A crosta terrestre é formada por diferentes camadas,
compostas de rochas, de minerais e do solo. As rochas são
classificadas de acordo com sua origem, sendo amplamente
utilizadas pelos seres humanos como matéria-prima e para a
extração de minerais. O solo é formado a partir do desgaste das
rochas e é nele que se desenvolve toda a vida terrestre. Nesta
unidade, você vai aprender sobre a formação das rochas e do
solo e também sobre as principais características dos minerais.
MINERAIS
Os minerais são substâncias presentes principalmente nas
rochas. Eles apresentam composição química definida, são
encontrados no estado sólido e podem ser diferenciados com
base em suas características físicas. As rochas podem ser formadas por um ou mais tipos de mineral.
Os grupos mais comuns de minerais são os feldspatos, os
quartzos, as micas e a calcita.
Os feldspatos são os minerais mais abundantes
na crosta terrestre. Eles fazem parte da
constituição de diversas rochas e têm coloração
clara e leitosa. São utilizados na fabricação de
pisos, revestimentos, vidros, sabões e próteses
dentárias, entre outras aplicações.
A calcita pode ser incolor, opaca ou ter coloração
branca, amarelada ou cinza-clara. Ela faz parte
da constituição dos mármores e é largamente
utilizada na produção de cimento e de cal.
Os quartzos geralmente são transparentes ou
brancos, mas suas cores podem variar com
a presença de impurezas. São usados como
matéria-prima para a produção de vidros,
abrasivos (pedras de amolar e lixas) e refratários
(isolantes de calor).
As micas são minerais que se apresentam em
camadas facilmente separáveis. Elas são brilhantes
e ocorrem em diversas tonalidades, que variam
do branco ao preto. Bem mais frágeis que
os feldspatos e os quartzos, as micas são
empregadas como isolantes elétricos.
PROPRIEDADES DOS MINERAIS
Os minerais apresentam algumas propriedades que permitem diferenciá-los uns dos outros. Além disso, essas propriedades determinam de que forma cada mineral pode ser utilizado
pelo ser humano. As principais propriedades observadas nos
minerais são:
Dureza – indica a facilidade com que um mineral pode
ser riscado. A escala de Mohs classifica os minerais de
1 a 10, de acordo com sua dureza. Segundo essa escala,
o talco tem dureza 1, pois não risca nenhum outro mineral. Já o diamante tem dureza 10, pois risca todos os
outros minerais.
Cor – corresponde à coloração externa do mineral e pode
variar devido a impurezas existentes nos minerais. Transparência – os minerais podem ser classificados
em transparentes, translúcidos ou opacos.
Brilho – é determinado pela forma como o mineral reflete a luz. Há vários tipos de brilho, como o metálico, o
vítreo – em que o mineral apresenta aspecto semelhante
ao vidro – e o sedoso, típico de minerais fibrosos.
Composição – depende das proporções das substâncias
que formam o mineral.
ROCHAS
As rochas são estruturas sólidas formadas por um ou mais
tipos de mineral. Os fragmentos de rochas são conhecidos
como pedras.
A composição de algumas rochas corresponde a pratica
mente um único tipo de mineral, como é o caso do quartzito,
composto de quartzo, e do calcário, composto de calcita.
Entretanto, a maioria das rochas é formada pela associação
de dois ou mais tipos de mineral. Os três principais componentes do granito, por exemplo, são o quartzo (branco), o feldspato
(amarelado) e a mica (preta).
FORMAÇÃO DAS ROCHAS
As rochas podem ser ígneas, sedimentares ou metamórficas, de acordo com seu processo de formação.
Rochas ígneas
As rochas ígneas (do latim igneus = formado no fogo) originam-se do resfriamento do magma; por isso, também são conhecidas como rochas magmáticas.
Tipos de rocha ígnea
As rochas ígneas são classificadas em dois tipos: vulcânicas
e plutônicas.
As rochas vulcânicas (ou extrusivas) são formadas quando
a lava é expelida para a superfície da crosta terrestre e esfria
rapidamente. Nesse caso, não há formação de cristais visíveis,
e a rocha apresenta aspecto uniforme. Um exemplo é o basalto,
muito usado em calçamentos.
As rochas plutônicas (ou intrusivas) são formadas quando o magma permanece no interior da crosta e esfria lentamente, formando cristais bem visíveis. Um exemplo é o granito, muito utilizado em calçamentos, construções e revestimentos decorativos.
