sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Sudeste: o meio natural


Aspectos do meio natural


A Região Sudeste é formada por quatro estados, que, juntos, ocupam uma área de aproximadamente 925 mil km2, correspondendo a cerca de 11% do território brasileiro.
Há vários aspectos importantes que nos auxiliam a compreender a formação e a transformação das paisagens do Sudeste. O clima, a vegetação o relevo e a hidrografia dessa região formam um conjunto contrastante e rico. 
Na região Sudeste encontram-se várias planícies, além de formações serranas com relevo acidentado, como as serras do Mar e da Mantiqueira e, mais afastada do litoral, a serra do Espinhaço. 

Relevo e hidrografia


O Sudeste compreende a maior parte do domínio morfoclimático denominado Domínio dos Mares de Morros. Esse domínio está inserido na unidade dos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste. O Sudeste apresenta ainda mais três conjuntos planálticos, duas depressões e a planície litorânea, em terras de várias altitudes. 
O traço marcante do relevo é o conjunto de serras de topos arredondados que formam uma paisagem de mar de morros. É esse o caso das serras do Mar, da Mantiqueira. Outra característica do relevo do Sudeste, prin cipalmente nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, são os pães de açúcar – formações com cumes arredondados e encostas abruptas.
Entre as áreas de maior altitude na região, encontram-se os “mares de morros”, áreas de morros com topos mais arredondados. Esse con junto é denominado pla nalto Atlântico. Nessas áreas a rede hidrográfica possui grande densidade de rios. Na porção mais ocidental da região, no oeste do estado de São Paulo, predominam os planaltos menos acidentados.
A faixa litorânea é ocupada por planícies. No trecho que vai do nordeste do estado de São Paulo ao sul do estado do Rio de Janeiro, a escarpa da serra do Mar fica muito próxima do oceano, determinando uma estreita planície litorânea. Já no sul do estado de São Paulo, na região do Vale do Ribeira, ao norte do li toral do Rio de Janeiro e em todo o litoral do Espírito Santo, a serra do Mar está mais afastada do oceano e a planície costeira tem maior extensão.
As serras do Espinhaço, do Mar, da Mantiqueira e da Canastra (que avança para o interior do território) formam os divisores de águas das grandes bacias hi drográficas da região Sudeste. Repare, no mapa a seguir, que os rios da região hidro gráfica do Paraná dirigem-se ao interior do continente, alimentando o rio Paraná.
Entre as serras da Canastra e do Espinhaço, forma-se a bacia do rio São Fran cisco. Na porção leste da região, encontram-se bacias secundárias, que fazem parte das bacias costeiras, com destaque para as dos rios Paraíba do Sul, Doce e Jequitinhonha. Os rios dessas bacias nascem no planalto e deságuam no oceano.

Clima


A região Sudeste apresenta grande variedade de climas. Um dos fatores que de terminam a variação climática da região é a diferença de altitude.
O clima predominante na Região Sudeste é o tropical, caracterizado por verões quentes e chuvosos e invernos secos com temperaturas mais amenas.
Os tipos de clima do Sudeste são o clima tropical e o clima subtropical. O tropical apresenta-se dividido em subtipos climáticos:

• tropical com verão úmido e inverno seco, que predomina nas por ções norte e leste de Minas Gerais, e oeste do estado de São Paulo;

• tropical de altitude, cuja característica principal são as médias térmicas mensais mais baixas no inverno em virtude do relevo de maior altitude e da penetração da massa de ar Polar atlântica, abrange vasta porção do Sudeste;

• tropical litorâneo úmido, que abrange uma área sujeita aos efeitos da maritimidade e das incursões de massas de ar úmidas prove nientes do Oceano Atlântico. Esse subtipo climático se apresenta úmido o ano todo, com precipitações mais elevadas entre novembro e janeiro. 
Nas áreas de maiores altitudes predomina o clima tropical de altitude, cujas temperaturas médias tendem a ser menores do que nas áreas que se encontram, por exemplo, ao nível do mar, que estão sob o clima litorâneo úmido.
O clima subtropical úmido ocorre na porção do território brasileiro situada ao sul do Trópico de Capricórnio. No Sudeste, ele abrange o sul do estado de São Paulo. O município de São Paulo situa-se sobre o relevo elevado do Sudeste, na área de transição entre o clima tropical de altitude e o clima subtropical úmido. Apresenta 1450 mm anuais de precipitação, com concentração das chuvas entre outubro e março, e média térmica anual em torno de 19 °C. É uma área sujeita à atua ção da massa Polar atlântica, o que explica as médias térmicas mais baixas no inverno.
No interior da Região Sudeste, predomina um clima com baixa umidade em alguns meses do ano. Isso dificulta o desenvolvimento de uma vegetação mais densa, exceto próximo às margens dos rios. Essas áreas, geralmente, estão cobertas por vegetação mais esparsa, como o Cerrado e até mesmo a Caatinga (no norte de Minas Gerais), e apresentam amplos campos de vegetação rasteira, com plantas adapta das ao calor e aos períodos de pouca chuva.
No sul do estado de São Paulo, em razão da presença do clima subtropical, e na região da Serra da Mantiqueira, entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, devido à altitude do relevo, há áreas onde se desenvolve a Mata de Araucárias.

Vegetação


Por causa da variedade de climas, a região apresenta formações vegetais também diversificadas. Na maior parte dela, predominam a Mata Atlântica e o Cerrado, que apresentam características diferentes de acordo com fatores locais. Na região também aparecem pequenas manchas de Campos nas maiores altitudes; em Minas Gerais predomina o Cerrado, e no norte desse estado, área de clima mais seco, aparece a Caatinga. Nas planícies do litoral, desenvolvem-se a Vegetação de Restinga e os Mangues, influenciados sobretudo pelas marés e pelos solos arenosos.
Originalmente, o Sudeste apresentava cinco formações vegetais: a Mata Atlântica e seu prolongamento para o interior, denominada Floresta Tropical ou Mata Tropical, cobrindo vastas extensões dessa região; o Cerrado, dominando a porção central e oeste de Minas Gerais e alguns trechos do estado de São Paulo; a Caatinga, em trechos do norte de Minas Gerais abrangidos pelo clima tropical semiárido; a Mata dos Pinhais, em pequenos trechos do estado de São Paulo; e a Vegetação litorânea, destacando-se nela as existentes nos manguezais e nas restingas. Todas essas formações vegetais foram, em grande parte, destruídas pela ocupação humana. 
O avanço das culturas agrícolas – café, algodão, cana-de-açúcar e outras – e da pecuária, somado à extração madeireira, à fundação de cidades e à construção de estradas, reduziu a pequenas áreas as formações vegetais originais. Quanto aos manguezais e às restingas, a urbanização do litoral, acompanhada pela intensa especula ção imobiliária, destruiu em larga escala esses ecossistemas.

Mata Atlântica ou Mata Tropical 


Em razão do relevo acidentado, os morros e as serras perto do litoral bloqueiam a umidade trazida pelos ventos oceânicos, provocando chu vas constantes nas áreas costeiras e na porção leste da re gião. A umidade característica dessas áreas permite o desenvolvimento de uma floresta tropical densa e diversificada, denominada Mata Atlântica.
Assim como aconteceu na Região Nordeste, com o avanço da cultura da cana-de-açúcar e a multiplicação dos engenhos, a Mata Atlântica foi bastante desmatada também na Região Sudeste, principalmente com a expansão da cafeicultura e das “ferrovias do café”, que usavam a madeira como lenha nas locomotivas e na fabricação de dormentes para fixar os trilhos.
Calcula-se que, quando os portugueses chegaram, em 1500, a cober tura florestal do que hoje é o estado de São Paulo estendia-se por 82% de sua área territorial. Com o passar do tempo, com as intervenções humanas, foi reduzida a 7% de sua área original. 
Em 2020, graças a iniciativas para sua recuperação, chegou a 16,2%. Árvores como peroba, faveiro, canela, angico, jacarandá, cedro, ipê e muitas outras foram intensamente exploradas. Provavelmente muitas espécies de plantas e de animais foram extintas antes mesmo de serem estudadas por especialistas. 
O que sobrou da Mata Atlântica no Sudeste encontra-se geralmente nos trechos de relevo íngreme e de difícil acesso da Serra do Mar e da Mantiqueira e, também, em áreas transformadas em Unidades de Conservação, como é o caso da Estação Ecológica de Jureia-Itatins, no litoral sul do estado de São Paulo, criada em 1986, após um longo processo de mobilização da sociedade civil. Cabe destacar a atuação de organizações não governamentais (ONGs) em prol da Mata Atlântica.

O desmatamento


A vegetação original da região Sudeste, principalmente a Mata Atlântica, tem sofrido com o desmatamento sistemático, no qual a vegetação é substituída pelas construções humanas.
Nos quatro estados da região Sudeste ainda são encontrados remanescen tes de Mata Atlântica, vegetação que foi bastante desmatada ao longo da história em razão da expansão agropecuária e do crescimento urbano-industrial. 
Em toda a faixa litorânea desses estados, principalmente nas encostas da serra do Mar, desde o Vale do Ribeira, litoral sul do estado de São Paulo, até o Espírito Santo, encontramos áreas de Mata Atlântica ainda preservadas, pro tegidas pela criação de Unidades de Conservação. 

