segunda-feira, 18 de maio de 2026

Biomas brasileiros

O Brasil possui uma variedade de biomas. Os biomas brasileiros podem ser classificados em seis tipos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e os Pampas.
Cada um desses biomas é classificado de acordo com suas características, como temperatura, disponibilidade de água e luz solar e tipo de solo. Essas e outras características influenciam nas espécies de vegetais e de animais presentes nos ecossistemas que constituem esses biomas.
Abordaremos a seguir as principais características de cada bioma brasileiro, bem como as principais atividades desenvolvidas pela população humana que vive neles.

Amazônia


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Amazônia ocupa aproximadamente 4196943 km 2 do território brasileiro, sendo considerada a maior floresta Tropical do mundo. Por ser uma floresta Tropical, a Amazônia caracteriza-se pelas temperaturas elevadas, apresentando poucas variações ao longo do ano, em torno de 24 ° C a 26 ° C . Isso ocorre porque esse bioma está próximo à linha do Equador, onde a incidência dos raios solares é igual ao longo do ano. A precipitação média anual é de aproximadamente 2300 mm , podendo ser maior em algumas regiões desse bioma.
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e é o bioma que abriga a maior diversidade de espécies, reunindo quase 25% de todas as espécies conhecidas de seres vivos.
A maior parte da extensão da Amazônia encontra-se no território brasileiro, mas ela se estende por mais oito países da América do Sul. O clima é quente e úmido durante todo o ano. Isso favorece a existência de cobertura vegetal com árvores de grande porte, com mais de 20 m de altura e folhas amplas. Nessa região o nível das águas dos rios oscila muito, com cheias relacionadas à grande quantidade de chuvas em determinadas épocas.


Vista aérea do rio Solimões, em Tefé (AM), 2017.


Há também a vegetação que se encontra nas margens dos rios e forma as matas de igapó. As árvores dos igapós não têm porte tão grande, mas apresentam adaptações que lhes permitem viver em terrenos alagados. 
Durante a época em que os riachos, ou igarapés, estão mais cheios, essa vegetação fica parcialmente inundada. Nos igapós também vivem plantas que flutuam na água, como a vitória-régia. As folhas da vitória-régia são flutuantes, mas se mantêm presas ao fundo.

Vitórias-régias em um rio da Amazônia. A folha da vitória-régia pode chegar a 2 m de diâmetro.


Nesse bioma, a grande quantidade de chuvas está relacionada à umidade trazida do oceano Atlântico pelos ventos. Além disso, a temperatura elevada aumenta a evaporação da água da chuva presente no solo e a transpiração das plantas, mantendo a umidade. 
A incidência de luz solar e as chuvas regulares ao longo do ano possibilita à Amazônia abrigar mais da metade da biodiversidade da Terra. 
A flora é composta de espécies de plantas com tamanhos variados, o que a caracteriza como floresta densa e estratificada. Há árvores altas com folhas largas e sempre verdes, arbustos, cipós, musgos, epífitas, trepadeiras e plantas aquáticas. 
Algumas características das plantas encontradas em um floresta Tropical estão relacionadas à intensidade de luz solar que chega até a floresta. 
Essa estratificação da vegetação influencia na imensa diversidade da fauna, favo recendo uma variedade de abrigos e fonte de alimentos para os animais.
O boto-cor-de-rosa, o jacaré-açu, a ararajuba, o sauim-de- coleira, o peixe-boi e o apapá são exemplos de animais que compõem esse bioma. 
A Amazônia ainda é marca da por uma grande quantidade de rios, entre eles o rio Amazonas e outros que deságuam nele, como o Tapajós, o Negro, o Juruá e o Xingu.
Tanto os rios quanto a vegetação são a fonte de sustento e de renda da maioria das populações tradicionais da Amazônia, como indígenas e ribeirinhos. Entre as atividades desempenhadas, estão a pesca e o extrativismo da castanheira-do-brasil, do cupuaçuzeiro e do açaizeiro, por exemplo.
A maior parte do solo desse bioma apresenta baixa fertilidade, pois há pouca quantidade de nutrientes para as plantas destinadas à agricultura.
Os povos ribeirinhos e indígenas que vivem na Amazônia têm muito conhecimento a respeito dos recursos e das características dessa região. 

