sexta-feira, 15 de maio de 2026

Anfíbios

Os anfíbios são representados por sapos, rãs, pererecas, salamandras e cobras-cegas. O nome anfíbio (do grego amphi = dupla; bios = vida) deve-se ao fato de a maioria das espécies passar uma parte da vida na água (fase larval) e outra no ambiente terrestre (adulto).
Durante a fase larval, os anfíbios respiram por brânquias e, durante a fase adulta, por pulmões e pela pele. A troca de gases pela pele é possível, pois esse revestimento, nos anfíbios, é extremamente fino e úmido. 
De maneira geral, os anfíbios podem ser reunidos em três grandes grupos: anuros, urodelos e cecílias.

Os anuros têm quatro membros. Algumas espécies se locomovem por meio de saltos, outras caminham e outras nadam. Na fase adulta, esses animais não apresentam cauda. Os machos dessas espécies podem produzir sons, denominados coaxos, com a finalidade de atrair as fêmeas para a reprodução e de marcar território. São exemplos os sapos, as rãs e as pererecas.

Rã-touro (Lithobates catesbeianus).

Os urodelos apresentam um corpo mais alongado, quatro membros e cauda comprida. Muitas espécies são totalmente aquáticas. As salamandras são representantes desse grupo.

Salamandra da es pécie Ambystoma maculatum.

As cecílias são caracterizadas pela ausência de membros e pelo corpo alongado. Para se locomover, elas rastejam, promovendo ondulações no corpo. Podem ser aquáticas ou escavadoras. As cecílias são também conhecidas como cobras-cegas, pois seus olhos são recobertos por tegumento ou osso.

Cobra-cega da espécie Siphonops annulatus.


Os sapos apresentam pele enrugada e membros posteriores curtos, preferindo viver em solos úmidos. Na foto, indivíduo da espécie Leptodactylus sp.

Os animais desse grupo foram os primeiros vertebrados a colonizar o meio terrestre, embora parte de sua vida ainda dependa do meio aquático. 
Algumas das principais características dos anfíbios são mencionadas a seguir.

• São ectotérmicos
• Na maioria das espécies adultas, a respiração é pulmonar e cutânea. Na pulmonar, as trocas gasosas ocorrem nos pulmões, enquanto na respiração cutânea as trocas são feitas diretamente através da pele, que é dotada de glândulas mucosas. Nas fases larvais e nos adultos de algumas espécies, a respiração é branquial
• A maioria das espécies é ovípara e apresenta fecundação externa. Os ovos são colocados na água e originam larvas aquáticas chamadas de girinos, que sofrem metamorfose e se desenvolvem em indivíduos adultos.
Dependem do meio aquático: precisam viver em ambientes úmidos para evitar a dessecação da pele, o que prejudicaria a respiração cutânea, e necessitam da água para a fecundação e a postura de seus ovos. Os anfíbios podem ser classificados em três grupos: os urodelos, que compreendem as salamandras e os tritões; os ápodes, representados pelas cobras-cegas; e os anuros, que incluem os sapos, as rãs e as pererecas.

Glândulas de veneno 


As glândulas paratoides dos sapos liberam substâncias tóxicas ao serem pressionadas. Essas glândulas servem de defesa contra predadores. Quando um sapo é abocanhado, suas paratoides são pressionadas e liberam o veneno, fazendo com que o predador o solte.

Representação esquemática de um sapo, mostrando a localização das glândulas paratoides.




Peixes

Os peixes são vertebrados que vivem em ambientes marinhos ou de água doce. Muitos peixes apresentam escamas protegendo e revestindo o corpo. Em outros há um revestimento de placas ósseas.
A maioria dos peixes apresenta nadadeiras, estruturas associadas à locomoção, ao equilíbrio e à orientação. Os peixes são capazes de perceber a movimentação da água por meio de uma estrutura sensorial denominada linha lateral.
Algumas espécies apresentam um órgão chamado vesícula gasosa (ou bexiga natatória), que pode ser preenchida por gases e auxilia na flutuação. Quando a vesícula gasosa se esvazia, o peixe desce na coluna de água; quando ela se enche de ar, o peixe sobe.
A respiração da maioria dos peixes é realizada exclusivamente por brânquias, estruturas localizadas na lateral da cabeça, que retiram o gás oxigênio da água. As brânquias podem estar protegidas por placas chamadas opérculos.
Os peixes apresentam uma grande variedade de formas e tamanhos. Existem espécies que vivem em água doce e outras que vivem em água salgada. As seguintes características são compartilhadas pela maioria das espécies:

• a pele dos peixes secreta muco, que lubrifica a superfície do corpo e ajuda no deslocamento do animal na água;
• apresentam nadadeiras, órgãos responsáveis pela locomoção no meio aquático;
• a respiração da maioria dos peixes ocorre por meio de brânquias, estruturas ricas em vasos sanguíneos e especializadas na realização de trocas gasosas com a água. Em peixes ósseos, as brânquias são recobertas por uma estrutura óssea em forma de lâmina denominada opérculo. Há um grupo de peixes que, além de brânquias, apresenta pulmões rudimentares. São os peixes pulmonados, também chamados de dipnoicos
• os peixes apresentam nas laterais do corpo uma estrutura sensorial, a linha lateral, com a qual captam as vibrações aquáticas, que lhes possibilitam a percepção do movimento e da direção das correntes de água em torno do corpo; 
• a maioria das espécies é ectotérmica, ou seja, depende de fontes externas de calor para regular a temperatura do corpo, que, em geral, varia de acordo com a temperatura do ambiente.

Os peixes que apresentam esqueleto formado só por cartilagem são denominados peixes cartilaginosos. Os principais representantes desse grupo são os tubarões, as raias e as quimeras.

Tubarão-branco (Carcharodon carcharias), um peixe cartilaginoso.

