quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

As novas tecnologias

O desenvolvimento tecnológico se tornou fator determinante do sucesso de uma empresa, e mesmo de um país, no atual cenário competitivo do mercado internacional e se difundiu por todos os setores econômicos, destacando-se o industrial e o de serviços. 
A capacidade de gerar ciência e tecnologia é fundamental no processo de globalização da produção. A inovação tecnológica é usada para atrair consumidores e constitui uma fonte de obtenção de lucros para as empresas geradoras de conhe cimento tecnológico no processo produtivo.
Os avanços tecnológicos nas áreas de eletrônica, micro eletrônica, robótica, informática, biotecnologia e telecomunicações constituem um elemento fundamental na conquista e na ampliação de mercados consumidores. No contexto da Terceira Revolução Industrial, o geógrafo Milton Santos salientou que os espaços estão carregados de ciência, técnica e informação). 
As tecnologias da informação garantem o funcionamento das redes geográ ficas. A internet, os satélites e os programas de comunicação, utilizados por em presas e consumidores, são fruto do avanço tecnológico e os computadores, tablets, jogos eletrônicos, aviões, satélites e celulares, entre outros produtos, são resultado de muitas pesquisas científicas. As tecnologias usadas no desenvolvimento de bens de consumo geram muita disputa entre as empresas, que querem estar à frente nas inovações para conquistar os consumidores.
Além de transformar os processos de fabricação e as técnicas de administração industrial, as novas tecnologias possibilitam a criação e a renovação de produtos, bem como o desenvolvimento de novos materiais, produzidos em la boratório. Tudo isso graças aos avanços das pesquisas científicas, fundamentais para o aprimoramento da tecnologia industrial. 
A biotecnologia, por exemplo, integra as ciências biológicas e os processos tecnológicos industriais, produzindo alimentos, medicamentos e outras formas de vida. Essa avançada tecnologia exige investimentos elevados e por isso está fortemente concentrada nos países desenvolvidos, que abrigam os principais polos tecnológicos mundiais. 
Os avanços tecnológicos vêm contribuindo para um aumento significativo da capacidade produtiva das empresas e para a redução dos custos. As corporações transnacionais estruturam cadeias globais de produção, ou cadeias produtivas globais, nas quais as peças de uma mercadoria são produzidas em diversos países. Essas corporações também contratam empresas para a fabrica ção de seus produtos. Há também as cadeias globais que processam mercadorias agrícolas, como milho, soja, cacau.
Apesar de todos os avanços, o acesso aos recursos tecnológicos está restrito a uma pequena parcela da população mundial, que se concentra sobretudo nos países desenvolvidos. 
Ao diminuir o tempo de acesso aos diferentes locais, as tecnologias de comunicação e de transporte acabam alterando as noções de espaço e de tempo, interferindo no modo como as pessoas trabalham, se deslocam, se comunicam, compram e se divertem, gerando uma sensação de redução de distâncias. 
Por um lado, essas inovações tecnológicas podem trazer diversas vantagens para pessoas e empresas, como maior rapidez no envio de informações e na realização de tarefas, mais opções de entretenimento e agilidade nos deslocamentos, facilidade de compras, etc. Por outro lado, elas podem causar maior nível de estresse nas pessoas, em decorrência da busca desenfreada por consumo, de maiores pressões no trabalho e de um ambiente mais competitivo, entre outros fatores.
As inovações tecnológicas, porém, geram um fluxo rápido de descarte de produtos, já que as tecnologias estão constantemente se aperfeiçoando. Equipamentos eletrônicos são descartados muito antes do final de sua vida útil para serem substituídos por outros mais modernos, assim como máquinas e aparelhos eletrodomésticos. Um dos resultados desse processo é o lixo tecnológico, que gera sérios problemas ambientais.