As rochas plutônicas (ou intrusivas) são formadas quando o magma permanece no interior da crosta e esfria lentamente, formando cristais bem visíveis. Um exemplo é o granito, muito utilizado em calçamentos, construções e revestimentos decorativos.
No Brasil, a serra da Mantiqueira e os planaltos que fazem
fronteira com as Guianas, ao norte, são formados principalmente por esse tipo de rocha.
Rochas sedimentares
As rochas sedimentares são formadas pelo acúmulo de pequenas partículas, chamadas de sedimentos.
Os sedimentos originam-se de materiais bem diversos, como
restos de organismos e fragmentos resultantes do desgaste de
outras rochas, causado pelo intemperismo.
Como o ambiente na superfície terrestre sofre mudanças
constantes, as camadas que compõem muitas das rochas sedimentares existentes apresentam cores e espessuras variadas.
Tipos de rocha sedimentar
Há diferentes tipos de rocha sedimentar, de acordo com o
material de origem e o modo como se formam.
Algumas resultam da deposição de sedimentos de rochas
preexistentes. A compactação da areia, por exemplo, forma o
arenito.
Há também rochas sedimentares formadas pelo acúmulo de
restos orgânicos. Um exemplo é o carvão mineral, originado pela
deposição e pela compressão de restos vegetais muito antigos.
Existem ainda rochas sedimentares que resultam da cristalização de minerais dissolvidos na água. É o caso da halita, o sal
de cozinha. Os sedimentos que compõem essas rochas formam--se naturalmente em locais em que uma porção de água do mar
fica isolada. Quando essa água evapora, ocorre a concentração
dos minerais dissolvidos nela, e, em seguida, a cristalização.
Rochas metamórficas
A palavra metamorfose significa transformação. As rochas
metamórficas resultam de um processo de transformação das
propriedades originais de rochas magmáticas ou sedimenta
res.
Por isso, os minerais das rochas metamórficas apresentam
propriedades diferentes daquelas observadas na rocha que lhes
deu origem.
A modificação na estrutura das rochas originais ocorre pela
ação de fatores como pressão e temperatura, que são muito intensas no interior da Terra.
No processo de formação de regiões de grandes altitudes,
como as cordilheiras, pode ocorrer a compressão de uma rocha a ponto de os minerais que a compõem transformarem-se,
adquirindo novas propriedades.
Os tipos mais comuns de rocha metamórfica são a ardósia, o
gnaisse, o mármore e o quartzito.
A ardósia é resultado da transformação da argila, uma rocha sedimentar. Por esse motivo, as placas de ardósia tendem
a soltar lâminas ou camadas com o tempo. Essa rocha é utilizada com frequência como revestimento de pisos.
O gnaisse é formado a partir do granito, uma rocha magmática. A maior parte das rochas da serra do Mar, no Sudeste do
Brasil, é constituída de gnaisse. Essa rocha é bastante utilizada
como pavimento.
O quartzito tem origem na transformação do arenito, uma
rocha sedimentar. Como é um material muito resistente, o
quartzito é empregado, por exemplo, na produção de concreto.
O mármore resulta da transformação do calcário, outra rocha sedimentar. Além de ser muito utilizado em peças e revestimentos de decoração, o mármore sempre foi apreciado por
escultores, pois apresenta aspecto leitoso e é fácil trabalhá-lo.
O Pão de Açúcar, um dos pontos turísticos mais famosos do Rio de Janeiro (RJ),
é constituído de gnaisse.
CICLO DAS ROCHAS
Os diferentes tipos de rocha – ígnea, sedimentar e metamórfica – podem se transformar uns nos outros. Essa transformação, conhecida como ciclo das rochas, é constante e lenta, um
processo que chega a durar milhões de anos.
Há dois fatores fundamentais que influenciam esse ciclo: o
intemperismo e o movimento das rochas através das camadas
da Terra.
O intemperismo provoca o desgaste das rochas expostas na
superfície. Os sedimentos gerados por esse desgaste podem se
acumular e gerar rochas sedimentares.
As rochas presentes na crosta podem afundar ao longo de
milhares de anos, atingindo camadas nas quais a pressão e a
temperatura são muito mais elevadas.
Nessas condições, rochas sedimentares e ígneas podem sofrer mudanças, tornando--se rochas metamórficas, ou se fundir, tornando-se magma. Ao
atingir camadas menos profundas, o magma pode tornar-se rocha ígnea.