Os peixes com esqueleto constituído principalmente por ossos são chamados peixes ósseos. Podemos citar como exemplos desse grupo o lambari, o dourado e o pintado.

Lambaris do gênero Astyanax, peixes ósseos.


Peixes ósseos e cartilaginosos 


Existem cerca de 27 mil espécies de peixes. A maior parte delas é classificada em dois grandes grupos: peixes cartilaginosos, caracterizados pela presença de esqueleto cartilaginoso, sem tecido ósseo; e peixes ósseos, que apresentam esqueleto ósseo com cartilagens.
Entre os peixes cartilaginosos, podem ser citados os tubarões e as raias. Eles apresentam um esqueleto de cartilagem resistente e a pele revestida por escamas muito pequenas, chamadas dentículos. O fígado desses animais acumula óleo, que os auxilia na flutuação. 
A fecundação é interna nos peixes cartilaginosos. Os machos apresentam uma modificação em uma de suas nadadeiras, a nadadeira pélvica, chamada clásper, que é utilizada na cópula. Podem ser ovíparos, ovovivíparos ou vivíparos, e as fêmeas geralmente têm poucos filhotes. 
Existe uma grande diversidade de peixes ósseos (mais de 20 mil espécies) que vivem em praticamente todos os ambientes aquáticos. Eles apresentam um esqueleto com ossos calcificados e cartilagens, pele mucosa revestida por escamas e bexiga natatória, um órgão que ajuda a regular a flutuação do peixe de acordo com a quantidade de gás que fica em seu interior.  
Na maioria das espécies, os peixes ósseos têm sexos separados, apresentam fecundação externa e são ovíparos, podendo depositar no ambiente desde algumas dezenas até milhares de ovos.

Cavalo-marinho macho da espécie Hyppocampus reidi incubando ovos na bolsa ventral. Os cavalos-marinhos são peixes ósseos e os machos são os responsáveis pela incubação dos ovos.




Equinodermos

O filo Echinodermata é composto de animais exclusivamente marinhos, como o ouriço-do-mar, a estrela-do-mar e o pepino-do-mar. Todos os equinodermos possuem um endoesqueleto (esqueleto interno) calcário. Com poucas exceções, os equinodermos adultos têm simetria radial. Sua digestão é exclusivamente extracelular, e o sistema digestório tem boca e ânus.
Os equinodermos vivem exclusivamente em ambientes marinhos. Eles não apresentam cabeça e seu esqueleto é interno, podendo apresentar pequenas projeções para fora do corpo, em forma de espinhos, que auxiliam na sua locomoção. Os equinodermos podem ser divididos em cinco grupos.

- Os asteroides possuem formato de estrela e, em sua maioria, cinco braços, como a estrela-do-mar.

 Estrela-do-mar da espécie Echinaster sepositus.

- Os equinoides, como o ouriço-do-mar, possuem corpo arredondado e espinhos que recobrem o corpo. Nesses animais, não há braços.

Ouriço-do-mar da espécie Echinometra viridis.

- Os ofiuroides, em geral, apresentam cinco braços, mas, em comparação com asteroides, seus braços são mais finos e separados do centro do corpo, como na serpente-do-mar.

 Serpente-do-mar da espécie Ophiothrix suensoni.

Os holoturoides, como o pepino-do-mar, apresentam corpos alongados e, assim como os ouriços-do-mar, não têm braços.

Pepino-do-mar da espécie Thelenota ananas.

Os crinoides vivem geralmente fixos ao substrato e possuem braços finos e numerosos, como o lírio-do-mar.

 Lírio-do-mar do gênero Comaster.

Uma característica exclusiva desse grupo é a presença de um sistema ambulacral no interior do corpo. Esse sistema é formado por um conjunto de canais preenchidos por um líquido composto basicamente de água do mar. Esses canais se comunicam com apêndices chamados pés ambulacrais, que podem ser usados na locomoção, na alimentação e na fixação do animal. A água do mar entra no sistema por uma placa perfurada do esqueleto, o madreporito
Grande parte dos representantes desse filo possui sexos separa dos. A reprodução pode ser assexuada ou sexuada. A fecundação é externa, com a liberação dos gametas na água do mar. 
Algumas estrelas-do-mar podem se reproduzir assexuadamente dividindo seu corpo em dois ou mais pedaços que contenham uma parte do disco central. Cada pedaço é capaz de regenerar o resto do organismo e originar uma nova estrela-do-mar.

Estrela-do-mar da espécie Linckia multifora em processo de regeneração de outros quatro braços. Ela pode regenerar braços danificados e até mesmo originar um novo animal a partir de um único braço que contenha parte do disco central.


Artrópodes

Os artrópodes, animais pertencentes ao filo Arthropoda. O grupo dos artrópodes é o mais numeroso do reino Animal em quantidade de espécies. Os artrópodes podem viver em ambientes aquáticos e terrestres.
Eles apresentam apêndices articulados, especializados em diferentes funções, e um esqueleto externo, o exoesqueleto, rígido e impermeável, que minimiza a perda de água por evaporação e fornece proteção e suporte para os músculos dos apêndices articulados. Em algumas regiões do corpo, como nas pernas, o esqueleto tem articulações que possibilitam a movimentação.
O exoesqueleto é composto de quitina, material que confere certa resistência, também encontrado nos fungos. Esse esqueleto externo não acompanha o crescimento do animal e, por isso, é trocado periodicamente em um processo denominado muda ou ecdise.

Uma das maiores espécies de besouro do mundo, o serra-pau da espécie Macrodontia cervicornis, habita a Floresta Amazônica. Note o exoesqueleto rígido e os apêndices articulados desse animal.

