sábado, 2 de maio de 2026

Animais invertebrados

Os invertebrados correspondem a mais de 95% das espécies conhecidas de animais. Eles apresentam uma grande diversidade, com representantes de forma e tamanho variados, e são encontrados em praticamente todos os ambientes do planeta. Para classificar essa diversidade, muitos critérios são utilizados, principalmente o tipo de organização corporal. 
Assim, os grupos são formados, em geral, por organismos mais assemelhados, que compartilham características exclusivas do grupo. É importante considerar que a semelhança pode refletir o grau de parentesco e a existência de um ancestral comum entre os seres.

SIMETRIA 


A simetria corporal é determinada quando o corpo de um ser vivo é dividido por um plano imaginário que passa pelo seu eixo central, resultando em duas partes iguais. Se o corpo é dividido por um único plano, a simetria é bilateral; se ele puder ser dividido em vários planos, a simetria é radial. 
Várias características do animal, como a locomoção, estão relacionadas ao seu tipo de simetria. Em geral, organismos que se locomovem livremente apresentam simetria bilateral, e animais sésseis, ou seja, que vivem presos a um substrato, apresentam simetria radial.
Portanto, o tipo de simetria é um dos critérios utilizados na classificação dos animais.
(A)

(B)
(A) A anêmona-do-mar apresenta simetria radial. Note que há mais de um plano de corte produzindo duas metades iguais. (B) A lagosta é bilateralmente simétrica, ou seja, apenas um plano de corte a divide em duas metades iguais. 

PORÍFEROS 


Popularmente conhecidos como esponjas, os poríferos são encontrados apenas em ambientes aquáticos, especialmente em águas salgadas. São conhecidas cerca de 8 mil espécies desse grupo. 
Esponjas do gênero Agelas sp. no litoral de Honduras, na América Central.

O nome do grupo se refere à presença de inúmeros poros na parede corporal desses animais. O formato do corpo varia bastante; os mais simples assemelham-se a um vaso. Não há
órgãos ou tecidos verdadeiros.
Os adultos não se locomovem e, geralmente, vivem presos a um substrato, como rochas ou recifes de coral.

CNIDÁRIOS 


Os cnidários são animais aquáticos com estrutura corporal bastante simples, mas possuem agrupamentos de células semelhantes entre si, organizadas em tecidos verdadeiros. 
O nome do grupo se refere à presença de cnidócitos, células que liberam toxinas com funções de defesa e captura de alimentos. São conhecidas cerca de 10 mil espécies de cnidários, que apresentam duas formas básicas: medusas e pólipos. 
Os pólipos geralmente vivem presos a um substrato, ao passo que as medusas podem se locomover livremente. Muitos cnidários têm alternância entre as duas formas corporais durante seu ciclo de vida, mas algumas espécies apresentam exclusivamente uma dessas formas. 
O corpo dos cnidários apresenta uma pare de corporal delimitando a cavidade gastrovascular, que se abre em uma boca. Os tentáculos, geralmente localizados ao redor da boca, são prolongamentos da parede corporal. Não há um esqueleto sustentando o corpo.
Células nervosas coordenam o movimento dos tentáculos, que capturam as presas. Os cnidócitos, abundantes nos tentáculos, liberam toxinas que podem paralisar e até matar a presa. Uma vez dentro do corpo, o alimento é digerido parcialmente na cavida de gastrovascular. A digestão é finalizada no interior de células especiais, e os resíduos da digestão são eliminados pela boca. 
As trocas gasosas dos cnidários são feitas diretamente pelas células corporais.
Anêmona da espécie Bolocera tuediae, um exemplo de pólipo. 


Água-viva da espécie Olindias formosus, um exemplo de medusa.


PLATELMINTOS 


Os platelmintos têm corpo maciço e achatado. Seu tamanho varia de 1 milímetro a vários metros de comprimento, dependendo da espécie. 
Como outros invertebrados alongados e de corpo mole, são popularmente conhecidos como vermes. São animais com simetria bilateral. O sistema nervoso dos platelmintos é pouco desenvolvido. Em geral, apresentam tubo digestório incompleto, sem ânus. Algumas espécies são parasitas e não têm sistema digestório, absorvendo nutrientes direta mente do hospedeiro. 
As trocas gasosas ocorrem diretamente entre as células e o meio externo. Os platelmintos não têm esqueleto. 
A sustentação é feita pelos músculos da parede do corpo e pelos líquidos internos. A locomoção em geral é feita por rastejamento.
Há cerca de 20 mil espécies conhecidas de platelmintos, a maioria de vida livre, habitando ambientes aquáticos ou ambientes terrestres úmidos. Alguns platelmintos são parasitas e vivem no corpo de animais hospedeiros. 
A tênia e o esquistossomo são platelmintos parasitas de humanos. Para se prevenir contra as doenças causadas por esses animais, é fundamental a adoção de medidas de saneamento básico e hábitos adequados de higiene e preparo dos alimentos.

As planárias do gênero Diversibipalium sp. são terrestres.


NEMATÓDEOS 


Assim como os platelmintos, os nematódeos são popular mente conhecidos como vermes. Eles têm o corpo alongado e cilíndrico, com uma cavidade interna cheia de líquido. Atual mente, são conhecidas cerca de 25 mil espécies de nematódeos. 
As espécies podem ser de vida livre e viver em ambientes aquáticos ou em ambientes terrestres úmidos. Algumas espécies são parasitas de outros animais ou plantas. A lombriga (Ascaris lumbricoides), causadora da ascaridíase, e o Ancylostoma duodenale, causador da ancilostomose, são exemplos de nemátodos parasitas do ser humano.

A lombriga pode atingir mais de 30 cm de comprimento.

Parte anterior do corpo do Ancylostoma. As estruturas pontiagudas na boca permitem a fixação desse animal no intestino humano. Foto ao microscópio eletrônico, imagem colorizada, aumento de cerca de 200 vezes.


Os nematódeos têm simetria bilateral. Na região anterior do corpo, encontram-se um anel nervoso, que desempenha funções semelhantes a um cérebro pouco desenvolvido, e os principais órgãos sensoriais. O tubo digestório é completo, com duas aberturas: boca e ânus. Os gases respiratórios atravessam diretamente a parede corporal. 
O corpo é recoberto por um tecido flexível e resistente chamado cutícula. A parede do corpo apresenta músculos que permitem os movimentos e a locomoção. A sustentação é feita em conjunto pela cutícula, pelos músculos e pela cavidade corporal. 

