domingo, 7 de dezembro de 2025

Ditadura militar no Brasil e os Estados Unidos na Guerra Fria

Um dos argumentos usados pelos governantes militares na ditadura militar (1964-1985) para se aliar aos Estados Unidos referia-se à posição geográfica do Brasil. Por estar localizado na América do Sul, seria mais fácil, considerando os re cursos técnicos da época, relacionar-se com a superpotência estadunidense. Outro ponto a considerar era a presença de partidos de orientação socialista no Brasil, que queriam se aproximar da União Soviética.
Os Estados Unidos não podiam permitir que o maior país da América do Sul se tornasse aliado do inimigo; assim, como forma de manter a parceria, ofereciam apoio e treinamento militar. O Brasil tinha uma boa relação com os Estados Unidos até meados da década de 1970, momento em que os governos militares quiseram ter acesso à tecnologia nuclear.
Os estadunidenses não venderam tecnologia, apenas máquinas e equipa mentos para a Usina Nuclear Angra I. Como os militares desejavam desenvolver a levou os governos militares a rom perem com os Estados Unidos. Mas o Brasil já tinha dado sinais de tecnologia nuclear, fizeram um acordo com a Alemanha, em 1975, para comprar equipamentos para a Usina Nuclear Angra II, tendo, neste caso, acesso à tecnologia.
Muitos autores apontam esse fato como o principal motivo que que queria liberdade política, de cidindo, por exemplo, retomar as relações diplomáticas com a China, um país socialista, em 1974, e votar, em 1975, pelo fim do bloqueio econômico imposto a Cuba.

Pacto de Varsóvia e Otan

Do lado socialista, em 1955, foi criado o Pacto de Varsóvia, uma aliança militar firmada na capital da Polônia. Para muitos autores, o objetivo maior do Pacto era defender os países socialistas europeus e equilibrar a relação com a Otan. Participaram os seguintes países: Albânia (que saiu em 1968), Bulgária, Tche coslováquia (que na época reunia a República Tcheca e a Eslováquia), Hungria, Polônia, República Democrática da Alemanha, Romênia e União Soviética.
Um episódio marcou a criação do Pacto: o questionamento da hegemonia soviética pela Iugoslávia, governada pelo marechal Tito (1892-1980), também socialista, que não aceitou ingressar na aliança. O argumento de Tito era o de que os interesses soviéticos eram diferen tes dos de seu país.
Os objetivos do Pacto de Varsóvia eram muito semelhantes aos da Otan. A ideia era criar um siste ma de defesa mútuo, que proteges se os membros contra agressões externas. Mas havia uma cláusula que restringia a liberdade dos países e que praticamente os obrigava a permanecer no Pacto. As reuniões de seus membros eram anuais.

O novo papel da Otan e o fim do Pacto de Varsóvia 


Após a crise dos países socialistas do Leste Europeu, no fim da década de 1980, o Pacto de Varsóvia esvaziou-se, e acabou sendo dissolvido em 1991. 
Com o fim da Guerra Fria, a Otan vem passando por uma reestruturação e iniciou um processo de expansão para áreas do antigo bloco soviético na Europa. 
Em 12 de março de 1999, a República Tcheca, a Hungria e a Polônia ingres saram na organização. Em 2004, foi a vez de Bulgária, Romênia, Eslovênia, Eslo váquia, Letônia, Lituânia e Estônia. Posteriormente, ocorreram outras adesões de países do chamado Leste Europeu. 
A Otan constitui atualmente uma organização militar que oferece apoio e cooperação em matéria de segurança para a ONU, defesa contra o terrorismo e combate ao tráfico de drogas. Estrategicamente, a manutenção de uma organização militar envolvendo a Europa e os Estados Unidos reduz a possibilidade de criação de uma organização dessa natureza representando a União Europeia. 
Assim, ampliar a atuação da Otan nos principais conflitos mundiais e pro cessos de ocupação significa ampliar a participação financeira da Europa nesses processos. A Otan, dessa forma, vem se colocando em uma posição de equilíbrio entre Estados Unidos e União Europeia, apesar dos desentendimentos entre am bos, como no caso da ocupação do Iraque, em 2003. 
Em maio de 2002, a Rússia e a Otan selaram um acordo de cooperação, com a criação do Conselho Otan-Rússia. Até 2014, o país participou das deci sões dos países-membros em assuntos de interesse mútuo, como a definição de estratégias político-militares a serem aplicadas no controle da proliferação de armas nucleares e no combate ao terrorismo. 
Nesse ano de 2014, no entanto, a Rússia anexou a Crimeia, república autônoma, pertencente à Ucrânia, e, em razão disso, a Otan suspendeu o acordo de cooperação e, desde então, somente em abril de 2016 ocorreu um encontro que contou com a participação de representantes russos.

