sábado, 2 de maio de 2026

Animais invertebrados

Os invertebrados correspondem a mais de 95% das espécies conhecidas de animais. Eles apresentam uma grande diversidade, com representantes de forma e tamanho variados, e são encontrados em praticamente todos os ambientes do planeta. Para classificar essa diversidade, muitos critérios são utilizados, principalmente o tipo de organização corporal. 
Assim, os grupos são formados, em geral, por organismos mais assemelhados, que compartilham características exclusivas do grupo. É importante considerar que a semelhança pode refletir o grau de parentesco e a existência de um ancestral comum entre os seres.

SIMETRIA 


A simetria corporal é determinada quando o corpo de um ser vivo é dividido por um plano imaginário que passa pelo seu eixo central, resultando em duas partes iguais. Se o corpo é dividido por um único plano, a simetria é bilateral; se ele puder ser dividido em vários planos, a simetria é radial. 
Várias características do animal, como a locomoção, estão relacionadas ao seu tipo de simetria. Em geral, organismos que se locomovem livremente apresentam simetria bilateral, e animais sésseis, ou seja, que vivem presos a um substrato, apresentam simetria radial.
Portanto, o tipo de simetria é um dos critérios utilizados na classificação dos animais.
(A)

(B)
(A) A anêmona-do-mar apresenta simetria radial. Note que há mais de um plano de corte produzindo duas metades iguais. (B) A lagosta é bilateralmente simétrica, ou seja, apenas um plano de corte a divide em duas metades iguais. 

PORÍFEROS 


Popularmente conhecidos como esponjas, os poríferos são encontrados apenas em ambientes aquáticos, especialmente em águas salgadas. São conhecidas cerca de 8 mil espécies desse grupo. 
Esponjas do gênero Agelas sp. no litoral de Honduras, na América Central.

O nome do grupo se refere à presença de inúmeros poros na parede corporal desses animais. O formato do corpo varia bastante; os mais simples assemelham-se a um vaso. Não há
órgãos ou tecidos verdadeiros.
Os adultos não se locomovem e, geralmente, vivem presos a um substrato, como rochas ou recifes de coral.

CNIDÁRIOS 


Os cnidários são animais aquáticos com estrutura corporal bastante simples, mas possuem agrupamentos de células semelhantes entre si, organizadas em tecidos verdadeiros. 
O nome do grupo se refere à presença de cnidócitos, células que liberam toxinas com funções de defesa e captura de alimentos. São conhecidas cerca de 10 mil espécies de cnidários, que apresentam duas formas básicas: medusas e pólipos. 
Os pólipos geralmente vivem presos a um substrato, ao passo que as medusas podem se locomover livremente. Muitos cnidários têm alternância entre as duas formas corporais durante seu ciclo de vida, mas algumas espécies apresentam exclusivamente uma dessas formas. 
O corpo dos cnidários apresenta uma pare de corporal delimitando a cavidade gastrovascular, que se abre em uma boca. Os tentáculos, geralmente localizados ao redor da boca, são prolongamentos da parede corporal. Não há um esqueleto sustentando o corpo.
Células nervosas coordenam o movimento dos tentáculos, que capturam as presas. Os cnidócitos, abundantes nos tentáculos, liberam toxinas que podem paralisar e até matar a presa. Uma vez dentro do corpo, o alimento é digerido parcialmente na cavida de gastrovascular. A digestão é finalizada no interior de células especiais, e os resíduos da digestão são eliminados pela boca. 
As trocas gasosas dos cnidários são feitas diretamente pelas células corporais.
Anêmona da espécie Bolocera tuediae, um exemplo de pólipo. 


Água-viva da espécie Olindias formosus, um exemplo de medusa.


PLATELMINTOS 


Os platelmintos têm corpo maciço e achatado. Seu tamanho varia de 1 milímetro a vários metros de comprimento, dependendo da espécie. 
Como outros invertebrados alongados e de corpo mole, são popularmente conhecidos como vermes. São animais com simetria bilateral. O sistema nervoso dos platelmintos é pouco desenvolvido. Em geral, apresentam tubo digestório incompleto, sem ânus. Algumas espécies são parasitas e não têm sistema digestório, absorvendo nutrientes direta mente do hospedeiro. 
As trocas gasosas ocorrem diretamente entre as células e o meio externo. Os platelmintos não têm esqueleto. 
A sustentação é feita pelos músculos da parede do corpo e pelos líquidos internos. A locomoção em geral é feita por rastejamento.
Há cerca de 20 mil espécies conhecidas de platelmintos, a maioria de vida livre, habitando ambientes aquáticos ou ambientes terrestres úmidos. Alguns platelmintos são parasitas e vivem no corpo de animais hospedeiros. 
A tênia e o esquistossomo são platelmintos parasitas de humanos. Para se prevenir contra as doenças causadas por esses animais, é fundamental a adoção de medidas de saneamento básico e hábitos adequados de higiene e preparo dos alimentos.

