupar regiões ou conjuntos de países que apresentam aspectos comuns. 
As anamorfoses são um tipo de representação do espaço geográfico no qual se distorcem a proporção e a forma dos territórios de modo a expressar visualmente os dados quantitativos. 

Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo: uma regionalização político-ideológica ultrapassada 

No século XX, criou-se uma regionalização do mundo que o dividia em três partes: Primeiro Mundo, Segundo Mundo e Terceiro Mundo. 
Essa classificação estava associada ao período da Guerra Fria, que teve início em 1947, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e acabou em 1991. Nesse período, duas superpotências – Estados Unidos e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ou União Soviética – disputavam a hegemonia polí tica, ideológica e econômica no mundo, e buscavam atrair países como aliados a seus interesses, oferecendo proteção militar e vantagens econômicas. 
A denominação Primeiro Mundo correspondia aos países do capitalismo, com elevado nível de desenvolvimento econômico e social. O Segundo Mundo era composto de países do socialismo. A expressão Terceiro Mundo, por sua vez, designava os países capita listas mais pobres. Este último termo foi usado pela primeira vez pelo francês Alfred Sauvy (1898-1990) em um artigo publicado no jornal L’Observateur. 
Com a desestruturação da União Soviética, em 1991 – acontecimento que marcou o final da Guerra Fria –, a expressão Segundo Mundo deixou de ser usada e a regionalização que a utilizava perdeu o sentido, tornando-se ultrapassada. 
Esse é um exemplo de que as dinâmicas políticas, ideológicas, econômicas e sociais do espaço geográfico tornam algumas regionalizações obsoletas. Por isso, ao nos depararmos com uma regionalização, é necessário refletir sobre as intenções de quem a produziu e sobre a validade atual do raciocínio empregado.

Regionalizações possíveis no mundo pós-Guerra Fria 

Com o fim da Guerra Fria, o capitalismo se tornou o sistema socioeconômico predominante no mundo. Entretanto, as desigualdades que ele produz inspiram regionalizações baseadas em níveis de desenvolvimento. 
É importante destacar que nem todos compreendem o termo desenvolvimento da mesma maneira. Para alguns, desenvolvimento remete ao dinamismo econômico. Nesse sentido, um país subdesenvolvido seria aquele marcado pela situação de estagnação da economia. 
Outros interpretam o desenvolvimento em uma pers pectiva evolutiva, na qual os países subdesenvolvidos (também chamados “países em desenvolvimento” ou “países emergentes”) estariam caminhando para a condição de desenvolvidos. 
Há também aqueles que entendem o desenvolvimento como resultado das trocas desiguais nas relações internacionais, assim, os exportadores de matéria-prima seriam subdesenvolvidos ou “países menos avançados” porque ocupam posição desvantajosa diante dos países que exportam produtos sofisticados do ponto de vista tecnológico. Por fim, há os que defendem que o desenvolvimento não pode ser associado apenas a questões econômicas, mas deve incluir as condições de vida da população, considerando o acesso a serviços fundamentais, como saúde e educação, bem como a qualidade desses serviços
Tais visões sobre o desenvolvimento influenciam as regionalizações propostas, podendo orientar políticas econômicas de modo diferenciado. De qualquer maneira, vale ressaltar que as regionalizações inspiradas no nível de desenvolvimento são feitas sobretudo por grandes organizações internacionais. Essas instituições são responsáveis, em grande medida, pelo capitalismo global. Entre elas estão o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
De maneira geral, de acordo com o grau de desenvolvimento, é possível identificar pelo menos três grupos de países. O primeiro grupo é formado por países ricos, ou desenvolvidos, que sediam grandes corporações internacionais, utilizam tecnologia de ponta em sua produção e apresentam população com renda elevada, além de bons indicadores sociais, como expectativa de vida ao nascer e acesso a serviços de saúde.
O segundo grupo compreende os países que apresentam desenvolvimento intermediário, ou seja, são países industrializados, cuja produção utiliza tecnologias modernas, embora a renda da população seja relativamente baixa. São também chamados de emergentes pelo fato de terem aumentado sua influência no mundo, tanto no campo econômico, pelo crescimento do PIB, quanto no cenário político, devido à sua participação com destaque nas decisões mundiais ou regionais.
No terceiro grupo estão os países mais pobres, nos quais a população vive com baixa renda, a produção é pouco industrializada e a economia se baseia em produtos primários voltados à exportação. Nesses países, os indicadores socioeconômicos são baixos e a população carece de melhores condições sociais e econômicas: o acesso à água tratada e a serviços de saúde, por exemplo, é restrito a uma pequena parcela de seus habitantes.

