quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

AS DITADURAS NA AMÉRICA LATINA

Entre 1950 e 1980, diversos países da América Latina tiveram governos de caráter autoritário que cometeram arbitrariedades contra indivíduos e grupos sociais. Após a reinstalação das democracias, setores da sociedade civil começaram a se mobilizar para investigar os crimes cometidos pelos Estados ditatoriais. No Brasil, em 2011, foi criada a Comissão Nacional da Verdade (CNV) para investigar as violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988. 
O relatório final da CNV, apresentado à sociedade em 2014, levantou o nome de 377 responsáveis diretos pelas práticas violentas ocorridas durante a ditadura civil-militar brasileira. Entre eles, estão os nomes de ex-presidentes militares, membros das Forças Armadas e policiais acusados de executar prisões arbitrárias, de cometer torturas e assassinatos, entre outros crimes. 
No mesmo ano em que o relatório da CNV foi apresentado, clubes militares afirmaram que 126 pessoas, entre civis e militares, também morreram pela ação dos grupos considerados terroristas no mesmo período. A frase que norteou o trabalho da CNV foi “pelo direito à memória e à verdade histórica”. O Exército Brasileiro também afirmou que “a fratura da sociedade é uma experiência para ser lembrada. Deixou-nos ensinamentos que não podem ser esquecidos ou negligenciados”.

DITADURAS CIVIS-MILITARES

Nas ditaduras, há uma dura repressão contra indivíduos, grupos e partidos de oposição, e a supressão, ou restrição, dos direitos e das liberdades públicas e privadas. Ou seja, a ditadura é o estado de exceção. Isso significa que, em uma ditadura, o governo pode fazer e desfazer leis com base em suas próprias vontades e interesses, sem o controle de nenhuma outra instância de poder, como ocorre em um governo democrático. A transparência na gestão das contas e do serviço público também costuma ser limitada pelos governos ditatoriais. 
Ditadura militar é aquela na qual os militares concentram o poder de decisão. Porém, nem toda ditadura conta apenas com a participação de militares. Na América Latina, entre os anos 1950 e os anos 1980, diversas ditaduras tiveram também a participação de civis, como empresários, políticos, policiais e outros setores da sociedade que apoiavam ativamente os regimes. Por isso, elas podem ser chamadas de ditaduras civis-militares.

Guerra Fria na América Latina

O pós-guerra foi marcado por uma intensa polarização entre regimes capitalistas e comunistas no mundo todo, que resultou na perseguição política de indivíduos considerados inimigos internos em muitos países. Acreditava-se que comunistas estariam infiltrados em países capitalistas, conspirando contra o sistema político-econômico vigente, e vice-versa. Nesse contexto, a América Latina tornou-se área de influência dos Estados Unidos e passou a fazer parte do bloco capitalista. Consequentemente, indivíduos ou grupos políticos associados ao comunismo passaram a ser perseguidos. 
Outro efeito dessa polarização diz respeito ao crescimento da influência dos militares na política latino-americana, já que eles eram vistos como responsáveis pelo combate às ideias comunistas. Essa projeção foi incentivada pelos Estados Unidos, que realizavam treinamentos e investiam na modernização dos recursos militares de diversos países para reprimir as ameaças comunistas.

O apoio dos Estados Unidos

Para organizar esse tipo de ação, os Estados Unidos criaram, em 1948, a Organização dos Estados Americanos (OEA), uma instituição que tinha como objetivo promover o desenvolvimento econômico e o social do continente. Além disso, a OEA servia aos países associados como um instrumento de combate à ameaça comunista e a qualquer tipo de subversão da ordem capitalista. 
Os Estados Unidos passaram assim a favorecer ditaduras que já existiam na América, como era o caso da ditadura cubana de Fulgêncio Batista, e também a apoiar golpes militares com a intenção de depor presidentes considerados como ameaças aos interesses capitalistas. A exemplo disso, em 1954, os Estados Unidos forneceram armas e recursos para um golpe militar derrubar o presidente da Guatemala, Jacobo Arbenz. No mesmo ano, apoiaram o golpe do general Alfredo Stroessner no Paraguai. Stroessner derrubou o presidente paraguaio Federico Chaves, que defendia uma política externa independente dos interesses estadunidenses e das instituições econômicas internacionais. Com o golpe, implementou-se uma ditadura que durou 35 anos, alinhada diretamente aos interesses dos Estados Unidos. 
O apoio estadunidense a golpes militares intensificou-se a partir de 1961. Nesse ano, após uma revolução, Cuba se tornou socialista, e isso contribuiu para reforçar o temor da disseminação da influência soviética na América. Por essa razão, os Estados Unidos decidiram criar a Aliança para o Progresso com o objetivo de treinar militares na América para reprimir movimentos revolucionários capazes de ameaçar os interesses americanos. Depois de alguns anos, em 1976, boa parte da América do Sul estava tomada por regimes ditatoriais.

Desde o século XIX, por meio da Doutrina Monroe, os Estados Unidos reivindicam o direito de intervir nos assuntos latino-americanos para promover os interesses estadunidenses. Em 1946, por exemplo, o governo dos Estados Unidos criou a School of the Americas, uma escola militar para o treinamento de militares latino-americanos. 
Presidentes estadunidenses influenciaram, auxiliaram e colocaram seus governos ao lado de diversas ditaduras civis-militares na América Latina na segunda metade do século XX. O argumento utilizado pelos Estados Unidos, frequentemente, era o de combate às ideias comunistas.

Características gerais das ditaduras latino-americanas

As ditaduras latino-americanas foram marcadas pelo intenso uso da violência e da repressão contra todos os grupos considerados uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos e das elites nacionais. Com isso, não foram apenas indivíduos ou grupos sociais que defendiam ideias comunistas que foram reprimidos. Artistas, estudantes, sindicalistas, jornalistas e intelectuais, bem como políticos moderados ou que defendiam propostas mais democráticas, sofreram com a repressão. O uso de técnicas de tortura e de assassinatos foi comum nos regimes ditatoriais. 
Com isso, muitas pessoas foram obrigadas a abandonar seus países para escapar da repressão. Em alguns casos, como na Argentina e no Chile, a violência das ditaduras foi tão intensa que milhares de pessoas foram mortas ou desapareceram. Só no Chile, foram cerca de 40 mil as vítimas de torturas e prisões políticas, além dos 3 mil mortos ou desaparecidos pelo regime. 
Outra forma de repressão foi o uso da censura. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, programas televisivos e radiofônicos, entre outros exemplos, eram frequentemente censurados e impedidos de divulgar livremente informações ou críticas ao regime. Canções e outras obras de arte que denunciavam as violências das ditaduras foram proibidas, e seus autores sofreram ameaças de perseguição, prisão e morte.
Os regimes autoritários aproveitaram seus amplos poderes para realizar reformas econômicas. Para isso, promoveram a abertura das economias nacionais ao capital internacional e recorreram a investimentos e empréstimos internacionais. Esse tipo de reforma ajudou a dinamizar as economias, mas promoveu intenso endividamento, enfraquecendo a autonomia dos governos latino-americanos para comandar seus processos econômicos e projetar suas economias nacionais no mercado globalizado. As reformas também contribuíram para o aumento das desigualdades sociais no continente.