Por causa de sua rigidez, o exoesqueleto não permite o crescimento corporal, daí a necessidade de os artrópodes trocarem-no periodicamente para poderem crescer, em um processo conhecido como muda ou ecdise. Durante esse processo, o corpo do animal se expande, pois o novo exoesqueleto se mantém flexível durante um período. Passado algum tempo, ele se torna rígido novamente.
O corpo dos artrópodes é segmentado e dividido em cabeça, tórax e abdome. Em alguns artrópodes, como os camarões, os caranguejos e as aranhas, a cabeça e o tórax formam uma estrutura única, o cefalotórax. Vários representantes dos artrópodes têm capacidade de voar. 
O sistema digestório dos artrópodes tem boca e ânus, e a digestão é extracelular. A maioria das espécies apresenta reprodução sexuada e a fecundação pode ser externa ou interna. 
Os artrópodes são classificados em alguns grupos. Entre eles, destacam-se os crustáceos, os aracnídeos, os insetos, os quilópodes e os diplópodes.

Crustáceos 


São artrópodes que, de maneira geral, dispõem de uma carapaça rígida ao menos em uma fase de sua vida. O grupo dos crustáceos inclui animais como caranguejos, camarões, cracas e tatuzinhos-de-jardim. 
O corpo desses animais se divide em cefalotórax e abdome e apresenta cinco ou mais pares de apêndices, além de dois pares de antenas. A respiração dos crustáceos aquáticos é feita por brânquias. 
A maioria apresenta sexos separados. A reprodução é sexuada, com fecundação interna ou externa, dependendo da espécie. Algumas espécies incubam os ovos, dos quais eclodem animais jovens semelhantes aos adultos. Na maioria das vezes, porém, dos ovos eclodem larvas, que se desenvolverão em adultos.

O caranguejo da espécie Ocypode quadrata recebe o nome popular de maria-farinha em alguns locais.

Cracas do gênero Balanus. Esses animais permanecem fixos a um substrato.

Aracnídeos 


O grupo dos aracnídeos é formado por artrópodes terrestres, como as aranhas, os escorpiões, os ácaros e os carrapatos. O corpo dos aracnídeos geralmente é dividido em cefalotórax e abdome
No cefalotórax, há quatro pares de pernas, um par de quelíceras (apêndices relacionados à manipulação de alimento) e um par de pedipalpos (apêndices que têm funções diversas nos diferentes grupos de aracnídeos). 
Alguns aracnídeos, como aranhas e escorpiões, produzem uma secreção tóxica denominada peçonha. Acidentes envolvendo esses animais podem causar problemas de saúde e até ser fatais, especialmente para crianças. 
No final do abdome, as aranhas possuem glândulas que produzem seda. Associadas a essas glândulas, existem pequenos apêndices que se movem e tecem a seda. Entre outras funções, a seda é empregada na construção de teias, utilizadas como armadilhas para capturar alimento, e na construção de ninhos e de abrigo para os ovos. 
Nesses animais, a digestão se inicia fora do corpo, quando substâncias são lançadas sobre a presa capturada; o líquido resultante da pré-digestão é ingerido. Geralmente, os aracnídeos têm sexos separados e fecundação interna. 

A tarântula-negra (Grammostola pulchra) é um exemplo de aracnídeo. Embora algumas pessoas a considerem um animal de estimação, sua captura e comercialização são proibidas no Brasil.

Algumas espécies de aracnídeos são capazes de inocular veneno em outros organismos. As aranhas, por exemplo, inoculam veneno por meio de suas quelíceras. Os escorpiões usam o aguilhão para inocular veneno, um ferrão localizado na cauda.

Aranha-marrom da espécie Loxosceles rufescens. Seu veneno pode causar a morte das células na região da picada.

Escorpião da espécie Hadrurus arizonensis. Seus pedipalpos auxiliam na captura de presas.

Ácaros (família Acaridae). O tamanho reduzido desses aracnídeos permite que sejam transportados pelo ar.

Insetos 


Os insetos constituem o grupo de artrópodes com maior número de espécies. Seu corpo divide-se em cabeça, tórax e abdome. A cabeça possui um par de antenas, um par de olhos e apêndices relacionados à alimentação, chamados peças bucais. No tórax existem três pares de pernas e a maioria apresenta dois pares de asas, mas há grupos que apresentam um único par, como as moscas, e outros que não possuem asas, como os piolhos. O voo permite aos insetos percorrer maiores distâncias à procura de alimentos e de parceiros para a reprodução, bem como possibilita que fujam de predadores.
Os insetos apresentam indivíduos com sexos separados. A reprodução é sexuada com fecundação interna, e a fêmea põe ovos que se desenvolvem em novos indivíduos. O desenvolvimento pode ser direto ou indireto
No desenvolvimento direto, do ovo eclode um animal jovem semelhante ao adulto, porém menor em tamanho. No desenvolvimento indireto, o indivíduo recém-eclodido passa por um conjunto de transformações até adquirir a forma adulta, processo denominado metamorfose. A metamorfose pode ser completa ou incompleta.
Muitas espécies de insetos, como abelhas, vespas e borboletas, realizam polinização, uma das etapas envolvidas na reprodução das plantas com flores. Ela é extremamente importante para a produção de frutos e de sementes.

Borboleta da espécie Danaus genutia.

Alguns insetos, como as formigas, os cupins e as abelhas, vivem em sociedades bem organizadas, com divisão de funções entre os indivíduos.

Quilópodes e diplópodes 


Os quilópodes e os diplópodes são animais terrestres que vivem no solo úmido e sombreado, como embaixo de cascas de árvores, troncos e folhas caídas. 
Esses artrópodes apresentam o corpo alongado e dividido em cabeça e tronco. Na cabeça há um par de antenas e ocelos (olhos simples). O tronco é formado por muitos segmentos, cada um deles com um ou dois pares de pernas, sendo classificados em quilópodes e diplópodes, respectivamente. 
Os representantes dos quilópodes são as lacraias e as centopeias. Os indivíduos desse grupo têm um par de pernas por segmento do corpo. Já os diplópodes são popularmente conhecidos como piolhos-de-cobra, gongolos ou embuás. Têm dois pares de pernas por segmento do corpo.  Algumas espécies são venenosas.

