sábado, 21 de fevereiro de 2026

OS POVOS ORIGINÁRIOS AFRICANOS

A África reúne, em suas diversas paisagens, fatores que explicam as características e a con figuração dos países e das regiões atuais do continente africano. Muitos grupos étnicos, vindos de diferentes regiões do mundo, ajudaram a constituir a diversidade cultural africana em contextos específicos, de acordo com a região do continente onde se estabeleciam, e criaram modos de viver muito particulares.

Os camitas


Os camitas ocuparam as terras que acompanham todo o curso do Rio Nilo – tanto o baixo Nilo (egípcios) como o alto Nilo, chamados Nilo Azul e Nilo Branco, respectivamente – nas regiões Central-Leste e do Chifre Africano (núbios e somalis), difundindo-se em áreas desérticas, semiáridas e com relevos eólicos e montanhosos, como o planalto etíope. Acredita-se que esse povo tenha dado origem aos povos núbio, somali, etíope e egípcio.
Esses povos fundaram pode rosos impérios, anteriores ao domínio romano. Durante séculos, disputaram o controle da região oriental da África, território de comercialização do ferro, recurso fundamental para a produção de artefatos na época.
Esses impérios foram responsá veis por produzir grande parte dos conhecimentos científico e tecnoló gico incorporados, posteriormente, pelo Ocidente. Há grande variedade de técnicas medicinais, arquitetô nicas e de engenharia (presentes nas estruturas geométricas de suas construções, como as pirâmides egípcias), as quais se basearam em avançados conhecimentos matemáticos, químicos, físicos e biológicos.

Os semitas


A origem dos povos semitas remete ao grupo étnico que migrou da Península Arábica (atuais Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmen), da Planície Mesopotâmica (Irã, Iraque, Kuwait e Síria) e Planície Jordânica (Israel e Jordânia) para toda a África setentrional. O grande grupo semita é formado por árabes, cananeus e etíopes, que migraram pelo Estreito de Bab Al-Mandab (Iêmen-Djibuti) em busca de áreas menos conflituosas e propícias ao desenvolvimento agrícola e à instalação de vilas e de cidades.
A ocupação semita na África teve início no século VIII a.C. e intensificou-se após as campa nhas árabes (do século VII d.C. ao X d.C.) para difundir o islã na África, aumentando a influência muçulmana na região, fato ocorrido no contexto da expansão do cristianismo no Mediterrâneo e no centro da Europa.
Tais movimentos foram fun damentais para garantir o controle de áreas estratégicas de mercado, confrontando civilizações situadas no entorno da costa mediterrânea e no portão eurasiático, principal eixo para o fluxo de mercadorias cujo destino era o mundo medieval europeu. A complexidade étnica dos povos semitas compõe a base cultural dos países da chamada África “branca”, com predomí nio do islã, e reúne os países Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito.

Os bantos


O povo banto é o maior grupo étnico do continente africano – abrigava cerca de 400 grupos étnicos e se desenvolveu na Bacia do Níger por volta de 2000 a.C. Em sua rota migratória, influenciaram os povos da África desde o sul do Saara até o território da atual África do Sul. Conforme eles se deslocavam pelo continente, influenciavam outros povos.
A expansão do povo banto pode ser dividida em três fases. A primeira aconteceu da Bacia do Rio Níger para a região da Floresta Equatorial na África Central. Na segunda fase, os bantos ocuparam a região leste da África. Na terceira, e última, ocuparam o sul do continente.
As principais atividades desenvolvidas pelo povo banto eram a agricultura, a pecuária e a metalurgia; esses conhecimentos permitiam-lhes dominar outros povos. Com base nessas atividades, estabeleceram assentamentos e comunidades por todo o sul da África.
Países africanos como Nigéria, Camarões, Congo, Angola, Zâmbia, Moçambique, Namíbia, Zimbábue, Tanzânia e África do Sul têm influências culturais e linguísticas dos bantos. No Brasil, tais influências chegam com o processo de colonização.