Hidrografia 


A Região Sudeste compartilha com as regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste a Região Hidrográfica do Paraná, a Região Hidrográfica do São Francisco, a Região Hidrográfica Atlântico Sudeste (Rio Doce, Rio Paraíba do Sul e Rio Ribeira de Iguape) e a Região Hidrográfica Atlântico Leste (Rio Mucuri e Rio Jequitinhonha).
Em áreas de planalto, por causa dos desníveis dos terrenos e, consequentemente, da maior vazão de água, vários rios do Sudeste apresentam potencial hidrelétrico e são utilizados para a produção de energia. A construção de usinas, em alguns pontos, transformou o curso de alguns rios em represas artificiais, submergindo até mesmo algumas quedas-d’água.
As bacias hidrográficas do Sudeste apresentam grande potencial hidrelétrico. Nelas foram construídas várias usinas hidrelétricas que abastecem de energia elétrica não apenas o Sudeste, mas também as regiões Sul e Centro-Oeste. No Rio Tietê e no Rio Paraná, rios de planalto que formam a Hidrovia Tietê-Paraná, foram construídas eclusas para vencer os desníveis dos cursos fluviais e permitir a navegação. 
O Rio São Francisco tem suas nascentes situadas nas áreas chuvosas das serras ao sul de Minas Gerais e se desloca rumo ao Nordeste do país, atravessando todo o Sertão semiárido antes de desaguar no Oceano Atlântico. Percorrer esse longo trecho, em áreas de chuvas escassas, sem secar, só é possível graças às abundantes chuvas que irrigam suas nascentes.
Vários rios do Sudeste compõem a bacia hidrográfica do Rio Paraná, entre eles o Paraná, o Tietê e o Iguaçu. Alguns são marcos naturais de fronteiras estaduais ou municipais, como o Rio Grande, entre Minas Gerais e São Paulo, e o Paranapanema, que marca a divisa entre o estado de São Paulo e o Paraná. Mas é a geração de energia elétrica e o transporte fluvial que conferem a essa bacia significativa importância econômica e estratégica.
O Rio Paraíba do Sul é conhecido por sua importância histórica. Entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, esse rio cavou um vale, ao longo do tempo, que corre sobre uma depressão situada entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Essa região é conhecida como Vale do Paraíba. Atualmente, o Paraíba é utilizado para o abastecimento de água das indústrias locais, que despejam nele grande parte dos resíduos que produzem.

Hidrovia Tietê-Paraná 


Entre as hidrovias mais importantes do Sudeste destaca-se a Tietê-Paraná. Consiste em um sistema de aproximadamente 2,4 mil quilômetros de vias navegáveis, interligadas ao longo dos rios Tietê, Paraná, Piracicaba, Paranaíba, Paranapanema e Grande. 
Para que diferentes rios sejam interligados em um único sistema hidroviário, a Tietê-Paraná conta com uma complexa infraestrutura de canais, represas, eclusas e terminais portuários intermodais. Esses últimos, por sua vez, proporcionam conexão com rodovias e ferrovias regionais e federais com acesso aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que estão entre os mais importantes do país.
O sistema hidroviário Tietê-Paraná conecta cinco estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, servindo à navegação fluvial de longa distância e ao transporte de cargas e de passageiros no país, com papel fundamental no escoamento da produção agrícola regional. Além das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, essa hidrovia beneficia estados de outras regiões, como Rondônia e Tocantins, e possibilita acesso ao Paraguai, país vizinho e que, assim como o Brasil, integra o Mercosul.

Ocupação da região Sudeste

O início do povoamento 


São Vicente, no litoral do que é hoje o estado de São Paulo, foi o primeiro núcleo de povoamento permanente instalado pelos por tugueses no Brasil Colônia. Foi fundado em 1532, por Martim Afonso de Sousa, comandante da primeira expedição colonizadora enviada por Portugal. 
Foram introduzidas na região a criação de animais, a cultura da cana-de-açúcar, a agricultura de subsistência e a produção de açúcar. Em seguida, os portugueses fundaram outros núcleos de povoamento no litoral do que hoje consideramos a Região Sudeste: Vila Nossa Senho ra da Vitória, em 1535, que deu origem ao município de Vila Velha; Todos-os-Santos, em 1546, que originou o município de Santos; Vila Nova do Espírito Santo, em 1551, que se transformou no município de Vitória; São Sebastião, em 1565, fundado por Estácio de Sá (capitão de uma armada portuguesa), que deu origem ao município do Rio de Janeiro, entre outros núcleos.
Após ultrapassar a barreira da Serra do Mar, o padre Manoel da Nóbrega, superior dos jesuítas no Brasil, acompanhado por José de Anchieta e outros padres, ergueu, em janeiro de 1554, um barra cão para a catequese dos indígenas que recebeu o nome de Colé gio de São Paulo. Localizado no planalto de Piratininga, entre os rios Tamanduateí e Anhan gabaú, afluentes do Rio Tietê, o colégio deu origem à cidade de São Paulo. Assim, o povoamento que antes se restringia ao litoral instalou-se no planalto, permitindo o avanço para o interior do território.

Da Vila de São Paulo para o interior 


Durante os séculos XVI e XVII, a Vila de São Paulo manteve-se pobre e isolada das áreas mais dinâmicas da economia do Brasil Colônia, como o Nordeste açucareiro, que liderava a economia. A Vila de São Paulo tinha poucos habitantes, que se dedicavam principalmente à lavoura de subsistência. 
No entanto, foi nesse período que São Paulo se tornou centro irradiador de bandeiras em direção ao interior com o objetivo de aprisionar indígenas e vendê-los como escravos para as áreas açucareiras do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco. 
Outras bandeiras se organizaram com o objetivo de descobrir ouro e pedras preciosas, o que ocorreu por volta de 1695, nas Minas Gerais.
Devem-se a essas expedições armadas o início do po voamento do interior e o da construção de espaços ge ográficos não só no Sudeste, mas também nas atuais regiões Centro-Oeste e Sul.

O período de ouro


Embora algumas áreas do que viria a ser a região Sudeste tivessem sido ocupadas pelos colonizadores desde o início do século XVI, a primeira atividade econômica que atraiu grande número de pessoas para a região foi a exploração do ouro no fim do século XVII. Além disso, várias expedições, chamadas bandeiras, foram organizadas para percorrer o interior à procura de indígenas e riquezas minerais e também impulsionaram a ocupação.
Com a descoberta de ouro e pedras preciosas nas Minas Gerais, no final do século XVII, ocorreu intensa migração de pessoas do Nordeste, de São Paulo e até mesmo de Portugal para a área da mineração. 
Por causa da atividade mineradora, a região que atualmente pertence ao estado de Minas Gerais tornou-se importante centro econômico e, no início do século XVIII, começaram a se desenvolver várias cidades.
A atividade mineradora nas Minas Gerais deu origem a vilas que se transformaram em cidades. É o caso de São José del Rei, atual Tiradentes; Vila Rica, atual Ouro Preto; Sabará; Ribeirão do Carmo, atual Mariana; Diamantina e outras.
A exploração do ouro em Minas Gerais motivou a transferência da capital do país de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763, onde se localizava o principal porto de escoamento da produção. Desse modo, os governantes poderiam controlar melhor a produção e a circulação do ouro. O maior volume de produção vinha de Minas Gerais, mas o ouro também foi explorado em Goiás e Mato Grosso, onde a mineração estimulou o surgimento de cidades como Vila Boa (GO), Vila Bela e Vila Real (MT).
À população indígena nativa somaram-se milhares de Estrada Real – século XVIII pessoas livres vindas da região que hoje conhecemos como Nordeste e muitas de Portugal. A maioria da população, no entanto, era composta de africanos escravizados e seus descendentes, que trabalhavam nas minas. 
Para abastecer com alimentos e outros produtos a população que chegava à região das minas, novas áreas co meçaram a ser ocupadas para produção agrícola e pecuária, 20º S principalmente no norte do estado de São Paulo, e foram criadas rotas de tropeiros que levavam charque e muares.
No período da mineração de ouro, as cidades ganharam dinamismo, e a forma de povoamento predominante foi urbana, isto é, as atividades das cidades se desenvol veram mais rapidamente que as rurais e  já havia uma rede de comunicação entre elas, através das estradas que ligavam as áreas de mineração em Minas Gerais aos portos do Rio de Janeiro e de Parati.
As cidades brasileiras do período colonial eram muito parecidas com as cidades portuguesas: caracterizavam-se por sobrados residenciais geminados (colados uns aos outros), construídos rente à calçada (sem recuo na frente) e com quintal nos fundos. Havia também algumas peque nas hospedarias, lojas, armazéns, sapatarias e, ocasional mente, joalherias, oficinas de escultura, etc. 
Em cidades como Ouro Preto e Tiradentes muitas construções com estilo colonial permanecem preservadas, não só por cau sa da estagnação econômica do final do período de ex ploração mineral, mas principalmente pelas medidas de proteção que se seguiram aos seus tombamentos. 
Por volta da segunda metade do século XVIII, teve início a decadência da mineração, em virtude, entre outros fatores, do esgotamento dos aluviões auríferos. 
Com isso, a economia mineira regrediu a um nível de autossubsis tência. O espaço geográfico até então aí construído tornou-se uma área de repulsão de população: famílias migraram em busca de solos mais férteis para a prática da agricultura, e muitos se dirigiram para áreas dos atuais estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. 