Ditaduras na América do Sul

Paraguai: 1954-1989

Em 1954, um golpe de Estado colocou no poder o general Alfredo Stroessner, que implantou uma ditadura. Em eleições caracterizadas por fraudes, Stroessner foi eleito presidente do Paraguai por sete mandatos consecutivos. A ditadura paraguaia estabeleceu que para ter acesso às universidades ou aos cargos públicos era necessário filiar-se ao Partido Colorado. Além disso, foi montada uma ampla rede de delação no país, provocando a morte e a prisão de milhares de opositores do regime.

Uruguai: 1973-1985

O Uruguai, assim como outros regimes ditatoriais da América do Sul, fez parte da Operação Condor, uma aliança dos regimes ditatoriais com os Estados Unidos para perseguir as pessoas identificadas como comunistas, socialistas e marxistas. Em 1976, refugiados políticos uruguaios foram capturados e torturados com o apoio das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Peru: 1968-1980

Durante a ditadura civil-militar no Peru, mais de 70 mil pessoas morreram nos confrontos entre Exército e guerrilheiros. Assim como nos demais países da América Latina, a ditadura peruana contou com apoio do governo dos Estados Unidos.

Bolívia: 1964-1982

Che Guevara, um importante líder de esquerda, que participou da implantação do regime socialista em Cuba, foi morto em 1967 pelo Exército boliviano com ajuda da CIA.

Brasil: 1964-1985

A CIA colocou em prática uma extensiva campanha de propaganda contra João Goulart, o presidente brasileiro, que acabou destituído e substituído por uma ditadura civil-militar. Ele havia iniciado uma série de reformas que limitava os lucros de empresas transnacionais, incluindo as estadunidenses.

Chile: 1973-1990

O general Augusto Pinochet, após um golpe de Estado, destituiu o presidente eleito Salvador Allende e instaurou uma ditadura alinhada aos interesses dos Estados Unidos. Durante a ditadura civil-militar chilena, cerca de 3 mil pessoas foram assassinadas e aproximadamente 200 mil foram para o exílio.

Argentina: 1966-1983

A tomada do poder pela ditadura civil-militar que ocorreu na Argentina teve apoio do governo estadunidense. Durante esse período, foram dois regimes ditatoriais – um de 1966 a 1973, e outro de 1976 a 1983. Durante esses regimes, cerca de 30 mil pessoas desapareceram no país.

A Operação Condor

As ditaduras latino-americanas não agiram sozinhas no combate aos grupos considerados subversivos. Em diversas ocasiões, os regimes autoritários negociaram entre si para perseguir opositores que se refugiavam em outros países latino-americanos. Um dos principais exemplos disso foi a chamada Operação Condor, um acordo estabelecido entre os governos do Brasil, da Argentina, do Chile, do Uruguai, do Paraguai e da Bolívia para perseguir grupos que ameaçassem os interesses desses governos e garantir maior controle da repressão política na América do Sul.

Resistência, crise econômica e o fim dos regimes

Na década de 1970, quando o capitalismo entrou em crise em diversas partes do mundo, as economias latino-americanas pararam de crescer e começaram a sofrer com problemas frequentes de inflação, desemprego e recessão. Isso intensificou a pobreza, a desigualdade social e a concentração de renda. Como consequência, na década de 1980, a maior parte dos países latino-americanos atravessou um período de grave crise econômica.

A recessão abalou as estruturas das ditaduras latino-americanas e contribuiu para enfraquecer os regimes militares. Entre 1979 e 1990, 13 países retornaram ao Estado democrático de direito, entre eles, Bolívia (1982), Argentina (1983), Uruguai (1984), Brasil e Guatemala (1985) e Chile (1990). As forças de resistência cumpriram papel fundamental nesse contexto, como sujeitos históricos do processo de abertura dos regimes. Setores das sociedades latino-americanas procuraram resistir de diferentes maneiras aos governos autoritários. 
Por meio de suas obras, artistas criticaram as ditaduras, e muitos precisaram se exilar para fugir de perseguições políticas em seus países. Grupos de guerrilha adotaram a luta armada como maneira de combater o poder ditatorial, a exemplo dos Tupamaros, no Uruguai, e o Sendero Luminoso, no Peru. Também surgiram grupos que combateram os regimes de exceção de maneira pacífica. 
Um deles foi o das Mães da Praça de Maio, criado em Buenos Aires em 1977, um ano após a instauração da ditadura na Argentina. As mulheres do grupo se reuniam todas as quintas-feiras na Praça de Maio – importante local de protesto do povo argentino − exigindo do governo informações sobre seus filhos, detidos pelo regime ou desaparecidos, de cujos paradeiros os militares afirmavam desconhecer. 
Em virtude das denúncias das Mães da Praça de Maio, os crimes praticados pelos militares argentinos ficaram conhecidos em todo o mundo. Com o fim do regime militar na Argentina, o grupo passou a exigir o julgamento dos responsáveis por esses crimes. Até 2018, mais de 800 pessoas relacionadas à ditadura argentina foram julgadas e condenadas por crimes contra a humanidade.

INDEPENDÊNCIAS NA ÁSIA

Na região hoje conhecida como Indonésia, colonizada pelos holandeses, as forças nacionalistas proclamaram a independência em 1945. O governo da Holanda não aceitou a decisão e lançou suas tropas contra os revoltosos até 1949, quando finalmente reconheceu a independência do país. As Filipinas, sob o domínio dos Estados Unidos desde 1898, conquistaram sua emancipação em 1946. A Indochina, região dominada pelos franceses, só se tornou independente em 1954, depois de uma guerra contra a França, potência da qual era colônia. Com a emancipação, formaram-se ali três países autônomos: Laos, Camboja e Vietnã. Você deve se lembrar do que estudamos sobre o Vietnã no capítulo anterior. Após a independência, o país se tornou palco de um dos principais conflitos ocorridos durante a Guerra Fria, e implementou um regime socialista em 1976.

Índia: não violência e desobediência civil

A Índia era uma colônia da Inglaterra desde meados do século XIX. Em 1919, uma greve geral de trabalhadores indianos, liderada por Mohandas Gandhi (1869-1948), abalou o domínio inglês na região. O líder logo ficaria conhecido como Mahatma (“grande alma”) Gandhi, pois incentivava os indianos a resistir à dominação pelo caminho da não violência e da desobediência civil, que se traduzia na recusa a participar de conflitos, no boicote a produtos ingleses e no não pagamento de impostos às autoridades coloniais. O emprego de métodos pacíficos de resistência conferiram a Gandhi enorme prestígio popular e reconhecimento internacional. Gandhi unificou os indianos contra a dominação inglesa, e, em 1947, a Índia se tornou independente. Entretanto, diante de disputas entre grupos religiosos, o território colonial foi dividido em dois países autônomos: a Índia (de maioria hindu) e o Paquistão (de maioria muçulmana). Em 1948, um extremista hindu assassinou Gandhi. Em 1971, uma nova divisão deu origem a um terceiro país: Bangladesh.

