terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Regiões geoeconômicas - O CENTRO-SUL

A Região Centro-Sul concentra boa parte das indústrias de maior complexidade, como a automobilística, a farmacêutica e a aeronáutica, além de grande parte da produção agrícola. Por essas razões, também abriga os maiores aglomerados populacionais. Nessa região, localiza-se a sede do Governo Federal, onde as decisões em caráter nacional são tomadas.

O PROCESSO DE OCUPAÇÃO DO CENTRO-SUL


Na regionalização proposta pelo geógrafo Pedro Pinchas Geiger, na década de 1960, as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, assim como parte das regiões Norte e Nordeste, são agrupadas e formam uma mesma região, denominada Centro-Sul. Ela é formada pelos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal e de parte dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Bahia. 
Diferentemente da regionalização estabelecida pelo IBGE, essa divisão regional não respeita os limites estaduais, como você já estudou anteriormente. 
O Centro-Sul concentra a maior parte da população brasileira e reúne os principais centros econômicos e financeiros do país e os fluxos de comunicação e transporte, além do maior número de universidades e centros tecnológicos e de pesquisa científica.

A COLONIZAÇÃO DO CENTRO-SUL  


Em 1532, partiu a primeira expedição colonizadora de Portugal em direção à América. Sua missão era instalar os primeiros habitantes portugueses e iniciar efetivamente a colonização. Martim Afonso de Sousa, comandante dessa expedição, estabeleceu-se com seus tripulantes no atual litoral do estado de São Paulo, onde fundou São Vicente, a primeira vila brasileira. No entorno dessa vila, foi desenvolvido o cultivo de cana-de-açúcar e foram construídos os primeiros engenhos da colônia. Em 1554, um pequeno grupo de jesuítas saiu da Vila de São Vicente e ocupou a região onde hoje está a cidade de São Paulo. 
Durante os séculos XVII e XVIII, diversas expedições partiram dessa vila e de seus arredores rumo ao interior com a intenção de descobrir e explorar minérios e pedras preciosas, além de capturar e dominar comunidades indígenas. Essas expedições, conhecidas como bandeiras, promoveram a ampliação do território português na América. 

A mineração do ouro


No fim do século XVII, os integrantes de uma dessas expedições descobriram ouro na região do atual estado de Minas Gerais, atraindo milhares de pessoas em busca de riqueza com o garimpo. Nesse período, ocorreu a ocupação colonial dos atuais estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. 
Com a descoberta do ouro (década de 1690) e, depois, dos diamantes (1729), a expectativa de enriquecimento rápido passou a atrair um grande número de pessoas para a região das Minas Gerais, dando origem a vários núcleos de povoamento, que, com o tempo, se transformariam em vilas e cidades.
O ouro e outros minérios preciosos foram encontrados em áreas dos atuais estados de Minas Gerais (maior área de exploração), Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A exploração dessas riquezas minerais no atual Centro-Sul estendeu-se praticamente por todo o século XVIII.
Já no século XVIII, o crescimento da mineração do ouro resultou na criação de diversos núcleos urbanos, como Vila Rica – atual Ouro Preto –, Mariana, Sabará e Tiradentes (MG).
Não foi só a extração de minérios que propiciou o surgimento de núcleos de povoamento nesse período. A necessidade de abastecer a sociedade mineradora levou ao desenvolvimento de atividades agrícolas e comerciais no sul de Minas Gerais, em São Paulo e no Rio de Janeiro, além da criação de gado no sul do Brasil.
Para abastecer a população que passou a viver ali, alimentos e animais eram transportados de diversas outras áreas coloniais, como dos atuais estados do Nordeste e, principalmente, dos do Sul.

A mudança do eixo econômico para o Centro-Sul 


Em 1763, a capital do Brasil foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. Durante boa parte do século XVIII, a mineração constituiu a principal atividade econômica da colônia, fazendo com que o Centro-Sul assumisse o comando da economia colonial brasileira. 
Nas primeiras décadas do século XIX, quando a atividade mineradora começava a declinar e o açúcar e o algodão perdiam competitividade no mercado internacional, um novo produto agrícola veio fortalecer ainda mais o crescimento e a estruturação dessa região: o café. Até hoje, o café é um dos mais importantes produtos de exportação do Brasil.
Paralelamente ao crescimento da cultura cafeeira, de senvolveu-se a criação de gado, destinada ao abastecimento da população. A criação de gado ocupou vastas áreas do Centro-Sul, destacando-se o oeste de São Paulo, o Triângulo Mineiro, o norte e o sul de Minas Gerais, o Vale do rio Paraíba (SP e RJ), a área do atual estado de Mato Grosso do Sul e as campinas do sul do Brasil.

A CAFEICULTURA


A exploração econômica do café em terras brasileiras iniciou-se na segunda metade do século XVIII, no estado do Rio de Janeiro, que reunia as condições ideais de clima e solo para o desenvolvimento dessa planta.
A cafeicultura foi uma das atividades econômicas mais importantes para a economia nacional. O café começou a ser cultivado no início do século XIX, nos arredores da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Posteriormente, com o aumento da produção,  as plantações se estenderam ao longo do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, no Vale do Paraíba. Em seguida, atingiram o interior do estado de São Paulo e o centro-sul de Minas Gerais. 
Nas primeiras décadas do século XX, os cafezais alcançaram as terras dos atuais estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, e o Brasil passou a ser o maior produtor mundial de café, tendo os Estados Unidos como principal comprador.
A partir da década de 1930, a produção de café se estendeu ao norte paranaense, aproveitando as extensões de terra roxa, extremamente férteis, e atraindo migrantes de outros estados e países.
Com a expansão das plantações de café, a paisagem, a vegetação, a economia e as estruturas sociais das regiões cafeicultoras foram extremamente modificadas. 
Também foram desenvolvidas políticas internas para a sua produção e comercialização, além de ter sido uma atividade importante para o estabelecimento de relações comerciais com outros países, que importavam o café brasileiro.
Entre as consequências mais importantes da cafeicultura, está a transformação gradativa da cidade de São Paulo (SP) em polo comercial e financeiro, desde a segunda metade do século XIX. São Paulo passou a dividir com o Rio de Janeiro (RJ), a então capital do Brasil, a centralização nacional da política e da economia. Com as intensas atividades econômicas e políticas, o eixo São Paulo-Rio de Janeiro implementou uma extensa malha ferroviária. 
Ainda no século XX, inúmeras ferrovias e estradas foram abertas para o es coamento da produção cafeeira até os portos de Santos e do Rio de Janeiro. Nas proximidades dessas estradas começaram a se desenvolver aglomerados urbanos, alguns estabelecimentos industriais e embriões de grandes cidades da atualidade.
A mais importante delas foi a Estrada de Ferro Leopoldina, que se expandiu e passou a integrar os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Os trilhos e as estações seguiam as rotas de expansão das regiões cafeicultoras. A riqueza e a infraestrutura geradas pela cafeicultura foram empregadas na construção de fábricas, favorecendo a industrialização no início do século XX. 
Em 1929, em virtude de uma crise financeira mundial, o preço do café caiu bastante e rapidamente. Toneladas do produto foram queimadas por falta de compradores e muitos cafeicultores foram à falência. Conforme a produção de café se estendeu para o interior dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, a vegetação de Mata Atlântica sofreu degradação. 
Além disso, os solos nos quais se plantava café esgotaram-se gradativamente, em razão do desconhecimento de técnicas de correção de solos e de rotação de culturas por grande parte dos cafeicultores no Brasil.

Os imigrantes e a ocupação da região sul


O sul do Brasil não era apropriado para a produção de gêneros tropicais de exportação, por se tratar de uma área de clima Subtropical. Para estimular a sua ocupação, o governo promoveu a vinda de colonos estrangeiros, fazendo-lhes diversas concessões, como pagamento de transporte e doação de propriedades rurais.
Assim, vieram diversos grupos de estrangeiros, como os alemães, que se fixaram em São Leopoldo (RS), em 1824, e em Rio Negro (PR), em 1827. Em 1850 e 1851, colonos alemães fundaram as cidades de Blumenau e Joinville (SC). Os italianos dirigiram-se para o Rio Grande do Sul, onde se dedicaram ao cultivo da uva e à produção de vinho. Vários de seus núcleos iniciais transformaram-se em importantes cidades, como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi, centros produtores de vinho.
A partir do início do século XIX, muitos imigrantes vieram para o Brasil para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar e café. Os imigrantes tinham, em sua maioria, experiência no trabalho agrícola e suas técnicas foram utilizadas para o desenvolvimento de diversas culturas agrícolas, como trigo, arroz, cevada, vinha e fruticultura. No Sul do país, a imigração contribuiu para a formação de cidades com forte influência da urbanização europeia, como Caxias do Sul (RS) e Blumenau (SC). 
A partir de 1878, ingressaram na região poloneses e ucranianos, que se fixaram principalmente no Paraná, onde se dedicaram à agricultura, à pecuária e ao extrativismo da madeira.
Grande parte desses imigrantes vieram para o Brasil por causa dos projetos de financiamento do governo federal, que buscava implementar políticas de branqueamento.
Em 1878, foi criada em São Paulo a Hospedaria dos Imigrantes, que funcionava como um centro de recepção e encaminhamento dos recém-chegados de países como Holanda, Alemanha, Itália, Espanha e França. 
Na primeira metade do século XX, uma grande onda de imigração veio do Japão, formada por camponeses que se destinavam principalmente às lavouras do interior de São Paulo e do norte do Paraná. Italianos e japoneses, entre outros grupos de imigrantes, deslocaram-se também para as cidades, principalmente São Paulo (SP), empregando-se na indústria nascente e nos setores de comércio e serviços, exercendo importante influência na formação cultural da cidade.
Esses colonos introduziram novas técnicas agrícolas e a policultura, além do cultivo de novos produtos, como o trigo e o centeio. Esse povoamento teve como características as relações de trabalho livre e o predomínio de médias e pequenas propriedades rurais em Santa Catarina, parte do Paraná e parte do Rio Grande do Sul. No entanto, em algumas porções dessa parte do Brasil, como no sul do Rio Grande do Sul e no Paraná, houve a criação de latifúndios e a utilização de pessoas escravizadas.
Dos quase 5 milhões de imigrantes que o Brasil recebeu até as primeiras dé cadas do século XX, a maior parte fixou-se no Centro-Sul (sobretudo nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), influenciando a vida econômica, social e cultural da região. 
A preferência por esses estados é explicada, entre outros fatores, pela necessidade de mão de obra para a lavoura, pelo projeto de ocupação das áreas de fronteira do território brasileiro e pelos incentivos governamen tais concedidos aos imigrantes para a efetiva ocupação do sul do país.
O trabalho assalariado e o contato com produtos industrializados trazidos pelo imigrante foram elementos que também contribuíram para a industrialização, já que estimulavam o consumo no mercado interno. Isso favoreceu, posteriormente, a estruturação de cidades cuja população apresentava nível médio de vida superior ao do restante do país.
Atualmente, os descendentes dos imigrantes europeus ainda mantêm algumas tradições de seus antepassados e realizam festas típicas que atraem muitos turistas para a região Sul do Brasil.