As planárias do gênero Diversibipalium sp. são terrestres.


NEMATÓDEOS 


Assim como os platelmintos, os nematódeos são popular mente conhecidos como vermes. Eles têm o corpo alongado e cilíndrico, com uma cavidade interna cheia de líquido. Atual mente, são conhecidas cerca de 25 mil espécies de nematódeos. 
As espécies podem ser de vida livre e viver em ambientes aquáticos ou em ambientes terrestres úmidos. Algumas espécies são parasitas de outros animais ou plantas. A lombriga (Ascaris lumbricoides), causadora da ascaridíase, e o Ancylostoma duodenale, causador da ancilostomose, são exemplos de nemátodos parasitas do ser humano.

A lombriga pode atingir mais de 30 cm de comprimento.

Parte anterior do corpo do Ancylostoma. As estruturas pontiagudas na boca permitem a fixação desse animal no intestino humano. Foto ao microscópio eletrônico, imagem colorizada, aumento de cerca de 200 vezes.


Os nematódeos têm simetria bilateral. Na região anterior do corpo, encontram-se um anel nervoso, que desempenha funções semelhantes a um cérebro pouco desenvolvido, e os principais órgãos sensoriais. O tubo digestório é completo, com duas aberturas: boca e ânus. Os gases respiratórios atravessam diretamente a parede corporal. 
O corpo é recoberto por um tecido flexível e resistente chamado cutícula. A parede do corpo apresenta músculos que permitem os movimentos e a locomoção. A sustentação é feita em conjunto pela cutícula, pelos músculos e pela cavidade corporal. 

INVERTEBRADOS MAIS COMPLEXOS


MOLUSCOS 


Os moluscos são animais de corpo mole, geralmente cober to por uma concha rica em calcário. A concha é produzida por uma camada de células, chamada manto, que envolve o corpo desses animais. Em algumas espécies, a concha pode ser interna, ou mesmo estar ausente. 
O grupo dos moluscos é formado por mais de 90 mil espécies, encontradas principalmente em ambientes marinhos, mas também em ambientes terrestres e de água doce. Os biólogos reconhecem a existência de sete subgrupos, dos quais serão apresentados os três mais conhecidos.

GASTRÓPODES 


Maior grupo entre os moluscos. A maioria dos gastrópodes é coberta por uma concha externa e espiralada, como os caracóis e os caramujos. Algumas espécies aquáticas e terrestres não têm concha e são popularmente denominadas lesmas. A cabeça é bem desenvolvida e a boca apresenta uma estrutura para raspar o ali mento, denominada rádula. A locomoção é feita por rastejamento.


Os escargots (Helix aspersa) são exemplos de gastrópodes comestíveis. Muitas espécies de moluscos são de interesse econômico, por seu uso na alimentação, por seus impactos na
agricultura, entre outros fatores.

Anatomia interna Apesar da variedade de formas, há um padrão na organização corporal dos gastrópodes, com três regiões: cabeça, massa visceral e pé. Vamos usar um caracol como exemplo. O tubo digestório é completo, com boca e ânus, e os hábitos ali mentares são muito variados: há espécies filtradoras, herbívoras e algumas são predadoras eficientes. 
O sistema nervoso é formado por um anel nervoso, que funciona como um cérebro, nervos e órgãos sensoriais e pode ser muito desenvolvido em alguns grupos, especialmente nos predadores. 
O sistema circulatório é formado por coração e vasos sanguíneos, e o sistema respiratório pode ser branquial nas espécies aquáticas e pulmonar nas espécies que vivem em ambientes terrestres.

BIVALVES 


Os bivalves são moluscos aquáticos. Suas conchas são formadas por duas partes, articuladas entre si. Em geral, vivem fixos a um substrato, onde filtram a água para alimentar-se. Alguns conseguem se locomover expulsando a água do corpo, de forma que o jato de água impulsione o animal. As ostras, os mexilhões e os mariscos pertencem a esse grupo.

Mexilhões do gênero Mytilus sp. são bivalves que vivem presos às rochas na zona de arrebentação das ondas do mar.

A lula-mansa (Loligo forbesii) é uma das espécies de cefalópodes usadas na alimentação humana. 

