sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Nordeste - ocupação histórica

Desde o início da colonização portuguesa, a região que hoje conhecemos como Nordeste passou por muitas transformações. Foi no litoral dessa região que os portugueses iniciaram seu processo de ocupação, atribuindo-lhe im portância econômica e política.

A produção do açúcar

No século XVI, o cultivo da cana-de-açúcar foi a principal atividade econô mica da região que mais tarde viria a ser chamada de Nordeste. A partir da cana produz-se o açúcar, um produto que na época era muito procurado na Europa e, portanto, de grande valor de exportação. 
Os engenhos de cana-de-açúcar localizavam-se na faixa litorânea, onde as condições naturais eram bastante favoráveis. O clima tropical, quente e úmido, além do solo argiloso e muito fértil, chamado massapê, possibilitou o bom desenvolvimento dessa cultura. 
O problema, porém, era o transporte dessa produção. A distância entre o Brasil e a Europa é grande, e as embarcações da época eram precárias. Para que os gastos com as viagens compensassem, era necessário carregar uma grande quantidade de açúcar por viagem. Por isso, os engenhos eram grandes propriedades monocultoras e utilizavam muitos trabalhadores. 
Essa era a forma de baratear os custos de produção na época. Com o intuito de baratear ainda mais os custos, os colonizadores portugueses adotaram nos engenhos o mesmo sistema de mão de obra que já era utilizado em outras de suas áreas de ocupação, como a ilha da Madeira e o arquipélago dos Açores: a escravidão.
Nas primeiras décadas da colonização, os in dígenas foram escravizados. No entanto, a partir de meados do século XVI os colonizadores portugueses passa ram a praticar cada vez mais o tráfico e a comercialização de africanos. 
Por isso, o trabalho que antes era feito por indígenas nos engenhos de açúcar passou a ser executado por pessoas escravizadas de diversas etnias do con tinente africano. Além de trabalhar nos engenhos, os escravizados tinham a incumbência de levar o açúcar até o porto e carregá-lo nos navios, para ser exportado. 
Como o volume de açúcar produzido era grande e o transporte terrestre era precário, foram construídos vários portos ao longo da costa nordestina (os principais eram os de Recife e de Salvador). Era mais vantajoso construir diversos portos, relativa mente próximos uns dos outros, do que transportar toneladas de açúcar por terra. 
Nas áreas portuárias havia também circulação de outros produtos, além do açúcar. O pau-brasil, o tabaco e o algodão eram produtos de exportação. Além de escoar a produção da colônia, os portos recebiam produtos importados, como tecidos, armas, ferramentas, móveis e muitos outros. Recebiam também imi grantes vindos da Europa (que ainda eram poucos, já que a migração europeia para o Brasil se intensificou somente após 1850, com a Lei Eusébio de Queirós). 

A criação de gado e o cultivo de algodão

Ainda no período colonial, outras duas atividades econômicas tiveram pa pel importante na ocupação das terras que hoje formam a região Nordeste: a pecuária extensiva e o cultivo de algodão. 
No início a pecuária se desenvolveu perto dos engenhos, como atividade complementar, mas ao longo dos séculos XVI e XVII expandiu-se para o interior, em busca de novas pastagens, estimulando a ocupação dessa parte do território. As principais áreas de criação de gado, constituído de bovinos e muares, localizavam-se ao longo do rio São Francisco (que é um rio perene) e de seus principais afluentes, por causa da disponibilidade de água e da vegetação mais abundante para pastagem. Além disso, evitava-se que os animais destruíssem as plantações de cana-de-açúcar, o que ocorrera durante anos, quando o gado era criado no próprio engenho. 
Durante o período colonial, a criação de muares foi muito importante na região onde hoje se localizam a Bahia, o Maranhão e o Piauí. Nesses estados havia grandes fazendas de gado, que abasteciam os engenhos de Pernambu co. Esses animais também eram utilizados para o transporte de carga, como água, alimentos, material de construção, entre outros. Observe no mapa as principais áreas de criação de gado no século XVII.
A pecuária de bovinos e muares promoveu o desenvolvimento de importan tes municípios do Agreste, como Feira de Santana, Caruaru e Campina Grande, além de Oeiras e Teresina, a única capital nordestina localizada no interior do continente. 
Desde a época das feiras de gado e pas sagem de tropeiros, essas cida des do Agreste e do interior do Piauí exercem a função de importantes centros comerciais, e Teresina, por ser a capital desde 1852 (a primeira capital do Piauí foi Oeiras, entre 1750 e 1852), tem grande diversidade de atividades econômicas: comércio, repartições públicas, estabelecimentos de ensino superior, etc.
Entre o Maranhão e o Piauí, além da pecuária, desenvolveu-se o cultivo de algodão. A partir de meados do século XIX, quando ocorreu a Guerra Civil americana (1861-1865), a produção de algodão dos Estados Unidos diminuiu, favorecendo o crescimento da produção brasileira, que passou a abastecer os países da Europa. 
No entanto, com o fim do conflito, o setor algodoeiro no Brasil entrou em deca dência econômica, porque os Estados Unidos voltaram a exportar esse pro duto com preços mais baixos. Algumas marcas do período de maior produção algodoeira no Brasil ficaram registradas na paisagem da região. 
Até agora, estudamos o papel das atividades econômicas no processo de ocupação de parte da região que hoje conhecemos como Nordeste. Entretanto, importantes cidades brasileiras originaram-se de fortes construídos para a defesa do território na época da colonização europeia.
No período colonial, os europeus, principalmente os portugueses, construíram centenas de fortes com o objetivo de impedir que outros povos invadissem o território. Aos poucos, nas regiões onde os fortes estavam instalados, começaram a surgir vilas, que foram se desenvolvendo até se transformarem em cidades. Muitos deles se transformaram em importantes pontos turísticos.



quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Os domínios morfoclimáticos brasileiros

Os domínios morfoclimáticos são áreas em que a combinação dos aspectos e características naturais, como o clima, o relevo, o solo e a vegetação, ao longo do tempo, formou unidades de paisagens de grande extensão territorial.
No Brasil, existem seis grandes domínios e, entre cada um deles, faixas de transição que podem ter características próprias ou uma combinação entre os domínios próximos.
O Domínio Amazônico é caracterizado por depressões, planícies e planaltos em baixas altitudes, com a presença da maior floresta do mundo, a Amazônia, e por uma grande rede de rios e afluentes, que possibilita o transporte da população.
No Domínio do Cerrado, prevalecem as gramíneas e arbustivas, com árvores de pequeno porte,  prevalecem as gramíneas e arbustivas, com árvores de pequeno porte, mas pode existir vegetação densa em alguns pontos. Ele está presente em planaltos de altitude variada (podendo chegar a 1 700 metros), com pouca densidade de rios e solos pouco férteis, o que traz desafios específicos para a produção agrícola nessa área.
O Domínio dos Mares de Morros é marcado por uma vegetação densa e muito diversa, em que se localiza a Mata Atlântica, e ocupa áreas com grande presença de serras e morros já bastantes desgastados pela erosão. É nesse domínio que se situam as maiores concentrações populacionais do território brasileiro, com destaque para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.
No Domínio da Caatinga Domínio da Caatinga, a vegetação é adaptada ao clima quente e seco, ocupando áreas, a vegetação é adaptada ao clima quente e seco, ocupando áreas de depressões e planaltos (que chegam a ter até 800 metros de altitude). 
O regime de chuvas irregular e muito baixo é insuficiente para a manutenção dos rios, que são intermitentes e sazonais. Embora seja a área semiárida mais populosa do mundo, os longos e frequentes períodos de estiagem prejudicam as atividades econômicas realizadas na região e impõem dificuldades para grande parte de seus habitantes. A perda de cultivos agrícolas e criações de animais são alguns exemplos.
O Domínio das Araucárias apresenta vegetação de grande porte e está situada em áreas planálticas, com rochas de origem sedimentar e vulcânica. Nessas regiões, o regime de chuvas é bem distribuído ao longo do ano e, muitas vezes, as massas de ar polar atuam diminuindo a temperatura.

O Domínio das Pradarias 

Domínio das Pradarias está situado em climas típicos da Zona temperada, com o predomínio de gramíneas. Ele estende-se pelo sul do Brasil até o Uruguai e a Argentina; o relevo é formado predominantemente por colinas.

Vegetação brasileira


As variadas condições de clima e solo contribuem para o desenvolvimento e a manutenção de formações vegetais com enorme diversidade de espécies, com portes variados, desde as rasteiras, que crescem próximo ao chão, até os arbustos e as florestas com árvores de grande porte.

As formações vegetais 

No Brasil, podem ser reconhecidas dez formações vegetais (veja o mapa a seguir), com enorme variedade de portes e características: há formações florestais (Floresta Amazônica, Mata Atlântica e das Araucárias), outras arbustivas (Cerrado e Caatinga) e também há a presença de formações rasteiras (com os campos).
Não podemos esquecer que a ocorrência de determinadas formações vegetais pode variar de acordo com as características do ambiente. Assim, em ambientes mais secos, como o Semiárido brasileiro, predominam as espécies de xerófitas, que têm como característica a menor necessidade de água. Já em ambientes extremamente úmidos, como no clima Equatorial, predominam espécies higrófilas, com maior necessidade de água.

