sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O complexo regional nordestino

Assim como as demais regiões brasileiras, o Nordeste não é homogêneo. Em seu território há uma grande diversidade de paisagens, que podem ser agrupadas em sub-regiões, com condições naturais próprias e diferentes formas de organização das atividades econômicas, muitas delas herança do processo histórico de ocupação do espaço.
A região Nordeste abrange quatro áreas com características diferentes entre si: a Zona da Mata, o Agreste, o Sertão e o Meio-Norte. Essas divisões resultam das características físicas, como o clima e a vegetação.

A Zona da Mata 


É a sub-região com a maior densidade demográfica e onde estão os aglomerados urbanos mais antigos – muitos deles hoje capitais de estado – e duas das metrópoles regionais mais importantes do país: Recife e Salvador. Essa sub-região corresponde a uma faixa estreita, originalmente coberta pela Mata Atlântica, onde predomina o clima tropical úmido. 
A Zona da Mata estende-se por todo o litoral oriental do Nordeste, onde as chu vas são abundantes e os solos, bastante favoráveis à agricultura. Nos primeiros tempos da colonização, os portugueses disseminaram os engenhos e a lavoura de cana-de-açúcar na Zona da Mata, em vários núcleos, desde a Paraíba até o Recôncavo Baiano, uma região localizada em torno da Baía de Todos-os-Santos, no es tado da Bahia, abrangendo o litoral e a área do interior circundante à baía. A exploração de gás natural e, mais tarde, de petróleo,
Desde o início de sua ocupação, a Floresta Tropical tem sido derrubada. No princípio, foi para a extração de pau-brasil e depois para dar lugar ao cultivo de produtos agrícolas, como cana-de-açúcar, tabaco e cacau. Porém, no caso do cultivo do cacau, que ocorre no sul da Bahia, as árvores originais de grande porte foram poupadas para manter a sombra sobre os pés de cacau, que não se desenvolvem bem quando expostos diretamente ao sol. O clima e o solo, naturalmente fértil, foram importantes para o desenvolvimento dessas culturas. 
A Zona da Mata apresenta um período chuvoso e outro mais seco, típico do clima tropical, com variação entre as temperaturas máximas e mínimas ao longo do ano. 
A vegetação que predominava era a Mata Atlântica. Porém, desde a chegada dos portugueses ela passou a ser suprimida para a introdução da cana-de-açúcar. Além disso, a Zona da Mata concentra a maior parte da população nordestina e abriga grandes metrópoles, como Salvador e Recife, e outras de menor porte, como Aracaju. 
O sistema de produção da cana-de-açúcar, caracterizado pelo latifúndio monocultor, foi o principal responsável pela grande concentração fundiária nessa sub-região. Atualmente, restam apenas pequenos trechos de vegetação nativa preservados, em sua maior parte transformados em unidades de conservação, como o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal (BA) e a Reserva Biológica Guaribas (PB).
Nessa faixa da região Nordeste estão localizados empreendimentos turísticos que adotam o modelo Sol e praia, ou seja, a construção de grandes hotéis à beira-mar para exploração turística. A diversidade de feições da costa nordestina permite desde apreciar um manguezal conservado, como no sul da Bahia, até forma ções sedimentares no Ceará, ou dunas no Rio Grande do Norte.

O Agreste 


O Agreste constitui uma faixa de transição entre a Zona da Mata e o Sertão nordestino e é marcado por uma diversidade de climas e tipos de vegetação. As temperaturas médias variam menos que na Zona da Mata. 
Nas áreas mais úmidas predomina uma vegetação com características de Mata Atlântica, uma floresta tropical com vegetação densa e árvores de vários portes e, nas mais secas, a Caatinga, tipo de vegetação adaptada a longos períodos sem chuva, formada por árvores de pequeno porte e arbustos, inclusive com algumas variedades de cactos e outras plantas com espinhos. 
Desde o período colonial até os dias atuais, a agricultura e a pecuária são muito comuns no Agreste, que oferece boas condições naturais para o desenvolvimento dessas atividades. Em função disso a vegetação original está pouco preservada. A localização do Agreste, próxima dos principais centros consumidores do litoral, foi outro fator que estimulou sua ocupação. 
Nos trechos mais úmidos, desenvolveu-se a produção de uma série de mercadorias bastante procuradas na Zona da Mata e no Sertão, tais como a rapadura, a farinha de mandioca, o feijão, o milho e o leite. 
Campina Grande, na Paraíba, é um importante polo industrial e um município com muitas atividades voltadas à ciência e tecnologia devido à presença de universidades públicas. Trata-se de um polo de inovação em diversos campos, com destaque para o desenvolvimento de aplicativos.
Entre as várias cidades que se desenvolveram no Agreste, destaca-se a de Caruaru, em Pernambuco, onde existe uma das maiores feiras nordestinas, verdadeira vitrine das atividades regionais.
A feira oferece ao visitante diferentes produtos, vendidos pelos pequenos produtores agrícolas do Agreste, e uma variedade de itens do artesanato regional: artigos de couro, palha, fibras ou corda, objetos de madeira e de barro. Ela também é um evento cultural, com apresentação de cantadores, de repentistas e exposição de literatura de cordel, que é uma forma de expressão popular muito importante que trata de temas variados.
Desde o período colonial, as atividades comerciais deram origem a importantes cidades dessa sub-região, como Feira de Santana (BA), Caruaru (PE) e Campina Grande (PB). Hoje há uma importante produção de frutas, grãos, legumes e verduras, além de leite e derivados, para o abastecimento das grandes cidades da própria sub-região e da Zona da Mata, produzidos principalmente em pequenas e médias propriedades familiares.

