A região Nordeste dominou a economia brasileira durante o período colonial
com a produção de açúcar. Depois, enfrentou um período de menor prosperidade,
mas nos últimos anos reagiu com novas atividades econômicas em diversos es
tados, como no Ceará, em Pernambuco e na Bahia.
Historicamente, a economia da região Nordeste esteve baseada principal
mente na produção do açúcar, no cultivo do cacau e na pecuária. Há algumas dé
cadas, teve início o desenvolvimento de lavouras de fruticultura para exportação
na área do Vale do São Francisco, nos estados da Bahia e de Pernambuco — principalmente nos municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) — e também no Vale
do Açu (RN), na sub-região do Sertão.
O Sertão semiárido também é visto como espaço favorável a atividades
econômicas, como caprinocultura (criação de cabras), apicultura (criação de
abelhas), ecoturismo, extrativismo mineral e muitas outras. No litoral, desenvol
veram-se a carcinicultura (criação comercial de crustáceos, como o camarão) e,
principalmente, o turismo. Muitos trechos de Cerrado, especialmente no Mara
nhão, no Piauí e na Bahia, vêm sendo aproveitados para o cultivo de grãos, como
arroz, milho e soja.
O petróleo é explorado no litoral e
na plataforma continental. O setor de
turismo, que tem demonstrado grande
potencialidade de desenvolvimento na
região, cresceu consideravelmente nas
últimas décadas e apresenta perspecti
vas promissoras para o futuro. Porém,
todas essas atividades podem trazer
perdas enormes ao meio ambiente se
forem desenvolvidas sem planejamento e de modo não sustentável, a exemplo da destruição ambiental provocada
pelas atividades de criação de gado e
do cultivo da cana-de-açúcar,
que promoveram intenso desmatamen
to da vegetação natural (Mata Atlântica
e Caatinga).
Os polos industriais, localizados
próximo a grandes cidades,
têm gerado poluição do ar, dos rios e
mares. A expansão urbana e a ocupação do litoral por empreendimentos
turísticos e pela carcinicultura também
prejudicam as áreas de vegetação nati
va e de manguezais.
Com o processo de integração econômica do território brasileiro, especial
mente a partir dos anos 1940-1950, o Nordeste, ao integrar-se ao mercado inter
no, passou a ser comprador de grandes quantidades de produtos industrializados
do Centro-Sul. Ao mesmo tempo, forneceu alguns tipos de matérias-primas e, sobretudo, mão de obra barata. Até mesmo a instalação de indústrias no Nordeste,
a partir da década de 1960, dependeu da participação intensiva de capitais de
empresários do Centro-Sul.
O baixo nível de desenvolvimento social e econômico da região Nordeste, ca
racterizado, entre outros aspectos, pela menor oferta de empregos e pelos baixos
salários, acabou contribuindo para a expulsão da mão de obra: cerca de 15 mi
lhões de nordestinos migraram para o Centro-Sul e para a Amazônia entre 1940
e 1995. Atualmente, porém, apesar de muitos nordestinos ainda deixarem sua
região, a migração de retorno vem aumentando cada vez mais.
Os trabalhadores que deixaram o Nordeste tiveram importante contribuição
no crescimento de algumas áreas do Centro-Sul, particularmente o Distrito Federal e posteriormente São Paulo e Rio de Janeiro
A partir da segunda metade da década de 1970, o número de empresas que se instalaram na região Nordeste aumentou significativamente. E, nas últimas décadas, a economia da região vem passando por um processo acelerado de crescimento e diversificação, com forte tendência à especialização produtiva em suas sub-regiões (processo interrompido durante a recessão que ocorreu entre 2014 e 2017).
Há investimentos em indústrias, portos, aeroportos, agricultura, turismo e em várias atividades terciárias, com destaque para escolas básicas e faculdades. Além dos incentivos fiscais, alguns fatores contribuí ram para isso, como:
- o aumento na produção de energia;
- a modernização do sistema de transportes;
- a média de salários mais baixa que nas regiões de industrialização mais antiga.