Os tipos de vegetação

Entre as formações vegetais de grande porte, estão a Floresta Amazônica, na região Norte, e a Mata Atlântica, presente na porção ao leste do Brasil, que abrigam uma das maiores diversidades de fauna e flora do mundo. 
O material orgânico proveniente da vegetação cria uma camada muito rica nos solos, que em geral são rasos (caso de muitos trechos da Mata Atlântica) ou com muitas deficiências de minerais (caso da Floresta Amazônica).
A Mata Atlântica é a formação vegetal que mais sofreu impactos da ação humana, o que reduziu para aproximadamente 8% a vegetação original. Em sua área natural, após séculos de exploração, estão as maiores concentrações urbanas do país, com indústrias e uma ampla gama de redes de transportes (com destaque para o rodoviário) atravessando e dividindo muitos remanescentes florestais. 
A Floresta Amazônica, por sua vez, sofre com o desmatamento relacionado à expansão de atividades agrícolas, a criação de gado e a mineração.
A Floresta de Araucárias é menos diversa do que as duas formações vegetais anteriores, mas é também de grande porte. Estende-se pelo sul do país, principalmente no Paraná e Santa Catarina, e suas árvores, por possuírem troncos lenho sos, foram muito utilizadas pela construção civil e para fabrica-
ção de móveis no início do século XX.
O Cerrado, por estar em uma área de clima Tropical típico, com um período de seca relativamente curto no inverno, apresenta espécies arbustivas e gramíneas, com árvores espaçadas, cascas grossas e folhas pequenas. 
As formações vegetais do Cerrado são as que atualmente mais sofrem com os impactos da ação humana, principalmente ligadas ao avanço da agricultura mecanizada que, além de desmatar a vegetação nativa, também compacta e modifica os solos.
Na Caatinga, por estar em uma área semiárida, desenvolvem-se espécies xerófitas, adaptadas à baixíssima disponibilidade e regularidade de chuvas. As árvores, de porte arbustivo, têm a característica de perderem as folhas nos períodos de estiagem mais prolongados, como uma forma de sobreviverem com a baixa disponibilidade hídrica da região.
Os Campos estão presentes tanto nas regiões Sul e Norte do país quanto no Pantanal. São áreas com vegetação rasteiras, em geral gramíneas. 
No Pantanal, eles são afetados pela expansão e retração das superfícies alagadas ao longo do ano. Os Campos são áreas em que muitas vezes há criação de gado extensivo e a vegetação nativa é utilizada como pastagens naturais.
Os Mangues e Restingas, presentes nas áreas costeiras do país, são formações vegetais complexas, de porte variado. Nos Mangues, as árvores de raízes altas são adaptadas à oscilação das marés durante o dia, ao solo e à água salgada. Por estarem em contato com águas doces e marinhas, há uma grande disponibilidade de material orgânico que enriquece as águas.
Muitas espécies se reproduzem nessas áreas, o que as torna conhecidas como “berçários naturais” de inúmeros animais marinhos. A Restinga, por sua vez, é uma vegetação geralmente de porte arbustivo e rasteira, que se desenvolve muito próximo às praias e têm a característica de estabilizar os solos arenosos. Por estarem em áreas litorâneas, mais recentemente, com a expansão do turismo, os Mangues e Restingas também foram muito de vastados pela urbanização e atividades econômicas dessas áreas.




A hidrografia brasileira

O Brasil é o país com a maior disponibilidade de água doce do mundo – cerca de 12% do total está em nosso território. O país também abriga parte do rio Amazonas, o maior do mundo em volume e extensão, assim como outros importantes rios, como o Paraná (que atravessa os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul), São Francisco (que nasce em Minas Gerais e atravessa os estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe) e o Tocantins (que atravessa os estados de Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará e tem o rio Araguaia como importante afluente).
O regime de chuvas e a circulação de massas de ar predominantemente úmidas abastecem a imensa rede de rios brasileiros e os maiores aquíferos do mundo: o aquífero Guarani, localizado no centro-sul; e o aquífero Alter do Chão, na região Norte do país. Essas características climáticas também são importantes para a manutenção, em alguns períodos do ano, de uma grande planície alagada, o Pantanal, onde vivem e se reproduzem muitas espécies animais e vegetais.
As águas superficiais (rios, lagos, represas, etc.) contribuem para a manutenção da umidade, do regime de chuvas e para o abastecimento humano em diversas localidades.
O relevo influencia diretamente o trajeto dos rios, porque as águas das chuvas e nascentes sempre seguem em direção aos pontos mais baixos do terreno. Os desníveis de altitude também influenciam a velo cidade de deslocamento das águas dos rios, maiores em áreas de declividade mais acentuada.

Regiões hidrográficas

O Brasil possui uma extensa rede hidrográfica. De modo a facilitar o gerenciamento dos rios e das bacias, foram definidas doze regiões hidrográficas, unidades territoriais que compreendem uma ou mais bacias hidrográficas.
Cada uma dessas regiões possui as próprias características ambientais e sociais, além de usos diferenciados.
Algumas regiões hidrográficas estão localizadas apenas no território brasileiro, como a Tocantins-Araguaia e a São Francisco. Entretanto, existem as que também fazem parte de outros países, como as regiões Paraguai e Paraná. A disponibilidade de água varia segundo as diferentes regiões hidrográficas. 

“Brasil: regiões hidrográficas”.