Fase atual do capitalismo

O capitalismo técnico-científico-informacional 

Essa nova fase do capitalismo se desenvolveu, principalmente, a partir da década de 1970, estando associado à Terceira Revolução Industrial. Entre suas principais características está a forte interdependência entre o conhecimento científico e o meio industrial, isto é, a integração entre conhecimento científico e produção industrial. 
Nesse contexto, a pesquisa científica passou a ser considerada a “peça-chave” para o desenvolvimento das indústrias de alta tecnologia, entre elas a eletrônica, a robótica, a de biotecnologia, a aeroespacial, a de informática (computadores e softwares), a de telecomunicação (rede de cabos e satélites) e a mecatrônica (robôs industriais e comandos digitais). 
Essa dependência levou à aproximação de universidades e centros de pesquisas científicas com indústrias de alta tecnologia, uma tendência que perdura até os dias de hoje. 
Na década de 1990, o sociólogo espanhol Manuel Castells criou o termo capitalismo informacional para se referir a esse novo período, posterior ao capitalismo financeiro. Além de novos sistemas de organização produtiva e introdução de novas tecnologias, o capitalismo informacional incentivou o comércio internacional a níveis nunca antes registrados e proporcionou um papel ainda mais importante à circulação de informações pelo espaço geográfico. 
O capitalismo informacional contribuiu para que as transações comerciais em nível mundial ultrapassassem todos os volumes e valores antes registrados. Esse cres cimento no comércio global é explicado por diversos fatores, entre eles o avanço nas tecnologias de transporte e comunicação, a queda gradativa das tarifas alfandegá rias, a inserção de várias economias nacionais no mercado internacional, além da disseminação de empresas transnacionais por vários países do mundo
O comércio em escala planetária proporciona uma grande interdependência do espaço geográfico mundial. Para muitos estudiosos, essa interdependência tem raízes nas Grandes Navegações europeias do século XVI, ou seja, há alguns sécu los teve início um processo que atualmente resulta na internacionalização ou mundialização da produção industrial, do capital, das mercadorias, das técnicas, do trabalho e até mesmo do consumo e da cultura. Segundo esses estudos, vive mos atualmente a era da globalização.

