Além da produção agrícola voltada para o mercado externo, a economia dos países da
América Central baseia-se no setor de serviços, principalmente no turismo, atividade favorecida
pelo clima tropical e pelo litoral banhado pelas águas quentes do oceano Atlântico, que formam
as famosas praias do Caribe.
A América Central é formada majoritariamente por países que foram colonizados pela Espanha. Ao longo da história, porém, essa região foi alvo da cobiça de piratas e de disputas por parte de outras potências europeias, entre elas o Reino Unido, que se estabeleceu e dominou algumas áreas, dando origem a países que hoje adotam o inglês como idioma oficial. Esses países constituem exceções na regionalização baseada em aspectos histórico-culturais, que divide o continente americano em América Latina e América Anglo-Saxônica.
A América Central se divide em duas partes: ístmica (continental) e insular (ilhas). O istmo é
uma estreita faixa de terra que liga as Américas do Norte e do Sul. As ilhas do Caribe se dividem
em dois grupos: as Grandes Antilhas e as Pequenas Antilhas.
O termo “ístmica” deriva de “istmo”, uma estreita faixa de terra que liga duas porções terrestres maiores. A palavra “insular”, por sua vez, se refere a ilha. Assim, a América Central Ístmica compreende a faixa estreita de terra que liga a América do Norte à América do Sul, abrangendo sete países. A América Central Insular é formada por ilhas, banhadas principalmente pelo mar do Caribe.
A porção insular da América Central pode ser dividida, ainda, segundo o tamanho das ilhas. As maiores ilhas, chamadas Grandes Antilhas, são: Cuba, Haiti, República Dominicana, Jamaica e Porto Rico. Este último é um Estado Livre Associado aos Estados Unidos.
As ilhas menores, chamadas Pequenas Antilhas, possuem distintos estatutos políticos. Algumas delas constituem países autônomos, enquanto outras são possessões francesas, britânicas ou holandesas.
A América Central apresenta bastante diversidade étnica. Em alguns países, predominam
brancos de origem europeia, como na Costa Rica; em outros, a população indígena, a exemplo
da Guatemala; já na Jamaica, a população é predominantemente negra. Também encontramos
uma grande diversidade linguística na região, com países cujos idiomas principais são espanhol,
inglês, francês e holandês.
Algumas características, entretanto, são comuns aos países da América Central: economia
frágil e dependente, população predominantemente rural e baixos indicadores socioeconômicos.
Alguns países, como o Haiti, estão entre os que apresentam os piores IDHs do mundo, com altas
taxas de analfabetismo e de mortalidade infantil. Os problemas socioeconômicos são agravados
pelas intempéries naturais da região, como terremotos e furacões.
A economia regional depende de
atividades do setor primário e do turismo.
Destaca-se a agricultura de cana-de-açúcar,
banana, cacau e outros cultivos tropicais,
realizada em sistema de plantation. Na
mineração, os destaques são a produção
de bauxita, na Jamaica, e de petróleo, em
Trinidad e Tobago.
Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador
No passado, a área onde hoje se situa a Guatemala era ocupada pelo povo maia, uma das principais civilizações pré-colombianas. No século XIX, em 1822, essa área foi integrada ao México, mas no ano seguinte se tornou independente e passou a fazer parte das Provincias Unidas del Centro de América. Em 1838, o país deixou as Provincias e declarou novamente sua independência.
A agricultura guatemalteca se baseia no cultivo de produtos tropicais, com destaque para o café, a banana e a cana-de-açúcar. Nos últimos anos, o país re cebeu novos investimentos no setor de produção de açúcar e álcool, o que pode aumentar sua presença no mercado internacional desses produtos.
As terras do Belize também eram ocupadas pelos maias, mas foram colonizadas pelos ingleses depois de uma negociação com os espanhóis, que, segundo historia dores, não chegaram a pisar as terras que hoje formam o país. O Belize só conquis tou sua independência em 1981, mas faz parte da Commonwealth. A principal ati vidade econômica desenvolvida no país é o cultivo de frutas para exportação.