A região hidrográfica Amazônica concentra hoje 81% da disponibilidade de águas superficiais no Brasil. Seus rios são muito utilizados para a pesca e para o deslocamento diário das populações ribeirinhas. O principal rio dessa região é o Amazonas; suas características naturais, como o alto volume de água, a localização em planície e o curso em meandros, o tornam uma das principais rotas de circulação na região Norte do país.
A região hidrográfica Tocantins-Araguaia tem a maior disponibilidade hídrica proveniente de bacias exclusivamente brasileiras. Uma de suas características é o grande potencial turístico, com seus rios e afluentes fazendo parte de belas paisagens naturais, como a Ilha dos Bananais, a maior ilha fluvial do mundo, e dos parques do Jalapão e dos Veadeiros. Além disso, seus rios são muito utilizados para navegação: a hidrovia Tocantins-Araguaia é importante para o escoamento de grãos produzidos no centro-oeste brasileiro.
As regiões hidrográficas Parnaíba, Atlântico Nordeste Ocidental, Atlântico Nordeste Oriental e Atlântico Leste têm a particularidade de estarem em áreas com eventos críticos de seca, atravessando o Semi-árido brasileiro. As duas últimas possuem as menores disponibilidades hídricas no Brasil.
A região hidrográfica São Francisco atravessa grande parte do Semiárido brasileiro, estando também em áreas críticas de seca, o que afeta muitos rios, que são intermitentes. O principal rio, o São Francisco, é muito importante para navegação, pesca e para abastecer e irrigar muitas plantações e criações de gado que ocorrem em suas imediações.
As regiões hidrográficas Atlântico Sudeste e Paraná são as mais povoadas de todo o país, com as duas cidades mais populosas, São Paulo e Rio de Janeiro, e importantes centros econômicos e industriais. No caso da região hidrográfica Paraná, destacam-se, ainda, seu grande potencial de geração de energia, abrigando a maior hidrelétrica do país, os usos para a agricultura e para abastecimento urbano, além da importância para navegação e deslocamento de produtos com a hidrovia Tietê-Paraná.
A região hidrográfica Paraguai engloba os biomas do Pantanal, marcado por planícies, e do Cerrado, marcado por planaltos, e apresenta grande potencial de geração hidrelétrica.
A região hidrográfica Atlântico Sul abrange áreas de grande densidade demográfica e desenvolvimento econômico, como Porto Alegre e Florianópolis, importantes centros industriais e turísticos.
E a região hidrográfica Uruguai apresenta potencial de geração de energia hidrelétrica e seus rios são muito utilizados para irrigação de atividades agroindustriais que ocorrem em suas imediações.

Brasil: grau de segurança hídrica 

Apesar de o Brasil contar com grandes reservas de água doce, o abastecimento hídrico não é regular no país. Desequilíbrios entre a oferta e a demanda geram situações de insegurança, principalmente quando a oferta hídrica não está disponível em quantidade ou qualidade suficientes para atender às necessidades humanas ou garantir a conservação dos ecossistemas.
Os rios são fontes essenciais ao abastecimento de água. Uma forma de garantir o fornecimento de água para um local com longos períodos de estiagem, por exemplo, é coletar e transportar a água de uma bacia hidrográfica melhor abastecida para outra em risco de desabastecimento.
A Agência Nacional de Águas fornece dados para o cálculo do Índice de Segurança Hídrica (ISH) com base nas dimensões: humana, econômica e ecossistêmica (incluindo a oferta hídrica em períodos de seca). O objetivo da Agência é identificar pontos de atenção para a realização de obras que controlem cheias ou minimizem os riscos de escassez hídrica até 2035. 
As áreas com menor segurança no abastecimento estão no sul do Rio Grande do Sul e na Região Nordeste. Nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, a segurança hídrica também é baixa.

O relevo brasileiro

O relevo brasileiro é resultado de processos que ocorreram ao longo de milhares de anos na superfície terrestre. A formação e a transformação sofrem influência de fatores internos (tectônica de placas, terremotos e vulcanismo, por exemplo) e fatores externos (ação dos ventos, chuvas, escoamento, erosão, etc.). O vulcanismo e o tectonismo, embora tenham influenciado o relevo brasileiro em períodos longínquos, atualmente não ocorrem com intensidade em nosso território por ele estar situado no centro de uma placa tectônica: a placa sul-americana.

O embasamento rochoso

O relevo brasileiro, em sua maior parte, é composto de rochas muito antigas, com predominância do embasamento cristalino (rochas ígneas e metamórficas). Em alguns trechos do território, esse embasamento rochoso está coberto por sedimentos, que formam as bacias sedimentares.
O embasamento cristalino é predominante na porção centro-leste do território brasileiro, inclusive formando a estrutura rochosa dos morros e serras que abrangem grande parte da porção leste do Brasil. Nessas áreas, estão as mais antigas rochas existentes no território, grande parte já desgastadas sobretudo pela ação do clima – inclusive com a presença de morros, chapadas e chapadões nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.
Presentes em todo o território, mas com predominância na faixa costeira e em grande parte do centro-sul e norte, estão as bacias sedimentares. São compostas por rochas relativamente mais recentes, formadas pela deposição dos sedimentos. Nas bacias sedimentares predominam planícies fluviais, planaltos e relevo caracterizado por colinas.
Na porção leste do Brasil, predominam conjuntos de morros e serras originados por dobramentos muito antigos e já bastante desgastados pela ação do clima, com altitudes que variam entre 400 e 2 000 metros.
Na faixa costeira e, a oeste, no Pantanal e na região Norte, predominam terrenos abaixo de 400 metros de altitude.

