Ecologia e ecossistemas
Todos os seres vivos possuem algumas características comuns,
como o fato de se relacionarem com outros seres do ambiente em
que vivem e de interagirem com os fatores não vivos desse ambiente,
tais como o ar, a água, o solo, a temperatura e a luz.
Um ecossistema é o conjunto formado pelos componentes vivos e pelos não vivos de um ambiente. Os seres vivos de um ecossistema mantêm relações entre si e também com os componentes não vivos.
Diferentes tipos de ambiente, como uma floresta, um oceano e uma caverna, são chamados de ecossistemas. Cada ecossistema possui características próprias e se diferencia quanto aos elementos que o compõem.
A Ciência que estuda as interações entre os componentes vivos e os não vivos dos ecossistemas é a Ecologia. A palavra Ecologia vem do grego oikos, que significa casa, e logos, que significa estudo; corres
ponde, portanto, ao estudo da casa ou do lugar onde se vive. Nessa Ciência, um conceito fundamental é o de ecossistema, conjunto de todos os seres vivos e dos fatores não vivos de um certo ambiente.
Componentes dos ecossistemas
Os componentes vivos constituintes dos ecossistemas são os seres
vivos, e os componentes não vivos, também chamados de fatores
físico-químicos, são elementos como as rochas, a parte mineral do solo,
a água, o ar e a luz.
Representação
esquemática de
um ecossistema
mostrando em
detalhes os
componentes
vivos e os não
vivos.
As relações entre seres vivos
As interações entre seres vivos acontecem tanto entre indivíduos de
uma mesma espécie quanto entre seres vivos de espécies diferentes.
Para compreender essas relações, vamos analisar um exemplo.
A seguir, são apresentadas algumas características do cuxiú-preto
(Chiropotes satanas), um primata que vive nas florestas do Pará e do
Maranhão.
Veja as relações entre os indivíduos dessa espécie e sua
interação com espécies diferentes.
• Vive em bandos de cerca de 30 indivíduos da espécie, que chegam a
se deslocar vários quilômetros por dia pelas copas das árvores.
• Alimenta-se de flores, frutos, sementes, brotos, insetos e aranhas.
• Ao se alimentar de frutos, pode espalhar as sementes para outras
regiões por meio de suas fezes, atuando na dispersão das plantas.
• Quando há pouco alimento disponível, o bando se divide em grupos
menores, diminuindo a competição entre seus integrantes.
• Por se deslocar com agilidade e rapidez, consegue fugir mais fácil
mente de predadores como serpentes, onças e gaviões.
O cuxiú-preto (Chiropotes
satanas) é um dos primatas
brasileiros mais ameaçados
de extinção. Além de ter seu
hábitat diminuído por causa do
desmatamento, esse animal é
caçado para obtenção de carne.
A sua cauda é utilizada, muitas
vezes, como espanador de pó.
Relações alimentares nos ecossistemas
Os ecossistemas, por diferentes que sejam um do outro, têm
alguns aspectos comuns, como a presença de produtores, de consumidores e de decompositores em todos eles. Esses seres estão em
permanente interação por meio das cadeias alimentares.
Os produtores podem elaborar o próprio alimento por meio da
fotossíntese. Além de água, de gás carbônico e de luz, necessários à
fotossíntese, os produtores requerem alguns nutrientes minerais que
complementam sua nutrição. Tais nutrientes existem, por exemplo,
nos solos férteis.
Os seres produtores — as plantas, as algas e algumas espécies de
bactérias — compõem a base das cadeias alimentares existentes nos
ecossistemas, pois produzem substâncias que servem de alimento
para si e para outros seres vivos. Os produtores são organismos autotróficos (ou autótrofos), ou seja, nutrem-se a si mesmos, produzindo
seu próprio alimento.
Os organismos não produtores, por outro lado, são heterotróficos
(ou heterótrofos), isto é, estão adaptados a obter energia a partir de
outros organismos. São heterotróficos os seres consumidores e os
decompositores. Os consumidores são representados tipicamente
pelos animais herbívoros, pelos carnívoros e pelos onívoros. Os de
compositores, representados pelos fungos e por várias espécies de
bactérias, utilizam restos de organismos em sua nutrição, tais como
folhas caídas, troncos de árvores mortas, fezes de animais e cadáveres.
Como cada ser vivo participa em geral de várias cadeias alimentares, uma representação mais real das relações de alimentação
num ecossistema é feita por meio de uma teia alimentar.
