Quando se ouve falar em regiões polares, as pessoas logo imaginam lugares
com temperaturas baixíssimas. De fato, essas são as porções mais frias do planeta e abrigam grande variedade de espécies animais e vegetais. São regiões
ainda pouco conhecidas, mas já se sabe que são ricas em recursos minerais e
energéticos fósseis.
O planeta Terra possui duas regiões polares, assim chamadas por abrangerem áreas ao redor dos polos geográficos Norte e Sul do planeta.
A região polar ártica é delimitada pelo Círculo Polar Ártico, no extremo norte do planeta. Essa região é caracterizada pela existência de um manto de gelo oce ânico (ou seja, uma calota de gelo sobre o oceano), rodeado pelo Oceano Glacial Ártico e por terras continentais da Europa, Ásia e América do Norte.
Já a região polar antártica é delimitada pelo Círculo Polar Antártico, no extremo sul do planeta. Essa região é marcada pela presença de um continente chamado Antártida, coberto e rodeado por um extenso manto de gelo.
As regiões polares correspondem às áreas localizadas no interior e próximas
ao Círculo Polar Ártico, ao norte do planeta, e do Círculo Polar Antártico, ao
sul. Nelas encontram-se, respectivamente, o Polo Norte e o Polo Sul terrestres.
Por causa da forma arredondada da Terra, os raios solares incidem com pouca
intensidade nessas regiões, que têm as temperaturas médias mais baixas do
globo, nunca superiores a –10 °C no inverno.
Além disso, a falta de umidade atmosférica nas regiões polares deixa o ar
bastante seco, reduzindo as precipitações, que, quando ocorrem, são em forma
de neve.
Nas regiões polares, as baixas temperaturas
congelam grande parte da superfície das águas oce
ânicas. As águas congeladas formam banquisas,
cuja área de abrangência aumenta no inverno e
diminui no verão.
Outra característica natural importante des
sas regiões é a formação de inlândsis, camadas
espessas de gelo constituídas pela compactação
de neve sobre a terra que podem chegar a 4 mil
metros de espessura. No litoral, as inlândsis des
lizam sobre o oceano, partindo-se em grandes
blocos de gelo que flutuam no mar: os icebergs.
As grandes camadas de gelo e as características climáticas polares, no entanto, não impedem
o desenvolvimento da fauna e da flora. Especial
mente no verão, quando ocorre degelo em algu
mas áreas, bandos de aves migratórias e mamí
feros dirigem-se às regiões polares para procriar.
É também nessa época que se desenvolvem os
musgos e liquens que recobrem os solos e as
rochas.
Os oceanos nas regiões polares abrigam gran
de diversidade de formas de vida, como algas,
corais, camarões, diferentes espécies de baleias
e peixes. Boa parte desses seres vivos ainda está
sendo estudada por pesquisadores.
Principais características naturais
das regiões polares
Em razão da curvatura terrestre e da baixa incidência dos raios solares nas áreas
de elevada latitude, as temperaturas nas regiões polares da Terra permanecem baixas durante todo o ano e as precipitações ocorrem na forma de neve.
Na Antártida, o solo coberto por gelo e a baixa umidade do ar praticamente
impedem a existência de cobertura vegetal, a qual é composta de algumas espécies
de liquens e musgos. Pinguins, peixes, focas e baleias são algumas das espécies
que compõem a fauna antártica. No entanto, as cadeias alimentares na região
são sustentadas por um pequeno crustáceo chamado krill.
No Ártico, embora as formações da vegetação não se desenvolvam sobre a
calota polar, as partes de terras continentais são marcadas pela presença da vegetação de tundra, composta de líquens, musgos e alguns arbustos.
O caribu, a
raposa-do-ártico, o lobo-do-ártico e o urso-polar são alguns dos animais da fauna
do ártico, que também abrange baleias e outras espécies marinhas.
A população do Ártico
Enquanto na Antártida inexistem habitações permanentes, o Ártico abriga em algumas cidades diversos povos nativos. No entanto, as condições naturais desafiam a sobrevivência humana e, por isso, as pessoas precisaram encontrar meios para se adaptar à região.