Índia 

A Índia foi um importante entreposto comercial britânico desde o século XVI. Mas o domínio inglês sobre a região se concretizou em 1858. Com isso, a elite indiana ligada ao comércio e à administração pública teve acesso a escolas e a universidades europeias. 
Em 1885, essa elite formada nos centros europeus fundou o Partido do Congresso, que defendia mais autonomia para a Índia. Foi, porém, no século XX que o movimento pela independência hindu ganhou força. Uma das figuras que se destacou nesse momento foi Mohandas Karamchand Gandhi, apelidado de Mahatma (“grande mestre espiritual”). Nascido na Índia, em 1869, Gandhi formou-se em Direito no Reino Unido e seguiu para a África do Sul, onde permaneceu por duas décadas. Ao longo de sua trajetória de vida, percebeu o efeito nocivo das leis racistas e do imperialismo sobre as populações negras e indianas. 
De volta à Índia, em 1914, Gandhi tornou-se símbolo da resistência pacífica contra a colonização britânica. A resistência pacífica, também conhecida como ação não violenta, consiste em condutas pacíficas contra os poderes estabelecidos, como boicotes, greves e bloqueios. Por convicção, os militantes não devem revidar quando agredidos. A partir dos anos 1920, a campanha de resistência pacífica de Gandhi ganhou adesão popular. 
Os indianos promoveram boicote aos produtos britânicos, além de se recusar a pagar impostos. Outra ação emblemática foi a Marcha do Sal, em 1930, em protesto contra a lei que proibia os indianos de produzir sal. Nessa ocasião, milhares de pessoas marcharam durante vários dias até o litoral, a fim de obter o próprio sal no mar. 

Independência e divisão do país 

No contexto da Segunda Guerra Mundial, o Partido do Congresso avançou na direção da luta pela independência. Os britânicos, tentando conter o movimento, prenderam Gandhi e outros líderes em 1942. A ação, contudo, não conteve as manifestações pela independência. Houve crescimento da mobilização popular, o que levou, em 1944, à libertação de Gandhi. Após anos de luta, a independência da Índia foi conquistada em 1947. A região, porém, encontrava-se dividida entre muçulmanos e hindus. Por isso, o território foi separado em dois países: a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Muitas pessoas morreram em decorrência da intolerância religiosa. Gandhi defendia a união entre hindus e muçulmanos, mas foi assassinado em 1948 por um radical hindu. Até hoje, a Índia e o Paquistão vivem em conflito, especialmente pela posse da Caxemira, região de maioria muçulmana em cujo território estão localizadas as nascentes dos rios Ganges e Indo. O controle da região é hoje compartilhado entre a Índia, o Paquistão e a China.


A AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS

A Segunda Guerra Mundial provocou mudanças decisivas na configuração geopolítica do planeta. Ao mesmo tempo que a França e a Inglaterra, Estados à frente de grandes impérios coloniais, saíram enfraquecidos do conflito, União Soviética e Estados Unidos se firmaram como superpotências, assumindo posição de destaque na política global.

Com o fim da guerra, os países africanos e asiáticos que lutavam contra o domínio das potências colonialistas europeias ganharam dois aliados de peso. Interessados em ampliar suas zonas de influência para outras regiões do planeta durante a Guerra Fria, os governos dos Estados Unidos e da União Soviética passaram a defender o princípio da autodeterminação dos povos.

A defesa da autodeterminação dos povos estava prevista no primeiro artigo da Carta das Nações Unidas de 1945. Esse princípio ajudou a mobilizar a opinião pública mundial contra o colonialismo na Ásia e na África, além de contribuir para ampliar a luta dos povos africanos e asiáticos pela independência. Em alguns casos, o processo de emancipação ocorreu por vias pacíficas. Em outros, a independência só foi conquistada por meio da luta armada contra as potências colonizadoras.

Luta anticolonial e crise do colonialismo após 1945 

Como você estudou, as potências europeias dominaram a Ásia e a África no século XIX. Desde as primeiras ações imperialistas, povos afro-asiáticos resistiram a essa dominação. Contra os britânicos, por exemplo, ocorreram as guerras Anglo-sudanesa, entre 1881 e 1884, e Anglo-egípcia, em 1882, as revoltas somalis, em 1884 e 1894, e a Revolta dos Cipaios, na Índia, entre 1857 e 1858. Entre o final da Segunda Guerra Mundial e a dé - cada de 1970, a maioria das colônias europeias na África e na Ásia se emancipou politicamente, originando novos países. Isso só foi possível, pois, alguns fatores favoreceram o sucesso dos movimentos de resistência desses povos nesse período.
Um dos motivos foi o enfraquecimento sofrido pelas potências europeias em decorrência da Segunda Guerra Mundial. Mesmo as que estavam do lado vence - dor sofreram perdas materiais e humanas que abalaram sua capacidade de domi - nação sobre as colônias. Além disso, a Carta de São Francisco, de 1945, que deu origem à ONU, e outras normas internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e o Pacto Internacional de Direitos Civis e Político, de 1966, garantiram às ex-colônias o direito à autodeterminação e ao autogoverno. 
Somaram-se a esse cenário as disputas entre os Estados Unidos e a União Soviética no contexto da Guerra Fria. As duas superpotências apoiaram muitos movimentos de libertação, já que cada novo país poderia ampliar o bloco de países aliados a uma ou a outra. 
Os povos africanos e asiáticos souberam aproveitar esse contexto favorável para organizar movimentos pela libertação de seus países e intensificar sua luta contra a dominação imperialista; nesse período foram formados ou fortalecidos partidos políticos, milícias populares armadas, jornais e associações de estudantes e intelectuais contrários à dominação imperialista europeia. Também cresceu a desobediência às autoridades coloniais, os boicotes aos produtos europeus e a organização de greves



AS INDEPENDÊNCIAS NA ÁFRICA

A União Africana é uma organização internacional que tem como objetivo promover a aproximação dos países africanos de modo a fortalecer a democracia, impulsionar o crescimento econômico e ajudar na superação de desigualdades e problemas sociais. Ela existe desde 2002 e é composta de 55 Estados-membros que têm poder de voto para decidir políticas em comum. Em 2018, a maioria desses países aprovou o tratado da Zona de Comércio Livre Continental Africana. Isso abriu caminho para a criação de uma das maiores zonas de livre-comércio do planeta. A expectativa é que essa zona de livre-comércio, que começou a funcionar em 2021, não só promova o desenvolvimento econômico do continente, como também contribua para aproximar cultural e politicamente diversas nações da África. Essa ideia de aproximação de diversas regiões da África como forma de fortalecer o continente é antiga. No início do século XX, muitos já defendiam a criação de alianças políticas entre grupos de diversas partes da África para lutar contra o neocolonialismo e criar governos independentes no continente. Esse conceito de união foi chamado de pan-africanismo.

