sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Agropecuária da Região Sudeste

O Sudeste destaca-se não só por seu desenvolvimento urbano-industrial, mas também pelo êxito alcançado na produção agropecuária.
A produção agropecuária da região Sudeste é muito dinâmica, apresenta alta produtividade e dispõe de eficiente infraestrutura de escoamento da produção por rodovias, ferrovias, hidrovias e portos. 
A região Sudeste concentra cerca de 40% da população brasi leira e nela se localizam as três maiores regiões metropolitanas do país, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de Vitória, Campinas e outras. Cerca de 94% da população reside na zona urbana de seus municípios, gerando a necessidade de grande produção agrícola para abastecimento, associada à busca de alimentos nos mercados de outros estados e países.
A região concentra o maior volume e o maior valor da produção agrícola do Brasil e nela encontramos os mais variados tipos de produção e organização das atividades agropecuárias. Há diversas regiões onde se pratica agricultura familiar para abastecimento dos centros urbanos, muitas vezes com uso de tecnologia moderna e alta produtividade, e onde houve recente aumento da prática de agricultura orgânica. A agricultura de subsistência ainda é praticada em locais onde a terra é de baixa fertilidade e tem menor valor comercial. 
Em várias propriedades rurais do Sudeste, a introdução de um sistema produtivo de alto padrão tecnológico no campo tem garantido elevado índice de produtividade, tanto no cultivo de diversos gêneros agrícolas como na criação de animais.
Na região, também há pequenas propriedades, com técnicas tradicionais de cultivo e de criações. Como em outras regiões brasileiras, elas coexistem com a expansão das grandes propriedades monocultoras comerciais.
Nas médias e grandes propriedades também é desenvolvida uma grande variedade de atividades, com destaque para a exportação de produtos agroindustriais. 
Além de abastecer o mercado interno, essa atividade tem peso significativo entre os principais produtos que o Brasil exporta. Com o interesse de expandir cada vez mais o mercado exportador de produtos agropecuários, várias regiões do Brasil estão optando por produzir em extensas áreas agrícolas monocultoras.
Na Região Sudeste, entre as principais lavouras cultivadas nessas propriedades estão o café, a cana-de-açúcar e a laranja. As agroindústrias localizadas na Região Sudeste participam intensamente do crescimento agropecuário regional. Elas processam uma parcela relevante de produtos agropecuários exportados pelo país.

Com exceção do café, que, além de abastecer o mercado interno, é exportado sem nenhum processamento industrial, os demais produtos são comercializados no mercado interno e também exportados depois de serem proces sados nas agroindústrias, ou seja, após passarem por um processo de industrialização. Na região, entre outras produções agroindustriais, destacam-se: 
- o cultivo de laranja para produção de suco concentrado (o estado de São Paulo é o maior produtor mundial); 
- o cultivo de cana-de-açúcar para produção de açúcar e álcool (São Paulo é o maior produtor nacional e reúne a maior quantidade de usinas); 
- o cultivo de eucalipto para produção de papel e celulose, espalhado por várias sub-regiões (Minas Gerais é o maior produtor nacional); 
- a criação de gado para produção de carne, leite e laticínios, com a maior produção regional concentrada em Minas Gerais; - a criação de aves para produção de carne e ovos, com concentração de granjas no estado de São Paulo.

Agricultura e modernização no campo

Nas terras da Região Sudeste cultivam-se vários produtos, destacan do-se a cana-de-açúcar, a laranja, o café, o amendoim, a soja, o arroz, o milho, além de outras culturas. Na região se localizam os três maiores produtores de café do Brasil: Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, cuja produção, além de atender ao mercado interno, é destinada à exportação. 
A cultura da laranja é realizada principalmente no estado de São Paulo, onde se destacam os municípios de Matão, Araraquara, Bebedouro e São José do Rio Preto. 
As indústrias de suco de laranja aí instaladas são determinantes para que o Brasil seja o líder na exportação mundial desse produto. 
O Sudeste é o maior produtor nacional de cana-de-açúcar – o esta do de São Paulo lidera a produção brasileira de açúcar e a de etanol (álcool combustível para veículos automotores). No interior paulista, os canaviais e as grandes usinas de açúcar e álcool localizam-se principal mente nas proximidades de Ribeirão Preto, Bauru e Piracicaba. 
A produção de etanol permitiu ao Brasil desenvolver novas tecnolo gias agrícolas e industriais. O país ocupa a liderança mundial nesse setor.
A modernização agrícola do Sudeste apresenta outra face. A mão de obra empregada tanto na colheita de laranja como na de cana-de-açúcar é temporária, frequentemente realizada por boias-frias, originários da Região Nordeste, principalmente. 
O corte manual da cana-de-açúcar exige enorme esforço físico, e o trabalhador, submetido a condições desgastantes, é mal remunerado. 
Diante dessas condições, explicadas por um modelo de de senvolvimento caracterizado pela exclusão social, o corte manual de cana é uma questão que começou a ser enfrentada pelos governos. 
No estado de São Paulo, na safra 2007/08, apenas 42% da colheita foi realizada por máquinas, mas, na de 2018/19, atingiu-se mais de 95% de mecanização. 
Além disso, apesar de toda a modernização e da existência de le gislação ambiental específica, a cultura da cana-de-açúcar ainda provoca impactos ambientais, como poluição do ar causada pela queima da palha da cana e poluição dos corpos de água.

Cadeias produtivas agrícolas 

A agropecuária do Sudeste é bastante diversificada e tem sido fortemente in fluenciada pela produção industrial, fornecendo matéria-prima para a indústria ou comprando das fábricas máquinas agrícolas, fertilizantes químicos e agrotóxicos. Ou para produção de margarina e óleos vegetais. 
Destacam-se ainda a avicultura e a criação de gado leiteiro, seja, a cadeia produtiva agrícola combina produtos gerados na cidade para a produção agrícola e, também, produtos agrícolas que são beneficiados nas indústrias. 
O café, a cana-de-açúcar, a soja e a laranja são os cultivos mais importantes da região. Todas essas atividades integram cadeias produtivas. O café, por exemplo, pode ser colhido, torrado e moído antes de ser comercializado. A soja é usada para produção de margarina e óleos vegetais. Destacam-se ainda a avicultura e a criação de gado leiteiro, do qual se produzem manteiga, iogurte, entre outros produtos lácteos.
São Paulo se destaca pela produção de alimentos, em especial resultado do trabalho de assenta dos do Movimento Sem Terra que conquistaram a terra nas últimas décadas do século XX. Parte dessa produção não usa agrotóxicos ou complemen tos químicos, o que qualifica o resultado, que é comercializado a preço mais elevado que o que é produzido em larga escala com base naqueles produtos.
Os laços comerciais do Sudeste, principalmente São Paulo, com o resto do país são cada vez mais intensos. Muitas atividades agrícolas desenvolvidas em outras regiões estão relacionadas ao Sudeste. Por exemplo, a soja produzida em Mato Grosso do Sul é usada para produzir óleo de cozinha e, em alguns casos, biodiesel, em São Paulo.

Pecuária

Além da pecuária bovina de corte predominantemente extensiva, praticada sobretudo no norte de Minas Gerais, o Sudeste apresenta várias bacias leiteiras, ou seja, áreas de pecuária intensiva destinadas à produção de leite e seus derivados – queijos, iogurtes etc. 
Dotado de tecnologias adiantadas de produção e de seleção de raças leiteiras, o setor é expressivo na Região Sudeste, com destaque para o Vale do Paraíba, o sul de Minas Gerais, o Triângulo Mineiro e o leste do estado de São Paulo, próximo ao sul de Minas.


Industrialização na região Sudeste

Industrialição

A região Sudeste, nas primeiras décadas do século XX, reuniu as condições favoráveis à industrialização.
Aa cidade de São Paulo já era um importante centro comercial e financeiro e contava com uma boa infraestrutura. Tinha ainda uma população numerosa e pessoas com espírito empreendedor, com destaque para os imigrantes. Muitos estrangeiros tinham bom nível de qualificação profissional, porque seus países de origem começaram a industrializar-se antes do Brasil. 
Toda essa infraestrutura e esses recursos humanos, mais o dinheiro acumulado com as exportações de café ao longo do tempo, foram direcionados para o desenvolvimento de atividades industriais, e São Paulo começou a comandar o processo de industrialização nacional.
Até essa época, o café era o principal produto da economia brasileira, mas a atividade sofreu grande enfraquecimento a partir de 1929, quando teve início uma crise econômica mundial, que abalou o comércio internacional. Houve redução tanto no volume de exportações brasileiras como no de importações de produtos industrializados, o que tornou necessária a instalação de novas fábricas no país para produzir mercadorias que antes eram importadas.
O Rio de Janeiro – principalmente por ter sido a capital federal desde 1763 e por ter passado por uma onda de modernização com a chegada da família real, em 1808 – também dispunha de boa infraestrutura e uma diversificada rede de comércio e serviços, que serviram de base para o processo de industrialização. 
Em Belo Horizonte, o processo de industrialização ganhou impulso a partir da década de 1940, quando a extração de minérios e a produção de aço se tornaram atividades importantes em municípios próximos. Em 1942, Getúlio Vargas criou a Companhia Vale do Rio Doce, uma empresa de mineração que atraiu a instalação de muitas outras indústrias que utilizavam os minérios (ferro, alumínio, níquel e outros) como matéria-prima.
Além disso, a região Sudeste recebeu do governo federal muitos investi mentos em infraestrutura ao longo do século XX, principalmente durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960), sobretudo em energia e trans portes. Isso aconteceu porque era mais barato concentrá-los espacialmente, pois as estruturas poderiam ser utilizadas de forma compartilhada. 
Esses investimentos por parte do governo brasileiro atraíram muitas em presas estrangeiras para o Brasil, com destaque para as indústrias automobi lísticas no ABC (municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano, que fazem parte da região metropolitana de São Paulo). 
A entrada das indústrias automobilísticas gerou investimento nacional e estrangeiro em vários outros setores complementares, como o da produção de máquinas e equipamentos industriais, vidros, bancos, peças para motores e muitos outros. Isso porque as indústrias automobilísticas não fabricam os auto móveis; na verdade, elas os montam a partir do que é produzido em outras fábricas. Por isso, são chamadas de montadoras de veículos.

