sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Nordeste - distribuição da população

Em quase todos os estados da região nordeste, as áreas de maior densidade demográfica estão próximas ao litoral. Essa concentração da população na faixa litorânea, é uma herança histórica da ocupação desde o período colonial e da produção voltada ao mercado externo. Hoje, ela é reforçada pela presença de indústrias e serviços e pela localização de importantes regiões metropolitanas.
A produção de cana-de-açúcar ainda é uma atividade econômica relevante na Zona da Mata (região da faixa litorânea) e em outros lugares e emprega muitos trabalhadores. Por isso, essa atividade é fator de atração de pessoas.
De acordo com dados de 2016, entre as regiões metropolitanas do Nordeste, três destacam-se em nú mero de habitantes: a de Fortaleza (4,019 milhões de habitantes), a de Salvador (3,984 milhões) e a de Recife (3,940 milhões). 
Essas regiões metro politanas também têm grande importância no cenário nacional, já que são, respectivamente, a quinta, a sexta e a sétima regiões metropolitanas com maior número de habitantes do Brasil. 
As três maiores regiões metropolitanas do Nordeste também são consideradas polos regionais devido ao seu poder de atração (de investimentos, pessoas, etc.), exercido na própria região. 

As migrações 

Ao longo de quase todo o século XX, apesar de terem sido criados alguns órgãos para incentivar o desenvolvimento regional – como a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS) –, a economia nordestina não gerou empregos em quantidade suficiente para atender toda sua população em idade ativa. Por isso, muitos nordestinos migraram para outras regiões à procura de trabalho.
Muitos nordestinos, no en tanto, migraram de um município para outro, em diferentes estados, mas permanecendo no Nordeste, como mostram os da dos do gráfico a seguir. O cres cimento de algumas cidades e a expansão das regiões metro politanas atraíram pessoas de pequenas cidades e das áreas rurais em direção aos novos polos industriais ou agrícolas. 
A partir da década de 1970 o fluxo de migrantes da região Nordeste que se dirigiam a ou tras regiões do país foi reduzin do. Dessa época até os dias atuais, o governo federal e al guns governos estaduais e mu nicipais tomaram medidas para atrair à região indústrias, hotéis, produtores agrícolas e empre sas de vários outros setores do Sudeste e do Sul do país e tam bém do exterior. Entre outras medidas, ofereceram incentivos fiscais (redução de impostos) a esses empreendimentos.
Além disso, a migração pendular de sertanejos em direção ao Agreste e à Zona da Mata nos períodos de longa estiagem na Caatinga também diminuiu a partir da década de 1980. Muitos lavradores se dirigiam a essa região em busca de trabalho no corte de cana-de-açúcar e em outras atividades agrícolas. Embora ainda exista na atualidade, esse tipo de migração foi muito redu zido com a construção de cisternas em casas, escolas e algumas áreas agrícolas. 
Além da atração de novos investimentos, os governos têm realizado pro gramas de transferência de renda e fornecido merenda e transporte escolar, leite, remédios e outros gêneros de primeira necessidade. Tudo isso tem in centivado a redução do volume de pessoas e famílias que migram em busca de melhores condições de vida e trabalho.

As migrações nordestinas em obras de arte 

Diversos artistas retrataram, por meio de suas obras, paisagens e modos de vida da população do Nordeste, em especial a migração dos sertanejos, os moradores das zonas semiáridas, tão importante no cenário social brasileiro. 
Vitalino Pereira dos Santos (1909-1963), o Mestre Vitalino, foi um ceramista pernambucano (nascido em Caruaru), hoje conhecido internacionalmente, que esculpiu em suas obras, entre outras coisas, cenas do cotidiano rural e urbano do Nordeste. Filho de lavradores, começou a esculpir quando ainda era criança, usando as sobras de barro que sua mãe utilizava para fazer utensílios como pratos e panelas. É con siderado um artista popular por não ter frequentado escolas especializadas e por representar o modo de ser e de viver de um lugar.

Nenhum comentário:

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...