sábado, 6 de dezembro de 2025

O Grupo dos 7 e o Grupo dos 20

Em 1975, na França, após reuniões entre representantes das cinco maiores economias do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido), chegou-se a um acordo para a criação de um grupo de países para coordenar as relações econômicas internacionais. 
Com a adesão da Austrália e do Canadá, surgiu o chamado Grupo dos 7, ou G-7, grupo que reunia os sete países mais industrializados e desenvolvidos do mundo. No final da década de 1990, esse grupo passou a englobar também a Rússia, que, apesar de ser um país emergente, foi admitida em função de sua importân cia geopolítica e poderio militar. 
O Grupo dos 8, ou G-8, permaneceu em ativida de até 2014, quando a Rússia foi suspensa por descumprir determinados valores comuns entre os países-membros. Na ocasião, voltou-se a constituir o G-7. 
As reuniões do G-7 abordam principalmente questões econômicas, mas ou tros assuntos de importância internacional também são discutidos: não proliferação nuclear, terrorismo, crise de alimentos e meio ambiente. No final da década de 1990, foi criado o Grupo dos 20 (G-20), que, além dos países desenvolvidos, abrange os principais países emergentes. 
O G-20 surgiu como um reconhecimento de que era necessário ampliar o espaço de participa ção dos emergentes nas decisões que afetam a economia global. 
Os países que integram o G-20 são atualmente responsáveis por 96% do PIB mundial, além de representarem aproximadamente 90% do comércio internacio nal e concentrarem quase dois terços da população do mundo. Confira, na página seguinte, os países que compõem o G-7 e o G-20 listados de acordo com o PIB.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

A Organização Mundial do Comércio (OMC)

A Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma instituição internacional que tem a função de regulamentar as bases jurídicas do comércio entre as nações. 
Sediada em Genebra, na Suíça, foi criada em 1994 e entrou em vigor no início de 1995, substituindo o antigo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT – General Agreement on Tariffs and Trade, na sigla em inglês). 
Com base nos mesmos princípios do GATT, a OMC objetiva a liberalização do comércio internacional por meio da diminuição das práticas protecionistas, como os subsídios, as tarifas alfandegárias, as cotas de importação e outras barreiras que se tornaram entraves às trocas comerciais entre os países. Também estabelece o princípio da não discriminação ou da igualdade de tratamento, o que significa que um país-membro da OMC não pode oferecer condições especiais de comércio somente a um de seus parceiros, marginalizando os demais. Desse modo, qualquer acordo comercial entre dois ou mais países passa auto maticamente a valer para todos os países-membros da organização. 
Assim, vantagens e privilégios concedidos para a comercialização de um produto de determina do país deverão ser estendidos a produtos similares comercializados por todos os outros países-membros.
A exceção a essa regra é o comércio feito no interior dos blocos regionais, como a União Europeia, o Nafta e o Mercosul. Além disso, tratamentos diferenciados são permitidos para os países menos desenvolvidos, como facilidades nos pagamentos. 
Os motivos das disputas comerciais estão ligados, de modo geral, a conflitos de interesses entre países em desenvolvimento e os desenvolvidos. Os primeiros, no caso, pedem a diminuição ou mesmo a eliminação dos subsídios dados pelos pa íses ricos, principalmente os Estados Unidos e os integrantes da União Europeia, aos seus agricultores. 
Ao propiciar subsídios à sua agricultura, como a isenção de impostos ou a concessão de financiamentos com juros abaixo do valor de mercado, os países ricos barateiam os preços de seus produtos domésticos. Sem isso, seus agricultores teriam dificuldades em competir com a agricultura de alguns países em desenvolvimento, como o Brasil, cuja produção, em alguns casos, é maior e realizada com menores custos.