Norte e Sul geoeconômico 

A análise dos indicadores socioeconômicos também pode ser utilizada como critério de regionalização. Das regionalizações baseadas no nível de desenvolvimento, uma das mais usuais é aquela que divide o mundo em duas regiões geoeconômicas: o Norte (países ricos/desenvolvidos) e o Sul (países pobres/subdesenvolvidos ou em desenvolvimento). 
Essa divisão norte e sul difere da divisão geográfica que tem por base a linha do equador, separando a Terra em dois hemisférios. 
Trata-se de uma classificação geoeconômica que remete a uma linha simbólica denominada “Linha Norte-Sul”. Segundo os critérios econômicos adotados por essa regionalização, países desenvolvidos situados no hemisfério sul, como a Austrália e a Nova Zelândia, são considerados países do Norte. Por outro lado, a Mauritânia, por exemplo, que se situa no hemisfério norte, é considerada um país do Sul. 
Nessa regionalização, os países do Norte são aqueles que primeiro dominaram o modo de produção industrial, ampliando seus ganhos econômicos. Nesses países, o Estado produz maior riqueza e, portanto, tem maior poder de investimento em tecnologia e em setores sociais, como saúde, educação e moradia. 
Os países do Sul são aqueles que realizaram um processo de industrialização recente e dependente de investimentos e de tecnologia externa. Entre os países do Sul, há uma região formada por países que, por meio de diferentes estratégias, têm alcançado taxas expressivas de crescimento econômico: os países emergentes. 
Apesar de contribuir para evidenciar a desigualdade econômica global, como em toda regionalização, suas regiões não são homogêneas. As sim, esse modelo não é capaz de mostrar as disparidades existentes no interior dos países. Há casos de países prósperos financeiramente, mas que contam com altas taxas de desigualdade de renda e não oferecem serviços que garantam o bem-estar da população. Nos Estados Unidos, por exemplo, os níveis de pobreza e desemprego têm crescido, apesar de o país ocupar posição de destaque entre os mais ricos do mundo. Em 2020, havia 37,2 milhões de estadunidenses na pobreza.
Entre os países do Sul também existe uma enorme diversidade: há países que, apesar do baixo desenvolvimento industrial, conseguem atender a população em suas necessidades essenciais, enquanto há outros em que muitos vivem na miséria.  
Ainda que a atividade industrial esteja presente em boa parte  do mundo atual, nos países do Sul há dependência das tecnologias desenvolvidas nos países do Norte. Além disso, eles atraem empresas transnacionais para seu território, que buscam explorar a mão de obra barata e transferir seus seus passivos ambientais. 

Regionalização segundo a renda 

A regionalização com base na renda da população é elaborada segundo critérios propostos pelo Banco Mundial, que considera a renda per capita. 
Essa regionalização agrupa os países da seguinte forma: renda baixa – países com renda inferior a 1 035 dólares per capita; renda média baixa – países com renda de 1 035 a 4 085 dólares per capita; renda média alta – países com renda de 4 086 a 12 616 dólares per capita; renda alta – países com renda superior a 12 616 dólares per capita. 
Vale lembrar que o cálculo se baseia na média de renda, omitindo, portanto, as desigualdades econômicas existentes no interior do país.
A renda per capita é um indicador cujo cálculo se baseia na média de renda da população de um país, portanto não significa que todos os habitantes tenham a mesma situação econômica. Em todos os países há pessoas com maior e menor capacidade de compra. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A regionalização do espaço mundial

O conceito de regionalizar

Cada fenômeno geográfico, seja natural (como o relevo, o clima ou a vegetação) ou social (como o crescimento populacional, a migração ou a urbanização), possui uma localização e uma extensão. Isso significa que podemos localizar os fenômenos geográficos e identificar sua abrangência espacial. Às vezes, um mesmo espaço combina fenômenos geográficos distintos de modo particular, conferindo-lhe especificidade.
Regionalizar é dividir o espaço de acordo com a presença de um ou mais fenômenos naturais ou sociais que caracterizam uma região e a diferenciam das áreas em seu entorno. Esse recurso é muito usado para agrupar países que apresentam características comuns. Como o mundo é muito diversificado, foram criadas diferentes formas de regionalização.

