domingo, 1 de março de 2026

A região andina na América

A América Andina é formada pelos países que têm em seu território partes da cordilheira dos Andes (Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e Chile).
Os Andes têm um papel importante na hidrografia da América do Sul, funcionando como um importante divisor de águas. Os rios que nascem a oeste da cordilheira são pouco extensos, correm sobre terrenos íngremes e deságuam no oceano Pacífico. Os rios que nascem a leste apresentam grande extensão, correm em terrenos mais planos e deságuam no oceano Atlântico, como é o caso do Rio Amazonas, cuja nascente está localizada no Peru.
As montanhas também influenciam o clima regional, as atividades econômicas e a cultura, com vestuários, alimentos e habitações adequados à vida em grandes altitudes. 
Os países da América Andina têm em comum aspectos históricos e culturais, como a colonização e a língua oficial espanhola. Com população formada principalmente por etnias indígenas e miscigenada, seus países também mantêm muitos costumes e tradições das sociedades pré-colombianas.
A América Andina tem a economia pautada na exploração e no beneficiamento de recursos minerais e energéticos, além de uma agricultura diversificada, com destaque para produtos como café, banana, cacau, cana-de-açúcar, trigo e aveia, cultivados em grandes propriedades.
Os países andinos são bastante dependentes das variações nos preços internacionais das matérias-primas que exportam. Com a pandemia de covid-19, a demanda por petróleo e outras commodities diminuiu drasticamente no mundo todo, gerando uma queda significativa nos preços, o que vulnerabilizou ainda mais a economia regional. 
Por outro lado, no primeiro semestre de 2022, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia fez com que os preços do petróleo, gás natural e carvão mineral subissem (a Rússia era o terceiro maior produtor de petróleo e o segundo maior produtor de gás natural), beneficiando os países exportadores da América Andina, com destaque para a Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.

A Venezuela


O relevo venezuelano divide-se em uma estreita faixa da cordilheira dos Andes a oeste; planaltos mais baixos a leste; planície do Rio Orinoco no centro; e planície costeira ao norte, onde se encontra a maior parte da população.
Esse país apresenta importantes jazidas de petróleo, seu principal produto de exportação. As divisas geradas por ele contribuem para que a renda per capita do país seja elevada. Entretanto, a desigualdade social é acentuada, pois nem todos se beneficiam dessa riqueza.
A Venezuela possui um território rico em recursos energéticos, com destaque para o petróleo e o gás natural. Em 2020, o país detinha a maior reserva mundial de petróleo (17,5% do total) e a segunda maior reserva de gás natural da América.
A Venezuela é o principal produtor e exportador de petróleo da América Latina, totalizando 95% das exportações do país. O governo optou por destinar esses recursos à importação de bens de consumo e equipamentos, em vez de investir em infraestruturas e no desenvolvimento dos setores agropecuário e industrial. 
Essa opção tornou a economia venezuelana extremamente dependente da venda e, consequentemente, da variação dos preços do petróleo. A Venezuela entrou em grave crise econômica e humanitária quando o preço do barril de petróleo caiu em 2014. A produção petrolífera já vinha caindo desde o início dos anos 2010, passando de 2,7 milhões de barris por dia em 2011 para 640 mil barris em 2020. Essa queda na produção pode ser explicada principalmente pela já citada falta de investimentos em infraestruturas, também, na indústria do petróleo. Com diminuição da produção, também houve reduções nos postos de trabalho no setor. 
A crise econômica levou a Venezuela a uma crise política. O presidente Nicolás Maduro foi reeleito em maio de 2018 após uma eleição boicotada pela oposição, que não o reconhecia como presidente legítimo e representante da democracia. Estados Unidos, Canadá, União Europeia e outros países pró-oposição aplicaram sanções à Venezuela, incluindo um embargo ao petróleo, o que agravou ainda mais a crise econômica. 
O petróleo venezuelano, que até então era refinado nos Estados Unidos, foi substituído pelo petróleo russo. Desde então, a China passou a adquirir as exportações da Venezuela a um preço reduzido.
Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço do petróleo – que já havia variado bastante durante a pandemia de covid-19 – aumentou por causa das sanções contra os russos. Nesse contexto, a Venezuela surge como uma alternativa importante para substituir parte das exportações russas de petróleo, o que explica as tenta tivas de reaproximação do governo estadunidense com o governo venezuelano a partir de 2022.