O pan-africanismo teve suas origens no século XIX entre os africanos e seus descendentes que viviam nos Estados Unidos, Caribe e Europa. Os pioneiros do movimento, entre eles o sociólogo afro-americano W.E.B Du Bois (1868-1963), defendiam uma identidade única e comum a todos os afrodescendentes. Essas pessoas criaram, a partir do início do século XX, entidades em prol da independência de países africanos e organizaram conferências para divulgar suas ideias e projetos. Seu lema era: “A África para os africanos”.

A via pacífica

Os governos da União Soviética e dos Estados Unidos defendiam a autodeterminação dos povos e, portanto, o fim do colonialismo. Essa tomada de posição das duas maiores potências da época foi um fator de pressão sobre os governos das nações colonialistas. A isso se somava a própria luta dos povos africanos pela independência. Nessas condições, algumas potências colonialistas passaram a negociar o processo de independência com as lideranças africanas. Tentavam, dessa forma, preservar seus interesses econômicos no continente, como a manutenção das empresas europeias e da exploração de riquezas minerais nas ex-colônias. Como parte dessa política de conciliação, o governo da Inglaterra aceitou a independência de muitas de suas colônias na África. Esse foi o caso do Sudão (1956), da Costa do Ouro (atual Gana, 1957), da Nigéria (1960), de Serra Leoa (1961), do Quênia (1963) e de Zâmbia (antiga Rodésia do Norte, 1964), entre outros (confira o mapa nesta página). Com o objetivo de manter sua influência nas regiões colonizadas, o governo da Inglaterra convidou esses países a fazerem parte da Comunidade Britânica das Nações, o Commonwealth, uma associação de Estados soberanos formada pelo Reino Unido e suas antigas colônias. O governo da França também administrou pacificamente a independência de algumas de suas colônias, e, em 1960, quase todas as colônias francesas na África estavam emancipadas, entre elas Camarões, Madagascar, Costa do Marfim, Senegal e Mali. Para manter os Estados independentes sob sua órbita, criou, em 1958, a Comunidade Francesa.

Contudo, muitas antigas colônias francesas decidiram romper completamente com a metrópole, como a Guiné, que optou por cortar todos os vínculos com a França. Em represália, o governo francês suspendeu os recursos econômicos destinados ao país. Apesar disso, o exemplo da Guiné incentivou outras ex-colônias francesas a cortar relações com seus antigos colonizadores. Assim, até 1960, praticamente todas as ex-colônias que inicialmente haviam integrado a Comunidade Francesa decidiram se retirar dela.

Revoltas armadas 

Um dos principais líderes do pan-africanismo foi Jomo Kenyatta, o homem de kufi em destaque na imagem condutora deste capítulo. Ele desempenhou papel central na conquista da independência do Quênia, país que estava sob o domínio britânico e do qual se tornou primeiro-ministro em 1963. Na década de 1950, Kenyatta liderou um movimento que promovia ações armadas contra os ingleses e, por isso, foi preso pelas autoridades britânicas. Na mesma época, a França começou a enfrentar revoltas armadas na Tunísia, no Marrocos Francês e na Argélia, as três colônias francesas no norte da África. Enquanto a Tunísia e o Marrocos conquistaram a independência em 1956, na Argélia, a luta contra os franceses se estendeu até 1962. Também no caso das colônias de Portugal, a emancipação política só foi possível por meio da luta armada. Uma das razões para isso é que a economia portuguesa era muito dependente das riquezas exploradas nas colônias africanas. Por isso, o governo de Portugal se recusava a ceder às pressões dos africanos que lutavam pela independência de seu povo. Outra razão que levou os movimentos de independência das colônias portuguesas a empregar a luta armada foi o caráter ditatorial do governo de Portugal. Desde 1926, a nação portuguesa era governada por uma ditadura que reprimia toda e qualquer manifestação de oposição. Como costuma acontecer em ditaduras, as autoridades portuguesas eram incapazes de dialogar e de negociar com aqueles que discordavam do regime, ou que lutavam por seus direitos.

Diante dessas intransigências, surgiram movimentos guerrilheiros de caráter popular na maioria das colônias de Portugal: Cabo Verde, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Foi somente com a queda da ditadura em Portugal, em 1974, que o novo regime democrático reconheceu oficialmente a independência de suas colônias na África.

PROBLEMAS APÓS AS INDEPENDÊNCIAS

As nações africanas enfrentaram muitas dificuldades após a emancipação. Boa parte desses problemas era consequência direta dos anos de dominação e exploração do continente pelas potências europeias.

A ocupação da região do Rio Congo pelos belgas, a partir de 1879, deu início a uma das mais dramáticas e violentas experiências de colonização na África. Milhares de pessoas foram escravizadas, mutiladas e assassinadas para que o governo belga impusesse seu domínio na região. Nasceu, assim, o Congo Belga. Em janeiro de 1959, ocorreram no Congo Belga grandes manifestações populares contra o colonialismo. Acuado por essas mobilizações, o governo da Bélgica reconheceu a independência de sua antiga colônia. Durante os 70 anos em que dominaram o Congo, os belgas nada fizeram para melhorar a vida da população congolesa. Ao saírem da ex-colônia, não deixaram universidades nem indústrias. Também não promoveram uma transição de poder tranquila para que as autoridades locais pudessem garantir a estabilidade do novo país. Em junho de 1960, Joseph Kasavubu assumiu o cargo de presidente da jovem república. Para o cargo de primeiro-ministro foi escolhido Patrice Lumumba (1925-1961), principal líder da luta pela independência do Congo.

A interferência da CIA e as ditaduras militares 

Logo ressurgiram as velhas rivalidades existentes entre os diversos grupos étnicos que viviam na região antes da chegada dos belgas, e o país atravessou um período de grande instabilidade política. Considerado comunista pelo governo dos Estados Unidos, Lumumba foi preso e assassinado em 1961, em uma ação que contou com o apoio da Agência Central de Inteligência (CIA), do governo estadunidense. Em meio à crise, o país entrou em uma verdadeira guerra civil. As disputas de poder envolveram milhares de assassinatos e a separação de regiões que não aceitavam se submeter a um governo controlado por uma etnia diferente da sua. A Organização das Nações Unidas (ONU) realizou intervenções na região, mas o conflito persistia. Em 1965, o próprio Kasavubu foi deposto por um golpe que colocou o poder nas mãos de Joseph Mobutu (1930-1997), general que implantou uma ditadura militar na então chamada República Democrática do Congo. Esse não foi um caso isolado. A partir de 1965, ditaduras militares foram implantadas em diversos países africanos, como a Nigéria, a Argélia e Gana. Algumas dessas ditaduras foram resultado de lutas pelo poder entre grupos do próprio governo. Outras foram implantadas por influência ou com o apoio direto da União Soviética, dos Estados Unidos, ou de grupos econômicos europeus ou estadunidenses. No caso das duas superpotências, o grande interesse de seus governos era evitar o crescimento das zonas de influência do regime adversário. Os grupos econômicos, por sua vez, queriam garantir para si a exploração das riquezas dos territórios africanos, como diamantes e petróleo.

