segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ecologia

O termo “Ecologia” foi empregado pela primeira vez em 1869 pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), que combinou a palavra grega oikos, que significa casa, com logos, que significa estudo. Ecologia, por tanto, é o estudo da casa dos seres vivos. Essa “casa” pode ser uma poça de água, a beira de um rio ou qualquer outro local na Terra onde haja vida.
Pense nas plantas e nos animais que você encontra em seu dia a dia. Como esses seres se relacionam entre si e com o ambiente em que vivem? 
Agora reflita sobre o clima no local em que você vive: há muitas chuvas fortes ou longos períodos de seca? Existem meses em que a temperatura é mais alta? 
Por causa do tamanho e também da localização do Brasil, podemos observar regiões com climas e paisagens muito diferentes umas das outras. 
Você já deve ter ouvido falar da Mata Atlântica, do Cerrado, do Pantanal Mato-Grossense, da Floresta Amazônica ou da Caatinga. Esses são exemplos de biomas brasileiros.

Cactos xiquexique no município de Cabrobó (PE), 2020. Essa região do Brasil costuma ter temperaturas mais altas o ano todo e longos períodos de seca.

Agora, vamos entender algumas das relações que existem entre os ambientes e seus elementos, como animais e plantas. O muriqui, por exemplo, é o maior macaco do continente americano. Ele é encontrado na Mata Atlântica, um dos ambientes com maior variedade de espécies do planeta. Essa floresta ocorre principal mente em partes próximas ao litoral do Brasil.

Vista aérea de trecho da Mata Atlântica localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu, em Paraty (RJ), 2021.
Em destaque, um muriqui-do-sul (também conhecido como mono-carvoeiro, atinge cerca de 50 cm de comprimento quando adulto, desconsiderando a cauda), espécie que pode ser encontrada nessa mesma reserva.

As relações que os seres vivos mantêm entre si e com o ambiente que habitam são estudadas por uma ciência chamada Ecologia. . Costuma-se dizer em Ecologia que todas as partes de um ambiente se relacionam. Isso significa que todos os seres vivos estabelecem relações entre si e com os recursos do ambiente, como a água, o ar e o solo. 
No caso dos muriquis, a Ecologia pode estudar, entre outras coisas: 
- as relações que um bando de muriquis tem com os outros seres que habitam a floresta; 
- como a extinção dos muriquis afetaria os outros seres do ambiente; 
- a influência do clima sobre esses animais.

Níveis de organização ecológica 


A Ecologia é um campo de estudo bastante abrangente. Ela envolve a observação e a análise da interação entre os fatores bióticos e os fatores abióticos. 
Os fatores bióticos são os seres vivos, sejam eles da mesma espécie ou de espécies diferentes, e os fatores abióticos são os elementos não vivos, como ar, água, temperatura, relevo, entre outros. Os fatores bióticos e abióticos estão em interação contínua.
Para facilitar os estudos, foram criados níveis de organização de seres vivos e ambiente, de forma hierárquica: biosfera, ecossistema, comunidade, população e indivíduo. Esses níveis de organização são importantes para delimitar os estudos em Ecologia, que podem ocorrer em diferentes níveis.

indivíduo
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população

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comunidade

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ecossistema

biosfera


Indivíduo 


Indivíduo é um representante de uma espécie. Por exemplo, cada capivara (nome comum), entre outras capivaras, é um indivíduo da espécie de mamífero Hydrochoerus hydrochaeris. 

População 


Indivíduos de uma mesma espécie que vivem em determinada área geográfica formam uma população. Por exemplo, as capivaras formam populações que vivem na beira dos rios do Pantanal. 

Comunidade 


As comunidades são compostas de populações de diversas espécies que vivem em uma mesma área geográfica. Por exemplo, as populações de capivaras, jacarés, tuiuiús e dourados formam a comunidade dos rios pantaneiros. Dessa comunidade fazem parte também outras populações.

