Os invertebrados correspondem a mais de 95% das espécies conhecidas de animais. Eles apresentam uma grande diversidade, com representantes de forma e tamanho variados, e são encontrados em praticamente todos os ambientes do planeta. Para classificar essa diversidade, muitos critérios são utilizados, principalmente o tipo de organização corporal.
Assim, os grupos são formados, em geral, por organismos mais assemelhados, que compartilham características exclusivas do grupo. É importante considerar que a semelhança pode refletir o grau de parentesco e a existência de um ancestral comum entre os seres.
SIMETRIA
A simetria corporal é determinada quando o corpo de um
ser vivo é dividido por um plano imaginário que passa pelo seu
eixo central, resultando em duas partes iguais. Se o corpo é dividido por um único plano, a simetria é bilateral; se ele puder ser
dividido em vários planos, a simetria é radial.
Várias características do animal, como a locomoção, estão
relacionadas ao seu tipo de simetria. Em geral, organismos que
se locomovem livremente apresentam simetria bilateral, e animais sésseis, ou seja, que vivem presos a um substrato, apresentam simetria radial.
Portanto, o tipo de simetria é um dos critérios utilizados na
classificação dos animais.
(A)
(A) A anêmona-do-mar apresenta
simetria radial. Note que há mais de um
plano de corte produzindo duas metades
iguais. (B) A lagosta é bilateralmente
simétrica, ou seja, apenas um plano de
corte a divide em duas metades iguais.
PORÍFEROS
Popularmente conhecidos como esponjas, os poríferos são
encontrados apenas em ambientes aquáticos, especialmente
em águas salgadas. São conhecidas cerca de 8 mil espécies
desse grupo.
O nome do grupo se refere à presença de inúmeros poros na parede corporal desses animais. O formato do corpo varia bastante; os mais simples assemelham-se a um vaso. Não há
órgãos ou tecidos verdadeiros.
Os adultos não se locomovem e, geralmente, vivem presos a um substrato, como rochas ou recifes de coral.
CNIDÁRIOS
Os cnidários são animais aquáticos com estrutura corporal
bastante simples, mas possuem agrupamentos de células semelhantes entre si, organizadas em tecidos verdadeiros.
O nome
do grupo se refere à presença de cnidócitos, células que liberam
toxinas com funções de defesa e captura de alimentos.
São conhecidas cerca de 10 mil espécies de cnidários, que
apresentam duas formas básicas: medusas e pólipos.
Os pólipos geralmente vivem presos a um
substrato, ao passo que as medusas podem se
locomover livremente. Muitos cnidários têm alternância entre as duas formas corporais durante seu ciclo de vida, mas algumas espécies apresentam exclusivamente uma dessas formas.
O corpo dos cnidários apresenta uma pare
de corporal delimitando a cavidade gastrovascular, que se abre em uma boca. Os tentáculos,
geralmente localizados ao redor da boca, são
prolongamentos da parede corporal. Não há
um esqueleto sustentando o corpo.
Células nervosas coordenam o movimento dos tentáculos, que capturam as presas.
Os cnidócitos, abundantes nos tentáculos,
liberam toxinas que podem paralisar e até
matar a presa. Uma vez dentro do corpo, o
alimento é digerido parcialmente na cavida
de gastrovascular. A digestão é finalizada no
interior de células especiais, e os resíduos da
digestão são eliminados pela boca.
As trocas gasosas dos cnidários são feitas
diretamente pelas células corporais.
Anêmona da espécie Bolocera tuediae, um exemplo de pólipo.
Água-viva da espécie Olindias formosus, um exemplo de medusa.
PLATELMINTOS
Os platelmintos têm corpo maciço e achatado. Seu tamanho
varia de 1 milímetro a vários metros de comprimento, dependendo da espécie.
Como outros invertebrados alongados e de
corpo mole, são popularmente conhecidos como vermes.
São animais com simetria bilateral. O sistema nervoso dos
platelmintos é pouco desenvolvido. Em geral, apresentam tubo
digestório incompleto, sem ânus. Algumas espécies são parasitas e não têm sistema digestório, absorvendo nutrientes direta
mente do hospedeiro.
As trocas gasosas ocorrem diretamente entre as células e o
meio externo.
Os platelmintos não têm esqueleto.
A sustentação é feita
pelos músculos da parede do corpo e pelos líquidos internos. A
locomoção em geral é feita por rastejamento.