O Sertão


A principal característica do Sertão nordestino, a mais extensa das sub-regiões do Nordeste, é o predomínio do clima semiárido e da vegetação de Caatinga. As temperaturas se mantêm elevadas o ano inteiro e durante alguns meses não chove, por isso existem alguns rios intermitentes. 
Um dos fatores que ajudam a explicar a semiaridez do Sertão nordestino são as serras localizadas próximo ao litoral. Essas altitudes mais elevadas dificultam que a umidade vinda do oceano chegue ao interior do continente. Quando encontram com as serras, os ventos úmidos se elevam e ocorre precipitação em forma de chuva, impedindo que a umidade alcance o Sertão. 
O Sertão possui Clima Semiárido, no qual as chuvas são irregulares, e se estende do Ceará ao norte de Minas Ge rais. As chuvas são pouco frequentes pois o planalto da Borborema, que tem pontos que chegam a mais de 1 000 m de altitude, impede que as massas de ar com umidade do oceano cheguem ao Sertão. Por isso essa área apresenta baixa pluviosidade e períodos secos frequentes, que muitas vezes ultrapassam cinco anos. As temperaturas são elevadas na maior parte do sertão.
Nas serras localizadas no Agreste e no Sertão, a variação da altitude provoca redução nas médias térmicas anuais, tornando o clima bem mais ameno. Cidades das serras do planalto da Borborema, por exemplo, apresentam clima com temperaturas mais baixas, principalmente nos meses de inverno.
No Cariri (nome herdado pela presença do povo cariri que vivia nas terras que atualmente formam o sul do Ceará), a chapada do Araripe, localizada entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, permite um microclima diferente do resto do Sertão, com temperaturas um pouco mais baixas e períodos com mais chuvas que o entorno.
A vegetação predominante no Sertão é a Caatinga. No Sertão, a criação de gado é muito antiga. Também existe o cultivo, mas as secas periódicas geram dificuldades de abastecimento e irrigação. 
Desde o período colonial, nessa sub-região desenvolve-se a pecuária extensiva, que atualmente é uma atividade em declínio devido ao aumento da produção de carne em outras regiões que proporcionam melhores condições de criação. 
Com a escassez de água, a prática da agricultura no Sertão durante o ano inteiro só é possível em propriedades próximas aos rios perenes, onde o solo fica permanentemente úmido, como nos brejos ou em áreas em que há açudes e canais de irrigação. 
Em épocas de seca, parte da população do Sertão tem como alternativa para abastecimento de água as cacimbas, as cisternas e os açudes. Alguns desses açudes, apesar de construídos pelos governos estaduais e federal, estão em terras de grandes fazendeiros que vendem a água aos agricultores ou os deixam utilizá-la desde que votem em seus candidatos nas eleições. Por isso muitos pesquisadores afirmam que o problema do abastecimento de água na região Nordeste não é a falta de água, mas sim sua distribuição, que depende de fatores políticos. A chamada indústria da seca consiste em criar infraestrutura de acumulação de água em terras de grandes proprietários que a repassam a pequenos produtores em troca de apoio político.
Embora existam poços artesianos, açudes e represas desde o século XIX, somente nas últimas duas décadas o aumento dos investimentos tem permitido ampliar a área irrigada e conquistar novas terras para a agricultura. 
O Vale do São Francisco, por exemplo, depende de projetos de irrigação para manter a produção de frutas para exportação. A água é captada na margem do rio São Francisco e através de bombas é leva da até os canais, que cortam a Caatinga, chegando às plan tações. A produção de frutas tem proporcionado grande crescimento econômico para a região, contribuindo para a diversidade de paisagens. 