A expansão capitalista no mundo atual

Após a Segunda Guerra Mundial, começou a se estruturar uma nova etapa de desenvolvimento do capitalismo, que vem se intensificando, sobretudo a partir dos anos 1970 e 1980. Essa fase é marcada pela supremacia dos Estados Unidos como principal potência político-militar e econômica do planeta. 
No entanto, no período que sucedeu a Segunda Guerra até o final dos anos 1980, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que havia implantado o socialismo, rivalizava com os Estados Unidos como principal potência mundial, principalmente no aspecto políico-militar.
A partir dos anos 1960, a ascensão econômica do Japão e da Alemanha elevou-os a grandes potências econômicas mundiais. Até os primeiros anos do século XXI, esses países ocupavam, respectivamente, os postos de segunda e terceira economias do mundo. 
No decorrer deste século, a China vem despontando como grande potência econômica, disputando com os Estados Unidos o posto de maior economia mun dial. Apesar de já se estruturar de forma multipolar, com centros importantes na Europa (União Europeia), no Japão e, sobretudo, nos Estados Unidos, esse poder global, a partir da última década do século XX, passou a contar também com a pujança chinesa. 
A esse movimento emprega-se o termo recentralização em razão de os chineses já terem constituído um império, entre os séculos II a.C. e XIX d.C. – período em que a influência da China era marcante em extensas porções da Ásia – e agora voltarem a uma posição de destaque, de modo que o mundo conhece uma recentralização do poder econômico global.
Com o avanço do colonialismo europeu no continente asiático, houve uma redução sensível da influência chinesa no continente, que passa a ser retomada na virada do século XX para o XXI, com grandes investimentos chineses em diversos países do Sul e Sudeste Asiáticos. Tal processo também compreende as relações da China com o mundo inteiro, marcado por grandes volumes de exportações e importações de mercadorias e serviços e por investimentos em diversos projetos em todos os continentes, além da expansão de empresas chinesas em muitos países. 
Na África e na América Latina, em particular no Brasil, as relações políticas, comerciais e econômicas com os chineses passam por uma intensificação sem precedentes na história sino-africana, sino-latino-americana e sino-brasileira. Diversas empresas da China, de diferentes ramos, atuam no Brasil, e esse país é o maior parceiro comercial brasileiro. 
Essa nova fase de desenvolvimento do capitalismo é marcada pela Terceira Revolução Industrial, com o desenvolvimento de novos processos de produção industrial, novas mercadorias, fontes energéticas, atividades profissionais e formas de comunicação a distância. Outra característica marcante dessa etapa é a globalização, com forte interdependência entre pessoas e empresas de diferentes países, apoiada, sobretudo, por uma ampla e estruturada rede mundial de telecomunicações e de transportes. Esta, porém, se distribui de forma desigual entre os países do globo.
No âmbito econômico, mantém-se o processo de centralização do capital por meio de fusões (união de empresas) e aquisições (compra de empresas), iniciado na fase anterior, levando à formação de oligopólios mundiais – um pequeno número de grandes empresas transnacionais domina mercados re levantes, como os de comercialização de produtos de alta tecnologia (infor mática, equipamentos de telecomunicações, aviões), obtendo grandes lucros. 
No contexto atual, intensifica-se o processo de desconcentração da produ ção industrial em escala global, iniciado após a Segunda Guerra Mundial. Graças à evolução tecnológica nos setores de transportes e comunicações, as indústrias transnacionais estadunidenses, europeias e japonesas ampliam o número de suas fábricas, escritórios e centros de pesquisas, com filiais em diversos países. 
O baixo custo de mão de obra, os benefícios oferecidos pelos governos locais (como a redução de impostos) e a legislação ambiental menos rigorosa em alguns países são fatores que também estimulam as transnacionais a instalar novas fábricas nesses territórios. 
As grandes empresas transnacionais, principalmente dos Estados Unidos, da Alemanha, do Reino Unido, da França, da Itália, da Suécia e do Japão, des centralizam a produção, criando padrões econômicos produtivos em escala mundial, estruturados em redes, nas quais cada país é responsável pela fabricação de determinados componentes do produto. Trata-se das cadeias globais de produção, nas quais a distribuição da fabricação de peças de automóveis ou aviões  pelo território de vários países são bons exemplos. 
Com o expressivo crescimento econômico da China, a partir da década de 1990 – principalmente a partir dos anos 2000 –, transnacionais chinesas pas saram a operar com base nesse padrão produtivo. 
Houve também processos de recentralização nos países com maior nível de industrialização, onde as unidades fabris de bens de consumo, instaladas nos grandes centros urbanos e seus arredores, foram deslocadas para regiões com menor concentração industrial.
Um desses processos está relacionado à formação de clusters, áreas de concentração de empresas que desenvolvem um mesmo ramo de atividade e utilizam mão de obra específica, como especialistas em tecnologia da informação, ou um mesmo tipo de matéria-prima. Os clusters são beneficiados por toda uma infraestrutura de telecomunicações e transportes, além da proximida de de centros de pesquisa ou universidades, garantindo capacidade competitiva em razão da redução de custos e do potencial de geração de inovações. 
Os tecnopolos (polos de desenvolvimento de pesquisas tecnológicas) são outro exemplo de recentralização, uma vez que passam a concentrar empresas desenvolvedoras de produtos que incorporam alta tecnologia em locais próximos a universidades. O primeiro deles se formou no esta do da Califórnia, Estados Unidos, na região conhecida como Vale do Sílicio: o Parque de Pesquisas de Stanford, próximo à universidade de mesmo nome.
No Brasil, têm sido criados diversos polos tecnológicos nas últimas décadas. Esses centros estavam concentrados em poucas capitais (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) com maior projeção econômica. 
Atualmente, municípios como Campinas, São José dos Campos e São Carlos (SP), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Curitiba e Londrina (PR), Santa Rita do Sapucaí (MG) e Re cife (PE)  passam também a concentrar empresas de tecnologia de ponta, com a formação de novos tecnopolos. Esses processos de descentralização e recentralização envolveram também empresas de alta tecnologia estadunidenses e mesmo chinesas, sendo que estas começaram a ingressar no Brasil neste início de século XXI. 
O expressivo crescimento da China, que reforçou a configuração de um importante polo de dinamismo econômico no Sudeste e Leste asiáticos (China, Japão e Coreia do Sul são os centros mais dinâmicos desse polo, com destaque para os dois primeiros), contou também com a estruturação de grandes grupos empresariais que abriram filiais em diversos países.

