sexta-feira, 19 de julho de 2024

O que são recursos naturais?

Tudo o que os seres humanos retiram ou utilizam da natureza para sobreviver ou desenvolver suas atividades é chamado de recurso natural. Assim, as rochas e os minérios; a água dos rios, dos lençóis subterrâneos e da chuva; a energia solar; a vegetação; os animais terrestres e aquáticos são exemplos de recursos naturais.
Os recursos naturais, que ao serem extraídos da natureza passam a ser matérias-primas, podem ser encontrados em praticamente todos os ambientes que frequentamos. Observe ao redor e note que os elementos artificiais da paisagem foram construídos com base em matérias-primas extraídas da natureza.
Os principais meios de transporte utilizam combustíveis fósseis, que são recursos naturais. A eletricidade também é gerada a partir dos recursos da natureza. Como os recursos naturais são fundamentais para a existência da vida na Terra, seu uso deve ser responsável.

Classificações dos recursos naturais


Como vimos, os recursos naturais apresentam-se de diversas formas e têm um papel importante em nosso cotidiano. 
Os recursos naturais podem ser classificados, basicamente, de duas maneiras: quanto à origem e ao poder de renovação natural. Quando os recursos naturais têm origem em seres vivos ou em materiais orgânicos, são chamados de recursos bióticos. Os combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural) estão inseridos nessa classificação, pois se formaram da decomposição orgânica de materiais. Plantas e animais também fazem parte dos recursos bióticos.
Já os recursos abióticos se originam de materiais não vivos, como a luz solar, a água e o ar. Os minerais também pertencem a esse grupo. 
Quanto ao poder de renovação natural, os recursos dividem-se em renováveis e não renováveis e inesgotáveis.
Renováveis: são aqueles que, em curto período, podem ser repostos pela própria natureza ou pela ação humana. Exemplos: a água doce dos rios pode ser tratada e devolvida aos cursos quase no estado natural; alguns tipos de vegetação natural podem ser replantadas, ainda que não voltem propriamente à condição original; os solos, se tratados de forma cuidadosa, podem ser utilizados por longo período de tempo.
Não renováveis: são aqueles que, ao serem retirados da natureza pelos seres humanos, não são repostos nem retornam ao estado original. São recursos que, quanto mais forem utilizados, menos estarão disponíveis na natureza, ou seja, correm o risco de se esgotar completamente. Entre os exemplos temos: os minérios de ferro e de alumínio e os combustíveis de origem fóssil, como carvão e petróleo.
Inesgotáveis: são aqueles que, mesmo sendo utilizados de forma intensa pela sociedade, não se esgotam. Temos como exemplos: a energia solar, a força dos ventos e das marés.

Rochas como fontes de matéria-prima

A crosta terrestre é uma das principais fontes de recursos naturais para a humanidade. E as rochas são um desses recursos, por isso são extraídas em grande quantidade em determinadas regiões do planeta.

Existem alguns tipos de rocha que são exploradas comercialmente, como o basalto, o mármore ou a argila.
Essas rochas são retiradas da natureza em estado bruto e processadas por meio de técnicas, de acordo com a finalidade de uso.
A sociedade também explora determinados minérios que se encontram em meio às rochas, como diamante, ouro, cobre, calcário ou potássio, que servem de matéria‑prima para a fabricação de vários tipos de produto utilizados na indústria ou em outras atividades econômicas, como na agricultura ou na pecuária.

Tempo geológico

A presença de fósseis de animais e plantas em determinadas camadas rochosas, assim como o estudo da composição de seus minerais, são pistas muito importantes para a reconstituição da história do planeta.

Com o auxílio de aparelhos de datação por radioatividade, geólogos e paleontólogos conseguem identificar a idade de cada camada rochosa, ou seja, quando elas se formaram. Com isso, é possível estabelecer o tempo de existência da Terra e as principais modificações pelas quais passou no decorrer dos últimos 4,6 bilhões de anos. Esse longo período de existência do planeta é chamado de tempo geológico.
Por meio do estudo estratigráfico, os cientistas criaram uma tabela que divide o tempo geológico em frações de tempo menores, de acordo com os acontecimentos físicos e biológicos mais característicos de cada ocasião. Assim, a tabela do tempo geológico é dividida nas seguintes frações de tempo: Éons, Eras, Períodos e Épocas.