O Meio-Norte 


Essa porção da região Nordeste é uma sub-região de transição entre a Caatinga, o Cerrado e a Floresta Amazônica. Originalmente, predominava nessa sub-região a Mata dos Cocais, formada por palmeiras, como a carnaúba e o babaçu, com a presença de Floresta Amazônica na porção oeste do estado do Maranhão e do Cerrado na sua porção centro-sul.
Atualmente, a vegetação original está muito devastada por causa da expansão das atividades agrícolas, principalmente do cultivo de soja e algodão. Da mata original restaram apenas algumas áreas onde se pratica o extrativismo. Da carnaúba são utilizadas as sementes, na produção de óleo para uso industrial, e as folhas, na produção de uma cera utilizada em tintas e cosméticos e na confecção artesanal de cestos e esteiras, já que são fibrosas. 
O Meio-Norte abrange o Maranhão e grande parte do Piauí, em uma área de transição para a Ama zônia. Isso quer dizer que o clima vai se tornando cada vez mais quente e úmido, com um volume cada vez maior de chuvas, à medida que se aproxima do limite com o estado do Pará. Mas em meio a ele existem localidades como Teresina, capital do Piauí, que apresenta baixa pluviosidade 
Essas características climáticas refletem-se no tipo de vegetação predominante no Meio-Norte. Caminhando do Ceará para o Piauí, as paisagens de Caatinga vão cedendo lugar à Mata de Cocais. Do Maranhão para o Pará, o ambiente da Mata de Cocais vai se confundindo com uma floresta mais fechada e com maior variedade de espécies, já em plena Amazônia.
A Mata de Cocais forma a paisagem mais característica do Meio-Norte. No domínio do coqueiro babaçu e da carnaúba, desenvolve-se uma atividade extrativista que emprega muitos habitantes da região, tornando-a, sob muitos aspectos, semelhante à Amazônia. O babaçu e a carnaúba são muito usados na produção industrial.
A agricultura e a pecuária também são atividades bastante tradicionais no Meio-Norte, confundindo-se com o próprio processo de ocupação da região. A agricultura, tradicionalmente, situa-se ao longo do Vale do Itapecuru e do Baixo Mearim, ambos no Maranhão – este último, grande centro de produção de arroz e algodão. A criação de gado bovino ocupa as terras mais altas dos planaltos, cobertos pela vegetação de Cerrado. 
Atualmente, grandes projetos de extração mineral interligam o Meio-Norte à Amazônia Oriental. A causa principal dessa interligação é a exploração mineral na área de fronteira entre o Pará e o Maranhão, que está transformando a realidade regional. Mas existem outros pontos com exploração mineral e energética no Nordeste. 
A presença de petróleo na costa baiana, potiguar e cearense é importante e já conta com atividade exploratória. Além disso, tem-se a retirada de urânio, cromo e ouro em estados nordestinos. 
Nessa porção da região Nordeste também há o turismo voltado à exploração de áreas naturais como o delta do rio Parnaíba (PI), cuja visitação permite ver mangues e, muitas vezes, conhecer a coleta de caranguejos, usados não só como fonte de alimentação pela população, mas também comercializados para centros urbanos. 
Outra atração natural são os Lençóis Maranhenses (MA), que permitem caminhar por dunas e nadar em lagoas formadas por água de chuvas, resultando em uma bela e dinâmica paisagem que se altera ao longo do ano. Alcântara (MA) é outro foco de atenção turística pela presença de comunidades negras que desenvolvem intensa atividade cultural como o tambor de crioula. 
Lá também se encontra o Centro de Lançamento de Alcântara, vinculado à Força Aérea do Brasil, especializado no lançamento de foguetes que transportam satélites. No sul do Piauí, as terras mais altas das chapadas, ocupadas pelo Cerrado, também estão sofrendo profundas transformações graças à agricultura irrigada e ao uso intensivo de fertilizantes químicos e corretivos da acidez do solo. Esse processo está produzindo uma paisagem muito parecida com as existentes no Centro-Oeste.



Nordeste - distribuição da população

Em quase todos os estados da região nordeste, as áreas de maior densidade demográfica estão próximas ao litoral. Essa concentração da população na faixa litorânea, é uma herança histórica da ocupação desde o período colonial e da produção voltada ao mercado externo. Hoje, ela é reforçada pela presença de indústrias e serviços e pela localização de importantes regiões metropolitanas.
A produção de cana-de-açúcar ainda é uma atividade econômica relevante na Zona da Mata (região da faixa litorânea) e em outros lugares e emprega muitos trabalhadores. Por isso, essa atividade é fator de atração de pessoas.
De acordo com dados de 2016, entre as regiões metropolitanas do Nordeste, três destacam-se em nú mero de habitantes: a de Fortaleza (4,019 milhões de habitantes), a de Salvador (3,984 milhões) e a de Recife (3,940 milhões). 
Essas regiões metro politanas também têm grande importância no cenário nacional, já que são, respectivamente, a quinta, a sexta e a sétima regiões metropolitanas com maior número de habitantes do Brasil. 
As três maiores regiões metropolitanas do Nordeste também são consideradas polos regionais devido ao seu poder de atração (de investimentos, pessoas, etc.), exercido na própria região. 