As unidades do relevo

As variadas formas de relevo presentes no Brasil podem ser agrupadas em três classes – ou unidades – principais: os planaltos, as planícies e as depressões.
Os planaltos são áreas em que predominam perdas de sedimentos e estão situados em diversas faixas de altitudes, tanto em embasamentos sedimentares quanto cristalinos. Na parte leste do território brasileiro, estão os planaltos e as serras do Atlântico Leste e Sudeste, onde se encontram as serras do Mar e da Mantiqueira, o planalto da Borborema e os planaltos e chapadas da bacia do Paraná. Nessa última, estão instaladas diversas usinas hidrelétricas, entre elas a de Itaipu, que aproveitam os desníveis no curso do rio Paraná e seus afluentes para a geração de energia.
Nas planícies predominam processos de deposição de sedimentos. Elas ocorrem em altitudes variadas. Formam-se ao longo dos leitos dos rios (planícies aluviais), em locais que recebem sedimentos marinhos (planícies costeiras) e pelo acúmulo de sedimentos em lagos (planícies lacustres). No Brasil, há duas grandes planícies: a do Pantanal, uma imensa área natural de alagamento no centro-oeste brasileiro; e a do rio Amazonas, que acompanha seu curso.
As depressões são áreas rebaixadas em relação ao seu entorno, onde predomina o processo de transporte de sedimentos. No Brasil, destacam-se a depressão Sertaneja e do São Francisco e da Amazônia Ocidental, por onde correm muitos afluentes do rio Amazonas.

Climas do Brasil

As interações entre os elementos naturais de uma região influenciam diretamente as paisagens encontradas e podem evidenciar a relação entre a natureza e o modo de vida da sociedade. No caso do Brasil, a localização e a grande extensão territorial o tornam privilegiado no que se refere às diversidades naturais, sendo o clima um importante elemento.

Diversidade dos climas no Brasil

O território brasileiro apresenta grande diversidade paisagística, re sultado da dinâmica entre clima, relevo, hidrografia, vegetação e outros componentes da paisagem. Essa diversidade também influencia a ocupação humana e o modo de vida das populações, com possibilidades diferenciadas de aproveitamento das condições naturais.
Ao estudar o clima, percebemos que seus principais elementos – a temperatura, a radiação solar, a umidade, a precipitação e a pressão atmosférica – variam ao longo do ano e são influenciados por diferentes fatores locais, como a latitude, a posição em relação ao mar, as correntes oceânicas, a altitude e o relevo.
A maior parte do território brasileiro está situada na Zona intertropical do planeta. Nessa faixa, a radiação solar que re cebe ao longo do ano tende a apresentar médias de apresentar médias de tempera- temperatura tura mais altas (sobretudo na fai- mais altas (sobretudo na faixa próxima à linha do equador), baixa amplitude térmica e umidade mais elevada.
ma Tropical ma Tropical, que é caracteriza- , que é caracteriza
do pelo verão quente e úmido e pelo inverno seco e com temperaturas mais amenas.

 Tipos de clima no Brasil

No Brasil predominam seis principais tipos de clima, e em cada um deles podemos observar características específicas de umidade, temperatura e precipitação. 
 O clima Equatorial, predominante na região Norte, é caracterizado por altas temperaturas e pre cipitações ao longo do ano. Há forte inter-relação entre o clima Equatorial e a Floresta Amazônica, pois a evapotranspiração da vegetação contribui para manter elevada a umidade na região. 
Na faixa litorânea, do estado de São Paulo até o Rio Grande do Norte, ocorre o clima Tropical Úmido. Em decorrência da influência marítima, esse clima se caracteriza pela elevada umidade e precipitação ao longo de todo o ano. 
clima Tropical Semiárido, que ocorre em uma extensa área da região Nordeste, apresenta temperaturas elevadas e baixa umidade; as chuvas são irregulares e escassas. 
Há formas de relevo relacionadas a essa dinâmica climática regional, como o planalto do Borborema, onde as altitudes são mais elevadas, influenciando na ocorrência de chuvas orográficas. Em parte dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, observamos o clima Tropical de Altitude, marcado pelo predomínio de baixas temperaturas e invernos com baixo volume de chuvas. 
O clima Tropical, no Centro-Oeste e em parte do Nordeste brasileiro, apresenta pouca variação de temperatura, mantendo-se com médias elevadas ao longo de todo o ano. As chuvas são mal distribuídas durante o ano, marcando verões com alta pluviosidade e invernos secos.
O clima Subtropical, na Zona temperada (ao sul do trópico de Capricórnio), é caracterizado pela maior amplitude térmica entre os climas brasileiros, bem como por pouca variação das chuvas ao longo do ano. Nos climogramas a seguir, podemos analisar as temperaturas e as precipitações médias de três localidades em diferentes climas brasileiros.
Em Manaus, situado no clima Equatorial, vemos as médias de tempe ratura e precipitação muito elevadas. Em Porto Nacional, que está situado no clima Tropical, o verão é quente e úmido e o inverno é frio e seco.

