A Região Sudeste se destaca por ser a mais industrializada e economicamente desenvolvida do país, tanto pela geração de uma importante parcela do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
A atividade industrial
A região Sudeste, nas primeiras décadas do século XX, reuniu as condições favoráveis à industrialização. Até essa época, o café era o principal produto da economia brasileira, mas a atividade sofreu grande enfraquecimento a partir de 1929, quando teve início uma crise econômica mundial, que abalou o comércio internacional.
Houve redução tanto no volume de exportações brasileiras como no de importações de produtos industrializados, o que tornou necessária a instalação de novas fábricas no país para produzir mercadorias que antes eram importadas. Na região Sudeste se concentrou a instalação de indústrias.
A cidade de São Paulo já era um importante centro comercial e financeiro e contava com uma boa infraestrutura. Tinha ainda uma população numerosa e pessoas com espírito empreendedor, com destaque para os imigrantes.
Muitos estrangeiros tinham bom nível de qualificação profissional, porque seus países de origem começaram a industrializar-se antes do Brasil.
Toda essa infraestrutura e esses recursos humanos, mais o dinheiro acumulado com as exportações de café ao longo do tempo, foram direcionados para o desenvolvimento de atividades industriais, e São Paulo começou a comandar o processo de industrialização nacional.
O Rio de Janeiro – principalmente por ter sido a capital federal desde 1763
e por ter passado por uma onda de modernização com a chegada da família
real, em 1808 – também dispunha de boa infraestrutura e uma diversificada rede
de comércio e serviços, que serviram de base para o processo de industrialização.
Em Belo Horizonte, o processo de industrialização ganhou impulso a partir
da década de 1940, quando a extração de minérios e a produção de aço se
tornaram atividades importantes em municípios próximos. Em 1942, Getúlio
Vargas criou a Companhia Vale do Rio Doce, uma empresa de mineração que
atraiu a instalação de muitas outras indústrias que utilizavam os minérios (ferro,
alumínio, níquel e outros) como matéria-prima.
Além disso, a região Sudeste recebeu do governo federal muitos investi
mentos em infraestrutura ao longo do século XX, principalmente durante o
governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960), sobretudo em energia e trans
portes. Isso aconteceu porque era mais barato concentrá-los espacialmente,
pois as estruturas poderiam ser utilizadas de forma compartilhada.
Esses investimentos por parte do governo brasileiro atraíram muitas em
presas estrangeiras para o Brasil, com destaque para as indústrias automobi
lísticas no ABC (municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano, que
fazem parte da região metropolitana de São Paulo).
A entrada das indústrias automobilísticas gerou investimento nacional e
estrangeiro em vários outros setores complementares, como o da produção de
máquinas e equipamentos industriais, vidros, bancos, peças para motores e
muitos outros. Isso porque as indústrias automobilísticas não fabricam os auto
móveis; na verdade, elas os montam a partir do que é produzido em outras
fábricas. Por isso, são chamadas de montadoras de veículos.
O desenvolvimento da atividade industrial no Sudeste caracterizou-se pela formação de um diversificado e vasto parque industrial, com indústrias de base, como siderúrgicas e petroquímicas; de bens intermediários, como as de autope ças; de materiais de transporte e máquinas industriais, que fabricam máquinas e equipamentos para outras indústrias; de bens de consumo duráveis, que são as automobilísticas e de aparelhos eletroeletrônicos, além de indústrias de bens não duráveis, como as alimentícias e de produtos de higiene e limpeza.
Embora o Sudeste seja uma região bastante industrializada, a atividade industrial não está distribuída de maneira homogênea entre os estados que a compõem. As maiores concentrações industriais estão localizadas em seus grandes centros urbanos, sobretudo nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Nessas cidades, também estão localizadas as grandes empresas nacionais e multinacionais e as sedes, no Brasil, dos grandes bancos internacionais e institui ções financeiras, como as bolsas de valores.
Além disso, concentram as principais universidades e possuem os mais avançados laboratórios e centros de pesquisa, responsáveis pelo desenvolvimento de inovações tecnológicas produzidas no país. Isso explica por que, no Sudeste, estão instaladas indústrias de alta tecnologia, como as de informática, eletrônica, telecomunicações, aeroespacial e farmacêutica.
A recente desconcentração industrial
Desde o final da década de 1970 vem ocorrendo uma desconcentração da
produção industrial brasileira.