O socialismo

O modo de produção capitalista é hegemônico na atualidade. Mas outro importante sistema econômico, o socialismo, foi adotado durante décadas por alguns países do mundo.
Durante a fase imperialista do capitalismo ocorreu uma revolução socialista na Rússia, em 1917. Em 1922, foi proclamada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), primeiro Estado socialista do mundo.
Segundo os socialistas, a propriedade privada dos meios de produção (terras, indústrias, bancos, entre outros) verificada no sistema capitalista gera desigualdades sociais, criando classes distintas: os que detêm as propriedades dos meios de produção e os trabalhadores que exercem atividades nesses meios. 
O socialismo é um sistema que organiza a vida política, social e econômica de uma sociedade. Nele, as formas de produção e de organização do território são definidas pelo planejamento do Estado, e indústrias, máquinas, meios de transporte, fontes de energia, matérias-primas, terras, enfim, todos os meios de produção são estatais.
Ao Estado cabe determinar os investimentos, os tipos de bens produzidos e a distribuição de mercadorias e também cabe a ele fornecer educação, assistência médica, moradia, lazer e uma renda que garanta à população viver de forma minimamente digna. 
O sistema político-econômico socialista é baseado na constru ção de uma sociedade em que, entre outras particularidades, os meios de produção não estejam separados da força de trabalho, abolindo, assim, as classes sociais.
Karl Marx e Friedrich Engels foram os principais críticos da sociedade capitalista e divulgadores das ideias socialistas durante o século XIX. Essa crítica foi construída dentro da realidade do período em que viveram, marcado pelas transformações oriundas da Revolução Industrial e pela condição degradante dos trabalhadores nas fábricas, que eram obrigados a cumprir extensas jornadas de trabalho em troca de baixos salários. Grande parte de seus pensamentos foi a base teórica que estruturou, em 1917, a Revolução Russa.
A criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ou simplesmente União Soviética, em 1922, constituiu um marco na busca por uma sociedade mais igualitária, na visão socialista. Segundo esse sistema, a União Soviética alcançaria a condição de superpotência global e viria a ser o grande adversário das potências capitalistas, principalmente dos Estados Unidos, durante grande parte do século XX.
Após a Segunda Guerra Mundial, países da Europa, da África e da Ásia também adotaram o socialismo e passaram a fazer parte do bloco socialista. 
No entanto, de modo geral, o socialismo soviético esteve longe do modelo idealizado por seus criadores. A forma como o socialismo foi implementado na prática ficaria conhecida como socialismo real. Nele, os trabalhadores não estavam no poder, pois uma elite burocrática controlava o Estado. A pretendida socialização dos meios de produção tampouco ocorreu, pois a apropriação e o controle desses meios era exclusividade do Estado, isto é, do Partido Comunista, sem a participação da sociedade civil. 

Sociedade socialista real

Planificação da economia: o Estado controla todos os meios de produção (terras, bancos, lojas, farmácias etc.).
Centralização política: o poder político é exercido por um partido único (Partido Comunista da União Soviética – PCUS), que, por sua vez, não admite oposição.
Consumo sem estímulo: o governo não estimula o consumo de produtos voltados à obtenção de lucro.
Igualdade social: sociedade sem classes sociais, ou seja, sem patrões e trabalhadores. No entanto, de fato, a classe política se beneficiava de determinados privilégios inacessíveis aos demais cidadãos.

O apogeu e o declínio do sistema socialista

No início do século XX, o socialismo possibilitou à União Soviética alcançar uma importante posição política e militar no cenário mundial, uma vez que a economia planificada propiciou a ampla modernização da atividade industrial, sobretudo nas áreas bélica, siderúrgica e petroquímica. No entanto, a partir da década de 1970, o modelo soviético começou a apre sentar sinais de decadência econômica, política e social. Foram vários os fatores responsáveis pelo declínio do socialismo, entre eles podemos destacar:
• Baixo nível tecnológico, sobretudo das indústrias de bens de consumo, se comparado com os países capitalistas. 
• Baixa produtividade agrícola, obrigando o governo a investir em subsídios agrícolas e a importar alimentos do exterior. 
• Grandes investimentos na área militar durante a Guerra Fria, o que prejudi cou os investimentos em outros setores da economia. Tal fato gerou perda de competitividade e descontentamento da população.
A combinação de todos esses fatores e os crescentes conflitos e revoltas nacionais levaram à queda da superpotência soviética, que arrastou consigo vários ou tros países socialistas. A queda do muro de Berlim, em 1989, foi considerada o marco ideológico da queda também do socialismo.
Muro de Berlim, que, durante a Guerra Fria, simbolizava a divisão do mundo entre os blocos capitalista e socialista, sendo derrubado em 1989. A ocasião marcou a reunificação da Alemanha, além de marcar o fim da Guerra Fria e, consequentemente, da URSS. 
No início da década de 1990, a desintegração da URSS resultou na formação de 15 novos países que, com exceção da Estônia, da Letônia e da Lituânia, formaram a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), tendo a Rússia como principal líder político, econômico e militar. 
Atualmente, restam alguns países socialistas no mundo, como Cuba, Coreia do Norte e Vietnã. A China seguiu um modelo misto, como o socialismo de mercado, no qual houve uma abertura gradual de sua economia ao capitalismo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Capitalismo financeiro ou monopolista