Produção industrial

São Paulo é o estado responsável pela maior parte da produção industrial do país. Minas Gerais e Rio de Janeiro também se destacam nesse setor da economia. Todos os setores industriais estão presentes no estado de São Paulo. Além da Região Metropolitana de São Paulo, que concentra muitas indústrias, inclusive do setor automobilístico, elas estão presentes na Região Metropolitana de Campinas, onde atuam em presas do setor de autopeças e eletrônica; em São Carlos, com empresas automobilísticas e de produção de aeronaves; em Sorocaba, com destaque para papel e celulose; no Vale do Paraíba Paulista, com destaque para São José dos Campos, que reúne a maior parte das indústrias aeroespaciais do Brasil; em Taubaté e Caçapava, que sediam grandes empresas do setor au tomobilístico e alimentício; e em Pindamonhangaba, que se destaca pela reciclagem do alumínio.
Minas Gerais está voltada para a produção das indústrias de base, mas tam bém tem indústrias automobilísticas. Além disso, possui um importante polo de produção de máquinas e equipamentos, que fabrica máquinas que são usadas por outras indústrias — de produtos químicos e farmacêuticos. 
A área industrial distribui-se pelo Vale do Aço, que tem em Ipatinga sua principal cidade; pelo Triângulo Mineiro, com destaque para os municípios de Uberaba e Uberlândia; pelo sul do estado, onde a indústria eletrônica é bem desenvolvida no Vale da Eletrônica, como ficou conhecida Santa Rita do Sapucaí; pela Zona da Mata, onde Juiz de Fora é a cidade mais importante por abrigar indústrias automotivas; e pela Região Metro politana de Belo Horizonte, que tem uma atividade industrial diversificada, ainda que o setor automobilístico seja o mais importante. 
Minas Gerais também se destaca na mineração como um dos maiores estados produtores do país. Entretanto, em 2015 um terrível acontecimento gerou repercussões para além do território mineiro.
O Rio de Janeiro também conta com um parque industrial de destaque no Brasil. Ele está distribuído em municípios do Vale do Paraíba Fluminense, como Resende, que possui empresas diversificadas, como as dos setores automobilístico, siderúrgico e de produção de combustível nuclear, e em Volta Redonda, onde está a primeira empresa siderúrgica do Brasil. Macaé e Campos dos Goytacazes, que estão a leste da capital do estado, se destacam pela indústria de extração e processamento de petróleo; na Região Metropolitana do Rio de Janeiro estão presentes indústrias de diversos setores, com destaque para o setor naval, siderúrgico e químico.
No Espírito Santo, o setor industrial está concentrado junto à capital, Vitória. Nela se encontram indústrias dos setores siderúrgico e alimentício. Já no município de Aracruz está uma grande empresa do setor de produção de celulose, matéria-prima para a produção de papel.

Indústria e a população urbana

O processo de industrialização provocou grandes transformações na organiza ção do espaço geográfico da Região Sudeste.
A expansão da atividade industrial fez com que a Região Sudeste tivesse um expressivo aumento na população urbana. Isso ocorreu porque, à medida que as indústrias se multiplicavam, um grande contingente de trabalhadores era atraído em direção aos centros urbanos que se industrializavam. A partir da década de 1950, um grande número de nordestinos se dirigiu espe cialmente para o estado de São Paulo, que já se destacava como o estado mais industrializado do país. 
Dessa forma, podemos concluir que a industrialização do Sudeste contribuiu para torná-la a região mais urbanizada do país, pois ocorreu de maneira desigual e concentrada e impulsionou o crescimento de grandes cidades e metrópoles, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Isso explica por que o Sudeste é a região que apresenta a maior a taxa de urbanização do país. Atualmente, de cada 100 habitantes que vivem na Região Sudeste, 93 moram em áreas urbanas.

Concentração da atividade industrial

O desenvolvimento da atividade industrial no Sudeste caracterizou-se pela formação de um diversificado e vasto parque industrial, com indústrias de base, como siderúrgicas e petroquímicas; de bens intermediários, como as de autope ças; de materiais de transporte e máquinas industriais, que fabricam máquinas e equipamentos para outras indústrias; de bens de consumo duráveis, que são as automobilísticas e de aparelhos eletroeletrônicos, além de indústrias de bens não duráveis, como as alimentícias e de produtos de higiene e limpeza. 
Embora o Sudeste seja uma região bastante industrializada, a atividade industrial não está distribuída de maneira homogênea entre os estados que a compõem. As maiores concentrações industriais estão localizadas em seus grandes centros urbanos, sobretudo nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. 
Nessas cidades, também estão localizadas as grandes empresas nacionais e multinacionais e as sedes, no Brasil, dos grandes bancos internacionais e institui ções financeiras, como as bolsas de valores. Além disso, concentram as principais universidades e possuem os mais avançados laboratórios e centros de pesquisa, responsáveis pelo desenvolvimento de inovações tecnológicas produzidas no país. Isso explica por que, no Sudeste, estão instaladas indústrias de alta tecnologia, como as de informática, eletrônica, telecomunicações, aeroespacial e farmacêutica.

A descentralização industrial no Sudeste

Até o final do século XX, a atividade industrial brasileira esteve concentrada, sobretudo, no eixo formado pelas cidades localizadas entre as capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro.
A partir desse período, algumas indústrias passaram a transferir suas unidades de produção para outras áreas da própria Região Sudeste, como o estado de Minas Gerais e o interior do estado de São Paulo. Algumas delas também se instalaram nas demais regiões do Brasil, principalmente nos estados das regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste.
A Região Sudeste concentra importantes tipos de indústria, como siderúrgicas, metalúrgicas, mecânicas, alimentícias, extrativas minerais, além das de alta tecnologia, como informática e aeroespacial. 
No entanto, a maneira como estão distribuídas pelo espaço regional é bastante desigual. A maior parte está localizada nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Só a região metropolitana da capital paulista, por exemplo, abriga a maior parte das unidades fabris e, consequentemente, o maior número de pessoas empregadas nesse setor. 
A indústria da Região Sudeste responde por 54% do PIB gerado pelo setor industrial do país. Muitos produtos fabricados pelas indústrias, além de abastecer o mercado interno, são responsáveis por incrementar a diversidade do que é exportado.
Nos últimos anos, um grande número de indústrias tem deixado áreas de concentração tradicionais do Sudeste para se instalarem em outras regiões do Brasil ou até mesmo em áreas no interior da própria Região Sudeste, movimento co nhecido como descentralização industrial. Esse movimento se deve à busca de custos mais baixos com transportes, imóveis, impostos e salários.
Esse processo de descentralização espacial da atividade industrial foi de sencadeado por uma série de fatores, como incentivos fiscais ofertados por estados de outras regiões, diminuição dos custos com transporte e mão de obra, diminuição das despesas imobiliárias e, principalmente, redução dos encargos tributários.

Cadeias produtivas industriais 

Muitas fábricas se estabeleceram no Sudeste para desenvolver atividades complementares. A indústria automobilística, por exemplo, compra das fábricas de peças e acessórios vários componentes utilizados na montagem final dos carros (espelhos, vidros, chave de roda, bateria, entre outros). Além dos milhares de carros produzidos diariamente, são fabricados no Sudes te aviões, navios, sapatos, roupas, geladeiras e muitos outros produtos industrializados. 
Esse conjunto de atividades industriais estimula o desenvolvimento do comércio, dos transportes, dos serviços e liga esse complexo regional aos demais do país. Também permite a produção para exportação de máquinas, automóveis e aviões, entre outros produtos. O desenvolvimento dessas atividades fortaleceu as relações econômicas no país. 
A atividade industrial do Sudeste necessita de diversas matérias-primas, localizadas muitas vezes em outras regiões. A indústria vai então buscá-las onde for preciso para manter em funcionamento a sua linha de produção. Por causa de atividades localizadas em torno de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG), o Sudeste lidera o desenvolvimento econômico do país. 
Junto às áreas industriais está a maior oferta de rede de água, esgoto e energia elétrica do país. Também se concentram estradas e ferrovias, além de se en contrar o maior porto de exportações e importações do Brasil. Nessa região ainda ficam os principais centros financeiros, comerciais, culturais e de desenvolvimento científico e tecnológico do país.
São Paulo e Rio de Janeiro influenciam atividades econômicas dispersas pelo território nacional. Além disso, estão integradas a fluxos produtivos internacio nais e alojam sede de empresas que atuam em vários países. Por isso, são consideradas cidades globais por alguns pesquisadores. Elas também fazem parte da megalópole em formação no país, pois suas áreas urbanas espraiam-se uma em direção à outra.