Formas de regionalização

Uma regionalização é feita com base em critérios previamente definidos e de acordo com o olhar de quem a realiza. Os valores e interesses do observador sempre estão presentes no momento de definir uma forma de regionalização, por isso, qualquer tipo de agrupamento pode ser questionado. 
Toda regionalização, porém, utiliza critérios baseados na realidade. Caso contrário, ela não terá utilidade para fins de estudo. Além disso, como a natureza e a sociedade são dinâmicas, os fenômenos mudam o tempo todo, e essa é uma das razões que explicam por que as regionalizações precisam ser constantemente revistas e atualizadas.
Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países com bom nível de desenvolvimento socioeconômico e países com sérios problemas sociais e econômicos – em desenvolvimento.
A análise das relações entre países de diferentes níveis de desenvolvimento socioeconômico, considerando o IDH e o papel de cada país na Divisão Internacional do Trabalho (DIT), pode ser realizada com base em um estudo regional. Neste volume, esse estudo se concentra nos continentes africano e americano. 
Existem outras propostas para a análise do mundo em que vivemos. No entanto, a opção pela divisão regional em continentes oferece a vantagem defa cilitar o estudo de aspectos naturais, políticos e socioeconômicos, entre outros, dentro de um mesmo bloco territorial.
Na África foi estabelecida uma regionalização que subdivide o continente em África do Norte – de influência árabe e islâmica, que apresenta, em linhas gerais, IDH superior à grande porção situada ao sul do deserto do Saara – e em África Subsaariana – uma das regiões mais pobres do mundo, com população predominantemente negra e grupos étnicos bastante diferenciados, nos quais o IDH é baixíssimo. A África do Sul, pelo nível de industrialização e por outras carac terísticas socioeconômicas, merece uma abordagem específica.
Na América, a regionalização agrupa, de um lado, os países desenvolvidos, que formam a chamada América Anglo-Saxônica (Estados Unidos e Canadá); de outro, os países da América Latina, que apresenta IDH bem mais baixo, porém, não forma um conjunto homogêneo, como veremos.
Na Europa, os países da parte ocidental, mais desenvolvidos, formam um bloco diferenciado em relação aos países da parte oriental do continente, onde o IDH é comparativamente mais baixo. A Rússia, cujo território está situado nos continentes europeu e asiático, apresenta especificidades e certa influência no mundo que permitem uma abordagem particular.
A Ásia é um continente com grandes contrastes sociais, culturais e econômicos. A bacia do Pacífico, sob a liderança do Japão, agrupa países com os melhores índices de crescimento econômico do con tinente, como a China e os chamados Tigres Asiáticos. O Oriente Médio forma outro bloco, marcado por questões econômicas, religiosas e estratégicas em comum, com grandes repercussões no mundo atual.

A importância de regionalizar

Uma regionalização é útil para diversos fins. Ela serve como ponto de partida ou chegada para a realização de estudos das relações entre fenômenos; para orientar políticas públicas de conservação ambiental ou políticas públicas sociais; para o planejamento de investimentos de empresas privadas; entre outros. Uma empresa de roupas infantis, por exemplo, pode regionalizar o espaço de acordo com a renda da população residente em uma área e o percentual de crianças que compõem as famílias. 
Ao identificar uma área que apresente, simultane amente, uma população com predomínio de alta renda e famílias com crianças, pode privilegiá-la para a instalação de uma nova loja. É possível também fazer uma regionalização de países de acordo com suas características naturais ou interesses comuns em determinado período da história. 
A regionalização pode ser mapeada e apontar como os países se organizam em determinado aspecto: econômico, demográfico, etc. O mapeamento da situação social e econômica de determinados países, baseada em uma regionalização, permite, por exemplo, avaliar e orientar políticas de organizações internacionais, como a definição dos países que devem assumir maior responsabilidade na conservação ambiental ou no controle da poluição, por exemplo

Indicadores sociais - O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

Chamamos de indicadores sociais os dados de uma população que, quando analisados em conjunto, revelam as condições de vida em determinado território e período. Embora tenham diferentes metodologias de cálculo, os indicadores têm algo em comum: eles mostram uma média, e isso significa que não são capazes de revelar situações particulares. 

Desigualdade de gênero 


Desde 2010 o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) coleta e sistematiza dados sobre as condições de vida das mulheres em seus países-membros.  O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) leva em consideração três dimensões da vida das mulheres: a saúde reprodutiva, a capacitação (participação política e escolaridade) e o mercado de trabalho.  Com acesso a dados sistematizados, os governos podem identificar a desigualdade de gênero e criar políticas públicas voltadas para sua resolução. 