A AGROPECUÁRIA


Uma das características de destaque da Região Centro-Sul é a extensão das áreas destinadas à agropecuária. Até a década de 1970, a maior parte da produção brasileira no setor concentrava-se no Centro-Sul do país. O valor da terra aumentou gradativamente no Sul e no Sudeste, levando a um avanço da agropecuária para Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, principalmente. 
O preço das terras nesses estados é mais baixo, o que possibilitou a agricultores e empresários adquirir grandes extensões de terra nas novas áreas de expansão. Essa transformação ocorreu com o apoio do governo federal, que proveu políticas visando garantir a infraestrutura necessária para a produção agrícola nas áreas de energia e transporte, por exemplo. 
Atualmente, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins têm produção agrícola moderna, que se caracteriza pelo uso intensivo de máquinas e outros insumos agrícolas. Soja, trigo e milho são alguns produtos de destaque. No geral, esses grãos são destinados a abastecer a indústria alimentícia de massas, óleos e margarinas e de ração para animais, além de serem produtos de exportação.
Com a expansão da agropecuária, as áreas de Cerrado foram as que mais sofreram alterações em sua paisagem e seu meio físico-natural. A alta demanda pela produção agro pecuária contribuiu para a exploração de regiões e da grande biodiversidade. Atualmente, a degradação ambiental tem sido intensa nessas regiões. 
A maior parte dessa produção tem como destino os portos de exportação. No momento, a China é a maior compradora de soja e bovinos do Brasil.

O agronegócio


O agronegócio é o conjunto de atividades ligadas à produção agropecuária. Refere-se a toda a cadeia produtiva agrícola e pecuária, desde o plantio e o cuidado com o gado até a comercialização de seus produtos, incluindo a produção de insumos e os diversos serviços envolvidos. Com a intensa exploração e produção agrícola, a Região Centro-Sul se tornou uma das mais importantes para o desenvolvimento do agronegócio. 
Nessa região, as produções mais realizadas são: cultivo da soja associado ao esma gamento do grão; cultivo da cana-de-açúcar associado à produção de álcool combustível e açúcar; cultivo da laranja associado à produção de suco; e criação de aves e suínos associada ao abate, ao empacotamento e à refrigeração. 
O desenvolvimento do agronegócio na Região Centro-Sul tem relação com a organi zação do espaço ao longo do processo de colonização. As características naturais – clima, relevo, solo e hidrografia – e, também, o desenvolvimento de pesquisas científicas na agronomia foram aspectos favoráveis à atividade agrícola. Avanços obtidos na seleção de sementes, além do aumento da capacidade produtiva do solo, têm contribuído para o aumento da produtividade e a expansão da fronteira agrícola.

A MINERAÇÃO


O subsolo do Centro-Sul é composto de rochas de diferentes tipos e idades, favore cendo a sua riqueza mineral. As principais áreas de exploração mineral da região estão: 
• nas serras cristalinas dos planaltos em Minas Gerais, onde são explorados diversos minérios; 
• nas depressões do Paraná e do Rio Grande do Sul, onde são exploradas as áreas de carvão; 
• no Planalto e na Chapada dos Parecis, no estado do Mato Grosso, com garimpo de ouro e diamante; 
• na Depressão Sul-Amazônica, em Goiás e na sua divisa com o Tocantins, de onde são extraídos diamante e outras gemas preciosas, ouro, estanho e amianto.

No Brasil, as reservas de carvão mineral localizam-se em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. As reservas de Santa Catarina são de pouca profundidade e, por isso, sua exploração é mais barata, diferentemente da que ocorre no Rio Grande do Sul, cujas jazidas estão em maiores profundidades. 
As reservas carboníferas no subsolo brasileiro são extensas, mas o carvão é de baixa qualidade. O carvão do Brasil possui baixo teor calorífero, grande quantidade de cinzas e alto nível de enxofre — trata-se de um carvão betuminoso. É usado de duas maneiras: para a produção de coque, material utilizado para elevar a temperatura dos altos--fornos das siderúrgicas, e para a obtenção de vapor, a fim de mover turbinas e geradores.

O petróleo 


O desenvolvimento da tecnologia brasileira de exploração do petróleo em águas profundas possibilitou a descoberta e a exploração de grandes jazidas no litoral dos estados do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de São Paulo, contribuindo para a superação do patamar de exploração de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Foi desenvolvido, também, um sofisticado parque de refinarias e de indústrias petro químicas concentrado no Centro-Sul, em especial nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. 
O pré-sal, uma camada de reservas petrolíferas que se estende do Espírito Santo até Santa Catarina, foi descoberto com intensas pesquisas científicas realizadas por geólogos e engenheiros químicos. Essa descoberta permite ao Brasil atingir a autossuficiência na produção de petróleo, o que diminui os custos de importação. O pré-sal e a produção de gás na Bacia de Santos marcaram uma expansão na economia da Região Centro-Sul, apesar dos grandes desafios em razão da profundidade da camada e dos custos da extração. O Campo de Tupi, nas proximidades da Bacia de Santos, foi considerado o 8o maior campo de petróleo do mundo, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

OS IMPACTOS AMBIENTAIS


O Centro-Sul concentra a maior extensão de desmatamento do Brasil. Em todos os tipos de vegetação da região, a taxa de destruição das paisagens originais é bastante elevada. O desmatamento impacta fortemente o meio ambiente, acelerando os processos erosivos, a contaminação dos solos e a poluição das águas e do ar. Analise o mapa a seguir, que representa a retração da vegetação nativa em decorrência da ação antrópica.
A Mata Atlântica, uma das áreas com maior biodiversidade no mundo, vem sendo desmatada desde o início da colonização portuguesa no Brasil. Os solos do local foram desgastados, pois sofreram processos erosivos decor rentes das práticas agrícolas realizadas inadequadamente. 
O Cerrado vem sendo continuamente desmatado nas últimas três décadas. Sua paisagem natural deu lugar a grandes propriedades agrícolas, que fazem uso intensivo de máquinas, técnicas de irriga ção, agrotóxicos e adubos. Nessas áreas de Cerrado, hoje, são criados grandes rebanhos de bovinos e produzidos milhões de toneladas de grãos, como soja, milho e arroz.
As feições vegetais do Pantanal também estão sofrendo com o desma tamento para a realização da agropecuária. Nessa atividade econômica, são utilizados, em larga escala, agrotóxicos e adubos inorgânicos. Esses produtos são levados pelas chuvas aos leitos dos rios que cortam o Pantanal, con taminando-os. Por consequência, os animais também são contaminados: peixes e aves do Pantanal já apresentam, em seus organismos, elevado índice de substâncias tóxicas utilizadas na agricultura. 
A expansão dos areais já existentes nas Pradarias do Rio Grande do Sul foi provocada pela prática da pecuária concentrada na região. O processo de arenização em áreas de agropecuária do estado é um caso típico de degradação provocado pelo uso inadequado do solo. Esse fenômeno faz com que as raízes fiquem restritas às camadas mais superficiais do terreno, prejudicando a absorção de nutrientes e água.