Ecossistema 


O conjunto formado por uma comunidade e os fatores abióticos que a envolvem forma um ecossistema. 
Por exemplo, os fatores abióticos de um ecossistema na região do Pantanal Mato-Grossense são propícios à vida do tuiuiú (ave), do dourado (peixe), do jacaré (réptil) e de muitos outros animais, além das plantas, pois todos os seres vivos precisam de água, dos gases do ar e de nutrientes do solo. 
Um lago, um rio, uma floresta e até mesmo um aquário são considera dos ecossistemas. A vida dos seres vivos desse ecossistema depende também das relações alimentares que se estabelecem entre eles.

O aquário marinho do Rio de Janeiro (RJ) é um ecossistema artificial, pois depende da interferência humana para sua manutenção. Fotografia de 2020.

A região da Floresta Amazônica abriga diversos ecossistemas formados por flora e fauna características. Seu relevo e clima, com chuvas contínuas e temperatura elevada, compõem os elementos abióticos dos ecossistemas.

Biosfera


A biosfera é o conjunto de todos os ecossistemas da Terra, com interação constante entre os fatores que a compõem. Pode-se dizer que a biosfera é a região do planeta mais propícia a abrigar seres vivos no ar, na água ou no solo. Os limites precisos da biosfera ainda geram debate entre os cientistas, pois cada vez mais são catalogados seres vivos capazes de habitar ambientes extremos, denominados seres extremófilos.

Você consegue imaginar a importância de compreender essas relações? As informações obtidas por meio dos estudos em Ecologia nos ajudam a melhorar nossa relação com o ambiente. Entendendo como o ambiente funciona, podemos diminuir o impacto das ações humanas nos demais seres vivos. Além disso, todas as ações que protegem o ambiente protegem também nossa saúde e a das gerações futuras. 
A seguir, vamos conhecer alguns termos usados em Ecologia e entender como eles nos ajudam a explicar o que acontece com os seres vivos e o ambiente.

Espécie


As pessoas geralmente se encantam com filhotes de animais, como os de gatos e cães. Os filhotes de gatos, por exemplo, nasceram do dois gatos adultos. 

Gata adulta com filhotes. Os gatos adultos medem cerca de 40 cm de comprimento, desconsiderando a cauda.

Se chegarem à vida adulta, é muito provável que esses gatos consigam acasalar com outros gatos adultos, gerando filhotes. Quando um organismo é capaz de se reproduzir, dizemos que ele é fértil. Esse ciclo nos mostra que os gatos domésticos são todos da mesma espécie. 
As onças-pintadas são outro exemplo de espécie de animal: elas podem cruzar entre si e gerar filhotes férteis. Embora gatos e onças tenham muitas semelhanças, eles pertencem a espécies diferentes e não podem cruzar entre si e gerar descendentes férteis.

Onça-pintada (Panthera onca; cerca de 1,8 m de comprimento, desconsiderando a cauda) com filhote, em Cáceres (MT), 2017.

Podemos dizer, então, de maneira geral, que uma espécie é o conjunto de indivíduos que, na natureza, são capazes de cruzar entre si e gerar descendentes férteis. 
A onça-pintada é conhecida por diferentes nomes, dependendo da região do Brasil, entre eles: acanguçu, canguçu, jaguarapinima, jaguareté, jaguaretê e jaguaruçu. 
Em outros países da América do Sul, a onça-pintada é conhecida como jaguar. Com tantos nomes, como os cientistas que estudam esse animal podem se comunicar tendo a certeza de que estão se referindo a uma mesma espécie? Para possibilitar a comunicação e facilitar o estudo dos organismos, cada espécie recebe um nome científico, que é composto de duas palavras em latim (ou latinizadas, isto é, dá-se um formato em latim a uma palavra que não é latina).
O nome científico deve ser escrito sempre em itálico. Quando não for possível a escrita em itálico, as palavras devem ser sublinhadas. A primeira palavra, que se refere ao gênero, é escrita sempre com a letra inicial maiúscula. Já a segunda inicia-se com letra minúscula. 
O nome científico da onça-pintada, por exemplo, pode ser escrito de duas formas: Panthera onca ou Panthera onca (sublinhado, quando escrito à mão). O nome da espécie humana pode ser escrito Homo sapiens ou, quando escrito à mão, Homo sapiens. 