Houve um crescimento da produção industrial nas regiões
Sul, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Muitas indústrias se
transferiram para essas regiões do país e novas estão sen
do instaladas, em função dos investimentos em infraestru
tura do governo federal, de isenções fiscais e do custo da mão de obra mais
baixo do que nas áreas de industrialização já consolidada, como São Paulo, Rio
de Janeiro e Minas Gerais, além de incentivos de municípios que muitas vezes
doam os terrenos para a instalação de indústrias.
Além disso, muitas indústrias têm se transferido para outras áreas do mes
mo estado. Nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, por
exemplo, diversas cidades até então com poucas ou pequenas indústrias pas
saram a receber investimentos em infraestrutura, especialmente nos setores
de transportes, energia e telecomunicações, para atender indústrias recém-chegadas e atrair novas.
Indústria e a população urbana
O processo de industrialização provocou grandes transformações na organiza
ção do espaço geográfico da Região Sudeste. A expansão da atividade industrial fez com que a Região Sudeste tivesse um
expressivo aumento na população urbana. Isso ocorreu porque, à medida que as
indústrias se multiplicavam, um grande contingente de trabalhadores era atraído
em direção aos centros urbanos que se industrializavam.
A partir da década de 1950, um grande número de nordestinos se dirigiu espe
cialmente para o estado de São Paulo, que já se destacava como o estado mais
industrializado do país.
Dessa forma, podemos concluir que a industrialização do Sudeste contribuiu
para torná-la a região mais urbanizada do país, pois ocorreu de maneira desigual e
concentrada e impulsionou o crescimento de grandes cidades e metrópoles, como
São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Isso explica por que o Sudeste é a
região que apresenta a maior a taxa de urbanização do país. Atualmente, de cada
100 habitantes que vivem na Região Sudeste, 93 moram em áreas urbanas.
A produção agropecuária
A produção agropecuária da região Sudeste é muito dinâmica, apresenta
alta produtividade e dispõe de eficiente infraestrutura de escoamento da produção por rodovias, ferrovias, hidrovias e portos.
Em muitas propriedades rurais da Região Sudeste, a atividade agropecuária é considerada moderna, apresentando elevada produtividade. Essa característica foi adquirida e impulsionada pela própria industrialização da região que, ao acelerar o processo de modernização do campo, fez aumentar sensivelmente a produtividade das lavouras e criações, como as de gado bovino e suíno.
Esse processo de modernização ocorreu mediante o uso crescente de máquinas e de equipamentos agrícolas nas propriedades rurais, assim como pela expansão do crédito, das agroindústrias e das cooperativas agrícolas na região.
A região Sudeste concentra cerca de 40% da população brasi
leira e nela se localizam as três maiores regiões metropolitanas do país, São
Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de Vitória, Campinas e outras. Cerca de 94% da população reside na zona urbana de seus municípios, gerando a
necessidade de grande produção agrícola para abastecimento, associada à bus
ca de alimentos nos mercados de outros estados e países.
A região concentra o maior volume e o maior valor da produção agrícola
do Brasil e nela encontramos os mais variados tipos de produção e organização
das atividades agropecuárias.
Além das grandes propriedades rurais monocultoras presentes nessa região,
existem as médias e pequenas propriedades, que contribuem para a diversificação
da produção agropecuária e são fundamentais para atender ao abastecimento do
mercado interno.
Há diversas regiões onde se pratica agricultura
familiar para abastecimento dos centros urbanos, muitas vezes com uso de
tecnologia moderna e alta produtividade, e onde houve recente aumento da
prática de agricultura orgânica.
A agricultura de subsistência ainda é praticada
em locais onde a terra é de baixa fertilidade e tem menor valor comercial.
Nas médias e grandes propriedades também é desenvolvida uma grande
variedade de atividades, com destaque para a exportação de produtos agroindustriais.
Os produtos agrícolas voltados para o mercado externo de maior destaque na
Região Sudeste são a laranja e o café. Já produtos agrícolas como arroz, feijão,
mandioca, batata, amendoim, tomate e cana-de-açúcar, produzidos nessa região
são destinados ao consumo interno do país.