Há cerca de 20 mil espécies conhecidas de platelmintos, a
maioria de vida livre, habitando ambientes aquáticos ou ambientes terrestres úmidos. Alguns platelmintos são parasitas e vivem
no corpo de animais hospedeiros.
A tênia e o esquistossomo são platelmintos parasitas de humanos. Para se prevenir contra as doenças causadas por esses
animais, é fundamental a adoção de medidas de saneamento
básico e hábitos adequados de higiene e preparo dos alimentos.
As planárias do gênero Diversibipalium sp. são terrestres.
NEMATÓDEOS
Assim como os platelmintos, os nematódeos são popular
mente conhecidos como vermes. Eles têm o corpo alongado e
cilíndrico, com uma cavidade interna cheia de líquido. Atual
mente, são conhecidas cerca de 25 mil espécies de nematódeos.
As espécies podem ser de vida livre e viver em ambientes
aquáticos ou em ambientes terrestres úmidos. Algumas espécies são parasitas de outros animais ou plantas. A lombriga
(Ascaris lumbricoides), causadora da ascaridíase, e o Ancylostoma
duodenale, causador da ancilostomose, são exemplos de nemátodos parasitas do ser humano.
Parte anterior do corpo do Ancylostoma. As estruturas pontiagudas na boca permitem a fixação desse animal no intestino humano. Foto ao microscópio eletrônico, imagem colorizada, aumento de cerca de 200 vezes.
Os nematódeos têm simetria bilateral. Na região anterior
do corpo, encontram-se um anel nervoso, que desempenha
funções semelhantes a um cérebro pouco desenvolvido, e os
principais órgãos sensoriais. O tubo digestório é completo, com
duas aberturas: boca e ânus. Os gases respiratórios atravessam diretamente a parede corporal.
O corpo é recoberto por
um tecido flexível e resistente chamado cutícula. A parede
do corpo apresenta músculos que permitem os movimentos
e a locomoção. A sustentação é feita em conjunto pela cutícula, pelos músculos e pela cavidade corporal.
INVERTEBRADOS MAIS COMPLEXOS
MOLUSCOS
Os moluscos são animais de corpo mole, geralmente cober
to por uma concha rica em calcário. A concha é produzida por
uma camada de células, chamada manto, que envolve o corpo
desses animais. Em algumas espécies, a concha pode ser interna, ou mesmo estar ausente.
O grupo dos moluscos é formado por mais de 90 mil espécies, encontradas principalmente em ambientes marinhos, mas
também em ambientes terrestres e de água doce. Os biólogos
reconhecem a existência de sete subgrupos, dos quais serão
apresentados os três mais conhecidos.
GASTRÓPODES
Maior grupo entre os moluscos. A maioria dos gastrópodes é
coberta por uma concha externa e espiralada, como os caracóis e
os caramujos. Algumas espécies aquáticas e terrestres não têm
concha e são popularmente denominadas lesmas. A cabeça é bem
desenvolvida e a boca apresenta uma estrutura para raspar o ali
mento, denominada rádula. A locomoção é feita por rastejamento.
Os escargots (Helix aspersa) são exemplos de gastrópodes comestíveis. Muitas espécies de moluscos são de interesse econômico, por seu uso na alimentação, por seus impactos na
agricultura, entre outros fatores.
O sistema nervoso é formado
por um anel nervoso, que funciona como um cérebro, nervos e órgãos sensoriais e pode ser muito desenvolvido em alguns grupos,
especialmente nos predadores.
O sistema circulatório é formado
por coração e vasos sanguíneos, e o sistema respiratório pode
ser branquial nas espécies aquáticas e pulmonar nas espécies
que vivem em ambientes terrestres.
BIVALVES
Os bivalves são moluscos aquáticos. Suas
conchas são formadas por duas partes, articuladas entre si. Em geral, vivem fixos a um substrato, onde filtram a água para alimentar-se.
Alguns conseguem se locomover expulsando
a água do corpo, de forma que o jato de água
impulsione o animal. As ostras, os mexilhões e
os mariscos pertencem a esse grupo.
Mexilhões do gênero Mytilus sp. são bivalves que vivem
presos às rochas na zona de arrebentação das ondas
do mar.
A lula-mansa (Loligo forbesii) é uma das espécies de cefalópodes usadas na alimentação humana.
A lula-mansa (Loligo forbesii) é uma das espécies de cefalópodes usadas na alimentação humana.
CEFALÓPODES
Os cefalópodes constituem um grupo exclusivamente marinho, do qual fazem parte os
polvos, as lulas, as sépias e os náutilos. Dota
dos de cérebro bem desenvolvido, esses animais são predadores e excelentes nadadores.