O período do café


Com o declínio da atividade mineradora, buscou-se um produto que pudesse garantir os ganhos na Colônia. O produto encontrado foi o café, planta de origem africana introduzida no Pará em 1727 pelo sargento-mor Francisco de Melo Palheta, com mudas trazidas  clandestinamente da Guiana Francesa.
A cafeicultura, porém, não trouxe os resultados esperados pelos pro dutores nos primeiros anos. A produção de grãos de café começou a crescer somente a partir de 1816. Pouco tempo depois, em 1822, o Brasil conquistou sua independência política em relação a Portugal. O café tornou-se o principal produto agrícola do país na segunda metade do século XIX. 
Desse modo, as imediações da cidade do Rio de Janeiro tornaram-se o centro irradiador da cafeicultura a partir do final do século XVIII. Daí a cultura do café se expandiu, em períodos diferentes, para o Vale do Paraíba, em direção a São Paulo, para a Zona da Mata Mineira, para terras do Espírito Santo e, bem posteriormente, para o Triângulo Mineiro e ou tras regiões do Brasil, como é o caso do norte do Paraná e de Mato Grosso.
O cultivo de café para exportação foi a atividade econômica que mais se expandiu na atual região Sudeste na segunda metade do século XIX. Das fazendas do Vale do rio Paraíba do Sul, região onde o cultivo teve início, as tropas de mulas transportavam o café até o porto. 
Nos pontos onde os tropeiros paravam para descansar, desenvolveram-se várias cidades: Taubaté, Pindamo nhangaba e Resende são algumas delas. Os tropeiros desciam a serra do Mar para levar o café até pequenos portos no litoral, para que fosse transportado para os portos do Rio de Janeiro e de Santos, de onde seguia para o exterior. 
A expansão da cafeicultura do Rio de Janeiro em direção a São Paulo recuperou a economia do Vale do Paraíba, que atingira certo crescimento na fase áurea da mineração das Minas Gerais. Com a cafeicultura se deram, então, a reorganização e a reconstrução do espaço geográfico do Vale do Paraíba.
Esse movimento contribuiu para o desenvolvimento de algumas cidades portuárias do litoral, como São Sebastião, Ubatuba e Parati, que já havia sido um importante porto de escoamento da produção mineradora no século XVIII. 
Muitas vilas e cidades até então decadentes voltaram a crescer. É o caso de Vassouras e Valença, no Rio de Janeiro, e Bananal, Areias, Lorena, Guaratinguetá e Taubaté, em São Paulo – cidades que, como outras da região, continuaram a ser, até 1880, grandes produtoras de café. 
Nessa época, ainda se utilizava mão de obra escrava nas lavouras. No século XIX, os cafezais se estenderam para o interior de São Paulo e, no século XX, alcançaram as terras do Oeste paulista e norte do Paraná, colocan do o Brasil no posto de maior produtor e exportador mundial de café, posição que ocupa até hoje. 
Essa interiorização da produção de café só foi possível com a construção das ferrovias. Embora o solo de boa parte do Oeste paulista seja muito fértil graças à terra roxa, seria inviável plantar café a mais de 400 quilômetros do porto de Santos e transportá-lo no lombo de animais. As ferrovias que ligam o porto de Santos ao interior chegaram a Jundiaí em 1867, a Campinas em 1872 e a São Carlos em 1884.
No Vale do Paraíba, os cafeicultores utilizaram muita mão de obra escrava. No entanto, na segunda metade do século XIX, ao mesmo tempo que o café se tornava o principal produto da economia brasileira e sua área cultivada se expandia aceleradamente, a Lei Eusébio de Queirós (1850) punha fim ao tráfico de escravos e a Lei Áurea (1888) abolia oficialmente a escravidão no país. 
Assim, a partir de 1850 o Brasil incentivou a vinda de imigrantes (principal mente italianos, mas também espanhóis e, mais tarde, japoneses) para suprir a demanda de mão de obra nos cafezais do interior paulista.
No fim do século XIX e início do século XX, a cidade de São Paulo tornou-se o centro de comercialização da produção cafeeira, local de residência de vários “barões do café”, sede de bancos, empresas de importação e exporta ção e diversos outros serviços.
Com o fim da escravidão, recursos econômicos passaram a ser investidos em outras atividades, como a modernização dos portos, a instalação de ferro vias para facilitar o escoamento do café e a aquisição de máquinas para as indústrias – cujo maior impulso ao crescimento ocorreu nas primeiras décadas do século XX –, além de promover a diversificação do comércio e dos serviços nas cidades, sobretudo em São Paulo.
Nas áreas da região Sudeste onde predominou a utilização de mão de obra assalariada de europeus, principalmente italianos, seus descendentes compõem grande parcela da população. Devido às más condições de trabalho a que eram submetidos em muitas das fazendas, muitos imigrantes passaram a viver nas áreas urbanas, trabalhando como operários nas indústrias que surgiam, como comerciantes ou prestando algum serviço, já que muitos exerciam alguma profissão no país de origem. 
Há também importantes núcleos de descendentes de japoneses no estado de São Paulo, em municípios como Aliança, Bastos e Iguape, que começaram como colônias de pequenos produtores rurais. 
Por outro lado, o avanço da cafeicultura provocou imensos desmatamentos na Mata Atlântica que cobria o Vale do Paraíba. Era praticada a agricultura itinerante, que, no caso da cafeicultura, se caracterizou pela derrubada da mata, seguida de queimada dos restos da vegetação, limpeza da área e cultivo das mudas. 
Quando o solo não oferecia mais a produtividade esperada, em virtude de seu esgotamento ou empobrecimento, a área era abandonada e uma nova área era desmatada, repetindo-se o processo.
Assim, a cafeicultura deixou atrás de si destruição ecológica, além de provocar a decadência de muitas cidades, o que levou o escritor Monteiro Lobato a chamá-las de “cidades mortas”. Estas somente se recuperariam por volta de 1940.

Principais características da rede de cidades


A rede de cidades da região Sudeste, que é a mais densa e articulada do país, não é uniforme. Há uma concentração de cidades no sudeste de São Paulo, sudoeste do Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais, onde as atividades industriais e agroindustriais são mais dinâmicas. 
Essa concentração tem origem na história de ocupação da região e, entre outras atividades, está relacionada à instalação de fábricas e de unidades agroindustriais e ao desenvolvimento das atividades terciárias, que atraíram muitos trabalhadores e promoveram grande crescimento das cidades nessas áreas. Já no norte de Minas Gerais, por exemplo, onde a agropecuária é a principal atividade econômica, a rede de cidades é mais esparsa.
A expansão das duas maiores cidades da região Sudeste originou as duas maiores regiões metropolitanas do país: a região metropolitana de São Paulo, criada em 1973, e a região metropolitana do Rio de Janeiro, criada em 1974, após a fusão do estado da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro.
A distribuição populacional é ainda menos uniforme que a distribuição das cidades pelos territórios dos estados da região. Mas, embora as regiões metropoli tanas do Sudeste concentrem grande parte da população e apresentem as maio res densidades demográficas, como podemos observar no mapa a seguir, há importantes cidades de médio e grande porte espalhadas por todo o seu território.



Nordeste - atividades econômicas

A região Nordeste dominou a economia brasileira durante o período colonial com a produção de açúcar. Depois, enfrentou um período de menor prosperidade, mas nos últimos anos reagiu com novas atividades econômicas em diversos es tados, como no Ceará, em Pernambuco e na Bahia. 
Historicamente, a economia da região Nordeste esteve baseada principal mente na produção do açúcar, no cultivo do cacau e na pecuária. Há algumas dé cadas, teve início o desenvolvimento de lavouras de fruticultura para exportação na área do Vale do São Francisco, nos estados da Bahia e de Pernambuco — principalmente nos municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) — e também no Vale do Açu (RN), na sub-região do Sertão.
O Sertão semiárido também é visto como espaço favorável a atividades econômicas, como caprinocultura (criação de cabras), apicultura (criação de abelhas), ecoturismo, extrativismo mineral e muitas outras. No litoral, desenvol veram-se a carcinicultura (criação comercial de crustáceos, como o camarão) e, principalmente, o turismo. Muitos trechos de Cerrado, especialmente no Mara nhão, no Piauí e na Bahia, vêm sendo aproveitados para o cultivo de grãos, como arroz, milho e soja.
O petróleo é explorado no litoral e na plataforma continental. O setor de turismo, que tem demonstrado grande potencialidade de desenvolvimento na região, cresceu consideravelmente nas últimas décadas e apresenta perspecti vas promissoras para o futuro. Porém, todas essas atividades podem trazer perdas enormes ao meio ambiente se forem desenvolvidas sem planejamento e de modo não sustentável, a exemplo da destruição ambiental provocada pelas atividades de criação de gado e do cultivo da cana-de-açúcar, que promoveram intenso desmatamen to da vegetação natural (Mata Atlântica e Caatinga).
Os polos industriais, localizados próximo a grandes cidades, têm gerado poluição do ar, dos rios e mares. A expansão urbana e a ocupação do litoral por empreendimentos turísticos e pela carcinicultura também prejudicam as áreas de vegetação nati va e de manguezais.
Com o processo de integração econômica do território brasileiro, especial mente a partir dos anos 1940-1950, o Nordeste, ao integrar-se ao mercado inter no, passou a ser comprador de grandes quantidades de produtos industrializados do Centro-Sul. Ao mesmo tempo, forneceu alguns tipos de matérias-primas e, sobretudo, mão de obra barata. Até mesmo a instalação de indústrias no Nordeste, a partir da década de 1960, dependeu da participação intensiva de capitais de empresários do Centro-Sul.
O baixo nível de desenvolvimento social e econômico da região Nordeste, ca racterizado, entre outros aspectos, pela menor oferta de empregos e pelos baixos salários, acabou contribuindo para a expulsão da mão de obra: cerca de 15 mi lhões de nordestinos migraram para o Centro-Sul e para a Amazônia entre 1940 e 1995. Atualmente, porém, apesar de muitos nordestinos ainda deixarem sua região, a migração de retorno vem aumentando cada vez mais. Os trabalhadores que deixaram o Nordeste tiveram importante contribuição no crescimento de algumas áreas do Centro-Sul, particularmente o Distrito Federal e posteriormente São Paulo e Rio de Janeiro
A partir da segunda metade da década de 1970, o número de empresas que se instalaram na região Nordeste aumentou significativamente. E, nas últimas décadas, a economia da região vem passando por um processo acelerado de crescimento e diversificação, com forte tendência à especialização produtiva em suas sub-regiões (processo interrompido durante a recessão que ocorreu entre 2014 e 2017). 
Há investimentos em indústrias, portos, aeroportos, agricultura, turismo e em várias atividades terciárias, com destaque para escolas básicas e faculdades. Além dos incentivos fiscais, alguns fatores contribuí ram para isso, como:
- o aumento na produção de energia;
- a modernização do sistema de transportes;
- a média de salários mais baixa que nas regiões de industrialização mais antiga.

