PEIXES E ANFÍBIOS
CORDADOS
Ao longo de sua evolução, surgiu nos animais uma estrutura chamada notocorda, que funciona como um eixo interno de sus tentação. Os animais que apresentam notocorda em ao menos uma fase de sua vida são chamados cordados. Agora, você vai aprender um pouco mais sobre três grupos de cordados: as ascídias, os anfioxos e os vertebrados.
ASCÍDIAS
As ascídias são animais marinhos que lembram as esponjas no aspecto externo, mas não apresentam parentesco evolutivo com elas. Os adultos vivem fixos e filtram a água para obter alimento.
As larvas das ascídias, porém, são nadadoras e têm uma cauda para ajudar na locomoção. A notocorda está presente nessa cauda. Quando as larvas passam pela metamorfose para se trans formar em adultos, a notocorda regride até desaparecer.
ANFIOXOS
Os anfioxos são animais que parecem larvas de peixes e vi
vem com a parte posterior do corpo enterrada na areia do fundo
do mar. Eles filtram a água para obter seu alimento.
Nos anfioxos, a notocorda perdura por toda a vida. Essa estrutura dá sustentação e forma ao animal e auxilia na escavação.
A locomoção dos anfioxos se dá por ondulações promovidas
por contrações das fibras musculares dispostas ao longo do corpo.
VERTEBRADOS
Na maioria dos cordados, a notocorda está presente apenas no
embrião. Ainda no embrião, ela é substituída pela coluna vertebral.
Os cordados com coluna vertebral são chamados vertebrados.
O crânio forma a região da cabeça e está associado à coluna
vertebral. Tanto a coluna vertebral como o crânio têm a função
de proteger o sistema nervoso central, que é formado pelo encéfalo e pela medula espinal. No encéfalo, são elaboradas di
versas informações que ajudam a regular o funcionamento do
organismo, como comandos para mexer uma parte do corpo.
Essas informações chegam ao encéfalo e saem dele por meio
da medula espinal.
O crânio e a coluna vertebral fazem parte do esqueleto interno,
um conjunto de ossos que protege e sustenta o corpo de um
vertebrado. Em muitas espécies, dois pares de apêndices loco
motores estão ligados à coluna vertebral, que se alonga além do
par posterior, formando uma cauda.
O esqueleto interno de um vertebrado
é composto de dezenas de ossos. Na
imagem, esqueleto de um gato.
PEIXES
O termo peixe denomina vários grupos de animais vertebrados que vivem na água e, em geral, respiram pelas brânquias.
São conhecidos fósseis de peixes com mais de 500 milhões de
anos, sendo esses os vertebrados mais antigos.
CARACTERÍSTICAS GERAIS
Os peixes têm, em geral, corpo alongado, com a cabeça e a
cauda mais afinadas. O formato corporal, associado à presença
de nadadeiras e à pele recoberta por escamas, facilita o deslocamento na água.
O cérebro dos peixes é relativamente grande, se compara
do ao dos invertebrados, e está ligado à medula espinal. Alguns
nervos saem diretamente do cérebro para órgãos sensoriais da
cabeça e de outras partes do corpo. Outros nervos saem da medula espinal e se comunicam com os músculos, controlando os
movimentos do animal e permitindo sua locomoção.
De modo geral, a visão dos peixes é pouco desenvolvida, enquanto o olfato é bem desenvolvido. Células sensíveis às vibrações transmitidas pela água estão presentes sob a linha lateral, uma série de escamas dotadas de furos que pode ser vista desde as aberturas branquiais até a cauda.
De modo geral, a visão dos peixes é pouco desenvolvida, enquanto o olfato é bem desenvolvido. Células sensíveis às vibrações transmitidas pela água estão presentes sob a linha lateral, uma série de escamas dotadas de furos que pode ser vista desde as aberturas branquiais até a cauda.
Além do crânio e da coluna vertebral, o esqueleto da maio
ria dos peixes apresenta prolongamentos das vértebras que
dão apoio à musculatura, que costumam ser chamados de
espinhos. O impulso para a frente é dado por movimentos laterais do corpo e da nadadeira caudal. As demais nadadeiras
contribuem para o equilíbrio e outros movimentos. A bexiga
natatória, um órgão em formato de bolsa, pode se encher ou
esvaziar de gás, auxiliando na flutuação.