INVERTEBRADOS MAIS COMPLEXOS


MOLUSCOS 


Os moluscos são animais de corpo mole, geralmente cober to por uma concha rica em calcário. A concha é produzida por uma camada de células, chamada manto, que envolve o corpo desses animais. Em algumas espécies, a concha pode ser interna, ou mesmo estar ausente. 
O grupo dos moluscos é formado por mais de 90 mil espécies, encontradas principalmente em ambientes marinhos, mas também em ambientes terrestres e de água doce. Os biólogos reconhecem a existência de sete subgrupos, dos quais serão apresentados os três mais conhecidos.

GASTRÓPODES 


Maior grupo entre os moluscos. A maioria dos gastrópodes é coberta por uma concha externa e espiralada, como os caracóis e os caramujos. Algumas espécies aquáticas e terrestres não têm concha e são popularmente denominadas lesmas. A cabeça é bem desenvolvida e a boca apresenta uma estrutura para raspar o ali mento, denominada rádula. A locomoção é feita por rastejamento.


Os escargots (Helix aspersa) são exemplos de gastrópodes comestíveis. Muitas espécies de moluscos são de interesse econômico, por seu uso na alimentação, por seus impactos na
agricultura, entre outros fatores.

Anatomia interna Apesar da variedade de formas, há um padrão na organização corporal dos gastrópodes, com três regiões: cabeça, massa visceral e pé. Vamos usar um caracol como exemplo. O tubo digestório é completo, com boca e ânus, e os hábitos ali mentares são muito variados: há espécies filtradoras, herbívoras e algumas são predadoras eficientes. 
O sistema nervoso é formado por um anel nervoso, que funciona como um cérebro, nervos e órgãos sensoriais e pode ser muito desenvolvido em alguns grupos, especialmente nos predadores. 
O sistema circulatório é formado por coração e vasos sanguíneos, e o sistema respiratório pode ser branquial nas espécies aquáticas e pulmonar nas espécies que vivem em ambientes terrestres.

BIVALVES 


Os bivalves são moluscos aquáticos. Suas conchas são formadas por duas partes, articuladas entre si. Em geral, vivem fixos a um substrato, onde filtram a água para alimentar-se. Alguns conseguem se locomover expulsando a água do corpo, de forma que o jato de água impulsione o animal. As ostras, os mexilhões e os mariscos pertencem a esse grupo.

Mexilhões do gênero Mytilus sp. são bivalves que vivem presos às rochas na zona de arrebentação das ondas do mar.

A lula-mansa (Loligo forbesii) é uma das espécies de cefalópodes usadas na alimentação humana. 

CEFALÓPODES 


Os cefalópodes constituem um grupo exclusivamente marinho, do qual fazem parte os polvos, as lulas, as sépias e os náutilos. Dota dos de cérebro bem desenvolvido, esses animais são predadores e excelentes nadadores. Podem não ter concha ou apresentar concha reduzida e interna. O pé dos cefalópodes é modificado em tentáculos ou em braços. Muitas espécies são conhecidas pela capacidade de mudar de cor, confundindo-se com o substrato. 

ANELÍDEOS 


Os anelídeos são um grupo de animais que podem ser encontrados em ambientes aquáticos (marinhos e de água doce) e terrestres. O corpo desses animais é dividido em anéis, característica que dá nome ao grupo. O corpo da maioria das espécies é alongado e cilíndrico, coberto por cerdas – estruturas pontiagudas que auxiliam na locomoção e na defesa desses animais. Existem cerca de 17 mil espécies de anelídeos conhecidas, a maioria de vida livre. Minhocas, poliquetos e sanguessugas são exemplos de anelídeos.
Via de regra, os anelídeos são filtradores ou comedores de detritos. A minhoca, por exemplo, se alimenta do material orgânico presente na terra que ela ingere enquanto cava galerias no solo. 
Entre o tubo digestório e a parede corporal dos anelídeos, há uma cavidade cheia de líquido. Quando a musculatura se contrai, o líquido é pressionado, deixando o corpo do animal túrgido – como um balão cheio de ar. Essa turgidez e o apoio oferecido pelas cerdas favorecem sua locomoção. 
O sistema circulatório dos anelídeos é fechado, ou seja, o líquido corporal é bombeado pelo coração diretamente para os vasos sanguíneos e retorna ao coração. As trocas gasosas ocorrem pelas brânquias, nas espécies aquáticas, ou diretamente pela superfície corporal, nas espécies terrestres.

Alitta virens, um poliqueto marinho. Os poliquetos são um grupo de anelídeos aquáticos que têm muitas cerdas na lateral do corpo. A maioria das espécies rasteja no fundo arenoso ou enterra-se na areia.

ARTRÓPODES 


Os artrópodes formam o grupo mais diversificado de animais: são conhecidas mais de 1 milhão de espécies. Artrópode significa “pés articulados”. São características desse grupo a presença de: 
•esqueleto externo formado por quitina, um material im permeável e resistente que protege o corpo e fornece sus tentação para a musculatura do animal; 
•pernas articuladas, que atuam como alavancas, tornando a locomoção muito eficiente. 
Os artrópodes têm tubo digestório completo, simetria bilateral e sistema nervoso e sensorial bem desenvolvidos. O sistema circulatório é aberto, e a respiração pode variar de traqueal a branquial, dependendo do ambiente em que vivem.

CRUSTÁCEOS 


Os crustáceos apresentam exoesqueleto rígido, impregna do por cálcio, e corpo geralmente dividido em duas regiões: o cefalotórax – união entre a cabeça e o tórax – e o abdome. Esses animais têm dois pares de antenas e um número variável de pernas. 

Representação da estrutura corpórea do camarão. As pernas desse animal se distribuem na região cefalotorácica e na região abdominal.

Camarões, pitus, lagostas e siris são exemplos de crustáceos aquáticos. Os tatuzinhos-de-jardim e alguns caranguejos são exemplos de crustáceos terrestres. Todos respiram por brânquias. 
Os crustáceos têm hábitos alimentares variados: há espécies predadoras, espécies que se alimentam de detritos e espécies que se fixam a rochas, animais ou embarcações e filtram o alimento da água. 
Já os microcrustáceos vivem suspensos na água dos mares e dos oceanos e podem alimentar-se de algas, de microrganismos e de partículas em suspensão. 