Em uma teia alimentar, existem diversas cadeias
alimentares entrelaçadas. Uma teia alimentar podem ser
variadas e complexas nas relações alimentares dos seres vivos em um
ecossistema.
Cadeias e teias alimentares
Entende-se por cadeia alimentar a sequência de relações alimentares entre diferentes seres
vivos em um ecossistema, caracterizadas por um fluxo de energia e um ciclo da matéria.
O fluxo de energia ocorre quando um ser vivo se alimenta de outro ou de partes dele, absorvendo
uma parcela de sua energia.
O ciclo da matéria, por sua vez, consiste no trânsito da matéria orgânica
presente nos seres vivos: ela começa nos produtores, passa pelos consumidores e, enfim, é devol
vida ao ambiente por decompositores, podendo ser novamente incorporada pelos produtores.
Observe a seguir um exemplo de cadeia alimentar.
capim⇾ capivara⇾ onça-pintada⇾ decompositores
Nessa cadeia alimentar, por exemplo, o sentido das setas indica que o capim (produtor) serve
de alimento para a capivara (consumidor primário) e a capivara será consumida pela onça-pintada
(consumidor secundário). O sentido das setas também indica o sentido da matéria orgânica e do
fluxo de energia nela contida.
Cadeias alimentares geralmente não ocorrem isoladamente nos ecossistemas naturais. Na natureza, o mais comum é que se observem várias relações entre seus componentes.
Dessa forma, um ecossistema apresenta muitas cadeias alimentares que interagem entre si,
formando as teias alimentares. Conhecer as teias alimentares dos ecossistemas é fundamental
para estudar sua biodiversidade e estabelecer metas para preservá-los, prevendo os riscos que
qualquer alteração no ambiente pode provocar.
Fluxo de energia
Em um ecossistema ocorre o fluxo de energia nas cadeias alimentares. Nelas, a
energia passa de um ser vivo que serve de alimento para outro que se alimenta dele.
Cada elo da cadeia alimentar é um nível trófico (do grego tropho = alimento).
Os produtores assimilam a energia solar no processo de fotossíntese, transformando-a em energia química. Parte dessa energia é utilizada pelos produtores em suas atividades metabólicas e dissipada para o ambiente.
Ao se alimentarem dos produtores, os consumidores primários obtêm energia química, que é
utilizada em seu desenvolvimento e em seus processos metabólicos, como a respiração. Parte
dessa energia é dissipada para o ambiente por meio de calor. Outra parte é transferida para o nível
trófico seguinte ou para os decompositores. O mesmo ocorre nos demais níveis tróficos.
Os decompositores consomem restos de seres vivos e demais detritos, como fezes e urina. A
energia armazenada nesses restos é utilizada pelos fungos e bactérias, que realizam a decomposição da matéria orgânica.
Pirâmides ecológicas
Para representar a quantidade de energia em cada nível trófico, foram criados três
tipos de representação: pirâmide de números, pirâmide de energia e pirâmide de biomassa.
Pirâmide de números
Este tipo de pirâmide indica o número de
indivíduos de cada nível trófico. Por exemplo, são necessários 10 mil indivíduos de
gramíneas para alimentar 10 ratos-do-campo durante um período. São necessários
10 ratos-do-campo para alimentar 1 gavião
nesse mesmo período. Na maioria dessas
pirâmides, os indivíduos do primeiro nível
são os mais numerosos, pois representam
os produtores.
Pirâmide de energia
Esta pirâmide representa a quantidade de energia ao longo dos níveis tróficos
e, geralmente, sua unidade de medida é a
quilocaloria. Ela mostra a perda de energia
ao longo da cadeia alimentar. A pirâmide de
energia tem sempre a base maior do que
o topo. Há sempre perda de energia ao se
passar de um nível para outro.
Pirâmide de biomassa
Esta pirâmide representa a quantidade
de biomassa (matéria orgânica) em cada nível trófico. A unidade de medida pode ser a
massa total dos organismos vivos por área.
Ciclo da matéria
Enquanto a energia flui no ecossistema, a matéria dos seres vivos é
constantemente reciclada.
As folhas mortas são decompostas pela ação de fungos e bactérias. Desse processo,
resultam nutrientes, que, dissolvidos na água, são absorvidos pelas plantas.
Quando um organismo morre, sua matéria é decomposta e os nutrientes retornam ao ambiente. E o ciclo recomeça.
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