A INDÚSTRIA, A URBANIZAÇÃO E AS REDES NO CENTRO-SUL

A INDUSTRIALIZAÇÃO 


No fim do século XIX e início do XX, iniciou-se o processo de industrialização do Brasil. São Paulo e Rio de Janeiro foram os estados que passaram por esse processo de forma mais rápida e intensa, em decorrência do acúmulo de capital proveniente do café. Além disso, a maioria dos imigrantes tinham como destino esses estados, o que resultou em uma grande concentração de mão de obra. 
A partir de 1929, quando ocorreu uma crise financeira que atingiu toda a economia mundial, a comercialização do café brasileiro foi bastante afetada, principalmente porque o país era um grande exportador para os Estados Unidos. Com esse fato, o produto passou a ter sua importância econômica diminuída no Centro-Sul e os investimentos econômicos passaram a ser dirigidos para outros cultivos agrícolas e, sobretudo, para outra atividade econômica: a indústria. No início, a nova atividade econômica se estruturou em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O acúmulo de capitais proporcionado pelo cultivo do café, a rede ferroviária, a modernização dos portos de Santos e do Rio de Janeiro, a mão de obra qualificada dos imigrantes e o crescente mercado consumidor urbano foram fundamentais ao desenvolvimento da atividade industrial, que acelerou o processo de estrutu ração do espaço do Centro-Sul comandado por São Paulo.
No entanto, nas últimas décadas, algumas indústrias migraram da Região Centro-Sul para outros estados. Isso ocorreu principalmente pelos incentivos fiscais dos governos federal e estaduais para o desenvolvimento industrial e econômico de outras regiões, como a Zona Franca de Manaus.
Apesar da concentração industrial nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, há um processo de descentralização industrial que resulta na presença de indústrias em outros estados.

A trajetória da indústria no Centro-Sul 


Em 1947, houve a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ). Essa data foi um marco para o desenvolvimento industrial, já que possibilitou ao país se tornar capaz de produzir matéria-prima para outras indústrias. 
O local escolhido para a implantação da primeira siderúrgica nacional foi estratégico. O município de Volta Redonda (RJ) está localizado próximo às jazidas de ferro de Minas Gerais, com acesso facilitado às fábricas paulistanas e cariocas e aos portos de Santos (SP) e do Rio de Janeiro (RJ) por vias ferroviária e rodoviária. 
Da década de 1950 em diante, houve a instalação de empresas multinacionais no Brasil, principalmente montadoras de automóveis que se estabeleceram no entorno da cidade de São Paulo (SP). Nessa época, houve também a criação de empresas estatais para administrar setores essenciais à indústria, como o energético. 
A Petrobras foi criada em 1953 e a Eletrobras, em 1962. O fato de essas empresas terem sido implementadas no Centro-Sul fez com que a região fosse a que mais se desenvolvesse industrialmente, o que gerou riquezas e atraiu enormes contingentes de trabalhadores de outras regiões do Brasil e do mundo. Na década de 1970, foram construídas mais refinarias de petróleo, polos petroquímicos e usinas hidrelétricas. 
Também se expandiram a exploração mineral e a produção de aço em Minas Gerais – com a Usiminas e a Belgo-Mineira, gerando o Complexo Portuário de Tubarão, em Vitória (ES), além da Companhia Vale do Rio Doce, conhecida atualmente como Vale – voltadas para a produção e a exporta ção de minério de ferro e produtos siderúrgicos. Essa expansão durou até meados da década de 1980, com a amplia ção e a modernização do sistema produtivo.
Desde a década de 1990, muitas indústrias têm sofrido um processo de privatização. Além disso, houve a expansão e a implementação de outras usinas siderúrgicas privadas e estatais. Durante esse período, também houve uma grande expansão dos sistemas de telecomunicações na Região Centro-Sul, particularmente nas grandes cidades, onde é alta a demanda por tecnologia e grande o mercado consumidor. 
Essa ampliação do serviço de telecomunicações, com difusão de telefones celulares e computadores, está relacionada ao amplo uso de tecnologias de última geração nas etapas produtivas de parte das indústrias da região.

Ciência e tecnologia


A região Centro-Sul concentra o mais importante parque científico e tecnológico do país, abrigando boa parte das melhores universidades e dos centros de pesquisa estatais e privados, desenvolvendo tecnologia de ponta. 
No trecho paulista do Vale do Paraíba, por exemplo, há centros de pesquisa, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que desenvolvem tecnologia avançada. 
A existência desses centros de pesquisa e, portanto, de mão de obra alta mente qualificada permitiu a instalação de indústrias de ponta nos setores de telecomunicações e aeronáutica. Essas empresas, que fazem do Centro-Sul a re gião de maior concentração de polos tecnológicos do Brasil.
O desenvolvimento econômico do Centro-Sul apoiou-se na instalação de uma infraestrutura de telecomunicações, fornecimento de energia e transportes, além de indústrias de base, como siderúrgicas, refinarias de petróleo e petroquímicas. 
As sedes das principais redes de TV, as grandes editoras de livros e revistas e os jornais de maior circulação do país também estão sediados nessa região.

O centro da economia brasileira 


O Centro-Sul é a região mais dinâmica do país em termos econômicos. Abran ge pouco mais de 2 milhões de quilômetros quadrados (aproximadamente 25% da área territorial do Brasil). Sua população, em torno de 132 milhões de habitan tes, corresponde a cerca de 63% da população brasileira. 
Ao longo da história do Brasil, as áreas que compõem o Centro-Sul, especial mente o eixo Rio-São Paulo, foram gradativamente se efetivando como as mais expressivas do país do ponto de vista econômico, financeiro e educacional. Isso provocou transformações significativas na paisagem.
No Centro-Sul estão as sedes de grandes empresas que atuam nos comér cios varejista e atacadista, tanto nacionais como multinacionais. A maior concen tração das atividades econômicas, incluindo os serviços de saúde e educação, contribui para que a população do Centro-Sul apresente indicadores sociais mais elevados do que os do restante do Brasil. 
Porém, apesar de ser considerada a região mais desenvolvida do território brasileiro, também apresenta significativos contrastes sociais, econômicos e culturais.
Em virtude do dinamismo econômico, algumas áreas do Centro-Sul, em particular as regiões metro politanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, exercem forte atração sobre trabalhadores de outras regiões do Brasil, que migram com a espe rança de conseguir melhores condições de vida. A São Paulo, por exemplo, chegam migrantes de todos os estados brasileiros. 
Além desses trabalhadores, essas regiões metropolitanas receberam e continuam recebendo grande número de pessoas de outras partes do mundo, como bolivianos, venezuelanos e paraguaios, configurando-se, portanto, como polos de atração populacional (áreas de imigração).
Essa região concentra o mais diversificado e amplo parque industrial do Brasil e da América Latina. Em amplos e diversos trechos do espaço geográ fico do Centro-Sul, verifica-se também a ocorrência de uma agricultura moderna, com uso intensivo de fertilizantes, adubos, defensivos agrícolas, máquinas, equipamentos e técnicas avançadas de cultivo. 
Esse espaço agrícola é caracterizado ainda pela presença de empresas com forte capacida de de investimentos, grandes propriedades rurais e utilização de mão de obra temporária, muitas vezes provenientes de outras regiões do país.


Os centros da economia nacional e a urbanização


Com o processo de industrialização do Brasil, ocorreu também a formação de importantes cidades. A partir da década de 1950, o processo de urbanização se desenvolveu de maneira mais intensa na Região Centro-Sul. À medida que as cidades se desenvolvem, os fluxos comerciais, sociais, políticos e culturais em que estão inseridas são ampliados. 
A rede urbana se estabelece com base nas dinâmicas de interligação entre pessoas e atividades econômicas, como o comércio, por meio de sistemas de transporte, comunicação e informação. Com isso, as cidades mais desenvolvidas geralmente apresentam maior concentração dos setores de serviço, como bancos, lojas, supermercados, além dos polos administrativos das indústrias, e, por isso, encontram-se no topo da hierarquia urbana. 
As metrópoles são cidades de grande porte com forte relacionamento entre si e extensa área de influência. Nelas, são oferecidos serviços especializados, que atraem a população de municípios de outros estados. São Paulo (SP), a grande metrópole nacional, apresenta o maior conjunto urbano e financeiro do país, sede dos principais bancos e da bolsa de valores, em que são negociadas ações com as bolsas de valores do mundo inteiro.
Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ) são metrópoles nacionais – centros de circulação financeira e de informação, com grande influência em todo o país. Brasília é o centro das decisões políticas e jurídicas do Brasil e o Rio de Janeiro se destaca como sede de grandes empresas de extração de petróleo, como polo de influência cultural e pelo turismo, que atrai pessoas de diversos países. 
Já as capitais regionais são cidades com importantes atividades econômicas, que atraem a população de muitos municípios. As cidades mais influentes estão situadas na Região Sudeste, mais especificamente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Isso ocorre em razão do processo de desenvolvimento histórico desigual de colonização e ocupação do território. Essas cidades historicamente concentraram os maiores portos para importação e exportação, por exemplo, o que levou ao crescimento da população e da oferta de serviços.
O fluxo de pessoas nas cidades é importante para observar a quantidade e o tipo de serviços oferecidos. As pessoas, muitas vezes, precisam se deslocar de uma cidade para outra para ter acesso a serviços mais especializados, que se concentram em cidades com uma maior zona de influência. Em decorrência dessas características, as cidades com maior influência dispõem de uma maior infraestrutura de transporte, com aeroportos e terminais rodoviários que as conectam com mais regiões.
Rio de Janeiro e, especialmente, São Paulo, as duas maiores metrópoles do Brasil, são os principais centros da economia nacional. Nessas duas capitais são tomadas importantes decisões nos planos econômico e financeiro, que afetam outras áreas do país.
Elas concentram parcela significativa da riqueza brasileira, gerada por diversas atividades econômicas dos setores secundário e terciário. Concentram também as sedes de grandes em presas e bancos, que, por sua vez, determinam onde, quando e quanto investir em outras áreas do país.
São Paulo e Rio de Janeiro são também os principais centros culturais e educacionais do Brasil, com grande número de teatros, casas de espetáculos, bibliotecas, universidades, entre outros. 
O Centro-Sul concentra aproximadamente 90% do movimento de passageiros de voos internacionais, sendo São Paulo responsável por cerca de 65% desse mo vimento e o Rio de Janeiro, por 20%. As demais capitais dos estados que compõem o Centro-Sul, bem como Brasília (DF), são responsáveis pelos 5% restantes.
Nessas duas metrópoles, é realizada a maior parte dos eventos de porte internacional, como espetáculos artísticos, eventos esportivos e feiras de negócios nas quais são apresentadas novidades tecnológicas de diversos seto res industriais. As cidades sediam também eventos dos quais participam profissionais e cientistas de renome internacional.
Em virtude do grande volume de pessoas que recebem, por motivos tanto turísticos como profissionais, os municípios do Rio de Janeiro e principalmente de São Paulo possuem uma ampla e sofisticada rede hoteleira. 
São Paulo concentra as maiores empresas de telecomunicações e informática do país, assim como a maior parte das filiais de empresas transnacionais que atuam no Brasil, a maioria das sedes dos bancos privados brasileiros e a maior parte das filiais de bancos estrangeiros. 
São Paulo é considerada uma cidade global e, com o Rio de Janeiro, forma a única megalópole brasileira, tendo intensa interação com diversas outras cidades globais do mundo.
O estado de São Paulo concentra cerca de 40% da produção industrial do país. Para a metrópole paulista converge boa parte dos fluxos de investimentos, das ligações telefônicas e das mensagens pela internet de profissionais de outros paí- ses e de outras regiões do Brasil. 
Diante de todas essas características, nota mos que o Centro-Sul é a região de contato mais intenso e direto com o exterior, responsável pelo maior volume de exportações e importações brasileiras e pelo maior fluxo de capitais internacionais que ingressam no país.
A década de 1990 apresentou uma nova etapa de ingresso de indústrias trans nacionais no Brasil, como as do setor automobilístico. Nesse período, quase todas as transnacionais desse setor instalaram-se no Centro-Sul. 
Dessa vez, porém, em vez de se estabelecerem em áreas metropolitanas de Belo Horizonte e São Paulo (incluindo o Grande ABC) ou no eixo Rio-São Paulo (Taubaté e São José dos Campos), a maior parte delas optou por cidades do interior de São Paulo, Minas Gerais e Goiás e pelas regiões da Grande Curitiba (PR) e da Grande Porto Alegre (RS), visando ocupar áreas com custos de produção e impostos menos elevados.