O caso de Uganda: décadas de ditadura

A população de Uganda é formada por diversos grupos étnicos, alguns deles rivais entre si. Na época da colonização, a rádio estatal dessa antiga colônia britânica chegava a transmitir sua programação em 24 línguas africanas diferentes. Isso dá uma ideia da diversidade étnica da região. Milton Obote se tornou primeiro-ministro de Uganda em 1962, ano da independência do país. Algum tempo depois, foi acusado de corrupção e de contrabando de ouro. Em resposta, Obote suspendeu a Constituição, destituiu o presidente e prendeu líderes da oposição. Em 1971, foi deposto pelo general Idi Amin (c. 1925-2003), que assumiu todos os poderes. Durante a ditadura de Amin, cerca de 400 mil ugandenses foram mortos, boa parte de forma brutal. Por causa dessa violência, ele era chamado pela população de “açougueiro” e “senhor do horror”. Seu governo durou até 1975, quando tropas da Tanzânia, com o apoio da população de Uganda, o tiraram do poder.

A ÁFRICA DO SUL

Os primeiros europeus a colonizar o extremo sul da África foram os holandeses, ainda no século XVII. No século seguinte, chegaram os ingleses, que entraram em conflito com os antigos colonizadores, chamados de bôeres ou africânderes. Esses conflitos deram origem às Guerras dos Bôeres (a primeira entre 1880 e 1881, e a segunda entre 1899 e 1902), vencidas pelos ingleses. Embora cerca de 75% da população sul-africana fosse negra, os brancos detinham o poder político-econômico da região no início do século XX. Os negros enfrentavam uma série de restrições: só podiam circular em determinadas áreas, não tinham pleno direito de voto etc. Para lutar pelos seus direitos, em 1912, eles organizaram o Congresso Nacional Africano (CNA), partido político que reivindicava a igualdade racial. No entanto, a situação dos negros agravou-se ainda mais quando, em 1948, o primeiro-ministro e pastor protestante, Daniel Malan, instituiu a política do apartheid, que legalizava o racismo e segregava a população negra. Os negros passaram então a precisar de passaportes para circular por seu próprio país. Também foram impedidos de utilizar os mesmos ônibus ou hospitais, frequentar as mesmas escolas ou morar em áreas residenciais reservadas aos brancos.

Com o apartheid, os bairros e os serviços voltados para os negros eram sempre de qualidade muito inferior em relação aos utilizados pela população branca. Além disso, as pessoas negras eram tratadas com muita truculência pela polícia. Em 1960, durante um protesto contra o regime segregacionista, 67 manifestantes foram mortos pela ação policial, e 180 ficaram feridos. Nesse mesmo ano, o CNA foi declarado ilegal, e seu líder, Nelson Mandela, condenado à prisão perpétua. O apartheid provocou protestos no mundo inteiro, particularmente a partir da década de 1970. Isso levou diversos governos a adotar medidas para isolar a África do Sul no cenário mundial: sanções econômicas e políticas foram impostas pela ONU, o país foi expulso da Comunidade Britânica e seus atletas foram impedidos de participar de torneios internacionais. Diante das pressões externas e das lutas internas, Nelson Mandela foi libertado, mas o CNA foi legalizado apenas em 1990. Em 1994, o apartheid chegou ao fim, e Mandela foi eleito presidente.

Congo 

No século XIX a região do Congo foi dominada pelo rei belga Leopoldo II. Diamantes, zinco e cobre foram explorados por empresas internacionais, que pagaram tributos ao rei. Em 1908, o território foi entregue ao governo belga. A exploração do Congo foi feita por meio do trabalho compulsório dos nativos, envolvendo extrema violência, como chibatadas, mutilações e mortes. Mas essa crueldade nunca impediu a constante resistência: houve sempre fugas, recusa ao trabalho e revoltas coletivas. No final dos anos 1950, organizações políticas como o Movimento Nacional Congolês (MNC), liderado por Patrice Lumumba, posicionaram-se contra a exploração. Diante da força das lutas anticoloniais, a Bélgica se retirou do Congo em 1960 e Lumumba foi eleito chefe do governo. Mas nem todos os congoleses apoiaram Lumumba e seu projeto de união nacional. O embate entre governistas e separatistas resultou em uma guerra civil entre as forças de Lumumba, apoiadas pela União Soviética, e os partidários do general Mobutu Sese Seko, apoiados pelos Estados Unidos. Em 1961, Lumumba foi preso e assassinado. Em 1965, por meio de um golpe de Estado, Mobutu implantou uma ditadura militar. Renomeado Zaire, o país foi governado por Mobutu até sua deposição em 1997, quando passou a ser denominado República Democrática do Congo. 

Argélia 

No século XIX a França dominou a região da Argélia, rica em petróleo e produtos agrícolas. A colonização foi muito violenta e as manifestações contra o domínio francês e o tratamento dado aos árabes e berberes intensificaram-se após a Segunda Guerra Mundial, sendo duramente reprimidas pelas tropas francesas. Em 1954, membros da elite política e cultural argelina fundaram a Frente de Libertação Nacional (FLN), de orientação socialista, que liderou a luta contra os franceses. Diante das revoltas na Argélia e da pressão internacional contra o prolongamento do conflito, a França cedeu. Em 1962, foi assinado um cessar-fogo e, pouco depois, foi feito um plebiscito no qual a maioria dos argelinos optou pela independência do país.

Colônias portuguesas

As lutas pela libertação das colônias portuguesas cresceram a partir dos anos 1950, com destaque para os jovens universitários africanos que estudavam em Portugal e se reuniam em torno da Casa dos Estudantes, em Lisboa. O grupo incluía Amílcar Cabral, de Cabo Verde, Noémia de Sousa, de Moçambique, e Agostinho Neto, de Angola, entre outros que combinavam ideais socialistas com a negritude e a luta contra a exploração colonial. Nos anos 1970, aproveitando-se da crise do salazarismo, as ações dos movimentos por independência política se intensificaram, e a maioria das colônias portuguesas conquistou sua independência.

Guiné-Bissau e Cabo Verde 

Em 1956, Amílcar Cabral e outros guineenses fundaram o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). De inspiração socialista, o partido defendia a independência política, o progresso econômico, os interesses nacionais e o avanço sociocultural. Em 1961, teve início a luta armada pela independência. Em setembro de 1973, o PAIGC declarou a independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, reconhecida por Portugal no ano seguinte.

Moçambique 

Nos anos 1950, a luta pela independência de Moçambique se intensificou, com greves e passeatas ocorrendo frequentemente. Em 1962, foi fundada a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), sob a liderança de Eduardo Mondlane. Partindo da Tanzânia, país vizinho, o grupo passou à luta armada contra as tropas portuguesas em Moçambique. A independência moçambicana foi proclamada em 25 de junho de 1975. 