INSETOS 


São conhecidas cerca de 1 milhão de espé cies de insetos, a maioria vivendo em ambientes terrestres. O corpo dos insetos é tipicamente dividido em três partes: cabeça, tórax e abdo me. Características como asas, exoesqueleto quitinoso e impermeável, pernas articuladas e respiração traqueal representam eficientes adaptações para a vida terrestre. 
Os insetos exploram vários recursos alimentares, como madeira (cupins e besouros), folhas (formigas e grilos), detritos (besouros), líquidos corporais de animais (mosquitos, pulgas e piolhos) e de plantas (pulgões), néctar e pólen (abelhas e borboletas). Também há insetos carnívoros (joaninhas e louva-a-deus, entre outras).

Um inseto típico tem cabeça com olhos, aparelho bucal e um par de antenas. O tórax apresenta três pares de pernas e dois pares de asas. Alguns insetos, como as pulgas, não têm asas. Outros têm apenas um par de asas, como as moscas.

Durante seu desenvolvimento, algumas espécies de insetos passam por um ciclo de transformações corporais, a metamorfose. Assim, ocorrem três tipos de desenvolvimento nos insetos: 

metamorfose completa – do ovo eclode uma larva semelhante a um verme segmentado. Após um período de crescimento, a larva tece um casulo, se transforma em pupa e passa por uma profunda transformação, que resulta no indivíduo com a forma adulta. Borboletas, formigas e abelhas, por exemplo, passam por esse tipo de desenvolvimento. 

 • metamorfose incompleta – observada em baratas e libélulas, por exemplo. Os indivíduos jovens, denominados ninfas, eclodem dos ovos. São semelhantes aos adultos, porém desprovidos de asas e imaturos para a reprodução. Após um período de crescimento, as ninfas adquirem a forma adulta. 

desenvolvimento direto – ocorre nas traças. Não há estágio larval nem metamorfose. Do ovo, eclode um animal jovem, com formato corporal semelhante ao do adulto.

Representação dos tipos de desenvolvimento dos insetos. 

ARACNÍDEOS 


Aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos são os aracnídeos mais conhecidos. O corpo dos aracnídeos é dividido emcefalo tórax – ao qual se prendem quatro pares de pernas – e abdome. Os aracnídeos não têm antenas nem asas. 
 
Nephila clavipes, ou aranha-de-teia-dourada, comum nas cidades brasileiras. As teias são tecidas com fios de seda produzidos no abdome.

 
Escorpiões do gênero Tityus sp., como o da foto, são responsáveis por muitos acidentes com aracnídeos no Brasil.

Muitas espécies de aranhas constroem teias, que podem ser usadas para capturar presas ou envolver os ovos, por exemplo. As aranhas em geral são peçonhentas, ou seja, produzem veneno e são capazes de injetá-lo nas vítimas, mas poucas espécies, como a aranha-marrom, a viúva-negra e a aranha-armadeira, representam risco para o ser humano. 
Os escorpiões têm o abdome segmentado com um aguilhão na extremidade, que é usado para injetar veneno nas presas que eles caçam ativamente, em geral pequenos artrópodes. Os ácaros e carrapatos têm o abdome fundido ao cefalotórax. Embora alguns ácaros sejam inofensivos, muitas espécies são parasitas, como é o caso do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa. Ácaros microscópicos que vivem em meio à poeira das casas podem causar alergias respiratórias. 

MIRIÁPODES 


Os miriápodes são artrópodes com o cor po dividido em cabeça e tronco. Na cabeça, há um par de antenas e, em geral, olhos simples. As lacraias têm o corpo achatado e um par de pernas por segmento do tronco. Os gongolos ou piolhos-de-cobra têm o corpo cilíndrico e dois pares de pernas por segmento do tronco. 

Lacraias, como a da espécie Scolopendra polymorpha, são predadoras velozes que caçam ativamente larvas e pequenos artrópodes.

EQUINODERMOS

 
O termo equinodermo significa espinhos na pele, uma das principais características dos animais desse grupo, composto de cerca de 7 mil espécies de animais marinhos. As estrelas-do-mar, as bolachas-da-praia e os ouriços-do-mar são seus representantes mais conhecidos.

São características dos equinodermos: 

• simetria radial nos adultos na maioria das espécies; 

• esqueleto interno calcário; 

• sistema de tubos cheios de líquido (sistema ambulacral ou hidrovascular). Os canais do sistema ambulacral ter minam em pés que se apoiam no substrato. O líquido no interior dos canais pode ser bombeado para os pés, que se movimentam, permitindo o deslocamento do animal; 

• sistema nervoso formado por um anel de nervos em torno da boca, de onde partem nervos para as várias regiões do corpo do animal. Células sensíveis ao tato, à luminosidade e a certas substâncias químicas podem estar presentes na superfície corporal.

Esquema que representa a organização corporal de um ouriço-do-mar.

O hábito alimentar dos equinodermos é variado: as estrelas-do-mar, por exemplo, são predadoras de ostras e mexilhões, ao passo que os ouriços são herbívoros. Em geral, a boca desses animais situa-se na superfície que está em contato com o substrato, e o ânus situa-se na superfície corporal oposta. 
O desenvolvimento embrionário dos equinodermos apresenta semelhanças com o desenvolvimento dos animais vertebra dos, o que sugere que o grau de parentesco entre esses dois grupos pode ser maior do que o observado entre os vertebrados e os outros invertebrados.




Fotossíntese e respiração celular

Os animais e as plantas respiram


Respiração (ou respiração celular) é um processo em que a glicose (um tipo de açúcar) e o gás oxigênio são transformados em gás carbônico e água. Durante essa transformação é liberada energia, que é utilizada para o funcionamento do organismo e, quando é o caso, para o seu crescimento.
Os animais (entre os quais se incluem os seres humanos) e as plantas são exemplos de seres vivos que respiram, ou seja, que usam glicose e gás oxigênio para obter energia para sua sobrevivência. 
O gás oxigênio necessário à respiração é proveniente do ar, pois é um de seus componentes. Os animais obtêm a glicose ao ingerir alimentos que a contenham. Já as plantas produzem a glicose para seu próprio consumo.

 As plantas, além de respirarem, fazem fotossíntese 


As plantas produzem o açúcar de que necessitam. A produção de açúcar pela planta é denominada fotos síntese. Nesse processo, a planta consome água e gás carbônico, um gás presente no ar, e produz açúcar e gás oxigênio. O açúcar mais comumente produzido na fotossíntese é a glicose. 
A fotossíntese acontece quando, além de água e de gás carbônico, a planta recebe iluminação adequada. Energia proveniente da luz é transformada em outra forma de energia, a energia química, que é armazenada na glicose e será aproveitada quando essa glicose for usada na respiração.
Portanto, a água e o gás carbônico não são alimentos da planta. São substâncias empregadas por ela na produção de seu próprio alimento: a glicose. 
A luz também não é alimento para a planta. Ela fornece a energia necessária para que o processo de fotossíntese aconteça. 
A fotossíntese ocorre porque a planta apresenta, entre outros fatores, uma substância denominada clorofila, que capta a luz necessária ao processo. As plantas realizam fotossíntese e possuem clorofila.