MINÉRIOS
As rochas e os minerais usados em indústrias ou comércios
são chamados de minérios. Alguns exemplos são o minério de
alumínio, o minério de ferro, o cobre e o manganês.
- O alumínio tem diversas aplicações. É utilizado, por exemplo, na fabricação de panelas e outros utensílios de cozinha,
na produção de latas para envasar bebidas, na fabricação
de móveis e janelas e nas indústrias automobilística e de
eletrônicos.
- O ferro é utilizado principalmente na construção civil. Ele
é um dos componentes do concreto armado, estrutura em
que hastes de ferro são envolvidas por concreto, proporcionando maior sustentação e resistência. É a principal
matéria-prima para a produção de aço.
- O cobre é o principal constituinte dos fios condutores de
eletricidade. Por ter ação bactericida, também é utilizado
em hospitais e na produção de encanamentos.
- O manganês é utilizado em associação com outros minerais, formando ligas metálicas. O aço-manganês, por
exemplo, é uma liga metálica formada por ferro, carbono
e manganês muito utilizada na construção civil.
MINERAÇÃO
Mineração é o conjunto de processos utilizados para extrair
minérios do ambiente e disponibilizá-los para uso.
O Brasil é um grande produtor de minérios e tem diversas
jazidas, com destaque para o Quadrilátero Ferrífero, localizado
no estado de Minas Gerais, e a Província Mineral de Carajás,
que fica no estado do Pará.
A atividade mineradora é, em geral, prejudicial ao ambiente.
Algumas de suas consequências são o deslocamento de grandes
volumes de terra, a alteração do traçado de rios e relevos, a poluição de cursos de água, o esgotamento de recursos naturais e a
ameaça à existência de plantas, animais e populações humanas.
O Projeto Grande Carajás, iniciado
em 1979, tem o objetivo de
explorar a riqueza de minérios da
serra dos Carajás, no Pará. Devido
à sua extensão territorial, o projeto
tem causado grande impacto no
ambiente.
O solo
O solo é a porção superior da crosta terrestre, sendo composto por diferentes materiais, como fragmentos de rochas, minerais, matéria orgânica, ar e água. Além disso, vários seres vivos habitam o solo, entre eles animais, fungos, bactérias e plantas.
O solo é formado do desgaste de rochas que compõem a crosta terrestre e que estão sujeitas à ação do vento, da água, dos seres vivos e das variações de temperatura. Sua formação se dá a partir das rochas em um processo que pode levar milhares de anos.
Existem vários tipos de solos, e eles
podem ser classificados, por exemplo, com base em sua textura e na presença
de areia ou argila em sua composição.
O desenvolvimento das plantas e dos animais depende diretamente do
solo. Em outras palavras, o solo é a base da biodiversidade que permite atividades como a agricultura, a pecuária e o extrativismo.
A DEGRADAÇÃO DAS ROCHAS E A ORIGEM DO SOLO
O solo cobre grande parte da superfície da crosta terrestre.
Ele é uma mistura de componentes inorgânicos, como água,
ar e partículas de minerais originados das rochas, e componentes orgânicos, como seres vivos, organismos mortos e matéria orgânica em decomposição.
A presença desses materiais no solo tem relação com a
transformação e a degradação das rochas na superfície da Terra, processo chamado de intemperismo. O solo se origina do
intemperismo de uma rocha, chamada rocha-matriz ou rocha-mãe. Os fragmentos de rocha gerados nesse processo se
acumulam na superfície e dão origem à parte mineral do solo.
O solo também é formado por materiais orgânicos compos os de restos de seres vivos, como folhas caídas e fezes de animais, que se misturam ao material de origem rochosa. A parte
orgânica do solo sofre decomposição e dá origem ao húmus,
material presente em certos tipos de solo.
FORMAÇÃO DO SOLO
A formação do solo é um processo muito lento, podendo
demorar milhares de anos. Mesmo depois de formados, os
solos estão em constante transformação, devido à ação dos
organismos que nele vivem e às condições do clima. Solos
mais antigos costumam ser mais profundos e apresentar camadas diferenciadas.
Uma rocha na superfície (ou próxima a ela) pode sofrer a ação da água
dos rios e da chuva, do vento, das mudanças de temperatura e das raízes
das plantas. Esses fenômenos naturais são chamados intemperismos.
Pela ação desses fenômenos, a rocha é transformada, e o solo começa a se formar. Observe, no esquema a seguir, as etapas de formação do solo.