Economia nordestina no século XX 


Durante muito tempo a economia brasileira estava organizada em “ilhas”, isto é, não havia uma ligação entre as diferentes regiões do país. Cada região produzia para suas próprias necessidades. A partir da década de 1930, isso passou a mudar, tendo novo impulso na década de 1950, quando ações governamentais levaram ao início da integração econômica brasileira. 
Na região Nordeste, durante muito tempo, houve uma importante atividade econômica voltada para a produção de açúcar e de algodão. Como ocorreu em outras partes do Brasil, o modelo de plantation, aplicado na época colonial, gerou uma concentração fundiária que deixou muitos trabalhadores sem acesso à terra, ou com dificuldades para produzir no campo. 
Esses trabalhadores começaram a se organizar para mudar esse quadro, dando início à luta pela reforma agrária, ou seja, por uma distribuição de terras mais democrática e menos concentrada, des tinada para quem nela trabalha. Com a integração econômica nacional, o Nordeste transformou-se em uma região de economia estagnada e com fortes fluxos migratórios. 
A competição com os estados do Sudeste e do Sul agravou as precárias condições de vida dos traba lhadores da indústria agroaçucareira e da indústria têxtil. Como resultado, a Ama zônia e os estados do Sudeste receberam muitos migrantes nordestinos nas dé cadas de 1950 a 1980, principalmente.
Desde a década de 1990, o Nordeste também tem participado da moderniza ção da economia brasileira. Uma série de mudanças levou a uma melhoria da atividade econômica e aumentou a riqueza regional, mas não melhorou muito sua distribuição. Por isso, os indicadores sociais do Nordeste ainda são os mais baixos do país, o que leva muitos estudiosos a afirmar que o que ocorreu foi uma mo dernização conservadora. 
O Vale do São Francisco, com a agricultura irrigada – especialmente o polo produtor localizado entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco –, tem se especializado na produção de frutas tropicais para exportação. Além disso, a agricultura mecanizada expandiu-se e diversificou-se. O município de Barreiras, na Bahia, integra hoje a área produtora de soja, sob forte influência do mercado exportador 

A indústria


Até meados do século XX, a porção Centro-Sul concentrava a grande maioria das indústrias existentes no Brasil. Essa predominância seguiu sem grandes mudanças até a década de 1970. A partir de então, a Região Nordeste passou a apresentar alguns avanços no setor industrial, porém nada muito significativo.
Diante das desigualdade entre as diferentes regiões brasileiras, muitos nordestinos migraram para a Região Sudeste em bus ca de trabalho, sobretudo no setor industrial, entre as décadas de 1950 e 1990.
Porém, nas últimas décadas, as atividades industriais desenvolvidas na Região Nordeste têm se diversificado, já que importantes tipos de indústrias, antes restritas às regiões Sudeste e Sul, passaram a exercer suas atividades em estados nordestinos. Isso ocorreu devido a uma série de investimentos governamentais em infraestrutura, tais como instalação de usinas hidrelétricas, construção ou modernização de portos marítimos, construção e ampliação de rodovias, além da concessão de incentivos fiscais para as empresas, como baixos impostos.
A Zona da Mata é a região onde está localizada grande parte das indústrias da Região Nordeste, por exemplo, o Distrito Industrial de Ilhéus, na Bahia, e o Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco. Além da presença de um importante mercado consumidor, essa sub-região conta com uma rede de transporte composta por rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Entre as principais empresas que se instalaram no Nordeste estão as do ramo de autopeças, softwares, componentes químicos, automóveis, tecidos e calçados. A partir de 2010, a Petrobras anunciou uma série de descobertas de petróleo em diversos pontos do litoral nordestino e essa também tem sido um atrativo para diversas empresas do setor ao Nordeste.
As três maiores Regiões Metropolitanas do Nordeste – Fortaleza, Salvador e Recife – são também os grandes centros industriais da região. A geração de riqueza dos polos industriais da Bahia, de Pernambuco e do Ceará e os serviços comerciais gerados indiretamente por eles contribuem para que esses estados tenham os maiores PIBs da região.
Importantes áreas industrializadas também movimentam a economia da região Nordeste. 
Na Bahia, indústrias mecânicas, químicas, automotivas e de celulose foram implantadas nas proximidades de Salvador, no Polo Industrial de Camaçari, trans formando o Recôncavo Baiano em uma das áreas mais importantes do país. 
O Centro Industrial de Aratu, próximo a Salvador, também aloja muitas indústrias e serviços, assim como o município de Feira de Santana, cuja posição geográfica o torna atrativo para as indústrias. 
A intensificação do desenvolvimento industrial do Ceará a partir dos anos 1990 vem alterando o cenário do estado. O destaque fica para Horizonte, município na Grande Fortaleza que conta com uma montadora de automóveis e indústrias do setor têxtil e alimentício. Outra concentração industrial está em Sobral e Crato, que se especializaram na produção de calçados. O Complexo Industrial Portuário de Pecém, ainda em fase de implantação, vem atraindo muitas indústrias, entre as mais importantes, uma petroquímica e uma siderúrgica.
Nos anos 2000, Pernambuco passou a ter uma das economias que mais crescem no Brasil, estimulada por novos investimentos. O Complexo Industrial Portuário de Suape, que fica há 40 quilômetros do Recife, recebeu uma refinaria de petróleo e uma grande empresa petroquímica. Além disso, desde 2015 opera no município de Goiana, no estado de Pernambuco, mais uma montadora de automóveis que produz cerca de 100 mil carros por ano, parte dos quais destinados à exportação
Em conjunto com essa fábrica atuam cerca de 16 empresas, que empregam, no total, cerca de 8 500 trabalhadores. Também merece destaque o Porto Digital, uma inicia tiva do Governo Estadual que criou as condições para que empresas do setor tecnológico se instalassem na capital do estado. 

Atraindo indústrias para o Nordeste 


Muitas empresas têm se instalado na Região Nordeste atraídas pelos incentivos fiscais concedidos pelos estados ou municípios e pelo menor custo da mão de obra, se compararmos com os salários pagos nas áreas mais industrializadas de outras regiões do país, como a Sudeste. 
Desde os anos 1990, o baixo custo da mão de obra nordestina vem atraindo empresários do Centro-Sul e do exterior. Os incentivos dos governos estaduais (redução ou isenção de impostos), conhecidos como guerra fiscal, também têm estimulado a instalação de indústrias no Nordeste. 
Entre essas empresas estão as que atuam em setores mais tradicionais, como o alimentício e o de vestuário (têxtil e calçados), e também as mais avançadas tecnologicamente, como as de informática, petroquímica e automobilística. 
Também estão presentes na Região Nordeste indústrias extrativas minerais e de recursos energéticos fósseis, voltadas, sobretudo, para a exploração de chumbo, cobre, cloreto de sódio e petróleo.
Esses fatores contribuíram, por exemplo, para a instalação de unidades produtivas de calçados no sudeste baiano e no interior do Ceará; de equipamentos de informática e eletroeletrônicos em Ilhéus, no litoral da Bahia; e de outros setores, como o alimentício, de higiene e limpeza, de telemarketing, confecções, medica mentos e automóveis, inclusive nas regiões metropolitanas.
Também o setor de tecnologia da informação (TI) tem recebido empresas de desenvolvimento de software, equipamentos e acessórios. Em Pernambuco, por exemplo, ao lado de uma centena de pequenas e médias empresas do setor, o Porto Digital abriga multinacionais. No mesmo estado, em Suape, en contra-se um dos maiores polos tecnológicos do Brasil.
No polo industrial de Camaçari, foi inaugurada em 2001 a primeira indústria automobilística (multinacional estadunidense). Atualmente, esse polo é responsável por mais de 30% das exportações da Bahia. Destacam-se nele, além da indústria automobilística, as indústrias química e petroquímica, de metalurgia (cobre), bebidas, celulose e fertilizantes, entre outras.
Atualmente, a região nordestina possui o terceiro maior parque industrial do Brasil. Essa posição decorre de uma série de fatores, como os incentivos fiscais oferecidos pelos governos estaduais e municipais e a disponibilidade de mão de obra barata, ou seja, com baixos salários.
O processo de diversificação industrial no Nordeste está transformando sua economia, pois, além de mudar a organização espacial interna regional instalando, por exemplo, novas fábricas em áreas antes ocupadas por atividades, como agricultura e pecuária, vem gerando mais riquezas para a região.
Os governos estaduais da Região Nordeste têm busca do consolidar a formação de polos produtivos especializados. Eles compreendem áreas de grande dinamismo econômico que contribuíram para impulsionar o crescimento regional. 

AS PRODUÇÕES MINERAL E INDUSTRIAL


O Nordeste apresenta diversas reservas minerais de urânio, amianto, titânio, fosfato, calcário, diamante, ouro, entre outras. As atividades de garimpo e mineração se destacam, entretanto, são superadas pela extração de petróleo e gás natural. Além da produção de combustíveis e gás de cozinha, o gás natural é utilizado na fabricação de fertilizantes.

A produção de petróleo no Nordeste  


No Nordeste, a produção de petróleo destaca-se nas áreas da Bacia Potiguar (RN), da Bacia de Alagoas (AL), da Bacia do Recôncavo (BA) e da Bacia do Sergipe (SE). Desde 2013, com a descoberta do pré-sal, houve crescimento na atividade exploratória.
A maior parte das bacias está localizada em campos maduros, ou seja, onde a exploração ocorre há mais de 25 anos. Também existem pesquisas que visam comprovar a existência de reservas de petróleo com grande potencial.
O desta que da produção petrolífera brasileira é a Bacia de Campos e Santos, situada na plata forma marítima entre os estados do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, ainda que Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Maranhão, Alagoas e Ceará tenham menor participação na produção nacional de petróleo, é importante destacar os investimentos realizados no setor, a exten são do litoral e a infraestrutura existente na região nordestina, como o Polo Petroquímico de Camaçari (BA).