 O Brasil na OMC

 
Na OMC, cada país tem direito a um voto, o que a torna mais democrática se comparada, por exemplo, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no qual o poder de influência de cada país é definido pelo capital que ele investe no fundo. O Brasil é um dos membros fundadores e atua como um dos países emergentes mais influentes na organização. 
O governo brasileiro reivindica ações contra quem desrespeita acordos e normas definidos pela organização e já obteve respostas positivas da Organização Mundial do Comércio, como na contestação das medidas protecionistas à produção de algodão nos Estados Unidos e também às barreiras impostas à entrada de suco de laranja brasileiro em território estadunidense.
A OMC também mediou disputas entre o Brasil e os países europeus, em busca do mercado mundial de produtos de cana-de-açúcar. Com esses acordos, a participação dos produtos agrícolas brasileiros no comércio internacional cresceu nos últimos 20 anos.  

As regiões polares

O planeta Terra possui duas regiões polares, assim chamadas por abrangerem áreas ao redor dos polos geográficos Norte e Sul do planeta.
A região polar ártica é delimitada pelo Círculo Polar Ártico, no extremo norte do planeta. Essa região é caracterizada pela existência de um manto de gelo oce ânico (ou seja, uma calota de gelo sobre o oceano), rodeado pelo Oceano Glacial Ártico e por terras continentais da Europa, Ásia e América do Norte.
Já a região polar antártica é delimitada pelo Círculo Polar Antártico, no extre mo sul do planeta. Essa região é marcada pela presença de um continente cha mado Antártida, coberto e rodeado por um extenso manto de gelo.

Principais características naturais das regiões polares


Em razão da curvatura terrestre e da baixa incidência dos raios solares nas áreas de elevada latitude, as temperaturas nas regiões polares da Terra permanecem baixas durante todo o ano e as precipitações ocorrem na forma de neve. 
Na Antártida, o solo coberto por gelo e a baixa umidade do ar praticamente impedem a existência de cobertura vegetal, a qual é composta de algumas espécies de liquens e musgos. Pinguins, peixes, focas e baleias são algumas das espécies que compõem a fauna antártica. No entanto, as cadeias alimentares na região são sustentadas por um pequeno crustáceo chamado krill. 
No Ártico, embora as formações da vegetação não se desenvolvam sobre a calota polar, as partes de terras continentais são marcadas pela presença da ve getação de tundra, composta de líquens, musgos e alguns arbustos. 
O caribu, a raposa-do-ártico, o lobo-do-ártico e o urso-polar são alguns dos animais da fauna do ártico, que também abrange baleias e outras espécies marinhas.

A população do Ártico 


Enquanto na Antártida inexistem habitações permanentes, o Ártico abriga em algumas cidades diversos povos nativos. No entanto, as condições naturais desa fiam a sobrevivência humana e, por isso, as pessoas precisaram encontrar meios para se adaptar à região. 
Entre os povos que compõem a população no Ártico, os inuits constituem um dos principais, ocupando partes da região entre o Estreito de Bering e a Groenlândia. 
No entanto, a maneira como grande parte dos inuits vive atualmente no Ártico não se assemelha ao modo de vida de seus antepassados, que eram nômades e cuja manutenção da vida era garantida pela caça, sobretudo de mamíferos, no verão. Em meados do século XX, intensificou-se a exploração da região polar ártica em razão da descoberta de suas riquezas minerais e energéticas. 
A ampliação de ativida des econômicas voltadas para o comércio trouxe significativas transformações no espaço geográfico da região ártica, afetando o modo de vida das populações nativas.