Economia nordestina no século XX
Durante muito tempo a economia brasileira estava organizada em “ilhas”, isto
é, não havia uma ligação entre as diferentes regiões do país. Cada região produzia
para suas próprias necessidades. A partir da década de 1930, isso passou a mudar,
tendo novo impulso na década de 1950, quando ações governamentais levaram
ao início da integração econômica brasileira.
Na região Nordeste, durante muito tempo, houve uma importante atividade
econômica voltada para a produção de açúcar e de algodão. Como ocorreu em
outras partes do Brasil, o modelo de plantation, aplicado na época colonial, gerou
uma concentração fundiária que deixou muitos trabalhadores sem acesso à terra,
ou com dificuldades para produzir no campo.
Esses trabalhadores começaram a
se organizar para mudar esse quadro, dando início à luta pela reforma agrária, ou
seja, por uma distribuição de terras mais democrática e menos concentrada, des
tinada para quem nela trabalha.
Com a integração econômica nacional, o Nordeste transformou-se em uma
região de economia estagnada e com fortes fluxos migratórios.
A competição com
os estados do Sudeste e do Sul agravou as precárias condições de vida dos traba
lhadores da indústria agroaçucareira e da indústria têxtil. Como resultado, a Ama
zônia e os estados do Sudeste receberam muitos migrantes nordestinos nas dé
cadas de 1950 a 1980, principalmente.
Desde a década de 1990, o Nordeste também tem participado da moderniza
ção da economia brasileira. Uma série de mudanças levou a uma melhoria da
atividade econômica e aumentou a riqueza regional, mas não melhorou muito sua
distribuição. Por isso, os indicadores sociais do Nordeste ainda são os mais baixos
do país, o que leva muitos estudiosos a afirmar que o que ocorreu foi uma mo
dernização conservadora.
O Vale do São Francisco, com a agricultura irrigada – especialmente o polo
produtor localizado entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco –, tem
se especializado na produção de frutas tropicais para exportação. Além disso, a
agricultura mecanizada expandiu-se e diversificou-se. O município de Barreiras,
na Bahia, integra hoje a área produtora de soja, sob forte influência do mercado
exportador
A indústria
Até meados do século XX, a porção Centro-Sul concentrava a grande maioria
das indústrias existentes no Brasil. Essa predominância seguiu sem grandes
mudanças até a década de 1970. A partir de então, a Região Nordeste passou a
apresentar alguns avanços no setor industrial, porém nada muito significativo.
Diante das desigualdade entre as diferentes
regiões brasileiras, muitos nordestinos migraram para a Região Sudeste em bus
ca de trabalho, sobretudo no setor industrial, entre as décadas de 1950 e 1990.
Porém, nas últimas décadas, as atividades industriais desenvolvidas na Região
Nordeste têm se diversificado, já que importantes tipos de indústrias, antes
restritas às regiões Sudeste e Sul, passaram a exercer suas atividades em estados
nordestinos. Isso ocorreu devido a uma série de investimentos governamentais
em infraestrutura, tais como instalação de usinas hidrelétricas, construção ou
modernização de portos marítimos, construção e ampliação de rodovias, além da
concessão de incentivos fiscais para as empresas, como baixos impostos.
A Zona da Mata é a região onde está localizada grande parte das indústrias da
Região Nordeste, por exemplo, o Distrito Industrial de Ilhéus, na Bahia, e o Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco. Além da presença de um
importante mercado consumidor, essa sub-região conta com uma rede de transporte composta por rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Entre as principais empresas que se instalaram no Nordeste estão as do ramo
de autopeças, softwares, componentes químicos, automóveis, tecidos e calçados.
A partir de 2010, a Petrobras anunciou uma série de descobertas de petróleo em
diversos pontos do litoral nordestino e essa também tem sido um atrativo para
diversas empresas do setor ao Nordeste.