Com exceção do café, que, além de abastecer o mercado interno, é exportado sem nenhum processamento industrial, os demais produtos são comer
cializados no mercado interno e também exportados depois de serem proces
sados nas agroindústrias, ou seja, após passarem por um processo de
industrialização. Na região, entre outras produções agroindustriais, destacam-se:
■ o cultivo de laranja para produção de suco concentrado (o estado de São
Paulo é o maior produtor mundial);
■ o cultivo de cana-de-açúcar para produção de açúcar e álcool (São Paulo
é o maior produtor nacional e reúne a maior quantidade de usinas);
■ o cultivo de eucalipto para produção de papel e celulose, espalhado por
várias sub-regiões (Minas Gerais é o maior produtor nacional);
■ a criação de gado para produção de carne, leite e laticínios, com a maior
produção regional concentrada em Minas Gerais;
■ a criação de aves para produção de carne e ovos, com concentração de
granjas no estado de São Paulo.
Extrativismo
A Região Sudeste apresenta uma expressiva atividade extrativa. Isso acontece
porque, no subsolo dessa região, há minerais que podem ser explorados comercial
mente, como ferro, urânio, níquel,
chumbo, cobre, cromo, fósforo e
zinco, além de pedras preciosas
como o diamante. A presença
da intensa atividade extrativa na
região propiciou a instalação de
várias siderúrgicas nessa parte do
território brasileiro.
O estado de Minas Gerais apresenta importante exploração de pedras precio
sas, como ouro, diamante, esmeralda e água-marinha. Além disso, o minério de
ferro, de grande destaque na região, é extraído principalmente da região do qua
drilátero ferrífero, no estado de Minas Gerais, formado pelas cidades de Sabará,
Congonhas, Ouro Preto, Itabira, entre outras.
Esse minério é utilizado, sobretudo, em siderúrgicas localizadas nos estados de
Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, onde é transformado em ligas de aço,
que, posteriormente, serão utilizadas na fabricação de inúmeros produtos, como
automóveis e eletrodomésticos.
Grande parte do minério de
ferro extraído na Região Sudeste
também é destinada à exporta
ção. Para isso, o material extraído
em Minas Gerais é transportado
por meio de estrada de ferro até
o porto de Tubarão, no Espírito
Santo. Os principais destinos des
ses produtos são China e Japão.
Na Região Sudeste, o petróleo
é extraído principalmente do sub
solo marinho, em especial da Ba
cia de Campos, uma das maiores
reservas de petróleo do país, localizada entre os estados do Rio
de Janeiro e do Espírito Santo.
A Região Sudeste é responsável pela maior parte do petró
leo extraído no país, destinado,
principalmente, ao refino para
produção de combustíveis e de
rivados voltados para o consumo
interno.
O petróleo na camada do pré-sal
O petróleo extraído da camada pré-sal é
encontrado em águas profundas e a distâncias
ainda maiores do assoalho oceânico. Isso por
que, segundo os geólogos, essa camada, que
abriga o petróleo, se formou antes da camada
de sal depositada na crosta terrestre. Veja a lo
calização da camada do pré-sal na ilustração.
O petróleo encontrado no pré-sal é consi
derado de excelente qualidade e com grande
valor comercial. No Brasil, estudos apontam
que essa camada se estende desde o litoral da
Região Nordeste até o litoral da Região Sul.
No entanto, ela vem sendo explorada nas ba
cias de extração da Região Sudeste, principal
mente na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e
na Bacia de Santos, em São Paulo, apresentando
uma capacidade produtiva bastante elevada em
relação às camadas mais superiores de petróleo.
Setor terciário
Segundo os dados do IBGE, a Região Sudeste é responsável por aproximadamente 53% do PIB brasileiro, sendo que mais da metade
de toda a riqueza gerada pelo PIB de seus quatro estados é proveniente do setor
terciário.
As atividades de maior destaque desenvolvidas pelo setor terciário no Sudeste
estão relacionadas ao comércio varejista e atacadista.
Na Região Sudeste, as empresas prestadoras de serviços localizam-se principal
mente nos grandes centros urbanos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Algumas dessas empresas são repartições públicas, bancos e instituições de ensino.
A
B3, bolsa de valores brasileira, por exemplo, está situada na cidade de São Paulo,
que é considerada o centro financeiro do Brasil. Segundo dados do IBGE, em 2019
a Região Sudeste também se destacava por empregar 59% de toda a população
brasileira ocupada no setor terciário.
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