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado, em 1990, pelo Pnud, com o objetivo de comparar as condições de vida nos países e de identificar aqueles que mais necessitam de apoio para reduzir a pobreza e a exclusão social. 
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), indicador estabelecido pela ONU para avaliar o nível de desenvolvimento econômico e social dos países, foi criado por um grupo de especialistas para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Expresso em relatórios periódicos, o IDH conta com dados sobre três dimensões básicas:
• renda, materializada pelo Produto Nacional Bruto (PNB) per capita, isto é, dividida pelo número de habitantes. 
• educação, por meio da média de anos de escolaridade; 
• saúde, por meio dos dados de expectativa de vida.
Segundo essa metodologia, os países são classificados em desenvolvimento humano muito elevado, elevado, médio e baixo. E, de tempos em tempos, o Pnud gera outros indicadores, como igualdade de gênero, emissão de gases poluentes e outras pressões sobre os recursos naturais, para atualizar o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). 
O primeiro Relatório do Desenvolvimento Humano foi publicado em 1990, e, desde então, é atualizado anualmente, classificando os países do globo de acordo com seu nível de desenvolvimento econômico e social. É preciso ressaltar que a geração de um volume cada vez maior de riquezas (bens e serviços) não garante melhoria das condições de vida da maioria dos habitantes dos países porque essa riqueza, em geral, é mal distribuída, principalmente nos países em desenvolvimento. 
Há diversos casos de países que apresentaram expressivo crescimento econômico entre a segunda metade do século XX e este início de século, porém não acompanhado de um desenvolvimento social efetivo, ou seja, com benefícios a toda a população nas áreas de saúde, educação, habitação, saneamento básico, transporte, etc. 
Em razão das más condições de vida de parte de suas populações e das fortes desigualdades sociais existentes, países como Brasil, México e Argentina, por exemplo, são classificados como emergentes.
O RDH de 2020 indicou que Noruega, Irlanda e Suíça apresentaram os mais elevados IDHs, enquanto nas últimas posições estavam Níger, República Centro-Africana e Chade. O Brasil estava no grupo de países com IDH elevado, com Cuba, Mongólia e Paraguai, por exemplo. 
Para classificar os países, o IDH leva em consideração três dimensões do processo de desenvolvimento humano: 
• a longevidade, medida pela expectativa ou esperança de vida ao nascer, con siderando as condições de moradia, saúde e alimentação; 
• o conhecimento, que considera a média de anos de escolaridade dos habitan tes com 25 anos ou mais e os anos de escolaridade esperados, ou seja, o nú mero de anos de estudo que se espera de uma criança ao ingressar na escola; • o Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita (por indivíduo) ajustado, que é a renda nacional bruta dividida pelo número de habitantes do país, expressa em dólares, considerando o poder de compra da população.
Embora o IDH não seja um indicador ideal, ele apresenta a vantagem de con siderar o desenvolvimento de forma mais abrangente e avaliar, até certo ponto, o acesso da população aos benefícios proporcionados pelo crescimento econômi co. Os indicadores mais gerais de desenvolvimento sempre estiveram limitados ao desempenho econômico, como o PIB ou o PIB per capita. 
A consideração do Índice de Riqueza Inclusiva exige uma alteração nos padrões de produção e consumo nos países. Demanda a busca por um desenvolvimento sustentável, ou seja, que atenda às necessidades das populações no presente sem comprometer as demandas das gerações futuras. 
Nessa perspectiva, a utilização dos recursos deve ocorrer de acordo com a capacidade de reposição da natureza, de modo que o crescimento econômico não agrida violenta e irreparavelmente os ecossistemas e possa, ao mesmo tempo, equacionar problemas sociais. Desse modo, deve ter como prioridade a diminuição da pobreza e da desigualdade social.

Insegurança alimentar

A Escala de Experiência em Insegurança Alimentar foi desenvolvida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) e visa identificar o número de pessoas sem acesso regular a alimentos em quantidade suficiente e com qualidade adequada. 
O número de pessoas em situação de insegurança alimentar cresceu durante a pandemia da covid-19. Segundo dados da ONU, de 2021, cerca de 811 milhões de pessoas enfrentaram a fome durante o primeiro ano da pandemia. Aproximadamente 12% da população global esteve em estado de insegurança alimentar grave nesse período.
 