Fósseis: O que são?

Fósseis são restos, vestígios, marcas e sinais deixados por seres que viveram no passado e que ficaram preservados em rochas, em resinas vegetais ou mesmo no gelo.
Algumas camadas rochosas podem conter fósseis. Os fósseis são restos de animais e plantas que permaneceram preservados naturalmente em meio às camadas de rochas sedimentares. Eles são uma das principais pistas utilizadas pelos cientistas para reconstituir a longa história do planeta.
Nas rochas, principalmente nas sedimentares, os pesquisadores podem encontrar valiosas “pistas” sobre a vida no passado. Uma dessas “pistas” são os chamados fósseis – restos ou vestígios de seres vivos que foram conservados em rochas em condições ambientais muito específicas. 
Os restos podem ser ossos, pelos, penas, carapaças, dentes, escamas, fezes, troncos ou pólen. Os vestígios, como pegadas de animais ou, ainda, outros tipos de marca ou “impressão” de seres vivos, são evidências da existência de um ser vivo.
Muitos organismos que desapareceram deixaram restos ou marcas nas rochas: os fósseis. Eles são estudados pela Paleontologia, a ciência que investiga os seres vivos do passado.
A razão pela qual não encontramos — com tanta facilidade é que eles só se formam em condições muito específicas. Você sabe o que acontece com os organismos quando morrem? Geralmente, um cadáver é comido por animais ou decomposto por fungos e bactérias. 
As partes moles, como a pele e outros órgãos, têm mais chance de serem comidas e decompõem-se mais rapidamente do que as partes duras, como ossos e conchas. É por isso que são mais comuns os fósseis de estruturas rígidas, como os ossos. 
Os fósseis podem ser compostos de partes do ser vivo fossilizado, como dentes, folhas, sementes, carapaças, troncos, ossos etc., ou ainda de vestígios deixados por eles, como pegadas, ovos ou excrementos.
Além dos fósseis, as rochas sedimentares podem abrigar depósitos de petróleo, amplamente explorados em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil. O petróleo é um material formado há milhões de anos, resultado da decomposição de organismos marinhos, principalmente seres
microscópicos. É do petróleo que podem ser obtidos alguns combustíveis, como a gasolina e o óleo diesel.

                                                 (A)
                                                  (B)

Fósseis de seres já extintos nos ajudam a compreender a história da vida na Terra. Nas fotos, podemos observar conchas preservadas de animais marinhos chamados amonites (A) e a pegada de um dinossauro (B). Esses dois fósseis são do Período Jurássico, entre 200 milhões e 146 milhões de anos atrás, aproximadamente.
O estudo dos fósseis contribui para a compreensão dos seres vivos que habitavam a Terra e que hoje estão extintos. Por meio desses fósseis, é possível entender o parentesco entre os grupos de seres vivos, estimar quando se deu o surgimento de uma espécie ou quando aconteceu sua extinção. 
Além disso, os pesquisadores podem ter indícios de como era a alimentação do animal fossilizado, seu tamanho e as possíveis diferenças que apresentava em relação a seus parentes atuais.
Eles nos possibilitam entender as mudanças que ocorreram no planeta ao longo de milhões de anos e fornecem importantes evidências para sustentar algumas teorias. Mas como os fósseis são formados?