Os problemas urbanos e os contrastes socioespaciais 


As consequências do modelo capitalista, que gera concentração de renda e exclusão social, podem ser observadas também no Centro-Sul. 
Caracterizada por desenvolvimento e crescimento econômico expressivos e por abrigar os principais centros de negócios do país, a região é marcada por acentuados contrastes sociais e econômicos: prédios de apartamentos suntuosos ao lado de favelas; sedes de grandes grupos empresariais em bairros onde trabalham inúmeros vendedores ambulantes, etc. 
A economia formal, como no restante do país, convive com a economia informal, mas no Centro-Sul esses contrastes parecem ser ainda mais marcantes. 
No meio rural também notamos que essa região é marcada por grandes disparidades. É só contrapor, por exemplo, a agricultura de subsistência, bastante tradicional, pratica da em algumas áreas rurais da região, e a agricultura em presarial, intensamente mecanizada, apoiada em elevada tecnologia e integrada com a indústria (agroindústria), pre sente nas culturas de cana-de-açúcar e de laranja (SP), de soja (RS, PR, MS, MT, GO) e de arroz (GO).
Essas disparidades também ficam evidentes ainda se compararmos os profissionais altamente qualificados dos grandes centros urbanos, que periodicamente fazem cur sos de capacitação e têm remuneração elevada, com os trabalhadores das carvoarias de Mato Grosso do Sul e das áreas próximas à divisa entre Minas Gerais e Goiás, muitas vezes submetidos a condições de trabalho análogas às da escravidão, com os milhares de trabalhadores informais espalhados pelos centros urbanos da região.
Apesar da grande riqueza produzida no Centro-Sul, as desigualdades sociais fazem parte das paisagens de suas cidades. Na maior parte delas, por exemplo, o acesso à compra de um terreno, de uma moradia ou, ainda, ao pagamento de um aluguel é impossível para muitas famílias. Os problemas relacionados à moradia estão diretamente associados à renda da população, que sofre com a instabilidade dos preços de aluguéis e imóveis à venda. Com a alta densidade populacional, o valor agregado ao solo urbano tende a ser maior nas áreas com maior infraestrutura e próximas aos setores de serviço.
É frequente, portanto, a ocupação coletiva de terrenos públicos ou de áreas de risco, como margens de rios, encostas de morros e áreas de mananciais. 
Outro tipo de habitação comum em grandes cidades são os cortiços. Geralmente localizados nas áreas centrais, são prédios ou casarões antigos ocupados por diversas famílias, que dividem seus cômodos. 
Não raras também são as ocupações de prédios vazios, públicos ou particulares, por grupos organizados em movimentos de pessoas sem-teto.
Mesmo ratificado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o acesso à moradia adequada não é uma realidade para todos. Bilhões de pessoas no mundo vivem em condições precárias, inclusive nos países ricos. 
No Brasil, esse direito também está assegurado pela Constituição Federal de 1988, mas o déficit habitacional é estimado em cerca de 7,9 milhões de lares, conforme estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Essas formas de ocupação da cidade acompanham uma dinâmica contraditória: ao mesmo tempo em que se tem uma grande quantidade de serviços ofertados, há falta de qualidade e escassez desses serviços em determinadas regiões da cidade. 
A condição de habitação é outro fator que segrega os moradores dos lugares periféricos das cidades, decorrente da falta de políticas públicas para atender às necessidades básicas da população. Nesses locais, em geral, a oferta de serviços de saúde, educação, transporte, lazer e saneamento básico é insuficiente ou mesmo inexistente. 

Brasília, a capital federal


Brasília (DF) é uma metrópole nacional, já que funciona como centro das decisões políticas e jurídicas do país. Como fornecedora de bens e serviços, exerce influência sobre muitos municípios de Goiás, do oeste da Bahia, do noroeste de Minas Gerais e de outros estados. 
A construção de Brasília fez parte de um plano governamental que se propunha a integrar o território nacional, criando possibilidades de ocupação mais intensa na região central do país. Em 2018, o IBGE estimou que a cidade já contava com quase 3 milhões de habitantes. 
Planejada e construída para ser a capital do Brasil, a fase de construção de Brasília ocorreu de 1956 a 1960 e atraiu brasileiros de todas as regiões, que migraram para lá em grandes levas. 
A população da região, que era de aproximadamente 13 mil habitantes em 1957, passou para 127 mil em 1960. Os migrantes se estabeleceram em áreas periféricas e em antigos núcleos de povoamento. Essa ocupação deu origem às cidades-satélites, ou seja, às centralidades urbanas que se localizam no Distrito Federal, mas que não fazem parte do plano piloto. Inicialmente, esses núcleos estavam distantes fisicamente do plano piloto. 
No entanto, com o crescimento deles, atualmente, as cidades-satélites formam uma extensa mancha urbana junto à Brasília. Como o processo de urbanização se deu de maneira rápida e desordenada, houve o aumento de aglomerados subnormais – bairros carentes, com pouca infraestrutura para atender adequadamente a população. 
Diferentemente dos municípios brasileiros, as cidades-satélites não têm autonomia política e são gerenciadas por administradores nomeados pelo governo local.

A CONCENTRAÇÃO DE REDES NO CENTRO-SUL


A Região Centro-Sul concentra as redes de comunicação, energia e transporte. Como você estudou, essa concentração ocorre em razão das características da formação territo rial brasileira, o que levou ao desenvolvimento de maior infraestrutura no Centro-Sul. Desse modo, nessa região, ocorre um maior fluxo de pessoas, mercadorias e informação e as cidades apresentam maior influência em escala local, regional, nacional e mundial.

As redes de comunicação 


As redes de comunicação são aquelas res ponsáveis pela distribuição e circulação de dados, como as emissoras de televisão, rádio, internet e demais dados relacionados à comunicação. Embora o acesso à informação seja um dos direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal de 1988, as redes de comunicação ainda são distribuídas de maneira desigual no território nacional. 
A maior concen tração dessas redes está na Região Centro-Sul. Analise o gráfico a seguir, que representa a porcentagem de domicílios com acesso à internet por região. A desigualdade de acesso aos meios de comunicação no Brasil reforça a desigualdade regional. 
Enquanto as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm um percentual de acesso acima da média brasileira, as regiões Norte e Nordeste ficam abaixo do índice nacional.

As redes de energia


O aproveitamento da rede hidrográfica para a geração de energia tem estreita relação com o volume de água dos rios e com a declividade do relevo de determinada região. O Centro-Sul apresenta essas duas condições e, por isso, permite grande geração de energia hidrelétrica. Para a construção de uma usina hidrelétrica, a água de um rio é represada por uma barragem. 
Essa água represada forma um lago, que é o reservatório. Quando abertos, os canais da barragem permitem que a água do reservatório seja conduzida até as turbinas da usina, girando suas pás, que são ligadas a um gerador que produz a energia elétrica. Das usinas, a energia elétrica é distribuída para a população por meio das linhas de transmissão. 
As principais bacias hidrográficas do Centro-Sul têm grande aproveitamento de seu potencial hidrelé trico. Na Região Hidrográfica do Paraná, por exemplo, 72% desse potencial já é utilizado atualmente. É nessa bacia que se localiza a usina Itaipu Binacional, uma das maiores do mundo. 
Como o consumo de energia nessa região está cada vez maior, há uma pressão para elevar o aproveitamento do potencial energético das bacias predominantemente amazônicas, como a do Araguaia-Tocantins e a do Amazonas.