A Divisão Internacional do Trabalho

Desde as Grandes Navegações, diferentes partes do mundo interagem realizando transações comerciais. Durante o período mercantilista (séculos XV-XVIII), por exemplo, as metrópoles mantiveram saldo positivo nas transações, pois exploravam recursos naturais das colônias e vendiam produtos manufaturados, com maior valor agregado valor agregado. 
A Divisão Internacional do Trabalho (DIT), iniciada nos séculos XV e XVI, correspondeu, a princípio, à delineação do papel das metrópoles e das colônias no contexto da produção e do comércio internacional. Coube às colônias o fornecimento de produtos agrícolas, como cana-de-açúcar, tabaco e algodão, e de especiarias e metais preciosos, que eram comercializados pelas metrópoles na Europa com grandes lucros.
No final do século XVIII, a Revolução Industrial desencadeou a desestruturação do sistema colonial, ou seja, da exclusividade de comércio imposta pelas metrópoles às suas colônias. A industrialização exigia maiores quantidades de matérias-primas e mais consumidores para as mercadorias, que passavam a ser produzidas em larga escala.
Com a Revolução Industrial, a Divisão Internacional do Trabalho foi intensificada, pois os “papéis” determinados para os países ficaram ainda mais evidentes:
• países de industrialização antiga, com vantagem nas transações comerciais por negociar produtos transformados; merciais por negociar produtos transformados; 
• países ainda não industrializados, com desvantagem, pois comercializavam matérias-primas de baixo valor. 
Nesse contexto, teve início, entre o final do século XVIII e o início do século XIX, o processo de independência de várias colônias, sob influência dos ideais da Revolução Francesa. No entanto, a independência política não trouxe independência econômica, tampouco modificou a realidade social das ex-colônias. Por outro lado, os países industrializados ampliaram sua capacidade produtiva e sua margem de lucro, intensificando as diferenças econômicas e sociais em relação aos países exportadores de matérias-primas.
A Divisão Internacional do Trabalho, portanto, caracteriza a interdependência entre as atividades econômicas realizadas em diferentes partes do globo e o pa pel que cada país ou cada região ocupa na economia mundial, considerando o que produz, o que exporta e o que importa, entre outros aspectos. Essa divisão do trabalho em âmbito internacional só ocorreu com a conso lidação do sistema capitalista, que integrou a economia mundial e estabeleceu, em cada uma de suas fases de evolução, o papel que cabia a cada região ou país.
Os Estados tiveram participação significativa na instalação das unidades de produção dessas empresas em seus territórios, pois foi necessário construir toda uma infraestrutura energética, de sistemas de telecomunicações e redes de transporte, entre outras. 
O desenvolvimento dos meios de transporte e das telecomunicações acrescentou outras características à nova Divisão Inter nacional do Trabalho. Ela está organizada em redes de produção, por meio das quais uma empresa transnacional contrata empresas em outras partes do mundo para realizar a atividade produtiva ou a distribuição e comercialização de seus produtos. Os países centrais concentram a fabricação de produtos de tecnologias mais sofisticadas, o desenvolvimento de novos produtos, o setor de marketing, os serviços financeiros e a gerência administrativa das grandes empresas.

A nova Divisão Internacional do Trabalho

No século XX, principalmente a partir de 1950, ocorreu a chamada industria lização tardia, que se caracterizou pela concentração industrial em países como Brasil, México e Argentina, na América Latina; África do Sul, no continente africa no; e, a partir da década de 1960, Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e outros países da Ásia.
Esse processo ocorreu por meio das transnacionais, que instalaram filiais em diversas partes do mundo, particularmente nos países atualmente denomi nados emergentes, pelo fato de oferecerem condições vantajosas: matérias-pri mas, mercado consumidor, mão de obra abundante e barata e baixos impostos. De modo geral, a industrialização desses países acabou atendendo a interes ses específicos das indústrias transnacionais, com algumas exceções, como em Taiwan e, sobretudo, na Coreia do Sul, onde o apoio estatal permitiu a formação de grandes corporações.
Esse contexto deu origem a uma nova Divisão Internacional do Trabalho, na qual alguns países em desenvolvimento, além de produzir e exportar matérias-primas agrícolas e minerais, transformaram-se em produtores e exportadores de produtos industrializados.

