Aspectos do meio natural
A Região Sudeste é formada por quatro estados, que, juntos, ocupam uma área de aproximadamente 925 mil km2, correspondendo a cerca de 11% do território brasileiro.
Há vários aspectos importantes que nos auxiliam a compreender a formação e
a transformação das paisagens do Sudeste. O clima, a vegetação o relevo e a hidrografia
dessa região formam um conjunto contrastante e rico.
Na região Sudeste encontram-se várias planícies, além de formações serranas com relevo acidentado, como as serras do Mar e da Mantiqueira e, mais
afastada do litoral, a serra do Espinhaço.
Relevo e hidrografia
O Sudeste compreende a maior parte do domínio morfoclimático denominado Domínio dos Mares de Morros. Esse domínio está inserido na unidade dos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste. O Sudeste apresenta ainda mais três conjuntos planálticos, duas depressões e a planície litorânea, em terras de várias altitudes.
O traço marcante do relevo é o conjunto de serras de topos arredondados que formam uma paisagem de mar de morros. É esse o caso das serras do Mar, da Mantiqueira. Outra característica do relevo do Sudeste, prin cipalmente nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, são os pães de açúcar – formações com cumes arredondados e encostas abruptas.
Entre as áreas de maior altitude na região, encontram-se os “mares de morros”, áreas de morros com topos mais arredondados. Esse con junto é denominado pla nalto Atlântico. Nessas áreas a rede hidrográfica possui grande densidade de rios. Na porção mais ocidental da região, no oeste do estado de São Paulo, predominam os planaltos menos acidentados.
A faixa litorânea é ocupada por planícies. No trecho que vai do nordeste do
estado de São Paulo ao sul do estado do Rio de Janeiro, a escarpa da serra do
Mar fica muito próxima do oceano, determinando uma estreita planície litorânea.
Já no sul do estado de São Paulo, na região do Vale do Ribeira, ao norte do li
toral do Rio de Janeiro e em todo o litoral do Espírito Santo, a serra do Mar está
mais afastada do oceano e a planície costeira tem maior extensão.
As serras do Espinhaço, do Mar, da Mantiqueira e da Canastra (que avança
para o interior do território) formam os divisores de águas das grandes bacias hi
drográficas da região Sudeste. Repare, no mapa a seguir, que os rios da região hidro
gráfica do Paraná dirigem-se ao interior do continente, alimentando o rio Paraná.
Entre as serras da Canastra e do Espinhaço, forma-se a bacia do rio São Fran
cisco. Na porção leste da região, encontram-se bacias secundárias, que fazem
parte das bacias costeiras, com destaque para as dos rios Paraíba do Sul, Doce e
Jequitinhonha. Os rios dessas bacias nascem no planalto e deságuam no oceano.
Clima
A região Sudeste apresenta grande
variedade de climas. Um dos fatores que de
terminam a variação climática da região
é a diferença de altitude.
O clima predominante na Região Sudeste é o tropical, caracterizado por verões quentes e chuvosos e invernos secos
com temperaturas mais amenas.
Os tipos de clima do Sudeste são o clima tropical e o clima subtropical. O tropical apresenta-se dividido em subtipos climáticos:
• tropical com verão úmido e inverno seco, que predomina nas por ções norte e leste de Minas Gerais, e oeste do estado de São Paulo;
• tropical de altitude, cuja característica principal são as médias térmicas mensais mais baixas no inverno em virtude do relevo de maior altitude e da penetração da massa de ar Polar atlântica, abrange vasta porção do Sudeste;
• tropical litorâneo úmido, que abrange uma área sujeita aos efeitos da maritimidade e das incursões de massas de ar úmidas prove nientes do Oceano Atlântico. Esse subtipo climático se apresenta úmido o ano todo, com precipitações mais elevadas entre novembro e janeiro.
Nas áreas
de maiores altitudes predomina o clima
tropical de altitude, cujas temperaturas
médias tendem a ser menores do que
nas áreas que se encontram, por exemplo, ao nível do mar, que estão sob o
clima litorâneo úmido.
O clima subtropical úmido ocorre na porção do território brasileiro situada ao sul do Trópico de Capricórnio. No Sudeste, ele abrange o sul do estado de São Paulo. O município de São Paulo situa-se sobre o relevo elevado do Sudeste, na área de transição entre o clima tropical de altitude e o clima subtropical úmido. Apresenta 1450 mm anuais de precipitação, com concentração das chuvas entre outubro e março, e média térmica anual em torno de 19 °C. É uma área sujeita à atua ção da massa Polar atlântica, o que explica as médias térmicas mais baixas no inverno.