Angola 

Em 1956, formou-se o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), liderado por Agostinho Neto. O governo português respondeu com força e a luta do MPLA e de outros grupos armados, como a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), estourou em 1961. Em 1975, após catorze anos de luta, o MPLA proclamou a independência de Angola. A guerra em Angola, contudo, não terminou com a independência. No contexto da Guerra Fria, iniciou-se uma guerra civil, opondo o MPLA, apoiado pelos soviéticos, à União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), suportada pelos Estados Unidos. Essa violenta guerra civil só terminou em 2002.

Desafios após a independência 

Após a independência, os novos países africanos se depararam com enormes desafios, como a subordinação econômica aos interesses dos países ricos. Além disso, continuaram a ocupar a periferia do sistema econômico, exportando produtos primários e importando bens industrializados. Ademais, havia a questão das fronteiras artificiais. Como integrar grupos étnicos com histórias e interesses tão distintos? Como a colonização europeia não respeitou as divisões populacionais existentes antes da partilha da África, os processos de independência ocorreram dentro dessas fronteiras territoriais impostas pelos europeus. A fragilidade econômica, associada a uma união nacional frágil, causou e continua a gerar grande instabilidade social e política, culminando em guerras civis que assolam o continente até hoje. Por isso, ainda há um longo caminho até a efetiva independência dos povos africanos, estabelecendo como prioridade o bem-estar humano. 

domingo, 18 de agosto de 2024

Produção de energia no Brasil

Movimentar máquinas, cargas e pessoas por longas distâncias demanda muita energia. No Brasil, usam-se combustíveis derivados de fontes não renováveis (petróleo e gás natural) e renováveis (como o álcool e o biodiesel) para o transporte. 
Já em relação à energia elétrica outras fontes são usadas, como será estudado a seguir. A energia pode ser gerada de diferentes fontes. As fontes fósseis são resultado da queima de materiais como o petróleo, o gás natural e o carvão mineral. A energia de fonte nuclear usa o urânio para gerar energia. As fontes de energia renováveis usam a força dos ventos, o calor do Sol e a água acumulada pelas chuvas para encher reservatórios que movimentam hidrelétricas, por exemplo. 
O conjunto de fontes de energia de um país forma sua matriz energética. No Brasil, são empregadas fontes renováveis e não renováveis tanto para o transporte quanto para gerar energia elétrica.
Petróleo e gás natural 
A principal fonte de energia utilizada para o transporte é o petróleo. Seus derivados – como o óleo diesel e a gasolina – movimentam motores de aviões, navios, caminhões, automóveis e ônibus. Existem carros, trens e ônibus movidos a eletricidade, mas eles representam uma pequena fatia no conjunto dos sistemas de transportes. 
Desde 1953, o Brasil conta com uma empresa que atua nas áreas de exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo, gás natural e seus derivados. Essa empresa desenvolveu tecnologias importantes para retirar petróleo do mar, até mesmo de camadas que estão no interior da superfície marinha, chamada pré-sal, e podem estar a cerca de 7 mil metros de profundidade. 
A descoberta de petróleo em águas profundas no oceano mudou a posição do Brasil entre os países que detêm reservas dessa fonte de combustível. A exploração dessas reservas garante autonomia ao país, apesar das mudanças recentes que permitem que elas sejam exploradas por empresas internacionais. 
Já o gás natural veicular é empregado em automóveis que rodam bastante porque é caro instalar um equipamento para adaptar o motor a esse combustível. Por isso, ainda que seja mais eficiente que a gasolina na queima e que polua menos, é pouco usado para o transporte urbano. 
Álcool 
O álcool produzido a partir da cana-de-açúcar é uma fonte energética importante desde a implantação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), em 1975. Esse programa visava desenvolver uma alternativa ao consumo de petróleo, procurando diminuir a dependência do Brasil em relação à importação desse combustível. 
O plantio da cana-de-açúcar e sua transformação em álcool combustível – etanol – garantem ao Brasil uma fonte energética renovável para produzir combustível. O etanol polui menos que a gasolina e, principalmente, que o óleo diesel. Por isso, sua utilização deve ser estimulada como uma forma de diminuir a poluição, em especial em grandes cidades. 
Nos últimos anos, foi definido que a gasolina vendida no Brasil deve ter em sua composição um percentual de álcool, que em 2017 era de 27%. Desse modo, o governo procura estimular a utilização desse combustível.
Biodiesel 
Em relação ao óleo combustível, as experiências em curso remetem ao uso de óleo vegetal biodiesel e ao reaproveitamento de óleo de cozinha. No primeiro caso, o objetivo é produzir um substituto para o óleo diesel tradicional, derivado do petróleo, a partir de uma matéria-prima renovável. O biodiesel pode ser produzido a partir de dezenas de espécies vegetais, como a mamona, o dendê (palma), o girassol, o babaçu, o amendoim e a soja, entre outras, todas bem adaptadas às diferentes condições geográficas brasileiras. 
No caso do reaproveitamento do óleo de cozinha, são dois os objetivos: evitar a degradação ambiental que ocorre quando se lança o óleo sem tratamento ao ambiente e usar uma fonte renovável. 

Produção de energia elétrica 


As indústrias utilizam grandes quantidades de energia elétrica para movimentar suas máquinas. A atividade industrial é a que mais consome energia elétrica no Brasil. Em seguida, aparecem os setores residencial e comercial. 
A fabricação em larga escala de aço, alumínio e outras matérias-primas pelas indústrias de base consome mais energia do que muitas cidades de porte médio. Por isso, essas indústrias são conhecidas como eletrointensivas. 

Geração e distribuição da energia elétrica no Brasil 


Para acender uma lâmpada em uma residência é preciso energia elétrica, que resulta de um processo de produção dividido em três partes: a geração, que no Brasil predominantemente é por hidrelétricas (grandes e pequenas), mas também conta com termelétricas que queimam combustíveis fósseis; a transmissão, que consiste em levar a energia da fonte geradora aos consumidores, em geral por meio de cabos sustentados em torres que suportam elevada tensão elétrica; e a distribuição, ou seja, uma estação que converte a energia de alta-tensão em uma energia que pode ser usada em residências, iluminação pública, indústrias, entre outros usos. Sem essa conversão os equipamentos elétricos não suportariam a carga elétrica.
Com a presença de indústrias no século XIX, principalmente no estado de São Paulo, surgiram algumas hidrelétricas de investidores privados que funcionavam junto às fábricas. Mais tarde, a produção de energia passou a ser centralizada pelo governo, seja federal, seja estadual. 
A partir da década de 1990, novas regras foram criadas. Os governos federal e estaduais permitiram a volta de investidores privados para a geração de energia, que são fiscalizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Porém, a transmissão permaneceu quase totalmente dirigida pelos governos, mas a distribuição está tanto com agentes públicos, quanto com agentes privados, estes em maior número.
A energia elétrica gerada no Brasil está conectada pelo Sistema Interligado Nacional (SIN). Desse modo, ela pode ser gerada na Amazônia e ser usada em São Paulo – a eletricidade é transportada por meio de um conjunto de cabos e torres de energia, denominado rede de transmissão. Cabe ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) analisar a demanda de energia e ajustar seu fluxo. 
No Brasil, a energia elétrica é obtida pelo aproveitamento do movimento da água (usinas hidrelétricas) e do calor (usinas termelétricas). As fontes renováveis também são usadas, mas em menor quantidade.