Moradia suspensa de ribeirinho, conhecida como palafita, na várzea do Chicaia (PA), 2017.


Considerando as oscilações das águas dos rios, é comum que os ribeirinhos construam suas casas suspensas de modo a não enfrenta rem problemas na época de subida das águas. 
A alimentação dos povos da Amazônia baseia-se em muitos recursos naturais disponíveis, como os peixes, abundantes nos rios da região.
Na região há muitas plantas que tradicionalmente têm sido usadas tanto pelos indígenas quanto pelos demais povos da região com funções medicinais. Esse conhecimento tradicional tem sido de grande valia nos estudos que visam verificar os princípios ativos e os efeitos dessas plantas. 
É o caso da andiroba, cujas cascas e folhas são empregadas pelos indígenas para fazer chás, tomados para aliviar febres e combater vermes intestinais ou aplicados em picadas de insetos para aliviar a dor. 
Atualmente, a andiroba faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Serviço Unificado de Saúde (Renisus), que reúne espécies de plantas com potencial para gerar produtos de interesse médico.
Além das plantas medicinais, há várias outras espécies de plantas da Amazônia utilizadas como fonte de alimento. É o caso da mandioca, da castanheira, do guaranazeiro, do cupuaçuzeiro e das palmeiras, como o açaí, a bacaba, o tucumã-do-pará e o inajá. 

Frutos do guaranazeiro, árvore que pode medir 10 m de altura.

Castanheira-do-pará, árvore que pode atingir 50 m de altura.

 
Extração do látex em seringueira, planta que pode atingir 30 m de altura.


Na Floresta Amazônica também existem plantas que geram outro tipo de interesse comercial. Um exemplo é a seringueira, de onde se extrai o látex utilizado na fabricação de borracha. Outros exemplos são as grandes árvores exploradas como fonte de madeira, como o angelim, o mogno e a sumaúma, esta última conhecida como “o gigante da Amazônia”. 
A extração irregular de madeira tem gerado intensa exploração e devastação da floresta. Nas últimas décadas, no entanto, muitas pessoas têm se mobilizado para diminuir a destruição desse bioma, formando organizações de cunho ambientalista. Um exemplo é o grupo denomina do Aliança dos Povos da Floresta, que agrega comunidades tradicionais e indígenas.
Como alguns exemplos de animais que vivem nos rios da região amazônica, podemos citar o peixe-boi-da-amazônia e o pirarucu, mostrados nas fotografias abaixo. Além deles, há o jacaré-açu, a maior espécie de jacaré que ocorre no Brasil (mede cerca de 6 m de comprimento), a tartaruga-gigante-da-amazônia (mede cerca de 75 cm de comprimento) e o boto--vermelho, ou boto-cor-de-rosa (mede cerca de 2,5 m de comprimento).

Peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), um mamífero sob ameaça de extinção. Esses animais alimentam-se de vegetação aquática e chegam a medir cerca de 2,8 m de comprimento.

O pirarucu (Arapaima gigas) é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Mede de 2 a 3 m de comprimento e pode ter até 200 kg de massa corpórea.

Poraquê, o “peixe-elétrico”. Pode medir entre 1,8 m e 2,5 m de comprimento.


No ambiente terrestre vivem diversas espécies de aves, como as ararajubas, os uirapurus, que impressionam pelo seu canto, as ciganas e os gaviões-reais. Além disso, há também grande diversidade de espécies de insetos, aranhas e de vários outros grupos animais. Muitas espécies amazônicas correm risco de extinção. 
No Brasil, preservar áreas significativas da floresta e encontrar meios de explorar os recursos naturais, promovendo sua conservação, é um grande desafio para o governo e para a sociedade.