A economia do Ártico 


Enquanto a exploração dos valiosos recursos minerais do subsolo antártico não é permitida sob o Tratado da Antártida, a exploração econômica dos recursos do ártico já se encontra em andamento e tem grande potencial, embora esteja rela cionada a diversos impactos ambientais. 
 Nos dias atuais, embora a caça e a pesca comercial de determinadas espécies de mamíferos marinhos estejam proibidas, parte dos povos nativos pode continu ar capturando esses animais apenas para sua subsistência. 
A partir de meados do século XX, contudo, a economia tradicional dos povos nativos passou a conviver cada vez mais com atividades econômicas modernas. 
Isso ocorreu, principalmente, em razão da descoberta de grandes jazidas mine rais e de petróleo na região, que atraiu muitas empresas extrativas, que, por sua vez, acabaram por impulsionar a expansão urbana e a infraestrutura regional, incentivando a vinda de imigrantes para a região.

O fundamentalismo islâmico no Oriente Médio

O fundamentalismo islâmico, ou muçulmano, ganhou força com a ascensão política, econômica e militar do Ocidente e a dominação imperialista de potências europeias, como o Reino Unido e a França, sobre os países muçulmanos do Oriente Médio, logo após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). 
A partir do final da década de 1960, a frustração provocada pelas sucessivas derrotas militares dos países árabes muçulmanos nas diversas guerras contra o Estado judeu de Israel desde a sua fundação, em 1948, ajudou a consolidar o crescimento dessa visão radical dentro do mundo islâmico. 
De modo geral, o fundamentalismo islâmico propõe um retorno ao Islã “puro” e a um modo de vida com características semelhantes às verificadas na época de Maomé e de seus primeiros sucessores (califas), no século VII. 
Os fundamentalistas islâmicos têm uma visão antiocidental: são contrários à globalização e às influências desse lado do mundo. Eles consideram os hábitos ocidentais (liberalismo, individualismo) corruptores, responsáveis pelo declínio mate rial e moral dos países muçulmanos. Por isso, propõem a criação de Estados islâmicos regidos pela sharia, uma legislação civil orientada por princípios religiosos.
Entre os fundamentalistas, a maioria é adepta da vertente sunita do islamismo, mas nem todos pregam a violência contra os “infiéis” e a luta armada para a ins tauração de Estados islâmicos, defendendo um retorno pacífico às práticas tradi cionais do Islã.
Vale ressaltar que a maioria dos muçulmanos repudia qualquer violência por ser contrária à lei islâmica e, apesar de buscarem conservar suas tradições, não são fundamentalistas nem repudiam influências modernas. Muitos defendem, inclusive, o aumento tanto da abertura democrática quanto da concessão de mais liberdades individuais em seus países.

 Os sunitas e os xiitas 


Existe entre os muçulmanos uma antiga divisão entre sunitas e xiitas, que remonta à sucessão do quarto califa, denominado Ali ibn Abu Talib, que era genro e sobrinho do profeta Maomé. No ano 661 d.C., esse califa foi assassinado, e o título passou para Moawiya, um líder muçulmano que não pertencia à linhagem do profeta. 
A maior parte dos muçulmanos, que ficou conhecida como sunita, apoiou o novo governante, enquanto a minoria, conhecida como xiita, defendeu que apenas os membros da família de Maomé poderiam assumir o califado. Dessa disputa, teve origem uma guerra civil que resultou na morte dos descendentes de Ali e na vitória dos partidários de Moawiya. Atualmente, cerca de 90% dos muçulmanos são sunitas, enquanto os xiitas somam cerca de 10%.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

China: política e desenvolvimento econômico

A China abriga a maior população do mundo. É um país predominantemente rural que se tornou uma das maiores economias mundiais da atualidade em apenas algumas décadas.
Vamos conhecer melhor como essas mudanças ocorreram nas últimas décadas e também as principais características do território chinês.