Fotossíntese


Fotossíntese é o processo pelo qual alguns seres vivos produzem o próprio alimento. Esse processo usa a energia que vem do Sol (luz), gás carbônico e água como matéria-prima. Todo esse processo ocorre na presença do pigmento clorofila.
Quem realiza a fotossíntese? Os organismos conhecidos que fazem fotossíntese são: as plantas, as algas e as cianobactérias (do grego kyanos = therion = ‘azul'; bake = ‘pequeno bastão'; ‘animal'), um tipo de bactéria. Para um organismo realizar fotossíntese, ele deve ser capaz de utilizar o Sol como fonte de energia para produzir alimentos, o que, por sua vez, exige certas substâncias, como a clorofila.
Ou seja, o gás carbônico e a água, na presença da energia do Sol e da cloro fila existente nas partes verdes das plantas, sofrem transformações nas quais são produzidos o alimento da planta (glicose) e o gás oxigênio.

De onde vem o que é necessário para a fotossíntese? 


A água é fundamental para os seres vivos. As cianobactérias e as algas captam-na diretamente do meio aquático ou úmido em que vivem. 
Em grande parte das plantas aquáticas e terrestres, a água é absorvida pelas raízes – estrutura adaptada também para a absorção de nutrientes –, por meio de canais bem finos chamados vasos condutores de seiva, e segue pelo caule até chegar às folhas, às flores e aos frutos, quando estes existem. 
As raízes das plantas terrestres crescem na direção das partes mais úmidas do solo, o que facilita a absorção da água e dos nutrientes. Em algumas plantas muito pequenas, como os musgos, não há vasos condutores, e a água e os nutrientes passam de célula para célula.
O gás carbônico faz parte da composição do ar atmosférico. A maior parte das plantas é terrestre e, na fotossíntese, captura gás carbônico e libera gás oxigênio principalmente pelas folhas, onde ocorrem essas trocas gasosas. O gás carbônico existente no ar entra na folha através de minúsculas aberturas existentes nela, os estômatos, que só podem ser vistos com auxílio de microscópio. Já as algas, as cianobactérias e as plantas aquáticas que vivem submersas absorvem o gás carbônico que está dissolvido na água.
A fotossíntese ocorre nas folhas e em outras partes verdes, como o caule de algumas plantas. Nessas partes existe uma substância verde chamada clorofila (do grego khloros = ‘verde’; phycon = ‘folha’), que tem a propriedade de captar a energia luminosa do Sol. Plantas que não são verdes também têm clorofila; ela está com outros pigmentos que “escondem” a sua cor.
A energia do Sol é utilizada pela planta para produzir, na fotossíntese, a glicose, um tipo de açúcar. Os açúcares pertencem a um grupo de substâncias que chamamos carboidratos. 
Uma planta mantida permanentemente no escuro está impedida de fazer fotossíntese. Ela acaba morrendo, pois não consegue produzir glicose. 
Há situações em que a planta está iluminada, mas recebe pouca luz. Nessa condição de iluminação insuficiente, a quantidade de glicose produzida pode ser menor do que aquela de que a planta precisa. Ou seja, sem luz não há fotossíntese; com pouca luz a fotossíntese pode não ser suficiente para atender à necessidade de glicose que a planta tem.
Além da luz solar e da água, nutrientes como os carboidratos produzidos e os sais minerais absorvidos pelas raízes são necessários para o desenvolvimento das plantas e para a formação de substâncias como a clorofila.
A água é necessária para muitos processos vitais das plantas, entre eles a fotossíntese, que ocorre principalmente nas folhas. Quando regamos uma planta, colocamos a água na terra e não nas folhas. Então,  a raiz das plantas é capaz de absorver a água que está na terra. Dentro da planta há estruturas que atuam como pequenos “tubos” por onde essa água circula até chegar às folhas.

Carboidratos 


Os carboidratos, também chamados de açúcares (ou glicídios), são a principal fonte rápida de energia dos seres vivos. São principalmente de origem vegetal, encontrados em cereais, batata, mandioca, arroz, cenoura, beterraba, alimentos preparados e adoçados com o açúcar da cana, do mel, entre outros, sendo este último de origem animal. 
Alguns carboidratos desempenham funções diferentes no organismo: 
• atuam como substância de reserva de energia, como é o caso do amido nas plantas e do glicogênio nos animais; 
• funcionam como substância que dá estrutura para as plantas, como é o caso da celulose. 

Respiração celular: do alimento à energia 


Todos os seres vivos precisam de alimento para sobreviver. Entre outras funções, o alimento fornece a energia necessária para os seres vivos desempenharem todas as suas atividades. 
O processo de quebra do alimento para a disponibilização da energia é conhecido como respiração celular.
Pense nas seguintes situações: O que faz o motor do carro funcionar para que ele se movimente? E o que faz com que uma árvore ou um animal se mantenham vivos e cresçam? Para o motor de um carro funcionar, ele precisa de combustível (gasolina, etanol, etc.). 
Dentro do motor, o combustível e o gás oxigênio sofrem transformações, produzindo gás carbônico e água e liberando energia. E quanto à árvore? O combustível que a mantém viva e a faz crescer é a glicose. A glicose e o gás oxigênio sofrem transformações nas células, produzindo gás carbônico, água, entre outras substâncias, e liberando energia.
Embora os processos sejam diferentes, nos dois casos ocorre liberação de energia. O que ocorre no motor do carro é chamado combustão, e o que ocorre na árvore é chamado respiração celular.
Ou seja, a glicose e o gás oxigênio sofrem transformações químicas nas quais são produzidos gás carbônico e água. Nesse processo, a energia necessária para as atividades dos seres vivos é liberada.

Combustão, respiração celular e ventilação pulmonar 


Combustão. 

Quando você vê alguma coisa pegando fogo, costuma dizer que aquilo está queimando. Em outras palavras, está ocorrendo uma combustão. Frequentemente, é um pro cesso rápido, que libera grande quantidade de energia na forma de calor. Em geral, percebemos uma combustão pelo aparecimento de chama. 

Respiração celular. 

É um processo que acontece no interior das células dos seres vivos. Ocorre de maneira contínua e controlada, liberando energia de acordo com as necessidades do organismo. 

Ventilação pulmonar. 