Hidrelétricas 


O Brasil continua sendo um dos poucos países industrializados do mundo em que grande parte da energia elétrica é obtida em usinas hidrelétricas. Nessas usinas, a água do rio é represada por meio de uma barragem de concreto, para então cair de uma grande altura sobre imensas turbinas que, ao girar, produzem energia elétrica. O aproveitamento de usinas hidrelétricas no Brasil decorreu das condições naturais do território. 
O regime tropical de chuvas, predominante na maior parte do país, associado à presença de uma grande rede hidrográfica resulta em elevada capacidade de produção de energia hidrelétrica. O relevo também é um fator que influencia a instalação de uma usina hidrelétrica. Porém, se as chuvas não ocorrem por muito tempo, a geração de energia pode ser prejudicada.

Térmicas: combustíveis fósseis e nuclear 


As usinas termelétricas tradicionais utilizam combustíveis fósseis, como carvão, petróleo ou gás natural, para gerar eletricidade. O ar quente gerado pela queima do combustível movimenta as turbinas, produzindo energia elétrica. Pouco utilizado no país, o carvão é empregado em Santa Catarina, onde está a maior produção nacional. 
Já o uso de óleo diesel, um dos produtos do refino do petróleo, tem aumentado nos últimos anos para alimentar as termelétricas, que foram mais usadas por causa da falta de chuvas e da consequente queda na produção das hidrelétricas. Por sua vez, o gás natural para geração de energia está crescendo em virtude do acordo com a Bolívia, que dispõe de importantes reservas de gás natural em seu território.
Um dos resultados desse acordo foi a construção de um gasoduto de mais de 3 mil quilômetros de extensão, capaz de transportar para o território brasileiro 30 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Novas descobertas de gás natural no Brasil ampliam as perspectivas de usar essa fonte de energia. 
As centrais nucleares são termelétricas que utilizam elementos radioativos – tais como o urânio – para fazer funcionar seus reatores e gerar calor. Existem apenas duas unidades em funcionamento no Brasil. A terceira unidade está em construção, também em Angra dos Reis(RJ).

Energias renováveis 


O uso de energias renováveis no Brasil ainda é pouco estimulado. Apesar disso, tem aumentado. A energia solar é um tipo de energia renovável que pode ser usada tanto para gerar eletricidade quanto para aquecer água. 
No primeiro caso é preciso ter uma placa especial que recolhe a energia solar e a transforma em energia elétrica – chamada de placa fotovoltaica. No segundo caso é preciso instalar coletores no telhado das residências para que o sol aqueça a água. A água é aquecida ao percorrer uma série de serpentinas instaladas nos coletores. 
A energia solar pode ser estimulada no Brasil, que tem, em grande parte do território, muita insolação. Ela pode ser uma alternativa para áreas afastadas que ainda não integram a rede de distribuição de energia ou mesmo para áreas urbanas, diminuindo a necessidade de construção de novas hidrelétricas e termelétricas.
Está crescendo o uso do lixo na produção de energia. Atualmente, as principais tecnologias para produção de energia a partir do lixo são a fermentação do lixo orgânico, que gera gás para queima, e a incineração controlada do lixo, que pode gerar resíduos prejudiciais à saúde se feita sem cuidados. 
A fermentação pela decomposição do lixo orgânico geralmente é feita em biodigestores, ou acontece naturalmente em aterros sanitários, que, por meio de uma rede de tubos, podem drenar o gás gerado e utilizá-lo em termelétricas. No caso da incineração direta do lixo, a energia é gerada pela queima de resíduos, também em usinas termelétricas. Nesse caso, o que pode ser reciclado é separado, e o que não pode é queimado.
Em estados como Piauí, Ceará e Maranhão ocorre o aproveitamento da energia eólica. O Brasil possui grande potencial de uso dessa fonte de energia. Uma das vantagens dessa fonte é que ela não gera poluição. As enormes pás giram movidas pelo vento e geram eletricidade. 
As fontes tradicionais geram mais impactos ambientais que as renováveis.  Apesar do potencial de fontes renováveis, o Brasil ainda as utiliza pouco, se comparado a outros países. Por isso, é preciso reduzir o consumo de energia, economizando no dia a dia e evitando o desperdício.


A reforma agrária

Segundo a Constituição brasileira, o governo pode desapropriar as terras públicas ou privadas improdutivas, ou seja, aquelas que são pouco aproveitadas para a produção e que não cumprem sua função social. 
Realizar uma reforma agrária, que é a redistribuição dessas propriedades para trabalhadores sem-terra, visando à justiça social e ao aumento da produção agrícola, de acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Entretanto, latifundiários costumam usar algumas estratégias para disfarçar a improdutividade da propriedade, como desmatar a terra para que pareçam estar em uso. 
Outros exigem do governo o pagamento de indenizações pelas benfeitorias realizadas em suas terras, tais como açudes, moradias e mesmo desmatamentos. Assim, na maior parte dos casos, permanecem como proprietários, aguardando uma maior valorização para colocar suas terras à venda. 
A reforma agrária só será economicamente eficiente e socialmente justa se acompanhada de uma política agrícola, ou seja, de um conjunto de medidas tomadas pelo governo para viabilizar a produção. A implementação de uma política agrícola voltada para os pequenos proprietários é uma das principais reivindicações dos trabalhadores rurais organizados.

Os assentamentos rurais 


Os conflitos e a luta pela terra deram início ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na década de 1980, que luta pela reforma agrária para que mais gente possa ter acesso à terra. Originado no Rio Grande do Sul, o MST criou uma forma de luta em que se ocupam terras improdutivas de grandes propriedades para pressionar o governo a distribuí-las para a agricultura. 
As terras conquistadas pelos trabalhadores rurais, quando reconhecidas pelo governo, são chamadas de assentamentos. Em muitos dos assentamentos rurais conquistados pelo MST, os trabalhadores rurais se organizaram e garantiram a melhoria da produtividade e os esquemas de comercialização. 
O ritmo de assentamentos por reforma agrária apresenta variações ao longo da história, mas passou a diminuir a partir de 2008 até zerar em 2017, ou seja, nesse ano, nenhum assentamento foi realizado pelo governo brasileiro. Em geral, as justificativas para a diminuição dos assentamentos baseiam-se na queda da demanda e na contenção de verbas por parte dos governos. 

Redes de comunicação no Brasil

As redes de comunicação têm grande importância na atualidade. Elas possibilitam fluxos de mensagens, informações, etc., por meio de uma complexa infraestrutura de cabos, antenas e aparelhos receptores.