Lacraia do gênero Scolopendra.






Moluscos

Os moluscos podem viver em ambientes aquáticos, como mares, rios e lagos, ou em ambientes úmidos terrestres. São animais de corpo mole, geralmente abrigado em uma concha externa. Entretanto, existem espécies em que a concha se localiza dentro do corpo e outras nas quais a concha está ausente.
Esses animais pertencem ao filo Mollusca. Podem ser encontrados em ambientes aquáticos, principalmente marinhos, ou terrestres. São exemplos desse filo a ostra, o marisco, a lula, o polvo, a lesma e o caramujo. 
Na cabeça dos moluscos estão as estruturas sensoriais, como tentáculos e olhos. O pé é a estrutura musculosa, geralmente utilizada para locomoção. Os órgãos internos são protegidos pelo manto, que é responsável pela secreção da concha nas espécies em que ela está presente.
Os moluscos apresentam simetria bilateral e corpo mole, que pode ser dividido em cabeça, saco visceral e . Na cabeça estão a boca e os órgãos relacionados à percepção de estímulos, como olhos e tentáculos. O saco visceral contém os órgãos internos relacionados à digestão, respiração, excreção, circulação e reprodução. O pé é uma estrutura musculosa responsável pela movimentação e fixação do animal.
O corpo desses animais é recoberto por um tecido, o manto. Em muitas espécies, esse tecido é responsável pela produção de uma concha calcária que os envolve parcial ou totalmente, protegendo-os. 
A digestão pode ser intra ou extracelular, e os restos não aproveitados são eliminados pelo ânus. A respiração em alguns moluscos é realizada por brânquias, estruturas de paredes finas pelas quais circula o sangue, enquanto outros respiram por meio de cavidades internas revestidas pelo manto e ricas em vasos sanguíneos, semelhantes a pulmões.
Nos moluscos, a reprodução é sexuada, a fecundação é cruzada e, dependendo da espécie, pode ser externa ou interna. Há espécies hermafroditas, como a maioria dos caramujos, e espécies em que os sexos são separados, como as lulas e os polvos. Muitas espécies aquáticas apresentam estágio de larva. 
Os moluscos podem ser divididos em alguns grupos. Os gastrópodes têm como representantes os caramujos e as lesmas; os bivalves são representados por ostras, mariscos e mexilhões; e os cefalópodes mais conhecidos são as lulas e os polvos.

Os caramujos aquáticos, os caracóis terrestres e as lesmas são exemplos de gastrópodes. Com exceção das lesmas, os gastrópodes apresentam uma concha externa, sobre o pé.

Gastrópodes, como o caracol de jardim da espécie Helix aspersa, podem ter uma concha espiralada e apresentam uma língua raspadora, a rádula.
    
                      
                              Caracol do gênero Helix.


Os bivalves apresentam concha dividida em duas peças, chamadas valvas, o que remete ao nome do grupo. São exemplos os mariscos, os mexilhões e as ostras.

Bivalve da espécie Callista chione.

Os cefalópodes possuem tentáculos unidos à cabeça. Os tentáculos podem auxiliar na captura de presas, na aderência ao substrato, na locomoção e na reprodução. As lulas, os polvos e os náutilos são moluscos cefalópodes.

 Polvo da espécie Octopus vulgaris.







Anelídeos

Os anelídeos são animais de corpo mole, cilíndrico e segmentado por uma série de anéis – daí o nome anelídeo.
Os anelídeos, como as minhocas, as sanguessugas e os poliquetas, pertencem ao filo Annelida. Esses animais apresentam simetria bilateral, corpo cilíndrico dividido em vários segmentos ou anéis e vivem em diversos ambientes: marinhos, de água doce e terrestres úmidos.  

Minhoca da espécie Lumbricus terrestris.

Os anelídeos podem ser divididos em três grupos: oligoquetas, poliquetas e hirudíneos. Entre as características que possibilitam diferenciar esses grupos estão a quantidade de cerdas e de anéis que apresentam no corpo. As cerdas são estruturas rígidas que recobrem o corpo e que os auxiliam na locomoção.
Os oligoquetas apresentam poucas cerdas por anel. Um representante desse grupo é a minhoca. Alguns anéis da minhoca são diferenciados, formando o clitelo, que secreta um casulo de muco que abriga os ovos nos períodos de reprodução.
As minhocas se alimentam de restos de vegetais e de solo. Os restos do processo de digestão formam o húmus. O húmus de minhocas é rico em nutrientes, o que contribui para o aumento da fertilidade do solo.
Os poliquetas apresentam várias cerdas por anel. Geralmente são animais marinhos e possuem tentáculos usados na alimentação. 
Os hirudíneos apresentam uma quantidade fixa de anéis. Dependendo da espécie, podem apresentar poucas cerdas no corpo ou nenhuma. Esses animais possuem ventosas nas extremidades do corpo, que auxiliam em sua movimentação e em sua alimentação. No caso da sanguessuga, que suga o sangue de outros animais, a ventosa possibilita que o animal permaneça fixo na pele. 
Na imagem a seguir, ela está sobre a pele de um ser humano.

Sanguessuga da espécie Hirudo medicinalis.

 Anelídeo marinho do gênero Nereis.

Todos os anelídeos possuem sistema digestório com boca e ânus e digestão extracelular. A maioria desses animais respira pela pele, que é fina e úmida. Seu sistema circulatório é fechado, ou seja, o sangue é transportado em vasos sanguíneos.
A maioria dos anelídeos apresenta cerdas na superfície externa do corpo. Trata-se de pequenos filamentos rígidos que auxiliam na locomoção e na fixação de espécies sésseis. De acordo com a quantidade e a presença ou não de cerdas, os animais desse filo podem ser classificados em três grupos.