A respiração dos peixes se dá pelo fluxo de água que entra pela
boca, passa pelas brânquias – situadas na altura da faringe – e sai
por aberturas nas laterais do corpo. Em geral, as brânquias são
protegidas por opérculos, estruturas ósseas móveis que funcionam como tampas.
O sistema digestório é completo, com a
presença de órgãos como fígado e pâncreas.
O sistema circulatório é fechado, com o coração ocupando posição ventral. Os peixes são
ectotérmicos, ou seja, a temperatura de seu
corpo não é controlada pelo animal e varia de
acordo com a temperatura do ambiente.
A reprodução dos peixes é sexuada, e a fertilização pode ser interna ou externa, dependendo da espécie. Algumas são vivíparas, ou seja,
os embriões se desenvolvem no corpo da fêmea.
DIVERSIDADE DOS PEIXES
Existem mais de 30 mil espécies de peixes descritas. Dessas,
cerca de 5 mil ocorrem nas águas brasileiras. Os peixes atuais
podem ser classificados nos grupos descritos a seguir.
Agnatos
Os agnatos ou ciclóstomos têm esqueleto cartilaginoso, não
apresentam mandíbula e têm a boca circular. Formam um grupo
pequeno, com pouco mais de 100 espécies, conhecidas popular
mente como lampreias e feiticeiras.
São dotados de crânio, mas suas vértebras são rudimentares
ou mesmo ausentes. O corpo desses peixes é alongado, com até
1 metro de comprimento, e suas nadadeiras laterais são ausentes.
A lampreia (Lampetra planeri) é um
peixe agnato.
Condrictes
Os condrictes ou peixes cartilaginosos têm mandíbula, e seu
esqueleto é cartilaginoso. Nesse grupo, que inclui os tubarões e
as arraias, há 900 espécies conhecidas, e a maioria delas vive em
águas salgadas. Todos os peixes desse grupo são predadores, e o
comprimento de seu corpo varia bastante entre as espécies.
A boca dos condrictes ocupa posição ventral, e os opérculos
e a bexiga natatória são ausentes. Além da linha lateral, mui
tas espécies têm um órgão sensorial exclusivo desse grupo, as
ampolas de Lorenzini, que percebem os impulsos elétricos gerados pela atividade muscular dos animais, facilitando a localização de suas presas.
Osteíctes
Os osteíctes têm mandíbula, e seu esqueleto é ósseo. Com
cerca de 28 mil espécies descritas, são o maior grupo de peixes,
muito diversificados em formas e tamanhos. As espécies distribuem-se por vários hábitats, desde as águas oceânicas mais
profundas até as cabeceiras de rios. Muitas espécies habitam
lagos e pântanos que secam durante a estiagem.
Os hábitos alimentares desse grupo são variados. A boca ocupa
posição frontal, e o opérculo está presente. Na maioria das espé
cies, as nadadeiras assemelham-se a leques: são delgadas e sus
tentadas por finas estruturas alongadas que se apoiam na musculatura. A piaba, o pirarucu e o pacu são exemplos de osteíctes.
Em algumas espécies, as nadadeiras laterais são carnosas,
dotadas de musculatura e ossos internos. Algumas dessas espécies, como a piramboia, além de respirarem por brânquias,
têm um órgão que permite respirar ar atmosférico.
Acredita-se que, há cerca de 400 milhões de anos, espécies
primitivas de peixes com dois pares de nadadeiras laterais carnosas podem ter dado origem aos vertebrados terrestres.
ANFÍBIOS
Os anfíbios são um grupo de vertebrados que conquistaram parcialmente o ambiente terrestre. Uma série de características permite aos anfíbios viver nesse ambiente. Entre elas estão:
• o esqueleto mais robusto;
• a presença de quatro pernas;
• a respiração pulmonar;
• a pele semipermeável.
CARACTERÍSTICAS GERAIS
Assim como os peixes, os anfíbios são animais ectotérmicos.
Mesmo com adaptações ao ambiente terrestre, muitos anfíbios
precisam viver em ambientes úmidos, em geral próximo a rios e
lagos. Entre os motivos para isso, está o fato de os anfíbios de
penderem da água para a reprodução.
Em muitas espécies, a fecundação é externa, e os ovos são
postos na água. Quando eclodem, os ovos geram larvas aquáticas – denominadas girinos – dotadas de brânquias e nadadeiras,
que passam por uma metamorfose. Nesse processo, adquirem
pernas e pulmões, tornando-se capazes de viver na terra.