1
2
3
4
5
1. A transformação da rocha em solo ocorre principalmente na superfície exposta à ação dos intemperismos. A rocha que dará origem ao solo é chamada de rocha-mãe. Ela começa a ser quebrada, surgindo rachaduras.
2. Por essas rachaduras, entram água e
organismos como bactérias e fungos.
3 e 4. O solo aos poucos passa a ter uma
camada de húmus (restos de organismos
em decomposição). As sementes que aí
caem germinam, e as plantas pequenas
crescem.
5. Essa camada torna-se cada vez mais espessa
e possibilita que se desenvolvam vegetais
maiores. Diversos seres vivos podem habitar
essa camada do solo. As várias camadas
formadas são chamadas de horizontes, com
características específicas, como cor, textura e
composição de minerais. Quanto mais antigo
for o solo, mais distante sua superfície estará
da rocha que deu origem a ele.
CARACTERÍSTICAS DO SOLO
Se compararmos uma porção de terra de um jardim a uma
porção de terra de outra área, é possível que essas porções apresentem características diferentes. Isso ocorre porque cada solo
tem composição e propriedades específicas, que resultam de seu
processo de formação e dos aspectos da rocha-matriz. Conheça
algumas características do solo:
- A permeabilidade é a facilidade com que a água penetra
no solo. Nos solos mais permeáveis, a água se infiltra
mais facilmente; nos solos menos permeáveis, a água é
retida.
- A porosidade tem relação com os poros (espaços) que se
formam entre os grãos do solo. Esses poros podem variar
em tamanho e em número, e, através deles, a água e os
gases infiltram-se no solo.
- A textura do solo é determinada pela proporção entre
as partículas minerais que o compõem. Essas partículas
são nomeadas de acordo com seu tamanho: areia, silte
e argila, sendo a areia a maior dessas partículas, e a argila, a menor.
- Os solos podem apresentar diferentes colorações, de
terminadas por vários fatores, entre eles, a natureza da
rocha-matriz e a presença de matéria orgânica, comumente abundante em solos mais escuros.
As propriedades do solo determinam, em grande parte, quais
atividades podem ser desenvolvidas nele. Solos ricos em matéria
orgânica são geralmente utilizados na agricultura.
TIPOS DE SOLO
Há diversas possibilidades de classificação dos solos, dependendo das características que são consideradas. Em relação à
textura, ou seja, à proporção entre as partículas de diferentes
tamanhos, os solos podem ser, de maneira geral, classificados
em três tipos:
- Solo arenoso – seu componente predominante é a areia.
Ele é mais permeável, permitindo o rápido escoamento
da água.
- Solo argiloso – apresenta predominância de argila em sua
composição. É menos permeável, por isso, retém a água e
se mantém úmido com mais facilidade.
- Solo siltoso – apresenta maior quantidade de silte em sua
composição. Tem permeabilidade intermediária, retendo
parte da água.
Considerando sua composição, os solos podem ser classificados em orgânicos (ou humosos), predominantemente com
postos de matéria orgânica, e minerais, compostos sobretudo de
partículas minerais. Os solos minerais são mais comuns no Brasil; solos orgânicos são mais raros e costumam ser encontrados
apenas em áreas de várzea, constantemente alagadas.
No Brasil, há grande variedade de solos, resultante do clima
predominantemente tropical do país. Em razão dessa variedade,
foi criado o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS),
que classifica os solos brasileiros em 13 tipos, considerando
suas diversas características.
O principal tipo de solo brasileiro, tanto por sua ampla distribuição geográfica quanto por sua importância econômica, é o
latossolo, um solo mineral, profundo, poroso, com alta permeabilidade, de coloração que varia do vermelho-escuro ao amarelo
e rico em óxidos de ferro. Ele pode apresentar grande variação
com relação à textura, mas geralmente é argiloso.
Como compõe grande parte do território nacional e costuma
localizar-se em relevos planos, esse tipo de solo é muito utilizado na agricultura, na pecuária e como suporte na construção
de casas e rodovias, entre outras atividades. Apresenta pequena
reserva de nutrientes orgânicos, por isso, exige a utilização de
fertilizantes e outras técnicas de manejo para a agricultura.
PERFIL DO SOLO
O solo vai muito além da camada superficial que observamos no cotidiano. Da superfície até a rocha, o solo é composto de um conjunto de
camadas (horizontes), chamado de perfil do solo.
A espessura e a quantidade de horizontes podem variar, dependendo
da rocha que originou o solo, do tempo e dos processos de transformação.
