domingo, 24 de maio de 2026

Bacterioses

São doenças causadas por bactérias. Em geral, as bacterioses são tratadas com antibióticos. Um exemplo é a cólera, doença causada por um tipo de bactéria chamado vibrião.
As bactérias são seres microscópicos e de estrutura muito simples, que fazem parte do reino Monera. Além delas, compõem esse reino as cianobactérias, também conhecidas como algas azuis ou cianofíceas. Uma das principais características dos seres desse reino é serem unicelulares, isto é, constituídos de apenas uma célula. Sua célula é bem simples, sem o envoltório que separa o material genético do restante do conteúdo celular.
Esses seres têm grande importância ambiental. Assim como os fungos (dos quais falaremos mais adiante), atuam como decompositores nas cadeias e teias alimentares. As bactérias também têm importância econômica, pois realizam processos químicos que permitem a produção de alimentos, por exemplo, a coalhada, o vinagre e os iogurtes. 
Elas também são utilizadas em pesquisas científicas, que levam à produção de novos medicamentos, vacinas e alimentos, e podem trazer respostas a muitas questões que intrigam os cientistas e a problemas que afetam a humanidade, como a degradação de materiais plásticos, por exemplo.
As bactérias que causam doenças são chamadas de patogênicas. 
A forma desses organismos pode variar. Além do tipo vibrião, temos entre as formas mais comuns de bactérias: bacilos, cocos e espirilos.

Microbiota ou flora intestinal humana 


É o grupo formado predominantemente por bactérias, mas também outros microrganismos que vivem no intestino, que facilitam o processo de digestão, evitam várias doenças e colaboram para o equilíbrio do organismo como um todo. Esses seres ajudam a evitar a proliferação de outros que causam doenças. 
A microbiota se forma logo após o nascimento e vai se modificando aos poucos. Cada pessoa tem microbiotas diferentes das outras, em parte definidas geneticamente e em parte determinadas por características individuais e ambientais, como modo de nascimento (parto normal ou cesariana), idade e hábitos alimentares. A má alimentação (muita gordura e poucas fibras, por exemplo) e o uso indiscriminado de alguns medicamentos (automedicação geralmente) são os maiores responsáveis pelo desequilíbrio da flora intestinal, o que pode causar distúrbios de diferentes gravidades.

Protozooses

Protozooses são doenças causadas por protozoários. Podemos citar como exemplos a doença de Chagas e a malária.
Os protozoários são organismos unicelulares de estrutura mais complexa que as bactérias. Existem várias espécies de protozoários, e elas podem ser classificadas em vários grupos. O critério mais utilizado pelos cientistas para essa classificação é o tipo de locomoção.
Sarcodíneos (ou rizópodos) são protozoários que se locomovem estendendo pseudópodes, expansões em sua célula que atuam como “falsos pés”. As amebas são um exemplo de sarcodíneo. Os flagelados são os que “nadam” com auxílio de flagelos. Um exemplo de flagelado é a giárdia. Os ciliados são seres que utilizam cílios na locomoção, como o paramécio.
Algumas doenças, como as protozooses, são mais comuns em localidades onde não há saneamento básico e a população é de baixa renda. Elas são chamadas de doenças negligenciadas e recebem menores investimentos para a produção de remédios e pesquisas científicas. 

Micoses

São doenças causadas por fungos. Estes podem infectar nossa pele e se multiplicar, o que causa as micoses. Essas infecções ocorrem em partes úmidas e quentes do corpo, como virilhas, entre os dedos (principalmente os dos pés) e no couro cabeludo. Por essa razão, para evitar micoses é preciso garantir que a pele esteja sempre limpa e seca. Exemplo: candidíase oral ou “sapinho”, doença causada pelo fungo Candida albicans.
Os fungos são seres vivos de formas e tamanhos bastante variados; podem ser unicelulares ou pluricelulares. Esses seres não têm clorofila e são heterótrofos; portanto, não são capazes de produzir o próprio alimento. 
Os fungos, ao se alimentarem, retiram dos restos de plantas e animais a matéria orgânica que é aproveitada pelo seu organismo. Ao fazer isso, decompõem a matéria orgânica, e a transformam em moléculas inorgânicas. 
Além do importante papel no equilíbrio ambiental, como seres decompositores, os fungos também podem ser parasitas ou viver associados de outro modo a outros seres. 
Os fungos parasitas vivem à custa de outros seres vivos, e podem provocar doenças em plantas e animais.

Verminoses

São doenças causadas por diferentes tipos de vermes parasitas que se instalam no organismo do hospedeiro, muitas vezes nos intestinos, mas que podem abrigar‑se também em outros órgãos, como o fígado e os pulmões. O termo verme, de modo geral, refere‑se a animais de corpo alongado e mole. Os vermes são divididos em dois grupos principais, descritos a seguir.

Platelmintos


São vermes de corpo achatado, em forma de fita, cujo comprimento pode variar desde poucos milímetros até vários metros, como é o caso da tênia, também chamada de solitária. Nesse grupo existem tanto animais de vida livre, como a planária, quanto parasitas. Os platelmintos parasitas absorvem, pela superfície do corpo, o alimento previamente digerido pelo hospedeiro. Entre os platelmintos parasitas que causam prejuízos à saúde temos o esquistossomo e a tênia.

Nematoides 


Tênia, com seu corpo achatado. São vermes de corpo cilíndrico e afilado nas extremidades, antigamente chamados nematelmintos. Os nematoides de vida livre, que se alimentam de pequenos animais e plantas, habitam tanto a terra quanto as águas doce e salgada. Entre os nematoides estão alguns dos parasitas mais comuns, que causam prejuízos à saúde do ser humano e de outros animais, como a lombriga, o oxiúro, a filária e o ancilóstomo.

Antibiótico à base de fungos

Em 1928, o médico e bacteriologista britânico Alexander Fleming (1881‑1955) verificou que um fungo do gênero Penicillium havia contaminado a cultura de bactérias com que trabalhava. Além disso, notou que uma substância produzida por esse fungo, a qual chamou de penicilina, inibia a multiplicação das bactérias em sua cultura. Assim, foi identificado o primeiro antibiótico.
Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940, Howard Florey (1898‑1968) e Ernst Chain (1906‑1979) retomaram as pesquisas de Fleming e conseguiram produzir penicilina com fins terapêuticos e em escala industrial, o que foi o início de uma nova era para a medicina. Por suas pesquisas, Fleming, Florey e Chain dividiram o Prêmio Nobel de Medicina em 1945.
Infelizmente, os antibióticos não acabaram com as mortes provocadas por infecções bacterianas. De tempos em tempos são identificadas novas bactérias resistentes a esses medicamentos, o que exige a continuidade das pesquisas nesse campo e campanhas de esclarecimento sobre o uso de antibióticos.
Um dos erros mais comuns é tomar antibióticos para doenças virais, como certas infecções de garganta, gripes ou diarreias. Outro é interromper um tratamento com antibiótico antes do prazo indicado pelo médico. Esses erros acabam por selecionar variedades de bactérias cada vez mais resistentes a antibióticos.

ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

A distribuição dos seres vivos nos ecossistemas, tanto terrestres como aquáticos, está intimamente relacionada com fatores abióticos.
Nos ecossistemas aquáticos, a luz é um fator extremamente importante, já que influencia a distribuição dos seres fotossintetizantes, a base da maioria das cadeias alimentares desses ambientes. A intensidade da luz diminui com o aumento da profundidade. 
A região iluminada dos ecossistemas aquáticos é chamada zona fótica, enquanto a região com ausência completa de luz recebe o nome de zona afótica. Até cerca de 200 metros de profundidade, ainda há luz suficiente para que a fotossíntese ocorra.
Outro fator que tem grande influência na distribuição dos seres vivos nos ambientes aquáticos é a pressão hidrostática, que, de modo simplificado, pode ser descrita como a força que a água exerce em todas as direções, comprimindo os corpos nela imersos. 
À medida que aumenta a profundidade, aumenta também a pressão exercida pela coluna de água. No ambiente aquático, dependendo do modo como se locomovem, os organismos são encontrados em uma destas comunidades: plâncton, nécton e bentos. 
• Plâncton: conjunto de seres aquáticos flutuantes levados pelas correntezas. Há o fitoplâncton, formado por seres autotróficos como algas microscópicas, e o zooplâncton, constituído por seres heterotróficos, como protozoários, pequenos crustáceos e larvas de vários animais. 
• Nécton: conjunto de seres capazes de nadar e vencer as correntes, como polvos, lulas, peixes, golfinhos e baleias. 
• Bentos: conjunto de seres que vivem no fundo do ambiente aquático, fixos ou não, como ostras, mexilhões, esponjas, estrelas-do-mar e caranguejos.
O fitoplâncton marinho é responsável pela maior parte do gás oxigênio liberado para a atmosfera. Já em ambientes de água doce, rios de águas agitadas possuem pouco plâncton, pois os seres que o formam não conseguem se manter em águas movimentadas. Nesse caso, os produtores são algas presas ao fundo do rio. O fitoplâncton é mais abundante em lagos, ambientes com águas calmas.

ECOSSISTEMAS COSTEIROS 


Os ecossistemas costeiros ocorrem nas áreas litorâneas, onde as águas dos mares se encontram com o continente. Eles costumam ser classificados em quatro tipos: praias arenosas, restingas, costões rochosos e manguezais.

PRAIAS ARENOSAS 


As praias arenosas são constantemente submetidas a variações de temperatura e de umidade, como a mudança nos níveis da água durante as marés, o vaivém das ondas e a exposição direta aos ventos e aos raios solares. 
Formado principalmente por grãos de areia, esse ecossistema tem alta salinidade, é pobre em nutrientes e é de difícil fixação para as plantas. A vegetação, quando existente, é rasteira, dispersa e de pequeno porte. Animais como o caranguejo maria-farinha vivem em túneis na praia, e tartarugas marinhas põem seus ovos na areia aquecida. 

Caranguejo-uçá (Ucides cordatus) em uma praia de Ubatuba (SP) que faz parte do Parque Estadual da Serra do Mar.

RESTINGAS 


A restinga ocorre na planície arenosa desde a praia e segue em direção ao continente. A vegetação varia conforme a disponibilidade de nutrientes, a luminosidade, a umidade e as condições de fixação. 
Próximo da praia arenosa, existem plantas rasteiras, como a ipomeia e a acariçoba. À medida que avança para o continente, a vegetação fica mais densa e diversa: surgem arbustos, algumas árvores, como a caixeta e a pitangueira, e epífitas, como as bromélias e as orquídeas. A fauna das restingas tem muitas aves, répteis, insetos e crustáceos. 
A destruição causada pela expansão urbana, a poluição e as queimadas são algumas das ameaças a esse ecossistema.

Área de restinga em praia de São Sebastião (SP). Foto de 2019. Essa vegetação é conhecida como mata de jundu e está ameaçada de extinção.

COSTÕES ROCHOSOS 


Os costões são formados por rochas que ficam à beira-mar. Nesses ambientes, as rochas ficam expostas à ação das ondas do mar. 
Devido ao efeito das marés, o costão rochoso apresenta três zonas: a inferior, permanentemente submersa; a intermediária, periodicamente coberta pela elevação do nível da água – a ação das correntes marítimas e das ondas é mais intensa nessa zona; e a superior, que raramente fica sob a água. A variação na ação das ondas do mar e na exposição à luz do sol influencia a distribuição de seres vivos nesse ecossistema. 
Na zona inferior, submersa, podem ser encontradas várias algas e animais, como anêmonas; peixes se alimentam, reproduzem-se e se abrigam nessa zona. Algas verdes, cracas e mexilhões em geral vivem na zona intermediária, fixos às rochas. Na zona superior, onde há borrifos de água, podem ser encontrados liquens e bromélias. 

Os costões proporcionam diferentes níveis de exposição à luz do sol e à ação das ondas do mar. Costão rochoso em Florianópolis (SC). 

MANGUEZAIS 


Os manguezais ocorrem em locais em que os rios desembocam no mar. Nesses ambientes, a água é salobra. Nas marés altas, a água salgada do mar se mistura à água doce do rio. 
Já durante as cheias nos rios, a água doce é lançada mar adentro. A água salobra dos manguezais é rica em matéria orgânica e sedimentos trazidos pelos rios. O solo é lodoso, rico em nutrientes, mas pobre em gás oxigênio.

Manguezal em Tamandaré (PE). Foto de 2020. As árvores mostradas na foto apresentam estruturas que melhoram a fixação da planta no solo.

As árvores desse ecossistema apresentam adaptações para sobreviver no solo lodoso e com pouco gás oxigênio. Algumas apresentam estruturas que partem do caule e melhoram a fixação das plantas no solo do manguezal; outras têm pneumatóforos, estruturas verticais que se projetam acima do solo e auxiliam a respiração do vegetal. 
Os manguezais são importantes para muitos peixes, pois é onde eles se reproduzem e depositam seus ovos. Além dos peixes, a fauna é constituída principalmente de crustáceos (como o caranguejo-uçá) e aves (como a garça).

Pneumatóforos projetando-se acima da superfície do solo, em manguezal em São Sebastião (SP)

Por ser um berçário de muitas espécies que não vivem ali, os danos ao manguezal acabam afetando outros ecossistemas pela redução das populações dessas espécies.

ZONA MARINHA 


A partir de certa distância da costa e da influência da água doce dos rios, começa a zona marinha, que se estende em direção ao oceano. O limite das águas costeiras no Brasil está a cerca de 370 quilômetros do litoral, que tem aproximadamente 7 500 quilômetros de extensão. Veja a imagem de satélite. As águas oceânicas (mar aberto) que abrigam seres desse ambiente cuja vida não depende do fundo do mar formam a zona pelágica. Já a zona bentônica compreende o fundo do mar propriamente dito.

Imagem de satélite que mostra a extensão das águas territoriais costeiras do Brasil (linha azul-claro). A linha é imaginária: ela foi inserida para auxiliar a leitura da imagem.

Próximo da superfície da água, há o plâncton: seres microscópicos que não conseguem vencer as correntezas. Os organismos que nadam ativamente e conseguem direcionar sua loco moção independentemente das correntes formam o nécton. 
Diversas algas e milhares de espécies animais, como crustáceos, moluscos, águas-vivas e anêmonas, estrelas-do-mar, peixes e alguns mamíferos, constituem a grande biodiversidade dos ambientes marinhos.

AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS MARINHOS 


As maiores ameaças aos ecossistemas marinhos brasileiros são a pesca excessiva, o lançamento de lixo e esgoto nas águas marinhas e o turismo desordenado. O acúmulo de lixo plástico provoca contaminação dos organismos. 
Objetos feitos de plástico, como sacolas, podem ser confundidos com presas e engolidos por animais, provocando obstrução das vias respiratórias e digestórias.

ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE 


Os corpos de água doce fazem parte dos biomas brasileiros. Contudo, os ecossistemas de água doce apresentam características muito variadas. 
Por exemplo: em lagos, lagoas e poças, a água geralmente é parada ou tem fluxo muito lento; nos córregos, riachos e rios, as águas seguem um fluxo moderado ou in tenso; já os pântanos de água doce correspondem a áreas inundadas ou encharcadas de água durante a maior parte do tempo.

Vista aérea de trecho do rio São Francisco em Petrolina (PE). Foto de 2021. As nascentes do rio São Francisco localizam-se na serra da Canastra, em Minas Gerais, e a foz fica entre Sergipe e Alagoas. Além desses três estados, o rio São Francisco banha os estados da Bahia e de Pernambuco.

Os ecossistemas aquáticos variam principalmente quanto à luminosidade e à quantidade de gás oxigênio, de matéria orgânica e de sedimentos. 
Nos rios, por exemplo, cujo fluxo de água vai das áreas mais altas para as mais baixas, a água próxima à nascente costuma ser pobre em matéria orgânica e rica em gás oxigênio. À medida que segue seu curso em direção à foz, o rio carrega mais sedimentos e matéria orgânica e tende a reter menos gás oxigênio. 
A presença de matéria orgânica torna o solo de suas margens fértil, ou seja, um solo que permite o bom desenvolvimento de plantas. 

AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE


Ao longo do tempo, as populações humanas procuraram se fixar perto de rios, devido à facilidade de transporte, à disponibilidade de água, à abundância de alimentos, entre outros fatores.
Contudo, com o aumento dessas populações, cresceu também o impacto sobre os ecossistemas de água doce.
A destruição das matas próximas às margens dos rios deixa desprotegido o solo dessas áreas, que pode ser carregado pela ação das águas; esses sedimentos podem acabar no fundo dos rios, causando várias alterações, como a diminuição de sua profundidade.
O lançamento de esgoto doméstico sem tratamento em rios polui as águas e põe em risco a sobrevivência dos seres que habitam esses ambientes. Os agrotóxicos usados em plantações podem ser levados pelas chuvas e contaminar rios, lagos e outros corpos de água.

Os lagos, em especial os mais profundos, apresentam três zonas distintas.

A zona litorânea, próximo da margem, é bastante iluminada e apresenta muitas espécies de plantas aquáticas e maior diversidade de vida.
A zona limnética, que é central e próximo da superfície, tem muita luz, e as algas planctônicas realizam a fotossíntese.
A zona profunda recebe menos luz e tem temperatura mais baixa que as demais zonas.

Esquema de um lago. Nesse ambiente, há três zonas distintas: a zona litorânea, a zona limnética e a zona profunda. (Representação sem proporção de tamanho e distância; cores-fantasia.)

AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE 


Ao longo do tempo, as populações humanas procuraram se fixar perto de rios, devido à facilidade de transporte, à disponibilidade de água, à abundância de alimentos, entre outros fatores. 
Contudo, com o aumento dessas populações, cresceu também o impacto sobre os ecossistemas de água doce. A destruição das matas próximas às margens dos rios deixa desprotegido o solo dessas áreas, que pode ser carregado pela ação das águas; esses sedimentos podem acabar no fundo dos rios, causando várias alterações, como a diminuição de sua profundidade. 
O lançamento de esgoto doméstico sem tratamento em rios polui as águas e põe em risco a sobrevivência dos seres que habitam esses ambientes. Os agrotóxicos usados em plantações podem ser levados pelas chuvas e contaminar rios, lagos e outros corpos de água. 
A construção de represas em rios, para produção de eletricidade em usinas hidrelétricas, por exemplo, também causa enorme impacto sobre a vida selvagem e sobre as comunidades que dependem do rio, seja pela formação de grandes áreas alagadas (rio acima), seja pela redução do volume de água (rio abaixo). 
Essas e outras ameaças comprometem a disponibilidade de água doce no mundo. Em 2015, por exemplo, o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração em Mariana (MG) poluiu o rio Doce com lama e rejeitos de mineração. Assim como em outros ecossistemas, o uso responsável das áreas de água doce exige planejamento, fiscalização, regulamentação de uso das águas e a criação de áreas de preservação.

Praia da Regência em Linhares (ES). A cor marrom da água deve-se à lama levada pelo rio Doce. Essa lama teve origem no rompimento de uma barragem em Mariana (MG).

ECOLOGIA: O ESTUDO DAS INTERAÇÕES 


A ecologia é a ciência que busca entender como os organismos interagem entre si e com os elementos do ambiente em que se encontram, como solo, água e temperatura. Essa área de estudo ajuda a compreender, por exemplo, o que leva os seres vivos a habitar determinado local ou por que algumas espécies estão ameaçadas de extinção. 
Cada espécie de ser vivo necessita de certas condições e de recursos específicos para viver. Isso inclui os alimentos que consomem, as variações de temperatura que toleram, as relações que estabelecem com os demais seres vivos, como se reproduzem, etc. Esse conjunto de interações e de atividades de uma espécie, relacionado ao seu modo de vida no ecossistema, é chamado nicho ecológico
Os buritis, por exemplo, são palmeiras com baixa tolerância a solos secos, portanto: desenvolvem-se melhor em solos úmidos; servem de abrigo para várias aves do Cerrado, como o maracanã; seus frutos servem de alimento para cutias, capivaras e araras, que ajudam a dispersar suas sementes; florescem o ano todo, principalmente de abril a agosto.

O hábitat dos buritis (Mauritia flexuosa) são áreas do Cerrado com solos úmidos, próximos a córregos ou a outros corpos de água. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás (GO).

Um dos objetivos da ecologia é estudar as características próprias de uma população, como o número de indivíduos, a distribuição espacial e a taxa de crescimento, e também como esses aspectos variam com o tempo.

TAMANHO DA POPULAÇÃO 


Toda população é influenciada pelas características do ambiente, com seus fatores bióticos e abióticos, que podem sofrer alterações com o passar do tempo. Essas mudanças influenciam as taxas de nascimento e de morte de uma população e o deslocamento de indivíduos de uma região para outra. Assim, o tamanho de uma população pode variar. A taxa de natalidade indica a quantidade de nascimentos em uma população em certo período de tempo. Em geral, a taxa de natalidade está relacionada a características reprodutivas da espécie. Algumas espécies, como os elefantes, geram poucos descendentes, mas estes recebem cuidados dos pais, o que aumenta as chances de sobrevivência. 
Outras espécies, como a planta dente-de-leão, geram centenas de descendentes (nesse caso, centenas de sementes). Muitas sementes morrem antes de germinar, mas, como são liberadas em grande número, há chance de que alguns indivíduos consigam sobreviver até a idade de se reproduzir.
A taxa de mortalidade é a quantidade de mortes em uma população em certo período de tempo. A disponibilidade de recursos – como abrigo, alimento e água – e as interações entre espécies, como a existência de predadores, influenciam a taxa de mortalidade e podem afetar o crescimento de uma população. 
Quando a sobrevivência dos seres vivos é ameaçada, algumas espécies são capazes de se deslocar para procurar ambientes com melhores condições de vida. Por isso, o tamanho das populações também é influenciado pelas migrações dos organismos.

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) tem apenas um filhote por vez. A fêmea cuida do filhote e o carrega nas costas durante os primeiros seis meses de vida.

Uma inflorescência de dente-de-leão (Taraxacum sp.) pode liberar de 40 a 100 sementes, mas a taxa de mortalidade é alta.

Panapaná é o nome dado a um conjunto de borboletas migratórias, como as da foto. Milhares ou até milhões de borboletas voam de uma região para outra na floresta Amazônica, alterando o número de indivíduos das populações dessas regiões. O motivo exato desse deslocamento ainda é desconhecido, mas as borboletas provavelmente se deslocam para locais com maior oferta de alimento para sua prole.






BIOMAS: ZONAS DE TRANSIÇÃO

Algumas regiões com características específicas, existentes entre os principais biomas brasileiros, são identificadas como zonas de transição. A percepção de uma zona de transição ocorre, principalmente, pelas mudanças na vegetação, que, por sua vez, influencia comunidades animais que habitam essas áreas. 
Uma delas é a transição entre a Amazônia e a Caatinga, onde ficam as florestas de palmeiras do Maranhão. Na zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia há as florestas secas de Mato Grosso. Há também a zona entre o Cerrado e a Caatinga, com florestas de árvores com folhas secas.
Entre a Amazônia e a Caatinga está localizada a Mata dos Cocais. Essa zona é formada por extensas florestas de palmeiras, como o babaçu, a carnaúba e o buriti. Seguindo do leste para o oeste, o clima se torna cada vez mais úmido e proporciona uma vegetação cada vez mais arbórea e exuberante. O babaçu é uma palmeira nativa das regiões Norte e Nordeste do Brasil, explorada de maneira sustentável pela população local.

Área de Mata dos Cocais. Chapada do Araripe, Barbalha (CE), 2020.


Entre a Amazônia e o Cerrado está localizada a Mata Seca, for mação florestal com características comuns do Cerrado que geralmente ocorre em locais afastados dos cursos de água ou da umidade permanente.
Já na transição entre o Cerrado e a Caatinga, observa--se uma vegetação mais rica que a da Caatinga, com florestas de árvores de folhas secas. O clima nessa região é mais seco que o do Cerrado, com solo mais ressecado e períodos prolongados sem chuva. A maior parte dessa área está no interior de estados nordestinos.

Manguezais 

Os manguezais são típicos de estuários (locais onde rios se encontram com o mar), enseadas e lagunas de água salgada. Eles se estendem do litoral do Amapá até Santa Catarina.
O solo do manguezal é lodoso e fica constante mente inundado com alternâncias definidas pela maré. É rico em matéria orgânica, o que permite o desenvolvi mento de uma fauna e de uma flora bastante diversas. A flora é composta de quatro espécies arbóreas principais conhecidas como mangue-vermelho, mangue-preto, mangue-branco e mangue-de-botão, variação que ocorre à medida que se afastam da água. Também é possível encontrar samambaias e orquídeas nesse ambiente.
A maioria das plantas do manguezal tem adaptações que permitem a sobrevivência em solo inundado e pobre em gás oxigênio, como raízes respiratórias, chamadas pneumatóforos, que permitem a captação do gás oxigênio do ar, e caules aéreos, que permitem a sustentação da planta em solo lodoso.

Mangue-vermelho (Rhizophoram mangle), espécie vegetal típica de área de manguezal com caules aéreos, no Parque Estadual Ilha do Cardoso, Cananéia (SP), 2019.

Raízes de mangue-preto (Avicennia,schaueriana), mostrando as estruturas respiratórias chamadas pneumatóforos. São Sebastião (SP), 2022.


O manguezal é berço de inúmeras espécies de ostras, caranguejos, sardinhas, garoupas, tubarões e outros animais. Nesse ambiente, as espécies permanecem protegidas até a fase adulta. É no manguezal que várias espécies de fauna aquática e terrestre, de valor ecológico e econômico, desenvolvem-se.


Cólera

A cólera é causada por um tipo de bactéria. Seus principais sintomas são diarreia aquosa abundante, vômitos e cãibras nas pernas.  A perda r...