O processo de fossilização


Este processo pode ocorrer de diversas maneiras na natureza. As mais comuns são a substituição dos compostos orgânicos que constituem o corpo desses seres vivos e o preenchimento de espaços por minerais.
Os seres vivos, quando morrem, começam a se decompor. Seu aspecto (cor, textura, cheiro) vai mudando, e muitos podem desaparecer em pouco tempo. Isso acontece por ação de microrganismos e outros fatores do meio ambiente, como a exposição ao Sol, ao vento ou à chuva. Essas transformações que os seres vivos sofrem ao morrer recebem o nome de decomposição.
Em algumas situações especiais, o processo natural de decomposição de um ser vivo pode ser alterado ou interrompido, permitindo a formação de um fóssil. Isso ocorre, por exemplo, quando seres vivos que acabaram de morrer são cobertos por sedimentos no fundo de um rio ou de um lago. As partes moles dos seres vivos se decompõem primeiro, deixando as partes mais duras (conchas e esqueletos) preservadas por mais tempo.
As condições do ambiente influenciam no processo de fossilização. Em geral, os ambientes marinhos, os lagos e os pântanos apresentam condições mais adequadas a esse processo. Além disso, em geral, as partes rígidas, como ossos, exoesqueleto e troncos de árvores, ficam mais conservadas que as outras partes do organismo. Um dos possíveis motivos para isso é o fato de as partes rígidas não serem facilmente decompostas.
Quando observamos fósseis em camadas de rochas sedimentares, podemos saber, pela posição relativa de cada um, quais são mais recentes ou mais antigos. Em qualquer sucessão de estratos de rochas (que não tenham sofrido deformação), o mais antigo posiciona-se mais abaixo, com os estratos sucessivamente mais jovens posicionando-se acima. 
O processo de fossilização pode se dar de diferentes modos:
Incrustação: ocorre quando substâncias trazidas pelas águas se infiltram no subsolo, alojando-se em torno do animal ou planta, revestindo-o. Ocorre, por exemplo, em animais que morreram no interior de cavernas.
Permineralização: ocorre quando substâncias minerais são depositadas em cavidades existentes em ossos e troncos. Exemplo: troncos de árvores petrificados.
Mumificação: pode ocorrer por meio de congelamento, desidratação ou solidificação do animal por meio de substâncias impermeáveis, como o âmbar. Há preservação parcial ou total do ser vivo original.

Fóssil de arqueópterix (Archaeopteryx lithographica) exibido no Museu Nacional de História Natural de Kiev (Ucrânia), 2018. O arqueópterix viveu há cerca de 150 milhões de anos e media em torno de 50 cm.


O estudo dos fósseis a partir das camadas sedimentares ajuda muito os cientistas a conhecer as mudanças que ocorreram no planeta ao longo do tempo.
As partes mais duras poderão permanecer preservadas por muito tempo ou ser lentamente substituídas por minerais presentes na água infiltrada nos sedimentos depositados. Observe que, nesse processo, os fósseis foram formados em camadas de sedimentos que darão origem a rochas sedimentares.
O relevo do local onde os seres vivos foram sepultados pode sofrer alterações – no caso, dobramentos – ao longo do tempo. Essas alterações podem expor os fósseis à superfície, o que facilita sua descoberta. Para que sejam considerados fósseis, é preciso que os restos ou os vestígios sejam mais antigos do que 11 mil anos.

Como os fósseis são formados? 


Depois de morrer, um organismo pode ser total ou parcialmente coberto por sedimentos. Nessas condições, ele fica mais protegido da ação de microrganismos decompositores e da ação de agentes da natureza, como a água da chuva. 
Seu corpo, então, é lentamente transformado em rocha, sobretudo as partes duras (esqueleto, concha, tronco, semente, entre outras). A formação de fósseis por restos de animais pode ocorrer de diversas maneiras: por molde, mineralização ou preservação. 
O molde ocorre quando as partes duras do organismo desaparecem (são decompostas), restando como fóssil sua marca no sedimento. A fossilização por mineralização ocorre quando as partes duras do organismo são substituídas aos poucos por minerais. A preservação ocorre quando um organismo é conservado em gelo ou âmbar, principalmente.
A preservação das partes moles do corpo de um animal é muito difícil de acontecer, devido ao processo natural de decomposição. Porém, há casos em que o corpo de um animal pode ficar preservado por milhares ou milhões de anos. 
É o caso de insetos preservados no âmbar e de alguns mamutes encontrados na Sibéria, na Rússia, que ficaram soterrados no gelo e tiverem parte do corpo preservada.

                           Inseto preservado em âmbar.

Em 2007, o corpo congelado e em perfeito estado de um filhote de mamute, chamado de Lyuba, foi encontrado por um pastor de renas na Sibéria. Provavelmente, Lyuba ficou congelado por cerca de 40 mil anos. Os mamutes estão extintos há 10 mil anos.