O esquema a seguir mostra um corte vertical de um solo, representando desde a superfície até a camada mais profunda, na qual está a rocha que lhe deu origem, a rocha-matriz.
Representação esquemática de exemplo de perfil
de solo fértil. Elementos fora de proporção de
tamanho
A seção vertical de um solo denomina-se perfil do solo.
Cada uma das camadas que compõem o solo é chamada de horizonte.
A quantidade e a espessura das camadas podem variar de acordo com o tipo de solo. Por exemplo, solos menos desenvolvidos costumam apresentar menos camadas. De maneira geral, as camadas seguem um padrão de organização comum.
O termo solo, em alguns casos, é usado para se referir apenas às duas camadas mais superficiais, que constituem a parte
arável (que pode ser cultivada), de maior interesse para a agricultura. As camadas mais profundas costumam ser chamadas
de subsolo.
A composição do solo
O solo é composto de uma mistura de partículas minerais de diferentes tamanhos, húmus, ar e água. A quantidade de cada um desses ele
mentos varia de acordo com o tipo de solo.
Os principais grupos minerais que compõem o solo são a areia, a argila
e o silte.
O húmus é formado pela decomposição de restos de seres vivos,
como folhas, galhos, frutos, sementes e restos de animais e outros organismos mortos. Depois da decomposição, ficam no solo os sais minerais.
A água que está no solo pode ser aproveitada diretamente pelas plantas. Ela dissolve os minerais presentes no solo, permitindo a absorção deles pela raiz das plantas.
Entre as partículas de solo existe ar, o que permite que os seres vivos
absorvam o oxigênio para respiração.
Solo rico em húmus.
Observe seu aspecto escuro.
Geralmente, esse tipo de
solo contém dezenas de
pequenos organismos.
Propriedades do solo
Existem vários fatores que podem influenciar a classificação do solo. Por
exemplo, a variação na quantidade de areia, silte e argila é o que altera
a textura do solo. Os que têm maior quantidade de partículas de
areia têm uma textura mais áspera, enquanto os que têm maior
quantidade de argila têm uma textura mais suave, semelhante à
do talco.
Os solos também podem ser classificados por sua quantidade de húmus. Solos de regiões onde chove pouco e há pouca vegetação costumam ter menos húmus do que o solo de
uma região em que chove mais e há maior
quantidade de vegetação. Por isso,
em geral, solos de regiões áridas têm menor quantidade
de matéria orgânica.
Os solos com maior quantidade
de húmus geralmente são
mais escuros e mais propícios à agricultura.
Alguns solos armazenam mais água
que outros. A capacidade de permitir
que a água infiltre no solo é chamada de
permeabilidade.
Os solos com maior
quantidade de partículas de argila
têm espaços pequenos entre elas,
dificultando a passagem da água. Os
solos com maior quantidade de areia
têm espaços maiores entre suas
partículas, facilitando a passagem da
água, que, portanto, não fica retida.
Representação esquemática do solo em
região utilizada para plantação. Observe a
camada de solo fértil, mais escura devido
ao húmus. Elementos fora de proporção
de tamanho.
Representação esquemática do solo em região onde ocorreu desertificação, processo que torna o solo mais árido e menos produtivo. O solo de uma área desertificada tem maior quantidade de partículas de areia e menos matéria orgânica. Esse fenômeno é causado pelas mudanças climáticas, pelo desmatamento e pela superexploração do solo pelo ser humano. Elementos fora de proporção de tamanho.
Representação esquemática do solo em região onde ocorreu desertificação, processo que torna o solo mais árido e menos produtivo. O solo de uma área desertificada tem maior quantidade de partículas de areia e menos matéria orgânica. Esse fenômeno é causado pelas mudanças climáticas, pelo desmatamento e pela superexploração do solo pelo ser humano. Elementos fora de proporção de tamanho.
Degradação do solo
As características dos solos podem ser alteradas ao longo do tempo, em razão
de causas naturais ou da ação antrópica. Quando essas alterações prejudicam o
desenvolvimento das plantas e algumas atividades que o ser humano e outros se
res vivos realizam utilizando o solo, dizemos que ele está degradado.
Conheça a seguir dois processos relacionados à degradação do solo.
Erosão
A erosão é um processo em que os componentes do solo ou das rochas são desagregados e arrastados pela água, pelo vento ou pela ação
das geleiras. Isso acontece com mais frequência em áreas inclinadas e
sem cobertura vegetal.