As três maiores Regiões Metropolitanas do Nordeste – Fortaleza, Salvador
e Recife – são também os grandes centros industriais da região. A geração de riqueza dos
polos industriais da Bahia, de Pernambuco e do Ceará e os serviços comerciais
gerados indiretamente por eles contribuem para que esses estados tenham
os maiores PIBs da região.
Importantes áreas industrializadas também movimentam a economia da região
Nordeste.
Na Bahia, indústrias mecânicas, químicas, automotivas e de celulose foram
implantadas nas proximidades de Salvador, no Polo Industrial de Camaçari, trans
formando o Recôncavo Baiano em uma das áreas mais importantes do país.
O
Centro Industrial de Aratu, próximo a Salvador, também aloja muitas indústrias e
serviços, assim como o município de Feira de Santana, cuja posição geográfica o
torna atrativo para as indústrias.
A intensificação do desenvolvimento industrial do Ceará a partir dos anos 1990
vem alterando o cenário do estado. O destaque fica para Horizonte, município na
Grande Fortaleza que conta com uma montadora de automóveis e indústrias do
setor têxtil e alimentício. Outra concentração industrial está em Sobral e Crato,
que se especializaram na produção de calçados. O Complexo Industrial Portuário
de Pecém, ainda em fase de implantação, vem atraindo muitas indústrias, entre
as mais importantes, uma petroquímica e uma siderúrgica.
Nos anos 2000, Pernambuco passou a ter uma das economias que mais crescem
no Brasil, estimulada por novos investimentos. O Complexo Industrial Portuário de
Suape, que fica há 40 quilômetros do Recife, recebeu uma refinaria de petróleo e
uma grande empresa petroquímica. Além disso, desde 2015 opera no município de
Goiana, no estado de Pernambuco, mais uma montadora de automóveis que produz
cerca de 100 mil carros por ano, parte dos quais destinados à exportação
Em conjunto com essa fábrica atuam
cerca de 16 empresas, que empregam, no
total, cerca de 8 500 trabalhadores. Também
merece destaque o Porto Digital, uma inicia
tiva do Governo Estadual que criou as condições para que empresas do setor tecnológico se instalassem na capital do estado.
Atraindo indústrias para o Nordeste
Muitas empresas têm se instalado na Região Nordeste atraídas pelos incentivos
fiscais concedidos pelos estados ou municípios e pelo menor custo da mão de obra,
se compararmos com os salários pagos nas áreas mais industrializadas de outras
regiões do país, como a Sudeste.
Desde os anos 1990, o baixo custo da mão de obra nordestina vem atraindo
empresários do Centro-Sul e do exterior. Os incentivos dos governos estaduais
(redução ou isenção de impostos), conhecidos como guerra fiscal, também têm
estimulado a instalação de indústrias no Nordeste.
Entre essas empresas estão as que atuam em setores mais tradicionais, como o alimentício e o de vestuário (têxtil e calçados), e também as mais avançadas tecnologicamente, como as de informática, petroquímica e automobilística.
Também estão presentes na Região Nordeste indústrias extrativas minerais e de
recursos energéticos fósseis, voltadas, sobretudo, para a exploração de chumbo,
cobre, cloreto de sódio e petróleo.
Esses fatores contribuíram, por exemplo, para a instalação de unidades produtivas de calçados no sudeste baiano e no interior do Ceará; de equipamentos de
informática e eletroeletrônicos em Ilhéus, no litoral da Bahia; e de outros setores,
como o alimentício, de higiene e limpeza, de telemarketing, confecções, medica
mentos e automóveis, inclusive nas regiões metropolitanas.
Também o setor de tecnologia da informação (TI) tem recebido empresas de
desenvolvimento de software, equipamentos e acessórios. Em Pernambuco, por
exemplo, ao lado de uma centena de pequenas e médias empresas do setor, o
Porto Digital abriga multinacionais. No mesmo estado, em Suape, en
contra-se um dos maiores polos tecnológicos do Brasil.
No polo industrial de Camaçari, foi inaugurada em 2001 a primeira indústria automobilística (multinacional estadunidense).