É o ato de um animal inspirar (colocar para dentro) e expirar (co locar para fora) o ar de seus pulmões. O processo de entrada e de saída de ar nos pulmões (ventilação) é popularmente chamado respiração. Contudo, “respiração” é a denominação do processo de respiração celular, que só ocorre dentro das células.

De onde vem o que é necessário para a respiração celular? 

Para a maioria dos seres vivos, são necessários alimentos (o açúcar glicose) e gás oxigênio para que ocorra a respiração celular.

Alimentos 

• As plantas produzem o próprio alimento por meio da fotossíntese. 
• Os animais obtêm alimento ingerindo outros seres vivos, como plantas ou outros animais. 
• O alimento (glicose) e o gás oxigênio são utilizados na respiração celular para a obtenção de energia (liberada do alimento), com produção de gás carbônico e água. Isso ocorre em praticamente todos os seres vivos. 
• Em algumas bactérias e alguns fungos ocorre respiração celular, sem a utilização do gás oxigênio. 

Gás oxigênio 

• As plantas podem conseguir gás oxigênio pela fotossíntese ou diretamente do ambiente, por minúsculas aberturas em suas folhas, que permitem a entrada e a saída de gases. 
• As plantas aquáticas, além do gás oxigênio obtido na fotossíntese, obtêm o gás oxigênio dissolvido na água pelas raízes e o retiram do ar por meio dos poros de suas folhas emersas. 
• Os animais terrestres têm diferentes formas de obter gás oxigênio. Certos animais, como as minhocas, que vivem em ambientes terrestres úmidos, obtêm gás oxigênio do ar atmosférico pela pele. 
• Outros animais têm estruturas mais especializadas para captar gás oxigênio, como os pulmões dos moluscos terrestres (caracóis e lesmas) e a traqueia de insetos e de certas aranhas. 
• Alguns peixes, os anfíbios adultos (que também fazem trocas gasosas pela pele), os répteis, as aves e os mamíferos têm pulmões bem diferentes dos encontrados nos moluscos.
• Os animais aquáticos podem obter gás oxigênio dissolvido na água diretamente pela superfície do corpo, como no caso das esponjas, das águas-vivas, dos corais ou das sanguessugas; ou por meio de estruturas especializadas, como as brânquias, encontradas em crustáceos (siris, camarões, lagostas), em moluscos (polvos, lulas, mexilhões, ostras), em equinodermos (ouriços-do-mar) e na maioria dos peixes e nas larvas de anfíbios. Apesar de a estrutura ser chamada brânquia em todos esses grupos, ela difere bastante entre esses organismos.

Fotossíntese e respiração celular nas plantas 


Uma confusão muito comum é pensar que as plantas não respiram enquanto realizam fotossíntese. Na verdade, as plantas, assim como os animais, respiram o tempo todo: de noite e de dia, embora só realizem fotossíntese na presença de luz. 
Todos os seres vivos precisam da energia vinda da respiração celular para sobreviver. Por meio da fotossíntese, a planta produz seu alimento. Enquanto isso, a respiração celular utiliza o alimento produzido para obter energia. 
As cadeias alimentares começam sempre com os produtores, que, na maioria dos casos, são seres vivos que realizam fotossíntese. Os produtores fabricam o próprio alimento e podem ainda servir de alimento para os consumidores primários, os quais, por sua vez, podem servir de alimento para os consumidores secundários, e assim sucessivamente. Dessa forma, o alimento de onde se obtém a energia para a sobrevivência de todos os seres vivos vai passando de nível em nível no ecossistema.
O alimento, no caso a glicose, armazena energia; e, na quebra da glicose, pelo processo de respiração celular, a energia é liberada e usada para desempenhar todas as funções vitais de um ser vivo. A maioria dos seres vivos depende da fotossíntese. Todos nós dependemos da energia do Sol e, portanto, somos seus filhos. 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ecologia

O termo “Ecologia” foi empregado pela primeira vez em 1869 pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), que combinou a palavra grega oikos, que significa casa, com logos, que significa estudo. Ecologia, por tanto, é o estudo da casa dos seres vivos. Essa “casa” pode ser uma poça de água, a beira de um rio ou qualquer outro local na Terra onde haja vida.
Pense nas plantas e nos animais que você encontra em seu dia a dia. Como esses seres se relacionam entre si e com o ambiente em que vivem? 
Agora reflita sobre o clima no local em que você vive: há muitas chuvas fortes ou longos períodos de seca? Existem meses em que a temperatura é mais alta? 
Por causa do tamanho e também da localização do Brasil, podemos observar regiões com climas e paisagens muito diferentes umas das outras. 
Você já deve ter ouvido falar da Mata Atlântica, do Cerrado, do Pantanal Mato-Grossense, da Floresta Amazônica ou da Caatinga. Esses são exemplos de biomas brasileiros.

Cactos xiquexique no município de Cabrobó (PE), 2020. Essa região do Brasil costuma ter temperaturas mais altas o ano todo e longos períodos de seca.

Agora, vamos entender algumas das relações que existem entre os ambientes e seus elementos, como animais e plantas. O muriqui, por exemplo, é o maior macaco do continente americano. Ele é encontrado na Mata Atlântica, um dos ambientes com maior variedade de espécies do planeta. Essa floresta ocorre principal mente em partes próximas ao litoral do Brasil.

Vista aérea de trecho da Mata Atlântica localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu, em Paraty (RJ), 2021.
Em destaque, um muriqui-do-sul (também conhecido como mono-carvoeiro, atinge cerca de 50 cm de comprimento quando adulto, desconsiderando a cauda), espécie que pode ser encontrada nessa mesma reserva.

As relações que os seres vivos mantêm entre si e com o ambiente que habitam são estudadas por uma ciência chamada Ecologia. . Costuma-se dizer em Ecologia que todas as partes de um ambiente se relacionam. Isso significa que todos os seres vivos estabelecem relações entre si e com os recursos do ambiente, como a água, o ar e o solo. 
No caso dos muriquis, a Ecologia pode estudar, entre outras coisas: 
- as relações que um bando de muriquis tem com os outros seres que habitam a floresta; 
- como a extinção dos muriquis afetaria os outros seres do ambiente; 
- a influência do clima sobre esses animais.