O sistema nervoso central dos anfíbios é formado por encéfalo e medula espinal, de onde partem nervos que chegam a
todas as partes do corpo. O tato, o paladar, o olfato, a audição e
a visão são responsáveis pela percepção. A audição tem importância especial para as espécies que se comunicam por sons,
especialmente na época do acasalamento.
A respiração pulmonar é complementada pela respiração
cutânea, ou seja, pela pele. Para realizar as trocas gasosas, a
pele deve ser permeável e úmida. Em ambientes áridos, portanto, a perda de água pela transpiração pode levar à desidratação
dos anfíbios.
Esquema simplificado das estruturas
externa e interna do corpo de um
anfíbio macho. Como em todos os
vertebrados, o sistema circulatório
é fechado e o coração é ventral.
DIVERSIDADE DOS ANFÍBIOS
Os anfíbios provavelmente tiveram origem em peixes dotados
de nadadeiras carnosas há cerca de 400 milhões de anos. Atual
mente, são conhecidas cerca de 7 mil espécies, divididas em três
ordens, que serão vistas a seguir. Os critérios para essa classificação incluem, entre outros, a presença de pernas e cauda.
Anuros
Anuros são anfíbios desprovidos de cauda na fase adulta,
como pode ser observado nos sapos, nas rãs e nas pererecas.
Com aproximadamente 6 mil espécies descritas, são abundantes nas regiões tropicais e temperadas úmidas de todo o planeta.
O tamanho dos anuros é bem variável: de 1 centímetro a qua
se 30 centímetros de comprimento. São bons nadadores e, na
terra, andam aos saltos. As larvas são geralmente herbívoras
e os adultos alimentam-se de insetos, capturando-os com sua
língua pegajosa.
Os machos são conhecidos pelo coaxar: sons produzidos ao
inflar o papo e forçar a passagem do ar. Esses sons são utiliza
dos para atrair as fêmeas e defender o território. Cada espécie
emite um som característico, possibilitando que os indivíduos da
mesma espécie se reconheçam em uma lagoa ou em um brejo
onde há várias espécies.
Caudados
Também chamados de urodelos, são dotados de cauda.
Esse grupo é composto de salamandras e de tritões. As cerca
de 600 espécies conhecidas habitam as regiões tropicais do
planeta e as zonas temperadas do hemisfério Norte. Costumam medir até 15 centímetros de comprimento.
A maioria das espécies é terrestre e de hábitos carnívoros.
Em geral, a fecundação é interna, e os ovos são depositados
na água. Mas algumas espécies são totalmente terrestres,
sem fase larval.
Ápodes
Os ápodes, como o próprio nome indica, são desprovidos de
pernas. Há cerca de 180 espécies descritas de ápodes, popularmente conhecidas como cecílias ou cobras-cegas. Encontrados nas florestas tropicais da América do Sul, da Ásia e da
África, eles vivem em túneis no solo ou na água, onde caçam os
invertebrados, como minhocas e vermes, de que se alimentam.
A fecundação é interna, e o desenvolvimento do embrião se
dá dentro dos ovos ou no interior do corpo das fêmeas. Na maio
ria das espécies não há fase larval, e as fêmeas liberam filhotes
com aparência semelhante à dos animais adultos.
RÉPTEIS E AVES
RÉPTEIS
Os cientistas consideram que os répteis são bem adaptados
à vida fora da água. Algumas características desses animais
contribuem para a vida em ambientes secos.
O corpo dos répteis é coberto por uma pele espessa e resistente, que protege o animal contra a perda de água por transpiração. A pele impermeável não permite a troca gasosa por sua
superfície, mas nos répteis o pulmão é bem desenvolvido.
Os répteis são capazes de eliminar urina muito concentrada
e, com isso, retêm mais água no corpo. Essa economia de água
é fundamental para a vida no ambiente terrestre.
A fecundação interna garante a proteção dos gametas dentro
do corpo.
O desenvolvimento de um ovo com casca coriácea e membranas internas impede a desidratação, protege e dá suporte à
vida do embrião. Essa característica possibilitou a independência da água para a reprodução.
CARACTERÍSTICAS GERAIS
Os répteis são animais ectotérmicos, por isso, a maioria das
espécies é mais ativa durante o dia, quando as temperaturas
mais elevadas ativam seu metabolismo.