Continentalidade e maritimidade 

Um dos fatores que atuam sobre o clima de um lugar são as trocas de calor promovidas pelo contato entre a atmosfera e a superfície terrestre. O aquecimento ou o resfriamento da superfície afeta diretamente a temperatura atmosférica e, consequentemente, o clima. 
Nesse aspecto, um importante fator climático é a distância em relação ao mar, ou seja, a posição de uma localidade em relação ao oceano. Isso porque a radiação proveniente do Sol penetra mais profundamente nas águas, o que permite aquecer volu mes maiores ao longo do dia. 
Além disso, a água também possui grande capacidade de absorção e retenção da energia solar, o que contribui para um lento resfriamento e uma amplitude térmica mais baixa. Quanto mais próximo do oceano, portanto, maior a influência da maritimidade na dinâmica climática. Já na área continental, a radiação solar penetra apenas nas camadas superiores de terra e rocha. Isso gera um aquecimento mais rápido da superfície ao longo do dia, mas um esfriamento igualmente rápido, o que aumenta sua amplitude térmica. 
Quanto mais distante do oceano, maior a influência da continentalidade. No Brasil, podemos observar de forma muito nítida essa dinâmica quando compara mos o clima Tropical Úmido do litoral, em Ilhéus (BA), com o clima Tropical, em Cuiabá (MT), no Centro-Oeste. A temperatura oscila menos na área litorânea, onde ocorre o clima Tropical Úmido. 
Da mesma forma, a umidade atmosférica e as chuvas são mais regulares. Na área continen tal com ocorrência do clima Tropical, há distribuição mais irregular de chuvas ao longo do ano. A umidade mais baixa nos períodos de outono e inverno dificulta a retenção de calor e contribui para uma amplitude térmica maior entre verão e inverno.

Circulação geral da atmosfera e massas de ar 

A circulação de ar ocorre de diferentes maneiras na superfície terrestre e influencia diretamente as características climáticas. A circulação tem importante re lação com a latitude e com a pressão atmosférica. Quanto mais próximo da linha lação com a latitude e com a pressão atmosférica. 
Quanto mais próximo da linha do equador, menor a pressão atmosférica. No entanto, a pressão aumenta confor me a proximidade com os polos. O ar sempre se desloca das áreas de alta pressão para as áreas de baixa pressão atmosférica. Nas áreas de baixa pressão, geralmente com temperaturas mais elevadas, ocorre maior evaporação de água dos oceanos. 
Por estar mais quente, o ar com umida de se eleva, indo para mais longe da superfície terrestre, alcançando maior altitude e formando nuvens de chuva. Nas áreas de alta pressão, geralmente mais frias, o ar, também frio e com baixa umidade, desce em direção à superfície terrestre, tor nando o ar mais seco. 
No Brasil, pela posição próxima à linha do equador, em áreas de baixa pressão, atua a Zona de convergência intertropical, uma imensa faixa em que convergem ventos úmidos dos hemisférios norte e sul. Além dela, incide sobre o Brasil a Zona de convergência do Atlântico Sul, que contribui para a formação de massas úmidas de ar no país, que se deslocam da Amazônia em direção ao Atlântico. Como resultado de todo esse processo de circulação do ar e de convergência de massas úmidas, atuam cinco grandes massas de ar:

• Massa Equatorial Continental (mEc). 
• Massa Equatorial Atlântica (mEa). 
• Massa Tropical Atlântica (mTa). 
• Massa Tropical Continental (mTc). 
• Massa Polar Atlântica (mPa).

Geralmente, as massas de ar continentais são secas. Esse é o caso da mTc no Brasil, que é quente e seca. A influência da Floresta Amazônica é tão grande no clima que, apesar de a mEc originar-se relativamente longe do oceano, recebe uma imensa quantidade de umidade da floresta e carrega essa umidade em direção às regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte do país. Dessa forma, contribui com o regime de chuvas dessas regiões e a manutenção do volume de água de muitas bacias hidrográficas.
As massas de ar atlânticas, tanto a mEa  quanto a mTa, são quentes e úmidas, favorecendo o aumento de umidade em toda a porção leste do território, sobretudo nas áreas litorâneas.
Por fim, também atua em nosso país a mPa, que se desloca da porção sul do continente em direção à região Sul e à costa litorânea brasileiras. Ela ganha umidade, mas ainda assim permanece como uma massa de ar frio, provocando quedas bruscas de temperatura por onde circula.


A paisagem natural brasileira

O território brasileiro apresenta grande diversidade paisagística, resultado da dinâmica entre clima, relevo, hidrografia, vegetação e outros componentes da paisagem. Essa diversidade também influencia a ocupação humana e o modo de vida das populações, com possibilidades diferenciadas de aproveitamento das condições naturais. 

1- As coberturas vegetais

As coberturas vegetais existentes no Brasil fazem parte dos biomas Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.