Estudando ossos fossilizados de dinossauros, por exemplo, podemos ter uma ideia de sua altura, massa e até da sua forma de locomoção. Os dentes e as garras podem indicar o tipo de alimentação, considerando que o animal está adaptado ao ambiente em que vive e a determinado modo de vida. Animais carnívoros, por exemplo, têm dentes pontiagudos, que auxiliam a prender outro animal e a rasgar a sua carne.
Às vezes, no processo de fossilização, as partes duras do corpo do ser vivo são substituídas por minerais e sua forma original é preservada. Em outros casos, o organismo é completamente destruído, mas sua marca fica reproduzida na rocha. 

A sequência de fósseis 


Estudando a formação das rochas e dos fósseis, os cientistas descobriram que a idade de um fóssil corresponde, aproximadamente, à idade do terreno em que ele se encontra. Em geral, quanto mais profunda uma camada de rocha, mais antiga ela é. Portanto, os fósseis daquela camada são mais antigos que os fósseis encontrados em camadas superiores. Os estudos de evolução dos seres vivos indicam, por exemplo, que, entre os animais vertebrados, os peixes devem ter surgido antes dos anfíbios (sapos, rãs, salamandras, etc.) e estes, antes dos répteis atuais (jacarés, tartarugas, lagartos, etc.). 
Então, em estratos mais antigos, vamos encontrar fósseis de peixes, mas não vamos encontrar fósseis de anfíbios e répteis. Nos estratos intermediários, esperamos encontrar fósseis de peixes e de anfíbios, mas não de répteis. Nas camadas mais recentes, vamos encontrar fósseis de peixes, anfíbios e répteis atuais. 
Esses achados indicam que, de fato, ancestrais (antepassados) dos atuais peixes originaram, por evolução, os ancestrais dos atuais anfíbios, e estes, por sua vez, deram origem aos ancestrais dos atuais répteis. De acordo com a teoria da evolução, espera-se também que os fósseis de organismos mais semelhantes às espécies atuais sejam encontrados nas camadas mais recentes.

Datação geológica


A análise dos fósseis de uma camada de rocha sedimentar auxilia a estabelecer a idade aproximada daquela camada. Dessa maneira, é possível determinar o período aproximado em que os seres vivos de cada camada viviam. A utilização dos fósseis pelos geólogos para estimar o período geológico das rochas é uma prática comum.

Os fósseis e os períodos geológicos 


O estudo dos fósseis permite aos cientistas delimitar alguns períodos geológicos ao longo da história da Terra, estabelecendo datas para acontecimentos importantes da evolução da vida no planeta. 
Para facilitar o estudo da evolução da vida, costuma-se dividir a história da Terra em grandes intervalos de tempo, que são subdivididos em intervalos menores. 
São os éons, as eras, os períodos e as épocas. Essa divisão foi estabelecida a partir de análises de diferentes tipos de rochas e de fósseis. Esses estudos nos possibilitaram conhecer melhor as diversas formas de vida, seu provável surgimento, as espécies que já desapareceram e até mesmo as relações de parentesco evolutivo entre elas. Essas informações são obtidas com base na análise dos fósseis encontrados principalmente em rochas sedimentares.
Os éons são a maior subdivisão da escala de tempo geológico. Eles não têm um tempo determinado e são compostos pelas eras geológicas.
A história da Terra está dividida em quatro éons: Hadeano, Arqueano, Proterozoico e Fanerozoico. Os éons Hadeano, Arqueano e Proterozoico estão agrupados em um superéon denominado Pré-Cambriano, que corresponde a cerca de 88% do tempo geológico. O éon Hadeano é uma divisão informal (não oficial).
O registro fóssil relativo ao Pré-Cambriano é muito pobre se comparado ao éon Fanerozoico, pois as rochas Pré-Cambrianas sofreram muitas transformações físicas e químicas ao longo do tempo. As eras geológicas são divididas em períodos e correspondem a intervalos de tempo que identificam transformações e eventos ocorridos durante a formação e evolução do planeta Terra. Por exemplo, os dinossauros existiram durante três períodos geológicos: Triássico, Jurássico e Cretáceo, formando assim a Era Mesozoica.
As épocas são intervalos menores dentro de um período. A última era glacial e a extinção da megafauna de mamíferos ocorreu no Pleistoceno, uma das épocas do Período Neógeno, e a expansão da civilização humana ocorreu na época atual, conhecida como Holoceno.
Do período Cambriano, por exemplo, que começou há cerca de 540 milhões de anos, encontramos fósseis dos primeiros animais. São invertebrados, ou seja, animais sem coluna vertebral. Os primeiros fósseis de vertebrados (animais com coluna vertebral) são do período seguinte, o Ordoviciano, que começou há cerca de 490 milhões de anos. Nesse período apareceram os ancestrais dos peixes atuais.
Fósseis dos primeiros anfíbios, ancestrais dos atuais sapos, rãs e salamandras, por exemplo, são provenientes do período Devoniano, iniciado há 417 milhões de anos. 
Já os dinossauros surgiram no período Triássico, iniciado há cerca de 248 milhões de anos, e se espalharam pelo ambiente terrestre. No final do período Cretáceo, há cerca de 65 milhões de anos, houve uma extinção em massa: considerando-se o aspecto geológico, muitas espécies foram extintas em períodos curtos de tempo. Foi também nesse período que surgiram os primeiros mamíferos.