O poliqueto séssil da espécie Serpula vermicularis apresenta filamentos ao redor da boca relacionados à respiração e à alimentação.

Grande parte dos anelídeos apresenta reprodução sexuada e fecundação cruzada, ou seja, dois indivíduos hermafroditas que fecundam um ao outro. A fecundação pode ser interna ou externa, dependendo do grupo a que pertencem. 
As minhocas têm grande importância na agricultura. Quando se deslocam no solo, criam túneis por onde o ar e a água penetram e chegam facilmente às plantas. As fezes desses animais ajudam a compor o húmus, material rico em matéria orgânica que auxilia na nutrição das plantas. 
Já as sanguessugas são utilizadas em alguns tratamentos médicos, sendo úteis em pacientes que precisam reconstruir vasos sanguíneos, como os que tiveram membros reimplantados.








Nematódeos

Os nematódeos pertencem ao filo Nematoda. Apresentam simetria bilateral e corpo cilíndrico, alongado e com extremidades afiladas. Podem viver no mar, na água doce ou em solo úmido, em diferentes tipos de clima.

Lombrigas (Ascaris lumbricoides). Os machos dessa espécie são menores do que as fêmeas e apresentam a extremidade posterior do corpo curva. As fêmeas são maiores e mais grossas.

Os nematódeos podem ser encontrados livres no solo, em mares, rios e até em poças de água parada. Apresentam corpo alongado e cilíndrico, com extremidades finas. Podem ser parasitas, alguns de tecidos vegetais, como raízes e folhas, outros de animais. Entre os exemplos de parasitas animais estão a lombriga e o ancilóstomo, dois vermes parasitas de importância médica, pois causam, respectivamente, ascaridíase e ancilostomose (ou amarelão).
Algumas espécies têm vida livre e alimentam-se de pequenos animais e plantas, enquanto outras são parasitas. Os parasitas geralmente têm o corpo revestido por camadas resistentes, que os protegem em ambientes hostis.
Nesses animais, o sistema digestório é completo, portanto, o alimento é ingerido pela boca e os restos são eliminados pelo ânus. A digestão começa no intestino e completa-se no interior das células, sendo extra e intracelular. Os sistemas respiratório e circulatório são ausentes nesses animais.
Geralmente os nematódeos apresentam sexos separados, sendo a fêmea maior que o macho. A reprodução é sexuada e a fecundação é interna.

Nematódeo Ditylenchus sp. Esse animal é de vida livre.

Doenças causadas por nematódeos 


Ancilostomíase 


Pode ser causada pelos vermes Ancylostoma duodenale ou Necator americanus. Os vermes adultos vivem aderidos à parede do intestino por ganchos e placas cortantes presentes na boca. Como eles se alimentam do sangue da pessoa parasitada, os doentes costumam apresentar, entre outros sintomas, fraqueza, sangue nas fezes, anemia e pele amarelada. Por esse motivo, a ancilostomíase também é conhecida como amarelão.
Os vermes se reproduzem sexuadamente no intestino do hospedeiro, liberando ovos que são eliminados com as fezes. No ambiente, os ovos eclodem no solo e liberam larvas que podem penetrar a pele de seres humanos. Ao atingir a circulação sanguínea, passam por diversos órgãos até finalmente se instalarem no intestino, onde se tornam vermes adultos. 
Entre as medidas de prevenção da doença incluem-se a coleta e o trata mento adequado do esgoto doméstico, a utilização de calçados para evitar o contato com as larvas que vivem no solo e o tratamento dos doentes.
Necator americanus macho. Esses vermes são pequenos, medindo cerca de 1 cm. Imagem obtida com microscópio óptico e ampliada 10 vezes.

Ascaridíase 


É provocada pelo Ascaris lumbricoides, popularmente conhecido como lombriga. A ingestão de água e de alimentos contaminados com ovos desse nematódeo causa a doença. Os ovos ingeridos liberam larvas, que perfuram o intestino e entram na corrente sanguínea do hospedeiro. As larvas atingem os pulmões, perfuram-nos e sobem em direção à boca, provocando tosse, o que possibilita que sejam engolidas. De volta ao intestino do hospedeiro, as larvas se desenvolvem até se tornar lombrigas adultas. Nesse órgão, machos e fêmeas se reproduzem sexuadamente e formam ovos que são liberados com as fezes.
Essa verminose provoca cansaço, dores abdominais e emagrecimento. Em casos mais graves, em que há grande quantidade de vermes, podem ocorrer obstruções intestinais e os vermes devem ser removidos por cirurgia. 
Entre as medidas de prevenção da doença, destacam-se a construção de instalações sanitárias adequadas que impeçam a contaminação de água potável e de alimentos, a fervura da água antes do consumo, a higienização dos alimentos consumidos crus, como frutas e verduras, e o tratamento dos doentes.

  

Platelmintos

Os platelmintos pertencem ao filo Platyhelminthes. Apresentam simetria bilateral e corpo alongado e achatado. Algumas espécies são de vida livre e vivem no mar, em água doce ou em solos úmidos, como as planárias. Há também espécies parasitas, que causam doenças, inclusive no ser humano, como as tênias e o esquistossomo. 
Os platelmintos apresentam corpo mole e achatado e podem ser de vida livre, como as planárias, ou parasitas, como os esquistossomos. Os platelmintos e os nematódeos são popularmente conhecidos como vermes.

Esquistossomos (Schistosoma mansoni), platelmintos parasitas, ao microscópio. Nessa espécie, as fêmeas vivem alojadas no corpo dos machos. 

Planária da espécie Girardia tigrina, um exemplo de platelminto de vida livre  (não parasita).