Amazônia

Esse bioma corresponde a 49% do território brasileiro. A pai sagem é dominada pela Floresta Amazônica, que apresenta enorme biodiversidade (figura 23). A Amazônia é um dos biomas mais preservados do país, mas vem sofrendo grande pressão ambiental, sobretudo das empresas agropecuárias e madeireiras. Visando fiscalizar e evitar os desmatamentos ilegais, o Instituto Nacional de Pes quisas Espaciais (INPE), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), monitora a floresta com o auxílio de satéli tes. Ainda assim, entre agosto de 2016 e julho de 2017, foram desmatados 6.624 km² da Amazônia.

Pampa 

Também conhecido como campos sulinos, esse bioma corresponde a apro ximadamente 2% do território brasileiro. Ele se constitui de vastas extensões de campos limpos, de solo coberto por gramíneas e arbustos de pequeno porte. Quase 60% da sua área já está desmatada, segundo o MMA. No litoral, o Banhado do Taim e as lagoas costeiras (como a Lagoa dos Patos) formam ambientes salobros únicos no Brasil. Esses banhados de lagoas abrigam espécies endêmicas e populações expressivas de aves aquáticas.

Cerrado 

É o segundo maior bioma brasileiro, ocupando cerca de 24% do território nacional. Sua vegetação se caracteriza pelo predomínio de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com casca grossa (figura 25). Trata-se da Savana mais rica do mundo em biodiver sidade. Apesar disso, dados do MMA apontam que, nos últimos 50 anos, o Cerrado perdeu quase metade da sua área original.

Caatinga 

É um bioma exclusivo do Brasil, ocupando 11% de seu território. Quanto à vegetação, suas plantas são xerófitas, isto é, adaptadas ao clima Semiárido e à pouca quantidade de água (figura 26). Dados atuais do MMA apontam que 46% desse bioma já foi devastado.

Mata Atlântica 

Esse bioma, que ocupava 13% do território brasileiro, foi drasticamente devastado desde o início da colonização. Da dos do Inpe e da Fundação SOS Mata Atlântica, divulgados em 2017, indicam que, entre 2015 e 2016, foram desmatados 291 km² de florestas (o maior desmatamento em 10 anos). Hoje restam apenas cerca de 8,5% de vegetação nativa com áreas superiores a 100 hectares (figura 27). Como o Cerrado, essa mata é considerada um hotspot, isto é, uma das mais de trinta áreas do planeta Terra que necessitam de ações preservacionistas mais urgentes. Nas faixas litorâneas do bioma Mata Atlântica há as coberturas de zona costeira, como as restingas e os mangues. Cerca de 70% da população brasileira se concentra em cidades distantes até 200 km do litoral e disputa espaço com esse bioma.

Pantanal 

Esse bioma cobre aproximadamente 1,8% do território brasileiro. Ele se constitui na maior área alagada de água doce do mundo e, segundo o MMA, mais de 15% da sua área encontra-se desmatada.

2- Os climas 

Ao estudar o clima, percebemos que seus principais elementos – a temperatura, a radiação solar, a umidade, a precipitação e a pressão atmosférica – variam ao longo do ano e são influenciados por diferentes fatores locais, como a latitude, a posição em relação ao mar, as correntes oceânicas, a altitude e o relevo.

A maior parte do território brasileiro está situada na Zona intertropical do planeta. Nessa faixa, a radiação solar que recebe ao longo do ano tende a apresentar médias de temperatura mais altas (sobretudo na faixa próxima à linha do equador), baixa amplitude térmica e umidade mais elevada.

A maior parte do território brasileiro está situada na Zona intertropical do planeta. Nessa faixa, a radiação solar que recebe ao longo do ano tende a apresentar médias de temperatura mais altas (sobretudo na faixa próxima à linha do equador), baixa amplitude térmica e umidade mais elevada.

Por ter a maior porção de seu território situada na zona intertropical, a mais quente da Terra, o Brasil apresenta climas predominantemente quentes (Equatorial e Tropical), que se caracterizam por temperaturas elevadas, praticamente o ano inteiro. Em geral, nas áreas de clima Equatorial, o índice de pluviosidade (chuvas) é alto e, nas áreas de clima Tropical, as chuvas ocorrem em maior quantidade em determinado período do ano.

Existem regiões, como o Sertão nordestino, porém, que apresentam tempe raturas elevadas e chuvas escassas, decorrentes principalmente da dinâmica das massas de ar que atuam no litoral dessa parte do país. Na maior parte do território brasileiro não há estação fria. 
Nessas áreas, o ano costuma ser subdividido em apenas dois períodos: o das secas (estio), que normalmente corresponde ao inverno, e o das chuvas, que quase sempre cor responde ao verão. No entanto, no litoral do Nordeste, as chuvas aumentam nos meses de outono e inverno, sendo a primavera e o verão estações com menor quantidade de chuvas, comparativamente às demais. 
Apenas em uma pequena porção do território, ao sul do trópico de Capricórnio, ocorre o clima Subtropical, que determina baixas temperaturas durante o in verno. Nessa região, as chuvas estão distribuídas regularmente ao longo do ano.