Atualmente, esse polo é responsável por
mais de 30% das exportações da Bahia. Destacam-se nele, além da indústria automobilística, as indústrias química e petroquímica, de
metalurgia (cobre), bebidas, celulose e fertilizantes, entre outras.
Atualmente, a região nordestina possui o terceiro maior parque industrial do
Brasil. Essa posição decorre de uma série de fatores, como os incentivos fiscais
oferecidos pelos governos estaduais e municipais e a disponibilidade de mão de
obra barata, ou seja, com baixos salários.
O processo de diversificação industrial no Nordeste está transformando sua economia, pois, além de mudar a organização espacial interna regional instalando, por
exemplo, novas fábricas em áreas antes ocupadas por atividades, como agricultura
e pecuária, vem gerando mais riquezas para a região.
Os governos estaduais da
Região Nordeste têm busca
do consolidar a formação de
polos produtivos especializados. Eles compreendem áreas de grande dinamismo
econômico que contribuíram
para impulsionar o crescimento regional.
AS PRODUÇÕES MINERAL E INDUSTRIAL
O Nordeste apresenta diversas reservas minerais de urânio, amianto, titânio, fosfato,
calcário, diamante, ouro, entre outras. As atividades de garimpo e mineração se destacam,
entretanto, são superadas pela extração de petróleo e gás natural.
Além da produção de combustíveis e gás de cozinha, o gás natural é utilizado na
fabricação de fertilizantes.
A produção de petróleo no Nordeste
No Nordeste, a produção de petróleo destaca-se nas áreas da Bacia Potiguar (RN),
da Bacia de Alagoas (AL), da Bacia do Recôncavo (BA) e da Bacia do Sergipe (SE). Desde
2013, com a descoberta do pré-sal, houve
crescimento na atividade exploratória.
A maior parte das bacias está localizada
em campos maduros, ou seja, onde a exploração ocorre há mais de 25 anos. Também
existem pesquisas que visam comprovar
a existência de reservas de petróleo com
grande potencial.
O desta
que da produção petrolífera brasileira é a
Bacia de Campos e Santos, situada na plata
forma marítima entre os estados do Espírito
Santo, do Rio de Janeiro e de São Paulo. No
entanto, ainda que Rio Grande do Norte,
Bahia, Sergipe, Maranhão, Alagoas e Ceará
tenham menor participação na produção
nacional de petróleo, é importante destacar
os investimentos realizados no setor, a exten
são do litoral e a infraestrutura existente na
região nordestina, como o Polo Petroquímico
de Camaçari (BA).
Agropecuária na Região Nordeste
A agropecuária emprega numerosa mão de obra na Região Nordeste e é
desenvolvida em todas as sub-regiões nordestinas.
Na Zona da Mata prevalecem as culturas de frutas tropicais, como o caju, a
manga e o mamão e, principalmente, as lavouras monocultoras de cana-de-açúcar, cacau e fumo.
Esses gêneros agrícolas desempenham um importante
papel na economia regional, pois, além de empregar um grande número de
trabalhadores, fornece produtos para a exportação e também matéria-prima para
a atividade industrial nacional.
No Agreste, predominam pequenas e médias propriedades rurais onde é
desenvolvida a policultura.
Em geral, essas propriedades localizadas nas porções
mais úmidas da sub-região dedicam-se aos cultivos de mandioca, feijão, milho e
também à fruticultura. Atualmente, o Agreste tornou-se um dos mais importantes
centros de abastecimento alimentício regional.
Grande parte da atividade agrícola no Sertão ainda é realizada com o emprego
de técnicas tradicionais de cultivo, sobretudo nos brejos, áreas que apresentam
umidade e solos férteis, o que favorece o desenvolvimento de diferentes tipos de
culturas, principalmente de milho, feijão e arroz.
No Sertão, os brejos estão localizados, principalmente, nas encostas das serras e vales fluviais.
Além das lavouras desenvolvidas nos brejos, no entanto, o Sertão nordestino vem
se destacando pela expansão de polos agrícolas em algumas áreas do semiárido, o
que é possível graças aos sistemas de irrigação.