Composição da litosfera

A litosfera é a camada rochosa que recobre a Terra. Também chamada crosta terrestre, ela corresponde à esfera que separa as camadas do interior do planeta das esferas superficiais: a hidrosfera e a atmosfera.

Até hoje, o ponto mais profundo da crosta terrestre já atingido por máquinas perfuratrizes está aproximadamente 12 km abaixo da superfície. Isso mostra que, com a tecnologia disponível atualmente, atingimos um ponto ainda muito superficial dessa camada rochosa, visto que o raio da Terra tem cerca de 6 370 km.

A dinâmica da litosfera


Algumas áreas do planeta são mais propícias a atividades vulcânicas, abalos sísmicos e até tsunamis do que outras. O Japão, por exemplo, é um país localizado em áreas onde ocorrem grandes eventos naturais como esses. Em outubro de 2021, o vulcão do monte Aso, situado em Kyushu, entrou em erupção e lançou suas cinzas a uma altitude de 3,5 quilômetros. Dez anos antes, o leste do país havia sido devastado por um forte terremoto e a chegada de um tsunami – com ondas de até 16,7 metros de altura. Em decorrência dos fenômenos naturais, a usina nuclear de Fukushima teve sua estrutura afetada, o que provocou o superaquecimento do sistema de refrigeração e levou à explosão e ao vazamento do material radioativo. Estima-se que cerca de 20 mil pessoas morreram em decorrência desses eventos.
Mas o que esses eventos têm em comum? Atividades vulcânicas, abalos sísmicos e tsunamis estão diretamente ligados à dinâmica litosférica da Terra, que envolve a movimentação de placas tectônicas.
Para compreender o funcionamento de movimentação das placas tectônicas, pense no planeta como um grande quebra-cabeças. Perceba que os contornos dos continentes apresentam encaixes. Partindo desse princípio, o cientista alemão Alfred Wegener (1880-1930) apresentou a teoria da deriva continental no ano de 1912. De acordo com essa teoria, os continentes se movimentariam de forma lenta e contínua, tendo, no passado, formado um único continente, denominado Pangeia (do latim pan, que significa “toda”, e gea, “terra”). Acompanhe como teria sido a movimentação dos continentes até a formação da configuração atual.