O COLONIALISMO EUROPEU NA ÁFRICA

África foi ocupada por europeus com base em seus interesses no comércio agrícola, na extração mineral e na exploração da mão de obra escravizada. O ouro africano trouxe muita riqueza para Portugal no início do século XVI, a qual se esgotou rapidamente.
No século XVII, Holanda, Inglaterra e França passaram a navegar pelo Atlântico e a questionar o monopólio dos portugueses sobre os territórios encontrados. Nos séculos XVI e XVII, as classes sociais dominantes desses países se interessaram pelas riquezas do território africano e organizaram companhias de comércio: fundaram feitorias, exploraram os recursos naturais e escravizaram a população nativa.
Esse processo resultou em uma nova divisão territorial africana que não respeitava a divisão dos povos nativos. A dominação e o estabelecimento de colônias criaram uma situação com alto potencial de conflitos internos entre as sociedades existentes que se intensificou no século XVIII, no contexto da Revolução Industrial e da corrida europeia por novos recursos minerais.
A partilha do continente africano entre as nações europeias começou na segunda metade do século XIX, culminando com a Conferência de Berlim, em 1884, que teve a participação de 15 países europeus, dos Estados Unidos e da Turquia. Esses países decidiram sobre o futuro do continente africano – a quantidade de pontes, portos e cidades que seriam construídos e quais atividades agrícolas e de exploração de minérios seriam implementadas – sem considerar fronteiras e populações locais (com diversas marcas culturais e identidades étnicas). 

SUL DA ÁFRICA: COLONIALISMO E A EXPLORAÇÃO

Assim como aconteceu em toda a África, a ocupação europeia do território sul-africano não se deu sem que houvesse uma nova divisão territorial. Antes da existência dos territórios da República Sul-Africana (atual África do Sul), Zâmbia e Zimbábue, a região sul-africana era formada pelo Reino Butua, onde se situava o Império Monomotapa (séc. XIV-XVII). Sob influência dos portugueses, em 1629, o rei Mavura converteu-se ao cristianismo, o que contribuiu para que, aos poucos, o império fosse dissolvido por meio da mudança cultural. Como consequência, as raízes culturais enfraqueceram, e a região tornou-se mais vulnerável aos objetivos comerciais de portugueses e holandeses.
O importante subsolo sul-africano (assim como o do Zimbábue), rico em reservas de diamante, níquel, fosfato, manga nês, cobre, ouro, carvão mineral, cromo e urânio, gerou interesse nos colonialistas holandeses e, principalmente, ingleses ao longo dos séculos XVIII a XX, em decorrência da crescente industrialização europeia.
A necessidade de recursos minerais levou à ocupação holandesa do território dos povos bôeres. Os colonizadores instalaram-se em territórios sul-africanos para explorar as reservas de ouro e de minérios preciosos. No século XIX, os colonos de ascendência não inglesa migraram em direção ao interior, fundando o Estado Livre de Orange e a República do Transvaal, consolidando, assim, seus projetos coloniais.
O conflito entre britânicos e bôeres levou à Guerra dos Bôeres, no fim do século XIX e no início do século XX, e resultou da necessidade que os europeus – principalmente os empre endedores britânicos – tinham de consolidar redes de desenvolvimento econômico e indus trial na África para a exploração de minérios e, assim, enriquecer grupos de investidores e de empresários.
Entre eles está Cecil Rhodes (1853-1902), um dos principais responsáveis pelo projeto da ferrovia Cabo-Cairo, que atravessaria todo o continente africano no sentido sul-norte, em um trajeto de mais de 10 000 km. O porto egípcio era um dos principais polos de saída do que se produzia na África para o Império Britânico. Com a descoberta de enormes reservas de ouro e de diamantes na África do Sul em 1880, foi necessário pensar em uma rota ferroviária que incorporasse o montante produzido e levasse a riqueza mineral africana para territórios europeus. Esse processo levou a África do Sul a manter-se sob domínio britânico desde 1911, tornando-se independente em 1961.

As potências econômicas da África

África do Sul, Egito e Nigéria são as maiores economias do continente e podem ser considerados as principais potências regionais da África. Em con traste com outros países, principalmente da África subsaariana, esses países têm parques industriais e pautas de exportação diversificados, apesar de terem suas particularidades.
No entanto, problemas socioeconômicos sobre os quais você já estudou nos capítulos anteriores, alguns deles agravados pela pandemia de covid-19, configuram obstáculos ao desenvolvimento desses países. Além de ampliar a oferta de trabalho para uma população com grande percentual de jovens, África do Sul, Egito e Nigéria precisam superar desafios, como oferecer saúde, educação, moradia e saneamento básico adequado à maior parte da população.