No interior da Região Sudeste,
predomina um clima com baixa
umidade em alguns meses do ano.
Isso dificulta o desenvolvimento de
uma vegetação mais densa, exceto
próximo às margens dos rios. Essas
áreas, geralmente, estão cobertas
por vegetação mais esparsa, como
o Cerrado e até mesmo a Caatinga
(no norte de Minas Gerais), e apresentam amplos campos de vegetação rasteira, com plantas adapta
das ao calor e aos períodos de pouca chuva.
No sul do estado de São Paulo, em razão da presença do clima subtropical, e na
região da Serra da Mantiqueira, entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro,
devido à altitude do relevo, há áreas onde se desenvolve a Mata de Araucárias.
Vegetação
Por causa da variedade de climas, a região apresenta formações vegetais também diversificadas. Na maior parte dela, predominam a Mata Atlântica e o Cerrado, que apresentam características diferentes de acordo com fatores locais. Na região também aparecem pequenas manchas de Campos nas maiores altitudes; em Minas Gerais predomina o Cerrado, e no norte desse estado, área de clima mais seco, aparece a Caatinga. Nas planícies do litoral, desenvolvem-se a Vegetação de Restinga e os Mangues, influenciados sobretudo pelas marés e pelos solos arenosos.
Originalmente, o Sudeste apresentava cinco formações vegetais:
a Mata Atlântica e seu prolongamento para o interior, denominada Floresta Tropical ou Mata Tropical, cobrindo vastas extensões dessa região; o
Cerrado, dominando a porção central e oeste de Minas Gerais e alguns
trechos do estado de São Paulo; a Caatinga, em trechos do norte de
Minas Gerais abrangidos pelo clima tropical semiárido; a Mata dos Pinhais,
em pequenos trechos do estado de São Paulo; e a Vegetação litorânea,
destacando-se nela as existentes nos manguezais e nas restingas.
Todas essas formações vegetais foram, em grande parte, destruídas
pela ocupação humana.
O avanço das culturas agrícolas – café, algodão,
cana-de-açúcar e outras – e da pecuária, somado à extração madeireira,
à fundação de cidades e à construção de estradas, reduziu a pequenas
áreas as formações vegetais originais. Quanto aos manguezais e às
restingas, a urbanização do litoral, acompanhada pela intensa especula
ção imobiliária, destruiu em larga escala esses ecossistemas.
Mata Atlântica ou Mata Tropical
Em razão do relevo acidentado, os morros e as serras
perto do litoral bloqueiam a
umidade trazida pelos ventos
oceânicos, provocando chu
vas constantes nas áreas costeiras e na porção leste da re
gião. A umidade característica
dessas áreas permite o desenvolvimento de uma floresta
tropical densa e diversificada,
denominada Mata Atlântica.
Assim como aconteceu na Região Nordeste, com o avanço da cultura
da cana-de-açúcar e a multiplicação dos engenhos, a Mata Atlântica
foi bastante desmatada também na Região Sudeste, principalmente
com a expansão da cafeicultura e das “ferrovias do café”, que usavam
a madeira como lenha nas locomotivas e na fabricação de dormentes
para fixar os trilhos.
Calcula-se que, quando os portugueses chegaram, em 1500, a cober
tura florestal do que hoje é o estado de São Paulo estendia-se por 82%
de sua área territorial. Com o passar do tempo, com as intervenções
humanas, foi reduzida a 7% de sua área original.
Em 2020, graças a iniciativas para sua recuperação, chegou a 16,2%.
Árvores como peroba, faveiro, canela, angico, jacarandá, cedro, ipê
e muitas outras foram intensamente exploradas. Provavelmente muitas
espécies de plantas e de animais foram extintas antes mesmo de serem
estudadas por especialistas.
O que sobrou da Mata Atlântica no Sudeste encontra-se geralmente nos trechos de relevo íngreme e de difícil
acesso da Serra do Mar e da Mantiqueira e, também, em
áreas transformadas em Unidades de Conservação, como é
o caso da Estação Ecológica de Jureia-Itatins, no litoral sul
do estado de São Paulo, criada em 1986, após um longo
processo de mobilização da sociedade civil. Cabe destacar
a atuação de organizações não governamentais (ONGs) em
prol da Mata Atlântica.