Tectônica de placas


Na época de Wegener, acreditava-se que todo o interior do planeta era rígido e rochoso. Por não conseguir explicar a força que moveria os grandes blocos continentais, a teoria não foi aceita pela maior parte dos cientistas de sua geração.
Na década de 1940, o debate sobre a movimentação dos continentes foi retomado. Com uma nova tecnologia  de mapeamento do relevo submarino, foi possível identificar uma complexa formação montanhosa na crosta oceânica do oceano Atlântico. Essas formações foram denominadas dorsais, ou cadeias meso-oceânicas. Décadas depois, ficou comprovado que as dorsais são as áreas responsáveis pela expansão do assoalho oceânico (fundo oceânico), por onde o magma atinge a superfície e se solidifica.
Com isso, comprovou-se que a superfície do planeta Terra não é formada por um único bloco litosférico, mas sim por vários, as chamadas placas tectônicas, como já vimos
As placas tectônicas movem-se lentamente sobre a astenosfera (entre 3 e 10 centímetros por ano), conduzidas pelas células de convecção (imagem a seguir), que atuam de formas ascendente e descendente no manto terrestre. As placas podem estar se afastando umas das outras (movimento divergente) ou se aproximando (movimento convergente).
Quando duas ou mais placas realizam um movimento paralelo de atrito, há o movimento conservativo. O entendimento completo dessa dinâmica faz parte da Teoria da Tectônica de Placas.

Estrutura interna da Terra


Atualmente, o modelo cientificamente mais aceito da estrutura interna da Terra é o que apresenta o planeta dividido em três partes: a crosta terrestre (litosfera), o manto e o núcleo. Essas partes se diferenciam quanto à profundidade, à temperatura em seu interior e à composição química. 

Rochas litosféricas


A litosfera é a mais rígida das esferas terrestres, composta basicamente de rochas. As rochas são aglomerados sólidos que reúnem um ou vários tipos de minerais. Também podem ter origem orgânica, como é o caso das rochas provenientes da solidificação de plantas e da fossilização de animais.
Na crosta terrestre há grande variedade de tipos de rocha. Os geólogos classificam as rochas de acordo com sua origem e o processo de formação. Assim, temos três grupos principais de rochas: as ígneas ou magmáticas, as sedimentares e as metamórficas.
Rochas ígneas ou magmáticas: são formadas pela solidificação do magma no interior da própria crosta. Há também o magma que chega até a superfície terrestre, por meio das erupções vulcânicas, e forma as rochas. Alguns exemplos de rochas magmáticas são o basalto, o granito e o quartzo.
Rochas sedimentares: são formadas de sedimentos (pequenas partes) que se separam de outras rochas e minerais ou de matéria orgânica (restos de animais e plantas). Os sedimentos e a matéria orgânica são transportados pelos ventos, pelas águas das chuvas e do mar para as partes mais baixas do relevo, constituindo depósitos que, ao longo de milhares de anos, formam camadas rochosas. Exemplos de rochas sedimentares são os arenitos, o calcário e a argila.
Rochas metamórficas: são formadas por meio da transformação de rochas sedimentares ou magmáticas. Ao serem expostas à forte pressão ou a altas temperaturas, essas rochas passam pelo processo de metamorfismo, que modifica a composição de seus minerais e suas características químicas e as transforma em rochas metamórficas. Exemplos de rochas metamórficas são o mármore, o xisto e a ardósia.

Rochas contam a história da Terra


Calcula-se que a Terra tenha se formado há cerca de 4,6 bilhões de anos. Entre as técnicas utilizadas pelos cientistas para calcular esse tempo de existência do planeta está o estudo das camadas rochosas, também chamado de estudo estratigráfico.
Em geral, as rochas formam camadas com composição diferente umas das outras. Cada camada pode revelar características dos ambientes terrestres que existiram há milhões ou, até mesmo, bilhões de anos. Em alguns casos, elas podem ser encontradas dispostas umas sobre as outras, como camadas de um bolo. Em geral, as que estão mais abaixo são as mais antigas; já as do topo correspondem às mais recentes.
A composição de algumas camadas rochosas mostra, por exemplo, que houve épocas em que os oceanos encobriam boa parte do planeta. Por isso, existem camadas de rochas com sedimentos de fundo marinho e com fósseis de animais e plantas característicos desse tipo de ambiente.
Houve ainda épocas em que as florestas de pinheiros e os pântanos encobriam grandes extensões da superfície do planeta. Por isso, existem camadas de rocha formadas pela decomposição dessas plantas, que hoje servem de recurso para a geração de energia, como é o caso do carvão.

Biosfera, biomas e ação humana

O ar que respiramos, a água que bebemos ou o solo onde plantamos e colhemos alimentos são responsáveis pela existência dos seres vivos e dos elementos necessários à sobrevivência humana. Chamamos cada um desses meios físicos de: atmosfera, hidrosfera e litosfera.