Honduras, segundo país em extensão territorial da América Central, apresenta baixos níveis de desenvolvimento social e econômico. O país está entre os mais pobres do mundo, apesar de ser um tradicional aliado dos Estados Unidos. Desde o início do século XX, a base econômica hondurenha é a produção de frutas para exportação. Além disso, foi uma das bases estadunidenses para o combate ao movimento revolucionário socialista que se instalou em El Salvador e na Nicarágua, nas décadas de 1970 e 1980.
El Salvador passou por uma intensa guerra civil entre 1980 e 1992, período em que a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional tentava implantar o socialismo no país. Como ocorreu na Nicarágua, os Estados Unidos financiaram o go verno salvadorenho para combater os rebeldes, num esforço de evitar que se repetisse o que aconteceu em Cuba, como veremos adiante. Anos de luta trans formaram o país em um dos mais pobres do mundo. Parte importante do PIB nacional provém do dinheiro enviado por imigrantes salvadorenhos aos parentes residentes no país.
Nicarágua
Como ocorreu em diversos países da América Central, a Nicarágua também foi dominada pela Espanha. A independência veio em 1821. Dois anos depois, o país integrava as Provincias Unidas del Centro de América.
A Nicarágua passou por um período de guerra civil, quando os sandinistas, grupo de esquerda radical, conquistaram o poder. O turismo cresceu após o final dos conflitos, em 1979. A atividade produtiva nicaraguense está predominante mente voltada ao setor primário. O país se destaca no cultivo de produtos tro picais, especialmente frutas, e abriga um dos maiores rebanhos da América Central.
Existe interesse da China em construir um novo canal interoceânico na Nicarágua. Essa iniciativa é critica da pelo Panamá, que alega não haver necessidade de mais um canal, uma vez que o Canal do Panamá está apto a receber embarcações de maior por te. A China, porém, argumenta que a obra reduziria ainda mais o tempo de travessia. O projeto também é rejeitado pelos Estados Unidos, que sente ameaçado seu domínio sobre a América Central.
Costa Rica
Existe interesse da China em construir um novo canal interoceânico na Nicarágua. Essa iniciativa é critica da pelo Panamá, que alega não haver necessidade de mais um canal, uma vez que o Canal do Panamá está apto a receber embarcações de maior por te. A China, porém, argumenta que a obra reduziria ainda mais o tempo de travessia. O projeto também é rejei tado pelos Estados Unidos, que sente ameaçado seu domínio sobre a América Central. Entre as atividades econômicas costarriquenhas destacam-se o cultivo de café e banana, principais produtos de exportação do país. O turismo também tem papel de destaque, dada a beleza natural da Costa Rica, que apresenta paisagens diversificadas, com montanhas, resultado da presença de vulcões, e praias exuberantes, na costa do Pacífico e do Atlântico.
Dois fatos curiosos projetam a Costa Rica no mundo. O primeiro é o de terem sido abolidas as forças armadas no país, em 1949. Por esse motivo, a Costa Rica é sede da Universidade para a Paz, instituição de educação superior da ONU que assume a missão de promover a tolerância e a coexistência pacífica, contribuindo para a cooperação entre os povos, para a redução das ameaças à paz no mundo e para o progresso. O segundo é o de o país ser sede da Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão judicial responsável pela 194 aplicação da Convenção Americana de Direitos Humanos e outros documentos que enfocam a mesma temática.
Outro aspecto responsável pela projeção da Costa Rica no mundo é seu mo delo de conservação ambiental. O país inovou ao trocar parte de sua dívida exter na pela concessão de exploração da biodiversidade de suas florestas nos primeiros anos do século XXI. Essa iniciativa, porém, foi alvo de críticas, segundo as quais esse modelo privilegiaria apenas as empresas concessionárias e que o povo não seria beneficiado pelos produtos gerados.
A Costa Rica também converteu cerca de 40% de seu território em áreas protegidas, ampliando sua oferta de atrativos turísticos e seu papel de fornece dora de informação genética, obtida a partir da biodiversidade, para pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, materiais e alimentos.
Panamá
O Panamá tem sua formação territorial ligada ao Vice-Reino de Nova Granada, sob dominação espanhola, no período colonial. Posteriormente, fez parte da Colômbia, tornando-se independente em 1903.
Trata-se de um país de pequena extensão territorial, que apresenta as menores distâncias terrestres em relação aos oceanos Pacífico e Atlântico. Esse fator estratégico possibilitou a construção do canal que faz com que o Panamá tenha no fluxo de mercadorias e pessoas sua maior fonte de riqueza.