As migrações 

Ao longo de quase todo o século XX, apesar de terem sido criados alguns órgãos para incentivar o desenvolvimento regional – como a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS) –, a economia nordestina não gerou empregos em quantidade suficiente para atender toda sua população em idade ativa. Por isso, muitos nordestinos migraram para outras regiões à procura de trabalho.
Muitos nordestinos, no en tanto, migraram de um município para outro, em diferentes estados, mas permanecendo no Nordeste, como mostram os da dos do gráfico a seguir. O cres cimento de algumas cidades e a expansão das regiões metro politanas atraíram pessoas de pequenas cidades e das áreas rurais em direção aos novos polos industriais ou agrícolas. 
A partir da década de 1970 o fluxo de migrantes da região Nordeste que se dirigiam a ou tras regiões do país foi reduzin do. Dessa época até os dias atuais, o governo federal e al guns governos estaduais e mu nicipais tomaram medidas para atrair à região indústrias, hotéis, produtores agrícolas e empre sas de vários outros setores do Sudeste e do Sul do país e tam bém do exterior. Entre outras medidas, ofereceram incentivos fiscais (redução de impostos) a esses empreendimentos.
Além disso, a migração pendular de sertanejos em direção ao Agreste e à Zona da Mata nos períodos de longa estiagem na Caatinga também diminuiu a partir da década de 1980. Muitos lavradores se dirigiam a essa região em busca de trabalho no corte de cana-de-açúcar e em outras atividades agrícolas. Embora ainda exista na atualidade, esse tipo de migração foi muito redu zido com a construção de cisternas em casas, escolas e algumas áreas agrícolas. 
Além da atração de novos investimentos, os governos têm realizado pro gramas de transferência de renda e fornecido merenda e transporte escolar, leite, remédios e outros gêneros de primeira necessidade. Tudo isso tem in centivado a redução do volume de pessoas e famílias que migram em busca de melhores condições de vida e trabalho.

As migrações nordestinas em obras de arte 

Diversos artistas retrataram, por meio de suas obras, paisagens e modos de vida da população do Nordeste, em especial a migração dos sertanejos, os moradores das zonas semiáridas, tão importante no cenário social brasileiro. 
Vitalino Pereira dos Santos (1909-1963), o Mestre Vitalino, foi um ceramista pernambucano (nascido em Caruaru), hoje conhecido internacionalmente, que esculpiu em suas obras, entre outras coisas, cenas do cotidiano rural e urbano do Nordeste. Filho de lavradores, começou a esculpir quando ainda era criança, usando as sobras de barro que sua mãe utilizava para fazer utensílios como pratos e panelas. É con siderado um artista popular por não ter frequentado escolas especializadas e por representar o modo de ser e de viver de um lugar.

Nordeste - ocupação histórica

Desde o início da colonização portuguesa, a região que hoje conhecemos como Nordeste passou por muitas transformações. Foi no litoral dessa região que os portugueses iniciaram seu processo de ocupação, atribuindo-lhe im portância econômica e política.

A produção do açúcar

No século XVI, o cultivo da cana-de-açúcar foi a principal atividade econô mica da região que mais tarde viria a ser chamada de Nordeste. A partir da cana produz-se o açúcar, um produto que na época era muito procurado na Europa e, portanto, de grande valor de exportação. 
Os engenhos de cana-de-açúcar localizavam-se na faixa litorânea, onde as condições naturais eram bastante favoráveis. O clima tropical, quente e úmido, além do solo argiloso e muito fértil, chamado massapê, possibilitou o bom desenvolvimento dessa cultura. 
O problema, porém, era o transporte dessa produção. A distância entre o Brasil e a Europa é grande, e as embarcações da época eram precárias. Para que os gastos com as viagens compensassem, era necessário carregar uma grande quantidade de açúcar por viagem. Por isso, os engenhos eram grandes propriedades monocultoras e utilizavam muitos trabalhadores. 
Essa era a forma de baratear os custos de produção na época. Com o intuito de baratear ainda mais os custos, os colonizadores portugueses adotaram nos engenhos o mesmo sistema de mão de obra que já era utilizado em outras de suas áreas de ocupação, como a ilha da Madeira e o arquipélago dos Açores: a escravidão.
Nas primeiras décadas da colonização, os in dígenas foram escravizados. No entanto, a partir de meados do século XVI os colonizadores portugueses passa ram a praticar cada vez mais o tráfico e a comercialização de africanos. 
Por isso, o trabalho que antes era feito por indígenas nos engenhos de açúcar passou a ser executado por pessoas escravizadas de diversas etnias do con tinente africano. Além de trabalhar nos engenhos, os escravizados tinham a incumbência de levar o açúcar até o porto e carregá-lo nos navios, para ser exportado. 
Como o volume de açúcar produzido era grande e o transporte terrestre era precário, foram construídos vários portos ao longo da costa nordestina (os principais eram os de Recife e de Salvador). Era mais vantajoso construir diversos portos, relativa mente próximos uns dos outros, do que transportar toneladas de açúcar por terra. 
Nas áreas portuárias havia também circulação de outros produtos, além do açúcar. O pau-brasil, o tabaco e o algodão eram produtos de exportação. Além de escoar a produção da colônia, os portos recebiam produtos importados, como tecidos, armas, ferramentas, móveis e muitos outros. Recebiam também imi grantes vindos da Europa (que ainda eram poucos, já que a migração europeia para o Brasil se intensificou somente após 1850, com a Lei Eusébio de Queirós). 