Biosfera, esfera da vida


Todos os fenômenos da natureza ocorrem de maneira interdependente.
Isso significa que eles mantêm relações entre si, interferindo diretamente uns nos outros. As relações entre os fenômenos da atmosfera, da litosfera e da hidrosfera ocorrem na biosfera.
atmosfera é a camada de gases que envolve o planeta. Ela protege os seres vivos filtrando os raios solares e impede que meteoritos e pequenos corpos celestes atinjam a superfície terrestre. Também é nela que ocorrem os fenômenos meteorológicos.
biosfera é a porção do planeta habitada pelos seres humanos e onde se desenvolvem todas as outras formas de vida animal e vegetal. Ela existe devido às interações entre a atmosfera, a hidrosfera e a litosfera.
hidrosfera reúne o conjunto das águas da Terra, seja no estado gasoso (como o vapor de água nas nuvens), seja no estado líquido (como os rios, lagos, aquíferos e oceanos), seja no estado sólido (como as geleiras e calotas polares).

Biosfera e ecossistemas


Como vimos, na biosfera ocorrem as interações entre a atmosfera, a hidrosfera e a litosfera que criam as condições necessárias ao desenvolvimento da vida em nosso planeta. O termo biosfera significa justamente “esfera da vida” (bio = vida; sfera = esfera).
Na biosfera ocorrem intensas trocas de matéria e energia envolvendo elementos químicos, físicos e biológicos. Essas trocas possibilitam a existência de inúmeras espécies de seres vivos e de ecossistemas complexos.

Diversidade de ecossistemas


Na superfície terrestre são identificados muitos tipos de ecossistema. Eles se diferenciam pelas formas de trocar matéria e energia, pelas espécies de seres vivos que neles habitam e pela dimensão espacial que ocupam na superfície do planeta.
Seja qual for a dimensão, desde o ecossistema de uma árvore
ou de um lago até o de uma vasta floresta, é importante lembrar que todos esses conjuntos dinâmicos estão interligados, influenciando uns aos outros.


Biomas e paisagens naturais


Os biomas são conjuntos de ecossistema interligados que abrangem grandes áreas, estendendo-se, muitas vezes, além dos limites de países e continentes.
Caracterizam-se por apresentar certa homogeneidade no que se refere às condições climáticas (quantidade de chuvas e temperatura), tipos de solos e de relevo, bem como presença de água, na forma de rios e lagos.
Esses fatores naturais criam condições para o desenvolvimento de espécies de fauna e flora muito peculiares, proporcionando identidade única a cada paisagem natural da Terra.
De maneira geral, é possível identificar seis grandes biomas em nosso planeta: Floresta Tropical, Savana, Campo, Deserto, Floresta Temperada e Tundra.
Conheça a seguir a extensão e as principais características desses biomas.
Floresta Tropical – Ocorre nas regiões mais quentes e úmidas do planeta. Apresenta vegetação densa, com árvores, arbustos e inúmeras outras espécies de plantas. Abriga também grande variedade de espécies de mamíferos, aves, peixes, insetos e anfíbios. É o tipo de bioma com a maior biodiversidade entre os demais do planeta.
Savana – Ocorre em regiões quentes, porém não tão úmidas como as do bioma Floresta Tropical, já que as chuvas se concentram em determinada época do ano. Caracteriza-se por vegetação mais aberta, composta de gramíneas e capins, com árvores e arbustos esparsos.
Isso possibilita que abrigue animais de grande porte, como aves (avestruz, ema etc.) e mamíferos (elefante, cervos, leões, pumas, rinocerontes etc.).
Campo – Encontrado em dois tipos. As pradarias desenvolvem-se em regiões com chuvas bem distribuídas e temperaturas mais baixas durante o ano; as estepes desenvolvem-se em regiões semiáridas, com poucas chuvas durante o ano. Em ambas predominam plantas rasteiras, como capins e ervas de diferentes espécies. Tais características contribuem para a existência de uma rica fauna composta desde roedores e répteis, até mamíferos de grande porte, como felinos (onças e panteras) e cervos (veados campeiros e alces).
Deserto – Há dois tipos desse bioma: os desertos quentes, que, em geral, ocorrem próximos aos trópicos (Câncer e Capricórnio), e os desertos frios, nas regiões frias e polares do planeta. Em ambos os casos, é baixa a quantidade de chuvas anuais. A vegetação predominante é rasteira (capins e gramíneas) ou formada por cactáceas (espécies variadas de cactos). A fauna é composta, sobretudo, de roedores, répteis e insetos.
Floresta Temperada – Classificada também em dois tipos: a Taiga (fotografia A), floresta com predominância de coníferas (espécies de pinheiros), forma de vegetação muito resistente ao inverno rigoroso que ocorre em regiões de elevada latitude; a floresta decídua ou de bosque (fotografia B), com árvores e arbustos que perdem as folhas no outono e no inverno, que é menos rigoroso do que nas regiões de taiga. Ambas abrigam diversas espécies de mamíferos, aves, anfíbios e insetos.
Tundra – Ocorre em regiões de clima muito frio, como nas altas montanhas e nas áreas próximas ao Ártico ou à Antártica. Nela desenvolvem-se plantas rasteiras, como gramíneas, musgos e liquens, além de diversas espécies de aves, insetos e mamíferos, sobretudo após o degelo, durante a primavera e o verão.