Agropecuária na Região Nordeste


A agropecuária emprega numerosa mão de obra na Região Nordeste e é desenvolvida em todas as sub-regiões nordestinas. Na Zona da Mata prevalecem as culturas de frutas tropicais, como o caju, a manga e o mamão e, principalmente, as lavouras monocultoras de cana-de-açúcar, cacau e fumo. 
Esses gêneros agrícolas desempenham um importante papel na economia regional, pois, além de empregar um grande número de trabalhadores, fornece produtos para a exportação e também matéria-prima para a atividade industrial nacional. No Agreste, predominam pequenas e médias propriedades rurais onde é desenvolvida a policultura. 
Em geral, essas propriedades localizadas nas porções mais úmidas da sub-região dedicam-se aos cultivos de mandioca, feijão, milho e também à fruticultura. Atualmente, o Agreste tornou-se um dos mais importantes centros de abastecimento alimentício regional.
Grande parte da atividade agrícola no Sertão ainda é realizada com o emprego de técnicas tradicionais de cultivo, sobretudo nos brejos, áreas que apresentam umidade e solos férteis, o que favorece o desenvolvimento de diferentes tipos de culturas, principalmente de milho, feijão e arroz. 
No Sertão, os brejos estão localizados, principalmente, nas encostas das serras e vales fluviais. Além das lavouras desenvolvidas nos brejos, no entanto, o Sertão nordestino vem se destacando pela expansão de polos agrícolas em algumas áreas do semiárido, o que é possível graças aos sistemas de irrigação. 
Nas últimas décadas, a atividade agrícola desenvolvida na sub-região Meio-Norte também vem passando por mudanças significativas, proporcionadas, sobretudo, pela inserção de técnicas modernas de cultivo agrícola. 
Além dos sistemas de irrigação, entre os recursos utilizados estão adubos e fertilizantes, sementes selecionadas e maquinários agrícolas modernos. No oeste do estado da Bahia e no sul dos estados do Piauí e do Maranhão, por exemplo, a intensa utilização de implementos agrícolas está favorecendo o cultivo de grãos, em especial a soja.

Grande parte da pecuária desenvolvida na Região Nordeste é realizada de ma neira extensiva, com o gado criado solto e a alimentação baseada, principalmente, em pastagens. 
No Agreste, a criação bovina está voltada, em grande parte, para o fornecimento de leite e derivados. No Sertão, a criação de gado é a principal atividade econômica. O rebanho pode ser encontrado tanto nos latifúndios, na forma extensiva, quanto em pequenas propriedades familiares. 
Já no Meio-Norte, as áreas situadas nas porções mais secas destinam-se, sobretudo, à pecuária leiteira e à avicultura. A pecuária caprina e ovina também é praticada na Região Nordeste desde a colonização. 
Esse fato se deve, principal mente, à fácil adaptação desses animais ao clima quente e à vegetação da Caatinga existente na região. 

A MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA 


A agricultura no Nordeste é caracterizada pelo cultivo de soja, cana-de-açúcar, grãos, raízes, leguminosas e frutas, além das pecuárias caprina, ovina e bovina.
Nas últimas décadas, a agricultura nordestina tem passado por modificações significativas, seja nos setores mais tradicionais, como o canavieiro, seja na criação de novas culturas, como é o caso da produção irrigada de frutas do Sertão ou dos arranjos produ tivos modernos. 
Como consequência da modernização e da especialização de práticas agropecuárias, cuja produção se destina ao mercado externo, houve um crescimento do uso de novas técnicas de correção e fertilização de solos e a implantação de projetos de irrigação e seleção de sementes e espécies. 
A modificação da estrutura produtiva agropecuária nordestina tem submetido os agricultores a novas pressões:
• cenários internacionais de competição e de protecionismo, que dificultam a exportação; 
• mudança das estruturas de propriedade da terra;
• necessidade cada vez maior de mecanização agrícola e acesso à tecnologia;
• formação do chamado agronegócio, que é a fusão da agricultura com processos industriais, por exemplo: integrar o plantio de cana-de-açúcar à produção de açúcar e álcool.

Com a mecanização e o uso intensivo de recursos biotecnológicos e da atividade agroindustrial, a produção agrícola no Nordeste vem apresentando diversidade de uso de tecnologia e ciência, conforme as características físico-naturais das sub-regiões (Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata). 
Nessas áreas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve estudos especializados em genética, microbiologia, engenharia de produção e de alimen tos, nutrição animal, técnicas de reprodução etc. As instalações da Embrapa estão divididas por sub-região ou tipos de atividades.

A agricultura no Sertão


O Sertão seco

Nas áreas do Sertão nordestino onde a reduzida disponibilidade de água dificulta o cultivo durante vários meses do ano, muitas famílias que vivem em pequenas propriedades e que não são beneficiadas pela presença de um rio perene, açude ou construção de cisterna só conseguem cultivar a terra durante o período das chuvas, que dura poucos meses. 
No restante do ano, muitos trabalhadores migram sazonalmente para a Zona da Mata, para trabalhar no corte da cana, por exemplo. A região Nordeste é a que possui a menor disponibilidade de água, exceto em algumas áreas do litoral.

O Sertão irrigado

A técnica de irrigação tem se mostrado uma eficiente alternativa adotada no Nordeste para combater a seca e desenvolver a agricultura. Os investimentos realizados em projetos voltados para a irrigação vêm desenvolvendo no Sertão nordestino modernos polos agrícolas, em especial de produção de frutas. 
Atualmente, a região nordestina é a primeira produtora nacional das principais frutas frescas. Em áreas onde a técnica de irrigação é utilizada, a produtividade é em média três vezes maior que em áreas sem irrigação. Entre as áreas de destaque na produção de frutas irrigadas estão a região de Petrolina-Juazeiro, entre os estados da Bahia e Pernambuco.
A boa produtividade da fruticultura também é garantida pelas condições naturais do Nordeste. Muitas frutas encontram nas altas temperaturas da região, que são constantes praticamente o ano todo, as condições adequadas para se desenvolverem.
Nas margens dos rios perenes e no entorno de açudes ou de poços artesia nos predominam os latifúndios. Neles, é possível cultivar a terra durante o ano inteiro e obter mais de uma colheita anual. 
Além de dispor de água para irrigação, essas áreas agrícolas contam com forte insolação o ano inteiro, o que permite alta produtividade. Boa parte dessa produção é exportada, com destaque para os países da Europa ocidental, os Estados Unidos e o Japão, ou abastece as grandes cidades do Centro-Sul do Brasil. Historicamente, as grandes proprie dades do Nordeste receberam mais recursos do governo que as pequenas. 
O algodão também é produzido no Sertão, graças à irrigação, e abastece a indústria têxtil de Fortaleza e do Recife. Como vimos, o cultivo de frutas na região de Petrolina (BA) tem se destacado como importante gerador de renda para o estado. O oeste da Bahia e o sul do Maranhão e do Piauí possuem rios perenes e passaram a ser fronteiras agrícolas com a introdução da moderna cultura de grãos, principalmente de soja, graças à possibili dade de escoamento pela hidrovia do rio Tocantins.
Nas áreas sujeitas a estiagem prolongada, alguns projetos vêm sendo im plantados pelo governo federal e por ONGs para dar às famílias condições de produzirem, mesmo nos períodos de estiagem. A implantação de cisternas, vista no capítulo anterior, é uma delas. Outros projetos ainda se encontravam em desenvolvimento em 2018, como o da transposição do rio São Francisco, que nesse ano tinha a Fase 1 já em operação. 
A construção da hidrovia do rio Tocantins impulsionou o movimen to de expansão da soja em direção Ð 40° O ao interior da região Nordeste. Após a construção da hidrovia, o maior volume de soja produzido nessa região – que teve a China como destino principal em 2018 – passou a ser escoado pelos portos da região Norte.

OS CINTURÕES AGRÍCOLAS NAS SUB-REGIÕES NORDESTINAS

Cada sub-região conta com sistemas específicos de produção, que adotam solu ções tecnológicas para alcançar produtividade em áreas com estresse hídrico.
Nos estados do Meio-Norte, vão se concentrar as produções que precisam de maior umidade, chuvas mais frequentes e solos menos ácidos; no Sertão estarão concentradas aquelas ativida des agrícolas que resistem a longos períodos de estiagem e baixa umidade; já no Agreste e na Zona da Mata, estão con centradas as produções que resistem a curtos períodos de estiagem e maior umidade.

A IMPORTÂNCIA DO RIO SÃO FRANCISCO 


O Rio São Francisco é o principal rio perene da Região Nordeste. Suas nascentes localizam-se no estado de Minas Gerais; de onde segue na direção norte e deságua no oceano Atlântico, na divisa entre Sergipe e Alagoas. Atravessa três das quatro sub-regiões do Nordeste: Sertão, Agreste e Zona da Mata. 
É um rio extremamente importante para a região nordestina. Além de garantir água para uma vasta área, em especial, o Sertão, possibilita a instalação de hidrelétricas em diversos trechos de seu percurso, que abastecem as principais cidades do Nordeste. 
No entanto, a falta de planejamento no uso das águas e o desmatamento das matas ciliares têm causado sérios problemas, como o assoreamento do rio, a diminuição do canal fluvial e a poluição de suas águas.
Oficialmente chamado Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, a transposição do rio São Francisco é um empreendimento que, segundo o governo federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, vai assegurar a oferta de água a cerca de 12 milhões de habitantes da região semiárida. É um projeto antigo e polêmico, com alguns argumentos contrários e outros favoráveis à sua realização. 