As terras geladas do Ártico são habitadas há cerca de 4 mil anos por diferentes grupos humanos: os inuítes, na zona costeira e nas ilhas do extremo
norte da América; os lapões, no norte da Europa; e alguns povos no norte da
Rússia (évènes, sakhas, chuckchis, entre outros). Esses povos nativos, tradicio
nalmente nômades, viviam isolados em pequenos grupos e dependiam basicamente da caça e da pesca.
Entre os povos que compõem a população no Ártico, os inuits constituem um dos principais, ocupando partes da região entre o Estreito de Bering e a Groenlândia.
No entanto, a maneira como grande parte dos inuits vive atualmente no Ártico não se assemelha ao modo de vida de seus antepassados, que eram nômades e cuja manutenção da vida era garantida pela caça, sobretudo de mamíferos, no verão.
Por volta da década de 1950, iniciou-se o povoamento mais intenso da região
ártica, sobretudo após a descoberta de grandes jazidas minerais e de petróleo.
A exploração desses recursos atraiu imigrantes do sul, proporcionando o surgimento de povoados e cidades, além de atividades industriais, de comércio e de
serviços. Tudo isso modificou o espaço ártico e a vida dos habitantes nativos,
rompendo o isolamento da região.
Atualmente, as principais atividades econômicas no Ártico estão relacionadas à pesca e à extração de recursos minerais e energéticos fósseis. Esses
recursos são transportados por oleodutos, gasodutos e navios, e destinados
principalmente aos Estados Unidos, ao Canadá, à Rússia e a alguns países
europeus.
A ampliação de atividades econômicas voltadas para o comércio trouxe significativas transformações no
espaço geográfico da região ártica, afetando o modo de vida das populações nativas.
Povos do Ártico: mudança nos costumes e tradições
As transformações ocorridas no espaço geográfico do Ártico modificaram o
modo de vida dos povos nativos. As atividades econômicas levaram esses po
vos, que antes viviam como nômades, a habitar cidades ou povoados e a traba
lhar em atividades industriais, comerciais, de serviços ou, ainda, na mineração,
pecuária ou na pesca (atualmente praticada com modernas embarcações).
Entre os povos nativos do Ártico destacam-se os inuítes e os lapões. O povo inuíte vive em áreas do norte da América
e na Groenlândia, constituindo um grupo de pouco mais de 135 mil pessoas.
Tradicionalmente nômades, os inuítes viviam em pequenos grupos, e caçavam
e pescavam apenas o necessário para sobreviver. Contudo, após passarem a
residir em cidades e povoados, a maioria deles se tornou sedentária e usuária
de novas tecnologias.
Já os lapões formam uma comunidade de cerca de 80 mil pessoas, divididas
em diferentes grupos que habitam os territórios do norte da Finlândia, Suécia,
Noruega e Rússia.
Antigamente, os lapões viviam em barracas de couro e sua subsistência de
pendia, em grande parte, da caça, da pesca e do pastoreio nômade. Atualmente, assim como os inuítes, muitos habitam povoados e se dedicam principal
mente à criação extensiva de renas.
Tanto os lapões quanto os inuítes lutam por direitos sobre os territórios
que habitam. O governo canadense, por exemplo, após sofrer muitas pressões,
cedeu uma área de 2 milhões de km2 a um grupo de inuítes daquele país, a fim
de que usufruam os recursos do local. Para defender seus interesses, é necessário que os líderes inuítes busquem novas e fortes representações políticas no
governo dos países em que vivem.
A economia do Ártico
Enquanto a exploração dos valiosos recursos minerais do subsolo antártico não
é permitida sob o Tratado da Antártida, a exploração econômica dos recursos do
ártico já se encontra em andamento e tem grande potencial, embora esteja relacionada a diversos impactos ambientais.
Nos dias atuais, embora a caça e a pesca comercial de determinadas espécies
de mamíferos marinhos estejam proibidas, parte dos povos nativos pode continuar capturando esses animais apenas para sua subsistência.
A partir de meados do
século XX, contudo, a economia tradicional dos povos nativos passou a conviver
cada vez mais com atividades econômicas modernas.
Isso ocorreu, principalmente, em razão da descoberta de grandes jazidas minerais e de petróleo na região, que atraiu muitas empresas extrativas, que, por sua
vez, acabaram por impulsionar a expansão urbana e a infraestrutura regional,
incentivando a vinda de imigrantes para a região.