Distribuição dos biomas e zonas térmicas da Terra


A localização dos biomas na superfície terrestre está diretamente ligada à maneira pela qual a energia do Sol atinge a superfície do planeta. Devido à forma arredondada da Terra e a seu eixo inclinado, cada região é iluminada e aquecida com maior ou menor intensidade, de acordo com sua posição no sentido norte-sul. Esse fato resulta em diferentes zonas térmicas, como mostra o esquema ao lado.

Biomas e ação humana


Em nosso planeta, são poucos os lugares que ainda não receberam de alguma forma a interferência dos seres humanos. Boa parte dos biomas terrestres já foi alterada com maior ou menor intensidade pelas atividades desenvolvidas por nossa sociedade. Ainda que existam extensas áreas intactas de florestas, savanas, campos e tundra, todas se encontram sob ameaça a médio ou longo prazo. Assim, é fundamental que se estabeleçam medidas urgentes para a proteção desses ambientes. Os estudos de Geografia contribuem para avaliar espacialmente o comportamento da sociedade e os impactos causados por ela, estabelecendo soluções para reverter esse quadro.
desmatamento de áreas de vegetação nativa, por meio de queimadas ou do corte de árvores para a prática da agricultura e da pecuária, tem destruído os ecossistemas e levado espécies de plantas e animais à extinção. Além disso, a retirada da vegetação original acelera o processo de erosão dos solos e o assoreamento de rios e lagos.
A construção de represas para geração de energia elétrica ou abastecimento de cidades envolve a inundação de áreas de vegetação nativa. Já a captação de água doce para a irrigação agrícola pode acelerar a contaminação dos solos e das águas por produtos químicos e causar desequilíbrio em ecossistemas aquáticos.

A superfície do planeta Terra

A superfície do nosso planeta é formada por terras emersas, oceanos e mares. As terras emersas, ou seja, as partes da superfície terrestre que não estão cobertas por água, são constituídas de continentes e ilhas oceânicas. Os continentes são formados por grandes extensões contínuas de terra e recebem as seguintes denominações: América, Europa, África, Ásia, Oceania e Antártida. As ilhas, por sua vez, são formadas por porções de terra circundadas por água.

Os oceanos e mares são formados por grandes quantidades de água salgada que ocupam a maior parte da superfície terrestre (aproximadamente 70%). Ainda que constituam uma massa de água contínua sobre a Terra, cada porção dessas águas recebe uma denominação específica: oceano Pacífico, oceano Atlântico, oceano Índico, oceano Glacial Ártico e oceano Glacial Antártico.

A origem dos continentes e oceanos da Terra


Os continentes e oceanos que compõem a superfície terrestre começaram a se formar há cerca de 4,5 bilhões de anos, ainda no início da história geológica do nosso planeta.

Ecologia

O termo “Ecologia” foi empregado pela primeira vez em 1869 pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), que combinou a palavra grega oik...