Na segunda metade do século XIX, uma nova etapa de desenvolvimento industrial provocou mudanças significativas na economia mundial e no território de vários países, inaugurando o capitalismo financeiro ou monopolista.
Esse período foi marcado pelo desenvolvimento de novas técnicas industriais e pela descoberta de novas fontes de energia, como a eletricidade produzida por meio da energia hidrelétrica e os combustíveis derivados do refino do petróleo, como a gasolina e o diesel.
As bases tecnológicas dessa nova fase foram o motor a explosão, a hidreletricidade e o petróleo. Esse período, que recebeu o nome de Segunda Revolução Industrial, foi marcado pelo desenvolvimento da indústria pesada: metalúrgica, siderúrgica, de máquinas e equipamentos industriais.
O motor a explosão, movido a óleo diesel ou a gasolina (derivados do petróleo), impulsionou a fabricação de automóveis. Esse fato contribuiu para o desen volvimento da indústria petrolífera. Além disso, o desenvolvimento de tecnologia para a geração de energia elétrica tornou possível o desenvolvimento do motor elétrico e, por consequência, a produção dos primeiros eletrodomésticos.
A produção dessas novas mercadorias e o seu aprimoramento tecnológico exigiam investimentos elevados, o que levou algumas empresas a se associarem para ampliar sua capacidade de produção e competitividade. Ao mesmo tempo, várias instituições financeiras começaram a participar diretamente da ativida de industrial, por meio da formação das S/A (Sociedades Anônimas, com capital constituído por ações).
Nesse período, conhecido como Segunda Revolução Industrial, um aspecto marcante foi o aumento do capital bancário, da especulação financeira e da importância das grandes empresas na economia dos países.
As empresas de capital aberto, formadas por ações e seus respectivos sócios acionistas, denominadas sociedades anônimas, são uma herança dessa fase do capitalismo. Esse aumento elevou de forma considerável a quantidade de movi mentações financeiras realizadas nas bolsas de valores, instituições em que são negociadas essas ações.
Os bancos tornaram-se acionistas de muitas empresas e passaram a investir também na produção. Com a venda de ações, as empresas ampliaram seu capital e, consequentemente, seu parque industrial. Muitas pequenas empresas desapareceram, incapazes de concorrer com as maiores, que disputavam o mesmo ramo de produção. Por isso, a fase do capitalismo financeiro é também chamada de capitalismo monopolista, que se caracteriza pelo domínio de uma grande empresa ou de um grupo de grandes empresas que dividem o mercado entre si, ou seja, há uma extrema concentração de capital por um menor número de empresas.
A Standard Oil, por exemplo, fundada em 1870, foi a maior companhia petro lífera entre o final do século XIX e início do século XX e refinava apenas 4% do petróleo produzido nos Estados Unidos. Em 1879, já controlava 90% das refinarias estadunidenses. Na Alemanha, as indústrias pesadas floresceram nes se período, incluindo uma das maiores siderúrgicas do mundo na segunda meta de do século XIX.
A partir da Segunda Revolução Industrial, a Inglaterra foi gradativamente deixando de ser o centro do sistema capitalista, passando a dividir essa posição com os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão, que incorporaram mais rapidamente as novas tecnologias e saíram à frente no desenvolvimento de novos produtos. Outros países que intensificaram o processo de industrialização ou se industrializa ram nessa etapa foram França, Bélgica, Itália, Suíça e Suécia.
As ferrovias foram aperfeiçoadas e implementadas em diversos trechos dos territórios dos países, o que possibilitou a instalação de indústrias em áreas distan tes dos locais de concentração de matéria-prima e de fontes de energia. Desenvolveram-se novos meios de comunicação, como o telégrafo, que se disseminaram pelo mundo. Essas tecnologias intensificaram ainda mais as rela ções econômicas internacionais e promoveram significativas modificações, particularmente nas paisagens dos países que se desenvolveram industrialmente nessa etapa.
Novas relações sociais e econômicas foram estabelecidas, propor cionando outros usos dos territórios, outras territorialidades. No início do século XX, o empresário Henry Ford aplicou técnicas de organização do trabalho segundo o taylorismo e desenvolveu uma linha de montagem de automóveis na qual as peças vão se deslocando por meio de equipamentos, enquanto cada trabalhador, em seu posto de trabalho, executava uma tarefa específica em um tempo predeterminado. Essa produção em série, com forte espe cialização do trabalho, chamada fordismo, foi imortalizada por Charles Chaplin no filme Tempos modernos.
Entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, o setor industrial ampliou sua produção numa escala muitas vezes maior que a capacidade de consumo dos países industrializados. A busca de novos mercados consumidores e de fontes de matérias-primas tornou-se então indispensável para a sustentação dessa nova etapa produtiva. Ingleses, alemães, franceses, belgas, estadunidenses e japoneses impuseram sua força industrial por meio do controle e da exploração, submetendo várias regiões do mundo ao seu domínio.
Após a Segunda Guerra Mundial e com a descolonização e a independência de países da África e da Ásia, a DIT se consolidou pela divisão entre países desenvol vidos, que exportam produtos industrializados e importam matérias-primas, e paí- ses em desenvolvimento, cujas economias são voltadas à exportação de matérias-primas e à importação de mercadorias industrializadas. 
Nesse contexto, a DIT também ganhou a seguinte característica: os países industrializados, que eram as metrópoles, passaram a enviar capitais para as colônias, sobretudo na forma de investimentos financeiros. As colônias também passaram a enviar para as metrópoles, além de matérias-primas, capitais para o pagamento das dívidas contraídas por meio desses investimentos financeiros das metrópoles.
Esse período de divisão do mundo entre as grandes potências que disputavam o controle de territórios entre si constituiu a fase imperialista do capitalismo, responsável por importantes conflitos, entre eles as duas guerras mundiais ocorridas no século XX.