O projeto de transposição do rio São Francisco 


A transposição consiste na construção de dutos de ligação das águas do São Francisco para alimentar rios intermitentes e açudes nas regiões mais afetadas pela seca, com previsão de abastecer um total de 390 municípios nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. 
O Projeto de Integração do Rio São Francisco é uma prioridade do governo federal. Com a aceleração das obras, (a partir de 2016) o Ministério da Integração Nacional conseguiu inaugurar o Eixo Leste do empreendimento, em março de 2017. No mesmo ano, foi verificada a melhora no acesso à água nas áreas próximas a açudes, o que levou a novos projetos para beneficiar outros estados nordestinos.
O objetivo desse eixo é garantir a segurança hídrica da população da Paraíba e de Pernambuco com uma maior oferta de água. No mês seguinte – em abril de 2017 –, as águas do “Velho Chico”, apelido dado ao rio São Francisco, chegaram ao reservatório Epitácio Pessoa, em Boqueirão (PB), e, naquela ocasião, já foi possível reduzir o regime de racionamento de água na Região Metropolitana de Campina Grande. 
Cerca de 700 mil pessoas, de 20 municípios pernambucanos e paraibanos, melhoraram a qualidade de vida. A partir dessa data, a população não sofre mais com o racionamento. Dois grandes canais principais e canais complementares levam água do rio São Francisco para canais intermitentes (temporários) do semiárido.
Apesar disso, há críticas ao modelo da transposição, que apontam como possíveis fatores negativos o aumento do assoreamento do rio, a diminuição de seu volume de água, o que afetaria os peixes e outros animais desse hábitat, e a perda de vegetação nativa causada pelas obras. Além disso, os projetos de irrigação colocados em prática até então favoreceram principalmente os latifúndios monocultores, que destinam toda a sua produção à exportação.

O biocombustível


O biocombustível é um combustível biodegradável fabricado à base de fontes reno váveis, como óleos vegetais e gorduras animais. Ele é menos poluente que os combustíveis convencionais, como o diesel, proveniente do petróleo. 
O biocombustível utilizado em veículos movidos a diesel, caminhões e tratores, por exemplo, é conhecido como biodiesel. Por beneficiar o desenvolvimento da atividade agrícola, o biocombustível recebe insumos da pecuária, como o sebo bovino, que pode ser usado em sua composição. 
No futuro, ele poderá reduzir a exploração do petróleo, uma vez que é, em muitos casos, um substituto desse recurso. A produção de biocombustível no Nordeste é significativa, em especial, no que diz respeito ao aproveitamento de oleaginosas, como o babaçu, o girassol e a mamona.

O turismo 


A atividade turística é um dos setores da economia que mais crescem no mundo, e na Região Nordeste gera muitos recursos e empregos. 
Ele envolve grandes investimentos em infraestrutura, como rodovias, portos e aeroportos, e produz grande dinamismo no comércio e nos serviços em geral oferecidos por pousadas, hotéis, restaurantes, lojas de arte sanato local, empresas de viagens com guias turísticos, serviços de segurança, etc., gerando muitos empregos – atualmente é uma das atividades que mais geram empregos em todo o mundo.

Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento do turismo no Nordeste tem sido marcado por quatro características: 
• diversificação dos destinos, que não se limitam unicamente às capitais e às localidades litorâneas; 
• crescimento contínuo do fluxo de turismo interno e externo; 
• profissionalização do setor; 
• articulação eficiente entre poder público e iniciativa privada.

O turismo é um dos exemplos da articulação entre natureza, economia e cultura. Assim, para que a atividade turística tenha sucesso, não se devem considerar apenas as características naturais, mas também as condições culturais e educacionais da região, promovendo, por exemplo, a formação de mão de obra especializada.
Além das belezas naturais, como o seu vasto litoral e as áreas como os Lençóis Maranhenses, o Nordeste tem cidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Salvador (BA), Olinda (PE) e São Luís (MA), e, também, grandes áreas de preservação ambiental.
Na região Nordeste, o turismo doméstico é muito mais importante para a economia dos centros turísticos do que o turismo internacional. Por exemplo, segundo o Anuário estatístico do Ministério do Turismo, em 2016 ingres saram 6,6 milhões de turistas de outros países no Brasil; destes, apenas 301 mil tiveram como destino o Nordeste. Ou seja, menos de 5% desse total se dirigiu à região.
Os grandes receptores de turistas estrangeiros são o estado de São Paulo, com 2,2 milhões (cerca de um terço do total), Rio de Janeiro, com quase 1,5 milhão, e Rio Grande do Sul, com 1 milhão.
O turismo também tem crescido principalmente na orla litorânea do Nordeste. Grandes e sofisticados complexos hoteleiros hoje fazem parte da paisagem de muitas partes do litoral nordestino, dada sua beleza que atrai turistas do Brasil e do exterior. Eles foram construídos de modo a atender diferentes faixas de renda. A atividade se tornou uma das prioridades das políticas de planejamento dirigidas à região. Isso significa que os empresários do setor turístico contam com grande apoio do governo federal e de governos estaduais para realizar seus investimentos.
Entre os brasileiros, a região Nordeste é a que atrai mais turistas, no que se refere apenas ao turismo doméstico. O clima agradável e as belas praias atraem pessoas de outras regiões do Brasil (e do exterior) em todos os meses do ano, já que no litoral as temperaturas mantêm-se sempre elevadas. No interior, as paisagens naturais, as regiões de serras e chapadas com temperaturas amenas e os parques ecológicos também se tornaram um grande polo de atração de visitantes.
Parte dos investimentos que a região recebeu veio de grupos internacionais. Eles procuraram criar um mercado para turistas europeus, dada a menor distância entre capitais nordestinas e os tradicionais destinos, como Rio de Janeiro (RJ) e Foz do Iguaçu (PR). 
Já o turismo de negócios desponta com grande vigor. Fortaleza (CE) transformou-se em uma capital de eventos, recebendo congressos, feiras e convenções todos os meses, o que movimenta sua rede hoteleira e os serviços, como restaurantes.
Cidades como Salvador exploram a atividade turística de diversas formas. Além de receber eventos com frequência, dada sua posição no território brasileiro, explora suas praias, festividades religiosas, o carnaval e, também, seu patrimônio histórico. 
O Pelourinho, lugar que era usado para sacrificar e reprimir escravizados na época da es cravidão, mantém um conjunto arquitetônico da época colonial que atrai turistas do Brasil e de outros países. Por fim, encontram-se igrejas de coradas com ouro que também se tornaram um importante destino de visitação turística. 
Todas essas transformações ocorridas no Nordeste indicam que as regiões brasileiras estão permanentemente em processo de mudança. É o que se pode verificar também na região Norte, que no passado recebeu muitos migrantes nordestinos.
No entanto, a atividade turística também apresenta aspectos negativos, já que pode contribuir para a degradação ambiental e a expulsão da população local em áreas que atraem investimentos turísticos. Considerando isso, é importante que as políticas voltadas para o incentivo ao turismo promovam o desenvolvimento local e respeitem as legislações ambientais e trabalhistas.


O complexo regional nordestino

Assim como as demais regiões brasileiras, o Nordeste não é homogêneo. Em seu território há uma grande diversidade de paisagens, que podem ser agrupadas em sub-regiões, com condições naturais próprias e diferentes formas de organização das atividades econômicas, muitas delas herança do processo histórico de ocupação do espaço.
A região Nordeste abrange quatro áreas com características diferentes entre si: a Zona da Mata, o Agreste, o Sertão e o Meio-Norte. Essas divisões resultam das características físicas, como o clima e a vegetação.

A Zona da Mata 


É a sub-região com a maior densidade demográfica e onde estão os aglomerados urbanos mais antigos – muitos deles hoje capitais de estado – e duas das metrópoles regionais mais importantes do país: Recife e Salvador. Essa sub-região corresponde a uma faixa estreita, originalmente coberta pela Mata Atlântica, onde predomina o clima tropical úmido. 
A Zona da Mata estende-se por todo o litoral oriental do Nordeste, onde as chu vas são abundantes e os solos, bastante favoráveis à agricultura. Nos primeiros tempos da colonização, os portugueses disseminaram os engenhos e a lavoura de cana-de-açúcar na Zona da Mata, em vários núcleos, desde a Paraíba até o Recôncavo Baiano, uma região localizada em torno da Baía de Todos-os-Santos, no es tado da Bahia, abrangendo o litoral e a área do interior circundante à baía. A exploração de gás natural e, mais tarde, de petróleo,
Desde o início de sua ocupação, a Floresta Tropical tem sido derrubada. No princípio, foi para a extração de pau-brasil e depois para dar lugar ao cultivo de produtos agrícolas, como cana-de-açúcar, tabaco e cacau. Porém, no caso do cultivo do cacau, que ocorre no sul da Bahia, as árvores originais de grande porte foram poupadas para manter a sombra sobre os pés de cacau, que não se desenvolvem bem quando expostos diretamente ao sol. O clima e o solo, naturalmente fértil, foram importantes para o desenvolvimento dessas culturas. 
A Zona da Mata apresenta um período chuvoso e outro mais seco, típico do clima tropical, com variação entre as temperaturas máximas e mínimas ao longo do ano. 
A vegetação que predominava era a Mata Atlântica. Porém, desde a chegada dos portugueses ela passou a ser suprimida para a introdução da cana-de-açúcar. Além disso, a Zona da Mata concentra a maior parte da população nordestina e abriga grandes metrópoles, como Salvador e Recife, e outras de menor porte, como Aracaju. 
O sistema de produção da cana-de-açúcar, caracterizado pelo latifúndio monocultor, foi o principal responsável pela grande concentração fundiária nessa sub-região. Atualmente, restam apenas pequenos trechos de vegetação nativa preservados, em sua maior parte transformados em unidades de conservação, como o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal (BA) e a Reserva Biológica Guaribas (PB).
Nessa faixa da região Nordeste estão localizados empreendimentos turísticos que adotam o modelo Sol e praia, ou seja, a construção de grandes hotéis à beira-mar para exploração turística. A diversidade de feições da costa nordestina permite desde apreciar um manguezal conservado, como no sul da Bahia, até forma ções sedimentares no Ceará, ou dunas no Rio Grande do Norte.