África do Sul


A África do Sul está localizada em uma área estratégica que, no século XVII, fazia parte da rota marítima que ligava a Europa à África Oriental, à Índia e ao Extremo Oriente. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, os navios atracavam na região da atual Cidade do Cabo para abastecimento. Nessa região, formou-se uma colônia de povoamento, inicialmente marcada pelo predomínio de holandeses e pela dominação dos povos nativos. Essa área passaria posteriormente ao controle do Reino Unido, potência imperialista que, entre o século XIX e início do século XX, expandiu seus do mínios na região, extremamente rica em recursos minerais. O território que hoje corresponde à África do Sul se tornou independente em 1910. Apesar de uma divisão étnica profunda, o país herdou uma infraestrutura desenvolvida e expressivas riquezas, que hoje lhe garantem a posição de principal potência da África subsaariana.

Aspectos econômicos


Embora dependa em larga medida da explora ção de suas riquezas minerais, a África do Sul integra cadeias produtivas globais de corporações transnacionais, como as montadoras de veículos, destacando-se como o país mais industrializado da África e o único do continente a compor o Brics, grupo de países emergentes que também inclui o Brasil, a Rússia, a Índia e a China. Apenas 11% do território sul-africano é conside rado apropriado para a agricultura, e o país apre senta uma produção agropecuária diversificada e fornece diversos produtos do setor para o merca do externo. 

Extrativismo e indústria


Com uma área de 1 221 037 quilômetros quadrados, a África do Sul apresenta a maior concentração mundial de riquezas minerais. Aproximadamente 69% das reservas mundiais de platina, 56% das de cromo, 24% das de diamante, 8% das de carvão mineral e 82% das de manganês estão localizadas no território do país, que também possui reservas de ouro (responde por cerca de 35% da produção mundial), carvão mineral, cobre, minério de ferro, estanho, chumbo, zinco, níquel, urânio, cobalto e prata.
O extrativismo mineral gera volumosas receitas para a África do Sul, por meio das exportações de commodities estratégicas para a China e os países desenvolvidos. Além do extrativismo, a atividade industrial tem uma participação expressiva na composição do PIB (cerca de 28%) do país. 
A indústria sul-africana é bastante diversificada para os padrões do continente, tendo sido estruturada ao lon go do período de dominação europeia, com base em redes de transporte, energia e de comunicação desenvolvidas. A produção industrial inclui bens de consumo duráveis, como veículos prontos, terceiro item mais exportado pelo país, perdendo apenas para o ouro e para a platina. Nes se contexto, o país se destaca pelas exportações de pro dutos industrializados para os países africanos próximos, como Moçambique, Zâmbia e Zimbábue.

Egito


Terceiro país mais populoso do continente, com 102,3 milhões de habitantes (2020), o Egito, economicamente, é o principal país da África do norte. Mais de 90% da população do país está concentrada no delta e no vale do rio Nilo, e as maiores cidades são: Cairo, a capital, com mais de 10 milhões de habitantes; Alexandria, com mais de 5 milhões; Gizé, com mais de 4 milhões; e Xubra Quei ma, com mais de 1 milhão. No território egípcio, formou-se uma das maiores civilizações da Antiguidade, cujas marcas são significativas nas suas paisagens, como as pirâmides e outras obras arquitetônicas que formam um sin gular patrimônio histórico-cultural que atrai milhões de turistas todos os anos (13,6 milhões em 2019). Essa atividade é responsável por cerca de 5,5% do PIB do país e por 9,5% dos empregos, de acordo com dados do relatório Perspectivas Econômicas na África, 2021, do Banco Africano de Desenvolvimento.
Desenvolvida dentro de um programa de substituição de importações, a in dústria egípcia também é diversificada, com destaque para os setores têxtil, alimentício, químico, farmacêutico, petrolífero e siderúrgico. A atividade agrí cola, praticada há mais de 7 mil anos, está concentrada no delta e às margens do rio Nilo, uma vez que o restante do território do país é dominado por áreas desérticas. As principais mercadorias produzidas são cana-de-açúcar e trigo, além do algodão de altíssima qualidade, com fibras longas, bastante valorizado no mercado internacional.