Ararajubas, espécie ameaçada de extinção pela destruição de seu habitat e em virtude de sua captura para o tráfico de animais silvestres. Seu nome deriva do tupi e significa “arara amarela”. Essas aves medem cerca de 35 cm de comprimento.

O uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus arada) é uma ave rara. Mede cerca de 10 cm e canta apenas no período de acasalamento, em setembro e outubro.


Como já foi dito, o nível das águas dos rios na Amazônia oscila muito ao longo do ano. Essa oscilação se deve principalmente às chuvas, que ocorrem em uma estação bem marcada do ano. Durante a estação chuvosa, o nível das águas sobe e cobre a vegetação rasteira e arbustiva nas margens dos rios. 
Em alguns casos, chega à altura da copa de algumas árvores. Alguns meses depois, com a redução das chuvas, vem a estação da seca. Nela, a água volta ao seu curso natural, o que expõe a vegetação da área que estava inundada. Isso influencia não só a dinâmica de vida das plantas da região, mas também a dos seres humanos (que, como vimos, adaptam-se a essas situações construindo casas de palafita suspensas sobre os rios) e a dos demais animais, que buscam nos rios alimentos e outros recursos.

Caatinga 


A Caatinga ocorre principalmente na região Nordeste do Brasil e ocupa cerca de 11% do território nacional. Na região a estação seca é prolongada e a estação chuvosa é curta. Essas épocas se alternam e isso determina a marcante transformação nas paisagens da Caatinga ao longo do ano.
De acordo com o IBGE, a Caatinga ocupa uma área de aproximadamente 844400 km 2 do território brasileiro. Esse bioma caracteriza-se por apresentar temperaturas elevadas, com longos períodos sem chuva durante o ano. 
Em geral, apresenta temperatura média em torno de 25 ° C a 30 ° C e precipitação média anual de aproximadamente 800 mm.
Essa característica interfere na disponibilidade de água da Caatinga, que influencia no tipo de vegetação e nos animais encontra dos nesse bioma. 
No solo da Caatinga, encontram-se mais minerais do que matéria orgânica, além de ter muitos fragmentos de rocha que dificultam o armazenamento de água. 

Vista da Caatinga durante o período de chuvas, em Oliveira dos Brejinhos (BA), 2018.

Vista da Caatinga durante período de seca, em Conceição (CE), 2017.

Nos períodos de seca, que podem se prolongar por mais de nove meses, a maioria das plantas perde as folhas, e permanecem apenas os galhos esbranquiçados. A palavra “caatinga” tem origem tupi e significa “mata branca” (caa = mata; tinga = branca), devido a essa característica. Já nos períodos chuvosos, a vegetação volta a apresentar folhas verdes.
Dessa maneira, a flora é composta de plantas que apresentam adaptações que favorecem seu desenvolvimento em locais com escassez de chuva e com superfícies rochosas.
Por exemplo, algumas plantas possuem características típicas de deserto, como folhas pequenas cobertas por cutícula, folhas modificadas em espinhos, o que reduz a perda de água para o ambiente, e caule que armazena água. Entre as plantas desse bioma, podemos citar arbustos de caules finos e tortuosos e cactos, como o mandacaru e o xique-xique. 
A vegetação da Caatinga é rica também em cactos, como o xiquexique, as palmas, o mandacaru e o facheiro. Eles apresentam folhas modifica das em espinhos, característica que reduz muito a perda de água pela transpiração. 
Além dos cactos, são plantas comuns na região a carnaúba, as bromélias, a jurema, o umbuzeiro, o angico, o imbaré (barriguda-lisa), entre outras.

Xiquexique, cacto que mede entre 2,5 m e 3,5 m de altura.