O Agreste 


O Agreste constitui uma faixa de transição entre a Zona da Mata e o Sertão nordestino e é marcado por uma diversidade de climas e tipos de vegetação. As temperaturas médias variam menos que na Zona da Mata. 
Nas áreas mais úmidas predomina uma vegetação com características de Mata Atlântica, uma floresta tropical com vegetação densa e árvores de vários portes e, nas mais secas, a Caatinga, tipo de vegetação adaptada a longos períodos sem chuva, formada por árvores de pequeno porte e arbustos, inclusive com algumas variedades de cactos e outras plantas com espinhos. 
Desde o período colonial até os dias atuais, a agricultura e a pecuária são muito comuns no Agreste, que oferece boas condições naturais para o desenvolvimento dessas atividades. Em função disso a vegetação original está pouco preservada. A localização do Agreste, próxima dos principais centros consumidores do litoral, foi outro fator que estimulou sua ocupação. 
Nos trechos mais úmidos, desenvolveu-se a produção de uma série de mercadorias bastante procuradas na Zona da Mata e no Sertão, tais como a rapadura, a farinha de mandioca, o feijão, o milho e o leite. 
Campina Grande, na Paraíba, é um importante polo industrial e um município com muitas atividades voltadas à ciência e tecnologia devido à presença de universidades públicas. Trata-se de um polo de inovação em diversos campos, com destaque para o desenvolvimento de aplicativos.
Entre as várias cidades que se desenvolveram no Agreste, destaca-se a de Caruaru, em Pernambuco, onde existe uma das maiores feiras nordestinas, verdadeira vitrine das atividades regionais.
A feira oferece ao visitante diferentes produtos, vendidos pelos pequenos produtores agrícolas do Agreste, e uma variedade de itens do artesanato regional: artigos de couro, palha, fibras ou corda, objetos de madeira e de barro. Ela também é um evento cultural, com apresentação de cantadores, de repentistas e exposição de literatura de cordel, que é uma forma de expressão popular muito importante que trata de temas variados.
Desde o período colonial, as atividades comerciais deram origem a importantes cidades dessa sub-região, como Feira de Santana (BA), Caruaru (PE) e Campina Grande (PB). Hoje há uma importante produção de frutas, grãos, legumes e verduras, além de leite e derivados, para o abastecimento das grandes cidades da própria sub-região e da Zona da Mata, produzidos principalmente em pequenas e médias propriedades familiares.

O Sertão


A principal característica do Sertão nordestino, a mais extensa das sub-regiões do Nordeste, é o predomínio do clima semiárido e da vegetação de Caatinga. As temperaturas se mantêm elevadas o ano inteiro e durante alguns meses não chove, por isso existem alguns rios intermitentes. 
Um dos fatores que ajudam a explicar a semiaridez do Sertão nordestino são as serras localizadas próximo ao litoral. Essas altitudes mais elevadas dificultam que a umidade vinda do oceano chegue ao interior do continente. Quando encontram com as serras, os ventos úmidos se elevam e ocorre precipitação em forma de chuva, impedindo que a umidade alcance o Sertão. 
O Sertão possui Clima Semiárido, no qual as chuvas são irregulares, e se estende do Ceará ao norte de Minas Ge rais. As chuvas são pouco frequentes pois o planalto da Borborema, que tem pontos que chegam a mais de 1 000 m de altitude, impede que as massas de ar com umidade do oceano cheguem ao Sertão. Por isso essa área apresenta baixa pluviosidade e períodos secos frequentes, que muitas vezes ultrapassam cinco anos. As temperaturas são elevadas na maior parte do sertão.
Nas serras localizadas no Agreste e no Sertão, a variação da altitude provoca redução nas médias térmicas anuais, tornando o clima bem mais ameno. Cidades das serras do planalto da Borborema, por exemplo, apresentam clima com temperaturas mais baixas, principalmente nos meses de inverno.
No Cariri (nome herdado pela presença do povo cariri que vivia nas terras que atualmente formam o sul do Ceará), a chapada do Araripe, localizada entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, permite um microclima diferente do resto do Sertão, com temperaturas um pouco mais baixas e períodos com mais chuvas que o entorno.
A vegetação predominante no Sertão é a Caatinga. No Sertão, a criação de gado é muito antiga. Também existe o cultivo, mas as secas periódicas geram dificuldades de abastecimento e irrigação. 
Desde o período colonial, nessa sub-região desenvolve-se a pecuária extensiva, que atualmente é uma atividade em declínio devido ao aumento da produção de carne em outras regiões que proporcionam melhores condições de criação. 
Com a escassez de água, a prática da agricultura no Sertão durante o ano inteiro só é possível em propriedades próximas aos rios perenes, onde o solo fica permanentemente úmido, como nos brejos ou em áreas em que há açudes e canais de irrigação. 
Em épocas de seca, parte da população do Sertão tem como alternativa para abastecimento de água as cacimbas, as cisternas e os açudes. Alguns desses açudes, apesar de construídos pelos governos estaduais e federal, estão em terras de grandes fazendeiros que vendem a água aos agricultores ou os deixam utilizá-la desde que votem em seus candidatos nas eleições. Por isso muitos pesquisadores afirmam que o problema do abastecimento de água na região Nordeste não é a falta de água, mas sim sua distribuição, que depende de fatores políticos. A chamada indústria da seca consiste em criar infraestrutura de acumulação de água em terras de grandes proprietários que a repassam a pequenos produtores em troca de apoio político.
Embora existam poços artesianos, açudes e represas desde o século XIX, somente nas últimas duas décadas o aumento dos investimentos tem permitido ampliar a área irrigada e conquistar novas terras para a agricultura. 
O Vale do São Francisco, por exemplo, depende de projetos de irrigação para manter a produção de frutas para exportação. A água é captada na margem do rio São Francisco e através de bombas é leva da até os canais, que cortam a Caatinga, chegando às plan tações. A produção de frutas tem proporcionado grande crescimento econômico para a região, contribuindo para a diversidade de paisagens. 

O Meio-Norte 


Essa porção da região Nordeste é uma sub-região de transição entre a Caatinga, o Cerrado e a Floresta Amazônica. Originalmente, predominava nessa sub-região a Mata dos Cocais, formada por palmeiras, como a carnaúba e o babaçu, com a presença de Floresta Amazônica na porção oeste do estado do Maranhão e do Cerrado na sua porção centro-sul.
Atualmente, a vegetação original está muito devastada por causa da expansão das atividades agrícolas, principalmente do cultivo de soja e algodão. Da mata original restaram apenas algumas áreas onde se pratica o extrativismo. Da carnaúba são utilizadas as sementes, na produção de óleo para uso industrial, e as folhas, na produção de uma cera utilizada em tintas e cosméticos e na confecção artesanal de cestos e esteiras, já que são fibrosas. 
O Meio-Norte abrange o Maranhão e grande parte do Piauí, em uma área de transição para a Ama zônia. Isso quer dizer que o clima vai se tornando cada vez mais quente e úmido, com um volume cada vez maior de chuvas, à medida que se aproxima do limite com o estado do Pará. Mas em meio a ele existem localidades como Teresina, capital do Piauí, que apresenta baixa pluviosidade 
Essas características climáticas refletem-se no tipo de vegetação predominante no Meio-Norte. Caminhando do Ceará para o Piauí, as paisagens de Caatinga vão cedendo lugar à Mata de Cocais. Do Maranhão para o Pará, o ambiente da Mata de Cocais vai se confundindo com uma floresta mais fechada e com maior variedade de espécies, já em plena Amazônia.
A Mata de Cocais forma a paisagem mais característica do Meio-Norte. No domínio do coqueiro babaçu e da carnaúba, desenvolve-se uma atividade extrativista que emprega muitos habitantes da região, tornando-a, sob muitos aspectos, semelhante à Amazônia. O babaçu e a carnaúba são muito usados na produção industrial.
A agricultura e a pecuária também são atividades bastante tradicionais no Meio-Norte, confundindo-se com o próprio processo de ocupação da região. A agricultura, tradicionalmente, situa-se ao longo do Vale do Itapecuru e do Baixo Mearim, ambos no Maranhão – este último, grande centro de produção de arroz e algodão. A criação de gado bovino ocupa as terras mais altas dos planaltos, cobertos pela vegetação de Cerrado. 
Atualmente, grandes projetos de extração mineral interligam o Meio-Norte à Amazônia Oriental. A causa principal dessa interligação é a exploração mineral na área de fronteira entre o Pará e o Maranhão, que está transformando a realidade regional. Mas existem outros pontos com exploração mineral e energética no Nordeste. 
A presença de petróleo na costa baiana, potiguar e cearense é importante e já conta com atividade exploratória. Além disso, tem-se a retirada de urânio, cromo e ouro em estados nordestinos. 
Nessa porção da região Nordeste também há o turismo voltado à exploração de áreas naturais como o delta do rio Parnaíba (PI), cuja visitação permite ver mangues e, muitas vezes, conhecer a coleta de caranguejos, usados não só como fonte de alimentação pela população, mas também comercializados para centros urbanos. 
Outra atração natural são os Lençóis Maranhenses (MA), que permitem caminhar por dunas e nadar em lagoas formadas por água de chuvas, resultando em uma bela e dinâmica paisagem que se altera ao longo do ano. Alcântara (MA) é outro foco de atenção turística pela presença de comunidades negras que desenvolvem intensa atividade cultural como o tambor de crioula. 
Lá também se encontra o Centro de Lançamento de Alcântara, vinculado à Força Aérea do Brasil, especializado no lançamento de foguetes que transportam satélites. No sul do Piauí, as terras mais altas das chapadas, ocupadas pelo Cerrado, também estão sofrendo profundas transformações graças à agricultura irrigada e ao uso intensivo de fertilizantes químicos e corretivos da acidez do solo. Esse processo está produzindo uma paisagem muito parecida com as existentes no Centro-Oeste.