Níveis de organização ecológica 


A Ecologia é um campo de estudo bastante abrangente. Ela envolve a observação e a análise da interação entre os fatores bióticos e os fatores abióticos. 
Os fatores bióticos são os seres vivos, sejam eles da mesma espécie ou de espécies diferentes, e os fatores abióticos são os elementos não vivos, como ar, água, temperatura, relevo, entre outros. Os fatores bióticos e abióticos estão em interação contínua.
Para facilitar os estudos, foram criados níveis de organização de seres vivos e ambiente, de forma hierárquica: biosfera, ecossistema, comunidade, população e indivíduo. Esses níveis de organização são importantes para delimitar os estudos em Ecologia, que podem ocorrer em diferentes níveis.

indivíduo
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população

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comunidade

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ecossistema

biosfera


Indivíduo 


Indivíduo é um representante de uma espécie. Por exemplo, cada capivara (nome comum), entre outras capivaras, é um indivíduo da espécie de mamífero Hydrochoerus hydrochaeris. 

População 


Indivíduos de uma mesma espécie que vivem em determinada área geográfica formam uma população. Por exemplo, as capivaras formam populações que vivem na beira dos rios do Pantanal. 

Comunidade 


As comunidades são compostas de populações de diversas espécies que vivem em uma mesma área geográfica. Por exemplo, as populações de capivaras, jacarés, tuiuiús e dourados formam a comunidade dos rios pantaneiros. Dessa comunidade fazem parte também outras populações.

Ecossistema 


O conjunto formado por uma comunidade e os fatores abióticos que a envolvem forma um ecossistema. 
Por exemplo, os fatores abióticos de um ecossistema na região do Pantanal Mato-Grossense são propícios à vida do tuiuiú (ave), do dourado (peixe), do jacaré (réptil) e de muitos outros animais, além das plantas, pois todos os seres vivos precisam de água, dos gases do ar e de nutrientes do solo. 
Um lago, um rio, uma floresta e até mesmo um aquário são considera dos ecossistemas. A vida dos seres vivos desse ecossistema depende também das relações alimentares que se estabelecem entre eles.

O aquário marinho do Rio de Janeiro (RJ) é um ecossistema artificial, pois depende da interferência humana para sua manutenção. Fotografia de 2020.

A região da Floresta Amazônica abriga diversos ecossistemas formados por flora e fauna características. Seu relevo e clima, com chuvas contínuas e temperatura elevada, compõem os elementos abióticos dos ecossistemas.

Biosfera


A biosfera é o conjunto de todos os ecossistemas da Terra, com interação constante entre os fatores que a compõem. Pode-se dizer que a biosfera é a região do planeta mais propícia a abrigar seres vivos no ar, na água ou no solo. Os limites precisos da biosfera ainda geram debate entre os cientistas, pois cada vez mais são catalogados seres vivos capazes de habitar ambientes extremos, denominados seres extremófilos.

Você consegue imaginar a importância de compreender essas relações? As informações obtidas por meio dos estudos em Ecologia nos ajudam a melhorar nossa relação com o ambiente. Entendendo como o ambiente funciona, podemos diminuir o impacto das ações humanas nos demais seres vivos. Além disso, todas as ações que protegem o ambiente protegem também nossa saúde e a das gerações futuras. 
A seguir, vamos conhecer alguns termos usados em Ecologia e entender como eles nos ajudam a explicar o que acontece com os seres vivos e o ambiente.

Espécie


As pessoas geralmente se encantam com filhotes de animais, como os de gatos e cães. Os filhotes de gatos, por exemplo, nasceram do dois gatos adultos. 

Gata adulta com filhotes. Os gatos adultos medem cerca de 40 cm de comprimento, desconsiderando a cauda.

Se chegarem à vida adulta, é muito provável que esses gatos consigam acasalar com outros gatos adultos, gerando filhotes. Quando um organismo é capaz de se reproduzir, dizemos que ele é fértil. Esse ciclo nos mostra que os gatos domésticos são todos da mesma espécie. 
As onças-pintadas são outro exemplo de espécie de animal: elas podem cruzar entre si e gerar filhotes férteis. Embora gatos e onças tenham muitas semelhanças, eles pertencem a espécies diferentes e não podem cruzar entre si e gerar descendentes férteis.

Onça-pintada (Panthera onca; cerca de 1,8 m de comprimento, desconsiderando a cauda) com filhote, em Cáceres (MT), 2017.

Podemos dizer, então, de maneira geral, que uma espécie é o conjunto de indivíduos que, na natureza, são capazes de cruzar entre si e gerar descendentes férteis. 
A onça-pintada é conhecida por diferentes nomes, dependendo da região do Brasil, entre eles: acanguçu, canguçu, jaguarapinima, jaguareté, jaguaretê e jaguaruçu. 
Em outros países da América do Sul, a onça-pintada é conhecida como jaguar. Com tantos nomes, como os cientistas que estudam esse animal podem se comunicar tendo a certeza de que estão se referindo a uma mesma espécie? Para possibilitar a comunicação e facilitar o estudo dos organismos, cada espécie recebe um nome científico, que é composto de duas palavras em latim (ou latinizadas, isto é, dá-se um formato em latim a uma palavra que não é latina).
O nome científico deve ser escrito sempre em itálico. Quando não for possível a escrita em itálico, as palavras devem ser sublinhadas. A primeira palavra, que se refere ao gênero, é escrita sempre com a letra inicial maiúscula. Já a segunda inicia-se com letra minúscula. 
O nome científico da onça-pintada, por exemplo, pode ser escrito de duas formas: Panthera onca ou Panthera onca (sublinhado, quando escrito à mão). O nome da espécie humana pode ser escrito Homo sapiens ou, quando escrito à mão, Homo sapiens. 