Umbuzeiro, planta que pode chegar a cerca de 6 m de altura. Seu fruto, o umbu (ou imbu) é muito apreciado para ser consumido ou utilizado no preparo de doces.

A fauna da Caatinga também é muito rica. Alguns exemplos são caracará ou carcará (gavião), tatupeba, veado-catingueiro, gato-maracajá, cascavel e jiboia, além do grande número de lagartos, como o teiú, e insetos, entre outros animais.

Tatupeba. Mede aproximadamente 70 cm de comprimento.

Carcará. Mede aproximadamente 55 cm da cabeça à cauda e 1,20 m de uma ponta da asa à outra.

Veado-catingueiro. Mede de 50 cm a 65 cm de altura.

Gato-maracajá. Mede cerca de 1,3 m de comprimento.


Nesse bioma, há rios temporários, que secam durante os longos períodos sem chuva, e rios perenes, que não secam, como o rio São Francisco e o Parnaíba, que atravessam a Caatinga e são fundamentais para a flora, a fauna e as pessoas que vivem nesse bioma.
Na Caatinga, o cultivo de milho, de banana e de palma, além da pesca e da criação de animais, como aves, suínos e cabras, são algumas das atividades que garantem o sustento e a fonte de renda da população, como os sertanejos, vaqueiros, agricultores, indígenas e quilombolas.

Cerrado 


O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil em extensão, ocupando aproximadamente 25% do território nacional. Ocorre principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul e em menor extensão em outros estados, como São Paulo, Mato Grosso, Tocantins, Piauí, Maranhão e Bahia. 
De acordo com o IBGE, ele possui uma área de aproximadamente 2036448 km 2 . Esse bioma caracteriza-se pelas temperaturas elevadas durante o verão, apresentando médias anuais entre 18 ° C e 27 ° C.
O clima na região é quente, com período de seca rigoroso. A presença de árvores com troncos e galhos retorcidos é característica das paisagens de Cerrado. 

Paisagem com vegetação típica de Cerrado na Reserva Ecológica Vargem Grande, em Pirenópolis (GO)

No Cerrado há diversos ecossistemas, como os campos rupestres, com predomínio de vegetação rasteira, e o cerrado, com predomínio de árvores.

Campo rupestre, uma das paisagens possíveis de encontrar no Cerrado, no Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), 2015.

Cerradão, ecossistema do bioma Cerrado com predomínio de árvores, no Parque Indígena do Xingu, em Querência (MT)



A precipitação média anual é de aproximadamente 1500 mm , ocorrendo principalmente durante a primavera e o verão. Já o outono e o inverno são períodos de seca, o que favorece as queimadas espontâneas.
O Cerrado possui três tipos de vegetação: floresta, savana e campo. Na região de floresta, predominam árvores de grande porte, como a aroeira, o buriti e a copaíba. 
Na região de savana, predominam espécies de palmeiras, como o buriti, árvores com caule e ramos tortuosos, como o pau-terrinha e o pequi-do-cerrado, e arbustos, como o cajuzinho-do-cerrado, flor-do-cerrado e gabiroba. 
Já na região dos campos, predominam espécies herbáceas, como o capim-estrela e o palipalã-do-brejo, e alguns arbustos, como o candombá e a canela-de-ema.
Os diferentes tipos de vegetação do Cerrado estão associados, principalmente, a características do solo e aos cursos de água.
O Cerrado apresenta uma diversidade de hábitat que favorece o desenvolvimento de várias espécies de animais, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o veado-campeiro, o urubu-rei, a seriema, a codorna-mineira, a ema e o pacu-dente-seco.
É nesse bioma que estão as nascentes de importantes rios, como o Araguaia e o São Francisco. Além disso, há grandes reservatórios de água subterrâneos, como parte do Aquífero Guarani. 

Tamanduá-bandeira. Mede até 2,20 m de comprimento, da ponta do focinho até a ponta da cauda.