Nas últimas décadas, a atividade agrícola desenvolvida na sub-região Meio-Norte também vem passando por mudanças significativas, proporcionadas,
sobretudo, pela inserção de técnicas modernas de cultivo agrícola.
Além dos
sistemas de irrigação, entre os recursos utilizados estão adubos e fertilizantes,
sementes selecionadas e maquinários agrícolas modernos. No oeste do estado
da Bahia e no sul dos estados do Piauí e do Maranhão, por exemplo, a intensa
utilização de implementos agrícolas está favorecendo o cultivo de grãos, em
especial a soja.
Grande parte da pecuária desenvolvida na Região Nordeste é realizada de ma
neira extensiva, com o gado criado solto e a alimentação baseada, principalmente, em pastagens.
No Agreste, a criação bovina está voltada, em grande parte, para o fornecimento de leite e derivados. No Sertão, a criação de gado é a principal atividade econômica. O rebanho pode ser encontrado tanto nos latifúndios, na forma extensiva,
quanto em pequenas propriedades familiares.
Já no Meio-Norte, as áreas situadas
nas porções mais secas destinam-se, sobretudo, à pecuária leiteira e à avicultura.
A pecuária caprina e ovina também é
praticada na Região Nordeste desde a
colonização.
Esse fato se deve, principal
mente, à fácil adaptação desses animais
ao clima quente e à vegetação da Caatinga existente na região.
A MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA
A agricultura no Nordeste é caracterizada pelo cultivo de soja, cana-de-açúcar,
grãos, raízes, leguminosas e frutas, além das pecuárias caprina, ovina e bovina.
Nas últimas décadas, a agricultura nordestina tem passado por modificações significativas, seja nos setores mais tradicionais, como o canavieiro, seja na criação de novas
culturas, como é o caso da produção irrigada de frutas do Sertão ou dos arranjos produ
tivos modernos.
Como consequência da modernização e da especialização de práticas agropecuárias,
cuja produção se destina ao mercado externo, houve um crescimento do uso de novas
técnicas de correção e fertilização de solos e a implantação de projetos de irrigação e
seleção de sementes e espécies.
A modificação da estrutura produtiva agropecuária nordestina tem submetido os
agricultores a novas pressões:
• cenários internacionais de competição e de protecionismo,
que dificultam a exportação;
• mudança das estruturas de propriedade da terra;
• necessidade cada vez maior de mecanização agrícola e acesso
à tecnologia;
• formação do chamado agronegócio, que é a fusão da agricultura com processos
industriais, por exemplo: integrar o plantio de cana-de-açúcar à produção de açúcar
e álcool.
Com a mecanização e o uso intensivo de recursos biotecnológicos e da atividade
agroindustrial, a produção agrícola no Nordeste vem apresentando diversidade de uso
de tecnologia e ciência, conforme as características físico-naturais das sub-regiões (Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata).
Nessas áreas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve
estudos especializados em genética, microbiologia, engenharia de produção e de alimen
tos, nutrição animal, técnicas de reprodução etc. As instalações da Embrapa estão divididas
por sub-região ou tipos de atividades.
A agricultura no Sertão
O Sertão seco
Nas áreas do Sertão nordestino onde a reduzida disponibilidade de água
dificulta o cultivo durante vários meses do ano, muitas famílias que vivem em
pequenas propriedades e que não são beneficiadas pela presença de um rio
perene, açude ou construção de cisterna só conseguem cultivar a terra durante o período das chuvas, que dura poucos meses.
No restante do ano, muitos trabalhadores migram sazonalmente
para a Zona da Mata, para trabalhar no corte da cana, por exemplo. A região Nordeste é a que possui a menor disponibilidade de água, exceto em algumas áreas do litoral.