Esquimó
O nome esquimó, designação indígena para
“comedores de carne crua”, deriva do costume dos
nativos de comer carne de mamíferos marinhos
sem cozinhá-la. No entanto, especialmente nos
últimos vinte anos, grande parte dos costumes do
povo esquimó, que prefere ser chamado de inuíte,
passou por muitas modificações.
A caça de focas e baleias foi substituída pela
importação de carnes bovina, suína e de aves, que
passaram a ser cozidas. Os iglus (habitações feitas
de gelo) foram trocados por casas de madeira com
calefação, água encanada e luz elétrica. Os novos
costumes trouxeram comodidades; no entanto,
vieram acompanhados de problemas como de
semprego e criminalidade.
Antártica
A região polar sul tem extensa área de terras formada pela Antártica, continente com cerca de 13 milhões de km2. No inverno, essa área aumenta devido ao
congelamento da superfície oceânica à sua volta, chegando a 19 milhões de km2.
Embora o congelamento máximo ocorra no inverno polar, a maior parte do
solo antártico permanece coberta por espessas camadas de gelo (as inlândsis)
durante o ano todo. Estima-se que as geleiras que cobrem o continente
concentrem cerca de 70% das reservas de água doce do planeta.
As temperaturas médias na região polar sul são mais baixas que as da re
gião polar norte e também as menores da Terra. No verão, são inferiores a 0 °C;
no inverno podem chegar a – 80 °C em alguns lugares.
Imenso laboratório de pesquisas
A Antártica não é povoada como o Ártico; nela
vivem somente pesquisadores de diferentes nacio
nalidades. Nas bases científicas são feitas pesquisas
que beneficiam diversas áreas do conhecimento,
como Biologia, Geologia e Climatologia.
A ocupação desse território é regulamentada
desde 1961, quando foi ratificado o Tratado
Antártico.
Com ele decidiu-se que o continente não per
tenceria a nenhum país, sendo liberadas apenas
pesquisas com fins pacíficos e proibidos testes nucleares, depósitos de lixo radioativo e exercícios
militares na região.
Além dessas resoluções, foram proibidas atividades econômicas extrativas, com exceção
da pesca, permitida no oceano. Estima-se que
na Antártica existam importantes reservas de
petróleo, além de ouro, prata, urânio, manganês,
cobre, entre outros minérios. Todas as medidas
de proibição visam proteger o ambiente polar,
que abriga aproximadamente 50 espécies de aves,
leões-marinhos, baleias, focas, entre outros ani
mais de sua riquíssima fauna.
Regiões polares: meios frágeis
Embora muitos acreditem que, em razão de seu isolamento, as regiões po
lares não seriam afetadas pelas alterações ambientais provocadas pelos seres
humanos habitantes de distantes centros urbanos e áreas mais povoadas do
planeta, algumas constatações têm alertado a humanidade para essa questão.
A caça e a pesca predatórias ameaçam um número cada vez maior de espécies animais polares, que em pouco tempo podem correr o risco de extinção.
Algumas espécies de focas do Ártico, por exemplo, são muito procuradas pelo
alto valor de sua pele, enquanto as baleias têm sido caçadas por sua carne,
muito apreciada em países como o Japão.
Outros sérios problemas que afetam as regiões polares são o efeito estufa
intensificado e o buraco na camada de ozônio. O efeito estufa é um fenômeno natural que mantém as temperaturas da troposfera em médias ideais
para a existência de vida na Terra. Contudo, a intensificação desse fenômeno
decorrente do lançamento excessivo de certos gases na atmosfera pelas atividades humanas – como dióxido de carbono e metano, que absorvem parte da
radiação solar refletida pela superfície terrestre –, que causa retenção de calor
e aumenta a temperatura do planeta, é chamada de aquecimento global.
Muitos cientistas alertam que esse aumento da temperatura pode atingir a
fauna das regiões polares. Na Antártica, por exemplo, o pequeno krill, crustáceo
que é a base da cadeia alimentar do ambiente, tem dificuldades de se adaptar
a águas menos geladas, o que pode diminuir sua população. O aquecimento da
água, portanto, interferiria na dieta de pinguins e de outros animais, levando-os
à mudança de hábitos alimentares e prejudicando, consequentemente, muitas
outras espécies.