A maioria das espécies de répteis se alimenta de insetos e de
outros vertebrados. No entanto, algumas espécies de lagartos
e de tartarugas terrestres são predominantemente herbívoras.
Quanto à locomoção, a maioria das espécies tem pernas
posicionadas lateralmente ao corpo e, quando anda, pratica
mente arrasta o abdome no chão (em latim, reptare significa
rastejar). Mesmo assim, pode se deslocar com velocidade, por
curtos espaços.
Os répteis foram os primeiros
animais a desenvolverem ovos
com casca. A foto, feita na África
em 2019, mostra a eclosão de
ovos de tartarugas marinhas, após
período de incubação.
Esquema simplificado da
anatomia de um réptil fêmea.
O sistema circulatório é fechado,
e o coração é ventral. Nos
répteis, o canal excretor (ureter),
o intestino e o canal reprodutor
(oviduto) abrem-se na cloaca.
Muitas espécies são ápodes, ou seja, não têm pernas, como
as serpentes, que se deslocam rastejando com agilidade. Algumas espécies são excelentes nadadoras.
Em espécies de hábito aquático, como muitas tartarugas, os
membros são achatados em forma de remos, adaptados à natação. Embora desajeitadas em terra firme, essas espécies nadam
com desenvoltura.
O sistema nervoso dos répteis segue o padrão geral dos
vertebrados. O cérebro, protegido pelo crânio, é ligado à medula espinal, protegida pela coluna vertebral. Com cérebro
bem desenvolvido, esses animais são capazes de comporta
mentos sofisticados. Exceto pela audição, os órgãos senso
riais são bem desenvolvidos.
O ovo com casca coriácea apresenta três membranas: o âmnio, cheio de líquido, onde se desenvolve o embrião; o alantoide, que armazena os resíduos da urina e contribui para as trocas respiratórias; e o córion, membrana que envolve o conteúdo do ovo. O saco vitelínico funciona como uma reserva de nutrientes para o embrião.
O ovo com casca coriácea apresenta três membranas: o âmnio, cheio de líquido, onde se desenvolve o embrião; o alantoide, que armazena os resíduos da urina e contribui para as trocas respiratórias; e o córion, membrana que envolve o conteúdo do ovo. O saco vitelínico funciona como uma reserva de nutrientes para o embrião.
DIVERSIDADE DOS RÉPTEIS
Os fósseis de répteis mais antigos têm cerca de 350 milhões
de anos. São conhecidas, atualmente, mais de 7 mil espécies de
répteis, além das espécies extintas que incluem, entre outras,
os dinossauros.
No Brasil, ocorrem mais de 700 espécies. Os principais grupos
de répteis atuais são os quelônios, os escamados e os crocodilianos.
Quelônios
O grupo dos quelônios abrange mais de 300 espécies de tartarugas, jabutis e cágados, de vida terrestre, marinha ou de água
doce. Apresentam tamanhos bem variados: algumas espécies
têm poucos centímetros de comprimento, enquanto outras alcançam 2 metros de comprimento.
Todos os quelônios têm uma
carapaça dorsal – resultado da fusão das costelas com a pele –
bastante enrijecida e coberta por queratina. Na região ventral, a
carapaça é menos rígida e recebe o nome de plastrão.
A tartaruga-verde (Chelonia mydas) pode atingir até 2 metros de comprimento quando adulta.
A tartaruga-verde (Chelonia mydas) pode atingir até 2 metros de comprimento quando adulta.
Escamados
É o grupo mais diversificado, com mais de 6 mil espécies de
serpentes, lagartos, lagartixas, iguanas e cobras-de-duas-cabeças (anfisbenas). Como o nome sugere, o corpo dos escamados
é coberto por escamas, camada superficial da pele que é trocada
periodicamente.
Outra característica desse grupo é a grande capacidade de abertura das mandíbulas, o que aumenta a força da
mordida e permite engolir presas de grande tamanho.
A jararaca (gênero Bothrops) é uma serpente comum no Brasil. Note a língua bipartida, característica dos escamados e relacionada ao olfato desses animais.
A jararaca (gênero Bothrops) é uma serpente comum no Brasil. Note a língua bipartida, característica dos escamados e relacionada ao olfato desses animais.
Crocodilianos
Esse grupo abrange cerca de 25 espécies atuais de jacarés,
crocodilos, gaviais e caimãos. As principais características dos
crocodilianos são o crânio alongado e a forte musculatura que
movimenta as mandíbulas. São excelentes predadores.