A criação de gado e o cultivo de algodão

Ainda no período colonial, outras duas atividades econômicas tiveram pa pel importante na ocupação das terras que hoje formam a região Nordeste: a pecuária extensiva e o cultivo de algodão. 
No início a pecuária se desenvolveu perto dos engenhos, como atividade complementar, mas ao longo dos séculos XVI e XVII expandiu-se para o interior, em busca de novas pastagens, estimulando a ocupação dessa parte do território. As principais áreas de criação de gado, constituído de bovinos e muares, localizavam-se ao longo do rio São Francisco (que é um rio perene) e de seus principais afluentes, por causa da disponibilidade de água e da vegetação mais abundante para pastagem. Além disso, evitava-se que os animais destruíssem as plantações de cana-de-açúcar, o que ocorrera durante anos, quando o gado era criado no próprio engenho. 
Durante o período colonial, a criação de muares foi muito importante na região onde hoje se localizam a Bahia, o Maranhão e o Piauí. Nesses estados havia grandes fazendas de gado, que abasteciam os engenhos de Pernambu co. Esses animais também eram utilizados para o transporte de carga, como água, alimentos, material de construção, entre outros. Observe no mapa as principais áreas de criação de gado no século XVII.
A pecuária de bovinos e muares promoveu o desenvolvimento de importan tes municípios do Agreste, como Feira de Santana, Caruaru e Campina Grande, além de Oeiras e Teresina, a única capital nordestina localizada no interior do continente. 
Desde a época das feiras de gado e pas sagem de tropeiros, essas cida des do Agreste e do interior do Piauí exercem a função de importantes centros comerciais, e Teresina, por ser a capital desde 1852 (a primeira capital do Piauí foi Oeiras, entre 1750 e 1852), tem grande diversidade de atividades econômicas: comércio, repartições públicas, estabelecimentos de ensino superior, etc.
Entre o Maranhão e o Piauí, além da pecuária, desenvolveu-se o cultivo de algodão. A partir de meados do século XIX, quando ocorreu a Guerra Civil americana (1861-1865), a produção de algodão dos Estados Unidos diminuiu, favorecendo o crescimento da produção brasileira, que passou a abastecer os países da Europa. 
No entanto, com o fim do conflito, o setor algodoeiro no Brasil entrou em deca dência econômica, porque os Estados Unidos voltaram a exportar esse pro duto com preços mais baixos. Algumas marcas do período de maior produção algodoeira no Brasil ficaram registradas na paisagem da região. 
Até agora, estudamos o papel das atividades econômicas no processo de ocupação de parte da região que hoje conhecemos como Nordeste. Entretanto, importantes cidades brasileiras originaram-se de fortes construídos para a defesa do território na época da colonização europeia.
No período colonial, os europeus, principalmente os portugueses, construíram centenas de fortes com o objetivo de impedir que outros povos invadissem o território. Aos poucos, nas regiões onde os fortes estavam instalados, começaram a surgir vilas, que foram se desenvolvendo até se transformarem em cidades. Muitos deles se transformaram em importantes pontos turísticos.



quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Os domínios morfoclimáticos brasileiros

Os domínios morfoclimáticos são áreas em que a combinação dos aspectos e características naturais, como o clima, o relevo, o solo e a vegetação, ao longo do tempo, formou unidades de paisagens de grande extensão territorial.
No Brasil, existem seis grandes domínios e, entre cada um deles, faixas de transição que podem ter características próprias ou uma combinação entre os domínios próximos.
O Domínio Amazônico é caracterizado por depressões, planícies e planaltos em baixas altitudes, com a presença da maior floresta do mundo, a Amazônia, e por uma grande rede de rios e afluentes, que possibilita o transporte da população.
No Domínio do Cerrado, prevalecem as gramíneas e arbustivas, com árvores de pequeno porte,  prevalecem as gramíneas e arbustivas, com árvores de pequeno porte, mas pode existir vegetação densa em alguns pontos. Ele está presente em planaltos de altitude variada (podendo chegar a 1 700 metros), com pouca densidade de rios e solos pouco férteis, o que traz desafios específicos para a produção agrícola nessa área.
O Domínio dos Mares de Morros é marcado por uma vegetação densa e muito diversa, em que se localiza a Mata Atlântica, e ocupa áreas com grande presença de serras e morros já bastantes desgastados pela erosão. É nesse domínio que se situam as maiores concentrações populacionais do território brasileiro, com destaque para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.
No Domínio da Caatinga Domínio da Caatinga, a vegetação é adaptada ao clima quente e seco, ocupando áreas, a vegetação é adaptada ao clima quente e seco, ocupando áreas de depressões e planaltos (que chegam a ter até 800 metros de altitude). 
O regime de chuvas irregular e muito baixo é insuficiente para a manutenção dos rios, que são intermitentes e sazonais. Embora seja a área semiárida mais populosa do mundo, os longos e frequentes períodos de estiagem prejudicam as atividades econômicas realizadas na região e impõem dificuldades para grande parte de seus habitantes. A perda de cultivos agrícolas e criações de animais são alguns exemplos.
O Domínio das Araucárias apresenta vegetação de grande porte e está situada em áreas planálticas, com rochas de origem sedimentar e vulcânica. Nessas regiões, o regime de chuvas é bem distribuído ao longo do ano e, muitas vezes, as massas de ar polar atuam diminuindo a temperatura.