Nigéria


A Nigéria é o país mais populoso da África, com cerca de 219 milhões de habitantes. Destaca-se também pela enorme diversidade étnica, representa da por centenas de etnias diferentes, sendo três delas predominantes: hauçá (30%), iorubá (15%) e ibo (15%). Esse fato dificultou o estabelecimento de uma unidade nacional após a independência do país, em 1960. Em 1966, membros da etnia ibo derrubaram o governo nigeriano, instalan do-se no poder. Repelidos por um golpe militar no ano seguinte, os ibos decla raram a independência do território de Biafra, próximo ao delta do rio Níger, dando origem à Guerra de Biafra. Em razão da disputa pelas reservas de petróleo do delta, a guerra civil ni geriana durou cerca de três anos e só terminou com a rendição de Biafra. O conflito foi um dos principais do período pós-independência na África e evi denciou como os interesses das grandes potências mundiais, cujas empresas apoiaram diferentes lados, desempenham um fator importante nos rumos dos países africanos.

Economia


A economia nigeriana representa praticamente 20% do PIB do continente africano. No entanto, seus maiores parceiros comerciais são a China, a Índia e os países da União Europeia, e somente cerca de 13% do seu comércio exterior é realizado com outros países da África. Além de apresentar um setor de serviços diversificado, a Nigéria é o principal produtor de petróleo da África, e esse setor estimula a produção industrial do país, que se destaca, por exemplo, na produção de tintas, borrachas sintéticas e fertilizantes químicos. Mas também se destacam as indústrias têxteis, alimentícias, de calçados, de aço e de cimento.

A indústria cinematográfica


Hollywood e Bollywood são, respectivamente, as indústrias cinematográfi cas dos Estados Unidos e da Índia. A Nigéria também tem uma produção de filmes, séries, documentários e novelas bastante expressiva, sendo responsável por cerca de 5% do PIB nigeriano. Trata-se de Nollywood, termo cunhado em 2002 para se referir à indústria audiovisual do país, que tem como foco o de senvolvimento de narrativas baseadas na cultura, nos problemas sociais e nos desafios próprios da sociedade nigeriana. Nollywood produz cerca de 1 200 filmes por ano, perdendo apenas para Bollywood em volume de produção cinematográfica. Nos enredos, o inglês, a língua oficial do país, está sempre presente, mas é mesclado com os idiomas das centenas de etnias existentes na Nigéria.

O grupo fundamentalista islâmico Boko Haram


Em função da manutenção das fronteiras coloniais, a Nigéria é um país cujo território apresenta profunda divisão cultural entre o sul (população predomi nantemente cristã ou adepta de crenças animistas) e o norte (população pre dominantemente muçulmana). Desde 2002, o grupo fundamentalista islâmico Boko Haram (que significa “a educação ocidental é pecaminosa”), criado pelo clérigo muçulmano Mohammed Yusuf, empreende esforços para instalar no país um Estado islâmico no norte do país. 
Em nome dessa luta e espalhando o terror na Nigéria e em países vizinhos, o grupo promove sequestros, atentados e assassinatos em busca de desesta bilizar os governos da região. 
Os integrantes do Boko Haram resistem à educação e aos costumes ociden tais e, em 2015, aceitaram formar uma aliança com o Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio. Responsável por mais de 27 mil mortes, o grupo já provocou o deslocamento forçado de aproximadamente 1,86 milhão de pessoas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Relações China-Brasil

A China, desde 2009, tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. Em 2021, do valor total das exportações brasileiras para outros países, 22,4% foi realizado para a China; e a importação de produtos chineses pelo Brasil representou 23,5% do valor total das importações brasileiras.
Entretanto, em 2021, as exportações brasileiras para a China eram compostas, principalmente, de produtos primários: o minério de ferro constituiu cerca de 33% do valor total das exportações; a soja, 31%; e o petróleo bruto, 16% – produtos que não têm valor agregado.
Já as importações de produtos chineses pelo Brasil são predominantemente de bens industrializados, portanto de maior valor agregado, fato que beneficia amplamente a economia chinesa. A influência cultural chinesa no Brasil está relacionada ao crescimento da chegada de imigrantes chineses ao país a partir de meados do século XX.
Destacam-se: a arte marcial tai chi chuan; a gastronomia chinesa; a celebração do ano-novo chinês no bairro da Liberdade, em São Paulo; e a adoção de práticas da medicina tradicional chinesa, como é o caso da acupuntura.