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

As sub-regiões do Nordeste

No Nordeste, a interação entre sociedade e natureza imprimiu traços marcantes na paisagem e no território. Por causa da ampla diversidade, o Nordeste foi regionalizado em quatro sub-regiões. 
Tendo por base as condições naturais, principalmente o clima, a Região Nordeste pode ser dividida em quatro sub-regiões: a Zona da Mata, o Agreste, o Sertão e o Meio-Norte.
Elas são muito distintas, tanto no que se refere aos aspectos naturais – originais e transformados – como aos aspectos culturais, sociais e econômicos.


A Zona da Mata: localização e condições naturais

Chamada também de litoral oriental do Nordeste, a Zona da Mata compreende uma faixa de terras que acompanha o litoral desde o Rio Grande do Norte até o sul da Bahia.
A Zona da Mata é a mais povoada. Seu nome faz referência à Mata Atlântica que cobria originalmente essa área. Mais urbanizada das sub-regiões, é nela que se concentra o maior número de indústrias. É uma área que atrai muitos turistas de outras regiões do Brasil e do exterior, por causa de suas praias. Nela predominam as grandes propriedades rurais.

Clima

Na Zona da Mata ocorre o clima tropical litorâneo úmido. A tempera tura média anual oscila entre 24 °C e 26 °C, e a precipitação total anual é superior a 1200 milímetros – em algumas áreas, esse número supera os 2000 milímetros. As chuvas se concentram no período entre abril e julho. 
Essas características climáticas são influenciadas pelas massas de ar úmidas provenientes do Oceano Atlântico, principalmente a barlavento do Planalto da Borborema e da Serra Geral, no sul da Bahia, onde ocorrem chuvas orográficas. Já na sotavento a umidade diminui, o que contribui para a formação das paisagens semiáridas que caracterizam parte do Agreste e o Sertão. 

Relevo e vegetação

O relevo da Zona da Mata é formado, principalmente, por planícies, onde se localizam praias e tabuleiros litorâneos. 
Essa sub-região foi ocupada, no passado, pela Mata Atlântica, o que explica o nome Zona da Mata. No decorrer dos mais de cinco séculos de ocupação humana dessa sub-região, a Mata Atlântica foi retirada em quase toda a sua extensão. No Nordeste, o desmatamento iniciou-se no século XVI, com a chegada dos colonizadores portugueses, que passaram a explorar o pau-brasil. Mas foi com a expansão da cultura da cana-de-açúcar e da fabricação de açúcar na Zona da Mata – atividades responsáveis pela organização inicial do espaço dessa sub-região – que seu desmatamento se acelerou, ainda no século XVI.
Por séculos, contribuíram para o desmatamento da Mata Atlântica a cultura do tabaco no Recôncavo Baiano (realizada desde o século XVI), a criação de gado, o uso da lenha nos lares e nas caldeiras dos engenhos para a fabricação de açúcar e o processo de urbanização. No litoral da Zona da Mata, as vegetações costeiras encontram-se bastante alteradas em decorrência da exploração de petróleo, especulação imobiliária, urbanização, das atividades portuárias e do turismo.

Zona da Mata: as metrópoles 

A Zona da Mata é a sub-região mais populosa do Nordeste. Nela se situam seis capitais de estados: Salvador (BA), Aracaju (SE), Maceió (AL), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Natal (RN). Entre essas capitais, duas são classificadas pelo IBGE como metrópo les: Salvador e Recife (Fortaleza, que está localizada no Sertão, também é uma metrópole). Elas exercem ampla influência no espaço nordestino por oferecerem serviços diversificados, como comerciais, portuários, médico-hospitalares, educacionais, culturais, turísticos etc., atendendo habitantes do Agreste e do Sertão. 
As capitais dos demais estados nor destinos são capitais regionais importantes, mas suas áreas de influên cia são menores que as das metrópoles. Salvador é a capital mais populosa, seguida por Fortaleza. Como ocorre em outras cidades do Brasil, as metrópoles do Nordeste apresentam graves problemas: deficiência em saneamento básico, habitações precárias, poluição de córregos e rios, desigualdade de rendimento entre seus habitantes, entre outros.

Zona da Mata: aspectos gerais da economia

Na Zona da Mata podemos identificar três porções do espaço geográ fico que se individualizam segundo a sua produção tradicional: Zona da Mata açucareira, Zona da Mata cacaueira e Recôncavo Baiano.

A Zona da Mata açucareira

Essa sub-região é utilizada principalmente para o cultivo da cana-de-açúcar, importante produto agrícola local desde o período colonial. A cana é cultivada praticamente em todos os estados do litoral oriental, cujos principais produtores são Pernambuco e Alagoas. Pernambuco ocupa o segundo lugar na produção brasileira de açúcar e álcool, superado apenas pelo estado de São Paulo.
Estende-se desde o Rio Grande do Norte até as proximidades do município de Salvador, na Bahia. O espaço é ocupado por latifúndios monocultores de cana-de-açúcar e por usinas produtoras de açúcar e álcool. Aí também se localizam as regiões urbanas e industriais importantes de Salvador e do Recife. 
Na Região Metropolitana do Recife (municípios de Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes, Paulista e outros), a partir dos anos de 1960, estruturou-se uma importante e diversificada área industrial. Depois da Região Metropolitana de Salvador, a do Recife apresenta a maior produção em valor industrial do Nordeste.

 A Zona da Mata cacaueira 

Situa-se no sul da Bahia, e nela se destacam os municípios de Itabu na e Ilhéus, cujas economias giram em torno do comércio e da exportação de cacau. Sua produção começou a se destacar no início do século XIX, especialmente no litoral sul da Bahia, nos municípios de Ilhéus e Itabuna. 
Cultivado predominantemente em grandes propriedades, na forma de monocultura para exportação (plantation), o cacau necessita de sombra (fornecida pela Mata Atlântica) e de muita umidade para se desenvolver.
Até os anos 1980, o Brasil era um dos principais exportadores mundiais de cacau. O aumento do consumo interno do produto somado à queda da produção, causada por problemas no cultivo (como severas estiagens, o ataque de pragas e o baixo investimento em tecnologia para aumento da produtividade), fizeram com que a participação das exportações brasileiras no mercado mundial apresentasse uma queda bastante acentuada. No final dos anos 1990, o Brasil passou a importar o produto.
As dificuldades na produção de cacau levaram muitos agricultores a explorar madeira ou introduzir outros tipos de cultivo, que acabaram devastando trechos remanescentes da Mata Atlântica.
Atualmente a sua produção encontra-se em recuperação, após a praga “vassoura-de-bruxa“ ter destruído muitas plantações. No caso de Ilhéus, o fluxo de turistas e o polo industrial do setor eletroeletrônico (equipamentos para comunicação e informática) mantiveram a economia aquecida. 

O Recôncavo Baiano 

Abrange vários municípios no entorno de Salvador e, além de ser uma tradicional e importante área produtora de tabaco, apresenta um polo industrial importante. 
O fumo, cujo cultivo requer grande quantidade de mão de obra, também é um produto de destaque na economia regional nordestina. 
O Nordeste dedica-se sobretudo à produção de fumos escuros, para charutos, contribuindo com mais de 16% do total nacional. As principais áreas produtoras são: o Recôncavo Baiano; os municípios de São Félix e Cachoeira, na Bahia; e Arapiraca, em Alagoas, responsável pela maior parte da produção nordestina.
Desde a descoberta de petróleo, em 1939, no Recôncavo Baiano, e da construção da refinaria de petróleo em Mataripe), a economia começou a ser dinamizada. 
Na década de 1970, com a implantação do polo petroquímico de Camaçari, no município de mesmo nome, o crescimento econômico se acelerou e o processo de industrialização promoveu grande transformação socioeconômica. 
Esse polo estimulou a instalação de outras indústrias na Região Metropolitana de Salvador e o desenvolvimento do comércio e do setor de serviços. Aí são encontradas indústrias dos ramos químico, metalomecânico, madeireiro, têxtil, farmacêutico, eletroe letrônico, além de indústrias de artefatos de plástico e borracha, de fertilizantes, bebidas, móveis, automóveis, entre outros. 
Outro importante complexo industrial do Recôncavo Baiano é o de Aratu. Localizado nos municípios de Simões Filho e Candeias, destaca-se nos setores químico, têxtil, mineral, plástico, eletroeletrônico, de fertilizantes, bebidas e móveis.

O Agreste: localização e condições naturais

A sub-região do Nordeste denominada Agreste estende-se do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia, entre as sub-regiões da Zona da Mata e do Sertão.
O Agreste é uma área de transição entre a Zona da Mata, de clima Tropical Úmido, e o Ser tão, de clima Tropical Semiárido. No Agreste, predominam as pequenas e médias proprie dades rurais, onde se desenvolvem a policultura (cultivo de diversos tipos de plantas) e a pecuária leiteira. Seus produtos abastecem, principalmente, o maior mercado consumidor do Nordeste — a Zona da Mata.

Vegetação

Essa sub-região apresenta algumas áreas semiáridas e outras úmidas. Nela, há trechos com vegetação de Caatinga, principalmente na porção oeste (mais próxima do Sertão), onde a pluviosidade é mais baixa que na porção leste (mais próxima do litoral), área coberta por trechos de vegetação mais densa — arbórea —, sobretudo nos brejos.
Em decorrência de sua localização, o Agreste apresenta diversas paisagens. Nos trechos mais úmidos, restam fragmentos da Mata Tropical, que foi desmatada para a prática da agricultura e da pecuária. Nas áreas mais secas, a Caatinga, transformada pela ação humana, domina a paisagem.

O relevo e o clima 

O Planalto da Borborema é a forma de relevo que caracteriza o Agreste na sua porção norte. O Agreste ocupa a fachada leste desse planalto; já a porção oeste corresponde ao Sertão. A fachada leste do Planalto da Borborema está sujeita ao que resta de umidade dos ventos que sopram de sudeste, que não precipita na Zona da Mata. 
Assim, no Agreste encontramos áreas úmidas semelhantes às da Zona da Mata ilhadas por áreas secas, com médias de temperatura mais baixas em virtude das suas altitudes mais elevadas. Essas áreas mais úmidas no Nordeste recebem o nome de brejos, e nelas não há seca. Possuem, inclusive, pequenos rios permanentes.
Um exemplo de brejo é o de Garanhuns, situado no Agreste per nambucano, no Planalto da Borborema. Aí se desenvolveu a cidade de mesmo nome, Garanhuns, a 822 metros de altitude, com chuvas de 869 milímetros anuais e temperatura média anual de 21 °C. Em virtude dessas características cli máticas, a cidade, que possuía 141347 habitantes em 1° de julho de 2021, atrai turistas do Nordeste e de outras regiões, principalmente nos meses de junho e julho, quando as médias de temperatu ra são mais baixas, em torno de 18 °C. Garanhuns é um verdadeiro oásis no meio da paisagem semiárida do Agreste, contrariando a ideia geral de que no interior do Nordeste há apenas clima quente e seco.

As cidades do Agreste 

Os primeiros povoadores do Agreste foram os criadores de gado vindos da Zona da Mata, que também introduziram a agricultura para abastecer de alimentos aquela sub-região. A expansão da atividade agrícola no Agreste estimulou a interiorização da criação de gado em direção ao Sertão e ao vale do Rio São Francisco. Entre os séculos XVI e XVIII, a criação de gado, a agricultura, a mineração e as missões jesuítas e de outras congregações religiosas foram respon sáveis pela fundação de vilas que, ao longo do tempo, se transformaram em cidades. 
No Agreste encontram-se cidades importantes, como Campina Grande, na Paraíba; Caruaru e Garanhuns, em Pernambuco; Feira de Santana e Vitória da Conquista, na Bahia. Nessas cidades, que atraem migrantes de vários municípios, princi palmente do Sertão, a vida comercial é bastante ativa e o setor de serviços é mais desenvolvido que em cidades menores da rede urbana do Nordeste. 

Agreste: economia

Desde o período colonial, o Agreste assumiu, dentro da divisão territorial da produção, a função de fornecer gêneros agrícolas de subsistência (alimentos), carne, couro, leite e animais (bovinos, equinos, asininos, caprinos etc.) para a Zona da Mata açucareira. 
Vê-se, então, que o espaço geográfico do Agreste foi construído e reconstruído em função da Zona da Mata açucareira. Atualmente, o Agreste continua sendo um espaço de policultura, que se destaca na produção de milho, arroz, feijão, mandioca, algodão, café, frutas tropicais e agave. 
Continua sendo também uma zona de criação de gado bovino para abastecer de leite e derivados as cidades da Zona da Mata e outros mercados. No período de corte da cana-de-açúcar (período de safra), muitos trabalhadores do Agreste deixam seus minifúndios e se empregam como temporários nas usinas de cana-de-açúcar da Zona da Mata. 
Principalmente nos estados de Pernambuco e da Paraíba, além da pecuária leiteira, pratica-se a agricultura em pequenas e médias propriedades, na forma de policultura, diferentemente do que ocorre no Sertão e na Zona da Mata, onde predominam as grandes propriedades. Dos vários produtos cultivados nessas áreas, destacam-se os gêneros alimentícios (feijão, milho, mandioca, batata, hortaliças e outros), que se destinam ao abastecimento da população local e também da Zona da Mata.
Aqueles que permanecem nos minifúndios cuidam da escassa produção. Os centros urbanos do Agreste se destacam na atividade comercial e em vários outros setores de prestação de serviços, além de apresentarem certo desenvolvimento industrial, fruto do processo de desconcentração dessa atividade em curso no Brasil. 
Sobressaem, ainda, o cultivo do algodão e o do sisal ou agave — planta têxtil da qual se produz uma fibra utilizada na fabricação de cordas, estofamentos de veículos e de sofás . Essas culturas de plantas industriais são pratica das em propriedades de porte médio.

O Sertão: localização e condições naturais

O Sertão é a sub-região mais extensa do Nordeste. Localiza-se entre o Agreste e o Meio-Norte e se estende até o litoral setentrional do Nordes te, chegando às praias do Ceará e do Rio Grande do Norte. Nesse litoral de solo arenoso, o cajueiro, cuja exploração mantém muitas famílias, encontra o seu hábitat.
O Sertão apresenta muitos rios temporários e baixo índice pluviométrico, com características de irregularidade, pois ocorrem longos períodos sem chuva (estiagem). Em alguns trechos do Sertão, pratica-se a criação de gado e, em outros, a agricultura, inclusive irrigada, principalmente no Vale do São Francisco. A vegetação predominante nessa sub-região é a Caatinga.

Clima 

Predomina, no Sertão, o clima tropical semiárido com 6 a 8 meses secos por ano, como pode ser observado no mapa. Entretanto, existem áreas onde a semiaridez é mais acentuada, com 9 a 11 meses secos. É esse o caso de parte do Sertão da Paraíba, onde se localiza Cabaceiras, município brasileiro de menor média anual de chuva (278 milímetros).
No clima tropical semiárido do Sertão, além de escassas, as chuvas são irregulares e mal distribuídas no decorrer do ano.

Nem todo o Sertão é seco 

Assim como ocorre no Agreste, o Sertão também possui áreas úmidas: os brejos. O principal deles é o do Cariri, localizado no sul do Ceará, na base da encosta norte da Chapada do Araripe. O Cariri possui fontes de água que possibilitam o de senvolvimento da agricultura e da criação de gado no ambiente da Caatinga. 
No Cariri, desenvolveram-se cidades importantes, como Crato e Juazeiro do Norte, cuja área de influência se estende a vários municípios. Em virtude de suas condições naturais favoráveis, o Cariri é a segunda porção mais povoada do território do Ceará, atrás apenas da Região Metropolitana de Fortale za. Considerando-se o Sertão, o Cariri é a área que tem a maior densidade demográfica.

Vegetação e relevo

A vegetação nativa do Sertão é a Caatinga, que na língua tupi significa “mata branca”. Ela se encontra bastante modificada pela ocupação humana, iniciada na segunda metade do século XVI, com a criação de gado. O relevo apresenta diversas altitudes, com chapadas e depressões, destacando-se a Depressão Sertaneja e do São Francisco, por onde cor re o importante Rio São Francisco, o grande rio permanente ou perene (que não seca) que atravessa o Sertão.

O Rio São Francisco 

O Rio São Francisco, com 2700 quilômetros de extensão, nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, a mais de 1000 metros de altitu de, e deságua no Oceano Atlântico, marcando a divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe. Por ser um rio de planalto, apresenta em seu curso várias quedas-d’água, que são aproveita das para a produção de energia elétrica. Ao lon go de seu curso estão instaladas as usinas hidre létricas de Paulo Afonso, Itaparica, Sobradinho e Xingó. O Rio São Francisco é navegável de Pira pora (MG) até Jua zeiro (BA) e Petrolina (PE), onde serve de limite entre essas duas cidades.
Destaca-se, também, sua importância para a pesca, a irrigação de terras e a agricultura de va zante, realizada sobre os sedimentos deposita dos pelo rio em suas margens na época de cheia. Desde o período colonial, o Rio São Francisco  tem importante papel na comunicação e no transporte, possibilitando o intercâmbio entre Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. 
Foi primordial para a criação de gado, servindo de via para o transporte de alimentos (milho, carne-seca, feijão, farinha), para o abastecimento da região das minas, e por ele seguiam escravos e garimpeiros vindos de outras regiões. Diferentemente de grande parte dos rios do Sertão, que são intermitentes ou temporários, isto é, secam no período de estiagem, o Rio São Francisco é perene (ou permanente). Apesar da baixa pluviosidade e da grande evaporação de suas águas no semiárido, e do fato de seus afluentes da margem direita serem temporários, esse rio não seca porque sua nascente é alimentada pelas chuvas que caem na Serra da Canastra (MG), e seus afluentes situados em território mineiro também estão em áreas bem regadas por chuvas. 
Esse rio tem sido secularmente alterado pela ação humana. Além da poluição da água por resíduos industriais, domésticos e de garimpo, o desmatamento das margens tem causado seu assoreamento.

 A transposição das águas do Rio São Francisco 

A ideia de desviar parte das águas do Rio São Francisco para irrigar o Sertão surgiu em 1858. Após essa data, ela foi debatida algumas vezes, sem ter se concretizado. Em 2004, foi aprovado um projeto para a transposição do Rio São Francisco, e as obras foram iniciadas em 2008. Parte das águas do rio será bombeada para áreas de al titudes mais elevadas, em direção a dois eixos, onde correrão por aquedutos e canais para outros rios, reservatórios e açudes, abastecendo a população do Sertão.

Sertão: economia 

Desde o período da economia colonial, desenvolveu-se no Sertão a criação de gado bovino vindo do Agreste. O Sertão abriga a maior parcela de caprinos do Nordeste, que ocupa o primei ro lugar na criação de caprinos no Brasil. Quanto ao rebanho bovino, ele é mais numeroso no estado da Bahia.
As seguintes cidades, entre outras, tiveram sua origem ligada a essa atividade: Brotas de Macaúbas, Brumado, Jaguaquara, Jequié, Morro do Chapéu e São Felipe, localizadas na Bahia; Oeiras e Paulistana, no Piauí; e Pastos Bons, no Maranhão. 
A expansão da criação de gado para o interior do Nordeste ocorreu a partir de Olinda e Recife, em Pernambuco, e de Salvador, na Bahia. 
A criação praticada no Sertão é feita em caráter extensivo, em fazendas de grandes dimensões. Nos períodos de seca, para suprir a falta de espécies vegetais (plantas forrageiras), são aproveitados alguns tipos de cactos, como o xiquexique, o mandacaru e o facheiro, que servem de alimento ao gado. Quando, porém, as secas são mais fortes e duradouras, o gado é conduzido às regiões serranas. O gado sertanejo é de pequeno porte e tem pouco peso, o que o desvaloriza bastante do ponto de vista comercial.
Poucos produtos agrícolas conseguem se desenvolver sob as condições climáticas do Sertão nordestino, sem o uso intensivo da irrigação. Dois deles são: o algodão arbóreo e o sisal.
O algodão arbóreo apresenta fibras longas e é de grande valor para a ativi dade industrial têxtil. Os estados do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte destacam-se nessa produção. 
O sisal, conforme vimos anteriormente, é utilizado para confeccionar cordas, encher estofamentos e produzir pasta para a indústria de celulose. Cerca de cem municípios do interior baiano estão ligados à cultura do sisal, que emprega apro ximadamente 1 milhão de pessoas. 
As condições de trabalho, entretanto, são precárias. É grande o número de casos em que o trabalhador perde os dedos ou mesmo as mãos no processo de beneficiamento do produto, pois as máquinas utilizadas são arcaicas e não ofere cem segurança. Além disso, é comum o emprego ilegal de crianças nessa ativida de, caracterizando o trabalho infantil.
A agricultura sertaneja é praticada ao longo do curso de alguns rios, nos seus leitos, no fundo de lagos e lagoas, aprovei tando o pouco da umidade que resta du rante a seca. A essas culturas agrícolas dá-se o nome de cultura de vazante. 
Ao longo do curso do rio São Francisco — único que atravessa o Sertão sem secar —, em alguns trechos, pratica-se a agricultura com o auxílio da irrigação (cebola, arroz, cana-de-açúcar, tomate, etc.). 
A fruticultura desenvolveu-se com sucesso no Sertão graças ao uso de técnicas de irrigação implantadas a partir dos anos 1980. Duas áreas se destacam: a do vale do Rio Açu, no Rio Grande do Norte, e a do vale submédio do Rio São Francisco, onde se localizam dois centros urbanos muito importantes: os municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). 
Ali são cultivados uva, manga, melão, abacaxi, mamão e outras frutas, que são vendidas aos mercados interno e externo. As áreas irrigadas permitem até quatro safras anuais, dependendo da fruta cultivada.
A produtividade nesse local é a maior do país (a produtividade da uva, por exemplo, é cerca de 2,5 vezes maior do que em outras regiões) e sua produção se concentra em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), municípios limítrofes. As culturas irrigadas do Vale do rio São Francisco respondem por cerca de 90% de toda a manga e a uva exportadas pelo Brasil para a Europa e os Estados Unidos. Também no interior do Rio Grande do Norte, pratica-se intensivamente a agricultura irrigada de frutas, principalmente do melão. 
Em Petrolina, uma das principais fontes de renda e de geração de em pregos é a agricultura irrigada. Nessa região, vem crescendo a produção de vinho, que apresenta boa qualidade e tem recebido prêmios no Brasil e no exterior. 
Essas áreas irrigadas, entretanto, são insuficientes para atender todos os agricultores da região. Desse modo, convivem no vale submédio do Rio São Francisco uma agricultura agroexportadora em escala internacional, com forte tendência à concentração da propriedade da terra, e outra baseada em minifúndios que não dispõem de sistemas de irrigação. As famílias proprietárias dos minifúndios constituem a mão de obra assalariada empregada nas grandes propriedades das áreas irrigadas.
As culturas dos projetos de irrigação possibilitaram o aumento dos rendimentos, mas acabaram gerando renda localizada, ou seja, controlada e apropriada por uma pequena parcela da população, especialmente os donos das terras. Além disso, a utilização intensiva da irrigação pode ocasionar problemas ambientais, tanto para o solo como para os rios de onde a água é retirada. 
Dessa forma, é preciso melhorar a distribuição de renda para que um número maior de pessoas se beneficie desse recurso. Também é necessário avaliar os impactos da irrigação no solo, como a salinização, e nos rios.
O oeste da Bahia, a região de Barreiras e o sul do Piauí, apesar de pertencerem à sub-região do Sertão, são cobertos pelo Cerrado. Nessa área, vêm se desenvolvendo, desde os anos 1980, as culturas da soja, do algodão e do mi lho, que têm atraído inclusive indústrias alimentícias que utilizam principalmente a soja como matéria-prima. 
Isso vem trazendo transformações socioespaciais significativas, pois trata-se de uma agricultura moderna apoiada em boa parte na monocultura e acentuadamente integrada à atividade industrial. 
Há também uma forte vincu lação com o mercado externo, uma vez que parte da produção de soja é destinada às exportações. Esse processo e toda essa estrutura levaram à concentração da propriedade rural em amplos trechos dessa porção do Nordeste. 
Na década de 1990, particularmente, o oeste baiano passou a ser ocupado também pelas culturas irrigadas de feijão, arroz e café, este último com os índices de produtividade bastante elevados para os padrões do Brasil

As questões sociais e políticas da seca 

As secas prolongadas são um problema antigo no Nordeste – há referências a elas desde o século XVI –, e suas implicações sociais e polí ticas marcam a história da região.

A indústria da seca 

Muitas famílias que habitam o semiárido enfrentam dificuldades du rante os períodos de seca prolongada. Para minimizar esse problema, os governos federal e estaduais repassam verbas (dinheiro) aos municípios mais afetados pela falta de chuva para socorrer as vítimas e construir obras emergenciais, como açudes. 
Entretanto, nem sempre o dinheiro é aplicado de maneira correta. Muitas vezes, parte dessa verba é desviada por maus políticos que se aproveitam do problema para fazer benfeitorias em suas propriedades. Esse tipo de prática recebe o nome de “indústria da seca”. 
Por essa razão, iniciativas da sociedade civil organizada buscam desenvolver outras soluções e romper com a lógica assistencialis ta do “combate à seca” e seus problemas, como é o caso da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

Pobreza, migrações e seca 

A seca tem sido considerada, de maneira incorreta, a principal causa da condição de pobreza em que vive uma parcela da população do Nordeste, da migração de seus habitantes para outras regiões do Brasil ou da existência de famílias de retirantes. 
Em verdade, as principais causas são de natureza social e política – os problemas ocasionados pelas secas poderiam ter sido superados se tivesse havido, historicamente, mais preocupação dos governos federal e estaduais em combatê-los, uma vez que existem, desde muito tempo, recursos técnicos disponíveis para isso, como a irrigação de terras. Cabe ainda lembrar que as secas ocorrem no Sertão e não na Zona da Mata; porém, nesta última sub-região, por causa da pobreza de boa parte de sua população, muitos também migram para outras regiões do Brasil em busca de melhores condições de vida.

O Meio-Norte: localização e condições naturais

A sub-região do Nordeste denominada Meio--Norte ou Nordeste Ocidental compreende parte do estado do Piauí e todo o estado do Maranhão.

Vegetação 


O Meio-Norte é uma sub-região de transição entre o Sertão semiárido e a Amazônia úmida (clima equatorial úmido). 
Na sua porção oeste predomina a Floresta Amazônica, bastante desmatada pela ocupação humana; na porção sul predomina o Cerrado; na porção leste predomina a Caatinga; e na porção centro-norte, a Mata dos Cocais. Em algumas áreas essas paisagens vegetais se misturam.
Nessa sub-região, destacam o extrativismo vegetal (carnaúba e babaçu) e o cultivo do arroz.