Podem não ter concha ou apresentar concha
reduzida e interna. O pé dos cefalópodes é modificado em tentáculos ou em braços. Muitas
espécies são conhecidas pela capacidade de
mudar de cor, confundindo-se com o substrato.
ANELÍDEOS
Os anelídeos são um grupo de animais que podem ser encontrados em ambientes aquáticos (marinhos e de água doce) e
terrestres. O corpo desses animais é dividido em anéis, característica que dá nome ao grupo. O corpo da maioria das espécies
é alongado e cilíndrico, coberto por cerdas – estruturas pontiagudas que auxiliam na locomoção e na defesa desses animais.
Existem cerca de 17 mil espécies de anelídeos conhecidas, a
maioria de vida livre. Minhocas, poliquetos e sanguessugas são
exemplos de anelídeos.
Via de regra, os anelídeos são filtradores ou comedores de
detritos. A minhoca, por exemplo, se alimenta do material orgânico presente na terra que ela ingere enquanto cava galerias
no solo.
Entre o tubo digestório e a parede corporal dos anelídeos, há
uma cavidade cheia de líquido. Quando a musculatura se contrai,
o líquido é pressionado, deixando o corpo do animal túrgido –
como um balão cheio de ar. Essa turgidez e o apoio oferecido pelas cerdas favorecem sua locomoção.
O sistema circulatório dos anelídeos é fechado, ou seja, o líquido corporal é bombeado pelo coração diretamente para os
vasos sanguíneos e retorna ao coração. As trocas gasosas ocorrem pelas brânquias, nas espécies aquáticas, ou diretamente
pela superfície corporal, nas espécies terrestres.
Alitta virens, um poliqueto marinho. Os poliquetos são
um grupo de anelídeos aquáticos que têm muitas cerdas
na lateral do corpo. A maioria das espécies rasteja no
fundo arenoso ou enterra-se na areia.
ARTRÓPODES
Os artrópodes formam o grupo mais diversificado de animais: são conhecidas mais de 1 milhão de espécies.
Artrópode significa “pés articulados”. São características
desse grupo a presença de:
•esqueleto externo formado por quitina, um material im
permeável e resistente que protege o corpo e fornece sus
tentação para a musculatura do animal;
•pernas articuladas, que atuam como alavancas, tornando
a locomoção muito eficiente.
Os artrópodes têm tubo digestório completo, simetria bilateral e sistema nervoso e sensorial bem desenvolvidos. O sistema
circulatório é aberto, e a respiração pode variar de traqueal a
branquial, dependendo do ambiente em que vivem.
CRUSTÁCEOS
Os crustáceos apresentam exoesqueleto rígido, impregna
do por cálcio, e corpo geralmente dividido em duas regiões: o
cefalotórax – união entre a cabeça e o tórax – e o abdome. Esses animais têm dois pares de antenas e um número variável
de pernas.
Representação da estrutura corpórea
do camarão. As pernas desse animal
se distribuem na região cefalotorácica
e na região abdominal.
Camarões, pitus, lagostas e siris são exemplos de crustáceos aquáticos. Os tatuzinhos-de-jardim e alguns caranguejos
são exemplos de crustáceos terrestres. Todos respiram por
brânquias.
Os crustáceos têm hábitos alimentares variados: há espécies predadoras, espécies que se alimentam de detritos e espécies que se fixam a rochas, animais ou embarcações e filtram
o alimento da água.
Já os microcrustáceos vivem suspensos na
água dos mares e dos oceanos e podem alimentar-se de algas,
de microrganismos e de partículas em suspensão.
INSETOS
São conhecidas cerca de 1 milhão de espé
cies de insetos, a maioria vivendo em ambientes
terrestres. O corpo dos insetos é tipicamente
dividido em três partes: cabeça, tórax e abdo
me. Características como asas, exoesqueleto
quitinoso e impermeável, pernas articuladas
e respiração traqueal representam eficientes
adaptações para a vida terrestre.
Os insetos exploram vários recursos alimentares, como madeira (cupins e besouros), folhas
(formigas e grilos), detritos (besouros), líquidos
corporais de animais (mosquitos, pulgas e piolhos) e de plantas
(pulgões), néctar e pólen (abelhas e borboletas). Também há insetos carnívoros (joaninhas e louva-a-deus, entre outras).
Um inseto típico tem cabeça com
olhos, aparelho bucal e um par
de antenas. O tórax apresenta
três pares de pernas e dois pares
de asas. Alguns insetos, como as
pulgas, não têm asas. Outros têm
apenas um par de asas, como as
moscas.