Relações entre Estados Unidos e Brasil

A história das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos tem início em 1824, quando os estadunidenses foram os primeiros a reconhecer a independência de nosso país, ocorrida em 1822. No entanto, foi apenas a partir da Segunda Guerra Mundial que o Brasil estreitou relações com os EUA.
A adesão brasileira aos Aliados veio por meio de negociação promovida pelo então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, com os Estados Unidos. Como resultado, nosso país recebeu bases navais e aéreas dos Estados Unidos e forneceu a eles matérias-primas, como a borracha. Em contrapartida, o Brasil recebeu recursos financeiros que foram investidos na atividade industrial.
Desse momento em diante, os dois países permaneceram alinhados, embora em alguns momentos o Brasil tenha tentado traçar um caminho mais independente, com foco nas relações Sul-Sul, ou seja, com países da América Latina e da África, por exemplo. Hoje, Brasil e Estados Unidos mantêm acordos e diálogos sobre comércio, investimentos, energia, meio ambiente, educação, tecnologia, direitos humanos e segurança, entre outros.

Relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos 


Ainda que o Brasil não apareça como um dos principais exportadores e importadores comerciais dos Estados Unidos, nosso país é um de seus principais parceiros: cerca de 10,3% das exportações brasileiras vão para os EUA e mais de 17,6% das importações vêm de lá (2020). 
O Brasil sempre esteve historicamente ligado aos Estados Unidos: nas relações diplomáticas e econômicas, nos investimentos que este faz no Brasil, na sua influência cultural na sociedade brasileira – na música, no cinema, no turismo, no vestuário etc.
Em 2019, os principais produtos importados pelos Estados Unidos das indústrias brasileiras foram aviões e peças de aeronave. Alguns produtos essenciais para ambos os países são o algodão, o carvão mineral, o alumínio e o aço. O Brasil é um grande comprador do carvão mineral estadunidense, e os Estados Unidos são um dos mais importantes clientes do aço e do alumínio brasileiros.

Multinacionais estadunidenses no Brasil 


Até o início do século XX, a maior parte dos investimentos estrangeiros no Brasil era proveniente da Inglaterra. No entanto, após a expansão econômica dos Estados Unidos, grupos empresariais estadunidenses passaram a investir maciçamente em nosso país e a instalar empresas multinacionais em território brasileiro. 
Atualmente, a maioria delas ainda permanece atuando no mercado nacional nos mais diversos setores de atividades, como o industrial (automóveis, medicamentos, produtos químicos etc.), o de comércio e serviços (seguradoras, bancos, redes de supermercado) e até mesmo o de produção cinematográfica. 
Suas transnacionais estão presentes no Brasil desde o início do século XX – são exemplos a General Electric, General Motors, Kodak, IBM, Avon e Johnson & Johnson, além de muitas outras. 
Até o ano de 2008, os Estados Unidos foram nosso principal parceiro comercial, sendo que, a partir de 2009, a China ultrapassou-os no comércio exterior com o Brasil.