Características do desenvolvimento e dos países em desenvolvimento 

Para começar, analisamos alguns fatores que permitem classificar um país como “desenvolvido” ou “em desenvolvimento”, considerando o contexto mundial. Após conhecer as características gerais desses dois grupos, você vai analisar a seguir aspectos econômicos e sociais mais específicos. 
Os países desenvolvidos ou do centro são grandes polos financeiros e tecnolgicos mundiais e dominam as grandes decisões políticas e econômicas internacio nais. Entretanto, como visto anteriormente, os países emergentes também vêm in fluenciando as decisões tomadas no âmbito financeiro e econômico internacional. Nos países desenvolvidos predominam as atividades econômicas industriais, comerciais e de serviços. 
A agricultura é praticada com o auxílio de técnicas modernas e com elevado índice de mecanização, diminuindo a necessidade de mão de obra. Uma pequena parcela da população se dedica ao setor primário. Em muitos países desenvolvidos, esse percentual não chega a 5% da Popula ção Economicamente Ativa (PEA), como no caso dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália, por exemplo.
Nos países em desenvolvimento, a situação é bem diferente, apesar da diversidade de condições socioeconômicas. A agropecuária e o extrativismo são as principais atividades praticadas nesses países e, de modo geral, sobretudo na África e em alguns países da Ásia, essas atividades são praticadas de forma rudimentar, apresentando baixa produtividade.
A presença de uma atividade industrial amplamente diversificada, com alguns setores de tecnologia mais avançada, embora dependente dos países desenvolvidos, é restrita a poucos países que se industrializaram na segunda metade do século XX. 
Nos países em desenvolvimento, uma pequena parcela da população desfru ta de boas condições de vida, equiparadas às da população dos países desenvol vidos. Entretanto, a maioria da população se alimenta de forma insuficiente, mora em habitações precárias e apresenta alto índice de analfabetismo, entre outros indicadores negativos que justificam a baixa expectativa de vida em boa parte desse grupo de países. 
A escolarização de uma parcela significativa da população desses países é deficiente, o que compromete a qualificação profissional e o desenvolvimento socioeconômico futuro na maior parte dos países desse grupo. 
O índice de mortalidade infantil, elevado em comparação ao dos países desenvolvidos, ocorre em função de desnutrição das mães e dos recém-nascidos e das más condições de saúde e higiene oferecidas à população.


Desenvolvimento econômico e social no mundo capitalista

Mudanças decorrentes do sistema capitalista

Desde o início de sua formação, o sistema capitalista provocou profundas al terações no modo de vida das pessoas, nas relações econômicas entre os países e na organização do espaço geográfico. O capitalismo também transformou as re lações entre as diversas regiões do mundo. Nesse contexto, os países que realiza ram a Revolução Industrial até o século XIX construíram um vasto império colonial.
Além de terem estruturado os organismos internacionais que influenciam e regulam as relações entre os países, esses países mantiveram o domínio sobre os antigos territórios colonizados, mesmo após a descolonização.
Após conquistarem independência política, muitas ex-colônias permanece ram na mesma condição, ou seja, como países produtores e exportadores de ma térias-primas. Entretanto, no período posterior à Segunda Guerra Mundial (1939- -1945), vários desses países – como Brasil, México (figura 18), Argentina e África do Sul – alcançaram grande desenvolvimento industrial e modernizaram diferen tes setores de sua atividade produtiva.
Em uma etapa seguinte, diversos países da Ásia se destacaram pelo alto índice de crescimento industrial e pela modernização na economia, como Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong (atual Região Administrativa Especial da China), além da própria China. A partir dos anos 1990, vários outros países asiáticos ingressaram no processo de modernização, como Indonésia, Malásia e Vietnã, cada um, como no caso dos países anteriores, com as suas particularidades.

Países emergentes

Alguns países que se modernizaram a partir da segunda metade do século XX alcançaram maior protagonismo no cenário político-econômico internacional em razão de sua capacidade de geração de serviços, produção de bens e acúmulo de reservas internacionais. São exemplos a China, a Índia, o Brasil e a Coreia do Sul.
Esses e diversos outros países que não apresentam o mesmo nível de desenvolvimento social e econômico dos chamados desenvolvidos, como México, Argentina, Indonésia, África do Sul, Egito, Turquia, Filipinas, Malásia e Irã, são chamados países emergentes.
A China vem alcançando grande projeção no cenário econômico mundial, com papel determinante no desempenho da economia global. Em termos de capacidade produtiva, consumo de recursos minerais e acúmulo de reservas internacionais, é o país que mais se destaca no grupo dos emergentes e, atualmente, é a segunda maior economia do mundo, compondo com os Estados Unidos o G2 – grupo formado pelos dois maiores PIBs mundiais. A influência financeira e eco nômica chinesa vem crescendo em todos os continentes.
Entretanto, apesar da modernização na economia, do vigoroso crescimento econômico de alguns setores e do maior protagonismo no cenário global dos emergentes, os países que se industrializaram a partir da segunda metade do século XX não resolveram diversos de seus problemas sociais. Muitos ainda man têm forte dependência cultural e tecnológica em relação ao mundo desenvolvido.
Por outro lado, alguns países, graças a programas de transferência de renda, ga nhos reais no salário mínimo e aumento no valor das aposentadorias, apresen taram melhorias em termos de distribuição de renda, como ocorreu no Brasil na década passada.
Atualmente, a maior parte dos países da América Latina, da Ásia e quase to dos os países da África se encontram em uma situação marcada pelo subdesen volvimento, com dependência econômica, financeira, tecnológica e cultural, seja dos países desenvolvidos, seja dos principais emergentes.