CEFALÓPODES 


Os cefalópodes constituem um grupo exclusivamente marinho, do qual fazem parte os polvos, as lulas, as sépias e os náutilos. Dota dos de cérebro bem desenvolvido, esses animais são predadores e excelentes nadadores. Podem não ter concha ou apresentar concha reduzida e interna. O pé dos cefalópodes é modificado em tentáculos ou em braços. Muitas espécies são conhecidas pela capacidade de mudar de cor, confundindo-se com o substrato. 

ANELÍDEOS 


Os anelídeos são um grupo de animais que podem ser encontrados em ambientes aquáticos (marinhos e de água doce) e terrestres. O corpo desses animais é dividido em anéis, característica que dá nome ao grupo. O corpo da maioria das espécies é alongado e cilíndrico, coberto por cerdas – estruturas pontiagudas que auxiliam na locomoção e na defesa desses animais. Existem cerca de 17 mil espécies de anelídeos conhecidas, a maioria de vida livre. Minhocas, poliquetos e sanguessugas são exemplos de anelídeos.
Via de regra, os anelídeos são filtradores ou comedores de detritos. A minhoca, por exemplo, se alimenta do material orgânico presente na terra que ela ingere enquanto cava galerias no solo. 
Entre o tubo digestório e a parede corporal dos anelídeos, há uma cavidade cheia de líquido. Quando a musculatura se contrai, o líquido é pressionado, deixando o corpo do animal túrgido – como um balão cheio de ar. Essa turgidez e o apoio oferecido pelas cerdas favorecem sua locomoção. 
O sistema circulatório dos anelídeos é fechado, ou seja, o líquido corporal é bombeado pelo coração diretamente para os vasos sanguíneos e retorna ao coração. As trocas gasosas ocorrem pelas brânquias, nas espécies aquáticas, ou diretamente pela superfície corporal, nas espécies terrestres.

Alitta virens, um poliqueto marinho. Os poliquetos são um grupo de anelídeos aquáticos que têm muitas cerdas na lateral do corpo. A maioria das espécies rasteja no fundo arenoso ou enterra-se na areia.

ARTRÓPODES 


Os artrópodes formam o grupo mais diversificado de animais: são conhecidas mais de 1 milhão de espécies. Artrópode significa “pés articulados”. São características desse grupo a presença de: 
•esqueleto externo formado por quitina, um material im permeável e resistente que protege o corpo e fornece sus tentação para a musculatura do animal; 
•pernas articuladas, que atuam como alavancas, tornando a locomoção muito eficiente. 
Os artrópodes têm tubo digestório completo, simetria bilateral e sistema nervoso e sensorial bem desenvolvidos. O sistema circulatório é aberto, e a respiração pode variar de traqueal a branquial, dependendo do ambiente em que vivem.

CRUSTÁCEOS 


Os crustáceos apresentam exoesqueleto rígido, impregna do por cálcio, e corpo geralmente dividido em duas regiões: o cefalotórax – união entre a cabeça e o tórax – e o abdome. Esses animais têm dois pares de antenas e um número variável de pernas. 

Representação da estrutura corpórea do camarão. As pernas desse animal se distribuem na região cefalotorácica e na região abdominal.

Camarões, pitus, lagostas e siris são exemplos de crustáceos aquáticos. Os tatuzinhos-de-jardim e alguns caranguejos são exemplos de crustáceos terrestres. Todos respiram por brânquias. 
Os crustáceos têm hábitos alimentares variados: há espécies predadoras, espécies que se alimentam de detritos e espécies que se fixam a rochas, animais ou embarcações e filtram o alimento da água. 
Já os microcrustáceos vivem suspensos na água dos mares e dos oceanos e podem alimentar-se de algas, de microrganismos e de partículas em suspensão. 

INSETOS 


São conhecidas cerca de 1 milhão de espé cies de insetos, a maioria vivendo em ambientes terrestres. O corpo dos insetos é tipicamente dividido em três partes: cabeça, tórax e abdo me. Características como asas, exoesqueleto quitinoso e impermeável, pernas articuladas e respiração traqueal representam eficientes adaptações para a vida terrestre. 
Os insetos exploram vários recursos alimentares, como madeira (cupins e besouros), folhas (formigas e grilos), detritos (besouros), líquidos corporais de animais (mosquitos, pulgas e piolhos) e de plantas (pulgões), néctar e pólen (abelhas e borboletas). Também há insetos carnívoros (joaninhas e louva-a-deus, entre outras).

Um inseto típico tem cabeça com olhos, aparelho bucal e um par de antenas. O tórax apresenta três pares de pernas e dois pares de asas. Alguns insetos, como as pulgas, não têm asas. Outros têm apenas um par de asas, como as moscas.

