A distribuição dos seres vivos nos ecossistemas, tanto terrestres como aquáticos, está intimamente relacionada com fatores abióticos.
Nos ecossistemas aquáticos, a luz é um fator extremamente importante, já que influencia a distribuição dos seres fotossintetizantes, a base da maioria das cadeias alimentares desses ambientes. A intensidade da luz diminui com o aumento da profundidade.
A região iluminada dos ecossistemas aquáticos é chamada zona fótica, enquanto a região com ausência completa de luz recebe o nome de zona afótica. Até cerca de 200 metros de profundidade, ainda há luz suficiente para que a fotossíntese ocorra.
Outro fator que tem grande influência na distribuição dos seres vivos nos ambientes
aquáticos é a pressão hidrostática, que, de modo simplificado, pode ser descrita como a força
que a água exerce em todas as direções, comprimindo os corpos nela imersos.
À medida que
aumenta a profundidade, aumenta também a pressão exercida pela coluna de água.
No ambiente aquático, dependendo do modo como se locomovem, os organismos
são encontrados em uma destas comunidades: plâncton, nécton e bentos.
• Plâncton: conjunto de seres aquáticos flutuantes levados pelas correntezas. Há
o fitoplâncton, formado por seres autotróficos como algas microscópicas, e o
zooplâncton, constituído por seres heterotróficos, como protozoários, pequenos
crustáceos e larvas de vários animais.
• Nécton: conjunto de seres capazes de nadar e vencer as correntes, como polvos,
lulas, peixes, golfinhos e baleias.
• Bentos: conjunto de seres que vivem no fundo do ambiente aquático, fixos ou não,
como ostras, mexilhões, esponjas, estrelas-do-mar e caranguejos.
O fitoplâncton marinho é responsável pela maior parte
do gás oxigênio liberado para a atmosfera. Já em ambientes de água doce, rios de águas agitadas possuem pouco
plâncton, pois os seres que o formam não conseguem se
manter em águas movimentadas. Nesse caso, os produtores
são algas presas ao fundo do rio. O fitoplâncton é mais
abundante em lagos, ambientes com águas calmas.
ECOSSISTEMAS COSTEIROS
Os ecossistemas costeiros ocorrem nas áreas litorâneas,
onde as águas dos mares se encontram com o continente. Eles
costumam ser classificados em quatro tipos: praias arenosas,
restingas, costões rochosos e manguezais.
PRAIAS ARENOSAS
As praias arenosas são constantemente submetidas a variações de temperatura e de umidade, como a mudança nos níveis
da água durante as marés, o vaivém das ondas e a exposição direta aos ventos e aos raios solares.
Formado principalmente por
grãos de areia, esse ecossistema tem alta salinidade, é pobre
em nutrientes e é de difícil fixação para as plantas. A vegetação, quando existente, é rasteira, dispersa e de pequeno porte.
Animais como o caranguejo maria-farinha vivem em túneis na
praia, e tartarugas marinhas põem seus ovos na areia aquecida.
Caranguejo-uçá (Ucides cordatus)
em uma praia de Ubatuba (SP) que
faz parte do Parque Estadual da
Serra do Mar.
RESTINGAS
A restinga ocorre na planície arenosa desde a
praia e segue em direção ao continente. A vegetação varia conforme a disponibilidade de nutrientes, a
luminosidade, a umidade e as condições de fixação.
Próximo da praia arenosa, existem plantas rasteiras, como a ipomeia e a acariçoba. À medida que
avança para o continente, a vegetação fica mais
densa e diversa: surgem arbustos, algumas árvores, como a caixeta e a pitangueira, e epífitas, como
as bromélias e as orquídeas. A fauna das restingas
tem muitas aves, répteis, insetos e crustáceos.
A destruição causada pela expansão urbana, a poluição e as
queimadas são algumas das ameaças a esse ecossistema.
Área de restinga em praia de
São Sebastião (SP). Foto de 2019.
Essa vegetação é conhecida
como mata de jundu e está
ameaçada de extinção.
COSTÕES ROCHOSOS
Os costões são formados por rochas que ficam à beira-mar. Nesses ambientes, as rochas
ficam expostas à ação das ondas do mar.
Devido ao efeito das marés, o costão rochoso
apresenta três zonas: a inferior, permanentemente submersa; a intermediária, periodicamente coberta pela elevação do nível da água – a ação das
correntes marítimas e das ondas é mais intensa
nessa zona; e a superior, que raramente fica sob
a água.
A variação na ação das ondas do mar e na exposição à luz do sol influencia a distribuição de
seres vivos nesse ecossistema.
Na zona inferior,
submersa, podem ser encontradas várias algas e
animais, como anêmonas; peixes se alimentam,
reproduzem-se e se abrigam nessa zona. Algas verdes, cracas
e mexilhões em geral vivem na zona intermediária, fixos às rochas. Na zona superior, onde há borrifos de água, podem ser
encontrados liquens e bromélias.
Os costões proporcionam diferentes
níveis de exposição à luz do sol e
à ação das ondas do mar. Costão
rochoso em Florianópolis (SC).
MANGUEZAIS
Os manguezais ocorrem em locais em que os rios desembocam no mar. Nesses ambientes, a água é salobra. Nas marés
altas, a água salgada do mar se mistura à água doce do rio.
Já
durante as cheias nos rios, a água doce é lançada mar adentro.
A água salobra dos manguezais é rica em matéria orgânica e sedimentos trazidos pelos rios. O solo é lodoso, rico em nutrientes,
mas pobre em gás oxigênio.
Manguezal em Tamandaré (PE).
Foto de 2020. As árvores mostradas
na foto apresentam estruturas que
melhoram a fixação da planta no solo.
As árvores desse ecossistema apresentam adaptações para
sobreviver no solo lodoso e com pouco gás oxigênio. Algumas
apresentam estruturas que partem do caule e melhoram a fixação das plantas no solo do manguezal; outras têm pneumatóforos, estruturas verticais que se projetam acima do solo e
auxiliam a respiração do vegetal.
Os manguezais são importantes para muitos peixes, pois é
onde eles se reproduzem e depositam seus ovos. Além dos peixes, a fauna é constituída principalmente de crustáceos (como o
caranguejo-uçá) e aves (como a garça).
Pneumatóforos projetando-se acima da superfície do solo, em manguezal em
São Sebastião (SP)
Por ser um berçário de muitas espécies que não vivem ali, os
danos ao manguezal acabam afetando outros ecossistemas pela
redução das populações dessas espécies.
ZONA MARINHA
A partir de certa distância da costa e da influência da água
doce dos rios, começa a zona marinha, que se estende em direção ao oceano. O limite das águas costeiras no Brasil está a
cerca de 370 quilômetros do litoral, que tem aproximadamente
7 500 quilômetros de extensão. Veja a imagem de satélite.
As águas oceânicas (mar aberto) que abrigam seres desse
ambiente cuja vida não depende do fundo do mar formam a zona
pelágica. Já a zona bentônica compreende o fundo do mar propriamente dito.
Imagem de satélite que mostra a
extensão das águas territoriais
costeiras do Brasil (linha azul-claro). A linha é imaginária: ela
foi inserida para auxiliar a leitura
da imagem.
Próximo da superfície da água, há o plâncton: seres microscópicos que não conseguem vencer as correntezas. Os organismos que nadam ativamente e conseguem direcionar sua loco
moção independentemente das correntes formam o nécton.
Diversas algas e milhares de espécies animais, como crustáceos, moluscos, águas-vivas e anêmonas, estrelas-do-mar,
peixes e alguns mamíferos, constituem a grande biodiversidade
dos ambientes marinhos.
AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS MARINHOS
As maiores ameaças aos ecossistemas marinhos brasileiros
são a pesca excessiva, o lançamento de lixo e esgoto nas águas
marinhas e o turismo desordenado. O acúmulo de lixo plástico
provoca contaminação dos organismos.
Objetos feitos de plástico,
como sacolas, podem ser confundidos com presas e engolidos por
animais, provocando obstrução das vias respiratórias e digestórias.
ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE
Os corpos de água doce fazem parte dos biomas brasileiros.
Contudo, os ecossistemas de água doce apresentam características muito variadas.