Habitat e nicho ecológico 


De forma semelhante ao que ocorre com o nome científico para o estudo dos seres vivos, foi necessário criar alguns termos para facilitar o estudo do meio ambiente. Vamos conhecer mais dois conceitos importantes a seguir. O lugar em que uma espécie vive chama-se habitat. Já o conjunto de relações que a espécie mantém com as outras espécies e com o ambiente físico recebe o nome de nicho ecológico.
O hábitat é o lugar em que uma espécie ou população vive. Pode ser pequeno, como o sistema digestório humano, onde vivem bactérias, ou muito grande, como o da tartaruga-oliva, que se es tende pelos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. 
O nicho ecológico, por sua vez, é o “modo de vida” de um ser vivo na natureza, o papel que ele desempenha no ecossistema. O nicho inclui os fatores bióticos e abióticos que interferem na sobrevivência e na reprodução de uma espécie, como a forma de explorar os recursos do ambiente, a quantidade de luz solar e de espaço necessários à sobrevivência e a variação de temperatura que essa espécie tolera. Em um mesmo hábitat, as espécies têm nichos ecológicos diferentes.
Para conhecer o nicho ecológico de uma espécie, precisamos conhecer seu habitat e seus hábitos, como do que ela se alimenta, onde e em que hora do dia obtém esse alimento, onde se reproduz e se abriga ou como se defende. O nicho é, de modo simplificado, o modo de vida de uma espécie na natureza. 
Por exemplo: a onça-pintada e a capivara podem ser encontradas no mesmo habitat, o Pantanal Mato-Grossense, localizado nos estados brasileiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Mas a onça-pintada se alimenta de outros animais, ou seja, é carnívora; enquanto a capivara se alimenta de plantas (é herbívora). 
Esses diferentes modos de vida fazem com que essas duas espécies, embora vivam no mesmo habitat, tenham nichos ecológicos diferentes. 
No caso desses seres vivos, o nicho inclui fatores como: o local onde a planta está fixada, quais são os nutrientes que ela consome e de onde são obtidos esses nutrientes; as relações estabelecidas com outras espécies; e assim por diante. 
As orquídeas, por exemplo, são plantas que vivem preferencialmente em ambientes sombreados e apoiadas sobre troncos de árvores. Conhecendo o habitat e o nicho das plantas é possível, por exemplo, cultivá-las para comercialização. 

As tartarugas-olivas (Lepidochelys olivacea) alimentam-se de animais marinhos e eventualmente de algas. Têm o ciclo de vida longo e a maturação sexual ocorre após os 15 anos de idade. Desovam em praias do litoral brasileiro, onde escavam buracos na areia e depositam em média cem ovos por desova. O sexo dos filhotes é influenciado pela temperatura dos ninhos. Essas características compreendem aspectos do nicho ecológico da espécie.

População e comunidade 


Indivíduos de uma mesma espécie que vivem em determinada região formam uma população. Por exemplo: todas as onças-pintadas do Pantanal formam uma população. As capivaras que também vivem nesse ambiente fazem parte de outra população, pois são de outra espécie. No Pantanal, portanto, há populações de capivaras, onças-pintadas e várias outras espécies de animais, plantas e fungos. 
Todos os seres vivos de um determinado lugar formam uma comunidade. Isso significa que todas as populações do Pantanal, por exemplo, formam uma comunidade. 

População de guarás da Baía de São Marcos, em Alcântara (MA), 2019. No detalhe, um guará (aproximadamente 60 cm de comprimento) durante o voo.

Estabilidade ecológica 


Os ecossistemas estão em constante estado de perturbação e mudança. Contudo, há certa estabilidade entre os elementos vivos e não vivos que os com põem, chamada estabilidade ecológica. 
A estabilidade é a capacidade de resposta de um ecossistema em caso de perturbação: envolve o tempo de resposta à perturbação e a intensidade de modificação que o ecossistema pode suportar. Dessa forma, a estabilidade ecológica é essencial para a manutenção da qualidade e das características dos ecossistemas.