Nordeste - distribuição da população

Em quase todos os estados da região nordeste, as áreas de maior densidade demográfica estão próximas ao litoral. Essa concentração da população na faixa litorânea, é uma herança histórica da ocupação desde o período colonial e da produção voltada ao mercado externo. Hoje, ela é reforçada pela presença de indústrias e serviços e pela localização de importantes regiões metropolitanas.
A produção de cana-de-açúcar ainda é uma atividade econômica relevante na Zona da Mata (região da faixa litorânea) e em outros lugares e emprega muitos trabalhadores. Por isso, essa atividade é fator de atração de pessoas.
De acordo com dados de 2016, entre as regiões metropolitanas do Nordeste, três destacam-se em nú mero de habitantes: a de Fortaleza (4,019 milhões de habitantes), a de Salvador (3,984 milhões) e a de Recife (3,940 milhões). 
Essas regiões metro politanas também têm grande importância no cenário nacional, já que são, respectivamente, a quinta, a sexta e a sétima regiões metropolitanas com maior número de habitantes do Brasil. 
As três maiores regiões metropolitanas do Nordeste também são consideradas polos regionais devido ao seu poder de atração (de investimentos, pessoas, etc.), exercido na própria região. 

As migrações 

Ao longo de quase todo o século XX, apesar de terem sido criados alguns órgãos para incentivar o desenvolvimento regional – como a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS) –, a economia nordestina não gerou empregos em quantidade suficiente para atender toda sua população em idade ativa. Por isso, muitos nordestinos migraram para outras regiões à procura de trabalho.
Muitos nordestinos, no en tanto, migraram de um município para outro, em diferentes estados, mas permanecendo no Nordeste, como mostram os da dos do gráfico a seguir. O cres cimento de algumas cidades e a expansão das regiões metro politanas atraíram pessoas de pequenas cidades e das áreas rurais em direção aos novos polos industriais ou agrícolas. 
A partir da década de 1970 o fluxo de migrantes da região Nordeste que se dirigiam a ou tras regiões do país foi reduzin do. Dessa época até os dias atuais, o governo federal e al guns governos estaduais e mu nicipais tomaram medidas para atrair à região indústrias, hotéis, produtores agrícolas e empre sas de vários outros setores do Sudeste e do Sul do país e tam bém do exterior. Entre outras medidas, ofereceram incentivos fiscais (redução de impostos) a esses empreendimentos.
Além disso, a migração pendular de sertanejos em direção ao Agreste e à Zona da Mata nos períodos de longa estiagem na Caatinga também diminuiu a partir da década de 1980. Muitos lavradores se dirigiam a essa região em busca de trabalho no corte de cana-de-açúcar e em outras atividades agrícolas. Embora ainda exista na atualidade, esse tipo de migração foi muito redu zido com a construção de cisternas em casas, escolas e algumas áreas agrícolas. 
Além da atração de novos investimentos, os governos têm realizado pro gramas de transferência de renda e fornecido merenda e transporte escolar, leite, remédios e outros gêneros de primeira necessidade. Tudo isso tem in centivado a redução do volume de pessoas e famílias que migram em busca de melhores condições de vida e trabalho.

As migrações nordestinas em obras de arte 

Diversos artistas retrataram, por meio de suas obras, paisagens e modos de vida da população do Nordeste, em especial a migração dos sertanejos, os moradores das zonas semiáridas, tão importante no cenário social brasileiro. 
Vitalino Pereira dos Santos (1909-1963), o Mestre Vitalino, foi um ceramista pernambucano (nascido em Caruaru), hoje conhecido internacionalmente, que esculpiu em suas obras, entre outras coisas, cenas do cotidiano rural e urbano do Nordeste. Filho de lavradores, começou a esculpir quando ainda era criança, usando as sobras de barro que sua mãe utilizava para fazer utensílios como pratos e panelas. É con siderado um artista popular por não ter frequentado escolas especializadas e por representar o modo de ser e de viver de um lugar.

Nordeste - ocupação histórica

Desde o início da colonização portuguesa, a região que hoje conhecemos como Nordeste passou por muitas transformações. Foi no litoral dessa região que os portugueses iniciaram seu processo de ocupação, atribuindo-lhe im portância econômica e política.

A produção do açúcar

No século XVI, o cultivo da cana-de-açúcar foi a principal atividade econô mica da região que mais tarde viria a ser chamada de Nordeste. A partir da cana produz-se o açúcar, um produto que na época era muito procurado na Europa e, portanto, de grande valor de exportação. 
Os engenhos de cana-de-açúcar localizavam-se na faixa litorânea, onde as condições naturais eram bastante favoráveis. O clima tropical, quente e úmido, além do solo argiloso e muito fértil, chamado massapê, possibilitou o bom desenvolvimento dessa cultura. 
O problema, porém, era o transporte dessa produção. A distância entre o Brasil e a Europa é grande, e as embarcações da época eram precárias. Para que os gastos com as viagens compensassem, era necessário carregar uma grande quantidade de açúcar por viagem. Por isso, os engenhos eram grandes propriedades monocultoras e utilizavam muitos trabalhadores. 
Essa era a forma de baratear os custos de produção na época. Com o intuito de baratear ainda mais os custos, os colonizadores portugueses adotaram nos engenhos o mesmo sistema de mão de obra que já era utilizado em outras de suas áreas de ocupação, como a ilha da Madeira e o arquipélago dos Açores: a escravidão.
Nas primeiras décadas da colonização, os in dígenas foram escravizados. No entanto, a partir de meados do século XVI os colonizadores portugueses passa ram a praticar cada vez mais o tráfico e a comercialização de africanos. 
Por isso, o trabalho que antes era feito por indígenas nos engenhos de açúcar passou a ser executado por pessoas escravizadas de diversas etnias do con tinente africano. Além de trabalhar nos engenhos, os escravizados tinham a incumbência de levar o açúcar até o porto e carregá-lo nos navios, para ser exportado. 
Como o volume de açúcar produzido era grande e o transporte terrestre era precário, foram construídos vários portos ao longo da costa nordestina (os principais eram os de Recife e de Salvador). Era mais vantajoso construir diversos portos, relativa mente próximos uns dos outros, do que transportar toneladas de açúcar por terra. 
Nas áreas portuárias havia também circulação de outros produtos, além do açúcar. O pau-brasil, o tabaco e o algodão eram produtos de exportação. Além de escoar a produção da colônia, os portos recebiam produtos importados, como tecidos, armas, ferramentas, móveis e muitos outros. Recebiam também imi grantes vindos da Europa (que ainda eram poucos, já que a migração europeia para o Brasil se intensificou somente após 1850, com a Lei Eusébio de Queirós). 

A criação de gado e o cultivo de algodão

Ainda no período colonial, outras duas atividades econômicas tiveram pa pel importante na ocupação das terras que hoje formam a região Nordeste: a pecuária extensiva e o cultivo de algodão. 
No início a pecuária se desenvolveu perto dos engenhos, como atividade complementar, mas ao longo dos séculos XVI e XVII expandiu-se para o interior, em busca de novas pastagens, estimulando a ocupação dessa parte do território. As principais áreas de criação de gado, constituído de bovinos e muares, localizavam-se ao longo do rio São Francisco (que é um rio perene) e de seus principais afluentes, por causa da disponibilidade de água e da vegetação mais abundante para pastagem. Além disso, evitava-se que os animais destruíssem as plantações de cana-de-açúcar, o que ocorrera durante anos, quando o gado era criado no próprio engenho. 
Durante o período colonial, a criação de muares foi muito importante na região onde hoje se localizam a Bahia, o Maranhão e o Piauí. Nesses estados havia grandes fazendas de gado, que abasteciam os engenhos de Pernambu co. Esses animais também eram utilizados para o transporte de carga, como água, alimentos, material de construção, entre outros. Observe no mapa as principais áreas de criação de gado no século XVII.
A pecuária de bovinos e muares promoveu o desenvolvimento de importan tes municípios do Agreste, como Feira de Santana, Caruaru e Campina Grande, além de Oeiras e Teresina, a única capital nordestina localizada no interior do continente. 
Desde a época das feiras de gado e pas sagem de tropeiros, essas cida des do Agreste e do interior do Piauí exercem a função de importantes centros comerciais, e Teresina, por ser a capital desde 1852 (a primeira capital do Piauí foi Oeiras, entre 1750 e 1852), tem grande diversidade de atividades econômicas: comércio, repartições públicas, estabelecimentos de ensino superior, etc.
Entre o Maranhão e o Piauí, além da pecuária, desenvolveu-se o cultivo de algodão. A partir de meados do século XIX, quando ocorreu a Guerra Civil americana (1861-1865), a produção de algodão dos Estados Unidos diminuiu, favorecendo o crescimento da produção brasileira, que passou a abastecer os países da Europa. 
No entanto, com o fim do conflito, o setor algodoeiro no Brasil entrou em deca dência econômica, porque os Estados Unidos voltaram a exportar esse pro duto com preços mais baixos. Algumas marcas do período de maior produção algodoeira no Brasil ficaram registradas na paisagem da região. 
Até agora, estudamos o papel das atividades econômicas no processo de ocupação de parte da região que hoje conhecemos como Nordeste. Entretanto, importantes cidades brasileiras originaram-se de fortes construídos para a defesa do território na época da colonização europeia.
No período colonial, os europeus, principalmente os portugueses, construíram centenas de fortes com o objetivo de impedir que outros povos invadissem o território. Aos poucos, nas regiões onde os fortes estavam instalados, começaram a surgir vilas, que foram se desenvolvendo até se transformarem em cidades. Muitos deles se transformaram em importantes pontos turísticos.



A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...