Dentre os répteis atuais, os crocodilianos são considerados o
grupo evolutivamente mais próximo às aves, pois são os únicos
que têm coração semelhante ao delas.
O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) é comum nas beiras de rios e lagos da América do Sul. Na época da reprodução, constrói ninhos com gravetos e folhas. Esse animal já esteve na lista de espécies ameaçadas de extinção.
O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) é comum nas beiras de rios e lagos da América do Sul. Na época da reprodução, constrói ninhos com gravetos e folhas. Esse animal já esteve na lista de espécies ameaçadas de extinção.
AVES
Acredita-se que as aves tenham surgido há cerca de 150 milhões de anos, a partir de um grupo de dinossauros atualmente extintos. De fato, as aves têm características semelhantes às
dos répteis.
Algumas delas são: a presença de escamas, que nas
aves estão presentes apenas nas pernas; o tipo de ovo, sendo
que a casca do ovo das aves é calcária; a eliminação de urina
concentrada, o que contribui para a economia de água e a redução do peso corporal.
Fotografia de um fóssil de
arqueoptérix, espécie extinta há
cerca de 150 milhões de anos.
Ela é considerada espécie de
transição entre répteis e aves por
apresentar tanto características
de aves (penas) como de répteis
(estrutura do esqueleto e dentes).
CARACTERÍSTICAS GERAIS
As adaptações ao voo são as características principais das
aves. Os membros anteriores são modificados em asas, e o corpo é revestido por penas leves e resistentes, formadas por que
ratina, que possibilitam o voo e ajudam a manter a temperatura
corporal elevada, essencial para voar.
As aves são homeotérmicas, ou seja, sua temperatura corporal é constante, independentemente da temperatura do ambiente. O esqueleto é formado por ossos pneumáticos, ocos,
leves e resistentes, o que diminui o peso corporal. A porção da
coluna vertebral que sustenta a cauda é curta. O bico substitui
os ossos das mandíbulas e os dentes, contribuindo para a redução do peso. O formato do bico é muito variável entre as espécies
e reflete seus hábitos alimentares.
Representação do esqueleto de
uma ave. A estrutura corporal
reflete as adaptações ao voo. Note
a cauda curta e a caixa torácica
reforçada. A musculatura peitoral,
que movimenta as asas, apoia-se na
quilha, bem desenvolvida nas aves
voadoras e reduzida nas corredoras.
As pernas podem ser adaptadas
para nadar, correr ou agarrar.
As aves são dotadas de sistema nervoso bem desenvolvido,
o que possibilita comportamentos sofisticados, como o voo, a
construção de ninhos e os rituais de acasalamento. Os sistemas respiratório e circulatório são muito eficientes, garantindo
o suprimento de gás oxigênio para as células e a manutenção do
metabolismo em níveis elevados.
DIVERSIDADE DAS AVES
As aves constituem o maior grupo de verte
brados terrestres, com cerca de 10 mil espécies
descritas até o momento. A maioria das aves é
tipicamente voadora, mas algumas espécies se
especializaram na natação, como os pinguins,
e outras são corredoras, como as emas.
Alguns beija-flores podem ter apenas 5 centímetros de comprimento, enquanto o avestruz
pode chegar a 2,5 metros.
Os cientistas dividem as aves em cerca de
30 subgrupos, alguns dos quais estão especificados nesta página: os galiformes, os passeriformes, os psitaciformes, os anseriformes e os
falconiformes.
Galiformes
O grupo inclui as galinhas, os perus e outras aves domesticadas para fins de alimentação humana.
Popularmente denominados pássaros,
incluem bem-te-vis, canários, pardais,
sabiás, entre outros.
Psitaciformes
São os papagaios, as araras e os periquitos. Têm bico muito forte, adaptado
para comer sementes.
Anseriformes
O grupo inclui os patos, os marrecos, os
gansos e os cisnes, adaptados para nadar.
Falconiformes
É o grupo das aves de rapina, como
águias e falcões. O gavião-real
ou harpia
(Harpia
harpyja), uma
das maiores
aves de rapina
do mundo, é
uma espécie
presente
nas matas
brasileiras.
MAMÍFEROS
Os mamíferos da atualidade podem ser encontrados em
todos os ambientes. Existem espécies terrestres, arborícolas,
fossoriais, de água doce, marinhas e voadoras, que ocupam desde as regiões tropicais até as zonas polares do planeta.