Revolução Chinesa


No início do século XX, a China era alvo dos interesses das grandes  potências imperialistas da época. Os Estados Unidos, o Japão e alguns países da Europa, como a França e o Reino Unido, desejavam dominar o território chinês em busca de recursos naturais para serem utilizados como matérias-primas em seus sistemas industriais em franca expansão e aumentar, assim, a influência deles no cenário econômico internacional.
Naquele período, a conjuntura interna da China era marcada por elevados índices de pobreza e pela grande concentração de renda entre as parcelas da população mais privilegiadas.
Em 1911, a dinastia Qing foi derrubada pelo movimento nacionalista chinês. Em seguida, grupos oposicionistas passaram a ser influenciados pelo contexto revolucionário da Revolução Russa (1917) e incorporaram os pensamentos e ideais comunistas, separando-se dos nacionalistas.
Em 1949, os comunistas chegaram ao poder e fundaram a República Popular da China. Liderado por Mao Tsé-Tung (1893-1976), o Partido Comunista Chinês deu início a uma revolução, marcada por uma série de reformas econômicas, sociais e políticas baseadas nos pilares comunistas, porém com características próprias chinesas. Uma das primeiras ações de Mao Tsé-Tung foi a realização da reforma agrária, por meio da distribuição de terras, as comunas populares.
Na década de 1950, o governo maoista passou a implementar os planos quinquenais, investindo em setores estratégicos e desenvolvendo economicamente o país. Em 1958, foi criado o plano estatal Grande Salto para a Frente, que, entre outras ações, permitiu a concentração de recursos nas indústrias, sobretudo nas de base, para torná-las um dos principais instrumentos de crescimento da economia chinesa.
A Era Mao também foi marcada pela Revolução Cultural (1966-1976), representada pela ampla difusão dos ideais comunistas com o intuito de eliminar os resquícios da China predominantemente rural e os movimentos a favor do capitalismo. Houve, naquele período, intensa perseguição e violência contra os opositores, especialmente artistas, professores e intelectuais contrários ao governo.


Políticas de desenvolvimento econômico no século XX


O desenvolvimento econômico da China foi aprofundado com a chegada ao poder de Deng Xiaoping (1904-1997), em 1978, após a morte de Mao Tsé-Tung. Ele iniciou um período de reformas sociais e econômicas destinadas a minimizar os efeitos da pobreza que assolava o país e aumentar a participação da China no cenário econômico internacional.
A renovação econômica foi uma das primeiras medidas adotadas por Deng Xiaoping. Por meio do plano denominado “quatro modernizações”, uma série de recursos financeiros foi destinada ao desenvolvimento dos grandes setores econômicos do país: agrícola, industrial, militar e tecnológico.
Um dos objetivos era aumentar o sistema produtivo, diversificando os parques industriais e abrindo sua economia ao mercado externo. Para isso, o governo passou a implantar as Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) no território, concedendo diversos subsídios a fim de atrair as empresas estrangeiras para se instalarem no país. Muitas corporações internacionais passaram a fabricar seus produtos na China, pois, além dos benefícios concedidos pelo governo, encontravam também mão de obra barata e fontes de matéria-prima para a produção, que baixavam os custos das empresas estrangeiras.
Em contrapartida, estas transferiam o conhecimento e as tecnologias utilizadas na fabricação dos produtos para as empresas chinesas. Esse mecanismo colaborou para o desenvolvimento das empresas locais, permitiu a entrada de recursos financeiros externos e diminuiu a dependência econômica e tecnológica da China em relação ao mercado internacional.
A partir de 1990, a China passou a exportar produtos industriais de baixo valor no mercado e a importar produtos com elevado uso de tecnologia, aumentando sua participação no comércio internacional.
No setor agropecuário, o plano das quatro modernizações previa melhorar a produtividade no campo. As primeiras medidas foram o fim das comunas populares e a implantação de um novo sistema rural. Com essa mudança, o Estado chinês ainda preservava a posse da terra e a posição de principal comprador da produção agrícola, mas as famílias rurais passaram a ter mais liberdade quanto à gestão dos cultivos e à comercialização do excedente no mercado interno. As transformações estruturais no campo, associadas aos investimentos públicos em tecnologia e maquinário, contribuíram para um grande aumento da produção de alimentos. 
Esse panorama colaborou para a diminuição da fome e da pobreza nas áreas rurais e para o aumento da segurança alimentar no país.
As “quatro modernizações” previam também investimentos em ciência e tecnologia aplicados a setores estratégicos, como defesa e exploração de matérias-primas e recursos energéticos para abastecer os parques industriais e as áreas urbanas que cresciam no país. 
Além da implantação de infraestruturas de transportes e comunicação, aquele período foi marcado pela diversificação da matriz energética, destinando recursos para as atividades de exploração de carvão mineral e petróleo e para a construção de grandes usinas nucleares e hidrelétricas, como Três Gargantas, localizada no interior do país.