Função de uma espécie na estabilidade ecológica 


Para entendermos a função de uma espécie na manutenção da estabilidade de um ecossistema, basta imaginá-lo, de repente, sem essa espécie. 
Observe um exemplo. O hábitat do jacaré-do-pantanal são os rios da região do Pantanal Mato-Grossense e suas margens. Ele se alimenta de uma grande variedade de seres vivos, incluindo piranhas. As piranhas são peixes de cardume e se alimentam de várias outras espécies de peixes. Quando há muitas piranhas em um rio, elas podem atacar outros seres vivos maiores, como um boi que atravesse o rio.

O jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) mede cerca de 2,5 m de comprimento e é encontrado nos rios da região do Pantanal Mato-Grossense.

A piranha (Pygocentrus nattereri) é um peixe carnívoro de 30 cm de comprimento, habitante dos rios da região do Pantanal Mato-Grossense.

Os coureiros são caçadores ilegais de jacarés. Eles matam os animais para comercializar seu couro. Vamos supor, de maneira simplificada, que os coureiros caçassem grande parte dos jacarés-do-pantanal existentes nesse ecossistema. Sua retirada desse ecossistema afetaria os seres vivos que dependem direta e indiretamente do jacaré-do-pantanal, causando uma perturbação no ecossistema. 
Como os jacarés se alimentam de piranhas, a quantidade delas aumentaria nos rios, e isso reduziria a quantidade de outros peixes dos quais as piranhas se alimentam. Se esses peixes forem alimento de outros animais, estes sofrerão com falta de alimento e, provavelmente, sua população será reduzida. 
Poderia haver também um aumento no número de ataques a animais e pessoas nesses rios, em razão da maior quantidade de piranhas. Apesar de ser apresentado de forma simplificada, o processo de perturbação e de retorno à estabilidade pode demorar anos e envolve também uma série de outros elementos.

Cadeia e teia alimentar 


Os seres vivos de um ambiente se relacionam de várias formas, e uma delas é pela alimentação. Pense nos últimos alimentos que você consumiu: talvez você tenha comido carne ou ovos e é bem provável que tenha comido frutas, verduras ou outros vegetais. 
Ao ingerir alimentos, você participa de uma cadeia alimentar. A cadeia alimentar pode ser representada por um esquema que mostra quem serve de alimento a quem.

capim  capivara  onça-pintada

O exemplo mostra que o capim serve de alimento à capivara, que serve de alimento para a onça-pintada. O capim e as demais plantas, assim como algas e algumas bactérias, absorvem a energia luminosa do Sol e produzem açúcares e outras substâncias orgânicas por meio da fotossíntese. Esses organismos são chamados produtores
Nós, assim como os outros animais e muitos outros seres vivos, não conseguimos utilizar diretamente a energia do Sol para produzir alimento. Assim, obtemos essa energia de forma indireta por meio do consumo de outros organismos. Os seres vivos que precisam ingerir outros para obter energia são chamados consumidores
Aqueles que se alimentam dos produtores são chamados consumidores primários; já os consumidores secundários ingerem consumidores primários, e assim por diante. 
A figura  abaixo apresenta uma cadeia alimentar em que há: produtor (capim); consumidor primário (gafanhoto); consumidor secundário (rã); consumidor terciário (serpente).

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Exemplo de cadeia alimentar. As setas indicam que a transferência do alimento e da energia ocorre do produtor para os consumidores. (Comprimento médio dos organismos: capim: 20 cm a 50 cm; gafanhoto: 1 cm a 8 cm; rã: 14 cm a 18 cm; serpente: até 10 m.)

Os resíduos, como fezes, e outros restos de substâncias orgânicas, como animais e folhas mortos, sofrem a ação dos organismos chamados decompositores, representados por bactérias e fungos. Eles transformam a matéria orgânica em substâncias que são lançadas no ambiente e ficam novamente disponíveis para serem usadas por plantas e outros seres produtores. 
Os fungos, como as orelhas-de-pau, crescem em troncos caídos e outros organismos mortos, participando da decomposição dessa matéria orgânica. Foto tirada em São Sebastião (SP), 2021.