A Colômbia


A Colômbia é o país mais populoso da América Andina. Sua economia é pautada na agricultura, especialmente de café. A folha de coca é mascada pelos andinos para facilitar a respiração em altitudes elevadas. Além disso, é matéria-prima para a fabricação de drogas ilícitas, como a cocaína. Com isso, o narcotráfico tornou-se uma atividade comum no país, realizada principal mente por grupos guerrilheiros que lutam contra o governo, como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
A Colômbia é um dos países da região com maior potencial econômico. Novos investimentos na economia têm gerado elevado crescimento, graças à diversificação da atividade industrial e dos serviços, bem como ao aumento do comércio exterior. As redes no território da Colômbia são bem desenvolvidas e têm boas conexões com os países vizinhos, principalmente no que diz respeito aos meios de transporte.


O Equador


O Equador é o menor país andino. Sua população é originada da miscigenação de indíge nas com europeus. A economia é pautada na agricultura (banana, café e cana-de-açúcar) e na mineração (petróleo). O país apresenta uma grande variedade de espécies endêmicas, especialmente nas Ilhas Galápagos, o que faz do Equador o país de maior biodiversidade do mundo por unidade de área.

A Bolívia


A Bolívia também é um país com fragilidades no setor econômico, ainda que tenha grandes fontes de recursos naturais energéticos, como petróleo e gás natural.
As atividades econômicas predominantes são a mineração, a agricultura e a pecuária. Destaca-se, ainda, a produção de gás natural, exportado para o Brasil por meio do gasoduto Brasil-Bolívia, que se estende por 1 400 km.
A população boliviana se concentra nos altiplanos andinos e é marcada por forte presença indígena.

O Peru


O Peru é composto, em grande parte, de populações indígenas. Muitos habitantes falam a língua quíchua, dos incas. Diversas cidades peruanas apresentam material arquitetônico e arqueo lógico inca preservado, como Cuzco e Aguas Calientes, onde se localiza Machu Picchu. Por esse motivo, o turismo é uma atividade de relevância para o país. Destacam-se, além disso, a mineração (prata, estanho e cobre) e a agricultura de produtos tropicais.

O Chile


Localizado entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico, o território do Chile é o mais estreito do mundo. Sua largura máxima é de 175 km, enquanto sua extensão norte-sul é de 4,3 mil km.
O Chile é, social e economicamente, o país mais desenvolvido da região andina. A população e as principais cidades chilenas se concentram no centro do país, já que o norte abriga um grande deserto – o Atacama – e o sul apresenta baixas temperaturas. 
A maior parte dos cerca de 19 milhões de habitantes (2021) vive na região central do país, principalmente na área metropolitana de Santiago, capital do país que concentra a atividade industrial, com destaque para a produção de celulose, de produtos químicos e têxteis, de equipamentos de transporte e de alimentos.
A economia chilena passou por um processo de aceleração a partir da década de 1990, com a abertura para investimentos estrangeiros e a instalação de empresas transnacionais, a privatização de empresas estatais e a redução de impostos. Além da indústria, o país também conta com as atividades de mineração, pesca, agricultura e pecuária.
Na agricultura, destacam-se o cultivo e a exportação, principalmente para a Europa, de frutas e cereais típicos de climas mais frios. O Chile também é um importante produtor de vinhos, concentrando as viniculturas no sul do território.
No norte do país, na região do deserto do Atacama, o extrativismo mineral é a atividade que mais se destaca, sendo uma das mais importantes para a economia chilena. 
O Chile é o maior produtor mundial de cobre, sendo esse recurso mineral o principal produto de exportação do país. Apresenta também importantes jazidas de prata, ouro, ferro e carvão. 
Tanto a mineração quanto a agricultura utilizam muita água. No Chile essas atividades são desenvolvidas em uma das zonas mais áridas do planeta, onde a pressão sobre os recursos hídricos é naturalmente elevada. 
Os períodos de seca, característicos do clima chileno, vêm se agravando pelas mudanças climáticas. Desde 2010, o país atravessa uma grande crise hídrica, com redução de aproximadamente 30% das precipitações. 
Além de racionamentos de água nos centros urbanos, pecuaristas são forçados a deslocar rebanhos inteiros para o sul do país em busca de pastagens, evitando, assim, a morte dos animais.
Além dos aspectos climáticos e econômicos, a questão da água no Chile envolve uma opção política. O país é o único no mundo onde a água é privatizada, ou seja, empresas podem deter o acesso ao recurso por meio de títulos que, como uma mercadoria qualquer, podem ser alugados ou vendidos. 
Essa situação favorece os grandes proprietários de terras em detrimento dos pequenos agricultores. Cerca de 90% dos direitos sobre a água estão nas mãos de empresas de mineração e do agronegócio, que a utilizam e poluem indiscriminadamente, deixando as populações sem acesso à água potável e impossibilitadas de realizar tarefas básicas do cotidiano. A sociedade chilena, organizada em diversos movimentos populares, vem exigindo mudanças na Constituição, sendo a desprivatização das águas uma delas.


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