Platelmintos de vida livre alimentam-se de pequenos animais ou de restos de animais em decomposição. Sua boca está localizada na extremidade de um tubo alongado, a faringe, na face ventral do corpo. O intestino ramifica-se por todo o corpo, auxiliando na distribuição dos nutrientes. A digestão ocorre dentro e fora das células. Os platelmintos não possuem ânus; por isso, os restos não aproveitados dos alimentos são eliminados pela boca. Não possuem sistema circulatório ou respiratório, trocam gases diretamente com o ambiente pela superfície corpórea.
Algumas espécies são parasitas, ou seja, vivem no interior de outro organismo, denominado hospedeiro, e se alimentam dele. Alguns, como as tênias, não têm boca nem sistema digestório e absorvem os nutrientes pela superfície corpórea. Podem existir dois tipos de hospedeiros: o hospedeiro intermediário, onde ocorre a reprodução assexuada do parasita, e o hospedeiro definitivo, onde ocorre a reprodução sexuada. 
Os platelmintos podem se reproduzir assexuada ou sexuadamente. Algumas espécies são hermafroditas, enquanto outras apresentam indivíduos macho e fêmea. 

Planária Dugesia gonocephala, uma espécie de platelminto de vida livre. Essa espécie de platelminto apresenta órgãos sensoriais simples, os ocelos, que captam estímulos luminosos.

Doenças causadas por platelmintos 


Esquistossomose 


É causada pelo esquistossomo, platelminto da espécie Schistosoma mansoni. Machos e fêmeas adultos instalam-se nos vasos sanguíneos que irrigam o intestino, o fígado e o baço do ser humano, onde se reproduzem sexuadamente; por isso, o ser humano é considerado o hospedeiro definitivo. 
A esquistossomose, também conhecida como barriga-d’água, traz complicações que podem levar à morte. Entre os sintomas estão diarreia, coceiras, vômitos, aumento do baço e do fígado e acúmulo de plasma (parte líquida do sangue) nos tecidos, acarretando a distensão do abdome. 
O tratamento da doença é feito com o uso de medicamentos específicos. A prevenção da esquistossomose envolve medidas de saneamento básico, como coleta e tratamento de esgoto, tratamento de doentes, ações educativas em saúde e eliminação de possíveis criadouros do caramujo, que é o hospedeiro intermediário.

Teníase e cisticercose 


Ambas as doenças são causadas por platelmintos do gênero Taenia. Na teníase, o platelminto também é chamado de solitária, pois pode ser encontrado um único indivíduo no hospedeiro. Adquire-se teníase pela ingestão de carne de boi ou de porco malcozida e contaminada por larvas, os cisticercos. 
Duas espécies de tênia são parasitas dos seres humanos: a Taenia solium, que é contraída ao se ingerir carne de porco contaminada com cisticercos, e a Taenia saginata, que pode ser contraída pela ingestão de carne bovina nessas mesmas condições. O verme adulto vive preso ao intestino do hospedeiro por ganchos e ventosas localizados na cabeça. 
As tênias são hermafroditas, e seu corpo é dividido em partes chamadas proglótides. A reprodução sexuada ocorre por autofecundação, quando um indivíduo hermafrodita fecunda a si mesmo, formando muitos ovos que são eliminados com as proglótides nas fezes. 
No ambiente, os ovos podem contaminar água e alimentos. Diarreia, cansaço, alterações no apetite, emagrecimento e dores abdominais são sintomas de teníase. Entre as medidas preventivas pode-se citar educação sobre saúde e higiene, saneamento básico, controle sanitário das carnes e tratamento adequado dos doentes.
Na cisticercose, o contágio ocorre pela ingestão dos ovos das tênias, que contaminam a água e os alimentos, como frutas e verduras. Dentro do corpo humano, os ovos dão origem a larvas que podem se alojar em diversos órgãos, como os olhos, os músculos, os pulmões e o cérebro. 
Os sintomas variam dependendo da localização dos cisticercos, e podem ser gravíssimos. A prevenção da cisticercose é semelhante à da teníase, mas inclui também a higienização adequada de frutas e hortaliças que serão in geridas cruas.



Cnidários

Os cnidários pertencem ao filo Cnidaria, que inclui animais como as águas-vivas, as anêmonas-do-mar e os corais. Apresentam simetria radial e vivem apenas em ambientes aquáticos, principalmente marinhos, mas também há espécies de água doce. 
Os cnidários são animais que, em sua maioria, habitam mares e oceanos e podem viver sozinhos ou associados a outros indivíduos.
O corpo dos cnidários pode se organizar de duas formas diferentes ao longo de seu ciclo de vida: pólipo e medusa. Algumas espécies apresentam apenas uma dessas formas. Os pólipos geralmente têm formato cilíndrico, com a boca localizada na parte superior do corpo. São sésseis, vivendo fixados a muitos tipos de superfície, como a das rochas. 
As medusas são de vida livre e muitas são capazes de nadar. Seu corpo geralmente tem formato semelhante ao de um guarda-chuva, com a boca localizada na parte inferior.
Os cnidários capturam pequenos animais com o auxílio de tentáculos, que geralmente se localizam ao redor da boca. Os tentáculos têm células urticantes, os cnidoblastos, que, ao serem tocados, disparam filamentos que liberam compostos tóxicos na presa. 
Os cnidoblastos são utilizados para alimentação e defesa, pois a substância tóxica paralisa o ser vivo que tocar os tentáculos. 
Após ser capturado, o alimento é levado pelos tentáculos até a boca do cnidário e passa para a cavidade gastrovascular, onde ocorre parte da digestão, que se completa no interior das células. Os materiais não digeridos são expelidos pela boca. Nos cnidários, pode ocorrer tanto a reprodução assexuada (geralmente realizada pelos pólipos) quanto a reprodução sexuada (geralmente realizada pelas medusas).
No ciclo de vida de diversas espécies de cnidários ocorre alternância de gerações. Gerações de pólipos (fase assexuada do ciclo) se alternam com gerações de medusas (fase sexuada do ciclo). Medusas‑machos liberam espermatozoides e medusas‑fêmeas produzem óvulos. 
Após a fecundação, forma‑se o zigoto, que dá origem a uma larva. A larva fixa‑se ao substrato, transformando‑se em pólipo, o qual se desenvolve e dá origem, de forma assexuada, a novas medusas.