O capitalismo industrial

O período que se estende da segunda metade do século XVIII até meados do século XIX foi marcado pela Revolução Industrial, processo que realizou a transição da produção manufatureira para a industrial.
A Revolução Industrial, que marcou a fase capitalista chamada de capitalismo industrial, teve início na Inglaterra, na segunda metade do século XVIII, e tomou projeção em outros países europeus, sobretudo na França, no começo do século XIX. A industrialização ocasionou profundas modificações na sociedade, na economia e na organização do espaço. Esse processo fortaleceu o capitalismo e revolucionou as técnicas empregadas nos meios de produção das mercadorias.
A introdução da maquinofatura nas indústrias e a inserção de novas tecnologias nas atividades industriais, sendo uma delas a máquina a vapor, transformaram o trabalho, que passou a ser executado nas fábricas por trabalhadores em troca do pagamento de salários. Esse sistema elevou a produção e o lucro dos empresários, incentivou a urbanização e provocou intensas mudanças nas sociedades europeias. O mesmo ocorreu, posteriormente, em outras regiões do mundo.
Também denominada Primeira Revolução Industrial, teve como elementos dinamizadores duas invenções: a máquina a vapor, movida a carvão mineral, principal fonte de energia desse período, e o tear mecânico, que revolucionou a produção têxtil. Nessa etapa, as indústrias se concentraram nas áreas próximas às minas de carvão.
Com a revolução nas técnicas de produção e a organização do trabalho a partir de então estabelecidas, abriu-se um novo caminho para o enriquecimento dos países pioneiros da Revolução Industrial: a produção fabril em larga escala, o livre-comércio (concorrência), o investimento em tecnologia, o desenvolvimento do transporte ferroviário e a ampliação do mercado mundial. Ao elevar o grau de interdependência entre os países, a Revolução Industrial reorganizou o espaço mundial e a estruturação dos territórios.
Além de ampliar a divisão do trabalho dentro de cada unidade de produção (a fábrica), onde os operários tinham funções específicas, estabeleceu uma divisão internacional do trabalho entre as novas potências econômicas. Estas forneciam produtos indus trializados, enquanto as regiões dependentes – colônias e ex-colônias – forneciam as matérias-primas utilizadas na fabricação das mercadorias.
A interferência da sociedade na natureza se intensificou com a exploração das minas de carvão mineral, a extração de minérios e o lançamento de poluen tes na atmosfera, em decorrência da atividade industrial. Nas regiões dependen tes, houve necessidade de ampliação das áreas agrícolas, sobretudo para produ ção de algodão, utilizado na confecção de fios e tecidos, como a lã dos carneiros.
Nos centros urbanos da Europa, a industrialização ocorreu associada ao pro cesso de urbanização e ao êxodo rural.
Entre as razões que explicam esse êxodo está a transformação na estrutura agrária, provocada pela Revolução Industrial. Com o avanço das relações capitalistas no campo, a terra passou a ter um preço muito elevado, o que provocou a expulsão dos camponeses que não tinham condições de adquiri-la e, como consequência, sua migração para as cidades. Por outro lado, os camponeses viam nas cidades oportunidades de emprego e renda, o que acabou suprindo as necessidades de mão de obra das indústrias, transformando-os em trabalhadores assalariados.
Nesse período, milhares de trabalhadores se deslocaram do campo para as cidades, onde se concentravam as fábricas. As cidades começaram a crescer rapidamente, gerando problemas ambientais: acúmulo de lixo e poluição das águas dos rios pelos esgotos lançados a céu aberto. 
Esse processo resultou no elevado aumento do número de habitantes das cidades, bem como no crescimento desordenado de núcleos urbanos, gerando problemas como o aumento da poluição atmosférica. 
Nas fábricas, os operários eram submetidos a jornadas exaustivas de trabalho, que ultrapassavam 14 horas diárias, sem direito a férias. Era grande o número de mulheres e crianças que traba lhavam nas mesmas condições precárias.
As condições de trabalho e moradia da população das cidades começaram a melhorar entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, em consequência da mobilização dos trabalhadores, que passaram a reivindi car direitos por meio da organização de protestos e manifestações e da formação de sindicatos.
As conquistas obtidas pelos trabalhadores foram resultado da maior participação dos cidadãos na vida política dos países por meio de manifestações e do voto. A participação popular tem o poder de influenciar as decisões dos políticos e é fundamental no sentido de cobrar ações dos dirigentes públicos. As lutas empreendidas pelas mulheres na reivindicação de seus direitos, por exemplo, resultaram em uma grande conquista, entre o final do século XIX e o início do século XX: o voto feminino.