BRICS 

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul formam o grupo que tem maior ex pressão entre os emergentes, denominado BRICS (sigla formada com a letra ini cial do nome de cada país, em inglês). Na crise econômico-financeira iniciada em 2008, os países do BRICS, sobre tudo os quatro primeiros, encontravam-se em situação privilegiada para enfren tar crises econômicas, principalmente em razão de suas elevadas reservas in ternacionais, de modo que havia um fluxo de investimentos de alguns países do BRICS e de outros emergentes para alguns países desenvolvidos. Por esse moti vo, desde 2011, os países emergentes vêm reivindicando uma participação mais ativa nos organismos financeiros internacionais, como o FMI. 
Outro aspecto relevante entre os países que compõem o BRICS é o comér cio internacional. Entre eles há uma intensa comercialização de produtos, desde commodities até outros de maior valor agregado, como máquinas e tecnologia.
Embora sejam muitas as diferenças entre os países que formam o BRICS – tanto no que diz respeito a aspectos internos (cultura, história, economia) quan to externos (relações internacionais) –, o grupo vem buscando se fortalecer no mercado internacional. 
Em 2014, os países do BRICS acertaram a criação de um banco, o NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), com o objetivo de financiar pro jetos de infraestrutura em países emergentes. Essa é uma das ações do grupo no sentido de somar forças de modo a garantir maior independência em relação aos recursos internacionais e afirmar sua legitimidade. 
Se, por um lado, a construção de um grupo coeso e afinado é um desafio para o BRICS, visto que as disparidades entre seus membros são grandes, por outro, África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia, juntos, possuem um peso inegável no cenário internacional: reúnem quase 50% da população mundial, o que significa um imenso mercado produtor e consumidor, e cerca de 25% do PIB per capita.

As origens da dependência 

A origem do processo de formação dos países desenvolvidos e em desenvolvimento remonta às grandes navegações empreendidas pelos Estados nacionais europeus a partir do século XV, época em que a Europa expandia o seu comércio e em que o principal interesse eram as especiarias. 
Nesse processo, potências europeias como Portugal, Espanha, Países Baixos, França e Inglaterra (metrópoles) ocuparam e colonizaram diversos territó rios (colônias) na América, na África, na Ásia e na Oceania, submetendo os povos à sua cultura e controlando a extração de riquezas naturais e as atividades pro dutivas. Portugal e Espanha lideraram a primeira fase do colonialismo, que teve início na Europa Ocidental, criando rotas pelas Índias até alcançarem o Novo Mundo (América). 
A exploração dos recursos das colônias, como metais preciosos, minérios e produtos agrícolas, proporcionou grande enriquecimento das metrópoles. Exce ções a essa forma de colonialismo de exploração foram as ex-colônias nas quais houve colonialismo de povoamento, que deram origem aos atuais Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Expressões para designar os grupos de países 

Os termos subdesenvolvimento e Terceiro Mundo tiveram origem após a Se gunda Guerra Mundial, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou uma série de dados estatísticos sobre a situação socioeconômica de vários países do mundo. A partir de então, os índices de desenvolvimento econômico e nível de qualidade de vida dos países começaram a ser quantificados. 
Essas duas expressões passaram a ser empregadas para classificar os países mais pobres do planeta, nos quais a maior parte da população apresentava más condições de vida, porém, com o tempo, se tornaram pejorativas, sinônimos de pobreza. Além disso, o conceito de Terceiro Mundo perdeu o sentido após o fim da Guerra Fria.
Atualmente, várias organizações internacionais, principalmente aquelas liga das à ONU, preferem utilizar o termo países em desenvolvimento, ressaltando a potencialidade desses países para atingir um nível mais elevado de desenvolvi mento e se tornarem desenvolvidos. Também são utilizadas as denominações centro, para designar os países desenvolvidos que têm papel de comando na economia mundial – chamados de países do Norte (pois a maioria está localizada nesse hemisfério) –, e periferia, para caracterizar os países em desenvolvimento (países do Sul). Os países do centro controlam a maior parte dos investimentos em pesquisa e desenvolvimen to de novas tecnologias e detêm a maior parte das universidades e as melhores instituições de ensino. 
É comum alguns economistas e outros especialistas utilizarem a expressão “semiperiferia” para se referir a países de periferia que atingiram um nível de industrialização maior do que o dos demais – o que os coloca no grupo dos países industrializados – e que apresentam valores expressivos de PIB. Esses são os chamados países emergentes.