Ema, a maior ave do Brasil. Pode chegar a 1,70 m de altura.


Um dos animais típicos desse bioma é o guará (ou lobo-guará), que mede cerca de um metro de altura e que se alimenta tanto de outros animais quanto de frutos, como o fruto da planta chamada lobeira. Outros animais típicos desse ambiente são a ema, a maior ave do Brasil, e o tamanduá-bandeira.
No Cerrado, uma das plantas mais comuns é o capim-flecha. Além dele, em especial nas formações de cerradão, há a lobeira, o ipê-amarelo e as palmeiras buriti e indaiá.

 Ipê-amarelo. Chega a até 9 m de altura.

Buritizais no Parque Nacional Grande Sertão Veredas (MG). O buriti pode atingir 30 m de altura.

O bioma Cerrado caracteriza-se também pelas queimadas que ocorrem naturalmente na época da seca. Essas queimadas naturais são importantes nesse bioma, por mais estranho que possa parecer. O fogo nesse ambiente acelera a reciclagem de nutrientes no solo e ajuda a estimular a germinação de sementes.
Muitas plantas do Cerrado apresentam adaptações relacionadas à sobre vivência ao fogo. As cascas espessas das árvores e as folhas grossas, que diminuem a perda de água por transpiração, são exemplos dessas adaptações. O tronco retorcido de muitas árvores é consequência do fogo, pois, quando parte do tronco é queimada, a árvore volta a crescer da parte restante, resultando no aspecto retorcido.

Queimada no Cerrado, na Chapada dos Veadeiros (GO), 2016.

Árvores de aspecto retorcido, típicas do Cerrado, no Parque Nacional das Emas (GO)

Árvore de pequi. O pequizeiro pode atingir 15 m de altura.


Em geral, o solo do Cerrado possui baixa quantidade de nutrientes, sendo, portanto, pouco fértil. Mas com o desenvolvimento de técnicas e produtos agrícolas, como fertilizantes, a agricultura tornou-se uma das importantes atividades econômicas desenvolvidas nesse bioma. 
Desenvolvem-se também atividades de pecuária, extrativismo vegetal, como a extração do pequi, e artesanato de produtos feitos com capim-dourado, geralmente realizado pelos povos indígenas e quilombolas.

Mata Atlântica 


A Mata Atlântica recebe esse nome por se estender ao longo da costa brasileira e caracteriza-se pelo aspecto de uma floresta tropical. De acordo com o IBGE, a Mata Atlântica apresenta uma área de aproximadamente 1110182 km 2 do território brasileiro. 
Na época da chegada dos portugueses ao Brasil, esse bioma recobria cerca de 12% do território nacional, mas, devido às frequentes devastações que sofre até hoje, cerca de 88% da cobertura original da Mata Atlântica foi destruída. Isso ocorreu principalmente pela ocupação humana da área: cerca de 70% da população brasileira ocupa essa região.
A Mata Atlântica tem muitas características em comum com a Floresta Amazônica, como a densa vegetação em que predominam as árvores de grande porte.
Em geral, a Mata Atlântica se caracteriza por apresentar temperatura anual média de 23 ° C. A grande quantidade de chuva nesse bioma mantém importantes rios perenes que o atravessam, como o rio Doce, o rio São Francisco, o rio Paraná e o rio Tietê. 
O solo da Mata Atlântica é úmido e pouco oxigenado. Assim como em algumas regiões da Amazônia, a fertilidade da Mata Atlântica pode ser garantida pela decomposição da serapilheira.
A Mata Atlântica sofre influência oceânica e está parcialmente localiza da em regiões serranas. Os ventos que vêm do oceano Atlântico carrega dos de umidade são barrados pelo relevo na zona costeira, ocasionando grande precipitação na região.