Anêmona-do-mar da espécie Actinia equina.

Os cnidários, como a água-viva e a anêmona-do-mar, possuem tentáculos. As águas-vivas se movimentam livremente no ambiente, enquanto as anêmonas-do-mar podem se locomover ou permanecer fixas nos substratos.
Os cnidários apresentam células responsáveis pela defesa e pela captura de alimentos, que, quando em contato com alguma superfície, liberam um líquido tóxico. Esse líquido apresenta substâncias urticantes que podem paralisar uma presa, facilitando a alimentação dos cnidários. Nos seres humanos, essas substâncias podem causar irritação e queimaduras.

Acidentes com cnidários 


Durante o verão, aumenta a incidência de acidentes envolvendo seres humanos e animais marinhos, entre eles os cnidários, como as águas‑vivas e as caravelas‑portuguesas. O contato de banhistas com os tentáculos desses animais dispara os filamentos dos cnidoblastos, que libe ram toxinas responsáveis por causar ardência, bolhas e lesões semelhantes a queimaduras. 
Em caso de acidente, não é recomendado esfregar o local afetado nem lavar com água doce, o que pode aumentar a liberação da toxina. Deve‑se procurar um médico para avaliação.

Physalia physalis, cnidário colonial conhecido como caravela- -portuguesa. Possui tentáculos extensos e difíceis de serem percebidos na água pelos banhistas. As lesões causadas pelo contato com seus tentáculos causam fortes dores.








 

Poríferos

Os poríferos, animais pertencentes ao filo Porifera, são popular mente chamados de esponjas. São animais aquáticos; a maioria vive em ambientes marinhos, embora também existam espécies de água doce. Os indivíduos adultos são sésseis, ou seja, vivem fixados em substratos, como rochas e conchas.
Os poríferos adultos se alimentam por filtração. Nesse processo, a água passa por seu corpo por meio dos poros e estruturas especializadas filtram as partículas de alimento que passam com a água.
Eles mantêm um fluxo contínuo de água através de seu corpo para obter alimento, realizar trocas gasosas e eliminar resíduos.
Os poríferos possuem organização corporal muito simples: não apresentam tecidos nem órgãos. Algumas espécies de esponjas são assimétricas, ou seja, não existe um plano imaginário que divida o corpo desses animais em metades iguais.
Podem se reproduzir assexuada ou sexuadamente. Na reprodução sexuada, os gametas masculinos, denominados espermatozoides, são liberados na água, enquanto o gameta feminino, chamado óvulo, fica retido no corpo da esponja, onde é fecundado. A fecundação é interna e gera uma larva, que se locomove até encontrar um local onde possa se desenvolver em uma esponja adulta séssil.
Os poríferos já foram utilizados como esponjas pelas pessoas e, atualmente, também são utilizados em pesquisas para desenvolver medicamentos e novos materiais para a indústria.

Esponja-do-mar do gênero Aplysina.



O reino dos animais

O reino dos animais é composto de grande número de seres vivos que podem ser muito diferentes entre si, como uma água-viva, um grilo e uma onça-pintada. Apesar da grande diversidade, todos os animais são organismos eucariontes, pluricelulares e heterótrofos. 
Tradicionalmente, os animais são divididos em invertebrados e vertebrados, de acordo com a ausência ou a presença de coluna vertebral e de crânio, entre outras características. 
Os invertebrados representam a maioria dos animais. Os principais filos de invertebrados são: Porifera, Cnidaria, Platyhelminthes, Nematoda, Mollusca, Annelida, Arthropoda e Echinodermata. 
Os vertebrados pertencem ao filo Chordata e podem ser classificados em peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Apresentam esqueleto interno constituído de cartilagem, ou de ossos e cartilagens, e coluna vertebral. Essas estruturas estão relacionadas com a sustentação do corpo, os movimentos corpóreos e a proteção de órgãos internos.

Simetria 


No estudo e na classificação dos animais, a simetria do corpo é uma característica importante a ser considerada. 
A simetria é a semelhança encontrada entre partes equivalentes de objetos ou seres vivos quando divididos por um plano imaginário, que passa pelo eixo central do corpo. Os animais apresentam dois tipos principais de simetria: a bilateral e a radial. 
Na simetria bilateral, apenas um plano imaginário divide o corpo do animal em duas metades equivalentes: a esquerda e a direita. Esse tipo de simetria é encontrado na maioria dos grupos de animais, inclusive no ser humano.
Na simetria radial, mais de um plano imaginário divide o corpo do animal em partes iguais. Esse tipo de simetria ocorre nas águas-vivas e nas estrelas-do-mar.

Fisiologia dos animais 


A fisiologia está relacionada às funções e ao funcionamento de um organismo. Veja algumas características da fisiologia animal. 
Digestão: esse processo age sobre os alimentos, transformando-os em materiais menores que podem ser absorvidos pelas células e são utilizados para a produção de energia e manutenção do corpo. 
Troca gasosa: captação de gás oxigênio do ambiente e devolução de gás carbônico. Isso pode ser feito por estruturas especializadas, como pulmões e brânquias, ou pela superfície corpórea. 
Excreção: o metabolismo dos animais produz excretas, materiais que são tóxicos se ficarem acumulados no organismo. As excretas podem ser eliminadas pela superfície do corpo ou através de um sistema excretório.
Circulação e transporte: em alguns grupos de animais, os materiais produzidos e utilizados por eles são transportados de célula para célula. Em outros, são transportados por meio do sistema circulatório. 
Reprodução: a reprodução dos animais pode ser sexuada ou assexuada. Na reprodução sexuada, os animais podem ser machos, fêmeas ou hermafroditas. As células reprodutivas, denominadas gametas, unem-se para formar um novo indivíduo; esse processo é denominado fecundação.