Estados Unidos: potência militar

A hegemonia estadunidense no mundo não se limita aos campos econômico e cultural, estendendo-se também à área militar. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos investiram maciçamente no aparelhamento das forças armadas, assim como em treinamento e manutenção do exército e em pesquisas nesse setor, a fim de competir com o poderoso exército soviético e conter a expansão do socialismo e a influência da União Soviética no mundo.
O poderio militar tem um peso muito grande nas negociações internacionais. Países poderosos, como os Estados Unidos, conseguem impor seus interesses de modo que os demais acatem suas decisões, o que também ocorre nas negocia ções comerciais. O poder militar possibilita a consolidação do poder político.
Com o fim da União Soviética, os Estados Unidos deixaram de ter oponentes que pudessem ameaçá-los diretamente. Assim, desde então, são a maior potência militar do planeta, com forte indústria bélica.
A Guerra Fria, como ficou conhecido o período de rivalidades entre essas duas superpotências, levou a uma corrida armamentista sem precedentes na história. Mesmo que não tenham se enfrentado diretamente em um conflito, tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética realizaram dezenas de intervenções militares nas mais diversas regiões do planeta, tendo em vista a ampliação das áreas de influência de seus respectivos regimes político-ideológicos.
Sem realizar embates diretos, essas duas potências militares buscaram intimidar uma à outra por meio de ações que demonstrassem o poder de seus armamentos, principalmente com mísseis e armas nucleares. Com o fim da União Soviética, em 1991, os Estados Unidos se consolidaram como a maior potência militar do planeta, sem nenhuma nação que se equiparasse a sua indústria bélica.
Os Estados Unidos tornaram-se o centro de uma gigantesca aliança militar: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), criada em 1949 com a união de algumas das forças armadas mais poderosas do mundo, como a inglesa, a francesa e a italiana. A superioridade militar estadunidense tornou-se incontestável após o fim da União Soviética, em 1991. Desde essa época, as operações militares dos Estados Unidos passaram a ser mais incisivas.
O desenvolvimento da indústria de armamentos nos Estados Unidos, que recebeu fortes investimentos do governo especialmente após a Segunda Guerra Mundial, contribuiu para o crescimento da tecnologia utilizada na produção de novos bens de consumo. 
Nesse sentido, também houve enorme contribuição da indústria aeroespacial (satélites artificiais, foguetes, naves, ônibus espaciais) por meio da Nasa (sigla em inglês para Agência Espacial Norte-Americana), um organismo civil federal. Mais de 3 mil novos produtos de consumo lançados pelos Estados Unidos na segunda metade do século XX foram criados a partir da tecnologia de senvolvida, inicialmente, para produtos ligados à indústria bélica ou aeroespacial. 
O poderio militar dos Estados Unidos possibilitou, por exemplo, a derrubada de governos contrários às orientações estadunidenses. Essa situação foi comum durante a Guerra Fria (1947-1989), período no qual o regime socialista vigorava em diversos países e a União Soviética era a superpotência militar que se opunha aos Estados Unidos.
Atualmente, os Estados Unidos possuem bases militares em diversas regiões do mundo, e, na maioria das vezes, por meio dessas bases, o governo estadunidense intervém em diferentes conflitos pelo mundo. O país também apresenta o maior gasto com questões militares.
No Brasil, a Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, juntamente com a elite nacional, apoiou a deposição de João Goulart (Jango), que procurava se manter independente da disputa entre as superpotências no contexto da Guerra Fria e cujo plano de governo era voltado às causas dos trabalhadores e dos movimentos sociais brasileiros. Após o golpe, instalou-se no país a ditadura (1964-1985). Os militares tomaram o poder e se alinharam aos Estados Unidos. O governo militar foi caracterizado pela repressão e pela censura.
A partir da segunda metade do século XX, o Oriente Médio também rec beu notável atenção dos Estados Unidos. Essa porção territorial da Ásia é rica em petróleo, e os EUA, na posição de maior consumidor do mundo dessa fonte energética, passaram a atuar direta e indiretamente nesse território.
Contudo, nessa região existem países que oferecem resistência ao expansionismo estadunidense. O apoio histórico dos Estados Unidos ao Estado de Israel, desde sua criação, em 1948, aumentou a oposição das nações árabes à política estadunidense.
Em 2017, os gastos militares dos Estados Unidos foram superiores a 600 bilhões de dólares, cerca de 35% dos gastos mundiais no setor. Vários países abrigam tropas estadunidenses, com milhares de soldados, e bases militares que realizam diversas operações, incluindo testes nucleares. O planeta encontra-se, literalmente, dividido em setores: são os comandos militares estadunidenses que dispõem de diversos armamentos de guerra. A força militar dos Estados Unidos está presente em todos os continentes.
Embora naquele mesmo ano a China tenha gasto três vezes menos que os Estados Unidos em despesas militares, entre 2008 e 2017 o crescimento de investimentos do país no setor foi de 110%, enquanto, no mesmo período, os Estados Unidos reduziram seus gastos em 14%. 
Esses dados mostram como a China, atual segunda maior potência econômica global, tem procurado se fortalecer também do ponto de vista militar, trilhando um caminho parecido ao dos Estados Unidos logo após a Segunda Guerra Mundial.
Ainda em 2017, a China inaugurou sua primeira base militar no exterior, em Djibuti, na África, continente que, vem recebendo expressivos investimentos chineses. A base foi instalada em um local estratégico, próximo ao mar Vermelho e ao golfo de Áden, onde é intenso o fluxo de embarcações marítimas comerciais. Nessa área também atuam piratas que sequestram navios e pedem resgate para a libertação das tripulações.
O fortalecimento da estrutura militar chinesa é acompanhado com preocupação pelos Estados Unidos. De acordo com um relatório do governo esta dunidense de 2017, “os Estados Unidos continuarão monitorando a modernização militar da China e continuarão adaptando suas forças, abordagens, investimentos e conceitos operacionais para garantir sua capacidade de proteger a pátria, aliados e parceiros, conter a agressão e garantir a paz na região, a prosperidade e a liberdade”.
Os Estados Unidos utilizam em torno de 3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na área militar, o que corresponde a cerca de 36% do volume gasto em defesa no mundo. O país também conta com um contingente de 1,3 milhão de militares, que representa cerca de 0,7% da população estadunidense economicamente ativa.