O Canal do Panamá possui 81 km de extensão e corta o istmo do Panamá, ligando os oceanos
Atlântico e Pacífico. O canal começou a ser construído em 1880 e foi concluído em 1914, e é
uma importante rota para o comércio internacional, pois possibilita a diminuição do percurso feito
pelos navios. Os Estados Unidos e a China são seus principais usuários.
Além do canal, o Panamá possui um importante aeroporto, o Aeroporto Internacional de Tocumen, que recebe voos de diversas localidades e, através da companhia aérea local, funciona como ponto de conexão entre vários países das sub-regiões americanas.
No mesmo período, o Panamá registrou um elevado crescimento econômico, de aproximadamente 5% ao ano, enquanto a maioria dos países do mundo cresceu, no máximo, 2% ao ano.
Com a devolução da área do canal e políticas governamentais de atração de investimentos, como benefícios fiscais e trabalhistas, muitas grandes empresas multinacionais se mudaram para a Cidade do Panamá, capital do país. Em 2014, foi inaugurado na cidade o primeiro metrô da América Central.
Nos últimos anos, o governo também tem procurado incentivar o turismo por meio do estímulo à construção de hotéis de luxo, sobretudo na Cidade do Panamá.
América Central Insular: as ilhas do mar do Caribe
A América Central Insular tem no Caribe sua principal referência. Trata-se de uma região formada por inúmeras ilhas, também chamada de Antilhas ou Índias Ocidentais, pelo fato de os europeus, inicialmente, acreditarem estar na Índia. O nome Caribe, dado pelos colonizadores espanhóis no século XVI, se originou dos indígenas caribes, também conhecidos como caraíbas, que habitavam as ilhas da região.
Grandes Antilhas
A região contém quatro ilhas no norte do Caribe: Cuba, Hispaniola (que abriga dois países, Haiti e República Dominicana), Jamaica e Porto Rico. Vale reforçar que este último é um Estado Livre Associado aos Estados Unidos, não tendo, portanto, autonomia de Estado soberano.
Cuba
Cuba se diferencia dos demais países latinos por sua história. Após a independência da
metrópole espanhola, a ilha passou a sofrer grande influência dos Estados Unidos. No século
XX, ocorreu um golpe militar no país, comandado pelo ditador Fulgêncio Batista (1901-1973).
Insatisfeitos, os cubanos, sob a liderança de Fidel Castro (1926-2016), promoveram uma revolução
que culminou na derrubada da ditadura: a Revolução Cubana, em 1959, que marca a adoção
de um regime socialista no país.
Cuba, único país socialista de toda a América, é a maior ilha das Grandes Antilhas, com uma extensão de 110 860 km2. Sua capital é a cidade de Havana.
A Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara em 1959, depôs o governo do ditador Fulgencio Batista, aliado estadunidense, e instalou um governo socialista que se aliou à ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), inimiga dos Estados Unidos durante o período da Guerra Fria. A localização de Cuba, no golfo do México, representava uma ameaça aos Estados Unidos.
O governo socialista promoveu uma
série de reformas, motivo por que Cuba
apresenta bons indicadores sociais, como
baixas taxas de analfabetismo e de mor
talidade infantil, por exemplo. O regime
socialista, no entanto, afastou Cuba dos
Estados Unidos, aproximando-a de seu rival
no período da Guerra Fria, a União Soviética.
Isso levou os estadunidenses a promover
um bloqueio econômico a Cuba, ou seja, a
romper as relações comerciais com esse país
Em sinal de oposição ao governo socialista cubano, os Estados Unidos, em conjunto com países europeus capitalistas, impuseram ao país um embargo comercial, ou seja, romperam relações comerciais e diplomáticas com Cuba. Durante a Guerra Fria, a ex-União Soviética forneceu ao país uma série de produtos. A dissolução da superpotência, em 1991, representou o fim do apoio político e material ao governo e ao povo cubanos, o que levou Cuba a uma terrível crise econômica.
Nos últimos anos, Cuba ampliou sua política de cooperação internacional, oferecendo apoio, inclusive ao Brasil, principalmente nas áreas de saúde e educação.