O capitalismo comercial

Nas atuais sociedades, há ampla diversificação na produção e na comercialização de mercadorias. O mercado capitalista está cada vez mais globalizado, ou mundializado. Diversos produtos que consumimos em nosso cotidiano provêm de localidades bem distantes.
Nem sempre foi assim. Nos séculos XV e XVI, período de formação do capitalismo na Europa (capitalismo comercial), as mercadorias se restringiam a perfumes, seda, madeira, marfim e, sobretudo, especiarias adquiridas na Ásia. Elas eram transportadas através do mar Mediterrâneo e entravam na Europa principalmente pelas cidades de Veneza e Gênova, que as distribuíam para o restante do continente.
O comércio intensificou-se, o que possibilitou o fortalecimento de uma classe social composta principalmente de comerciantes e banqueiros, denominada burguesia, ampliando a busca por novos produtos comerciais.
É importante ressaltar que povos nórdicos (da Europa do Norte), árabes, polinésios (da Oceania) e do Sudeste Asiático também atingiram estágios de desenvolvimento significativo em termos de navegação em períodos históricos anteriores. Com a intensificação do comércio no interior da Europa, tornou-se necessária a ampliação da rota comercial controlada pelos venezianos e genoveses. Além disso, outros povos queriam participar desse negócio, bastante lucrativo.
A necessidade de novas rotas para atender a esse comércio, especialmente para as Índias, impulsionou a expansão marítima europeia durante o período das Grandes Navegações (no início, realizadas por Portugal e Espanha e, em seguida, também por França, Inglaterra e Holanda). 
O desenvolvimento do transporte marítimo nesse período – com a invenção da caravela, da bússola, do astrolábio – possibilitou a navegação para territórios mais distantes. Portugal e Espanha foram pioneiros nessa primeira etapa de formação do capitalismo, marcada pelas Grandes Navegações. 
Esses países expandiram seus domínios territoriais criando colônias na América, onde a mineração passou a ser a principal fonte de riqueza das potências hegemônicas do período, como Espanha e Portugal. Essas e outras nações europeias passaram então a disputar o controle de rotas comerciais marítimas que levavam até as cidades europeias metais preciosos, açúcar e especiarias, a fim de abaste cer o mercado consumidor europeu.
Com a chegada dos europeus à América e a descoberta de novas rotas comerciais para regiões da Ásia, o comércio entre a Europa e os diversos territórios de outros continentes foi intensificado e as mercadorias passaram a ser transportadas em rotas realizadas pelo oceano Atlântico, contornando o continente africano.
Territórios do continente americano e de outras regiões do mundo foram incorporados às relações econômicas e comerciais em escala intercontinental. 
A expansão da atividade comercial levou à colonização de novos territórios, com o objetivo de extrair matérias-primas e metais preciosos. 
Estados-nações europeus se apropriaram de territórios em diferentes continentes e passaram a explorá-los, assim como a explorar os povos que habitavam essas porções territoriais.
Durante esse período do capitalismo, o acúmulo de metais preciosos, principalmente o ouro e a prata, era o grande objetivo das monarquias europeias. Essas riquezas deveriam fortalecer o Estado e o acúmulo de capital pela burguesia. 
Em decorrência dessa expansão, a intervenção humana na natureza foi se intensificando de forma gradativa nos territórios dominados pelos europeus, com a modificação e a destruição de muitos ecossistemas. Ao mesmo tempo, nações indígenas foram dizimadas ou tiveram sua população extremamente reduzida em decorrência de confrontos com os europeus ou devido ao contágio de doenças trazidas pelos colonizadores. Muitos povos foram escravizados, submetidos ao poder português e expulsos de seus territórios. 
Para os povos indígenas, o modo de vida e as relações estabelecidas entre sociedade e natureza não estavam pautados no acúmulo de riquezas e na exploração dos recursos naturais para o comércio, e sim na obtenção daquilo que era necessário à sobrevivência. Ao conquistarem o território impondo-se à força aos nativos, os colonizadores estabeleceram novas formas de domínio, de exploração e de organização territorial onde viviam os diversos povos indígenas.
A partir desse período, passou a ser estabelecida a função de cada uma das regiões ou países do mundo nas trocas comerciais internacionais, conhecida como Divisão Internacional do Trabalho (DIT).
Ficou caracterizada essa divisão durante o período do capitalismo comercial.
- Colônias - Às colônias, cabia o envio de matérias-primas (metais preciosos, especiarias, entre outros) para as metrópoles.
- Metrópoles - Às metrópoles, cabia abastecer as colônias com mercadorias manufaturadas (louças, tecidos, ferramentas, entre outras).
O acúmulo de capital propiciado nessa fase do capitalismo, além de beneficiar a burguesia, incentivou o estabelecimento da manufatura nos centros urbanos da Europa, também chamados burgos, onde eram produzidos e comercializados produtos enviados para vários lugares do mundo. Esse foi um dos principais fato res que contribuíram para a industrialização da Europa, caracterizada como o início de uma nova fase do capitalismo. 