Território e recursos naturais


O território chinês ocupa 9 600 milhões de km2². A China é o terceiro país mais extenso do mundo, atrás da Rússia e do Canadá.
De acordo com dados de 2020, as maiores cidades da China são Xangai, centro financeiro do país, a capital Beijing, Xunquim e Tianjin. Todas têm, atualmente, mais de 13 milhões de habitantes e, do ponto de vista administrativo, estão no mesmo nível hierárquico das províncias.
A China também é constituída por duas Regiões Administrativas Especiais: Hong Kong e Macau.
Elas têm autonomia política e se diferem do restante da China por adotarem o sistema multipartidário – não baseado na existência de um único partido –, aplicarem leis próprias e estabelecerem relações comerciais particulares com outros países.
Apesar de a China ser rica em recursos naturais, sua exploração é insuficiente em razão da alta demanda provocada pelo setor industrial e pelo abastecimento das populosas cidades. Assim, o país é obrigado a importar recursos minerais e energéticos especialmente de países africanos e sul-americanos.

Setor primário


Além da exploração de recursos minerais, o setor primário da China é composto de agricultura, pecuária, pesca, entre outras atividades, cuja elevada produtividade é resultado dos enormes investimentos do governo em ciência, inovação e tecnologia. Atualmente, o país está entre os maiores produtores e consumidores agrícolas do mundo e tem o grande desafio de garantir a segurança alimentar de sua enorme população.
A maior parte da produção está concentrada nas porções norte e nordeste, com destaque para os grãos, como soja, milho e trigo, e a silvicultura.
Há uso de diferentes tecnologias e maquinários para elevar a produtividade. Nas áreas costeiras e nas planícies fluviais, ocorre a pesca. Os solos férteis dessas áreas colaboram para o estabelecimento de cultivos diversificados, especialmente de frutas e hortaliças, além do algodão, importante matéria-prima da indústria têxtil.
As pastagens e o cultivo de chá ocorrem predominantemente na região central, e o arroz e a cana-de-açúcar se concentram nas áreas mais quentes e úmidas do sudeste do país. Na região do Tibete há criação de ovinos.
Além de ser o maior consumidor de grãos, a China se destaca como importante produtor de carnes, especialmente suína. Destaca-se também o crescimento vertiginoso da produção e do consumo de ovos, laticínios e café no país.
Esse panorama diversificado revela que o governo tem interesse em suprir a demanda interna. Porém, a China ainda é obrigada a importar diversos produtos, como a soja e a carne bovina brasileiras.
O setor primário enfrenta desafios ligados ao meio ambiente, como a degradação do solo e da água. O uso excessivo dos recursos naturais, de agrotóxicos e de demais insumos químicos para o desenvolvimento das atividades agropecuárias é o principal fator de contaminação.