A erosão é o processo no qual as partículas que formam o solo e as rochas são
removidas e transportadas de um local para outro, por meio da ação de agentes
naturais, como a água e o vento.
A erosão ocorre naturalmente nos ambientes de forma lenta. Porém, em alguns
casos, ela pode ocorrer de forma acelerada e causar sérios danos, como a remoção
de grande parte da camada superficial do solo.
É na camada superficial do solo que se localiza a maior parte da matéria orgânica. Por isso, a remoção dessa camada o torna menos fértil, ou seja, com características que prejudicam o crescimento e o desenvolvimento de plantas.
Quando o processo erosivo é bastante intenso, formam-se grandes buracos no
solo.
Erosão causada pela água da chuva em solo não protegido por cobertura vegetal. Ouro Preto (MG), 2021.
Além de prejudicar a fertilidade e as demais características do solo, a erosão
pode causar o assoreamento de rios e lagos, por exemplo. Isso ocorre quando
há transporte e deposição excessivos de partículas de solo, provocando seu acúmulo nessas fontes de água. Como consequência desse processo, há redução na
profundidade dos rios e lagos e, em casos mais graves, sua extinção.
Uma das principais causas da erosão do solo é a remoção da vegetação, muitas vezes ocasionada por atividades humanas como os desmatamentos e queimadas.
Brigadista combate
o avanço do fogo de
queimada em Porto
Jofre (MT), 2021. As
queimadas utilizadas
para fins de agricultura
e pecuária podem se
espalhar rapidamente,
atingindo áreas de
vegetação nativa.
Desmatamentos
Os desmatamentos são praticados com frequência para que se estabeleçam áreas de cultivo e de pastagem, ou como consequência da extração de árvores para uso da madeira na indústria de móveis e na construção civil, entre outras atividades.
A retirada de matas e florestas, por sua vez, deixa o solo exposto e
vulnerável à ação dos ventos e das chuvas, o que facilita sua erosão. A
vegetação ajuda na proteção do solo de duas formas, basicamente:
- as folhas diminuem a velocidade com que a água da chuva chega ao
solo e, consequentemente, a capacidade que o movimento da água
tem de desagregá-lo;
- as raízes ajudam as partículas do solo a se manterem unidas, evitando
que a chuva ou o vento as carreguem.
O solo desprotegido é carregado para as áreas mais baixas do terre
no e depositado, geralmente, em rios e lagos – processo chamado de
assoreamento.
O assoreamento torna o rio cada vez mais raso; assim,
em períodos de chuva, podem ocorrer transbordamentos. Como não
há vegetação, não há mais restos de vegetais em decomposição, que
compõem parte do húmus. Assim, o solo perde fertilidade.
Queimadas
A queimada é um recurso amplamente utilizado para realizar a retirada
de vegetação de uma área para formação de pastos e cultivo ou para facilitar a colheita de algumas culturas, como a da cana-de-açúcar.
O fogo traz enormes prejuízos ao solo e a todos os seres que nele
vivem, pois provoca a morte ou a fuga de animais e ocasiona a morte dos
fungos e bactérias. Além disso, suprime a cobertura vegetal, expondo o
solo a processos erosivos.
Contaminação
Além da erosão, o solo pode ter suas características alteradas por causa da contaminação. O solo contaminado é aquele que, em razão da presença de materiais ou organismos específicos, como os agentes patogênicos, pode causar danos ao ser humano e a outros seres vivos.
A seguir, vamos conhecer algumas atividades humanas comumente relacionadas
à contaminação do solo.
As principais formas de contaminação do solo são o uso inadequado de
defensivos agrícolas, fertilizantes, o despejo de resíduos contendo metais
pesados e o descarte do lixo de maneira inadequada.
Durante o cultivo de plantas na agricultura, é comum a utilização de agrotóxicos. Esses produtos químicos eliminam pragas das plantações, como insetos e
ervas daninhas, que prejudicam os cultivos.
No entanto, quando utilizados em excesso e de maneira incorreta, esses pro
dutos podem atingir o solo, contaminando-o. Além disso, em alguns casos, a água
da chuva pode transportar os agrotóxicos às reservas de água superficiais ou subterrâneas, contaminando-as.
O descarte inadequado de resíduos sólidos é outra potencial fonte de contaminação do solo. Isso porque, além de conter materiais tóxicos, a decomposição
da matéria orgânica presente nesses resíduos gera outro material contaminante,
o chorume.