As redes de transporte


O sistema de transporte é composto por diferentes modais: aeroviário, rodoviário, ferroviário e hidroviário. Eles são responsáveis pelo fluxo de mercadorias e pessoas pelo espaço nacional e internacional. A integração entre os diversos modais de transporte garante uma maior conexão e integração entre os diferentes espaços e territórios. 
No Brasil, o modal de transporte mais utilizado e com maior extensão de malha viária é o sistema rodoviário. Como consequência do processo de industrialização e ocupação do território, as rodovias se concentram no Centro-Sul do país. Com a construção de Brasília, os projetos de ocupação do território nacional e a implementação de mais indústrias pelo Brasil durante o governo de Juscelino Kubitschek, ocorreu a expansão das redes de circulação, principalmente de rodovias. 
Com a mudança da capital do Rio de Janeiro (RJ) para Brasília (DF), houve a formação de um novo arranjo territorial, que levou à construção de vias de conexão da capital com todas as regiões brasileiras. Nesse período, foram construídas rodovias com grandes extensões, como a Brasília-Acre e a Belém-Brasília, que se estende por 2 070 km. 
Com a implementação de novos polos tecnológicos, como a Zona Franca de Manaus e os planos de desenvolvimento do Nordeste, as vias de circulação se expandiram ainda mais pelo território, possibilitando a conexão entre as diferentes regiões, o que iniciou, também, um processo de descentralização das regiões concentradas, como é o caso da Região Sudeste.

A PRODUÇÃO TECNOLÓGICA NO CENTRO-SUL


No Centro-Sul, há a concentração de alguns serviços muito específicos e necessários para diferentes parcelas da população, o que gera um grande fluxo de pessoas, capital e mercadorias. Um dos exemplos de atividades concentradas são os parques tecnológicos, que geralmente estão associados às universidades públicas e, também, podem ser utilizados por empresas. 
Esses parques apresentam infraestrutura para o desenvolvimento de pesquisas, o que possibilita o desenvolvimento tecnológico de diferentes setores, como saúde, energia, fabril, entre outros.
De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), no Brasil, há 55 parques em fun cionamento, localizados majoritariamente na Região Centro-Sul, com destaque para o estado de São Paulo. 
Um exemplo de pesquisas desenvolvidas nesses parques são aquelas relacionadas com a produção de hidrogênio verde, que pode ser utilizado como uma fonte limpa de combustível. As pesquisas para delimitar a forma de extração e produção desse elemento estão sendo feitas em um laboratório em São Carlos (SP). A imple mentação das usinas de produção será em São Gonçalo do Amarante (CE).
A produção de hidrogênio verde terá como destino países da Europa, África e América do Norte. Nesse cenário, temos uma nova rede criada: o polo de desenvolvimento localizado em São Carlos (SP), as usinas em Amarante (CE) e a exportação para outros países. 
A produção de hidrogênio verde envolve uma rede de conexão e distribuição entre os locais onde as pesquisas são realizadas e aqueles onde estão implementadas. 
A proximidade de centros universitários e, consequentemente, de núcleos de pesquisa leva as iniciativas privadas ligadas ao setor de desenvolvimento tecnológico a se concentrarem nessas áreas, uma vez que apresentam infraestrutura e mão de obra qualificada.


Regiões geoeconômicas - O NORDESTE

O Nordeste compreende uma área de cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados (aproximada mente 18% do território brasileiro).  Atualmente, a população nordestina é de aproxima damente 57 milhões de habitantes, compondo cerca de 27% da população brasileira.
Essa região foi a primeira a ser colonizada e povoada pelos portugueses. Do início do século XVI à segunda metade do século XVII, constituiu-se no principal centro econômico e social da colônia, em razão das atividades econômicas ali desenvolvidas. Na história da ocupação e da formação do território brasileiro, essa região foi a que primeiro concentrou núcleos urbanos e atividades agrícolas. 
Foi no Nordeste que a colonização portuguesa se efetivou, com destaque para a exploração do pau-brasil e da cana-de-açúcar. A Região Nordeste apresenta grandes contrastes internos, tanto naturais quanto socioeconômicos. 
Foi também a primeira a utilizar o trabalho escravizado indígena e africano. Esses fatos fizeram com que povos de diferentes etnias convivessem e possibilitassem a formação de uma identidade regional multicultural.

O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO NO NORDESTE E A SOCIEDADE AÇUCAREIRA NOS SÉCULOS XVI E XVII

A cana-de-açúcar

Em 1530, iniciou-se, no litoral nordestino, o cultivo da cana-de-açúcar com destino à metrópole. O sucesso que a produção açucareira obteve na região, principalmente em Pernambuco, deveu-se a vários fatores, entre eles: o clima quente e úmido; o solo de massapé; a maior proximidade da região com a Europa, sede da Coroa portuguesa.
A cultura da cana no nordeste da colônia tinha por base o latifúndio (grande propriedade monocultora) e a escravização. A princípio, utilizou-se a mão de obra indígena e, posteriormente, a de pessoas trazidas da África. O tráfico de escravizados africanos abriu um setor de comércio altamente rentável, principal motivo pelo qual a escravização indígena foi substituída.
À época, a sociedade nordestina era formada pela figura dos senhores de engenho e suas famílias, pelos escravizados indígenas ou africanos, que correspon diam à maior parcela da popula ção, e por alguns assalariados. Esse tipo de sociedade é conhecido como sociedade patriarcal (a figura do chefe da família, senhor do engenho, o pai, é quem tinha maior poder).
Os engenhos de açúcar surgiram como estratégia de Portugal para atribuir finalidade econômica à recém-fundada colônia brasileira, aproveitando a elevação do preço do açúcar vendido no mercado mundial. Essa região sofria constantes ameaças de ocupação por outras nações europeias, o que influenciou a decisão da Coroa portuguesa de fixar aldeias e povoados na área. Foi em Pernambuco e na Bahia que se iniciou o processo de ocupação efetiva com o plantio da cana-de-açúcar. Salvador (BA) foi construída para ser a capital da colônia, enquanto São Luís (MA), Fortaleza (CE), Natal (RN) e João Pessoa (PB) eram as principais povoações do litoral do Nordeste.
Interessados na produção de açúcar e fumo e no tráfico de africanos escravizados, os franceses e os holandeses vieram para o Brasil. 
Os franceses tentaram realizar ocupações por duas vezes, mas não foram bem-suce didos: a primeira, em 1555, no Rio de Janeiro; e a segunda, no Maranhão, em 1612, onde construíram o Forte de São Luís (que deu origem à atual capital do estado), desenvolveram plantações, construíram casas e armazéns e estabeleceram alianças com os indígenas locais. No entanto, atacados por forças militares portuguesas, foram derrotados e obriga dos a abandonar o Maranhão. 
Os holandeses fizeram duas ocupações em terras que hoje fazem parte da Região Nordeste. A primeira, entre 1624 e 1625, ocorreu na Bahia, em Salvador, sede do governo português na colônia. Expulsos em 1625, voltaram a atacar em 1627, sem sucesso. A segunda ocupação ocorreu no período de 1630 a 1654, em Pernambuco, maior centro produtor de açúcar da época. Em 1630, tomaram a Vila de Olinda.
Nesse período, o governo português investiu na vinda de expedições militares e jesuítas para formar outras capitanias, estimulando a ocupação e a proteção do território. Os povos indígenas foram catequizados e doutrinados. Os que resistiam, organizavam-se no interior do território brasileiro, sendo mortos ou submetidos ao trabalho escravo no extrativismo e na agricultura quando capturados. Seus conhecimentos sobre o território eram explorados pelos colonizadores nas incursões e para o desenvolvimento econômico, por exemplo, com as técnicas agrícolas. No final do século XVII, a atividade açucareira começou a declinar.

 A economia colonial e o declínio do açúcar

Em virtude das características climáticas e do solo, o cultivo da cana-de-açúcar foi o que mais prosperou no litoral da atual Região Nordeste. Isso estimulou o surgimento de engenhos, que dominaram a vida da região desde meados do século XVI até meados do século XX. 
Os engenhos tiveram função decisiva na colonização. Neles, estruturava-se a eco nomia colonial, agrupavam-se os moradores e organizavam-se as funções religiosas, militares e administrativas. O rápido desen volvimento da cultura da cana-de-açúcar demandou um número crescente de mão de obra, que resultou no aumento do tráfico de africanos escravizados.
No final do século XVII, a atividade açu careira começou a declinar. Em 1680, Reino Unido e Países Baixos instalaram lavouras de cana-de-açúcar em Curaçao, Bonaire, Saba, Santo Eustáquio e São Martinho, assim como os britânicos fizeram em Anguilla, Bermuda, Cayman, Turks, Caicos e Montserrat. Competindo com a produção portuguesa, as Antilhas, ao aumentar a oferta do açúcar no mercado europeu, também levou à diminuição do preço e à desvalorização do produto. 
Ao mesmo tempo, uma nova atividade chamava a atenção: a mineração de ouro na região das Minas Gerais. O resultado dessa situação foi a transferência de parcela considerável da população nordestina, incluindo os escravizados, para a região das minas, durante todo o século XVIII. 
Outro fenômeno importante para a organização do território do Nordeste foi o estabelecimento da grande produção de cacau, no sul da Bahia, na segunda metade do século XVIII. Assim como a da cana-de-açúcar e do algodão, essa produção se caracterizava pela monocultura exportadora; porém, utilizava mão de obra assalariada, e não mais escravizada.

A ocupação do interior: a pecuária e o algodão 

Paralelamente ao cultivo da cana-de-açúcar, foram introduzidas na colônia as primeiras cabeças de gado, que serviam para a alimentação, para movimentar os engenhos e para o transporte. Em razão da necessidade de mais terras para o plantio da cana, que estava no auge de sua produção, e do aumento do número de bovinos, a criação de gado no litoral foi proibida. Apesar de sua utilidade como força de tração nos engenhos, a pecuária não poderia disputar terras com a cana. Após essa medida, o gado passou a ser criado em regiões do interior.
Os engenhos de cana incentivaram o desenvolvimento da pecuária, que passou a ser praticada em seu entorno com a finalidade de abastecê-los. Com o crescimento econômico da colônia, a pecuária expandiu-se do litoral para o interior.
As rotas de expansão da pecuária foram os principais eixos de penetração e ocupação do Nordeste, com destaque para o Agreste e o Sertão. Algumas das povoações formadas nessa interiorização se tornaram centros comerciais regionais, onde se articulavam tanto a comercialização do gado e do couro quanto o fornecimento de produtos e manufaturas utilizados na atividade pecuária. 
Dessa forma, a criação de gado contribuiu para a ocupação por parte dos colonizadores das áreas mais ao interior dos atuais estados nordestinos, estruturando a pecuária, praticada em grandes latifúndios no Sertão e destinada, principal mente, ao fornecimento de carne para a zona açucareira. Até hoje parte das terras do Sertão está ocupada por propriedades que praticam a pecuária extensiva.
Atualmente, a pecuária da região é desenvolvida de forma tradicional, ou extensiva, na qual o gado se alimenta normalmente das pastagens nativas, e, por causa do clima semiárido, a produtividade é baixa. Há, também, o desenvolvimento da pecuária de caprinos, animais de pequeno porte que aguentam as condições naturais da região. 
A partir da Revolução Industrial (segunda metade do século XVIII), com o de senvolvimento da indústria têxtil na Inglaterra, Portugal iniciou o cultivo do algodão na colônia, em razão da maior procura dessa matéria-prima agrícola. 
Destacaram-se nessa atividade inicialmente o Maranhão e depois o Sertão nor destino, sobretudo os núcleos de Pernambuco e da Bahia, em virtude de seu clima Tropical Semiárido. A produção do algodão também era voltada para o mercado externo e controlada pelos latifundiários. 
Visava exclusivamente ao abastecimento das indústrias europeias, pois no Brasil não existia atividade industrial. Dessa forma, exportava-se matéria-prima (algodão) e importavam-se produtos industria lizados (roupas e tecidos).

Nível socioeconômico e distribuição de renda

Historicamente, as políticas do governo federal para o desenvolvimento da região Nordeste pouco contribuíram para alterar suas condições sociais. Em boa parte, essas políticas acabaram beneficiando quem menos precisava: latifundiários e proprietários de usinas de açúcar e álcool. 
A partir do início do século XXI, porém, os programas de transferência de ren da, além dos aumentos reais do salário mínimo, entre outros fatores, possibilita ram uma redução nos níveis de pobreza e miséria na região.
A atual situação socioeconômica do Nordeste é caracterizada, em boa parte, pela forte concentração da propriedade da terra e pela influência dos grandes proprietários rurais na vida política da região. Grande parte deles detém o poder político e econômico, explorando uma mão de obra farta e considerada barata. 
A melhoria da distribuição de renda no Nordeste depende, entre outros fato res, de uma distribuição mais justa da terra no campo. Além disso, é preciso que se estabeleçam políticas para a implementação de infraestrutura de distribuição de água em áreas mais pobres, de modo que se possa conviver satisfatoriamente com a escassez que atinge grande parte da região.
O desequilíbrio na distribuição de renda e a pobreza provocam um menor poder de consumo da maioria da população nordestina. Isso dificulta a implementação e o desenvolvimento da indústria de forma mais intensa. Para que a economia de uma região se torne mais dinâmica, é necessário que o poder de compra seja ampliado a um maior número de pessoas.
No início dos anos 2000, o governo federal unificou alguns programas sociais existentes no país. Grande parte das famílias beneficiadas por esse programa unificado está no Nordeste. Com ele, o governo federal objetivava transferir renda para as populações mais carentes, visando combater a pobreza e diminuir a desigualdade.

AS SUB-REGIÕES DO NORDESTE 

Considerando principalmente a diversidade de climas e vegetações, podemos identificar algumas sub-regiões no espaço nordestino: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte. Essa subdivisão é usada oficialmente pelo IBGE, para melhor compreensão das dimensões socioespaciais, culturais e econômicas do Nordeste, e auxilia na formulação de políticas públicas e projetos territoriais.

A Zona da Mata
 
A Zona da Mata é a mais po voada. Seu nome faz referência à Mata Atlântica que cobria originalmente essa área. Mais urbanizada das sub-regiões, é nela que se concentra o maior número de indústrias. 
Na porção oriental da faixa costeira, do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia, há o predomínio do clima tropical atlântico, quente e úmido. Essa é a sub-região com a maior ocorrência de chuvas do Nordeste. Caracteriza-se por ter solos profundos e férteis, dos quais se destaca o solo de massapé. 
A vegetação nativa era formada de Florestas Tropicais, razão pela qual é conhecida como Zona da Mata. Essa vegetação foi quase totalmente substituída por plantações de cana-de-açúcar e de outras lavouras, desde o período colonial, e por cidades. 
É uma área que atrai muitos turistas de outras regiões do Brasil e do exterior, por causa de suas praias. Nela predominam as grandes propriedades rurais.

O Agreste 

O Agreste é uma área de transição entre a Zona da Mata, de clima Tropical Úmido, e o Sertão, de clima Tropical Semiárido. No Agreste, predominam as pequenas e médias propriedades rurais, onde se desenvolvem a policultura (cultivo de diversos tipos de plantas) e a pecuária leiteira. Seus produtos abastecem, principalmente, o maior mercado consumidor do Nordeste — a Zona da Mata.
O Agreste é uma sub-região de relevo com altitudes mais elevadas que as das terras vizinhas. Trata-se de uma estreita faixa de transição, com clima tropical e vegetação que combina elementos das Florestas Tropicais e da Caatinga. Ela é formada de pequenas e médias propriedades agrícolas com culturas diversificadas, como algodão, milho, mandioca, sisal, fumo e feijão. As principais cidades do Agreste, como Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e Feira de Santana (BA), desenvolvem importantes atividades comerciais e feiras.

O Sertão 

O Sertão apresenta muitos rios temporários e baixo índice pluviométrico, com características de irregularidade, pois ocorrem longos períodos sem chuva (estiagem). Em alguns trechos do Sertão, pratica-se a criação de gado e, em outros, a agricultura, inclusive irrigada, principalmente no Vale do São Francisco. 
No Sertão, predomina o clima semiárido, caracterizado por altas temperaturas e uma estação seca prolongada, em razão da baixa e irregular distribuição das chuvas ao longo do ano. Isso afeta diretamente o curso dos rios, que são, em grande parte, intermitentes. 
A vegetação nativa é a Caatinga, formada de arbustos esparsos, como o mandacaru e o xiquexique, de algumas espécies arbóreas, como o pereiro e a aroeira, e de vegetação rasteira. A pecuária extensiva e a agricultura irrigada de frutas e hortaliças são as principais atividades econômicas do Sertão.

O Meio-Norte 

O Meio-Norte é uma área de transição entre o Sertão e a Amazônia. Nessa sub-região, destacam o extrativismo ve getal (carnaúba e babaçu) e o cultivo do arroz.
No estado do Maranhão e em parte do estado do Piauí, ocorre uma faixa de transição entre o clima seco do Sertão e o úmido da Floresta Amazônica chamada de Meio-Norte. 
A vegetação característica do Meio-Norte é a Mata dos Cocais. O extrativismo vegetal da carnaúba e do babaçu, árvores típicas da Mata dos Cocais, é uma das principais atividades econômicas dessa sub-região. Dessas árvores, são obtidos óleos e ceras para vários usos industriais, como na produção de cosméticos e de alimentos.