Habitat e nicho ecológico 


De forma semelhante ao que ocorre com o nome científico para o estudo dos seres vivos, foi necessário criar alguns termos para facilitar o estudo do meio ambiente. Vamos conhecer mais dois conceitos importantes a seguir. O lugar em que uma espécie vive chama-se habitat. Já o conjunto de relações que a espécie mantém com as outras espécies e com o ambiente físico recebe o nome de nicho ecológico.
O hábitat é o lugar em que uma espécie ou população vive. Pode ser pequeno, como o sistema digestório humano, onde vivem bactérias, ou muito grande, como o da tartaruga-oliva, que se es tende pelos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. 
O nicho ecológico, por sua vez, é o “modo de vida” de um ser vivo na natureza, o papel que ele desempenha no ecossistema. O nicho inclui os fatores bióticos e abióticos que interferem na sobrevivência e na reprodução de uma espécie, como a forma de explorar os recursos do ambiente, a quantidade de luz solar e de espaço necessários à sobrevivência e a variação de temperatura que essa espécie tolera. Em um mesmo hábitat, as espécies têm nichos ecológicos diferentes.
Para conhecer o nicho ecológico de uma espécie, precisamos conhecer seu habitat e seus hábitos, como do que ela se alimenta, onde e em que hora do dia obtém esse alimento, onde se reproduz e se abriga ou como se defende. O nicho é, de modo simplificado, o modo de vida de uma espécie na natureza. 
Por exemplo: a onça-pintada e a capivara podem ser encontradas no mesmo habitat, o Pantanal Mato-Grossense, localizado nos estados brasileiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Mas a onça-pintada se alimenta de outros animais, ou seja, é carnívora; enquanto a capivara se alimenta de plantas (é herbívora). 
Esses diferentes modos de vida fazem com que essas duas espécies, embora vivam no mesmo habitat, tenham nichos ecológicos diferentes. 
No caso desses seres vivos, o nicho inclui fatores como: o local onde a planta está fixada, quais são os nutrientes que ela consome e de onde são obtidos esses nutrientes; as relações estabelecidas com outras espécies; e assim por diante. 
As orquídeas, por exemplo, são plantas que vivem preferencialmente em ambientes sombreados e apoiadas sobre troncos de árvores. Conhecendo o habitat e o nicho das plantas é possível, por exemplo, cultivá-las para comercialização. 

As tartarugas-olivas (Lepidochelys olivacea) alimentam-se de animais marinhos e eventualmente de algas. Têm o ciclo de vida longo e a maturação sexual ocorre após os 15 anos de idade. Desovam em praias do litoral brasileiro, onde escavam buracos na areia e depositam em média cem ovos por desova. O sexo dos filhotes é influenciado pela temperatura dos ninhos. Essas características compreendem aspectos do nicho ecológico da espécie.

População e comunidade 


Indivíduos de uma mesma espécie que vivem em determinada região formam uma população. Por exemplo: todas as onças-pintadas do Pantanal formam uma população. As capivaras que também vivem nesse ambiente fazem parte de outra população, pois são de outra espécie. No Pantanal, portanto, há populações de capivaras, onças-pintadas e várias outras espécies de animais, plantas e fungos. 
Todos os seres vivos de um determinado lugar formam uma comunidade. Isso significa que todas as populações do Pantanal, por exemplo, formam uma comunidade. 

População de guarás da Baía de São Marcos, em Alcântara (MA), 2019. No detalhe, um guará (aproximadamente 60 cm de comprimento) durante o voo.

Estabilidade ecológica 


Os ecossistemas estão em constante estado de perturbação e mudança. Contudo, há certa estabilidade entre os elementos vivos e não vivos que os com põem, chamada estabilidade ecológica. 
A estabilidade é a capacidade de resposta de um ecossistema em caso de perturbação: envolve o tempo de resposta à perturbação e a intensidade de modificação que o ecossistema pode suportar. Dessa forma, a estabilidade ecológica é essencial para a manutenção da qualidade e das características dos ecossistemas.

Função de uma espécie na estabilidade ecológica 


Para entendermos a função de uma espécie na manutenção da estabilidade de um ecossistema, basta imaginá-lo, de repente, sem essa espécie. 
Observe um exemplo. O hábitat do jacaré-do-pantanal são os rios da região do Pantanal Mato-Grossense e suas margens. Ele se alimenta de uma grande variedade de seres vivos, incluindo piranhas. As piranhas são peixes de cardume e se alimentam de várias outras espécies de peixes. Quando há muitas piranhas em um rio, elas podem atacar outros seres vivos maiores, como um boi que atravesse o rio.

O jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) mede cerca de 2,5 m de comprimento e é encontrado nos rios da região do Pantanal Mato-Grossense.

A piranha (Pygocentrus nattereri) é um peixe carnívoro de 30 cm de comprimento, habitante dos rios da região do Pantanal Mato-Grossense.

Os coureiros são caçadores ilegais de jacarés. Eles matam os animais para comercializar seu couro. Vamos supor, de maneira simplificada, que os coureiros caçassem grande parte dos jacarés-do-pantanal existentes nesse ecossistema. Sua retirada desse ecossistema afetaria os seres vivos que dependem direta e indiretamente do jacaré-do-pantanal, causando uma perturbação no ecossistema. 
Como os jacarés se alimentam de piranhas, a quantidade delas aumentaria nos rios, e isso reduziria a quantidade de outros peixes dos quais as piranhas se alimentam. Se esses peixes forem alimento de outros animais, estes sofrerão com falta de alimento e, provavelmente, sua população será reduzida. 
Poderia haver também um aumento no número de ataques a animais e pessoas nesses rios, em razão da maior quantidade de piranhas. Apesar de ser apresentado de forma simplificada, o processo de perturbação e de retorno à estabilidade pode demorar anos e envolve também uma série de outros elementos.

Cadeia e teia alimentar 


Os seres vivos de um ambiente se relacionam de várias formas, e uma delas é pela alimentação. Pense nos últimos alimentos que você consumiu: talvez você tenha comido carne ou ovos e é bem provável que tenha comido frutas, verduras ou outros vegetais. 
Ao ingerir alimentos, você participa de uma cadeia alimentar. A cadeia alimentar pode ser representada por um esquema que mostra quem serve de alimento a quem.

capim  capivara  onça-pintada

O exemplo mostra que o capim serve de alimento à capivara, que serve de alimento para a onça-pintada. O capim e as demais plantas, assim como algas e algumas bactérias, absorvem a energia luminosa do Sol e produzem açúcares e outras substâncias orgânicas por meio da fotossíntese. Esses organismos são chamados produtores
Nós, assim como os outros animais e muitos outros seres vivos, não conseguimos utilizar diretamente a energia do Sol para produzir alimento. Assim, obtemos essa energia de forma indireta por meio do consumo de outros organismos. Os seres vivos que precisam ingerir outros para obter energia são chamados consumidores
Aqueles que se alimentam dos produtores são chamados consumidores primários; já os consumidores secundários ingerem consumidores primários, e assim por diante. 
A figura  abaixo apresenta uma cadeia alimentar em que há: produtor (capim); consumidor primário (gafanhoto); consumidor secundário (rã); consumidor terciário (serpente).

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Exemplo de cadeia alimentar. As setas indicam que a transferência do alimento e da energia ocorre do produtor para os consumidores. (Comprimento médio dos organismos: capim: 20 cm a 50 cm; gafanhoto: 1 cm a 8 cm; rã: 14 cm a 18 cm; serpente: até 10 m.)