Serra do rio do Rastro, uma região de Mata Atlântica localizada em terreno montanhoso, em Bom Jardim da Serra (SC),

 
A vegetação caracteriza-se por apresentar árvores de grande porte, como a palmeira-juçara, o pau-brasil, o manacá-da-serra, o jequitibá-rosa e a embaúba, arbustos, como a samambaiaçu, herbáceas, como a begônia, e bromélias. 
As plantas de grande porte recebem maior intensidade de luz solar, enquanto as de menor porte recebem menor intensidade de luz solar, pois estão abaixo das plantas de grande porte. 
Por essa razão, algumas plantas se adaptam para melhorar a captação de luz solar. A begônia, por exemplo, apresenta folhas maiores, que aumentam a área de superfície de absorção da luz solar.
A fauna é rica em diversidade de espécies, como o jacaré-de-papo-amarelo, o mico-leão-dourado, o mono-carvoeiro ou muriqui-do-sul e a araponga.

Jaguatirica. Mede entre 70 cm e 1 m de comprimento.

Ariramba-de-cauda-ruiva (beija-flor-da-mata-virgem), com inseto na ponta do bico. Mede aproximadamente 24 cm de comprimento.

São exemplos de animais desse bioma os micos-leões-dourados, os bugios, as jaguatiricas e muitas aves, como a ariramba-de-cauda-ruiva, o macuco, o tiê-sangue e a araponga, popularmente chamada de “voz da Mata Atlântica”, pelo seu canto.
Entre as plantas, podemos citar as quaresmeiras, o jequitibá e muitas espécies de bromélias e palmeiras, como o palmito-juçara. O pau-brasil é uma espécie nativa desse bioma. Foi intensamente explorado durante o início da colonização do Brasil, levando à quase extinção da espécie. 

Pau-brasil. Pode chegar a 12 m de altura.


A Mata Atlântica também é o habitat das samambaias arborescentes, conhecidas como samambaiaçus, espécies ameaçadas de extinção por causa da grande exploração da planta para a obtenção do xaxim. Atual mente, a retirada de samambaiaçu da mata e a venda de xaxins dessa espécie é proibida e considerada crime ambiental.

Samambaiaçu. Pode atingir 10 m de altura.

É nesse bioma que vive aproximadamente 60% da população brasileira. E, assim como em outros biomas, na Mata Atlântica também vivem povos tradicionais que dependem dos recursos naturais para obter renda. 
Os caiçaras, por exemplo, que vivem no litoral de alguns estados brasileiros, obtêm seu sustento e sua renda da pesca, do cultivo de alimentos, como a mandioca e a banana, e das atividades extrativistas.

  • Mata de Araucárias
Uma parte da Mata Atlântica é constituída pela Mata de Araucárias, que já foi considerada um bioma independente, mas atualmente é tratada como pertencente ao bioma Mata Atlântica. 
Nessa região há predominância do pinheiro-do-paraná, cujo nome científico é Araucaria angustifolia. Essas árvores têm como sementes os pinhões, muito apreciados como alimento. Além do pinheiro-do-paraná, há imbuia (canela-imuía), pinheiro-bravo, erva-mate e muitas outras espécies vegetais. 
A Mata de Araucárias ocorre no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e em trechos do sul do estado de São Paulo. Sua área original foi reduzida a menos de 1%, pois, além do processo de desmatamento em função da ocupação humana, a exploração da madeira da araucária, que é muito resistente e boa para construção, foi intensa. 
Na região da Mata de Araucárias, as chuvas são distribuídas ao longo do ano e duas estações são bem definidas: o inverno, com temperaturas baixas, e o verão, com temperaturas moderadas. 
Com a redução da mata, muitas espécies da fauna e da flora estão ameaçadas de extinção. Entre os animais, destacam-se a gralha-azul, o papagaio-charão, o papagaio-de-peito-roxo, o macaco-prego, o guariba e o leão-baio (onça-parda). Entre as plantas, a canela-amarela e a peroba.

Araucária, também conhecida como pinheiro-do-paraná. A árvore pode chegar a 50 m de altura. 