Durante seu desenvolvimento, algumas espécies de insetos
passam por um ciclo de transformações corporais, a metamorfose.
Assim, ocorrem três tipos de desenvolvimento nos insetos:
• metamorfose completa – do ovo eclode uma larva semelhante a um verme segmentado. Após um período de crescimento, a larva tece um casulo, se transforma em pupa e
passa por uma profunda transformação, que resulta no indivíduo com a forma adulta. Borboletas, formigas e abelhas,
por exemplo, passam por esse tipo de desenvolvimento.
• metamorfose incompleta – observada em baratas e libélulas, por exemplo. Os indivíduos jovens, denominados ninfas,
eclodem dos ovos. São semelhantes aos adultos, porém
desprovidos de asas e imaturos para a reprodução. Após um
período de crescimento, as ninfas adquirem a forma adulta.
• desenvolvimento direto – ocorre nas traças. Não há estágio larval nem metamorfose. Do ovo, eclode um animal
jovem, com formato corporal semelhante ao do adulto.
ARACNÍDEOS
Aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos são os aracnídeos
mais conhecidos. O corpo dos aracnídeos é dividido emcefalo
tórax – ao qual se prendem quatro pares de pernas – e abdome.
Os aracnídeos não têm antenas nem asas.
Nephila clavipes, ou aranha-de-teia-dourada, comum nas cidades brasileiras. As teias são tecidas com fios de seda produzidos no abdome.
Escorpiões do gênero Tityus sp., como o da foto, são
responsáveis por muitos acidentes com aracnídeos
no Brasil.
Muitas espécies de aranhas constroem teias, que podem ser
usadas para capturar presas ou envolver os ovos, por exemplo.
As aranhas em geral são peçonhentas, ou seja, produzem veneno e são capazes de injetá-lo nas vítimas, mas poucas espécies,
como a aranha-marrom, a viúva-negra e a aranha-armadeira,
representam risco para o ser humano.
Os escorpiões têm o abdome segmentado com um aguilhão
na extremidade, que é usado para injetar veneno nas presas que
eles caçam ativamente, em geral pequenos artrópodes.
Os ácaros e carrapatos têm o abdome fundido ao cefalotórax. Embora alguns ácaros sejam inofensivos, muitas espécies
são parasitas, como é o caso do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa. Ácaros microscópicos que vivem em meio à poeira
das casas podem causar alergias respiratórias.
MIRIÁPODES
Os miriápodes são artrópodes com o cor
po dividido em cabeça e tronco. Na cabeça, há
um par de antenas e, em geral, olhos simples.
As lacraias têm o corpo achatado e um par de
pernas por segmento do tronco. Os gongolos ou
piolhos-de-cobra têm o corpo cilíndrico e dois
pares de pernas por segmento do tronco.
Lacraias, como a da espécie Scolopendra polymorpha,
são predadoras velozes que caçam ativamente larvas e
pequenos artrópodes.
EQUINODERMOS
O termo equinodermo significa espinhos na pele, uma das
principais características dos animais desse grupo, composto
de cerca de 7 mil espécies de animais marinhos. As estrelas-do-mar, as bolachas-da-praia e os ouriços-do-mar são seus
representantes mais conhecidos.
São características dos equinodermos:
• simetria radial nos adultos na maioria das espécies;
• esqueleto interno calcário;
• sistema de tubos cheios de líquido (sistema ambulacral
ou hidrovascular). Os canais do sistema ambulacral ter
minam em pés que se apoiam no substrato. O líquido no
interior dos canais pode ser bombeado para os pés, que se
movimentam, permitindo o deslocamento do animal;
• sistema nervoso formado por um anel de nervos em torno
da boca, de onde partem nervos para as várias regiões do
corpo do animal. Células sensíveis ao tato, à luminosidade
e a certas substâncias químicas podem estar presentes
na superfície corporal.
O hábito alimentar dos equinodermos é variado: as estrelas-do-mar, por exemplo, são predadoras de ostras e mexilhões,
ao passo que os ouriços são herbívoros. Em geral, a boca desses
animais situa-se na superfície que está em contato com o substrato, e o ânus situa-se na superfície corporal oposta.
O desenvolvimento embrionário dos equinodermos apresenta semelhanças com o desenvolvimento dos animais vertebra
dos, o que sugere que o grau de parentesco entre esses dois
grupos pode ser maior do que o observado entre os vertebrados
e os outros invertebrados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário