terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Regiões geoeconômicas - O CENTRO-SUL

A Região Centro-Sul concentra boa parte das indústrias de maior complexidade, como a automobilística, a farmacêutica e a aeronáutica, além de grande parte da produção agrícola. Por essas razões, também abriga os maiores aglomerados populacionais. Nessa região, localiza-se a sede do Governo Federal, onde as decisões em caráter nacional são tomadas.

O PROCESSO DE OCUPAÇÃO DO CENTRO-SUL


Na regionalização proposta pelo geógrafo Pedro Pinchas Geiger, na década de 1960, as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, assim como parte das regiões Norte e Nordeste, são agrupadas e formam uma mesma região, denominada Centro-Sul. Ela é formada pelos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal e de parte dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Bahia. 
Diferentemente da regionalização estabelecida pelo IBGE, essa divisão regional não respeita os limites estaduais, como você já estudou anteriormente. 
O Centro-Sul concentra a maior parte da população brasileira e reúne os principais centros econômicos e financeiros do país e os fluxos de comunicação e transporte, além do maior número de universidades e centros tecnológicos e de pesquisa científica.

A COLONIZAÇÃO DO CENTRO-SUL  


Em 1532, partiu a primeira expedição colonizadora de Portugal em direção à América. Sua missão era instalar os primeiros habitantes portugueses e iniciar efetivamente a colonização. Martim Afonso de Sousa, comandante dessa expedição, estabeleceu-se com seus tripulantes no atual litoral do estado de São Paulo, onde fundou São Vicente, a primeira vila brasileira. No entorno dessa vila, foi desenvolvido o cultivo de cana-de-açúcar e foram construídos os primeiros engenhos da colônia. Em 1554, um pequeno grupo de jesuítas saiu da Vila de São Vicente e ocupou a região onde hoje está a cidade de São Paulo. 
Durante os séculos XVII e XVIII, diversas expedições partiram dessa vila e de seus arredores rumo ao interior com a intenção de descobrir e explorar minérios e pedras preciosas, além de capturar e dominar comunidades indígenas. Essas expedições, conhecidas como bandeiras, promoveram a ampliação do território português na América. 

A mineração do ouro


No fim do século XVII, os integrantes de uma dessas expedições descobriram ouro na região do atual estado de Minas Gerais, atraindo milhares de pessoas em busca de riqueza com o garimpo. Nesse período, ocorreu a ocupação colonial dos atuais estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. 
Com a descoberta do ouro (década de 1690) e, depois, dos diamantes (1729), a expectativa de enriquecimento rápido passou a atrair um grande número de pessoas para a região das Minas Gerais, dando origem a vários núcleos de povoamento, que, com o tempo, se transformariam em vilas e cidades.
O ouro e outros minérios preciosos foram encontrados em áreas dos atuais estados de Minas Gerais (maior área de exploração), Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A exploração dessas riquezas minerais no atual Centro-Sul estendeu-se praticamente por todo o século XVIII.
Já no século XVIII, o crescimento da mineração do ouro resultou na criação de diversos núcleos urbanos, como Vila Rica – atual Ouro Preto –, Mariana, Sabará e Tiradentes (MG).
Não foi só a extração de minérios que propiciou o surgimento de núcleos de povoamento nesse período. A necessidade de abastecer a sociedade mineradora levou ao desenvolvimento de atividades agrícolas e comerciais no sul de Minas Gerais, em São Paulo e no Rio de Janeiro, além da criação de gado no sul do Brasil.
Para abastecer a população que passou a viver ali, alimentos e animais eram transportados de diversas outras áreas coloniais, como dos atuais estados do Nordeste e, principalmente, dos do Sul.

A mudança do eixo econômico para o Centro-Sul 


Em 1763, a capital do Brasil foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. Durante boa parte do século XVIII, a mineração constituiu a principal atividade econômica da colônia, fazendo com que o Centro-Sul assumisse o comando da economia colonial brasileira. 
Nas primeiras décadas do século XIX, quando a atividade mineradora começava a declinar e o açúcar e o algodão perdiam competitividade no mercado internacional, um novo produto agrícola veio fortalecer ainda mais o crescimento e a estruturação dessa região: o café. Até hoje, o café é um dos mais importantes produtos de exportação do Brasil.
Paralelamente ao crescimento da cultura cafeeira, de senvolveu-se a criação de gado, destinada ao abastecimento da população. A criação de gado ocupou vastas áreas do Centro-Sul, destacando-se o oeste de São Paulo, o Triângulo Mineiro, o norte e o sul de Minas Gerais, o Vale do rio Paraíba (SP e RJ), a área do atual estado de Mato Grosso do Sul e as campinas do sul do Brasil.

A CAFEICULTURA


A exploração econômica do café em terras brasileiras iniciou-se na segunda metade do século XVIII, no estado do Rio de Janeiro, que reunia as condições ideais de clima e solo para o desenvolvimento dessa planta.
A cafeicultura foi uma das atividades econômicas mais importantes para a economia nacional. O café começou a ser cultivado no início do século XIX, nos arredores da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Posteriormente, com o aumento da produção,  as plantações se estenderam ao longo do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, no Vale do Paraíba. Em seguida, atingiram o interior do estado de São Paulo e o centro-sul de Minas Gerais. 
Nas primeiras décadas do século XX, os cafezais alcançaram as terras dos atuais estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, e o Brasil passou a ser o maior produtor mundial de café, tendo os Estados Unidos como principal comprador.
A partir da década de 1930, a produção de café se estendeu ao norte paranaense, aproveitando as extensões de terra roxa, extremamente férteis, e atraindo migrantes de outros estados e países.
Com a expansão das plantações de café, a paisagem, a vegetação, a economia e as estruturas sociais das regiões cafeicultoras foram extremamente modificadas. 
Também foram desenvolvidas políticas internas para a sua produção e comercialização, além de ter sido uma atividade importante para o estabelecimento de relações comerciais com outros países, que importavam o café brasileiro.
Entre as consequências mais importantes da cafeicultura, está a transformação gradativa da cidade de São Paulo (SP) em polo comercial e financeiro, desde a segunda metade do século XIX. São Paulo passou a dividir com o Rio de Janeiro (RJ), a então capital do Brasil, a centralização nacional da política e da economia. Com as intensas atividades econômicas e políticas, o eixo São Paulo-Rio de Janeiro implementou uma extensa malha ferroviária. 
Ainda no século XX, inúmeras ferrovias e estradas foram abertas para o es coamento da produção cafeeira até os portos de Santos e do Rio de Janeiro. Nas proximidades dessas estradas começaram a se desenvolver aglomerados urbanos, alguns estabelecimentos industriais e embriões de grandes cidades da atualidade.
A mais importante delas foi a Estrada de Ferro Leopoldina, que se expandiu e passou a integrar os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Os trilhos e as estações seguiam as rotas de expansão das regiões cafeicultoras. A riqueza e a infraestrutura geradas pela cafeicultura foram empregadas na construção de fábricas, favorecendo a industrialização no início do século XX. 
Em 1929, em virtude de uma crise financeira mundial, o preço do café caiu bastante e rapidamente. Toneladas do produto foram queimadas por falta de compradores e muitos cafeicultores foram à falência. Conforme a produção de café se estendeu para o interior dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, a vegetação de Mata Atlântica sofreu degradação. 
Além disso, os solos nos quais se plantava café esgotaram-se gradativamente, em razão do desconhecimento de técnicas de correção de solos e de rotação de culturas por grande parte dos cafeicultores no Brasil.

Os imigrantes e a ocupação da região sul


O sul do Brasil não era apropriado para a produção de gêneros tropicais de exportação, por se tratar de uma área de clima Subtropical. Para estimular a sua ocupação, o governo promoveu a vinda de colonos estrangeiros, fazendo-lhes diversas concessões, como pagamento de transporte e doação de propriedades rurais.
Assim, vieram diversos grupos de estrangeiros, como os alemães, que se fixaram em São Leopoldo (RS), em 1824, e em Rio Negro (PR), em 1827. Em 1850 e 1851, colonos alemães fundaram as cidades de Blumenau e Joinville (SC). Os italianos dirigiram-se para o Rio Grande do Sul, onde se dedicaram ao cultivo da uva e à produção de vinho. Vários de seus núcleos iniciais transformaram-se em importantes cidades, como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi, centros produtores de vinho.
A partir do início do século XIX, muitos imigrantes vieram para o Brasil para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar e café. Os imigrantes tinham, em sua maioria, experiência no trabalho agrícola e suas técnicas foram utilizadas para o desenvolvimento de diversas culturas agrícolas, como trigo, arroz, cevada, vinha e fruticultura. No Sul do país, a imigração contribuiu para a formação de cidades com forte influência da urbanização europeia, como Caxias do Sul (RS) e Blumenau (SC). 
A partir de 1878, ingressaram na região poloneses e ucranianos, que se fixaram principalmente no Paraná, onde se dedicaram à agricultura, à pecuária e ao extrativismo da madeira.
Grande parte desses imigrantes vieram para o Brasil por causa dos projetos de financiamento do governo federal, que buscava implementar políticas de branqueamento.
Em 1878, foi criada em São Paulo a Hospedaria dos Imigrantes, que funcionava como um centro de recepção e encaminhamento dos recém-chegados de países como Holanda, Alemanha, Itália, Espanha e França. 
Na primeira metade do século XX, uma grande onda de imigração veio do Japão, formada por camponeses que se destinavam principalmente às lavouras do interior de São Paulo e do norte do Paraná. Italianos e japoneses, entre outros grupos de imigrantes, deslocaram-se também para as cidades, principalmente São Paulo (SP), empregando-se na indústria nascente e nos setores de comércio e serviços, exercendo importante influência na formação cultural da cidade.
Esses colonos introduziram novas técnicas agrícolas e a policultura, além do cultivo de novos produtos, como o trigo e o centeio. Esse povoamento teve como características as relações de trabalho livre e o predomínio de médias e pequenas propriedades rurais em Santa Catarina, parte do Paraná e parte do Rio Grande do Sul. No entanto, em algumas porções dessa parte do Brasil, como no sul do Rio Grande do Sul e no Paraná, houve a criação de latifúndios e a utilização de pessoas escravizadas.
Dos quase 5 milhões de imigrantes que o Brasil recebeu até as primeiras dé cadas do século XX, a maior parte fixou-se no Centro-Sul (sobretudo nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), influenciando a vida econômica, social e cultural da região. 
A preferência por esses estados é explicada, entre outros fatores, pela necessidade de mão de obra para a lavoura, pelo projeto de ocupação das áreas de fronteira do território brasileiro e pelos incentivos governamen tais concedidos aos imigrantes para a efetiva ocupação do sul do país.
O trabalho assalariado e o contato com produtos industrializados trazidos pelo imigrante foram elementos que também contribuíram para a industrialização, já que estimulavam o consumo no mercado interno. Isso favoreceu, posteriormente, a estruturação de cidades cuja população apresentava nível médio de vida superior ao do restante do país.
Atualmente, os descendentes dos imigrantes europeus ainda mantêm algumas tradições de seus antepassados e realizam festas típicas que atraem muitos turistas para a região Sul do Brasil.

A AGROPECUÁRIA


Uma das características de destaque da Região Centro-Sul é a extensão das áreas destinadas à agropecuária. Até a década de 1970, a maior parte da produção brasileira no setor concentrava-se no Centro-Sul do país. O valor da terra aumentou gradativamente no Sul e no Sudeste, levando a um avanço da agropecuária para Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, principalmente. 
O preço das terras nesses estados é mais baixo, o que possibilitou a agricultores e empresários adquirir grandes extensões de terra nas novas áreas de expansão. Essa transformação ocorreu com o apoio do governo federal, que proveu políticas visando garantir a infraestrutura necessária para a produção agrícola nas áreas de energia e transporte, por exemplo. 
Atualmente, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins têm produção agrícola moderna, que se caracteriza pelo uso intensivo de máquinas e outros insumos agrícolas. Soja, trigo e milho são alguns produtos de destaque. No geral, esses grãos são destinados a abastecer a indústria alimentícia de massas, óleos e margarinas e de ração para animais, além de serem produtos de exportação.
Com a expansão da agropecuária, as áreas de Cerrado foram as que mais sofreram alterações em sua paisagem e seu meio físico-natural. A alta demanda pela produção agro pecuária contribuiu para a exploração de regiões e da grande biodiversidade. Atualmente, a degradação ambiental tem sido intensa nessas regiões. 
A maior parte dessa produção tem como destino os portos de exportação. No momento, a China é a maior compradora de soja e bovinos do Brasil.

O agronegócio


O agronegócio é o conjunto de atividades ligadas à produção agropecuária. Refere-se a toda a cadeia produtiva agrícola e pecuária, desde o plantio e o cuidado com o gado até a comercialização de seus produtos, incluindo a produção de insumos e os diversos serviços envolvidos. Com a intensa exploração e produção agrícola, a Região Centro-Sul se tornou uma das mais importantes para o desenvolvimento do agronegócio. 
Nessa região, as produções mais realizadas são: cultivo da soja associado ao esma gamento do grão; cultivo da cana-de-açúcar associado à produção de álcool combustível e açúcar; cultivo da laranja associado à produção de suco; e criação de aves e suínos associada ao abate, ao empacotamento e à refrigeração. 
O desenvolvimento do agronegócio na Região Centro-Sul tem relação com a organi zação do espaço ao longo do processo de colonização. As características naturais – clima, relevo, solo e hidrografia – e, também, o desenvolvimento de pesquisas científicas na agronomia foram aspectos favoráveis à atividade agrícola. Avanços obtidos na seleção de sementes, além do aumento da capacidade produtiva do solo, têm contribuído para o aumento da produtividade e a expansão da fronteira agrícola.

A MINERAÇÃO


O subsolo do Centro-Sul é composto de rochas de diferentes tipos e idades, favore cendo a sua riqueza mineral. As principais áreas de exploração mineral da região estão: 
• nas serras cristalinas dos planaltos em Minas Gerais, onde são explorados diversos minérios; 
• nas depressões do Paraná e do Rio Grande do Sul, onde são exploradas as áreas de carvão; 
• no Planalto e na Chapada dos Parecis, no estado do Mato Grosso, com garimpo de ouro e diamante; 
• na Depressão Sul-Amazônica, em Goiás e na sua divisa com o Tocantins, de onde são extraídos diamante e outras gemas preciosas, ouro, estanho e amianto.

No Brasil, as reservas de carvão mineral localizam-se em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. As reservas de Santa Catarina são de pouca profundidade e, por isso, sua exploração é mais barata, diferentemente da que ocorre no Rio Grande do Sul, cujas jazidas estão em maiores profundidades. 
As reservas carboníferas no subsolo brasileiro são extensas, mas o carvão é de baixa qualidade. O carvão do Brasil possui baixo teor calorífero, grande quantidade de cinzas e alto nível de enxofre — trata-se de um carvão betuminoso. É usado de duas maneiras: para a produção de coque, material utilizado para elevar a temperatura dos altos--fornos das siderúrgicas, e para a obtenção de vapor, a fim de mover turbinas e geradores.

O petróleo 


O desenvolvimento da tecnologia brasileira de exploração do petróleo em águas profundas possibilitou a descoberta e a exploração de grandes jazidas no litoral dos estados do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de São Paulo, contribuindo para a superação do patamar de exploração de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Foi desenvolvido, também, um sofisticado parque de refinarias e de indústrias petro químicas concentrado no Centro-Sul, em especial nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. 
O pré-sal, uma camada de reservas petrolíferas que se estende do Espírito Santo até Santa Catarina, foi descoberto com intensas pesquisas científicas realizadas por geólogos e engenheiros químicos. Essa descoberta permite ao Brasil atingir a autossuficiência na produção de petróleo, o que diminui os custos de importação. O pré-sal e a produção de gás na Bacia de Santos marcaram uma expansão na economia da Região Centro-Sul, apesar dos grandes desafios em razão da profundidade da camada e dos custos da extração. O Campo de Tupi, nas proximidades da Bacia de Santos, foi considerado o 8o maior campo de petróleo do mundo, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

OS IMPACTOS AMBIENTAIS


O Centro-Sul concentra a maior extensão de desmatamento do Brasil. Em todos os tipos de vegetação da região, a taxa de destruição das paisagens originais é bastante elevada. O desmatamento impacta fortemente o meio ambiente, acelerando os processos erosivos, a contaminação dos solos e a poluição das águas e do ar. Analise o mapa a seguir, que representa a retração da vegetação nativa em decorrência da ação antrópica.
A Mata Atlântica, uma das áreas com maior biodiversidade no mundo, vem sendo desmatada desde o início da colonização portuguesa no Brasil. Os solos do local foram desgastados, pois sofreram processos erosivos decor rentes das práticas agrícolas realizadas inadequadamente. 
O Cerrado vem sendo continuamente desmatado nas últimas três décadas. Sua paisagem natural deu lugar a grandes propriedades agrícolas, que fazem uso intensivo de máquinas, técnicas de irriga ção, agrotóxicos e adubos. Nessas áreas de Cerrado, hoje, são criados grandes rebanhos de bovinos e produzidos milhões de toneladas de grãos, como soja, milho e arroz.
As feições vegetais do Pantanal também estão sofrendo com o desma tamento para a realização da agropecuária. Nessa atividade econômica, são utilizados, em larga escala, agrotóxicos e adubos inorgânicos. Esses produtos são levados pelas chuvas aos leitos dos rios que cortam o Pantanal, con taminando-os. Por consequência, os animais também são contaminados: peixes e aves do Pantanal já apresentam, em seus organismos, elevado índice de substâncias tóxicas utilizadas na agricultura. 
A expansão dos areais já existentes nas Pradarias do Rio Grande do Sul foi provocada pela prática da pecuária concentrada na região. O processo de arenização em áreas de agropecuária do estado é um caso típico de degradação provocado pelo uso inadequado do solo. Esse fenômeno faz com que as raízes fiquem restritas às camadas mais superficiais do terreno, prejudicando a absorção de nutrientes e água.

A INDÚSTRIA, A URBANIZAÇÃO E AS REDES NO CENTRO-SUL

A INDUSTRIALIZAÇÃO 


No fim do século XIX e início do XX, iniciou-se o processo de industrialização do Brasil. São Paulo e Rio de Janeiro foram os estados que passaram por esse processo de forma mais rápida e intensa, em decorrência do acúmulo de capital proveniente do café. Além disso, a maioria dos imigrantes tinham como destino esses estados, o que resultou em uma grande concentração de mão de obra. 
A partir de 1929, quando ocorreu uma crise financeira que atingiu toda a economia mundial, a comercialização do café brasileiro foi bastante afetada, principalmente porque o país era um grande exportador para os Estados Unidos. Com esse fato, o produto passou a ter sua importância econômica diminuída no Centro-Sul e os investimentos econômicos passaram a ser dirigidos para outros cultivos agrícolas e, sobretudo, para outra atividade econômica: a indústria. No início, a nova atividade econômica se estruturou em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O acúmulo de capitais proporcionado pelo cultivo do café, a rede ferroviária, a modernização dos portos de Santos e do Rio de Janeiro, a mão de obra qualificada dos imigrantes e o crescente mercado consumidor urbano foram fundamentais ao desenvolvimento da atividade industrial, que acelerou o processo de estrutu ração do espaço do Centro-Sul comandado por São Paulo.
No entanto, nas últimas décadas, algumas indústrias migraram da Região Centro-Sul para outros estados. Isso ocorreu principalmente pelos incentivos fiscais dos governos federal e estaduais para o desenvolvimento industrial e econômico de outras regiões, como a Zona Franca de Manaus.
Apesar da concentração industrial nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, há um processo de descentralização industrial que resulta na presença de indústrias em outros estados.

A trajetória da indústria no Centro-Sul 


Em 1947, houve a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ). Essa data foi um marco para o desenvolvimento industrial, já que possibilitou ao país se tornar capaz de produzir matéria-prima para outras indústrias. 
O local escolhido para a implantação da primeira siderúrgica nacional foi estratégico. O município de Volta Redonda (RJ) está localizado próximo às jazidas de ferro de Minas Gerais, com acesso facilitado às fábricas paulistanas e cariocas e aos portos de Santos (SP) e do Rio de Janeiro (RJ) por vias ferroviária e rodoviária. 
Da década de 1950 em diante, houve a instalação de empresas multinacionais no Brasil, principalmente montadoras de automóveis que se estabeleceram no entorno da cidade de São Paulo (SP). Nessa época, houve também a criação de empresas estatais para administrar setores essenciais à indústria, como o energético. 
A Petrobras foi criada em 1953 e a Eletrobras, em 1962. O fato de essas empresas terem sido implementadas no Centro-Sul fez com que a região fosse a que mais se desenvolvesse industrialmente, o que gerou riquezas e atraiu enormes contingentes de trabalhadores de outras regiões do Brasil e do mundo. Na década de 1970, foram construídas mais refinarias de petróleo, polos petroquímicos e usinas hidrelétricas. 
Também se expandiram a exploração mineral e a produção de aço em Minas Gerais – com a Usiminas e a Belgo-Mineira, gerando o Complexo Portuário de Tubarão, em Vitória (ES), além da Companhia Vale do Rio Doce, conhecida atualmente como Vale – voltadas para a produção e a exporta ção de minério de ferro e produtos siderúrgicos. Essa expansão durou até meados da década de 1980, com a amplia ção e a modernização do sistema produtivo.
Desde a década de 1990, muitas indústrias têm sofrido um processo de privatização. Além disso, houve a expansão e a implementação de outras usinas siderúrgicas privadas e estatais. Durante esse período, também houve uma grande expansão dos sistemas de telecomunicações na Região Centro-Sul, particularmente nas grandes cidades, onde é alta a demanda por tecnologia e grande o mercado consumidor. 
Essa ampliação do serviço de telecomunicações, com difusão de telefones celulares e computadores, está relacionada ao amplo uso de tecnologias de última geração nas etapas produtivas de parte das indústrias da região.

Ciência e tecnologia


A região Centro-Sul concentra o mais importante parque científico e tecnológico do país, abrigando boa parte das melhores universidades e dos centros de pesquisa estatais e privados, desenvolvendo tecnologia de ponta. 
No trecho paulista do Vale do Paraíba, por exemplo, há centros de pesquisa, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que desenvolvem tecnologia avançada. 
A existência desses centros de pesquisa e, portanto, de mão de obra alta mente qualificada permitiu a instalação de indústrias de ponta nos setores de telecomunicações e aeronáutica. Essas empresas, que fazem do Centro-Sul a re gião de maior concentração de polos tecnológicos do Brasil.
O desenvolvimento econômico do Centro-Sul apoiou-se na instalação de uma infraestrutura de telecomunicações, fornecimento de energia e transportes, além de indústrias de base, como siderúrgicas, refinarias de petróleo e petroquímicas. 
As sedes das principais redes de TV, as grandes editoras de livros e revistas e os jornais de maior circulação do país também estão sediados nessa região.

O centro da economia brasileira 


O Centro-Sul é a região mais dinâmica do país em termos econômicos. Abran ge pouco mais de 2 milhões de quilômetros quadrados (aproximadamente 25% da área territorial do Brasil). Sua população, em torno de 132 milhões de habitan tes, corresponde a cerca de 63% da população brasileira. 
Ao longo da história do Brasil, as áreas que compõem o Centro-Sul, especial mente o eixo Rio-São Paulo, foram gradativamente se efetivando como as mais expressivas do país do ponto de vista econômico, financeiro e educacional. Isso provocou transformações significativas na paisagem.
No Centro-Sul estão as sedes de grandes empresas que atuam nos comér cios varejista e atacadista, tanto nacionais como multinacionais. A maior concen tração das atividades econômicas, incluindo os serviços de saúde e educação, contribui para que a população do Centro-Sul apresente indicadores sociais mais elevados do que os do restante do Brasil. 
Porém, apesar de ser considerada a região mais desenvolvida do território brasileiro, também apresenta significativos contrastes sociais, econômicos e culturais.
Em virtude do dinamismo econômico, algumas áreas do Centro-Sul, em particular as regiões metro politanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, exercem forte atração sobre trabalhadores de outras regiões do Brasil, que migram com a espe rança de conseguir melhores condições de vida. A São Paulo, por exemplo, chegam migrantes de todos os estados brasileiros. 
Além desses trabalhadores, essas regiões metropolitanas receberam e continuam recebendo grande número de pessoas de outras partes do mundo, como bolivianos, venezuelanos e paraguaios, configurando-se, portanto, como polos de atração populacional (áreas de imigração).
Essa região concentra o mais diversificado e amplo parque industrial do Brasil e da América Latina. Em amplos e diversos trechos do espaço geográ fico do Centro-Sul, verifica-se também a ocorrência de uma agricultura moderna, com uso intensivo de fertilizantes, adubos, defensivos agrícolas, máquinas, equipamentos e técnicas avançadas de cultivo. 
Esse espaço agrícola é caracterizado ainda pela presença de empresas com forte capacida de de investimentos, grandes propriedades rurais e utilização de mão de obra temporária, muitas vezes provenientes de outras regiões do país.


Os centros da economia nacional e a urbanização


Com o processo de industrialização do Brasil, ocorreu também a formação de importantes cidades. A partir da década de 1950, o processo de urbanização se desenvolveu de maneira mais intensa na Região Centro-Sul. À medida que as cidades se desenvolvem, os fluxos comerciais, sociais, políticos e culturais em que estão inseridas são ampliados. 
A rede urbana se estabelece com base nas dinâmicas de interligação entre pessoas e atividades econômicas, como o comércio, por meio de sistemas de transporte, comunicação e informação. Com isso, as cidades mais desenvolvidas geralmente apresentam maior concentração dos setores de serviço, como bancos, lojas, supermercados, além dos polos administrativos das indústrias, e, por isso, encontram-se no topo da hierarquia urbana. 
As metrópoles são cidades de grande porte com forte relacionamento entre si e extensa área de influência. Nelas, são oferecidos serviços especializados, que atraem a população de municípios de outros estados. São Paulo (SP), a grande metrópole nacional, apresenta o maior conjunto urbano e financeiro do país, sede dos principais bancos e da bolsa de valores, em que são negociadas ações com as bolsas de valores do mundo inteiro.
Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ) são metrópoles nacionais – centros de circulação financeira e de informação, com grande influência em todo o país. Brasília é o centro das decisões políticas e jurídicas do Brasil e o Rio de Janeiro se destaca como sede de grandes empresas de extração de petróleo, como polo de influência cultural e pelo turismo, que atrai pessoas de diversos países. 
Já as capitais regionais são cidades com importantes atividades econômicas, que atraem a população de muitos municípios. As cidades mais influentes estão situadas na Região Sudeste, mais especificamente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Isso ocorre em razão do processo de desenvolvimento histórico desigual de colonização e ocupação do território. Essas cidades historicamente concentraram os maiores portos para importação e exportação, por exemplo, o que levou ao crescimento da população e da oferta de serviços.
O fluxo de pessoas nas cidades é importante para observar a quantidade e o tipo de serviços oferecidos. As pessoas, muitas vezes, precisam se deslocar de uma cidade para outra para ter acesso a serviços mais especializados, que se concentram em cidades com uma maior zona de influência. Em decorrência dessas características, as cidades com maior influência dispõem de uma maior infraestrutura de transporte, com aeroportos e terminais rodoviários que as conectam com mais regiões.
Rio de Janeiro e, especialmente, São Paulo, as duas maiores metrópoles do Brasil, são os principais centros da economia nacional. Nessas duas capitais são tomadas importantes decisões nos planos econômico e financeiro, que afetam outras áreas do país.
Elas concentram parcela significativa da riqueza brasileira, gerada por diversas atividades econômicas dos setores secundário e terciário. Concentram também as sedes de grandes em presas e bancos, que, por sua vez, determinam onde, quando e quanto investir em outras áreas do país.
São Paulo e Rio de Janeiro são também os principais centros culturais e educacionais do Brasil, com grande número de teatros, casas de espetáculos, bibliotecas, universidades, entre outros. 
O Centro-Sul concentra aproximadamente 90% do movimento de passageiros de voos internacionais, sendo São Paulo responsável por cerca de 65% desse mo vimento e o Rio de Janeiro, por 20%. As demais capitais dos estados que compõem o Centro-Sul, bem como Brasília (DF), são responsáveis pelos 5% restantes.
Nessas duas metrópoles, é realizada a maior parte dos eventos de porte internacional, como espetáculos artísticos, eventos esportivos e feiras de negócios nas quais são apresentadas novidades tecnológicas de diversos seto res industriais. As cidades sediam também eventos dos quais participam profissionais e cientistas de renome internacional.
Em virtude do grande volume de pessoas que recebem, por motivos tanto turísticos como profissionais, os municípios do Rio de Janeiro e principalmente de São Paulo possuem uma ampla e sofisticada rede hoteleira. 
São Paulo concentra as maiores empresas de telecomunicações e informática do país, assim como a maior parte das filiais de empresas transnacionais que atuam no Brasil, a maioria das sedes dos bancos privados brasileiros e a maior parte das filiais de bancos estrangeiros. 
São Paulo é considerada uma cidade global e, com o Rio de Janeiro, forma a única megalópole brasileira, tendo intensa interação com diversas outras cidades globais do mundo.
O estado de São Paulo concentra cerca de 40% da produção industrial do país. Para a metrópole paulista converge boa parte dos fluxos de investimentos, das ligações telefônicas e das mensagens pela internet de profissionais de outros paí- ses e de outras regiões do Brasil. 
Diante de todas essas características, nota mos que o Centro-Sul é a região de contato mais intenso e direto com o exterior, responsável pelo maior volume de exportações e importações brasileiras e pelo maior fluxo de capitais internacionais que ingressam no país.
A década de 1990 apresentou uma nova etapa de ingresso de indústrias trans nacionais no Brasil, como as do setor automobilístico. Nesse período, quase todas as transnacionais desse setor instalaram-se no Centro-Sul. 
Dessa vez, porém, em vez de se estabelecerem em áreas metropolitanas de Belo Horizonte e São Paulo (incluindo o Grande ABC) ou no eixo Rio-São Paulo (Taubaté e São José dos Campos), a maior parte delas optou por cidades do interior de São Paulo, Minas Gerais e Goiás e pelas regiões da Grande Curitiba (PR) e da Grande Porto Alegre (RS), visando ocupar áreas com custos de produção e impostos menos elevados.

Os problemas urbanos e os contrastes socioespaciais 


As consequências do modelo capitalista, que gera concentração de renda e exclusão social, podem ser observadas também no Centro-Sul. 
Caracterizada por desenvolvimento e crescimento econômico expressivos e por abrigar os principais centros de negócios do país, a região é marcada por acentuados contrastes sociais e econômicos: prédios de apartamentos suntuosos ao lado de favelas; sedes de grandes grupos empresariais em bairros onde trabalham inúmeros vendedores ambulantes, etc. 
A economia formal, como no restante do país, convive com a economia informal, mas no Centro-Sul esses contrastes parecem ser ainda mais marcantes. 
No meio rural também notamos que essa região é marcada por grandes disparidades. É só contrapor, por exemplo, a agricultura de subsistência, bastante tradicional, pratica da em algumas áreas rurais da região, e a agricultura em presarial, intensamente mecanizada, apoiada em elevada tecnologia e integrada com a indústria (agroindústria), pre sente nas culturas de cana-de-açúcar e de laranja (SP), de soja (RS, PR, MS, MT, GO) e de arroz (GO).
Essas disparidades também ficam evidentes ainda se compararmos os profissionais altamente qualificados dos grandes centros urbanos, que periodicamente fazem cur sos de capacitação e têm remuneração elevada, com os trabalhadores das carvoarias de Mato Grosso do Sul e das áreas próximas à divisa entre Minas Gerais e Goiás, muitas vezes submetidos a condições de trabalho análogas às da escravidão, com os milhares de trabalhadores informais espalhados pelos centros urbanos da região.
Apesar da grande riqueza produzida no Centro-Sul, as desigualdades sociais fazem parte das paisagens de suas cidades. Na maior parte delas, por exemplo, o acesso à compra de um terreno, de uma moradia ou, ainda, ao pagamento de um aluguel é impossível para muitas famílias. Os problemas relacionados à moradia estão diretamente associados à renda da população, que sofre com a instabilidade dos preços de aluguéis e imóveis à venda. Com a alta densidade populacional, o valor agregado ao solo urbano tende a ser maior nas áreas com maior infraestrutura e próximas aos setores de serviço.
É frequente, portanto, a ocupação coletiva de terrenos públicos ou de áreas de risco, como margens de rios, encostas de morros e áreas de mananciais. 
Outro tipo de habitação comum em grandes cidades são os cortiços. Geralmente localizados nas áreas centrais, são prédios ou casarões antigos ocupados por diversas famílias, que dividem seus cômodos. 
Não raras também são as ocupações de prédios vazios, públicos ou particulares, por grupos organizados em movimentos de pessoas sem-teto.
Mesmo ratificado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o acesso à moradia adequada não é uma realidade para todos. Bilhões de pessoas no mundo vivem em condições precárias, inclusive nos países ricos. 
No Brasil, esse direito também está assegurado pela Constituição Federal de 1988, mas o déficit habitacional é estimado em cerca de 7,9 milhões de lares, conforme estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Essas formas de ocupação da cidade acompanham uma dinâmica contraditória: ao mesmo tempo em que se tem uma grande quantidade de serviços ofertados, há falta de qualidade e escassez desses serviços em determinadas regiões da cidade. 
A condição de habitação é outro fator que segrega os moradores dos lugares periféricos das cidades, decorrente da falta de políticas públicas para atender às necessidades básicas da população. Nesses locais, em geral, a oferta de serviços de saúde, educação, transporte, lazer e saneamento básico é insuficiente ou mesmo inexistente. 

Brasília, a capital federal


Brasília (DF) é uma metrópole nacional, já que funciona como centro das decisões políticas e jurídicas do país. Como fornecedora de bens e serviços, exerce influência sobre muitos municípios de Goiás, do oeste da Bahia, do noroeste de Minas Gerais e de outros estados. 
A construção de Brasília fez parte de um plano governamental que se propunha a integrar o território nacional, criando possibilidades de ocupação mais intensa na região central do país. Em 2018, o IBGE estimou que a cidade já contava com quase 3 milhões de habitantes. 
Planejada e construída para ser a capital do Brasil, a fase de construção de Brasília ocorreu de 1956 a 1960 e atraiu brasileiros de todas as regiões, que migraram para lá em grandes levas. 
A população da região, que era de aproximadamente 13 mil habitantes em 1957, passou para 127 mil em 1960. Os migrantes se estabeleceram em áreas periféricas e em antigos núcleos de povoamento. Essa ocupação deu origem às cidades-satélites, ou seja, às centralidades urbanas que se localizam no Distrito Federal, mas que não fazem parte do plano piloto. Inicialmente, esses núcleos estavam distantes fisicamente do plano piloto. 
No entanto, com o crescimento deles, atualmente, as cidades-satélites formam uma extensa mancha urbana junto à Brasília. Como o processo de urbanização se deu de maneira rápida e desordenada, houve o aumento de aglomerados subnormais – bairros carentes, com pouca infraestrutura para atender adequadamente a população. 
Diferentemente dos municípios brasileiros, as cidades-satélites não têm autonomia política e são gerenciadas por administradores nomeados pelo governo local.

A CONCENTRAÇÃO DE REDES NO CENTRO-SUL


A Região Centro-Sul concentra as redes de comunicação, energia e transporte. Como você estudou, essa concentração ocorre em razão das características da formação territo rial brasileira, o que levou ao desenvolvimento de maior infraestrutura no Centro-Sul. Desse modo, nessa região, ocorre um maior fluxo de pessoas, mercadorias e informação e as cidades apresentam maior influência em escala local, regional, nacional e mundial.

As redes de comunicação 


As redes de comunicação são aquelas res ponsáveis pela distribuição e circulação de dados, como as emissoras de televisão, rádio, internet e demais dados relacionados à comunicação. Embora o acesso à informação seja um dos direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal de 1988, as redes de comunicação ainda são distribuídas de maneira desigual no território nacional. 
A maior concen tração dessas redes está na Região Centro-Sul. Analise o gráfico a seguir, que representa a porcentagem de domicílios com acesso à internet por região. A desigualdade de acesso aos meios de comunicação no Brasil reforça a desigualdade regional. 
Enquanto as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm um percentual de acesso acima da média brasileira, as regiões Norte e Nordeste ficam abaixo do índice nacional.

As redes de energia


O aproveitamento da rede hidrográfica para a geração de energia tem estreita relação com o volume de água dos rios e com a declividade do relevo de determinada região. O Centro-Sul apresenta essas duas condições e, por isso, permite grande geração de energia hidrelétrica. Para a construção de uma usina hidrelétrica, a água de um rio é represada por uma barragem. 
Essa água represada forma um lago, que é o reservatório. Quando abertos, os canais da barragem permitem que a água do reservatório seja conduzida até as turbinas da usina, girando suas pás, que são ligadas a um gerador que produz a energia elétrica. Das usinas, a energia elétrica é distribuída para a população por meio das linhas de transmissão. 
As principais bacias hidrográficas do Centro-Sul têm grande aproveitamento de seu potencial hidrelé trico. Na Região Hidrográfica do Paraná, por exemplo, 72% desse potencial já é utilizado atualmente. É nessa bacia que se localiza a usina Itaipu Binacional, uma das maiores do mundo. 
Como o consumo de energia nessa região está cada vez maior, há uma pressão para elevar o aproveitamento do potencial energético das bacias predominantemente amazônicas, como a do Araguaia-Tocantins e a do Amazonas.

As redes de transporte


O sistema de transporte é composto por diferentes modais: aeroviário, rodoviário, ferroviário e hidroviário. Eles são responsáveis pelo fluxo de mercadorias e pessoas pelo espaço nacional e internacional. A integração entre os diversos modais de transporte garante uma maior conexão e integração entre os diferentes espaços e territórios. 
No Brasil, o modal de transporte mais utilizado e com maior extensão de malha viária é o sistema rodoviário. Como consequência do processo de industrialização e ocupação do território, as rodovias se concentram no Centro-Sul do país. Com a construção de Brasília, os projetos de ocupação do território nacional e a implementação de mais indústrias pelo Brasil durante o governo de Juscelino Kubitschek, ocorreu a expansão das redes de circulação, principalmente de rodovias. 
Com a mudança da capital do Rio de Janeiro (RJ) para Brasília (DF), houve a formação de um novo arranjo territorial, que levou à construção de vias de conexão da capital com todas as regiões brasileiras. Nesse período, foram construídas rodovias com grandes extensões, como a Brasília-Acre e a Belém-Brasília, que se estende por 2 070 km. 
Com a implementação de novos polos tecnológicos, como a Zona Franca de Manaus e os planos de desenvolvimento do Nordeste, as vias de circulação se expandiram ainda mais pelo território, possibilitando a conexão entre as diferentes regiões, o que iniciou, também, um processo de descentralização das regiões concentradas, como é o caso da Região Sudeste.

A PRODUÇÃO TECNOLÓGICA NO CENTRO-SUL


No Centro-Sul, há a concentração de alguns serviços muito específicos e necessários para diferentes parcelas da população, o que gera um grande fluxo de pessoas, capital e mercadorias. Um dos exemplos de atividades concentradas são os parques tecnológicos, que geralmente estão associados às universidades públicas e, também, podem ser utilizados por empresas. 
Esses parques apresentam infraestrutura para o desenvolvimento de pesquisas, o que possibilita o desenvolvimento tecnológico de diferentes setores, como saúde, energia, fabril, entre outros.
De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), no Brasil, há 55 parques em fun cionamento, localizados majoritariamente na Região Centro-Sul, com destaque para o estado de São Paulo. 
Um exemplo de pesquisas desenvolvidas nesses parques são aquelas relacionadas com a produção de hidrogênio verde, que pode ser utilizado como uma fonte limpa de combustível. As pesquisas para delimitar a forma de extração e produção desse elemento estão sendo feitas em um laboratório em São Carlos (SP). A imple mentação das usinas de produção será em São Gonçalo do Amarante (CE).
A produção de hidrogênio verde terá como destino países da Europa, África e América do Norte. Nesse cenário, temos uma nova rede criada: o polo de desenvolvimento localizado em São Carlos (SP), as usinas em Amarante (CE) e a exportação para outros países. 
A produção de hidrogênio verde envolve uma rede de conexão e distribuição entre os locais onde as pesquisas são realizadas e aqueles onde estão implementadas. 
A proximidade de centros universitários e, consequentemente, de núcleos de pesquisa leva as iniciativas privadas ligadas ao setor de desenvolvimento tecnológico a se concentrarem nessas áreas, uma vez que apresentam infraestrutura e mão de obra qualificada.


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