O Domínio das Pradarias 

Domínio das Pradarias está situado em climas típicos da Zona temperada, com o predomínio de gramíneas. Ele estende-se pelo sul do Brasil até o Uruguai e a Argentina; o relevo é formado predominantemente por colinas.

Vegetação brasileira


As variadas condições de clima e solo contribuem para o desenvolvimento e a manutenção de formações vegetais com enorme diversidade de espécies, com portes variados, desde as rasteiras, que crescem próximo ao chão, até os arbustos e as florestas com árvores de grande porte.

As formações vegetais 

No Brasil, podem ser reconhecidas dez formações vegetais (veja o mapa a seguir), com enorme variedade de portes e características: há formações florestais (Floresta Amazônica, Mata Atlântica e das Araucárias), outras arbustivas (Cerrado e Caatinga) e também há a presença de formações rasteiras (com os campos).
Não podemos esquecer que a ocorrência de determinadas formações vegetais pode variar de acordo com as características do ambiente. Assim, em ambientes mais secos, como o Semiárido brasileiro, predominam as espécies de xerófitas, que têm como característica a menor necessidade de água. Já em ambientes extremamente úmidos, como no clima Equatorial, predominam espécies higrófilas, com maior necessidade de água.

Os tipos de vegetação

Entre as formações vegetais de grande porte, estão a Floresta Amazônica, na região Norte, e a Mata Atlântica, presente na porção ao leste do Brasil, que abrigam uma das maiores diversidades de fauna e flora do mundo. 
O material orgânico proveniente da vegetação cria uma camada muito rica nos solos, que em geral são rasos (caso de muitos trechos da Mata Atlântica) ou com muitas deficiências de minerais (caso da Floresta Amazônica).
A Mata Atlântica é a formação vegetal que mais sofreu impactos da ação humana, o que reduziu para aproximadamente 8% a vegetação original. Em sua área natural, após séculos de exploração, estão as maiores concentrações urbanas do país, com indústrias e uma ampla gama de redes de transportes (com destaque para o rodoviário) atravessando e dividindo muitos remanescentes florestais. 
A Floresta Amazônica, por sua vez, sofre com o desmatamento relacionado à expansão de atividades agrícolas, a criação de gado e a mineração.
A Floresta de Araucárias é menos diversa do que as duas formações vegetais anteriores, mas é também de grande porte. Estende-se pelo sul do país, principalmente no Paraná e Santa Catarina, e suas árvores, por possuírem troncos lenho sos, foram muito utilizadas pela construção civil e para fabrica-
ção de móveis no início do século XX.
O Cerrado, por estar em uma área de clima Tropical típico, com um período de seca relativamente curto no inverno, apresenta espécies arbustivas e gramíneas, com árvores espaçadas, cascas grossas e folhas pequenas. 
As formações vegetais do Cerrado são as que atualmente mais sofrem com os impactos da ação humana, principalmente ligadas ao avanço da agricultura mecanizada que, além de desmatar a vegetação nativa, também compacta e modifica os solos.
Na Caatinga, por estar em uma área semiárida, desenvolvem-se espécies xerófitas, adaptadas à baixíssima disponibilidade e regularidade de chuvas. As árvores, de porte arbustivo, têm a característica de perderem as folhas nos períodos de estiagem mais prolongados, como uma forma de sobreviverem com a baixa disponibilidade hídrica da região.
Os Campos estão presentes tanto nas regiões Sul e Norte do país quanto no Pantanal. São áreas com vegetação rasteiras, em geral gramíneas. 
No Pantanal, eles são afetados pela expansão e retração das superfícies alagadas ao longo do ano. Os Campos são áreas em que muitas vezes há criação de gado extensivo e a vegetação nativa é utilizada como pastagens naturais.
Os Mangues e Restingas, presentes nas áreas costeiras do país, são formações vegetais complexas, de porte variado. Nos Mangues, as árvores de raízes altas são adaptadas à oscilação das marés durante o dia, ao solo e à água salgada. Por estarem em contato com águas doces e marinhas, há uma grande disponibilidade de material orgânico que enriquece as águas.
Muitas espécies se reproduzem nessas áreas, o que as torna conhecidas como “berçários naturais” de inúmeros animais marinhos. A Restinga, por sua vez, é uma vegetação geralmente de porte arbustivo e rasteira, que se desenvolve muito próximo às praias e têm a característica de estabilizar os solos arenosos. Por estarem em áreas litorâneas, mais recentemente, com a expansão do turismo, os Mangues e Restingas também foram muito de vastados pela urbanização e atividades econômicas dessas áreas.




A hidrografia brasileira

O Brasil é o país com a maior disponibilidade de água doce do mundo – cerca de 12% do total está em nosso território. O país também abriga parte do rio Amazonas, o maior do mundo em volume e extensão, assim como outros importantes rios, como o Paraná (que atravessa os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul), São Francisco (que nasce em Minas Gerais e atravessa os estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe) e o Tocantins (que atravessa os estados de Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará e tem o rio Araguaia como importante afluente).
O regime de chuvas e a circulação de massas de ar predominantemente úmidas abastecem a imensa rede de rios brasileiros e os maiores aquíferos do mundo: o aquífero Guarani, localizado no centro-sul; e o aquífero Alter do Chão, na região Norte do país. Essas características climáticas também são importantes para a manutenção, em alguns períodos do ano, de uma grande planície alagada, o Pantanal, onde vivem e se reproduzem muitas espécies animais e vegetais.
As águas superficiais (rios, lagos, represas, etc.) contribuem para a manutenção da umidade, do regime de chuvas e para o abastecimento humano em diversas localidades.
O relevo influencia diretamente o trajeto dos rios, porque as águas das chuvas e nascentes sempre seguem em direção aos pontos mais baixos do terreno. Os desníveis de altitude também influenciam a velo cidade de deslocamento das águas dos rios, maiores em áreas de declividade mais acentuada.

Regiões hidrográficas

O Brasil possui uma extensa rede hidrográfica. De modo a facilitar o gerenciamento dos rios e das bacias, foram definidas doze regiões hidrográficas, unidades territoriais que compreendem uma ou mais bacias hidrográficas.
Cada uma dessas regiões possui as próprias características ambientais e sociais, além de usos diferenciados.
Algumas regiões hidrográficas estão localizadas apenas no território brasileiro, como a Tocantins-Araguaia e a São Francisco. Entretanto, existem as que também fazem parte de outros países, como as regiões Paraguai e Paraná. A disponibilidade de água varia segundo as diferentes regiões hidrográficas. 

“Brasil: regiões hidrográficas”.

A região hidrográfica Amazônica concentra hoje 81% da disponibilidade de águas superficiais no Brasil. Seus rios são muito utilizados para a pesca e para o deslocamento diário das populações ribeirinhas. O principal rio dessa região é o Amazonas; suas características naturais, como o alto volume de água, a localização em planície e o curso em meandros, o tornam uma das principais rotas de circulação na região Norte do país.
A região hidrográfica Tocantins-Araguaia tem a maior disponibilidade hídrica proveniente de bacias exclusivamente brasileiras. Uma de suas características é o grande potencial turístico, com seus rios e afluentes fazendo parte de belas paisagens naturais, como a Ilha dos Bananais, a maior ilha fluvial do mundo, e dos parques do Jalapão e dos Veadeiros. Além disso, seus rios são muito utilizados para navegação: a hidrovia Tocantins-Araguaia é importante para o escoamento de grãos produzidos no centro-oeste brasileiro.
As regiões hidrográficas Parnaíba, Atlântico Nordeste Ocidental, Atlântico Nordeste Oriental e Atlântico Leste têm a particularidade de estarem em áreas com eventos críticos de seca, atravessando o Semi-árido brasileiro. As duas últimas possuem as menores disponibilidades hídricas no Brasil.
A região hidrográfica São Francisco atravessa grande parte do Semiárido brasileiro, estando também em áreas críticas de seca, o que afeta muitos rios, que são intermitentes. O principal rio, o São Francisco, é muito importante para navegação, pesca e para abastecer e irrigar muitas plantações e criações de gado que ocorrem em suas imediações.
As regiões hidrográficas Atlântico Sudeste e Paraná são as mais povoadas de todo o país, com as duas cidades mais populosas, São Paulo e Rio de Janeiro, e importantes centros econômicos e industriais. No caso da região hidrográfica Paraná, destacam-se, ainda, seu grande potencial de geração de energia, abrigando a maior hidrelétrica do país, os usos para a agricultura e para abastecimento urbano, além da importância para navegação e deslocamento de produtos com a hidrovia Tietê-Paraná.
A região hidrográfica Paraguai engloba os biomas do Pantanal, marcado por planícies, e do Cerrado, marcado por planaltos, e apresenta grande potencial de geração hidrelétrica.
A região hidrográfica Atlântico Sul abrange áreas de grande densidade demográfica e desenvolvimento econômico, como Porto Alegre e Florianópolis, importantes centros industriais e turísticos.
E a região hidrográfica Uruguai apresenta potencial de geração de energia hidrelétrica e seus rios são muito utilizados para irrigação de atividades agroindustriais que ocorrem em suas imediações.