Relevo e hidrografia 

O Meio-Norte possui terras predominantemente em altitudes baixas (entre 0 e 200 metros); apenas na porção mais ao sul as terras si tuam-se em altitudes mais elevadas (entre 200 e 500 metros) e, em pequenos trechos, em altitudes entre 500 e 800 metros, onde nascem vários rios que formam a rica rede hidrográfica do Meio-Norte. 
Destaca-se nessa sub-região o Rio Parnaíba, com extensão de 1414 quilômetros (observe a foto). Ele faz a divisa entre os estados do Piauí e Maranhão e deságua no Oceano Atlântico. Sua foz, em forma de delta, localiza-se no município de Parnaíba, onde se encontra o principal porto do estado do Piauí. Em seu alto curso e em parte do curso médio, é um típico rio de pla nalto, com várias corredeiras. 
Nele, foram construídas a barragem e a Usina Hidrelétrica de Boa Esperança. O rio é navegável em sua porção de planície, sobretudo entre Teresina, capital do Piauí, e Parnaíba, no litoral do estado.

Clima

No Meio-Norte predomina o clima tropical com verão úmido e inverno seco. No extremo oeste do Maranhão, o clima é equatorial úmido. As médias térmicas anuais situam-se entre 24 °C e 26 °C e a precipitação total anual varia, conforme a área considerada, de 1000 mm a mais de 2000 mm. 
Em São Luís, capital do Maranhão, que se localiza em área litorânea, a precipitação é elevada (2200 mm anuais). Em Teresina, no Piauí, a única capital da Região Nordeste que não se localiza no litoral, a precipitação é menor (1678 mm anuais).

Meio-Norte: construção inicial do espaço

A construção inicial do espaço geográ fico do Meio-Norte está relacionada a qua tro acontecimentos:
• a fundação da cidade de São Luís, em 1612, pelos franceses, que preten diam ali se fixar, mas que, em 1615, foram expulsos por tropas formadas por soldados e colonos portugueses e luso-brasileiros. Após a expulsão, os colonos iniciaram o plantio de cana-de-açúcar e a produção de açúcar nas imedia ções de São Luís; 
• o povoamento inicial do Piauí, diferen temente de outras porções do territó rio brasileiro, foi realizado do interior para o litoral. Vaqueiros vindos dos cur rais do Rio São Francisco entraram em terras que hoje correspondem ao Piauí e, ao encontrar pastagens naturais, ini ciaram o povoamento daquela área;
• as expedições de apresamento de indígenas, com o objetivo de trans formá-los em mão de obra escrava nos engenhos de açúcar de São Luís e de Pernambuco, favoreceram o surgimento de povoados; 
• os aldeamentos indígenas realizados pelos padres jesuítas e de outras congregações transformaram-se em cidades. 
Na segunda metade do século XVIII e no século XIX, o Maranhão teve maior desenvolvimento e povoamento por causa da introdução do cultivo de algodão e sua exportação. Data desse período a modernização da cidade de São Luís. Com o dinheiro obtido com a exportação desse produto, grandes plantadores e comerciantes construíram casarões que podem ser observados ainda hoje.

As capitais regionais e outras cidades 

As duas capitais regionais do Meio-Norte são Teresina (PI) e São Luís (MA). Em 1o de julho de 2021, segundo estimativas do IBGE, possuíam respectiva mente 871126 e 1115932 habitantes. Considerando a rede urbana do Meio-Norte, outras cidades se des tacam, como Imperatriz, Codó, Caxias e São José de Ribamar, no Maranhão, e Parnaíba, no Piauí. 
O município de Alcântara, situado na baía de São Marcos, sobressai pela arquitetura antiga (sua fundação data de 1755) e por possuir um centro de lançamento de foguetes espaciais. Essas cidades, assim como muitas outras no Brasil, apresentam carência de infraestrutura urbana, que se estende desde a questão habitacional até a precarie dade de saneamento básico.

Meio-Norte: economia 

No Meio-Norte, através da atividade extrativa, duas espécies de palmeiras constituem fonte de renda para a população: a carnaúba e o babaçu.
Enquanto a carnaúba é a mais importante no Piauí, o babaçu destaca-se no Maranhão. Da carnaúba, tudo se aproveita: a madeira, que é resistente; as raízes, para a obtenção de compostos medicinais; o fruto, que serve de alimento para o gado; as folhas, com as quais são feitas esteiras e redes; a semente, da qual se extrai o óleo de cozinha; e a cera, sua principal riqueza, extraída da camada superficial das folhas. Por toda essa utilidade, a carnaúba é chamada de “árvore da providência”.
O babaçu é empregado sobretudo na produção de óleos. Dele também são extraídos o palmito, de cujas folhas são feitos cestos e esteiras, e a amêndoa.
No Maranhão, nos vales dos rios Mearim e Pindaré, sobressai o cultivo do arroz, que é o principal produto agrícola desse estado. O Piauí ainda tem tradição na plantação de mamona, que alcançou significativa produção entre as décadas de 1960 e 1970, destinada à fabricação de óleo de rícino. 
Depois desse período, houve uma grande queda no plantio. A tentativa de recuperação apoiada em incentivos do governo federal para a produção de biodiesel acabou fracassando: 80% da produção desse combustível é realizada a partir da soja.
Até aproximadamente 1960, a economia do Meio-Norte assentava-se na criação de gado, cultura do algodão, extração do babaçu, produção de açúcar, plantio e beneficiamento de arroz e extração da cera de carnaúba. Era uma economia, portanto, de base agropecuária. 
A partir dos anos 1970, iniciou-se, na região, um processo de modernização econômica. Investimentos foram realizados na agropecuária, principalmente por fazendeiros originários da Região Sul, e no extrativismo vegetal e mineral. 
O Maranhão passou a ser o escoadouro das riquezas minerais da Serra dos Carajás, no estado do Pará. Para tanto, foi construída a Estrada de Ferro Carajás, ligando as jazidas minerais ao Porto de Itaqui, no Maranhão. Esse porto foi equipado para exportar minério de ferro e receber navios de grande capacidade de transporte.

A Ferrovia Norte-Sul 

Espera-se que outro grande impulso à economia do Meio-Norte seja dado com a conclusão da construção da Ferrovia Norte-Sul (observe o mapa). Essa ferrovia faz entroncamento com a Estrada de Ferro Carajás (EFC), em Açailândia (MA), permitindo acesso ao Porto de Itaqui, em São Luís (MA). De Açailândia ela segue em direção a Araguaína (TO). Em sua extensão total, a ferrovia ligará o município de Rio Grande (RS) a Belém (PA), em um percurso total de 4200 quilômetros. 
A produção agropecuária do sul do Maranhão, Piauí e Tocantins (soja, carne etc.), atualmente com dificuldades de escoamento, deverá se dinamizar com a maior facilidade de acesso ao Porto de Itaqui, que, por sua localização, facilita a exportação para Europa, Estados Unidos e Canal do Panamá, por onde se pode chegar até a Ásia. 
Além disso, a facili dade de transporte por essa ferrovia deverá estimular a ocupação de novas terras e o aumento da produção, criando uma nova fronteira agrícola no Brasil e a reorganização do espaço. A ampliação e a modernização da infraestrutura do transporte ferroviário promoverão mais avanços econômicos, integração nacional e competitividade global.


O turismo na região Nordeste

A atividade turística é um dos setores da economia que mais crescem no mundo, e na Região Nordeste gera muitos recursos e empregos.
Ele envolve grandes investimentos em infraestrutura, como rodovias, portos e aeroportos, e produz grande dinamismo no comércio e nos serviços em geral oferecidos por pousadas, hotéis, restaurantes, lojas de artesanato local, empresas de viagens com guias turísticos, serviços de segurança, etc., gerando muitos empregos – atualmente é uma das atividades que mais geram empregos em todo o mundo.
A partir dos anos 1980, houve um crescimento da atividade turística nas capitais do Nordeste. Salvador, Recife, Fortaleza, Maceió e Natal são os principais polos de atração, inclusive para turistas estrangeiros. O entorno do município de Porto Seguro, no litoral sul da Bahia, também passou a ser muito procurado.
Os governos estaduais passaram a estimular a atividade turística, veiculan do comerciais nos meios de comunicação de outros estados do Brasil, principal mente São Paulo, o mais populoso e com maior poder aquisitivo. Além disso, houve investimentos estrangeiros em diversos pontos do litoral nordestino, com a construção de hotéis semelhantes aos existentes nos grandes centros turísticos internacionais e a modernização de alguns aeroportos.
Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento do turismo no Nordeste tem sido marcado por quatro características:
• diversificação dos destinos, que não se limitam unicamente às capitais e às localidades litorâneas;
• crescimento contínuo do fluxo de turismo interno e externo;
• profissionalização do setor;
• articulação eficiente entre poder público e iniciativa privada.