Por exemplo: em lagos, lagoas e poças, a
água geralmente é parada ou tem fluxo muito lento; nos córregos, riachos e rios, as águas seguem um fluxo moderado ou in
tenso; já os pântanos de água doce correspondem a áreas inundadas ou encharcadas de água durante a maior parte do tempo.
Vista aérea de trecho do rio São
Francisco em Petrolina (PE). Foto
de 2021. As nascentes do rio São
Francisco localizam-se na serra da
Canastra, em Minas Gerais, e a foz fica
entre Sergipe e Alagoas. Além desses
três estados, o rio São Francisco banha
os estados da Bahia e de Pernambuco.
Os ecossistemas aquáticos variam principalmente quanto à
luminosidade e à quantidade de gás oxigênio, de matéria orgânica e de sedimentos. Nos rios, por exemplo, cujo fluxo de água vai das áreas mais
altas para as mais baixas, a água próxima à nascente costuma
ser pobre em matéria orgânica e rica em gás oxigênio.
À medida que segue seu curso em direção à foz, o rio carrega
mais sedimentos e matéria orgânica e tende a reter menos gás
oxigênio.
A presença de matéria orgânica torna o solo de suas
margens fértil, ou seja, um solo que permite o bom desenvolvimento de plantas.
AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE
Ao longo do tempo, as populações humanas procuraram se fixar perto de rios, devido à facilidade de transporte, à disponibilidade de água, à abundância de alimentos, entre outros fatores.
Contudo, com o aumento dessas populações, cresceu também o impacto sobre os ecossistemas de água doce.
A destruição das matas próximas às margens dos rios deixa desprotegido o solo dessas áreas, que pode ser carregado pela ação das águas; esses sedimentos podem acabar no fundo dos rios, causando várias alterações, como a diminuição de sua profundidade.
O lançamento de esgoto doméstico sem tratamento em rios polui as águas e põe em risco a sobrevivência dos seres que habitam esses ambientes. Os agrotóxicos usados em plantações podem ser levados pelas chuvas e contaminar rios, lagos e outros corpos de água.
Os lagos, em especial os mais profundos, apresentam três
zonas distintas.
A zona litorânea, próximo da
margem, é bastante iluminada e
apresenta muitas espécies de plantas
aquáticas e maior diversidade de vida.
A zona limnética,
que é central
e próximo da
superfície, tem
muita luz, e as
algas planctônicas
realizam a
fotossíntese.
A zona profunda recebe menos
luz e tem temperatura mais
baixa que as demais zonas.
Esquema de um lago. Nesse
ambiente, há três zonas distintas:
a zona litorânea, a zona limnética
e a zona profunda. (Representação
sem proporção de tamanho e
distância; cores-fantasia.)
AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE
Ao longo do tempo, as populações humanas procuraram se
fixar perto de rios, devido à facilidade de transporte, à disponibilidade de água, à abundância de alimentos, entre outros fatores.
Contudo, com o aumento dessas populações, cresceu também
o impacto sobre os ecossistemas de água doce.
A destruição das matas próximas às margens dos rios deixa desprotegido o solo dessas áreas, que pode ser carregado
pela ação das águas; esses sedimentos podem acabar no fundo dos rios, causando várias alterações, como a diminuição de
sua profundidade.
O lançamento de esgoto doméstico sem tratamento em rios
polui as águas e põe em risco a sobrevivência dos seres que habitam esses ambientes. Os agrotóxicos usados em plantações
podem ser levados pelas chuvas e contaminar rios, lagos e outros corpos de água.
A construção de represas em rios, para produção de eletricidade em usinas hidrelétricas, por exemplo, também causa
enorme impacto sobre a vida selvagem e sobre as comunidades que dependem do rio, seja pela formação de grandes
áreas alagadas (rio acima), seja pela redução do volume de
água (rio abaixo).
Essas e outras ameaças comprometem a disponibilidade de
água doce no mundo. Em 2015, por exemplo, o rompimento
de uma barragem de rejeitos de mineração em Mariana (MG)
poluiu o rio Doce com lama e rejeitos de mineração. Assim como
em outros ecossistemas, o uso responsável das áreas de água
doce exige planejamento, fiscalização, regulamentação de uso
das águas e a criação de áreas de preservação.
Praia da Regência em Linhares (ES).
A cor marrom da água deve-se à
lama levada pelo rio Doce. Essa lama
teve origem no rompimento de uma
barragem em Mariana (MG).
ECOLOGIA: O ESTUDO DAS INTERAÇÕES
A ecologia é a ciência que busca entender como os organismos interagem entre si e com os elementos do ambiente em
que se encontram, como solo, água e temperatura. Essa área de
estudo ajuda a compreender, por exemplo, o que leva os seres
vivos a habitar determinado local ou por que algumas espécies
estão ameaçadas de extinção.
Cada espécie de ser vivo necessita de certas condições e
de recursos específicos para viver. Isso inclui os alimentos que
consomem, as variações de temperatura que toleram, as relações que estabelecem com os demais seres vivos, como se reproduzem, etc. Esse conjunto de interações e de atividades de
uma espécie, relacionado ao seu modo de vida no ecossistema,
é chamado nicho ecológico.
Os buritis, por exemplo, são palmeiras com baixa tolerância
a solos secos, portanto: desenvolvem-se melhor em solos úmidos; servem de abrigo para várias aves do Cerrado, como o maracanã; seus frutos servem de alimento para cutias, capivaras e
araras, que ajudam a dispersar suas sementes; florescem o ano
todo, principalmente de abril a agosto.
O hábitat dos buritis (Mauritia
flexuosa) são áreas do Cerrado
com solos úmidos, próximos a
córregos ou a outros corpos de
água. Parque Nacional da Chapada
dos Veadeiros, em Alto Paraíso de
Goiás (GO).
Um dos objetivos da ecologia é estudar as características
próprias de uma população, como o número de indivíduos, a
distribuição espacial e a taxa de crescimento, e também como
esses aspectos variam com o tempo.
TAMANHO DA POPULAÇÃO
Toda população é influenciada pelas características do ambiente, com seus fatores bióticos e abióticos, que podem sofrer
alterações com o passar do tempo. Essas mudanças influenciam as taxas de nascimento e de morte de uma população e o
deslocamento de indivíduos de uma região para outra. Assim,
o tamanho de uma população pode variar.
A taxa de natalidade indica a quantidade de nascimentos em
uma população em certo período de tempo. Em geral, a taxa de
natalidade está relacionada a características reprodutivas da espécie. Algumas espécies, como os elefantes, geram poucos descendentes, mas estes recebem cuidados dos pais, o que aumenta as chances de sobrevivência.
Outras espécies, como a planta
dente-de-leão, geram centenas de descendentes (nesse caso,
centenas de sementes). Muitas sementes morrem antes de germinar, mas, como são liberadas em grande número, há chance de que alguns indivíduos consigam sobreviver até a idade de
se reproduzir.
A taxa de mortalidade é a quantidade de mortes em uma população em certo período de tempo. A disponibilidade de recursos – como abrigo, alimento e água – e as interações entre espécies, como a existência de predadores, influenciam a taxa de
mortalidade e podem afetar o crescimento de uma população.
Quando a sobrevivência dos seres vivos é ameaçada, algumas
espécies são capazes de se deslocar para procurar ambientes
com melhores condições de vida. Por isso, o tamanho das populações também é influenciado pelas migrações dos organismos.
O tamanduá-bandeira
(Myrmecophaga tridactyla) tem
apenas um filhote por vez. A fêmea
cuida do filhote e o carrega nas
costas durante os primeiros seis
meses de vida.
Uma inflorescência de dente-de-leão (Taraxacum sp.) pode liberar
de 40 a 100 sementes, mas a
taxa de mortalidade é alta.
Panapaná é o nome dado a um
conjunto de borboletas migratórias,
como as da foto. Milhares ou até
milhões de borboletas voam de
uma região para outra na floresta
Amazônica, alterando o número de
indivíduos das populações dessas
regiões. O motivo exato desse
deslocamento ainda é desconhecido,
mas as borboletas provavelmente
se deslocam para locais com maior
oferta de alimento para sua prole.