3- A biodiversidade brasileira 

Os pesquisadores, ainda hoje, não têm uma ideia precisa de quantas espé cies de seres vivos existem no planeta. Estima-se que existam entre 10 e 50 mi lhões de espécies vegetais e animais. Há hipóteses de que o território brasileiro abrigue entre 10% e 20% de todas as espécies de seres vivos existentes no planeta (figuras 30 a 33). Por isso, o Brasil é considerado um país com megadiversidade. 
Juntos, os chamados países megadiversos concentram 70% da diversidade biológica mundial. Entre eles estão: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Vene zuela, Costa Rica, México, Índia, Madagáscar e África do Sul. A maior parte desses países situa-se particularmente na América do Sul. Os países megadiversos sul--americanos têm trechos de seus territórios abrangidos pelo bioma amazônico, um dos mais ricos em biodiversidade de toda a Terra. 
A Mata Atlântica, devido à sua distribuição azonal associada a variadas for mas de relevo, também está entre as mais biodiversas do mundo. Estudos mos tram que a maior biodiversidade já encontrada no planeta concentra-se em um fragmento no sul da Bahia. A manutenção da megadiversidade depende da proteção de áreas naturais. Para isso, é necessário colher informações sobre como e o que conservar com mais prioridade, definir planos de ação e obter financiamento para os projetos. 
Nas últimas décadas, várias iniciativas levaram à identificação de prioridades mundiais para a conservação, considerando índices de diversidade biológica, grau de ameaça, entre outros critérios. No entanto, a concretização de ações para a manutenção da biodiversidade enfrenta outras barreiras, como a pressão de grupos econômicos que querem ex pandir seus negócios (cultivos, indústrias, estradas, etc.) sem preocupação com o meio ambiente.

4- O relevo do território brasileiro 

Desde o início de sua formação, há milhões de anos, a superfície terrestre vem sofrendo constantes transformações em virtude da ação de forças internas, como o tectonismo e o vulcanismo, e de forças externas, como a ação dos ventos, da água e dos seres humanos. O relevo terrestre é o resultado da combinação da atuação dessas diferentes forças. 
A estrutura geológica do território brasileiro formou-se há muito tempo — a maior parte há mais de 300 milhões de anos. Em razão disso, não existem no Brasil dobramentos recentes, formados há aproximadamente 70 milhões de anos, como os Andes e o Himalaia. 
Por causa da antiguidade da sua estrutura geológica, o relevo brasileiro apre senta-se bastante desgastado pelos agentes de erosão e é caracterizado por al titudes relativamente baixas. A quase totalidade do território apresenta altitudes inferiores a mil metros; apenas 3% estão acima de 900 metros.

Classificações do relevo brasileiro 

O Projeto RadamBrasil, desenvolvido entre 1970 e 1985, mapeou todo o território brasileiro. Esse mapeamento foi feito com imagens de radares instalados em aviões e dados de levantamentos de campo. Graças a esse projeto e a uma série de estudos, o geógrafo Jurandyr Ross criou uma nova classificação para o relevo brasileiro, que continua sendo a mais utilizada atualmente. 
Existem outras classificações do relevo brasileiro. Duas das mais conhecidas são as dos geógrafos Aroldo de Azevedo, de 1949, e Aziz Ab’Sáber, de 1962.
As extensas áreas planálticas com topografia plana (chapadas) que ocorrem em porções do Centro-Sul e do Nordeste do território brasileiro oferecem boas condições para a atividade agrícola mecaniza da. 
Entretanto, o uso intensivo e frequentemente inadequado de colheitadeiras pesa das, semeadeiras e tratores vem causando danos ao solo, como a compactação e a erosão.

3- Os rios 

O extenso território brasileiro possui um grande potencial para o transporte hidroviário. De acordo com o Ministério dos Transportes, são mais de 40 mil quilômetros de rios que poderiam ser utilizados para o transporte.
No entanto, o volume de cargas transportadas nos rios brasileiros é muito pequeno se comparado ao que é transportado por rodovias. Em outros países, a realidade é outra. Na Holanda, por exemplo, cerca de 75% da carga é transportada por hidrovias. 
Esse quadro está associado não apenas às características naturais desse país, mas também às políticas de implementação estrutural pautadas nes se tipo de transporte. Isso traz inúmeras consequências negativas para o Brasil, visto que o trans porte hidroviário muitas vezes é mais econômico e polui menos que o rodoviário. 
Aproveitar melhor os rios para a circulação de pessoas e, principalmente, de mercadorias, portanto, além de benefícios econômicos, contribuiria para a redução dos danos ambientais relacionados à emissão de poluentes atmosféricos, entre outros. 
As embarcações são capazes de transportar grandes volumes de cargas a longas distâncias, diminuindo a dependência dos caminhões que circulam pelas rodovias do país. 
Os rios brasileiros possuem também grande potencial hidrelétrico. Atualmente, as duas bacias hidrográficas de maior produção de energia no Brasil são a do Paraná e a do São Francisco. 
No entanto, o governo vem investindo na construção de novas hidrelétricas, sobretudo na bacia do Amazonas, cujos rios apresentam grande potencial para fornecimento de energia.

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...