sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Nordeste - ocupação histórica

Desde o início da colonização portuguesa, a região que hoje conhecemos como Nordeste passou por muitas transformações. Foi no litoral dessa região que os portugueses iniciaram seu processo de ocupação, atribuindo-lhe im portância econômica e política.

A produção do açúcar

No século XVI, o cultivo da cana-de-açúcar foi a principal atividade econô mica da região que mais tarde viria a ser chamada de Nordeste. A partir da cana produz-se o açúcar, um produto que na época era muito procurado na Europa e, portanto, de grande valor de exportação. 
Os engenhos de cana-de-açúcar localizavam-se na faixa litorânea, onde as condições naturais eram bastante favoráveis. O clima tropical, quente e úmido, além do solo argiloso e muito fértil, chamado massapê, possibilitou o bom desenvolvimento dessa cultura. 
O problema, porém, era o transporte dessa produção. A distância entre o Brasil e a Europa é grande, e as embarcações da época eram precárias. Para que os gastos com as viagens compensassem, era necessário carregar uma grande quantidade de açúcar por viagem. Por isso, os engenhos eram grandes propriedades monocultoras e utilizavam muitos trabalhadores. 
Essa era a forma de baratear os custos de produção na época. Com o intuito de baratear ainda mais os custos, os colonizadores portugueses adotaram nos engenhos o mesmo sistema de mão de obra que já era utilizado em outras de suas áreas de ocupação, como a ilha da Madeira e o arquipélago dos Açores: a escravidão.
Nas primeiras décadas da colonização, os in dígenas foram escravizados. No entanto, a partir de meados do século XVI os colonizadores portugueses passa ram a praticar cada vez mais o tráfico e a comercialização de africanos. 
Por isso, o trabalho que antes era feito por indígenas nos engenhos de açúcar passou a ser executado por pessoas escravizadas de diversas etnias do con tinente africano. Além de trabalhar nos engenhos, os escravizados tinham a incumbência de levar o açúcar até o porto e carregá-lo nos navios, para ser exportado. 
Como o volume de açúcar produzido era grande e o transporte terrestre era precário, foram construídos vários portos ao longo da costa nordestina (os principais eram os de Recife e de Salvador). Era mais vantajoso construir diversos portos, relativa mente próximos uns dos outros, do que transportar toneladas de açúcar por terra. 
Nas áreas portuárias havia também circulação de outros produtos, além do açúcar. O pau-brasil, o tabaco e o algodão eram produtos de exportação. Além de escoar a produção da colônia, os portos recebiam produtos importados, como tecidos, armas, ferramentas, móveis e muitos outros. Recebiam também imi grantes vindos da Europa (que ainda eram poucos, já que a migração europeia para o Brasil se intensificou somente após 1850, com a Lei Eusébio de Queirós). 

A criação de gado e o cultivo de algodão

Ainda no período colonial, outras duas atividades econômicas tiveram pa pel importante na ocupação das terras que hoje formam a região Nordeste: a pecuária extensiva e o cultivo de algodão. 
No início a pecuária se desenvolveu perto dos engenhos, como atividade complementar, mas ao longo dos séculos XVI e XVII expandiu-se para o interior, em busca de novas pastagens, estimulando a ocupação dessa parte do território. As principais áreas de criação de gado, constituído de bovinos e muares, localizavam-se ao longo do rio São Francisco (que é um rio perene) e de seus principais afluentes, por causa da disponibilidade de água e da vegetação mais abundante para pastagem. Além disso, evitava-se que os animais destruíssem as plantações de cana-de-açúcar, o que ocorrera durante anos, quando o gado era criado no próprio engenho. 
Durante o período colonial, a criação de muares foi muito importante na região onde hoje se localizam a Bahia, o Maranhão e o Piauí. Nesses estados havia grandes fazendas de gado, que abasteciam os engenhos de Pernambu co. Esses animais também eram utilizados para o transporte de carga, como água, alimentos, material de construção, entre outros. Observe no mapa as principais áreas de criação de gado no século XVII.
A pecuária de bovinos e muares promoveu o desenvolvimento de importan tes municípios do Agreste, como Feira de Santana, Caruaru e Campina Grande, além de Oeiras e Teresina, a única capital nordestina localizada no interior do continente. 
Desde a época das feiras de gado e pas sagem de tropeiros, essas cida des do Agreste e do interior do Piauí exercem a função de importantes centros comerciais, e Teresina, por ser a capital desde 1852 (a primeira capital do Piauí foi Oeiras, entre 1750 e 1852), tem grande diversidade de atividades econômicas: comércio, repartições públicas, estabelecimentos de ensino superior, etc.
Entre o Maranhão e o Piauí, além da pecuária, desenvolveu-se o cultivo de algodão. A partir de meados do século XIX, quando ocorreu a Guerra Civil americana (1861-1865), a produção de algodão dos Estados Unidos diminuiu, favorecendo o crescimento da produção brasileira, que passou a abastecer os países da Europa. 
No entanto, com o fim do conflito, o setor algodoeiro no Brasil entrou em deca dência econômica, porque os Estados Unidos voltaram a exportar esse pro duto com preços mais baixos. Algumas marcas do período de maior produção algodoeira no Brasil ficaram registradas na paisagem da região. 
Até agora, estudamos o papel das atividades econômicas no processo de ocupação de parte da região que hoje conhecemos como Nordeste. Entretanto, importantes cidades brasileiras originaram-se de fortes construídos para a defesa do território na época da colonização europeia.
No período colonial, os europeus, principalmente os portugueses, construíram centenas de fortes com o objetivo de impedir que outros povos invadissem o território. Aos poucos, nas regiões onde os fortes estavam instalados, começaram a surgir vilas, que foram se desenvolvendo até se transformarem em cidades. Muitos deles se transformaram em importantes pontos turísticos.



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