Liderança militar no mundo 


Os Estado Unidos são o país que mais investe no setor militar. Em 2017, se gundo dados do Banco Mundial, seus gastos militares chegaram a 610 bilhões de dólares. O segundo país que mais investe nesse setor é a China, cujos gastos, de aproximadamente 228 bilhões no mesmo ano, equivaleram a menos de 40% do montante estadunidense.
Desses investimentos resulta que os Estados Unidos detêm mais aviões e navios de combate do que qualquer outro país e um exército muito bem equipa do e treinado para realizar tarefas em diferentes lugares, como desertos e flores tas, e em diferentes situações, como invasão ou defesa de territórios. Por isso, o país é considerado uma superpotência militar.
Vale lembrar que na última década aumentou o número de conflitos armados, o que levou à deterioração da segurança mundial. Ao aumento do número de conflitos corresponde o maior número de armas comercializadas no mundo. Os Estados Unidos, nesse contexto, são o principal exportador de armas, responsáveis por 34% do total de armas comercializadas internacionalmente.
As centrais de Comandos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos têm como missão garantir a defesa nacional deste país e sustentar a sua influência militar no mundo 
Oferecer proteção é uma maneira de influenciar militarmente um país. Essa proteção pode ocorrer por meio de acordos de venda de tecnologia e de armamentos, treinamento de tropas ou instalação de bases militares em territórios aliados. Nem sempre isso ocorre em benefício da população do país, mas de acordo com os interesses estadunidenses e de determinados grupos que se privilegiam desses acordos. 
Uma forma de influenciar usando o instrumento econômico é emprestar ou doar dinheiro a um país, que, em troca, recebe, por exemplo, uma base militar estadunidense em seu território.
Entre as ações militares estadunidenses que mais se destacaram nas últimas duas décadas estão aquelas feitas em países do Oriente Médio, como na Guerra no Afeganistão (2001), quando as forças estadunidenses invadiram o país para derrubar o governo talibã, acusado de ter ligações com grupos terroristas; na Guerra no Iraque (2003), quando os Estados Unidos e a Inglaterra voltaram a invadir o Iraque e destituíram, definitivamente, o governo de Saddam Hussein; na Guerra da Síria (2012), quando os Estados Unidos, em aliança com outras potências militares, enviaram cerca de dois mil soldados para combater milícias terroristas, entre elas o chamado Estado Islâmico. 
Destaca-se também as ações militares relacionadas à Guerra da Ucrânia (2022), quando, em conjunto com países europeus, o governo estadunidense enviou recursos financeiros e armamentos para que o exército ucraniano resistisse à invasão russa.

Influência militar na América Latina 


Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a influência militar dos Estados Unidos se tornou mais evidente. Os Estados Unidos foram um dos vencedores da Grande Guerra, junto com a ex-União Soviética, a França e o Reino Unido. Os países vencedores europeus, porém, foram destruídos pela guerra e precisavam reconstruir seus territórios. Os Estados Unidos e a ex-União Soviética, por sua vez, saíram da guerra fortalecidos e iniciaram uma disputa pela posição de liderança mundial. 
Essa disputa caracterizou o período conhecido como Guerra Fria, que durou de 1945 a 1991. Especialmente entre as décadas de 1950 e 1970, os Estados Unidos, com o objetivo garantir sua hegemonia no continente americano, passaram a apoiar golpes mi litares nos países da América Latina. 
A primeira intervenção apoiada pelos Estados Unidos, em 1954, foi responsável pela queda do presidente da Guatemala. 
Paraguai, Argentina, Brasil, Peru, Uruguai, Chile, República Dominicana, Nicarágua e Bolívia foram outros países latino-americanos que tiveram ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos.