Muitos animais têm uma alimentação variada. Algumas aves se alimentam de diferentes seres vivos (elas comem tanto insetos quanto frutas, por exemplo), além de servirem de alimento para outras espécies. Como resulta do, as diversas cadeias alimentares que existem em um ambiente se cruzam e formam o que chamamos de teia alimentar. Todos os organismos de uma teia alimentar servem de alimento aos decompositores. 
A eliminação de alguns organismos de uma teia alimentar acaba prejudicando outros seres vivos. O que você acha que poderia acontecer, por exemplo, se as aves, as aranhas e os outros animais que comem insetos fossem eliminados? 
Sem esses predadores, o número de insetos que se alimentam de plantas poderia aumentar muito. Como resultado, muitas plantas, ou plantações inteiras, poderiam desaparecer, pois seriam intensamente consumi das pelos insetos.

Ecossistemas


Todos os seres vivos e os componentes não vivos de um ambiente, como água, minerais do solo e luz, somados a todas as relações que existem entre esses elementos, formam um ecossistema
A Mata Atlântica e o Pantanal Mato-Grossense são exemplos de ecossistemas, assim como ambientes menores, como uma poça de água na mata ou a água acumulada em uma bromélia, um tipo de planta. 
O conjunto de ecossistemas do planeta é conhecido como biosfera

Biodiversidade 


O Brasil é considerado o país com a maior biodiversidade do mundo. São mais de 116 000 espécies de animais e mais de 46 000 espécies de plantas conhecidas. 
Estima-se que isso represente mais de 20% do total de espécies do planeta. Como você explicaria, então, o conceito de biodiversidade? A biodiversidade é a variedade de espécies existentes em determinado espaço. 
Atualmente, milhares de espécies correm o risco de desaparecer, principal mente devido à ação do ser humano. A destruição dos ambientes, a poluição, a caça e a pesca sem controle são algumas dessas ações. 
As espécies fazem parte de teias alimentares, e a extinção de uma ou mais espécies provoca desequilíbrios ecológicos sérios, afetando vários organismos, inclusive os seres humanos. Além disso, boa parte dos medicamentos e de vários outros produtos utilizados pelo ser humano é produzida a partir de seres vivos. Assim, com o desaparecimento de algumas espécies, perdemos também possíveis produtos que nos seriam úteis. 
A produção de muitos medicamentos e outros compostos se dá a partir de pesquisas científicas e da colaboração de povos indígenas e outras comunidades tradicionais que, por conhecerem muito bem a biodiversidade dos locais em que residem, indicam quais plantas devem ser usadas para determinados propósitos. 
Com a diminuição da biodiversidade, perdemos parte do equilíbrio e da beleza presentes na natureza que, entre outros benefícios que nos proporciona, é fonte de criações artísticas, de lazer e de recreação. Por isso, preservar os ambientes e a biodiversidade é também preservar nossa saúde física e mental.
Para proteger a biodiversidade, é preciso preservar o habitat das espécies. Por isso, é fundamental criar e manter unidades de conservação – como parques nacionais e reservas biológicas –, combater o desmatamento ilegal e garantir o cumprimento da legislação ambiental e o respeito às comunidades tradicionais. 
Para a preservação da biodiversidade, é importante também combater a biopirataria, ou seja, a caça, a coleta e o envio ilegais de plantas e animais ao exterior para extração de compostos e pesquisa de medicamentos, cosméticos e outros produtos. 
É preciso, ainda, diminuir os danos causados ao ambiente, adotando, por exemplo, técnicas de conservação do solo, especialmente em áreas ocupadas por atividades humanas, como a agropecuária. 
Dessa forma, é possível atender às necessidades do ser humano, melhorando a qualidade de vida da população, e preservar a biodiversidade e a diversidade cultural. Essas condições fazem parte do chamado desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade. 
Uma atividade sustentável é aquela em que os indivíduos que a praticam se preocupam em aproveitar um recurso de modo a garantir o bem-estar econômico e social também para as gerações seguintes. Ela deve estar voltada não apenas para a melhoria do mundo hoje, mas também para deixar recursos e um mundo melhor para as próximas gerações.


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