Em 2014, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (1961-), declarou-se favorável ao fim do embargo e retomou relações diplomáticas com o país, o que poderia ter sido um passo decisivo para o fim das barreiras comerciais impostas a Cuba. Entretanto, seu sucessor, Donald Trump, eleito em 2016, voltou atrás nas decisões de Obama e afirmou não ter interesse em reatar relações com a nação caribenha.
Desde a revolução, Cuba foi governada pelos irmãos Fidel e Raúl Castro. Fidel governou até 2006, quando, devido a problemas de saúde, transferiu o cargo a seu irmão mais novo. Raúl Castro foi presidente de Cuba até 2018, quando a Assembleia Nacional elegeu Miguel Díaz-Canel para o cargo, mantendo Raúl como primeiro-secretário do Partido Comunista.
Com a morte de Fidel Castro em 2016 e a saída de Raúl da presidência, uma nova era política teve início em Cuba, com a implantação de algumas modificações. Díaz-Canel terá um mandato de cinco anos, renovável por outros cinco, e não mais do que isso. Entre os desafios do novo presidente estão o encaminhamento das reformas iniciadas por Raúl Castro, o impulso à economia cubana e a retomada das negociações com o governo estadunidense para a retirada do embargo.
Diferentemente dos demais países da América Central, os indicadores de educação e saúde de Cuba apresentam níveis semelhantes aos de países mais ricos. O governo investe fortemente no setor de saúde, com destaque para a produção de vacinas e medicamentos.
No que diz respeito à economia, tradicionalmente, Cuba produz cana-de-açúcar. Mais de 80% da produção de açúcar é exportada, mas o setor sofre as oscilações de preço das commodities no mercado internacional.
Atualmente, Cuba enfrenta uma recessão
econômica. Grande parte de suas riquezas
vem do turismo.
Haiti
Primeiro país a se tornar independente a partir de um movimento liderado por africanos escravizados, o Haiti (figura 16) teve suas terras ocupadas inicialmente por espanhóis. Em 1697, as terras passaram ao domínio francês, com a divisão da Ilha Hispaniola entre Espanha e França. Foram anos de luta até que, em 1804, foi conquistada a independência, reconhecida bem mais tarde pela França e pelos Estados Unidos.
No século XX, sucederam-se governos autoritários no comando do Haiti e ocorreram golpes de Estado contra governantes eleitos, o que revelou uma democracia muito frágil. A economia do país é baseada na agricultura de frutas para exportação.
Como resultado desse processo, o Haiti está entre os países mais pobres do mundo. De acordo com a ONU, em 2013, 80% da população haitiana vivia com menos de dois dólares por dia. Desemprego, instituições fracas e dissolução de sua polícia e das forças armadas fazem parte da difícil situação do país, que é classificado por muitos analistas como um Estado falido, ou seja, um Estado que A não consegue garantir condições de vida dignas à sua população. Além disso, segundo relatório do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR), de 2016, o Haiti é o país que está no topo da lista de mortes provocadas por catástrofes naturais, como terremotos e furacões.
Várias intervenções externas foram realizadas no Haiti por intermédio da ONU, que, entre ou tras atribuições, presta ajuda humanitária a países que atravessam dificuldades. Inicialmente, essas ações eram comandadas pelos Estados Unidos, interessados em estabilizar os conflitos sociais no Haiti pelo fato de o país estar próximo a Cuba, que poderia querer ampliar o modelo socialista no Caribe a partir da instabilidade política do país vizinho. Problemas como tráfico de drogas e imi gração também levaram os Estados Unidos a se envolver com o Haiti. Em 2004, uma nova missão de paz foi estabelecida no Haiti, sob a liderança do Brasil.
Pequenas Antilhas
As pequenas ilhas localizadas no Caribe, conhecidas como Pequenas Antilhas, constituem Estados independentes ou departamentos e territórios insulares. Historicamente, essa região foi ponto de distribuição de pessoas trazidas força damente da África para servirem de mão de obra escrava no continente americano.
Atualmente, a maior parte dos países e territórios das Pequenas Antilhas tem nas atividades do turismo e da agricultura do tipo plantation sua base econômica. Entretanto, alguns deles fazem parte dos chamados paraísos fiscais. Politicamente, a área interessa aos Estados Unidos.
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