Indústria e tecnologia


Atualmente, a China se insere no cenário econômico como o maior produtor industrial do mundo, com participação na produção total de 31,2% em 2020. O país alcançou essa posição com as políticas de investimentos públicos, como os planos quinquenais, a partir da década de 1950, nos diferentes setores industriais, além do campo da tecnologia, ciência e inovação.
Seu parque industrial é bastante diversificado e se concentra nas regiões centrais e costeiras, de norte a sul do país. Além de estar presente nas áreas mais adensadas, próximo aos grandes centros consumidores, o setor industrial ocupa significativas parcelas do litoral a fim de facilitar o escoamento dos produtos manufaturados para outros países.
Atualmente, a produção industrial chinesa inclui bens da indústria de base, como petroquímicas; de produtos transformados de baixa tecnologia; de máquinas, roupas e calçados; de produtos alimentícios e bebidas; de equipamentos esportivos; de eletrodomésticos; de medicamentos; de automóveis e embarcações; e de dispositivos eletrônicos sofisticados.
Há algumas décadas, a China vem investindo grandes recursos nas instituições de ensino e pesquisa do país como um instrumento para manter os níveis elevados de crescimento econômico. 
Com essa política de inovação tecnológica e industrial, o país busca se inserir no grupo dos líderes mundiais da indústria 4.0 nas próximas décadas.
A existência de mão de obra numerosa, barata e disciplinada foi um dos fatores que contribuíram para a instalação de empresas estrangeiras nas Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) e o consequente desenvolvimento industrial e tecnológico verificado no país nas últimas décadas.
Grande parte da mão de obra era proveniente das áreas rurais e possuía baixa qualificação profissional. O acelerado êxodo rural colaborou para o crescimento acentuado das grandes cidades, especialmente as localizadas na porção leste do país.
Desde a década de 1980, as condições de trabalho vêm sendo transformadas por meio de grandes investimentos em educação e em qualificação da mão de obra, de fortalecimento da legislação trabalhista e de aumento da produtividade e dos salários. No entanto, o país ainda não tem uma rede de proteção dos direitos dos trabalhadores, como a dos países da Europa, por exemplo.
A questão ambiental é outro desafio, já que o país é o maior emissor de CO2 do mundo. As grandes cidades chinesas, especialmente as localizadas próximo aos parques industriais, sofrem com elevados níveis de poluição, decorrentes do uso do carvão mineral. Os rejeitos industriais também são responsáveis pela contaminação das águas e dos solos, prejudicando a saúde da população que vive no entorno.

China: a grande potência da atualidade


Em 2021, a China lançou o módulo principal da sua própria estação espacial, revelando que não só emergiu como uma das maiores economias mundiais, mas também como uma importante potência no campo da tecnologia, ciência e inovação. A Estação Espacial Chinesa (CSS, sigla em inglês) é um dos planos ambiciosos do país e consiste em realizar pesquisas científicas explorando o Sistema Solar para, assim, desenvolver o setor aeroespacial.
A transformação das áreas urbanas em cidades inteligentes e sustentáveistambém tem sido um projeto colocado em prática nos últimos anos. 
Em 2020, Xangai foi reconhecida internacionalmente pela implantação de sistemas inteligentes que fornecem, por exemplo, informações sobre as condições da rede de transporte público aos órgãos responsáveis pela administração.
A China se tornou uma grande potência no atual sistema internacional também no campo político. Como estratégia para ampliar suas áreas de influência, o país vem estabelecendo relações diplomáticas com diversos outros por meio de seu poderio econômico-financeiro. 
Países da África, da América Latina, da Ásia e do Oriente Médio têm recebido recursos financeiros, empréstimos e investimentos diretos dos chineses para o desenvolvimento de projetos locais. Em troca, a China tem acesso às fontes de matérias-primas e aos mercados locais desses países, além de apoio nas questões internacionais.

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...