O uso de defensivos agrícolas
Os defensivos agrícolas são produtos usa
dos nas plantações para aumentar a produtividade.
Os adubos químicos, ou fertilizantes químicos, aumentam a fertilidade do solo, mas, quando usados em excesso, podem enfraquecer a
planta, que pode sofrer ataques de pragas e
doenças.
Os defensivos agrícolas são produtos químicos usados no combate a organismos considerados pragas, que podem destruir ou prejudicar
o desenvolvimento das plantas.
Alguns tipos de
defensivos agrícolas são os inseticidas, que matam insetos que invadem as plantações, como os
gafanhotos; os fungicidas, que matam fungos; e
os herbicidas, que matam as plantas daninhas.
A aplicação sem controle de defensivos agrícolas contamina o solo, a água, o ar e os vegetais cultivados.
Pulverização com
defensores agrícolas
em plantação de
pimentão, em Ribeirão
Branco (SP), 2019. Devido à
toxicidade do produto, os
trabalhadores devem utilizar
equipamentos de proteção
individual (EPIs), como luvas
e máscaras.
Metais pesados
Metais como o mercúrio, o chumbo, o manganês e o cádmio não são
benéficos nem necessários para o bom funcionamento da saúde humana
(como é o caso do ferro). Os metais desse grupo, conhecidos como me
tais pesados, dissolvem-se na água e são facilmente incorporados pelo
organismo.
Ao serem liberados no ambiente (principalmente por processos industriais), os metais pesados contaminam o solo e podem ser inalados ou ingeridos juntamente com a água ou o alimento contaminado.
Uma vez dentro do corpo, eles afetam principalmente o sistema nervoso
(cérebro e medula), os rins e o fígado.
Lixo ou resíduo sólido
Os restos da produção e do consumo humanos são chamados de lixo
ou de resíduos sólidos.
Com o desenvolvimento da indústria e a expansão do consumo de bens
e produtos no último século, a produção de resíduos aumentou em quantidades alarmantes.
O uso de materiais descartáveis, como sacolas, fraldas,
copos plásticos e latas de alumínio, também contribuiu para aumentar a
quantidade diária de resíduos produzidos e seu acúmulo no ambiente.
Além disso, muitos materiais descartados levam anos para se decompor.
Como consequência, cada vez mais ambientes são tomados pelo lixo que
se acumula, principalmente nas grandes cidades, onde a população é maior.
Conservação do solo
Apesar de muitas atividades humanas contribuírem para a degradação do solo, o
ser humano também é capaz de realizar atividades que promovam a conservação
desse componente ambiental.
Algumas práticas agrícolas podem ajudar a proteger o solo, diminuindo o processo de erosão. São elas: o plantio em encostas (ou degraus) e
em curvas de nível, a rotação de culturas, a adubação verde e a agricultura
orgânica.
As raízes das plantas mantêm unidos os grãos que constituem o solo. Isso dificulta o carregamento
deles pela água e pelo vento, por exemplo, auxiliando na prevenção da erosão.
As plantas também protegem o solo da erosão de outras maneiras. Leia a seguir.
- Ao crescerem, as raízes abrem caminhos no solo, facilitando a infiltração de
água, evitando seu escoamento na superfície e, consequentemente, o carrega
mento de solo.
- As plantas reduzem o impacto das gotas de chuva e a velocidade de escoa
mento da água sobre o solo.
- As plantas reduzem a velocidade e a força dos ventos na superfície do solo,
dificultando o transporte das partículas. - Elas evitam o ressecamento do solo e sua exposição direta às variações de
temperatura.
Além disso, a decomposição de restos de plantas aumenta a
quantidade de matéria orgânica e contribui para manter a umidade do solo.
Assim, a manutenção da cobertura vegetal do solo é uma medida essencial para
garantir sua conservação.
Além disso, é preciso atentar para as atividades que prejudicam o solo, como o descarte incorreto de resíduos sólidos.
É essencial que os resíduos sólidos gerados pelos seres humanos nas residências,
por exemplo, tenham um destino adequado — nesse caso, os aterros sanitários.
Nesses locais, os resíduos que não podem ser reciclados são depositados sobre
uma camada de material impermeável, evitando, assim, que materiais presentes
nesses resíduos ou o próprio chorume atinjam o solo.
Além dos cuidados citados anteriormente, é preciso atentar para as atividades que utilizam diretamente o solo, como a agricultura.
Além dos cuidados citados anteriormente, é preciso atentar para as atividades que utilizam diretamente o solo, como a agricultura.
