segunda-feira, 30 de março de 2026

GEOSFERA

A geosfera é formada pela crosta terrestre e por outras camadas mais internas, a maioria delas em estado sólido. Tanto o interior da Terra quanto sua superfície passam constantemente por mudanças.
As alterações que ocorrem na parte interna da Terra são causadas principalmente por temperaturas e pressões muito altas.
Já as alterações que ocorrem na superfície terrestre são causadas pelos elementos do clima, pela água e pelos seres vivos, incluindo o ser humano.
De acordo com os cientistas que estudam a geosfera, ela pode ser dividida em três cama das principais: a crosta, o manto e o núcleo.

Terra é formada por várias camadas e por um núcleo interno metálico.

Explorando a Terra por dentro 


Descobrir o que existe no interior do planeta não é uma tarefa simples. Os cientistas utilizam diferentes recursos tecnológicos e métodos para observar ou concluir, com base nos dados obtidos, o que existe abaixo da crosta terrestre. 
Em 1970, na região da Península de Kola, na Rússia, iniciou-se uma escavação com o objetivo de perfurar o máximo possível dentro da crosta terrestre. A perfuração foi interrompida em 1992, quando a temperatura chegou a 180 °C e já não era mais possível continuar. Atingiu-se uma profundidade de 12 262 metros. Caso chegasse aos 15 mil metros, como era planejado, estima-se que a temperatura chegaria a 300 °C. 
Este é considerado o buraco mais profundo do mundo feito pelo ser humano. Mas pouco passou da camada mais externa. 
Após o colapso da então União Soviética, a instalação foi fechada e o local abandonado é visitado por turistas curiosos. De fato, ainda não temos recursos tecnológicos para visitar as regiões mais profundas da Terra. Todas as informações que temos sobre elas são obtidas de maneira indireta. 

Da crosta ao núcleo: desvendando o interior da Terra


O lugar em que vivemos está localizado em uma pequena parte do planeta, a mais externa, que chamamos de crosta terrestre.
Em volta dessa crosta por todo o planeta, há uma camada de ar, uma mistura de diversos gases e vapor de água. Essa camada de ar é chamada de atmosfera
A atmosfera, que corresponde à camada de ar que envolve todo o planeta e auxilia na manutenção da vida. Temos, portanto, uma camada gasosa, que envolve toda a Terra, e a superfície, composta de oceanos e continentes.

Biosfera: onde há vida 


A região do planeta Terra onde se encontraram formas de vida, seja no ambiente terrestre ou aquático, chama-se biosfera (do grego bios = vida e sphaira = esfera/globo). Esses seres vivos apresentam adaptações às regiões do planeta onde vivem. O termo biodiversidade é usado para descrever a riqueza e a variedade de formas de vida na Terra.
Por suas características, podemos classificar as regiões da biosfera em hidrosfera, litosfera e atmosfera
A origem dos nomes dados por cientistas a essas regiões ajuda a entender suas diferenças. Como já vimos anteriormente, a atmosfera (do grego atmos = vapor/névoa e sphaira = esfera/globo) é a camada de ar que envolve a Terra. A litosfera (do grego lithos = pedra e sphaira = esfera/ globo) é a camada sólida mais externa, constituída por rochas e diferentes tipos de solos. Já as regiões do planeta que são cobertas por águas chamamos de hidrosfera (do grego hidro = água e sphaira = esfera/globo). Ela inclui oceanos, rios, lagos, geleiras (água no estado sólido), aquíferos e lençóis freáticos (água subterrânea) e vapor d’água.
Essa divisão é feita apenas para fins de estudo, pois as regiões da biosfera apresentam interações entre si, incluindo os seres que nelas vivem.
A presença da espécie humana na Terra vem provocando alterações na biosfera. Muitas delas geram impacto negativo, levando à destruição de ambientes naturais, causando desequilíbrios e reduzindo a biodiversidade. 
Se quisermos manter o planeta com condições adequadas à vida para nós e para as gerações futuras, é preciso adotar condutas mais responsáveis com o ambiente: usar os recursos naturais de forma adequada, sem desperdício, permitindo o acesso mais justo e menos desigual por todos os povos do mundo; rever nossas formas de viver e existir como indivíduos e sociedade na Terra; e, principalmente, lembrar que, em termos ecológicos, somos apenas uma das milhões de espécies que coexistem neste planeta.
O ser humano, assim como os outros animais, faz parte da biosfera terrestre. Mas nossas atividades não alteram somente a biosfera, mas também a litosfera, a hidrosfera e a atmosfera. Infelizmente, muitas das transformações que fazemos no ambiente natural são desfavoráveis à vida na Terra, o que afeta inclusive a sobrevivência da própria espécie humana. O desmatamento e as queimadas, por exemplo, vêm provocando mudanças no clima de todo o planeta. 

 Incêndio florestal no Pantanal, município de Poconé (MT), 2021.

Camadas da Terra


Há muito tempo, o ser humano tem se interessado em conhecer as características do interior da Terra. Os conhecimentos que temos atualmente sobre a estrutura dela foram obtidos com base em diversos estudos e passaram a constituir uma área da ciência conhecida por Geologia. Porém, mesmo com as pesquisas e os avanços obtidos na área, ainda não foi possível chegar ao centro da Terra. Isso porque a tecnologia atual dos instrumentos de perfuração não é capaz de percorrer a longa distância entre a superfície e o núcleo terrestres nem superar as condições de temperatura e de pressão existentes no interior do planeta. 
Sendo assim, os meios de se conhecer a estrutura interna do planeta se baseiam em suas propriedades físicas e químicas. Um desses meios é o estudo das variações da velocidade e da direção das ondas sísmicas, ou seja, ondas mecânicas que se propagam através da Terra e que geralmente estão associadas aos terremotos. 
A velocidade dessas ondas varia com o tipo de material que elas atravessam, dando pistas sobre a composição do interior do planeta. 
O estudo das ondas sísmicas é realizado, principalmente, com o auxílio de um instrumento conhecido como sismógrafo. Nesse instrumento, as vibrações provenientes das ondas sísmicas são capta das por sensores e convertidas em sinais elétricos. Esses sinais são registrados e possibilitam identificar informações como origem das ondas sísmicas, sentido de propagação e intensidade. 
Os estudos desenvolvidos por cientistas, principalmente sobre a velocidade das ondas sísmicas, revelaram que a Terra apresenta camadas distintas, podendo ser organizada em crosta, manto e núcleo.