Gralha-azul. Mede cerca de 39 cm de comprimento.


Pantanal 


O Pantanal, a maior planície alagável do planeta, ocorre na Bolívia, no Paraguai e no Brasil, onde está presente nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 
Conhecido como a maior planície alagada do mundo, o Pantanal tem uma área de aproximadamente 150355 km 2 do território brasileiro, de acordo com o IBGE. Esse bioma se caracteriza por apresentar temperaturas elevadas ao longo do ano, com uma média anual de 24 ° C , podendo atingir 41 ° C em alguns dias do verão. 
Embora seja o mais conservado dos biomas brasileiros, o Pantanal sofre ameaças pelo desmatamento e pelos impactos consequentes de alterações em áreas vizinhas, como no Cerrado, onde se localizam as nascentes dos rios que inundam o Pantanal nos meses de cheia (de outubro a abril).
A precipitação média anual é de aproximadamente 1250 mm , sendo o verão chuvoso e o inverno seco, com poucas chuvas. Durante a época de chuvas intensas, o chamado período de cheia, os rios desse bioma transbordam e as partes mais baixas tornam-se alagadas. 
Já durante o período de pouca chuva, conhecido como período de seca, o nível de água dos rios reduz, originando as porções de areia e lagoas.
Esses períodos chuvosos e de seca influenciam o solo, a vegetação e a fauna desse bioma. Por exemplo, no período de cheia, a fertilidade do solo é reduzida em razão do excesso de água, que prejudica a sua oxigenação e a decomposição da matéria orgânica. Já durante o período de seca, o solo se torna mais fértil. 

Vista aérea de área alagada do Pantanal, em Miranda (MS), 2017.

A vegetação é composta de árvores de grande porte, como carandá, buriti e ipês, e plantas aquáticas, como o aguapé. A fauna tem espécies, como a garça-branca-pequena, o tuiuiú, o jacaré-do-pantanal, a sucuri-amarela, a ariranha, o cervo-do-pantanal, o pintado e a piranha. Durante as cheias, vários hábitats se formam para diferentes espécies de anfíbios.
Os habitantes locais, que dependem dos recursos naturais do Pantanal, são conhecidos como pantaneiros. Eles obtêm o seu sustento e sua renda principal mente da pesca e da criação e do manejo do gado.
Nos meses de seca (de maio a setembro), os rios voltam a seus cursos normais, deixando nutrientes que fertilizam o solo. Entretanto, muitas regiões ainda permanecem alagadas e originam pequenas lagoas entre meadas por terra firme. A principal característica do Pantanal é a dependência de quase todas as espécies de plantas e animais em relação a esse fluxo das águas. 
A fauna é rica e, embora o número de espécies seja inferior ao registrado na Amazônia, o número de indivíduos de algumas espécies é muito maior no Pantanal. No caso das aves, estima-se que esse bioma reúna a maior concentração do continente, observando-se com frequência árvores completamente ocupadas por grupos de garças, patos-selvagens e jaburus ou tuiuiús (ave-símbolo da região).
Os rios são habitados por diversas espécies de peixes, como o dourado, o curimbatá e a piraputanga (ou pirapitanga). É muito comum ver também, nas lagoas alagadas, grandes grupos de jacarés-do-pantanal repousando ao sol. A diversidade pantaneira inclui também muitas espécies de serpentes, como a sucuri e a jararaca, e muitos mamíferos que interagem diretamente com os rios, como a lontra, a onça-pintada, a anta, entre outros.

Peixe dourado. Mede cerca de 70 cm de comprimento.

Cardume de piraputangas. Um indivíduo mede cerca de 60 cm de comprimento.

Anta brasileira, o maior mamífero do Brasil. Mede entre 1,7 e 2 m de comprimento e chega a cerca de 300 kg.