Flor, fruto e semente

A flor e suas partes A A flor é responsável pela reprodução sexuada das angiospermas. As principais partes de uma flor são o cálice, a corola, o androceu e o gineceu. 
O cálice é formado por folhas modificadas, geralmente verdes, chamadas sépalas. Ele protege as partes internas da flor. 
A corola é formada por folhas modificadas, geralmente coloridas, chamadas pétalas. Ela pode atrair animais polinizadores para a flor.
O androceu é o órgão reprodutor masculino, composto de um ou mais estames. Cada estame é formado pela antera, estrutura que produz os grãos de pólen, e pelo filete, haste que sustenta a antera. 
O gineceu é o órgão reprodutor feminino, composto de um ou vários carpelos. Cada carpelo é formado por estigma, estilete e ovário. O estigma é a extremidade superior do carpelo e produz um líquido que contribui para a fixação dos grãos de pólen. O estilete é um tubo que liga o estigma ao ovário. O ovário é uma dilatação na base do carpelo, que contém os óvulos, onde são produzidos os gametas femininos (oosferas). 
A haste que prende a flor ao ramo é o pedúnculo e a extremidade na qual cálice, corola, androceu e gineceu se prendem é o receptáculo floral.

O fruto e suas partes 


O fruto é um órgão exclusivo das angiospermas, formado principalmente do desenvolvimento do ovário da flor após a fecundação. Ele protege as sementes e pode auxiliar em sua dispersão. 
Geralmente, os frutos são compostos de pericarpo e sementes. O pericarpo pode ser dividido em três camadas: o epicarpo, ou casca, o mesocarpo, a camada intermediária, e o endocarpo, que envolve e protege a semente. Em alguns frutos, o endocarpo é rígido e forma um caroço, como na manga e no pêssego. 
A semente forma-se pelo desenvolvimento do óvulo fecundado e abriga o embrião.

Frutos acessórios 


Os frutos acessórios são formados pelo desenvolvimento de outras partes da flor que não o ovário. São exemplos o caju, a maçã, a pera e o morango. 
A parte carnosa do caju é resultado do desenvolvimento do pedúnculo floral. O fruto verdadeiro é a castanha, que fica situada do lado externo da parte carnosa. 
A parte suculenta e comestível da maçã, da pera e do morango é resultado do desenvolvimento do receptáculo floral. O fruto verdadeiro da maçã e da pera é a região que reveste suas sementes. No caso do morango, os frutos verdadeiros se formam na superfície da parte suculenta.

A semente e suas partes


A semente é composta de três estruturas: casca (ou tegumento), endosperma (ou albume) e embrião. 
A casca é um envoltório rígido que protege o embrião. O endosperma contém amido, óleos e proteínas que vão nutrir o embrião. 
O embrião dará origem a uma nova planta. Nele, encontramos uma raiz embrionária (radícula) e um ou dois cotilédones, que são as folhas embrionárias. A função dos cotilédones é fornecer nutrientes à planta jovem no início do seu desenvolvimento. Algumas plantas, como o arroz, o trigo e o milho, têm apenas um cotilédone na semente. Outras, como o feijão, o café e o amendoim, têm dois cotilédones.

Dispersão das sementes 


Dispersão é o transporte da semente para longe da planta que a originou. As sementes que germinam longe da planta-mãe não competem com ela por luz, água e nutrientes e se propagam por novas áreas. 
Os agentes de dispersão são diversos, como vento, água e animais.

A semente do ipê (Tabebuia sp.) é bastante leve e as estruturas membranosas ao redor dela funcionam como “asas”, facilitando sua dispersão pelo vento após o rompimento do fruto. São chamadas de sementes aladas.

Germinação das sementes 


Depois de formadas, algumas sementes atravessam um período de dormência, durante o qual não se desenvolvem. Quando a semente encontra condições adequadas de luminosidade, umidade e temperatura, entre outros aspectos, a dormência termina e ocorre a germinação. 
Esse processo acontece em etapas. Primeiro, a semente absorve água do ambiente e incha até a casca se romper. Então, o embrião desenvolve a radícula, que logo se diferencia em raiz, estrutura responsável pela fixação da planta e absorção de água e sais minerais. 
As reservas nutritivas, presentes nos cotilédones, são usadas para o crescimento inicial da planta até que as folhas surjam e passem a realizar fotossíntese.

Representação esquemática da germinação de uma semente de feijão e desenvolvimento da planta jovem.

Flores, frutos e sementes


Algumas flores, como a alcachofra e a couve-flor, são cultivadas por serem comestíveis; outras, como os lírios, as orquídeas e as rosas, são utilizadas para decoração. 
Diversos frutos são utilizados na alimentação. São consumidos ao natural ou na forma de sucos, sopas, conservas, geleias e doces, entre outros usos.
Atualmente, 65% dos alimentos produzidos no mundo provêm diretamente do endosperma de sementes de cereais, como o milho, o trigo e o arroz. As sementes das leguminosas, como o feijão, a ervilha, o amendoim e a soja, são muito utilizadas como alimento ou para a produção de óleos. 
Outros alimentos também são produzidos com sementes. O café que bebemos é obtido de sementes do cafeeiro e o chocolate é feito com se mentes de cacau. 
As sementes comercializadas para plantio geralmente sofrem tratamento para garantir a germinação. Elas são impróprias para o consumo humano e de outros animais.

Dente-de-leão da espécie Taraxacum officinale.

Os frutos do dente-de-leão ficam agrupados em uma estrutura em forma de pluma e são dispersados pelo vento.

Covid-19

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