Em quase todos os estados da região nordeste, as áreas de maior densidade demográfica estão próximas ao litoral. Essa concentração da população na faixa litorânea, é uma herança histórica da ocupação desde o período colonial e da produção voltada ao mercado externo. Hoje, ela é reforçada pela presença de indústrias e serviços e pela localização de importantes regiões metropolitanas.
A produção de cana-de-açúcar ainda é uma atividade econômica relevante na Zona da Mata (região da faixa litorânea) e em outros lugares e emprega muitos trabalhadores. Por isso, essa atividade é fator de atração de pessoas.
De acordo com dados de 2016,
entre as regiões metropolitanas do
Nordeste, três destacam-se em nú
mero de habitantes: a de Fortaleza
(4,019 milhões de habitantes), a de
Salvador (3,984 milhões) e a de Recife
(3,940 milhões).
Essas regiões metro
politanas também têm grande importância no cenário nacional, já que são,
respectivamente, a quinta, a sexta e a sétima regiões metropolitanas com maior número de habitantes do Brasil.
As três maiores regiões metropolitanas do Nordeste
também são consideradas polos regionais devido ao seu
poder de atração (de investimentos, pessoas, etc.), exercido na própria região.
As migrações
Ao longo de quase todo o século XX, apesar de terem sido criados alguns
órgãos para incentivar o desenvolvimento regional – como a Superintendência
de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Departamento Nacional de
Obras contra as Secas (DNOCS) –, a economia nordestina não gerou empregos
em quantidade suficiente para atender toda sua população em idade ativa. Por
isso, muitos nordestinos migraram para outras regiões à procura de trabalho.
Muitos nordestinos, no en
tanto, migraram de um município para outro, em diferentes
estados, mas permanecendo no
Nordeste, como mostram os da
dos do gráfico a seguir. O cres
cimento de algumas cidades e
a expansão das regiões metro
politanas atraíram pessoas de
pequenas cidades e das áreas
rurais em direção aos novos polos industriais ou agrícolas.
A partir da década de 1970
o fluxo de migrantes da região
Nordeste que se dirigiam a ou
tras regiões do país foi reduzin
do. Dessa época até os dias
atuais, o governo federal e al
guns governos estaduais e mu
nicipais tomaram medidas para
atrair à região indústrias, hotéis,
produtores agrícolas e empre
sas de vários outros setores do
Sudeste e do Sul do país e tam
bém do exterior. Entre outras
medidas, ofereceram incentivos
fiscais (redução de impostos) a
esses empreendimentos.
Além disso, a migração pendular de sertanejos em direção ao Agreste e
à Zona da Mata nos períodos de longa estiagem na Caatinga também diminuiu
a partir da década de 1980. Muitos lavradores se dirigiam a essa região em
busca de trabalho no corte de cana-de-açúcar e em outras atividades agrícolas. Embora ainda exista na atualidade, esse tipo de migração foi muito redu
zido com a construção de cisternas em casas, escolas e algumas áreas agrícolas.
Além da atração de novos investimentos, os governos têm realizado pro
gramas de transferência de renda e fornecido merenda e transporte escolar,
leite, remédios e outros gêneros de primeira necessidade. Tudo isso tem in
centivado a redução do volume de pessoas e famílias que migram em busca
de melhores condições de vida e trabalho.
As migrações nordestinas em obras de arte
Diversos artistas retrataram, por meio de suas obras, paisagens e modos
de vida da população do Nordeste, em especial a migração dos sertanejos, os
moradores das zonas semiáridas, tão importante no cenário social brasileiro.
Vitalino Pereira dos Santos (1909-1963), o Mestre Vitalino, foi um ceramista pernambucano (nascido em Caruaru), hoje conhecido internacionalmente, que esculpiu
em suas obras, entre outras coisas, cenas do cotidiano rural e urbano do Nordeste.
Filho de lavradores, começou a esculpir quando ainda era criança, usando as sobras
de barro que sua mãe utilizava para fazer utensílios como pratos e panelas. É con
siderado um artista popular por não ter frequentado escolas especializadas e por
representar o modo de ser e de viver de um lugar.
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