As araras-azuis, aves típicas dessa região, estavam em sério risco de extinção, mas, graças a projetos de conservação, o número de indivíduos dessa espécie aumentou. As araras-zuis dependem basicamente de três espécies de plantas para a reprodução: as palmeiras acuri e bocaiuva e o manduvi, árvore na qual cerca de 95% dos ninhos são feitos.

Arara-azul-grande. Mede cerca de 1 m de comprimento.

Manduvi, uma espécie-chave na conservação de araras-azuis. Essas aves fazem seus ninhos, em 95% dos casos, em buracos ocos do manduvi. Mede, em média, entre 25 m e 30 m de altura.

Pampas 


Os Pampas, também chamados Campos Sulinos, ocupam uma área de aproximadamente 176496 km 2 do território brasileiro, de acordo com o IBGE. 
Os Campos Sulinos ocorrem nas planícies do sul do Brasil, onde as temperaturas são relativamente baixas, principalmente no inverno. São conhecidos também por Campinas, Campos ou Pampas. 
Esse bioma é caracterizado por apresentar temperatura média anual de 18,3 ° C . O verão tem temperaturas elevadas, muitas vezes acima de 35 ° C , e o inverno é caracterizado pelas baixas temperaturas, que podem atingir valores inferiores a 0 ° C , podendo até nevar em determinadas regiões.
A precipitação média anual é de 1534 mm e ocorre de maneira regular ao longo de todo o ano.
Nesse bioma há pequenas árvores e arbustos, mas a vegetação predominante é composta de gramíneas, o que favorece a atividade pecuária.
Os Pampas têm importantes rios, como o Santa Maria e o Uruguai, além de lagos e lagoas, como a Lagoa dos Patos. A vegetação é composta principalmente de plantas herbáceas e gramíneas, como o capim-forquilha, a flechilha-negra, a barba-de-bode e o capim-dos-pampas. 
Além da diversidade de plantas, podem ser encontradas muitas espécies de animais que vivem nesses campos. Algumas delas, por exemplo, são os mamíferos graxaim, o tatu, o zorrilho e o gato-dos-pampas, que está sob risco de extinção. Entre as aves, podemos citar o quero-quero, o pica-pau dos campos e a coruja-buraqueira.

O graxaim (Lycalopex gymnocercus) é um mamífero da família dos canídeos, muito comum nos Campos Sulinos. Mede cerca de 60 centímetros de comprimento, da ponta do focinho até a cauda.

A coruja-buraqueira (Athene cunicularia) mede entre 20 e 28 cm de altura.


Já a fauna é composta de uma grande quantidade de espécies de animais, como o sapinho-de-barriga-vermelha, o beija-flor-de-barba-azul e o roedor tuco-tuco. O graxaim-do-campo, o zorrilho e o caminheiro-de-espora também são animais comuns desse bioma.
Nos Pampas, a agricultura e a criação de animais, como gado, ovelha e cavalo, e o artesanato em lã são algumas das atividades que garantem o sustento e a renda de muitas famílias que vivem nesse bioma.
Nos Campos Sulinos há regiões especiais chamadas campos brejosos que ocorrem no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Um exemplo é o Banhado do Taim (RS). Essas regiões ocorrem tanto no litoral quanto no interior e correspondem a extensas áreas alagadas ou sempre úmidas, cobertas por gramíneas e outras plantas de pequeno porte.

Estação Ecológica do Taim, no município de Rio Grande (RS), 2017.

Nesses locais há grande diversidade de vida animal, como os ratões-do-banhado, as capivaras e aves como biguá, martim-escador e marrecão.
Os Campos Sulinos constituem um dos ambientes campestres com maior diversidade de espécies do mundo, entre plantas e animais. No entanto, esse é o bioma menos preservado no Brasil.

Ratão-do-banhado. Pode chegar a 1 m de comprimento. 

Paisagem de Campos Sulinos em Santana do Livramento (RS), 2017. A pecuária é uma atividade muito praticada nessa região.



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