Mesmo com programas de revitalização urbana promovidos pelo governo e pela iniciativa privada, as grandes cidades dos Estados Unidos têm apresentado problemas cada vez mais graves, relacionados à condição socioeconômica da população.
Algumas medidas tomadas pelo governo, como a excessiva elevação de impostos e o corte de verbas destinadas à realização de obras sociais (habitação, saúde e educação), causaram o empobrecimento de alguns segmentos da população nas últimas décadas.
Atualmente, o número de pobres corresponde a 12,3% do total da população (cerca de 40 milhões de habitantes). Esses indivíduos sofrem com a falta de moradia e acabam residindo nas áreas mais deterioradas das cidades, bairros onde proliferam a violência, a criminalidade e o tráfico de drogas.
Esses problemas atingem, principalmente, a população afrodescendente e imigrante, bastante discriminada na sociedade estadunidense. Atualmente, a discriminação racial é proibida por lei em todo o país, mas nem por isso tem sido possível erradicá-la. Os afrodescendentes, por exemplo, são marginalizados, e muitos dos crimes cometidos no país estão relacionados à prática de racismo.
Crescimento populacional reduzido
Embora os Estados Unidos tenham a terceira maior população do planeta, desde o final dos anos 1960, a média de crescimento populacional se situa na faixa de 1% ao ano, aproximadamente. O maior crescimento vegetativo nos Esta dos Unidos se verifica entre afrodescendentes, asiáticos e hispânicos, que são os imigrantes latino-americanos de língua espanhola que vivem no país. Entre os brancos, as taxas estão próximas de zero.
Em virtude do elevado padrão de vida de boa parte da população, a expectativa de vida é alta: 78,6 anos, segundo dados de 2017. As taxas de crescimento populacional e a elevada expectativa de vida vêm acarretando uma transformação gradual na estrutura etária da população estadunidense, com aumento na pro porção de idosos. Conforme projeção do governo dos Estados Unidos, em 2030 haverá mais idosos do que crianças no país.
Os problemas sociais: a pobreza e o racismo
Os países da América Anglo-Saxônica enfrentam problemas sociais como desemprego, pobreza e fome, mas em menores proporções que os países subdesenvolvidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o aumento dos impostos e a diminuição
das verbas destinadas às áreas sociais (habitação, educação e saúde) provocaram o
empobrecimento de partes da população, em especial, dos menos favorecidos, como
os afrodescendentes e os imigrantes.
Outro problema social presente principalmente nos Estados Unidos é o preconceito étnico e a discriminação contra os imigrantes, sobretudo latino-americanos. Os
latino-americanos, maior grupo de imigrantes que entram todos os anos nos Estados
Unidos, buscam oportunidades de trabalho e melhor qualidade de vida. Os mexica
nos representam a maioria dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos.
Por causa do preconceito e da condição de ilegalidade de parte dos imigrantes,
muitos são inseridos em atividades informais e pouco valorizadas da economia, atividades que, na maioria das vezes, exigem pouca qualificação profissional e geralmente
oferecem baixa remuneração.
Para o governo dos Estados Unidos, as imigrações ilegais refletem na elevação dos
gastos públicos na área social, como assistência médica e programas de assistência
alimentar aos mais carentes. Apesar das políticas de combate à imigração ilegal,
como patrulhamento das fronteiras e restrição de vistos de passaporte, o fluxo migratório continua intenso nos Estados Unidos.
O número de pessoas pobres nos Estados Unidos corresponde a 13% da população total. São consideradas pobres as famílias de quatro pessoas com renda anual igual ou inferior a 22,31 mil dólares. A pobreza é maior entre os hispânicos e afrodescendentes, dos quais cerca de 27% vivem abaixo do limite de pobreza.
Essa situação se reflete na expectativa de vida da população negra, que é de 71 anos, enquanto a da população branca é de aproximadamente 78 anos. No caso das crianças negras, a taxa de pobreza é bem mais elevada — chega a 39%, três vezes maior do que a registrada entre as crianças brancas, que corresponde a cerca de 12%.
Outro grave problema da sociedade estadunidense é o racismo, que atinge os imigrantes hispânicos e asiáticos e, principalmente, os afrodescendentes. Segundo o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, em cada dez crimes, três são motivados por racismo contra esses grupos.
O racismo nos Estados Unidos tem raízes históricas. Nos estados do sul, onde a economia colonial se baseava na monocultura do algodão, houve intensa utilização da mão de obra de africanos escravizados. Nesses estados, o racismo emergiu de forma mais ostensiva.
Em três estados do sul — Alabama, Mississípi e Carolina do Sul —, até o início dos anos 1960, havia discriminação racial em locais públicos e até mesmo na área da educação, com escolas separadas para afrodescendentes e para brancos. Embora seja considerada crime nos Estados Unidos desde 1964, a discrimi nação racial persiste.
A eleição de Barack Obama, primeiro presidente afrodescendente dos Estados Unidos, representou um marco na sociedade estadunidense, ao mesmo tempo que reflete resultados positivos das lutas empreendidas pela população afrodescendente por melhores condições de vida e uma participação mais ativa na sociedade.
A intolerância com os imigrantes
O preconceito contra os imigrantes, sobretudo latino-americanos, é um dos
problemas sociais enfrentados pelos Estados Unidos. A falta de tolerância, ou seja,
a restrição em aceitar que outras pessoas tenham maneiras de pensar e de agir
diferentes de si mesmo, causa diferentes problemas de convivência. Quando essa
intolerância se volta contra imigrantes resulta em xenofobia, um sentimento de
aversão ao estrangeiro.
A intransigência também ocorre na forma de racismo, quando pessoas nutrem
preconceito extremado contra indivíduos de outras etnias, culturas e religiões,
julgadas inferiores. Muitas vezes, esses sentimentos são manifestados por meio
de perseguição, violência física e discriminação contra essas pessoas. Os Estados Unidos constantemente são palco de situações que envolvem a intolerância aos imigrantes.
A economia dos Estados Unidos
Parte da riqueza dos Estados Unidos provém de recursos originados de outros
países: da comercialização ou exploração de produtos da indústria cultural (filmes
produzidos em Hollywood, uso de imagens de artistas, direitos autorais de livros
e canções), da remessa de lucros das multinacionais, do pagamento de juros de
empréstimos bancários, dos direitos autorais de software e patentes, entre outros.
O espaço geográfico estadunidense abriga áreas de forte dinamismo econômico.
Existem áreas de intensa produção industrial e centros de alta tecnologia no nordeste,
na região dos Grandes Lagos, no sul, no oeste e no noroeste do país. Na área central,
destaca-se a agricultura altamente mecanizada e integrada à indústria.
Especialmente após a grande crise de 1929, o amparo do Estado à atividade econômica esteve presente na injeção de recursos em pesquisas de alta tecnologia, na
concessão de empréstimos a juros baixos aos agricultores e na elevação das taxas de
importação dos produtos agrícolas. Essa ajuda do Estado à economia, chamada subvenção ou subsídio, é contestada pelos países exportadores de produtos agrícolas.