As atividades agrícolas podem prejudicar o solo de diferentes maneiras, e uma delas é o uso incorreto e excessivo de agrotóxicos. Sendo
assim, a fim de evitar a contaminação do solo, é essencial utilizar esses produtos
de maneira consciente e correta.
Além disso, é possível optar por técnicas que prejudiquem menos os outros
seres vivos e evitem o uso de agrotóxicos, como o chamado controle biológico.
Por exemplo, o controle da praga da cana-de-açúcar, lagarta conhecida como
broca-da-cana, pode ser feito com a introdução de um inimigo natural, sem uso
de agrotóxicos. Nessa técnica, a vespa, que é considerada inimigo natural da broca-da-cana, deposita grande quantidade de ovos nas lagartas da praga agrícola em
questão.
Plantio em encostas
As curvas de nível são sulcos traçados em
linhas horizontais de mesma altitude em uma
região com baixa declividade. Os terraços são
plataformas cavadas na encosta, formando
degraus.
Essas técnicas de plantio reduzem a velo
cidade de escoamento da água da chuva e o
impacto das gotas de chuva, além de facilitar a
infiltração da água no solo. Com isso, evita-se
que as partículas do solo sejam arrastadas,
causando erosão.
Adubação verde
Nesse tipo de adubação, são usadas plantas chamadas leguminosas (como ervilha, soja,
alfafa) picadas e misturadas ao solo. Nas raízes
desses vegetais, vivem bactérias que absorvem
o gás nitrogênio do ar (que não pode ser absorvido diretamente pela planta) e o transformam
em sais de nitrogênio (que podem ser usados
diretamente pelas plantas), que fertilizam o solo.
Raízes de ervilha (Pisum
sativum) com nódulos
formados por bactérias
que transformam o
nitrogênio do ar em uma
forma que possa ser
usada pelas plantas.
Rotação de culturas
No final de uma colheita, o solo pode ficar empobrecido em nutrientes, os quais
são elementos essenciais para o desenvolvimento das plantas e podem vir tanto da rocha que origina o solo quanto da decomposição do resto de seres vivos. Para amenizar
esse problema, emprega-se uma técnica de
plantio chamada rotação de culturas. Essa
técnica consiste em alternar (rotar) o tipo de
vegetal cultivado, sendo que um deles geralmente é uma leguminosa, tipo de vegetal
usado na técnica de adubação verde.
Quando se alternam as culturas, o solo
pode “descansar”, já que diferentes tipos
de planta podem necessitar de quantidades e tipos diferentes de nutrientes. As
sim, os nutrientes retirados pela cultura
anterior são repostos pela dinâmica natural do solo, que pode ser acelerada com o
plantio das leguminosas.
Cultivo em rotação de culturas de mandioca (à frente) e banana
(ao fundo) em Barreirinhas (MA), 2019.
Agroecologia
A preocupação com o uso excessivo de
defensivos agrícolas tem impulsionado o desenvolvimento da agroecologia, conjunto de
práticas de agricultura voltado para a preservação do solo e do meio ambiente.
A agroecologia envolve a recuperação de
conhecimentos tradicionais de cultivo do solo
em busca de um novo modelo de produção
agrícola. Sua principal característica é a otimização dos processos pelo respeito aos ciclos
naturais e à biodiversidade, dispensando ao
máximo o uso de produtos tóxicos.
A agroecologia é, em geral, aliada à produção de alimentos orgânicos, cultivados sem o uso de substâncias
como defensivos agrícolas. Contudo, uma região que abrigava cultivos
convencionais, com o uso de defensivos agrícolas, precisa passar por um
longo processo de desintoxicação se quiser obter produtos orgânicos.
A hidroponia é um tipo de agricultura em que as plantas crescem
fora do solo. As plantas são mantidas suspensas por um sistema de
canais ou recipientes que banham as raízes
com uma solução nutritiva. Essa solução contém água com sais minerais de que as plantas
necessitam para crescer.
A vantagem desse
sistema é o isolamento de possíveis ataques
de fungos, larvas, insetos do solo, entre outros seres vivos. Isso diminui a necessidade
do uso de substâncias químicas para matar
esses seres vivos e permite maior controle
sobre a nutrição das plantas.
A hidroponia reduz o ataque de insetos e fungos às
plantas cultivadas. Na foto, cultivo hidropônico de alface,
Presidente Prudente (RS), em 2019.
Nenhum comentário:
Postar um comentário