Brasil: grau de segurança hídrica 

Apesar de o Brasil contar com grandes reservas de água doce, o abastecimento hídrico não é regular no país. Desequilíbrios entre a oferta e a demanda geram situações de insegurança, principalmente quando a oferta hídrica não está disponível em quantidade ou qualidade suficientes para atender às necessidades humanas ou garantir a conservação dos ecossistemas.
Os rios são fontes essenciais ao abastecimento de água. Uma forma de garantir o fornecimento de água para um local com longos períodos de estiagem, por exemplo, é coletar e transportar a água de uma bacia hidrográfica melhor abastecida para outra em risco de desabastecimento.
A Agência Nacional de Águas fornece dados para o cálculo do Índice de Segurança Hídrica (ISH) com base nas dimensões: humana, econômica e ecossistêmica (incluindo a oferta hídrica em períodos de seca). O objetivo da Agência é identificar pontos de atenção para a realização de obras que controlem cheias ou minimizem os riscos de escassez hídrica até 2035. 
As áreas com menor segurança no abastecimento estão no sul do Rio Grande do Sul e na Região Nordeste. Nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, a segurança hídrica também é baixa.

O relevo brasileiro

O relevo brasileiro é resultado de processos que ocorreram ao longo de milhares de anos na superfície terrestre. A formação e a transformação sofrem influência de fatores internos (tectônica de placas, terremotos e vulcanismo, por exemplo) e fatores externos (ação dos ventos, chuvas, escoamento, erosão, etc.). O vulcanismo e o tectonismo, embora tenham influenciado o relevo brasileiro em períodos longínquos, atualmente não ocorrem com intensidade em nosso território por ele estar situado no centro de uma placa tectônica: a placa sul-americana.

O embasamento rochoso

O relevo brasileiro, em sua maior parte, é composto de rochas muito antigas, com predominância do embasamento cristalino (rochas ígneas e metamórficas). Em alguns trechos do território, esse embasamento rochoso está coberto por sedimentos, que formam as bacias sedimentares.
O embasamento cristalino é predominante na porção centro-leste do território brasileiro, inclusive formando a estrutura rochosa dos morros e serras que abrangem grande parte da porção leste do Brasil. Nessas áreas, estão as mais antigas rochas existentes no território, grande parte já desgastadas sobretudo pela ação do clima – inclusive com a presença de morros, chapadas e chapadões nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.
Presentes em todo o território, mas com predominância na faixa costeira e em grande parte do centro-sul e norte, estão as bacias sedimentares. São compostas por rochas relativamente mais recentes, formadas pela deposição dos sedimentos. Nas bacias sedimentares predominam planícies fluviais, planaltos e relevo caracterizado por colinas.
Na porção leste do Brasil, predominam conjuntos de morros e serras originados por dobramentos muito antigos e já bastante desgastados pela ação do clima, com altitudes que variam entre 400 e 2 000 metros.
Na faixa costeira e, a oeste, no Pantanal e na região Norte, predominam terrenos abaixo de 400 metros de altitude.

As unidades do relevo

As variadas formas de relevo presentes no Brasil podem ser agrupadas em três classes – ou unidades – principais: os planaltos, as planícies e as depressões.
Os planaltos são áreas em que predominam perdas de sedimentos e estão situados em diversas faixas de altitudes, tanto em embasamentos sedimentares quanto cristalinos. Na parte leste do território brasileiro, estão os planaltos e as serras do Atlântico Leste e Sudeste, onde se encontram as serras do Mar e da Mantiqueira, o planalto da Borborema e os planaltos e chapadas da bacia do Paraná. Nessa última, estão instaladas diversas usinas hidrelétricas, entre elas a de Itaipu, que aproveitam os desníveis no curso do rio Paraná e seus afluentes para a geração de energia.
Nas planícies predominam processos de deposição de sedimentos. Elas ocorrem em altitudes variadas. Formam-se ao longo dos leitos dos rios (planícies aluviais), em locais que recebem sedimentos marinhos (planícies costeiras) e pelo acúmulo de sedimentos em lagos (planícies lacustres). No Brasil, há duas grandes planícies: a do Pantanal, uma imensa área natural de alagamento no centro-oeste brasileiro; e a do rio Amazonas, que acompanha seu curso.
As depressões são áreas rebaixadas em relação ao seu entorno, onde predomina o processo de transporte de sedimentos. No Brasil, destacam-se a depressão Sertaneja e do São Francisco e da Amazônia Ocidental, por onde correm muitos afluentes do rio Amazonas.

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...