Durante seu desenvolvimento, algumas espécies de insetos passam por um ciclo de transformações corporais, a metamorfose. Assim, ocorrem três tipos de desenvolvimento nos insetos: 

metamorfose completa – do ovo eclode uma larva semelhante a um verme segmentado. Após um período de crescimento, a larva tece um casulo, se transforma em pupa e passa por uma profunda transformação, que resulta no indivíduo com a forma adulta. Borboletas, formigas e abelhas, por exemplo, passam por esse tipo de desenvolvimento. 

 • metamorfose incompleta – observada em baratas e libélulas, por exemplo. Os indivíduos jovens, denominados ninfas, eclodem dos ovos. São semelhantes aos adultos, porém desprovidos de asas e imaturos para a reprodução. Após um período de crescimento, as ninfas adquirem a forma adulta. 

desenvolvimento direto – ocorre nas traças. Não há estágio larval nem metamorfose. Do ovo, eclode um animal jovem, com formato corporal semelhante ao do adulto.

Representação dos tipos de desenvolvimento dos insetos. 

ARACNÍDEOS 


Aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos são os aracnídeos mais conhecidos. O corpo dos aracnídeos é dividido emcefalo tórax – ao qual se prendem quatro pares de pernas – e abdome. Os aracnídeos não têm antenas nem asas. 
 
Nephila clavipes, ou aranha-de-teia-dourada, comum nas cidades brasileiras. As teias são tecidas com fios de seda produzidos no abdome.

 
Escorpiões do gênero Tityus sp., como o da foto, são responsáveis por muitos acidentes com aracnídeos no Brasil.

Muitas espécies de aranhas constroem teias, que podem ser usadas para capturar presas ou envolver os ovos, por exemplo. As aranhas em geral são peçonhentas, ou seja, produzem veneno e são capazes de injetá-lo nas vítimas, mas poucas espécies, como a aranha-marrom, a viúva-negra e a aranha-armadeira, representam risco para o ser humano. 
Os escorpiões têm o abdome segmentado com um aguilhão na extremidade, que é usado para injetar veneno nas presas que eles caçam ativamente, em geral pequenos artrópodes. Os ácaros e carrapatos têm o abdome fundido ao cefalotórax. Embora alguns ácaros sejam inofensivos, muitas espécies são parasitas, como é o caso do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa. Ácaros microscópicos que vivem em meio à poeira das casas podem causar alergias respiratórias. 

MIRIÁPODES 


Os miriápodes são artrópodes com o cor po dividido em cabeça e tronco. Na cabeça, há um par de antenas e, em geral, olhos simples. As lacraias têm o corpo achatado e um par de pernas por segmento do tronco. Os gongolos ou piolhos-de-cobra têm o corpo cilíndrico e dois pares de pernas por segmento do tronco. 

Lacraias, como a da espécie Scolopendra polymorpha, são predadoras velozes que caçam ativamente larvas e pequenos artrópodes.

EQUINODERMOS

 
O termo equinodermo significa espinhos na pele, uma das principais características dos animais desse grupo, composto de cerca de 7 mil espécies de animais marinhos. As estrelas-do-mar, as bolachas-da-praia e os ouriços-do-mar são seus representantes mais conhecidos.

São características dos equinodermos: 

• simetria radial nos adultos na maioria das espécies; 

• esqueleto interno calcário; 

• sistema de tubos cheios de líquido (sistema ambulacral ou hidrovascular). Os canais do sistema ambulacral ter minam em pés que se apoiam no substrato. O líquido no interior dos canais pode ser bombeado para os pés, que se movimentam, permitindo o deslocamento do animal; 

• sistema nervoso formado por um anel de nervos em torno da boca, de onde partem nervos para as várias regiões do corpo do animal. Células sensíveis ao tato, à luminosidade e a certas substâncias químicas podem estar presentes na superfície corporal.

Esquema que representa a organização corporal de um ouriço-do-mar.

O hábito alimentar dos equinodermos é variado: as estrelas-do-mar, por exemplo, são predadoras de ostras e mexilhões, ao passo que os ouriços são herbívoros. Em geral, a boca desses animais situa-se na superfície que está em contato com o substrato, e o ânus situa-se na superfície corporal oposta. 
O desenvolvimento embrionário dos equinodermos apresenta semelhanças com o desenvolvimento dos animais vertebra dos, o que sugere que o grau de parentesco entre esses dois grupos pode ser maior do que o observado entre os vertebrados e os outros invertebrados.




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