Características do capitalismo


Todo país possui um sistema político-econômico que organiza as relações sociais, o modo de produção de suas atividades econômicas e, em especial, a distribuição das riquezas geradas por essas atividades.
Atualmente, na maior parte dos países do mundo, predomina o sistema político-econômico capitalista, caracterizado pela divisão da sociedade em duas classes essenciais: trabalhadores livres, que vendem sua força de trabalho em troca de um salário e empregadores, também denominados capitalistas, proprietários dos meios de produção e que contratam os trabalhadores livres para a prestação de serviços ou para a fabricação de produtos, com a finalidade de abastecer o mercado consumidor, visando ao lucro nesse processo.
Desde sua origem, nos séculos XV e XVI, o capitalismo passou por diversas transformações. Nesse sistema, estabeleceram-se relações de poder, travaram-se disputas por matérias-primas em diferentes territórios; grupos sociais e Estados-nações atuaram na construção e defesa de seus territórios; desenvolveram-se relações econômicas, políticas e culturais que compreendem uma territorialidade.

Algumas características fundamentais do capitalismo são:

• A produção de mercadorias e a geração de serviços destinados ao mercado de consumo levam à concorrência entre as diversas empresas que ofertam pro dutos e serviços, exigindo do empresário investimento em pesquisas para a criação de novos produtos e serviços ou o aprimoramento daqueles já existentes. Nesse sentido, as empresas, representadas por seus proprietários e/ou pelos executivos que as dirigem, procuram adotar algumas estratégias, como diminuir o tempo de fabricação para inserir mais produtos no mercado, antecipando-se ao lançamento de um concorrente; reduzir o custo de produção com a utilização de mão de obra mais barata ou o uso de máquinas que substituam o trabalho humano; obter matérias-primas e componentes mais baratos; investir em marketing e design.

• A propriedade privada dos meios de produção (fábricas, bancos, comércio e terras, como fazendas ou sítios) e dos bens pessoais (imóveis, veículos) é um direito, que pode ser transmitido aos descendentes dos proprietários.

• O trabalho é assalariado e o valor da remuneração depende de vários fatores, como a qualificação profissional e a maior ou menor oferta de mão de obra.

• Existem diferenças entre as pessoas que compõem as distintas classes socioeconômicas. Algumas fazem parte do poder econômico e/ou político.

• As atividades econômicas têm, entre outros objetivos, a satisfação das ne cessidades materiais das pessoas e o aumento do capital (dinheiro) investido na produção e na geração de serviços, propiciando acúmulo de riquezas e obtenção de lucro. No entanto, isso depende da aceitação dos produtos e dos serviços oferecidos por parte dos consumidores. Esse lucro pertence aos proprietários ou administradores das empresas e pode am pliar as diferenças sociais.
O processo de desenvolvimento do capitalismo, particularmente a partir do século XIX, foi marcado por conflitos entre empresários (donos dos meios de produção) e trabalhadores. Enquanto estes lutavam por melhores condições de trabalho e salários mais justos, aqueles bus cavam obter lucros cada vez maiores. Atualmente, com os elevados índices de desemprego em todo o mundo, a garantia de emprego vem sendo o principal motivo de luta dos trabalhadores em muitos países.

A América Platina

A América Platina recebe essa denominação porque parte dos territórios dos países da região – Argentina, Paraguai e Uruguai – é banhada pelo...