A CONEXÃO ENTRE CLIMA E RELEVO

Os tipos de clima que predominam no Nordeste são o tropical, o tropical atlântico e o semiárido. Os fatores climáticos e do relevo interligam-se e interferem na dinâmica climática local, caracterizada por lugares com longa estação seca, como o Sertão, e outros com elevada pluviosidade, como o Meio-Norte e a Zona da Mata.
A escassez de chuva no Sertão A sub-região do Sertão é caracterizada pela baixa e irregular pluviosidade, bem como pela presença da vegetação de Caatinga. Nessa área, a estiagem ocorre de seis a oito meses por ano. Um dos fatores que explicam a longa duração da estação seca é a ocorrência de uma zona de alta pressão, sobre a área do Sertão, que dificulta o encontro das massas de ar quentes e úmidas, provenientes da Amazônia e do Atlântico, com a massa de ar fria que se desloca da região polar atlântica. 
Por esse motivo, raramente se formam frentes de instabilidade, responsáveis pelas chuvas. À medida que as massas se deslocam, perdem umidade e, caracterizando a escassez e a irregularidade, não ultrapassam 400 mm anuais. Essa escassez implica déficit hídrico no Rio Grande do Norte, em Seridó, por exemplo.
A variação pluviométrica de alguns trechos do Sertão também está rela cionada com a presença do relevo, principalmente o Planalto de Borborema, que faz com que chova na vertente leste e o ar chegue seco na vertente oeste. Isso explica a escassez de chuvas em determinado período do ano nas áreas próximas a esse planalto.
Ao comparar os mapas, pode-se notar que, nas áreas do Rio São Francisco e da Depressão Sertaneja, a seca ocorre com maior intensidade. Isso acontece porque o Planalto da Borborema barra a circulação da massa de ar Equatorial Atlântica, concentrando a umidade no litoral, onde está a planície e os tabuleiros litorâneos. Também é possível notar a diferença de pluviosidade em um mês.

A VEGETAÇÃO NO NORDESTE 

Uma característica importante do Nordeste é a diversidade natural. As características físico-naturais possibilitam a compreensão da dinâmica econômica e da ocupação do Nordeste, bem como o planejamento de estratégias para o seu desenvolvimento social e econômico.

 A Floresta Amazônica 

É uma Floresta Equatorial, suas árvores são de grande porte e perenes, ou seja, as folhas não caem no outono e no inverno. Em razão da densidade da vegetação, a floresta detém uma grande quantidade de massa de ar úmida, dando origem aos chamados rios voadores.

A Mata dos Cocais 

A Mata dos Cocais está localizada em uma faixa de transição entre três biomas brasileiros, a Caatinga, a Floresta Amazônica e o Cerrado. Sua flora é composta, majoritariamente, por palmeiras de babaçu e carnaúba. Em função de sua localização, a região da Mata dos Cocais tem um clima equatorial e semiárido, com verão quente e chuvoso e inverno quente e seco.

A vegetação de Mata Atlântica 

Apresenta grande biodiversidade de fauna e flora. Os solos são profundos e férteis, conhecidos como solos de massapé. É uma das florestas com o maior número de espécies endêmicas do mundo.

A vegetação do Cerrado 

As veredas são formações vegetativas comuns no Cerrado, caracterizadas pela presença de palmeiras de buritis e pelos Campos limpos, com poucos arbustos. Por isso, o Cerrado é frequentemente utilizado para atividades de pecuária. 
Seu solo com alta concentração de ferro é pouco fértil, no entanto pode ser facilmente corrigido para a produção agrícola. Atualmente, tem sofrido intenso desmatamento com a expansão da fronteira agrícola. A vegetação floresce durante o verão, caracterizado por altas temperaturas e pelo alto índice pluviométrico. No inverno, as temperaturas são elevadas e a região passa por um período de secas.

A vegetação da Caatinga 

A vegetação é adaptada ao solo rochoso e pedregoso e aos longos períodos de seca. Os rios são intermitentes e, por isso, podem desaparecer nos períodos sem chuva, dependendo do ritmo climático sazonal.

A vegetação de Campos 

Sua vegetação é composta, majoritariamente, por plantas rasteiras, herbáceas, pequenos arbustos e gramíneas. Em razão das suas características de solo fértil, bons índices pluviométricos e terrenos planos, os Campos têm sido devastados para a prática de atividades agropecuárias.

A vegetação litorânea 

É a vegetação mais afetada pelas atividades econômicas do período colonial, em razão de sua localização. É formada principalmente por mangues, restingas e dunas.

AS REDES URBANAS NO NORDESTE

A rede urbana consiste em um conjunto de cidades que estão conectadas por meio de seus arranjos produtivos e comerciais. A partir da década de 1970, projetos governamentais de incentivos industrial e agropecuário tiveram o objetivo de promover o desenvolvimento econômico do Nordeste. Desse modo, algumas cidades se firmaram como polos regionais, principalmente nas capitais históricas e litorâneas. Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE) são as maiores cidades nordestinas, somando mais de 10 milhões de habitantes nas áreas metropolitanas. 
Essas cidades dispõem de maior infraestrutura, como postos de saúde, supermercados, agências bancárias, museus, cinemas e redes de eletricidade, esgotamento sanitário e tratamento de água, por exemplo. Esses serviços são importantes para o desenvolvimento de atividades econômicas e para a geração de renda, além de promover a qualidade de vida da população.
A consolidação do processo de urbanização e constituição de redes urbanas regionais está associado aos complexos indus triais de setores agroindustriais e energéticos, desenvolvidos prin cipalmente em 1960 e 1970, no contexto da Superintendência de Desenvolvimento Regional para o Nordeste (Sudene).

AS POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL 

Entre os séculos XX e XXI, o Nordeste recebeu grandes investimentos oriundos princi palmente de parcerias público-privadas, de capital nacional e estrangeiro, o que contribuiu para a dinamização da economia e a reorganização das redes urbanas regionais. 
Nesse período, muitas indústrias migraram do Sudeste para o Nordeste, buscando menores custos de produção e impostos. Isso contribuiu para a geração de empregos e renda para a população local, principalmente nas três maiores regiões metropolitanas: Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). 
No início do século XXI, a Região Nordeste obteve a maior taxa de crescimento médio anual no Brasil, em decorrência do cenário de desenvolvimento no período, além da geração de empregos proporcionados pela modernização e pelo desenvolvimento de indústrias e agroindústrias.
Os governos estaduais e federal também desenvolveram programas sociais voltados às linhas de crédito para os agricultores familiares e para a distribuição de renda, além de investimentos destinados à ampliação de centros de educação, pesquisa, ciência e tecnologia.

OS PROBLEMAS SOCIOECONÔMICOS DO NORDESTE

Apesar dos grandes avanços socioeconômicos da Região Nordeste nas últimas décadas, ainda podemos considerá-la a região que apresenta maior desigualdade social do Brasil. Você estudou que, em parte, isso é resultado de uma ocupação territorial pautada no latifúndio e na monocultura de exportação. Analise o mapa a seguir, que representa a proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza no Brasil em 2017. Mais de 45% das pessoas que vivem no Maranhão, no Piauí e em Alagoas estão abaixo da linha de pobreza. Os indicadores ainda são uma herança da desigualdade regional no Brasil.
A análise dos dados, com base no panorama econômico e populacional, reforça a necessidade de formulação de políticas de incentivo e desenvolvimento regional em diversos setores, para garantir a seguridade social da população que vive na região. 
Os problemas socioeconômicos vêm sendo agravados por crises econômicas e cortes de programas de assistência social e distribuição de renda, que provocaram o aumento da pobreza e do desemprego no Nordeste.
Nos últimos anos, o Produto Interno Bruto (PIB) da região vem diminuindo. Em 2020, período da pandemia de covid-19, os setores de indústria e serviços atingiram os piores índices de queda no PIB, –8,6% e –7,6%, respectivamente. O único setor que sustentou crescimento foi a agropecuária, com 1,3%.

AS PRODUÇÕES MINERAL E INDUSTRIAL

O Nordeste apresenta diversas reservas minerais de urânio, amianto, titânio, fosfato, calcário, diamante, ouro, entre outras. As atividades de garimpo e mineração se destacam, entretanto, são superadas pela extração de petróleo e gás natural. 
Além da produção de combustíveis e gás de cozinha, o gás natural é utilizado na fabricação de fertilizantes. Na imagem a seguir, é apresentada uma indústria de fertilizantes em Laranjeiras (SE).
A indústria Unigel, que pertencia à Petrobras, produziu, em 2021, 650 mil toneladas de fertilizantes de acordo com dados divulgados pela empresa. A fábrica está localizada próxima da capital do Sergipe, Aracaju, e integra o maior eixo de industrialização da Região Nordeste. 
Além de fertilizantes nitrogenados, a empresa produz amônia e sulfato de amônio na região. Por causa das atividades que desenvolvem as indústrias de fertilizantes nitrogenados têm intensos fluxos de circulação de mercadoria e capital com os fornecedores de gás natural e demais produtos químicos e minerais para produção. 
A reativação das fábricas de fertilizantes por parte da Petrobras busca reduzir a necessidade de importação e depen dência dos produtos russos. Em 2020, de acordo com dados da IFA e Comexstate, o brasil importou mais de 30 mil toneladas de fertilizantes.

A produção de petróleo no Nordeste

A produção de petróleo no Nordeste ENCAMINHAMENTO Brasil: produção de petróleo (abril/2021) Estado Rio de Janeiro São Paulo Espírito Santo No Nordeste, a produção de petróleo destaca-se nas áreas da Bacia Potiguar (RN), da Bacia de Alagoas (AL), da Bacia do Recôncavo (BA) e da Bacia do Sergipe (SE). 
Desde 2013, com a descoberta do pré-sal, houve crescimento na atividade exploratória. A maior parte das bacias está localizada em campos maduros, ou seja, onde a explo ração ocorre há mais de 25 anos. Também existem pesquisas que visam comprovar a existência de reservas de petróleo com grande potencial.
O destaque da produção petrolífera brasileira é a Bacia de Campos e Santos, situada na plata forma marítima entre os estados do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, ainda que Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Maranhão, Alagoas e Ceará tenham menor participação na produção nacional de petróleo, é importante destacar os investimentos realizados no setor, a extensão do litoral e a infraestrutura existente na região nordestina, como o Polo Petroquímico de Camaçari (BA).

Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE)

A expansão do Complexo Industrial-Portuário do Pecém (CIPP), em operação desde 2002, é um exemplo de modernização e de desenvolvimento econômico. Os acordos econômicos com multinacionais de diversos países representam o interesse que o CIPP desperta no cenário mundial, em razão de sua vantajosa localização tanto pela saída para o Atlântico como pelas condições físico-naturais de energia eólica e solar disponíveis na costa litorânea do Ceará.

A MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA

Nas últimas décadas, a agricultura nordestina tem passado por modificações signi ficativas, seja nos setores mais tradicionais, como o canavieiro, seja na criação de novas culturas, como é o caso da produção irrigada de frutas do Sertão ou dos arranjos produ tivos modernos. 
Como consequência da modernização e da especialização de práticas agropecuárias, cuja produção se destina ao mercado externo, houve um crescimento do uso de novas técnicas de correção e fertilização de solos e a implantação de projetos de irrigação e seleção de sementes e espécies. 
A modificação da estrutura produtiva agropecuária nordestina tem submetido os agricultores a novas pressões:
• cenários internacionais de competição e de protecionismo, que dificultam a exportação; 
• mudança das estruturas de propriedade da terra; 
• necessidade cada vez maior de mecanização agrícola e acesso à tecnologia; Protecionismo: política econômica que busca tornar os produtos nacionais mais baratos do que os importados. 
• formação do chamado agronegócio, que é a fusão da agricultura com processos industriais, por exemplo: integrar o plantio de cana-de-açúcar à produção de açúcar e álcool. Com a mecanização e o uso intensivo de recursos biotecnológicos e da atividade agroindustrial, a produção agrícola no Nordeste vem apresentando diversidade de uso de tecnologia e ciência, conforme as características físico-naturais das sub-regiões (Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata). 
Nessas áreas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve estudos especializados em genética, microbiologia, engenharia de produção e de alimen tos, nutrição animal, técnicas de reprodução etc. As instalações da Embrapa estão divididas por sub-região ou tipos de atividades.

OS CINTURÕES AGRÍCOLAS NAS SUB-REGIÕES NORDESTINAS

A agricultura no Nordeste é caracterizada pelo cultivo de soja, cana-de-açúcar, grãos, raízes, leguminosas e frutas, além das pecuárias caprina, ovina e bovina. 
Cada sub-região conta com sistemas específicos de produção, que adotam solu ções tecnológicas para alcançar produtividade em áreas com estresse hídrico. 
Note que, nos estados do Meio-Norte, vão se concentrar as produções que precisam de maior umidade, chuvas mais frequentes e solos menos ácidos; no Sertão estarão concentradas aquelas ativida des agrícolas que resistem a longos períodos de estiagem e baixa umidade; já no Agreste e na Zona da Mata, estão con centradas as produções que resistem a curtos períodos de estiagem e maior umidade.

O biocombustível

O biocombustível é um combustível biodegradável fabricado à base de fontes reno váveis, como óleos vegetais e gorduras animais. Ele é menos poluente que os combustíveis convencionais, como o diesel, proveniente do petróleo. 
O biocombustível utilizado em veículos movidos a diesel, caminhões e tratores, por exemplo, é conhecido como biodiesel. Por beneficiar o desenvolvimento da atividade agrícola, o biocombustível recebe insumos da pecuária, como o sebo bovino, que pode ser usado em sua composição. 
No futuro, ele poderá reduzir a exploração do petróleo, uma vez que é, em muitos casos, um substituto desse recurso. A produção de biocombustível no Nordeste é significativa, em especial, no que diz respeito ao aproveitamento de oleaginosas, como o babaçu, o girassol e a mamona.

A IMPORTÂNCIA DO RIO SÃO FRANCISCO 

O Rio São Francisco é o principal rio perene da Região Nordeste. Suas nascentes localizam-se no estado de Minas Gerais; de onde segue na direção norte e deságua no oceano Atlântico, na divisa entre Sergipe e Alagoas. Atravessa três das quatro sub-regiões do Nordeste: Sertão, Agreste e Zona da Mata. 
É um rio extremamente importante para a região nordestina. Além de garantir água para uma vasta área, em especial, o Sertão, possibilita a instalação de hidrelétricas em diversos trechos de seu percurso, que abastecem as principais cidades do Nordeste. 
No entanto, a falta de planejamento no uso das águas e o desmatamento das matas ciliares têm causado sérios problemas, como o assoreamento do rio, a diminuição do canal fluvial e a poluição de suas águas.

A transposição do Rio São Francisco 

A transposição consiste na construção de dutos de ligação das águas do São Francisco para alimentar rios intermitentes e açudes nas regiões mais afetadas pela seca, com previ são de abastecer um total de 390 municípios nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. 
Em 2017, o primeiro trecho foi inaugurado e, no mesmo ano, foi verificada a melhora no acesso à água nas áreas próximas a açudes, o que levou a novos projetos para beneficiar outros estados nordestinos.
Apesar disso, há críticas ao modelo da transposição, que apontam como possíveis fatores negativos o aumento do assoreamento do rio, a diminuição de seu volume de água, o que afetaria os peixes e outros animais desse hábitat, e a perda de vegetação nativa causada pelas obras. 
Além disso, os projetos de irrigação colocados em prática até então favoreceram principalmente os latifúndios monocultores, que destinam toda a sua produção à exportação.

A ATIVIDADE TURÍSTICA

A atividade turística é um dos setores da economia que mais crescem no mundo, e na Região Nordeste gera muitos recursos e empregos. 
Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento do turismo no Nordeste tem sido marcado por quatro características: 
• diversificação dos destinos, que não se limitam unicamente às capitais e às localidades litorâneas; 
• crescimento contínuo do fluxo de turismo interno e externo; • profissionalização do setor; 
• articulação eficiente entre poder público e iniciativa privada.
O turismo é um dos exemplos da articulação entre natureza, economia e cultura. Assim, para que a atividade turística tenha sucesso, não se devem considerar apenas as características naturais, mas também as condições culturais e educacionais da região, promovendo, por exemplo, a formação de mão de obra especializada. 
Além das belezas naturais, como o seu vasto litoral e as áreas como os Lençóis Maranhenses, o Nordeste tem cidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Salvador (BA), Olinda (PE) e São Luís (MA), e, também, grandes áreas de preservação ambiental. No entanto, a atividade turística também apresenta aspectos negativos, já que pode contribuir para a degradação ambiental e a expulsão da população local em áreas que atraem investimentos turísticos. Considerando isso, é importante que as políticas voltadas para o incentivo ao turismo promovam o desenvolvimento local e respeitem as legislações ambientais e trabalhistas.

AS MIGRAÇÕES NORDESTINAS

Nas últimas décadas, o Nordeste ampliou seu parque industrial e sua produção agrí cola, aumentando, assim, a oferta de emprego. Atraída por mais postos de trabalho, grande parte dos migrantes regressou a essa região, em especial para as capitais, como Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). 
A produção de petróleo e o turismo também têm participação significativa na economia nordestina e na atração populacional para a região. O crescimento econômico regional tem contribuído para a inversão do fluxo de migração Nordeste-Sudeste. É cada vez mais intensa a chamada migração de retorno – pessoas nascidas em estados do Nordeste que vivem no Sudeste estão retornando à sua região de origem.

Os movimentos pendulares e sazonais 

Na Região Nordeste, é muito comum ocorrer movimentos temporários de pessoas, por um período mais longo ou no decorrer do mesmo dia. Eles se diferenciam dos fluxos migratórios exatamente por não serem permanentes. São chamados de movimento sazonal e movimento pendular de pessoas. 
O movimento sazonal se refere a migrações que acontecem por um período determinado. Ocorre principalmente nos períodos de seca no Sertão nordestino, que incentivam os fluxos temporários de pessoas que vão para as grandes cidades para trabalhar. Quando as chuvas retornam, essas pessoas voltam para seu local de origem. 
Também podem ser trabalhadores de indústrias ou empresas de serviços, que trabalham durante um período em uma das filiais, ou profissionais autônomos, que se deslocam para prestar serviços durante um período em outras cidades.
No movimento pendular, os trabalhadores se deslocam, diariamente, de suas residências em direção ao seu lugar de trabalho. Então, não chegam a mudar de casa. Entre os exemplos, estão os boias-frias, trabalhadores rurais que saem das cidades onde residem e se deslocam para as fazendas em que trabalham, regressando às suas casas depois do dia de trabalho; os trabalhadores da indústria e dos serviços que vivem em cidades-dormitório e se deslocam diariamente ao centro das grandes cidades para trabalhar, algo muito comum nas regiões metropolitanas.

A RIQUEZA CULTURAL NORDESTINA

Na história da ocupação e da formação territorial do Brasil, o Nordeste constitui-se como uma das primeiras regiões a concentrar os núcleos urbanos, as atividades agrícolas e, na vida cotidiana, a mistura de várias culturas e povos, como você já estudou. Esses fatos propiciaram a convivência de diferentes povos e possibilitaram a formação de uma cultura que confere uma identidade regional. 
A cultura nordestina é o resultado da convivência de vários povos europeus, afri canos e indígenas. Essa miscigenação cultural traz aspectos do cato licismo e das religiões africanas e indígenas e materializa-se em ritmos, danças, músicas e festas. Analise as fotografias de algumas dessas manifestações culturais e leia as descrições para conhecer um pouco sobre elas.



A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...