Os meios de comunicação de massa no Brasil 


Os jornais e as revistas, o rádio, a televisão e a internet são comuns em nosso dia a dia e são denominados meios de comunicação de massa, ou seja, canais de comunicação que se dirigem a um grande número de pessoas. Com exceção de jornais e revistas impressas, esses meios de comunicação dependem das redes de comunicação para que as informações sejam transmitidas para diversos lugares do Brasil e do mundo. O primeiro meio de comunicação de massa a ser utilizado no Brasil foi o jornal, no começo do século XIX. Inicialmente, só existiam jornais impressos e o alcance desse meio de comunicação era limitado, restrito às cidades mais importantes. Progressivamente, no entanto, os jornais ampliaram seu alcance e a imprensa seria revolucionada pelo rádio e pela televisão. 
A partir do início do século XX, o rádio causou grande impacto na sociedade brasileira, transmitindo notícias, narrações de eventos esportivos, músicas e novelas. A televisão, que tem a vantagem de ser um meio de comunicação audiovisual, chegou ao Brasil apenas na década de 1950 e, atualmente, é um aparelho acessível à maior parte dos brasileiros. A comunicação de informações no Brasil e no mundo também tem sido grandemente expandida pela internet. Muitos canais de jornalismo e redes sociais têm difundido notícias pelo mundo, muitas vezes, quase que instantaneamente.
Esses veículos permitem que as informações circulem em praticamente todo o mundo, independentemente de fronteiras e distâncias, interligando pessoas das mais distantes cidades, estados e países, facilitando o contato e a integração entre os lugares. A comunicação entre as pessoas, no Brasil e no mundo, também tem sido cada vez mais facilitada pelo acesso à banda larga e, principalmente, aos telefones celulares. 

Expansão das comunicações no Brasil 


Embora já existissem redes de telégrafo no território brasileiro desde o século XIX, as redes de comunicação se tornaram mais abrangentes somente a partir das décadas de 1950 e 1960, quando o governo brasileiro investiu na expansão da telefonia e da televisão. Posteriormente, nos anos 1970 e 1980, a comunicação de dados via satélite ampliou a possibilidade de comunicação em tempo real. Já nos 1990, houve a expansão do uso de computadores e da internet; e, nos anos 2000 e 2010, tornou-se possível se conectar a essa rede com a utilização de telefones móveis. Em fevereiro de 2022, no Brasil, eram realizados 40 milhões de acessos em banda larga fixa, 256 milhões em telefonia móvel, 15 milhões em TV por assinatura e 28 milhões pela telefonia fixa.

Rede de telefonia


As redes de telefonia constituíram-se como essenciais na comunicação à distância ao longo do século XX. A partir da década de 1960, a telefonia fixa se expandiu pelo país, em grande parte em razão dos investimentos governamentais. Em 1972, havia 1,3 milhão de acessos a esta rede, passando para 17 milhões em 1997, até chegar a 28 milhões em 2022. Já a telefonia móvel teve início no Brasil em 1990 e desde então se expandiu, passando de 700 aparelhos ativos naquele ano para 4,5 milhões em 1997 e 256 milhões em 2020.

 Rede de internet 


A rede de internet começou a ser instalada no Brasil nos anos 1990, com cabos de fibras ópticas conectando o país à rede global e, ao mesmo tempo, estruturando as primeiras ligações entre as capitais. Aos poucos, ela foi sendo ampliada e se articulou com satélites, atendendo a áreas da Amazônia. A banda larga se expandiu a partir dos anos 2000, aumentando a velocidade e o volume de dados e informações compartilhados. 
Em 2019, segundo o IBGE, 82% dos domicílios possuíam acesso à internet. Atualmente, o acesso ocorre principalmente por meio de smartphones, seguido pelo computador, pela televisão e pelos tablets. 
Na região Norte, prevalece o acesso por meio da banda larga móvel entre os usuários que utilizam a internet, uma vez que a abrangência das redes de cabeamento de internet fixa ainda é limitada nessa região, o que restringe e encarece o acesso a esse tipo de sinal.

 Redes de rádio e televisão 


No Brasil, a utilização do rádio como meio de comunicação teve início na década de 1920. Em pouco tempo, ele se tornou o veículo mais importante, levando ao surgimento de emissoras. Desse modo, os sinais começaram a ser transmitidos em todo o país, possibilitando a difusão de mensagens governamentais, programas de entretenimento, conteúdos musicais, etc. 
O rádio ainda hoje é um importante veículo de comunicação. Em 2021, 78% da população brasileira o utilizava e 60% o ouvia diariamente. 
O uso da televisão, por sua vez, começou a ganhar força nos anos 1950. É interessante notar que a transmissão do sinal, tanto do rádio quanto da TV, era realizada a partir da sede das empresas de radiodifusão, o que, em certa medida, limitou o alcance, mas também incentivou a criação de empresas dedicadas ao setor. 
Na década de 1980, graças ao uso de satélites para a transmissão de sinal, foi possível acessar a televisão em todo o território nacional com a instalação de antenas parabólicas. Na década de 1990, começaram a ser comercializados planos de televisão por assinatura. Já nos anos 2000, as transmissões passaram a ser por sinal digital, com qualidade muito superior. A partir de 2018, todo o sinal tornou-se digital. Vale destacar que o acesso a esse tipo de sinal não se dá da mesma forma em todo o território nacional.

A rede mundial de computadores


A rede mundial de computadores conecta pessoas de diferentes lugares por meio de uma grande “teia”, permitindo aos usuários compartilhar informações de maneira quase instantânea, acessar imprensa escrita e falada, pagar contas e solicitar documentos, acessar músicas e filmes, comprar mercadorias em lojas virtuais, entre outros exemplos. 
No século XXI, o gradual desenvolvimento e popularização de telefones celulares, tablets e smartphones com acesso à internet permitiu que ainda mais pessoas se conectassem à internet, sobretudo aquelas que não têm recursos para terem um computador pessoal. 
Embora apresente benefícios, a comunicação através da internet e principalmente das redes sociais exige certos cuidados, por exemplo, nunca informar seu endereço ou passar informações pessoais a desconhecidos, prestar atenção à fonte ao realizar pesquisas para saber se os dados são confiáveis, não publicar ou replicar inverdades ou mensagens que transmitam ofensas ou desrespeito a outras pessoas.

Desigualdades de acesso às redes de comunicação no Brasil 

Embora as redes de comunicação tenham se difundido no território brasileiro e contribuído para sua integração, deve-se ressaltar que ainda persistem muitas desigualdades no acesso à internet no país. Enquanto nas áreas urbanas o acesso é relativamente maior, nas áreas rurais ele é baixo, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
Quanto ao acesso a notícias, o Atlas da Notícia registra a existência de “desertos de notícia” no país, isto é, áreas em que não há acesso a nenhum veículo jornalístico, o que restringe a informação da população local quanto ao que ocorre no lugar onde vivem e, muitas vezes, a conteúdos de forma mais ampla. 
Esses “desertos” abrangiam cinco em cada dez municípios brasileiros em 2021 e 13,8% da população. A região Norte é onde eles estão mais presentes, seguida pela região Nordeste.


Ecologia

O termo “Ecologia” foi empregado pela primeira vez em 1869 pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), que combinou a palavra grega oik...