Guerra ao Terror 


Desde a Guerra Fria, os EUA têm adotado uma política de intervenção e ocupação militar em países que possam lhe oferecer perigo. 
Essa política se acentuou após o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, no qual as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e o prédio do Pentágono, em Washington, foram atingidos por aviões comerciais comandados por terroristas islâmicos, matando 3 278 pessoas. Esses prédios representavam, respectiva mente, os poderes econômico e militar do país.
Os Estados Unidos começaram uma caça aos grupos terroristas que, de alguma forma, ameaçavam os interesses estadunidenses. Assim, o Afeganis tão foi ocupado em 2001, quando o então presidente estadunidense, George W. Bush, autorizou a operação para capturar o saudita Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, acusado de planejar o atentado de 11 de setembro. O Iraque foi ocupado em 2003, quando os Estados Unidos acusaram o governo de Saddam Hussein de produzir armas químicas de destruição em massa. 
Nenhuma das intervenções obteve êxito. Osama bin Laden foi capturado e morto somente em 2011, dez anos após o atentado de 2001. Também ficou comprovado que o Iraque não tinha as armas químicas anunciadas pelo governo estadunidense. O resultado dessas operações foi a destruição desses países e a morte de milhares de civis.
Para os Estados Unidos, o saldo positivo da ocupação do Afeganistão foi a retirada do Talibã do poder, grupo extremista islâmico que governou o país de 1996 a 2002. No Iraque, o ditador Saddam Hussein foi deposto em 2003, após 24 anos no controle do país. Nem os talibãs nem Hussein representavam os interesses dos EUA na região. 
No entanto, a desaprovação popular interna e externa e o alto custo dessas intervenções militares levaram o governo estadunidense a decidir pela retirada de seus militares desses países a partir de 2010. Apesar disso, em 2015, mais de 10 mil militares estadunidenses ainda permaneciam no Afeganistão, e o Talibã não perdera o poder no país. 
Em 2021, sob a presidência de Joe Biden, os Estados Unidos concluíram a retirada de suas tropas do Afeganistão, após 20 anos de ocupação, a mais longa de toda a história dos Estados Unidos. Tal ação ocorreu no momento em que o grupo Talibã retomava o poder no país.
Os Estados Unidos têm rivalizado com o Irã e a Coreia do Norte, nações suspeitas de desenvolver programas nucleares para fins bélicos. Esses países são vistos pelo governo estadunidense e pelas Nações Unidas como uma ameaça, com a justificativa de que podem fabricar bombas atômicas. Em uma iniciativa para aliviar as tensões com os iranianos, os Estados Unidos e mais cinco potências (Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia) firmaram um acordo, em julho de 2015, que previa a diminuição das atividades nucleares do Irã – dessa forma, o país asiático não teria potencial para produzir armas nucleares. 
Em troca, essas potências retirariam as sanções econômicas impostas aos iranianos. No entanto, em 2018, o então presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e retomou as sanções econômicas aos iranianos, alegando que as medidas do acordo e a fiscalização sobre o Irã eram insuficientes para impedir o país asiático de produzir armas nucleares.
Desde 2014, os Estados Unidos enfrentam ainda outro inimigo: o Estado Islâmico, grupo radical formado por ex-combatentes do antigo Exército derrotado de Saddam Hussein, que propaga o terror por meio da dizimação de minorias religiosas e étnicas, como os xiitas e os curdos do norte do Iraque, além de assassinar reféns e jornalistas estrangeiros.

Relações tensas entre Estados Unidos e Rússia 


As tensões entre Estados Unidos e Rússia vêm de longa data, desde o fim da Segunda Guerra Mun dial, quando ainda existia a União Soviética (URSS). A corrida armamentista que as duas superpotências realizaram levou a uma situação de constante desconfiança. 
Com o fim da URSS, na década de 1980, a Rússia surgiu como principal potência remanescente da dissolução do país socialista, mantendo interesses geopolíticos em diversos espaços geográficos das repúblicas vizinhas que um dia, juntas, fizeram parte do mesmo país. 
Ao longo das décadas de 1990 e 2000, Estados Unidos e Rússia mantiveram relações amistosas. Porém, os desentendimentos envolvendo a Ucrânia reativaram certa tensão entre as potências.







Estados Unidos: política externa

Cada país estabelece formas de se relacionar com os demais, definindo sua política externa, o que significa es tabelecer acordos comerciais ...