O turismo é um dos exemplos da articulação entre natureza, economia e cultura. Assim, para que a atividade turística tenha sucesso, não se devem considerar apenas as características naturais, mas também as condições culturais e educacionais da região, promovendo, por exemplo, a formação de mão de obra especializada.
Além das belezas naturais, como o seu vasto litoral e as áreas como os Lençóis Maranhenses, o Nordeste tem cidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Salvador (BA), Olinda (PE) e São Luís (MA), e, também, grandes áreas de preservação ambiental.
Na região Nordeste, o turismo doméstico é muito mais importante para a economia dos centros turísticos do que o turismo internacional. Por exemplo, segundo o Anuário estatístico do Ministério do Turismo, em 2016 ingressaram 6,6 milhões de turistas de outros países no Brasil; destes, apenas 301 mil tiveram como destino o Nordeste. Ou seja, menos de 5% desse total se dirigiu à região.
Os grandes receptores de turistas estrangeiros são o estado de São Paulo, com 2,2 milhões (cerca de um terço do total), Rio de Janeiro, com quase 1,5 milhão, e Rio Grande do Sul, com 1 milhão.
O turismo também tem crescido principalmente na orla litorânea do Nordeste. Grandes e sofisticados complexos hoteleiros hoje fazem parte da paisagem de muitas partes do litoral nordestino, dada sua beleza que atrai turistas do Brasil e do exterior. Eles foram construídos de modo a atender diferentes faixas de renda. A atividade se tornou uma das prioridades das políticas de planejamento dirigidas à região. Isso significa que os empresários do setor turístico contam com grande apoio do governo federal e de governos estaduais para realizar seus investimentos.
O turismo é uma importante fonte de renda para o Nordeste e é um dos setores que mais gera empregos na região. Os turistas são atraídos principalmente pelas belas praias e pela perspectiva de calor praticamente o ano todo. Para facilitar o acesso a um dos mais belos trechos do litoral do Nordeste, foi construída a Linha Verde, rodovia que percorre o litoral norte da Bahia, cruzando extensa área de dunas, manguezais, lagoas, estuários e coqueiros.
Entre os brasileiros, a região Nordeste é a que atrai mais turistas, no que se refere apenas ao turismo doméstico. O clima agradável e as belas praias atraem pessoas de outras regiões do Brasil (e do exterior) em todos os meses do ano, já que no litoral as temperaturas mantêm-se sempre elevadas. No interior, as paisagens naturais, as regiões de serras e chapadas com temperaturas amenas e os parques ecológicos também se tornaram um grande polo de atração de visitantes.
Parte dos investimentos que a região recebeu veio de grupos internacionais. Eles procuraram criar um mercado para turistas europeus, dada a menor distância entre capitais nordestinas e os tradicionais destinos, como Rio de Janeiro (RJ) e Foz do Iguaçu (PR).
Já o turismo de negócios desponta com grande vigor. Fortaleza (CE) transformou-se em uma capital de eventos, recebendo congressos, feiras e convenções todos os meses, o que movimenta sua rede hoteleira e os serviços, como restaurantes.
Cidades como Salvador exploram a atividade turística de diversas formas. Além de receber eventos com frequência, dada sua posição no território brasileiro, explora suas praias, festividades religiosas, o carnaval e, também, seu patrimônio histórico.
O Pelourinho, lugar que era usado para sacrificar e reprimir escravizados na época da es cravidão, mantém um conjunto arquitetônico da época colonial que atrai turistas do Brasil e de outros países. Por fim, encontram-se igrejas de coradas com ouro que também se tornaram um importante destino de visitação turística.
O Nordeste sozinho também comporta quase 50% dos 47 polos ecoturísticos mapeados pela Embratur. É talvez a região brasileira com maiores contrastes de paisagem e riqueza natural.
O ecoturismo no Nordeste está estruturado de várias formas. Algumas experiências vêm propiciando o desenvolvimento da atividade aliado à conservação ambiental. Um exemplo é o que ocorre no arquipélago de Fernando de Noronha. Para conservar seus recursos naturais, o Ibama, responsável por sua administração, estabeleceu um limite diário para a entrada de turistas.
Entre os locais mais procurados, destacam-se ainda: o Parque Nacional da Chapada Diamantina, o arquipélago de Abrolhos, a Área de Proteção Ambiental de Itacaré-Serra Grande e a Reserva Biológica do Una, na Bahia; os Lençóis Ma ranhenses, região conhecida como o “Saara brasileiro’’; o delta do rio Parnaíba, entre os estados do Piauí e do Maranhão; o Parque Nacional de Sete Cidades, que possui vestígios arqueológicos com data de 250 milhões de anos, além de outra área arqueológica na serra da Capivara, que guarda mais de 200 sítios com pinturas rupestres, no Piauí. Nos últimos anos, em decorrência da falta de recursos, o Parque Nacional da Serra da Capivara tem sofrido forte degradação.
Em decorrência da forte pressão de ambientalistas, foi criada, às margens da Linha Verde, a Área de Proteção Ambiental do Litoral Norte, que submete qualquer empreendimento situado a até dez quilômetros do mar à aprovação do Conselho Estadual de Proteção Ambiental. 
Os empreendimentos imobiliários para a instalação de hotéis e de casas particulares nas áreas litorâneas podem trazer sérios prejuízos ao ambiente. Além disso, acabam expulsando a população local, que, em geral, é composta de pessoas que não possuem títulos de propriedade.
Todas essas transformações ocorridas no Nordeste indicam que as regiões brasileiras estão permanentemente em processo de mudança. É o que se pode verificar também na região Norte, que no passado recebeu muitos migrantes nordestinos.
No entanto, a atividade turística também apresenta aspectos negativos, já que pode contribuir para a degradação ambiental e a expulsão da população local em áreas que atraem investimentos turísticos. Considerando isso, é importante que as políticas voltadas para o incentivo ao turismo promovam o desenvolvimento local e respeitem as legislações ambientais e trabalhistas.
Em Canoa Quebrada (CE), um desses empreendimentos provocou mudanças na direção do movimento das areias das dunas e soterrou um antigo povoado do lugar. Se o turismo é uma atividade geradora de renda, é preciso que essa renda seja bem distribuída. Uma medida importante a ser tomada é a preparação e a profissionalização da mão de obra local para exercer as diversas funções ligadas ao turismo. Isso impede a “importação” de mão de obra de outras regiões, que faz com que parte da renda gerada acabe migrando para outros locais.

Agropecuária na Região Nordeste


A agropecuária emprega numerosa mão de obra na Região Nordeste e é desenvolvida em todas as sub-regiões nordestinas. Na Zona da Mata prevalecem as culturas de frutas tropicais, como o caju, a manga e o mamão e, principalmente, as lavouras monocultoras de cana-de-açúcar, cacau e fumo.
Esses gêneros agrícolas desempenham um importante papel na economia regional, pois, além de empregar um grande número de trabalhadores, fornece produtos para a exportação e também matéria-prima para a atividade industrial nacional. No Agreste, predominam pequenas e médias propriedades rurais onde é desenvolvida a policultura.
Em geral, essas propriedades localizadas nas porções mais úmidas da sub-região dedicam-se aos cultivos de mandioca, feijão, milho e também à fruticultura. Atualmente, o Agreste tornou-se um dos mais importantes centros de abastecimento alimentício regional.
Grande parte da atividade agrícola no Sertão ainda é realizada com o emprego de técnicas tradicionais de cultivo, sobretudo nos brejos, áreas que apresentam umidade e solos férteis, o que favorece o desenvolvimento de diferentes tipos de culturas, principalmente de milho, feijão e arroz.
No Sertão, os brejos estão localizados, principalmente, nas encostas das serras e vales fluviais. Além das lavouras desenvolvidas nos brejos, no entanto, o Sertão nordestino vem se destacando pela expansão de polos agrícolas em algumas áreas do semiárido, o que é possível graças aos sistemas de irrigação.
Nas últimas décadas, a atividade agrícola desenvolvida na sub-região Meio-Norte também vem passando por mudanças significativas, proporcionadas, sobretudo, pela inserção de técnicas modernas de cultivo agrícola.
Além dos sistemas de irrigação, entre os recursos utilizados estão adubos e fertilizantes, sementes selecionadas e maquinários agrícolas modernos. No oeste do estado da Bahia e no sul dos estados do Piauí e do Maranhão, por exemplo, a intensa utilização de implementos agrícolas está favorecendo o cultivo de grãos, em especial a soja.
Grande parte da pecuária desenvolvida na Região Nordeste é realizada de ma neira extensiva, com o gado criado solto e a alimentação baseada, principalmente, em pastagens.
No Agreste, a criação bovina está voltada, em grande parte, para o fornecimento de leite e derivados. No Sertão, a criação de gado é a principal atividade econômica. O rebanho pode ser encontrado tanto nos latifúndios, na forma extensiva, quanto em pequenas propriedades familiares.
Já no Meio-Norte, as áreas situadas nas porções mais secas destinam-se, sobretudo, à pecuária leiteira e à avicultura. A pecuária caprina e ovina também é praticada na Região Nordeste desde a colonização.
Esse fato se deve, principal mente, à fácil adaptação desses animais ao clima quente e à vegetação da Caatinga existente na região.

A MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA


A agricultura no Nordeste é caracterizada pelo cultivo de soja, cana-de-açúcar, grãos, raízes, leguminosas e frutas, além das pecuárias caprina, ovina e bovina.
Nas últimas décadas, a agricultura nordestina tem passado por modificações significativas, seja nos setores mais tradicionais, como o canavieiro, seja na criação de novas culturas, como é o caso da produção irrigada de frutas do Sertão ou dos arranjos produ tivos modernos.
Como consequência da modernização e da especialização de práticas agropecuárias, cuja produção se destina ao mercado externo, houve um crescimento do uso de novas técnicas de correção e fertilização de solos e a implantação de projetos de irrigação e seleção de sementes e espécies.
A modificação da estrutura produtiva agropecuária nordestina tem submetido os agricultores a novas pressões:
• cenários internacionais de competição e de protecionismo, que dificultam a exportação;
• mudança das estruturas de propriedade da terra;
• necessidade cada vez maior de mecanização agrícola e acesso à tecnologia;
• formação do chamado agronegócio, que é a fusão da agricultura com processos industriais, por exemplo: integrar o plantio de cana-de-açúcar à produção de açúcar e álcool.

Com a mecanização e o uso intensivo de recursos biotecnológicos e da atividade agroindustrial, a produção agrícola no Nordeste vem apresentando diversidade de uso de tecnologia e ciência, conforme as características físico-naturais das sub-regiões (Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata).
Nessas áreas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve estudos especializados em genética, microbiologia, engenharia de produção e de alimen tos, nutrição animal, técnicas de reprodução etc. As instalações da Embrapa estão divididas por sub-região ou tipos de atividades.

A agricultura no Sertão


O Sertão seco


Nas áreas do Sertão nordestino onde a reduzida disponibilidade de água dificulta o cultivo durante vários meses do ano, muitas famílias que vivem em pequenas propriedades e que não são beneficiadas pela presença de um rio perene, açude ou construção de cisterna só conseguem cultivar a terra durante o período das chuvas, que dura poucos meses.
No restante do ano, muitos trabalhadores migram sazonalmente para a Zona da Mata, para trabalhar no corte da cana, por exemplo. A região Nordeste é a que possui a menor disponibilidade de água, exceto em algumas áreas do litoral.


O Sertão irrigado


A técnica de irrigação tem se mostrado uma eficiente alternativa adotada no Nordeste para combater a seca e desenvolver a agricultura. Os investimentos realizados em projetos voltados para a irrigação vêm desenvolvendo no Sertão nordestino modernos polos agrícolas, em especial de produção de frutas.
Atualmente, a região nordestina é a primeira produtora nacional das principais frutas frescas. Em áreas onde a técnica de irrigação é utilizada, a produtividade é em média três vezes maior que em áreas sem irrigação. Entre as áreas de destaque na produção de frutas irrigadas estão a região de Petrolina-Juazeiro, entre os estados da Bahia e Pernambuco.
A boa produtividade da fruticultura também é garantida pelas condições naturais do Nordeste. Muitas frutas encontram nas altas temperaturas da região, que são constantes praticamente o ano todo, as condições adequadas para se desenvolverem.
Nas margens dos rios perenes e no entorno de açudes ou de poços artesia nos predominam os latifúndios. Neles, é possível cultivar a terra durante o ano inteiro e obter mais de uma colheita anual.
Além de dispor de água para irrigação, essas áreas agrícolas contam com forte insolação o ano inteiro, o que permite alta produtividade. Boa parte dessa produção é exportada, com destaque para os países da Europa ocidental, os Estados Unidos e o Japão, ou abastece as grandes cidades do Centro-Sul do Brasil. Historicamente, as grandes proprie dades do Nordeste receberam mais recursos do governo que as pequenas.
O algodão também é produzido no Sertão, graças à irrigação, e abastece a indústria têxtil de Fortaleza e do Recife. Como vimos, o cultivo de frutas na região de Petrolina (BA) tem se destacado como importante gerador de renda para o estado. O oeste da Bahia e o sul do Maranhão e do Piauí possuem rios perenes e passaram a ser fronteiras agrícolas com a introdução da moderna cultura de grãos, principalmente de soja, graças à possibili dade de escoamento pela hidrovia do rio Tocantins.
Nas áreas sujeitas a estiagem prolongada, alguns projetos vêm sendo im plantados pelo governo federal e por ONGs para dar às famílias condições de produzirem, mesmo nos períodos de estiagem. A implantação de cisternas, vista no capítulo anterior, é uma delas. Outros projetos ainda se encontravam em desenvolvimento em 2018, como o da transposição do rio São Francisco, que nesse ano tinha a Fase 1 já em operação.
A construção da hidrovia do rio Tocantins impulsionou o movimen to de expansão da soja em direção Ð 40° O ao interior da região Nordeste. Após a construção da hidrovia, o maior volume de soja produzido nessa região – que teve a China como destino principal em 2018 – passou a ser escoado pelos portos da região Norte.


OS CINTURÕES AGRÍCOLAS NAS SUB-REGIÕES NORDESTINAS


Cada sub-região conta com sistemas específicos de produção, que adotam solu ções tecnológicas para alcançar produtividade em áreas com estresse hídrico.
Nos estados do Meio-Norte, vão se concentrar as produções que precisam de maior umidade, chuvas mais frequentes e solos menos ácidos; no Sertão estarão concentradas aquelas ativida des agrícolas que resistem a longos períodos de estiagem e baixa umidade; já no Agreste e na Zona da Mata, estão con centradas as produções que resistem a curtos períodos de estiagem e maior umidade.

A IMPORTÂNCIA DO RIO SÃO FRANCISCO

O Rio São Francisco é o principal rio perene da Região Nordeste. Suas nascentes localizam-se no estado de Minas Gerais; de onde segue na direção norte e deságua no oceano Atlântico, na divisa entre Sergipe e Alagoas. Atravessa três das quatro sub-regiões do Nordeste: Sertão, Agreste e Zona da Mata.
É um rio extremamente importante para a região nordestina. Além de garantir água para uma vasta área, em especial, o Sertão, possibilita a instalação de hidrelétricas em diversos trechos de seu percurso, que abastecem as principais cidades do Nordeste.
No entanto, a falta de planejamento no uso das águas e o desmatamento das matas ciliares têm causado sérios problemas, como o assoreamento do rio, a diminuição do canal fluvial e a poluição de suas águas.
Oficialmente chamado Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, a transposição do rio São Francisco é um empreendimento que, segundo o governo federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, vai assegurar a oferta de água a cerca de 12 milhões de habitantes da região semiárida. É um projeto antigo e polêmico, com alguns argumentos contrários e outros favoráveis à sua realização.

O projeto de transposição do rio São Francisco

A transposição consiste na construção de dutos de ligação das águas do São Francisco para alimentar rios intermitentes e açudes nas regiões mais afetadas pela seca, com previsão de abastecer um total de 390 municípios nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
O Projeto de Integração do Rio São Francisco é uma prioridade do governo federal. Com a aceleração das obras, (a partir de 2016) o Ministério da Integração Nacional conseguiu inaugurar o Eixo Leste do empreendimento, em março de 2017. No mesmo ano, foi verificada a melhora no acesso à água nas áreas próximas a açudes, o que levou a novos projetos para beneficiar outros estados nordestinos.
O objetivo desse eixo é garantir a segurança hídrica da população da Paraíba e de Pernambuco com uma maior oferta de água. No mês seguinte – em abril de 2017 –, as águas do “Velho Chico”, apelido dado ao rio São Francisco, chegaram ao reservatório Epitácio Pessoa, em Boqueirão (PB), e, naquela ocasião, já foi possível reduzir o regime de racionamento de água na Região Metropolitana de Campina Grande.
Cerca de 700 mil pessoas, de 20 municípios pernambucanos e paraibanos, melhoraram a qualidade de vida. A partir dessa data, a população não sofre mais com o racionamento. Dois grandes canais principais e canais complementares levam água do rio São Francisco para canais intermitentes (temporários) do semiárido.
Apesar disso, há críticas ao modelo da transposição, que apontam como possíveis fatores negativos o aumento do assoreamento do rio, a diminuição de seu volume de água, o que afetaria os peixes e outros animais desse hábitat, e a perda de vegetação nativa causada pelas obras. Além disso, os projetos de irrigação colocados em prática até então favoreceram principalmente os latifúndios monocultores, que destinam toda a sua produção à exportação.

O biocombustível


O biocombustível é um combustível biodegradável fabricado à base de fontes reno váveis, como óleos vegetais e gorduras animais. Ele é menos poluente que os combustíveis convencionais, como o diesel, proveniente do petróleo.
O biocombustível utilizado em veículos movidos a diesel, caminhões e tratores, por exemplo, é conhecido como biodiesel. Por beneficiar o desenvolvimento da atividade agrícola, o biocombustível recebe insumos da pecuária, como o sebo bovino, que pode ser usado em sua composição.
No futuro, ele poderá reduzir a exploração do petróleo, uma vez que é, em muitos casos, um substituto desse recurso. A produção de biocombustível no Nordeste é significativa, em especial, no que diz respeito ao aproveitamento de oleaginosas, como o babaçu, o girassol e a mamona.

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...