O desmatamento
A vegetação original da região Sudeste, principalmente a Mata Atlântica,
tem sofrido com o desmatamento sistemático, no qual a vegetação é substituída pelas construções humanas.
Nos quatro estados da região Sudeste ainda são encontrados remanescen
tes de Mata Atlântica, vegetação que foi bastante desmatada ao longo da
história em razão da expansão agropecuária e do crescimento urbano-industrial.
Em toda a faixa litorânea desses estados, principalmente nas encostas da serra do Mar, desde o Vale do Ribeira, litoral sul do estado de São Paulo, até o
Espírito Santo, encontramos áreas de Mata Atlântica ainda preservadas, pro
tegidas pela criação de Unidades de Conservação.
Hidrografia
A Região Sudeste compartilha com as regiões Sul, Centro-Oeste e
Nordeste a Região Hidrográfica do Paraná, a Região Hidrográfica do São
Francisco, a Região Hidrográfica Atlântico Sudeste (Rio Doce, Rio Paraíba
do Sul e Rio Ribeira de Iguape) e a Região Hidrográfica Atlântico Leste
(Rio Mucuri e Rio Jequitinhonha).
Em áreas de planalto, por causa dos desníveis dos terrenos e, consequentemente, da maior vazão de água, vários rios do Sudeste apresentam potencial hidrelétrico e são utilizados para a produção de energia. A construção de usinas,
em alguns pontos, transformou o curso de alguns rios em represas artificiais,
submergindo até mesmo algumas quedas-d’água.
As bacias hidrográficas do Sudeste apresentam grande potencial
hidrelétrico. Nelas foram construídas várias usinas hidrelétricas que
abastecem de energia elétrica não apenas o Sudeste, mas também as
regiões Sul e Centro-Oeste.
No Rio Tietê e no Rio Paraná, rios de planalto que formam a Hidrovia
Tietê-Paraná, foram construídas eclusas para vencer os desníveis dos
cursos fluviais e permitir a navegação.
O Rio São Francisco tem suas nascentes situadas nas áreas chuvosas das serras ao sul de Minas
Gerais e se desloca rumo ao Nordeste do país, atravessando todo o Sertão semiárido antes de
desaguar no Oceano Atlântico. Percorrer esse longo trecho, em áreas de chuvas escassas, sem
secar, só é possível graças às abundantes chuvas que irrigam suas nascentes.
Vários rios do Sudeste compõem a bacia hidrográfica do Rio Paraná, entre eles o Paraná, o Tietê e
o Iguaçu. Alguns são marcos naturais de fronteiras estaduais ou municipais, como o Rio Grande,
entre Minas Gerais e São Paulo, e o Paranapanema, que marca a divisa entre o estado de São
Paulo e o Paraná. Mas é a geração de energia elétrica e o transporte fluvial que conferem a essa
bacia significativa importância econômica e estratégica.
O Rio Paraíba do Sul é conhecido por sua importância histórica. Entre os estados de São Paulo e
Rio de Janeiro, esse rio cavou um vale, ao longo do tempo, que corre sobre uma depressão situada
entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Essa região é conhecida como Vale do Paraíba.
Atualmente, o Paraíba é utilizado para o abastecimento de água das indústrias locais, que
despejam nele grande parte dos resíduos que produzem.
Hidrovia Tietê-Paraná
Entre as hidrovias mais importantes do Sudeste destaca-se a Tietê-Paraná. Consiste em
um sistema de aproximadamente 2,4 mil quilômetros de vias navegáveis, interligadas ao
longo dos rios Tietê, Paraná, Piracicaba, Paranaíba, Paranapanema e Grande.
Para que diferentes rios sejam interligados em um único sistema hidroviário, a Tietê-Paraná conta com uma complexa infraestrutura de canais, represas, eclusas e terminais
portuários intermodais. Esses últimos, por sua vez, proporcionam conexão com rodovias e
ferrovias regionais e federais com acesso aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que
estão entre os mais importantes do país.
O sistema hidroviário Tietê-Paraná conecta cinco estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, servindo à navegação fluvial de longa distância e
ao transporte de cargas e de passageiros no país, com papel fundamental no escoamento
da produção agrícola regional. Além das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, essa hidrovia
beneficia estados de outras regiões, como Rondônia e Tocantins, e possibilita acesso ao
Paraguai, país vizinho e que, assim como o Brasil, integra o Mercosul.
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