A crosta


A crosta é a camada mais externa e constitui a superfície da Terra. A espessura dessa camada varia entre 5 km e 10 km nos oceanos (crosta oceânica) e entre 30 km e 80 km no continente (crosta continental). A crosta é composta basicamente de rochas e de seus fragmentos. Sua camada mais superficial é constituída por fragmentos de rocha, matéria orgânica e outros componentes, formando o solo.
A crosta é dividida em crosta continental e crosta oceânica, com composições e espessuras diferentes. A espessura dessa camada pode variar entre 5 quilômetros, sob os oceanos (crosta oceânica), e 70 quilômetros na área onde estão os continentes (crosta continental). Nela encontramos rochas, solo e seres vivos. Suas formas compõem o relevo terrestre.

O manto


Camada mais espessa da Terra. Localiza-se abaixo da crosta e pode ser dividido em duas camadas. O manto superior, sólido, junto com a crosta forma a litosfera, cuja espessura varia considerando-se a região oceânica e continental. Já falamos da litosfera, como parte da biosfera. A profundidade do manto superior pode chegar a 700 quilômetros. 
Logo abaixo está o chamado manto inferior, com espessura bem maior que o manto superior, podendo atingir cerca de 2 900 quilômetros. A temperatura aumenta com a profundidade, podendo chegar até 3 000 °C. Assim, nessa região são encontradas tanto rochas sólidas quanto rochas derretidas, que formam o magma. 
Quando o magma chega até a superfície pelos vulcões, recebe o nome de lava. Os vulcões são estruturas geológicas que ligam o interior da Terra com o meio externo. Apresentam uma abertura por onde a lava, cinzas, gases e outros materiais são expelidos.
O manto é a camada que se localiza entre o núcleo externo e a crosta terrestre. 
• O manto superior se estende até cerca de 400 km de profundidade. Ele é formado, em sua maior parte, por material rochoso, no estado sólido. No entanto, há também rochas parcialmente fundidas. 
• O manto inferior é composto por rochas fundidas e se estende até 2400 km de profundidade, aproximadamente. O material líquido presente no manto recebe o nome de magma, cuja temperatura varia entre 700 °C e 1200 °C . Ele é formado por rochas derretidas e uma mistura de vários elementos metálicos, como o silício (Si ) , o ferro (Fe ) , o alumínio (Al )  e o cobre (Cu ).

O núcleo 


Na parte mais interna, temos o núcleo terrestre, que também pode ser classificado em duas partes: núcleo externo e núcleo interno. O núcleo externo é líquido, com temperaturas próximas ou superiores a 4 000 °C. No núcleo interno, embora a temperatura ultrapasse 5 000 °C, estima-se que a altíssima pressão faça com que sua constituição – basicamente composta de dois metais, o ferro e o níquel – seja sólida.
O núcleo é a parte central da Terra. Ele tem cerca de 3500 km de raio e é composto principalmente de uma mistura de ferro e níquel (Ni ) . 
• No núcleo externo, o material se encontra no estado líquido e está em constante movimento, a uma temperatura que varia entre 3700 ° C e 4000 °C . 
• No núcleo interno, o material se encontra no estado sólido, a uma temperatura de aproximadamente 5000 °C 

EROSÃO E INTEMPERISMO 


A erosão e o intemperismo são alguns dos fatores que podem modificar a crosta terrestre. 
A erosão é o transporte de partículas do solo, provocado pela ação dos ventos, da água líquida e do gelo. Ela pode causar problemas principalmente para os agricultores, pois pode degradar o solo retirando a camada superficial dele, que é a mais fértil. 
O intemperismo é um processo que afeta as rochas que es tão expostas na superfície, provocando seu desgaste e sua fragmentação. Há três tipos de intemperismo: o físico, o químico e o biológico. 
O intemperismo físico ocorre quando a rocha sofre fraturas e pode ser fragmentada, liberando pequenas porções. Esse tipo de intemperismo, que não altera a composição química das rochas, é causado pela variação na temperatura ou pela infiltração de água na rocha, principalmente se a água sofrer congelamento. Como a água se expande ao congelar, essa expansão provoca uma tensão que acaba por fraturar a rocha. No intemperismo químico, as rochas sofrem alteração em sua composição química. Esse processo acontece quando as substâncias presentes nas rochas se transformam em outras substâncias ou quando as substâncias que compõem as rochas se dissolvem. A água das chuvas e o gás carbônico do ar são exemplos de substâncias que reagem com os materiais que formam as rochas, causando o intemperismo. 
A ação de seres vivos, como bactérias, é responsável pelo intemperismo biológico. Nesse caso, a ação desses microrganismos provoca alteração na composição das rochas.

Paisagem na serra das Confusões (PI) moldada ao longo de milhares de anos pelo intemperismo. Note o formato arredondado das extremidades, que indica o desgaste sofrido pelas rochas. 


Nenhum comentário:

A folha e suas partes

A folha é um órgão envolvido na realização de três processos vitais para as plantas, que estudaremos adiante: a fotossíntese, a respiração e...