Entre as características exclusivas dos mamíferos, as principais são o corpo total ou parcialmente coberto por pelos e a
presença de glândulas mamárias, desenvolvidas nas fêmeas.
Os mamíferos, assim como as aves, são animais endotérmicos. Sua respiração é pulmonar, e seu sistema circulatório também é semelhante ao das aves.
O sistema nervoso dos mamíferos inclui um cérebro bem desenvolvido, e esses animais têm grande aptidão para a aprendizagem e são capazes de modificar seu comportamento,
adaptando-se a diversas situações. Muitos vivem em grupos e
sociedades, o que exige boa capacidade de comunicação.
Os órgãos sensoriais são bem desenvolvidos.
A pele dos mamíferos apresenta glândulas secretoras, como
as glândulas sebáceas e as glândulas mamárias. A fecunda
ção desses animais é interna, e o desenvolvimento embrionário
ocorre no útero materno na maioria das espécies.
O mamute-lanoso (Mammuthus
primigenius), mamífero pré-histórico, foi extinto há cerca de
5 600 anos. O esqueleto da foto está
em exibição no Museu Estadual da
Pré-História, na Alemanha.
LOCOMOÇÃO E SUSTENTAÇÃO
Os mamíferos em geral são quadrúpedes, e seus membros
são dispostos perpendicularmente ao corpo. As articulações da
coluna vertebral participam, com os membros, da locomoção. O
tamanho e o formato dos membros variam bastante:
Membros alongados: Cavalos, antílopes e outros mamíferos
corredores e saltadores apoiam apenas os dedos ou suas extremidades no solo. As unhas podem ser modificadas em cascos,
como nos herbívoros, ou em garras, como nos carnívoros.
Nadadeiras: Mamíferos aquáticos têm os membros em for
ma de nadadeiras. Em alguns casos, como nos golfinhos e nas
baleias, os membros posteriores são bastante reduzidos.
Asas: Nos morcegos, os membros anteriores têm forma de
asas e são adaptados ao voo, enquanto os membros posteriores
são adaptados para agarrar.
Polegares opositores: O dedo polegar, em muitas espécies,
realiza um movimento oposto aos demais dedos, o que lhes per
mite agarrar objetos com firmeza. Nos primatas em geral, isso
ocorre nas quatro extremidades dos membros; nos humanos,
apenas nos membros anteriores.
DENTIÇÃO
Os mamíferos têm dentes especializados em diferentes funções: molares (dentes que trituram), incisivos (dentes que cortam) e caninos (dentes que rasgam). A dentição reflete o hábito
alimentar de cada espécie.
Nos carnívoros, os três tipos de
dente estão presentes, mas os
caninos, usados como garras, são
mais desenvolvidos.
Nos herbívoros, os incisivos são
usados para cortar folhas, e os
molares, para triturá-las. Os
caninos são reduzidos ou ausentes.
DIVERSIDADE DOS MAMÍFEROS
Os mamíferos originaram-se de um grupo de répteis, há
mais de 160 milhões de anos. O grupo expandiu-se há cerca
de 60 milhões de anos, e, atualmente, são conhecidas cerca
de 5,5 mil espécies de mamíferos. Dessas, cerca de 700 es
tão no Brasil. De acordo com características relacionadas ao
modo de desenvolvimento dos embriões, os mamíferos são
classificados em três grupos.
Monotremados
Os monotremados apresentam características semelhantes às dos mamíferos ancestrais. Não têm placenta – órgão que une a mãe ao feto – e são ovíparos. Nas fêmeas, as
glândulas mamárias são desenvolvidas. Atualmente, existem
três espécies de monotremados: o ornitorrinco e duas espécies de equidnas.
Marsupiais
Os mamíferos marsupiais e os placentários têm um ancestral comum e compartilham uma série de características,
como a viviparidade. O marsúpio é uma bolsa localizada no ab
dome das fêmeas, na qual os embriões completam seu desenvolvimento e onde estão as glândulas mamárias. São exemplos
de marsupiais os cangurus, os coalas, o gambá e a cuíca.
Placentários
Os mamíferos placentários são o grupo mais numeroso e
diversificado de mamíferos. São divididos em 24 grupos, en
tre eles os quirópteros (morcegos), os cetáceos (como botos,
golfinhos e baleias), os carnívoros (como ursos, cães e gatos)
e os primatas (macacos e seres humanos).
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