Os blocos econômicos regionais

Outra tendência importante verificada na atual fase do sistema capitalista é a formação dos blocos econômicos regionais. Nesses blocos, os países buscam, em geral, maior integração econômica, negociando maior liberdade comer cial entre os associados. São exemplos a União Europeia, o Mercosul e o Nafta, entre outros.
Cada um deles apresenta particularidades e diferentes níveis de integração, com o objetivo de se inserir no mundo globalizado de forma mais competitiva. A globalização e a intensificação da concorrência no mercado mundial en tre empresas e países impulsionaram a formação dessas alianças de integração econômica regional.
Os primeiros blocos econômicos regionais tiveram origem na Europa, após a Segunda Guerra Mundial, com a formação da Comunidade Econômica Europeia (CEE), em 1957, que evoluiu até se transformar, em 1993, em União Europeia (UE).
A liberalização comercial pode ocorrer tanto em âmbito mundial, por intermé dio da OMC, como em âmbito regional, com os acordos comerciais definidos em cada bloco econômico. Cerca de 60% a 70% do comércio mundial ocorre dentro dos acordos de livre-comércio ou de outras formas de integração comercial (ou tros tipos de blocos comerciais). As modalidades de blocos econômicos existentes no mundo são: 
• Zona ou acordo de livre-comércio: pressupõe acordos comerciais que visam exclusivamente à redução ou eliminação de tarifas aduaneiras (impostos de importação) entre os países-membros do bloco. Exemplo: Nafta. 
• União aduaneira: além de reduzir ou eliminar as tarifas aduaneiras entre os países do bloco, estabelece as mesmas tarifas de exportação e importação para o comércio com países fora do bloco, com a implantação da TEC (Tarifa Externa Comum). É o caso, atualmente, do Mercosul. 
• Mercado comum: visa à livre circulação de pessoas, mercadorias, capitais e serviços. O único bloco que atingiu essa etapa foi a União Europeia, que tam bém constituiu uma união econômica e monetária com a adoção de uma moeda única.

Crise financeira e econômica do final dos anos 2000

No início do segundo semestre de 2008, o mundo capitalista passou por uma séria crise financeira e econômica, que teve origem nos Estados Unidos, em 2007. Os analistas econômicos, tanto do setor privado como dos governos de países e organismos internacionais, classificaram essa crise como a mais grave ocorrida desde a intensificação do processo de globalização, a partir dos anos 1970/1980.
A crise foi desencadeada pela expansão dos financiamentos para compra de imóveis nos Estados Unidos, em razão dos juros baixos que o governo estadunidense vinha mantendo desde o início dos anos 2000. Essa política gerou forte valorização dos imóveis, estimulando as pessoas que haviam contraído financiamentos (mutuários) a refinanciar suas dívidas.
Nesse processo de refinanciamento, os mutuários recebiam uma diferença em dinheiro, em geral utilizada para consumo. Diversos bancos criaram títulos que tinham como garantia os financiamentos para compra de imóveis (títulos garantidos com hipotecas). Investidores que adquiriram esses títulos emitiam, por sua vez, outros títulos que tinham como garantia os títulos anteriores, e essa prática se espalhou por todo o sistema financeiro.
Com o consumo em alta, a inflação aumentou. Para frear esse aumento, o governo dos Estados Unidos elevou os juros, afetando as mensalidades dos finan ciamentos dos imóveis, que ficaram mais caros. Como consequência, centenas de milhares de proprietários deixaram de pagar os financiamentos, os preços dos imóveis despencaram e os títulos se desvalorizaram acentuadamente.
Em decorrência, houve quebra de bancos e empresas, cortes de empregos e redução da oferta de crédito por parte das instituições bancárias. As demissões reduziram o mercado de consumo e aqueles que mantiveram o emprego preferiram poupar. A crise se intensificou. Os governos dos países desenvolvidos, sobretudo dos Estados Unidos, injetaram recursos financeiros em empresas e bancos, na tentativa de ameni zar os efeitos da crise e de evitar uma quebra geral no sistema financeiro. 
Em razão da forte integração entre as economias nacionais no contexto da globalização, e pelo fato de a crise ter se originado nos Estados Unidos, afetando sua economia – o país gera 1/5 do PIB mundial –, seus efeitos foram rapidamente sentidos em todo o mundo, em maior ou menor grau. Entre 2010 e 2012, houve uma intensificação da crise e de seus desdobra mentos, com a ampliação significativa das dívidas públicas dos países desenvolvidos.
Com a crise, a desregulamentação do sistema financeiro internacional, um dos pilares do neoliberalismo, passou a ser fortemente questionada. A fiscalização e o controle mais rigorosos da economia por parte do Estado nos sistemas financeiros nacional e internacional, inibindo a especulação, passaram a ser apontados como medidas extremamente necessárias por diversos economistas.

Distribuição e diversidade da população mundial

Segundo a Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), a área da superfície da Terra é de 510 milhões de quilômetros quadrados. Destes, cerca...