O Sertão irrigado
A técnica de irrigação tem se mostrado uma eficiente alternativa adotada no
Nordeste para combater a seca e desenvolver a agricultura. Os investimentos
realizados em projetos voltados para a irrigação vêm desenvolvendo no Sertão
nordestino modernos polos agrícolas, em especial de produção de frutas.
Atualmente, a região nordestina é a primeira produtora nacional das principais
frutas frescas. Em áreas onde a técnica de irrigação é utilizada, a produtividade é
em média três vezes maior que em áreas sem irrigação. Entre as áreas de destaque
na produção de frutas irrigadas estão a região de Petrolina-Juazeiro, entre os
estados da Bahia e Pernambuco.
A boa produtividade da fruticultura também é garantida pelas condições
naturais do Nordeste. Muitas frutas encontram nas altas temperaturas da região,
que são constantes praticamente o ano todo, as condições adequadas para
se desenvolverem.
Nas margens dos rios perenes e no entorno de açudes ou de poços artesia
nos predominam os latifúndios. Neles, é possível cultivar a terra durante o ano
inteiro e obter mais de uma colheita anual.
Além de dispor de água para irrigação,
essas áreas agrícolas contam com forte insolação o ano inteiro, o que permite
alta produtividade. Boa parte dessa produção é exportada, com destaque para
os países da Europa ocidental, os Estados Unidos e o Japão, ou abastece as
grandes cidades do Centro-Sul do Brasil. Historicamente, as grandes proprie
dades do Nordeste receberam mais recursos do governo que as pequenas.
O algodão também é produzido no Sertão, graças à irrigação, e abastece
a indústria têxtil de Fortaleza e do Recife. Como vimos, o cultivo de frutas na
região de Petrolina (BA) tem se destacado como importante gerador de renda
para o estado. O oeste da Bahia e o sul do Maranhão e do Piauí possuem rios
perenes e passaram a ser fronteiras agrícolas com a introdução da moderna
cultura de grãos, principalmente de soja, graças à possibili
dade de escoamento pela hidrovia do rio Tocantins.
Nas áreas sujeitas a estiagem prolongada, alguns projetos vêm sendo im
plantados pelo governo federal e por ONGs para dar às famílias condições de
produzirem, mesmo nos períodos de estiagem. A implantação de cisternas,
vista no capítulo anterior, é uma delas. Outros projetos ainda se encontravam
em desenvolvimento em 2018, como o da transposição do rio São Francisco,
que nesse ano tinha a Fase 1 já em operação.
A construção da hidrovia do rio
Tocantins impulsionou o movimen
to de expansão da soja em direção
Ð
40° O
ao interior da região Nordeste.
Após a construção da hidrovia, o
maior volume de soja produzido
nessa região – que teve a China
como destino principal em 2018 –
passou a ser escoado pelos portos
da região Norte.
OS CINTURÕES AGRÍCOLAS NAS SUB-REGIÕES
NORDESTINAS
Cada sub-região conta com sistemas específicos de produção, que adotam solu
ções tecnológicas para alcançar produtividade em áreas com estresse hídrico.
Nos estados do
Meio-Norte, vão se concentrar
as produções que precisam de
maior umidade, chuvas mais
frequentes e solos menos
ácidos; no Sertão estarão
concentradas aquelas ativida
des agrícolas que resistem a
longos períodos de estiagem e
baixa umidade; já no Agreste e
na Zona da Mata, estão con
centradas as produções que
resistem a curtos períodos de
estiagem e maior umidade.
A IMPORTÂNCIA DO RIO SÃO FRANCISCO
O Rio São Francisco é o principal rio perene da Região Nordeste. Suas nascentes
localizam-se no estado de Minas Gerais; de onde segue na direção norte e deságua no
oceano Atlântico, na divisa entre Sergipe e Alagoas. Atravessa três das quatro sub-regiões
do Nordeste: Sertão, Agreste e Zona da Mata.
É um rio extremamente importante para a região nordestina. Além de garantir água
para uma vasta área, em especial, o Sertão, possibilita a instalação de hidrelétricas em
diversos trechos de seu percurso, que abastecem as principais cidades do Nordeste.