Os resíduos, como fezes, e outros restos de substâncias orgânicas, como animais e folhas mortos, sofrem a ação dos organismos chamados decompositores, representados por bactérias e fungos. Eles transformam a matéria orgânica em substâncias que são lançadas no ambiente e ficam novamente disponíveis para serem usadas por plantas e outros seres produtores. 
Os fungos, como as orelhas-de-pau, crescem em troncos caídos e outros organismos mortos, participando da decomposição dessa matéria orgânica. Foto tirada em São Sebastião (SP), 2021.

Muitos animais têm uma alimentação variada. Algumas aves se alimentam de diferentes seres vivos (elas comem tanto insetos quanto frutas, por exemplo), além de servirem de alimento para outras espécies. Como resulta do, as diversas cadeias alimentares que existem em um ambiente se cruzam e formam o que chamamos de teia alimentar. Todos os organismos de uma teia alimentar servem de alimento aos decompositores. 
A eliminação de alguns organismos de uma teia alimentar acaba prejudicando outros seres vivos. O que você acha que poderia acontecer, por exemplo, se as aves, as aranhas e os outros animais que comem insetos fossem eliminados? 
Sem esses predadores, o número de insetos que se alimentam de plantas poderia aumentar muito. Como resultado, muitas plantas, ou plantações inteiras, poderiam desaparecer, pois seriam intensamente consumi das pelos insetos.

Ecossistemas


A interação da comunidade biológica, ou seja, de todos os seres vivos do ambiente, com os elementos ou componentes não vivos – chamados de fatores abióticos (como luz, temperatura, água, tipo de solo, umidade do ar, entre outros) – forma um nível de organização denominado ecossistema.
Todos os seres vivos e os componentes não vivos de um ambiente, como água, minerais do solo e luz, somados a todas as relações que existem entre esses elementos, formam um ecossistema
A Mata Atlântica e o Pantanal Mato-Grossense são exemplos de ecossistemas, assim como ambientes menores, como uma poça de água na mata ou a água acumulada em uma bromélia, um tipo de planta. 
O conjunto de ecossistemas do planeta é conhecido como biosfera. A biosfera é formada por todas as regiões do planeta onde existe vida, da forma mais simples à mais complexa.

Biodiversidade 


A  vida na Terra é resultado de milhões de anos de evolução, resultando na biodiversidade atual. Chamamos de biodiversidade a variedade de espécies no ambiente.
A Terra apresenta uma grande diversidade de espécies, com múltiplas formas de vida. A essa diversidade chamamos biodiversidade. Em diferentes partes do planeta existem variadas formas de vida.
Estima-se que existam entre 8 milhões e 30 milhões de espécies de seres vivos no globo terrestre, mas apenas 1,4 milhão delas foi descrito pela ciência até hoje. As espécies extintas não estão inseridas nesse número. A maioria das espécies atuais está nas regiões tropicais. No Brasil, a variedade de biomas indica a enorme riqueza da flora e da fauna brasileiras: mais de 20% do número de espécies de plantas e animais do planeta.
O Brasil é considerado o país com a maior biodiversidade do mundo. São mais de 116 000 espécies de animais e mais de 46 000 espécies de plantas conhecidas. 
A biodiversidade é a variedade de espécies existentes em determinado espaço. Atualmente, milhares de espécies correm o risco de desaparecer, principal mente devido à ação do ser humano. A destruição dos ambientes, a poluição, a caça e a pesca sem controle são algumas dessas ações. 
As espécies fazem parte de teias alimentares, e a extinção de uma ou mais espécies provoca desequilíbrios ecológicos sérios, afetando vários organismos, inclusive os seres humanos. Além disso, boa parte dos medicamentos e de vários outros produtos utilizados pelo ser humano é produzida a partir de seres vivos. Assim, com o desaparecimento de algumas espécies, perdemos também possíveis produtos que nos seriam úteis. 
A produção de muitos medicamentos e outros compostos se dá a partir de pesquisas científicas e da colaboração de povos indígenas e outras comunidades tradicionais que, por conhecerem muito bem a biodiversidade dos locais em que residem, indicam quais plantas devem ser usadas para determinados propósitos. 

Ameaças à biodiversidade


Com frequência, os noticiários nos alertam sobre a diminuição da biodiversidade no planeta, com destaque para o Brasil. A maior parte dos problemas ambientais da Amazônia, da Mata Atlântica, do Cerrado, do Pantanal e de outros biomas e ecossistemas de nosso território é resultado de ações do ser humano ligadas às atividades econômicas: exploração predatória da madeira, tráfico de animais silvestres, avanço dos garimpos, das áreas cultiváveis, da pecuária, da urbanização, da ocupação desordenada do solo e de problemas causados pela implantação de agroindústrias e construção de hidrelétricas.
Em decorrência da diminuição da biodiversidade, a preocupação com a possibilidade do desaparecimento de espécies ainda não descobertas tem aumentado muito. Existem cientistas e instituições em todo o mundo que se dedicam a conhecer, monitorar e reforçar a valorização da biodiversidade no planeta.
Com a diminuição da biodiversidade, perdemos parte do equilíbrio e da beleza presentes na natureza que, entre outros benefícios que nos proporciona, é fonte de criações artísticas, de lazer e de recreação. Por isso, preservar os ambientes e a biodiversidade é também preservar nossa saúde física e mental.
Para proteger a biodiversidade, é preciso preservar o habitat das espécies. Por isso, é fundamental criar e manter unidades de conservação – como parques nacionais e reservas biológicas –, combater o desmatamento ilegal e garantir o cumprimento da legislação ambiental e o respeito às comunidades tradicionais. 
Para a preservação da biodiversidade, é importante também combater a biopirataria, ou seja, a caça, a coleta e o envio ilegais de plantas e animais ao exterior para extração de compostos e pesquisa de medicamentos, cosméticos e outros produtos. 
É preciso, ainda, diminuir os danos causados ao ambiente, adotando, por exemplo, técnicas de conservação do solo, especialmente em áreas ocupadas por atividades humanas, como a agropecuária. 
Dessa forma, é possível atender às necessidades do ser humano, melhorando a qualidade de vida da população, e preservar a biodiversidade e a diversidade cultural
Essas condições fazem parte do chamado desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade. 
Uma atividade sustentável é aquela em que os indivíduos que a praticam se preocupam em aproveitar um recurso de modo a garantir o bem-estar econômico e social também para as gerações seguintes. Ela deve estar voltada não apenas para a melhoria do mundo hoje, mas também para deixar recursos e um mundo melhor para as próximas gerações.


GRUPOS DE SERES VIVOS

O estudo das formas de vida que habitam o planeta gera uma grande quantidade de informações. Para facilitar o acesso a essas informações, os...