No entanto, a falta de planejamento no uso das águas e o desmatamento das matas
ciliares têm causado sérios problemas, como o assoreamento do
rio, a diminuição do canal fluvial e a poluição de suas águas.
Oficialmente chamado Projeto de Integração do Rio São Francisco com as
Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, a transposição do rio São Francisco é um empreendimento que, segundo o governo federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, vai assegurar a oferta de água
a cerca de 12 milhões de habitantes da região semiárida. É um projeto antigo
e polêmico, com alguns argumentos contrários e outros favoráveis à sua realização.
O projeto de transposição do rio São Francisco
A transposição consiste na construção de dutos de ligação das águas do São Francisco
para alimentar rios intermitentes e açudes nas regiões mais afetadas pela seca, com previsão de abastecer um total de 390 municípios nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará
e Rio Grande do Norte.
O Projeto de Integração do Rio São
Francisco é uma prioridade do governo
federal. Com a aceleração das obras, (a
partir de 2016) o Ministério da Integração
Nacional conseguiu inaugurar o Eixo Leste
do empreendimento, em março de 2017. No mesmo ano, foi verificada a melhora no acesso à água nas áreas próximas a açudes, o que levou a novos projetos para beneficiar outros estados nordestinos.
O objetivo desse eixo é garantir a
segurança hídrica da população da
Paraíba e de Pernambuco com uma maior
oferta de água. No mês seguinte – em
abril de 2017 –, as águas do “Velho
Chico”, apelido dado ao rio São Francisco,
chegaram ao reservatório Epitácio Pessoa,
em Boqueirão (PB), e, naquela ocasião, já
foi possível reduzir o regime de
racionamento de água na Região
Metropolitana de Campina Grande.
Cerca
de 700 mil pessoas, de 20 municípios
pernambucanos e paraibanos,
melhoraram a qualidade de vida. A partir
dessa data, a população não sofre mais
com o racionamento. Dois grandes canais
principais e canais complementares levam
água do rio São Francisco para canais
intermitentes (temporários) do semiárido.
Apesar disso, há críticas ao modelo
da transposição, que apontam como
possíveis fatores negativos o aumento
do assoreamento do rio, a diminuição
de seu volume de água, o que afetaria
os peixes e outros animais desse hábitat,
e a perda de vegetação nativa causada
pelas obras. Além disso, os projetos
de irrigação colocados em prática até
então favoreceram principalmente os
latifúndios monocultores, que destinam
toda a sua produção à exportação.
O biocombustível
O biocombustível é um combustível biodegradável fabricado à base de fontes reno
váveis, como óleos vegetais e gorduras animais.
Ele é menos poluente que os combustíveis convencionais, como o diesel, proveniente
do petróleo.
O biocombustível utilizado em veículos movidos a diesel, caminhões e tratores,
por exemplo, é conhecido como biodiesel.
Por beneficiar o desenvolvimento da atividade agrícola, o biocombustível recebe
insumos da pecuária, como o sebo bovino, que pode ser usado em sua composição.
No
futuro, ele poderá reduzir a exploração do petróleo, uma vez que
é, em muitos casos, um substituto desse recurso.
A produção de biocombustível no Nordeste é significativa, em
especial, no que diz respeito ao aproveitamento de oleaginosas,
como o babaçu, o girassol e a mamona.
O turismo
A atividade turística é um dos setores da economia que mais crescem no mundo, e na Região Nordeste gera muitos recursos e empregos.
Ele envolve grandes investimentos em infraestrutura, como
rodovias, portos e aeroportos, e produz grande dinamismo no comércio e nos
serviços em geral oferecidos por pousadas, hotéis, restaurantes, lojas de arte
sanato local, empresas de viagens com guias turísticos, serviços de segurança,
etc., gerando muitos empregos – atualmente é uma das atividades que mais
geram empregos em todo o mundo.
Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento do turismo no Nordeste tem sido marcado
por quatro características:
• diversificação dos destinos, que não se limitam unicamente às capitais e às localidades
litorâneas;
• crescimento contínuo do fluxo de turismo interno e externo;
• profissionalização do setor;
• articulação eficiente entre poder público e iniciativa privada.
O turismo é um dos exemplos da articulação entre natureza, economia e cultura.
Assim, para que a atividade turística tenha sucesso, não se devem considerar apenas as
características naturais, mas também as condições culturais e educacionais da região,
promovendo, por exemplo, a formação de mão de obra especializada.
Além das belezas naturais, como o seu vasto litoral e as áreas como os Lençóis
Maranhenses, o Nordeste tem cidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (Iphan), como Salvador (BA), Olinda (PE) e São Luís (MA), e, também,
grandes áreas de preservação ambiental.
Na região Nordeste, o turismo doméstico é muito mais importante para
a economia dos centros turísticos do que o turismo internacional. Por exemplo, segundo o Anuário estatístico do Ministério do Turismo, em 2016 ingres
saram 6,6 milhões de turistas de outros países no Brasil; destes, apenas 301 mil
tiveram como destino o Nordeste. Ou seja, menos de 5% desse total se dirigiu à região.
Os grandes receptores de turistas estrangeiros são o estado de São Paulo,
com 2,2 milhões (cerca de um terço do total), Rio de Janeiro, com quase 1,5 milhão, e Rio Grande do Sul, com 1 milhão.
O turismo também tem crescido principalmente na orla litorânea do Nordeste. Grandes e sofisticados complexos hoteleiros hoje fazem parte da paisagem de
muitas partes do litoral nordestino, dada sua beleza que atrai turistas
do Brasil e do exterior. Eles foram construídos de modo a atender diferentes faixas
de renda. A atividade se tornou uma das prioridades das políticas de planejamento dirigidas à região. Isso significa que os empresários do setor turístico contam
com grande apoio do governo federal e de governos estaduais para realizar seus
investimentos.
Entre os brasileiros, a região Nordeste é a que atrai mais turistas, no que se refere apenas ao turismo doméstico. O clima agradável e as belas praias atraem pessoas de
outras regiões do Brasil (e do exterior) em todos os meses
do ano, já que no litoral as temperaturas mantêm-se sempre elevadas. No interior, as paisagens naturais, as regiões
de serras e chapadas com temperaturas amenas e os parques ecológicos também se tornaram um grande polo de
atração de visitantes.
Parte dos investimentos que a região recebeu veio de grupos internacionais.
Eles procuraram criar um mercado para turistas europeus, dada a menor distância
entre capitais nordestinas e os tradicionais destinos, como Rio de Janeiro (RJ) e
Foz do Iguaçu (PR).
Já o turismo de negócios desponta com grande vigor. Fortaleza (CE) transformou-se em uma capital de eventos, recebendo congressos, feiras e convenções
todos os meses, o que movimenta sua rede hoteleira e os serviços, como restaurantes.
Cidades como Salvador exploram a atividade turística de diversas formas. Além
de receber eventos com frequência, dada sua posição no território brasileiro, explora suas praias, festividades religiosas, o carnaval e, também, seu patrimônio
histórico.
O Pelourinho, lugar que era usado para
sacrificar e reprimir escravizados na época da es
cravidão, mantém um conjunto arquitetônico da
época colonial que atrai turistas do Brasil e de outros
países. Por fim, encontram-se igrejas de
coradas com ouro que também se tornaram um
importante destino de visitação turística.
Todas essas transformações ocorridas no Nordeste indicam que as regiões brasileiras estão permanentemente em processo de mudança. É o que
se pode verificar também na região Norte, que no
passado recebeu muitos migrantes nordestinos.
No entanto, a atividade turística também apresenta aspectos negativos, já que pode
contribuir para a degradação ambiental e a expulsão da população local em áreas que
atraem investimentos turísticos. Considerando isso, é importante que as políticas voltadas
para o incentivo ao turismo promovam o desenvolvimento local e respeitem as legislações
ambientais e trabalhistas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário