terça-feira, 14 de abril de 2026

Cadeias alimentares, teias, equilíbrio e desequilíbrio

Os seres vivos nascem, se desenvolvem e morrem Em ambientes naturais, os passarinhos geralmente fazem seus ninhos nas árvores ou em arbustos e se alimentam de insetos, frutas ou sementes, que procuram no ambiente todos os dias. Após o acasalamento, a “união de um macho e de uma fêmea”, a passarinha coloca ovos em seu ninho e os mantém quentes com o calor de seu corpo, até o nascimento dos filhotes. Após o nascimento, nos primeiros dias de vida, enquanto ainda são muito pequenos, os filhotes de passarinho não têm penas, não conseguem voar e recebem muita atenção de seus pais.
Enquanto os filhotes não conseguem voar, os pais trazem comida para eles. Quando crescem e adquirem a capacidade de voar, podem se alimentar sozinhos. A cada dia vão se desenvolvendo e crescendo até atingir a idade adulta. A partir daí, podem se acasalar e ter filhotes. 
Algum dia, inevitavelmente, esses pássaros morrerão. Os ovos, os filhotes ou até mesmo os pássaros adultos servem de alimento para alguns outros seres vivos, como as serpentes. Estas, por sua vez, são alimento para algumas variedades de coruja. 
Um pé de maçã pode nascer de uma semente caída ao chão. Ele nasce, cresce e produz flores e frutos (nesses frutos existem sementes que podem originar novos pés de maçã). E, um dia, esse pé de maçã vai morrer. Todos os seres vivos têm estas características: nascer, se desenvolver e morrer.

Relacionados pela alimentação 


Todos os seres vivos apresentam características em comum e entre elas está a necessidade de se alimentar. É o alimento que fornece a energia de que precisam para sobreviver. Os animais buscam seu alimento em outros seres vivos, como plantas e fungos (os cogumelos, por exemplo), e mesmo em outros animais. As plantas, por sua vez, também precisam de alimento, mas o obtém utilizando outra estratégia. Como elas fazem, então, para se alimentar?
As plantas também precisam de energia, porém não se alimentam da mesma forma que os animais. A energia de que as plantas necessitam vem do alimento que elas mesmas produzem utilizando, entre outras coisas, a luz do Sol. 
Você já ouviu falar que nenhuma planta consegue viver em escuridão total? É verdade. Sem a energia da luz, as plantas morrem. Elas utilizam a energia da luz num processo chamado fotossíntese. 
Não se esqueça, porém, de que todo ser vivo precisa de energia para sobreviver.

Organismos produtores 


Uma das necessidades dos seres vivos é conseguir alimento, que deve estar de alguma forma disponível no ambiente. Mas esse alimento deve ser produzido para depois ser consumido.
Os organismos que fabricam seu próprio alimento são chamados produtores. Os seres vivos capazes de fazer isso são as plantas, as algas e algumas bactérias, chamadas cianobactérias. 
Os organismos que fabricam seu próprio alimento são chamados produtores. Os seres vivos capazes de fazer isso são as plantas, as algas e algumas bactérias, chamadas cianobactérias.
A forma mais comum de produção do próprio alimento é pelo processo conhecido como fotossíntese (do grego, photos = ‘luz’; e synthesis = ‘produção’).

Cianobactéria filamentosa. (Ampliação aproximada de 250 vezes.)

Como o próprio nome diz, a fotossíntese é um processo em que há a produção de alimento na presença de luz. Para isso, são necessárias matéria-prima e energia. A planta obtém a matéria absorvendo do ar o gás carbônico e, do solo, a água (as algas e algumas plantas aquáticas obtêm o gás carbônico presente na água). 
A fotossíntese é responsável pela produção de glicose (um tipo de açúcar fundamental para a nutrição e a sobrevivência da planta) e de gás oxigênio, que é liberado no ambiente. Esse processo ocorre na presença da energia do Sol e da substância clorofila, que dá a cor verde às plantas. 
Tanto nos ambientes terrestres como nos aquáticos a maioria dos organismos produtores fabrica seu alimento por meio da fotossíntese.

Organismos consumidores 


Os seres vivos que não produzem seu próprio alimento precisam obtê-lo de outros organismos, por isso são chamados consumidores. 
Entre os consumidores, os que só se alimentam de organismos produtores são chamados herbívoros (do latim, herba = ‘erva’; e vorarae = ‘comer’, ‘devorar’). 
Existem aqueles que se alimentam de partes de outros animais, de seus produtos, como leite e ovos, ou mesmo deles inteiros; por isso, são chamados carnívoros (do latim, carne = ‘carne’; e vorarae = ‘comer’, ‘devorar’). 
Há ainda animais que se alimentam tanto de produtores quanto de consumidores, sendo classifica dos em onívoros (do latim, omnis = ‘tudo’; e vorarae = ‘comer’, ‘devorar’). 
Ao se alimentar de outros animais, os carnívoros e os onívoros precisam matar sua presa. Nesses casos, eles também são chamados de predadores.
Assim, percebe-se que o tipo de consumidor em que um animal é classificado indica as diversas formas como ele pode obter alimento, utilizando vários itens alimentares em sua dieta.

Organismos decompositores


Todos os seres vivos um dia morrem. Se isso não acontecesse, poderia ha ver sérios desequilíbrios na obtenção de nutrientes para todos eles. No entanto, quando os seres vivos morrem, seus corpos apodrecem e se decompõem em partes menores, algumas vezes até sem deixar vestígios aparentes.

Árvore em processo de decomposição. Floresta de Bialowieza, na Polônia, em 2018.

Observe a imagem acima de uma árvore caída. Ela está morta. Note que parte dela está apodrecendo. O que provoca esse processo? Você já imaginou quais seriam as consequências se todos os seres vivos, após sua morte, continuassem inteiros no meio ambiente?
Você já deve ter deparado com algum alimento apodrecendo, com um animal morto, já com cheiro desagradável, ou ainda com restos de papéis se desfazendo.
Todos esses são exemplos de materiais que estão sofrendo o processo chamado decomposição (do latim de = ‘retirar’ ou ‘desfazer’; e composit (ionis) = ‘composição’).
Quando um ser vivo morre, suas partes podem sofrer decomposição em razão da ação de seres vivos especificamente responsáveis por esse processo, os quais se alimentam da matéria morta. Esses seres são chamados decompositores. Entre os principais decompositores estão algumas bactérias e fungos

Algumas bactérias e fungos são responsáveis pelo processo de decomposição de organismos, como ocorre com este peixe. Nesse processo, muitas vezes, é liberado um odor desagradável.

Os decompositores alimentam-se da matéria orgânica (do francês, organique = ‘relativo aos órgãos de um ser vivo’) de outros seres vivos. Na decomposição, a matéria orgânica se transforma em componentes mais simples.
Essa matéria orgânica pode ser o corpo ou partes do corpo de outros animais vivos, como penas, pelos e escamas; galhos, flores, folhas, frutos e sementes que caem das plantas; produtos de excreção dos organismos, como fezes e urina; entre outras.
Toda essa matéria, ao ser decomposta, retorna ao ambiente pela ação das bactérias e dos fungos. Os fungos, por exemplo, digerem a matéria orgânica e absorvem o que precisam. O que não aproveitam fica no ambiente. É dessa forma que ocorre a fertilização natural do solo; sem a decomposição, a vida conhecida não seria possível, pois os nutrientes do planeta poderiam se esgotar.

As bactérias decompositoras ajudam a reciclar a matéria que compõe os seres vivos. (Ampliação aproximada de 4 400 vezes.)

Fungo conhecido por orelha-de-pau (Pycnoporus sanguineus) aderido ao tronco de uma árvore.

Organismos facilitadores da decomposição 


Alguns animais auxiliam os fungos e as bactérias na decomposição, pois se alimentam dos restos de outros organismos, como folhas, galhos, flores, frutos e outros compostos vegetais. 
São considerados detritívoros (se alimentam de detritos). Quando se alimentam desses restos de outros seres vivos, acabam também se alimentando dos organismos que estão realizando a decomposição desses detritos. 
Vejamos alguns exemplos: as minhocas, os piolhos-de-cobra e alguns besouros facilitam o processo de decomposição, que depois é finaliza do por bactérias e fungos. As moscas-varejeiras colocam seus ovos em animais mortos: deles eclodem as larvas que se alimentam dos restos do cadáver. Os urubus e também os carcarás se alimentam principalmente de restos de seres mortos e, por isso, são chamados de carniceiros. 

Minhocas.

Mosca-varejeira.

Carcarás.

Todos esses são exemplos de organismos facilitadores da decomposição.

Cadeias e teias alimentares 


Você deve ter percebido que todos os seres vivos estão inter-relacionados, direta ou indiretamente, formando uma grande rede que depende, inicialmente, da energia do Sol que chega à superfície da Terra. 
Os organismos que usam a energia solar e produzem alimento, os produtores, constituem a base da cadeia alimentar, que é dividida em níveis.
Os produtores (1º o o nível) são a base para a alimentação dos consumidores, inicialmente os herbívoros (2º  nível) e, depois, os carnívoros (3º  nível e demais). Perceba que mesmo os carnívoros dependem indiretamente dos produtores. 
A essa sequência de alimentação dá-se o nome de cadeia alimentar. Ela pode ser representada por diagramas que mostram o fluxo do alimento nos quais o sentido da flecha sempre aponta o caminho do consumo do alimento. 
Um consumidor que se alimenta diretamente de um produtor é considerado um consumidor primário; um consumidor que se alimenta de um consumidor primário é considerado um consumidor secundário; e assim por diante.

Acima um exemplo de cadeia alimentar em que o capim é o produtor, o rato é o herbívoro (consumidor primário) e a serpente é o carnívoro (consumidor secundário). 

Geralmente, as relações de alimentação entre os seres vivos são mais complexas do que as que ocorrem em uma cadeia alimentar. Por exemplo, pode haver mais de um consumidor primário que se alimente do mesmo produtor. 
Quando há mais de uma cadeia alimentar possível, e pelo menos um dos componentes ocupa mais de um nível (os consumidores podem, por exemplo, ser ao mesmo tempo primários e secundários), o conjunto das relações se chama teia alimentar. É possível encontrar teias alimentares bem complexas.
Ainda fazem parte das teias alimentares os organismos decompositores que, ao realizar a decomposição, devolvem alguns nutrientes para o ambiente. Esses organismos podem ser também alimento para alguns consumidores. Animais como porcos selvagens podem se alimentar de fungos e são ótimos farejadores de trufas, fungos subterrâneos bastante valorizados no mercado. Ocorre, portanto, um fluxo de matéria e de energia que parte dos organismos produtores, passa pelos consumidores e chega aos decompositores. 

Equilíbrio e desequilíbrio em teias alimentares


O equilíbrio é fundamental para a existência dos seres vivos nos ecossistemas. Qualquer situação ou problema que afete um dos membros das teias alimentares poderá afetar os demais. O ser humano, ao interferir nos ambientes naturais, modifica-os. 
Muitas vezes, essa interferência causa problemas no delicado equilíbrio entre as espécies, trazendo consequências que podem chegar à extinção dos seres daquele ambiente.
Por exemplo, caso as serpentes da teia alimentar que vimos anteriormente fossem caçadas pelo ser humano e desaparecessem, a tendência imediata seria aumentar o número de suas presas, os sapos e os ratos, já que estas não teriam mais o seu predador natural. Isso provavelmente levaria, com o tempo, a uma diminuição do número de borboletas, uma vez que seus predadores naturais aumentariam em número.
Em outras situações, o desequilíbrio da teia alimentar pode ser causado pela introdução de animais ou plantas em áreas onde antes não existiam.
Essas espécies levadas para novos locais são chamadas de espécies exóticas e podem passar a viver nesses novos ambientes sem causar impactos.
Os pardais, por exemplo, foram trazidos da Europa no início do século XX e hoje são comuns nas cidades brasileiras. Na maioria das vezes, porém, essas espécies alteram o ambiente, competindo com espécies nativas por recursos como água, alimentos ou espaço. 
Nesse caso, elas são chamadas de espécies exóticas invasoras. Uma vez que não encontram predadores naturais no ambiente onde são introduzidas, as espécies exóticas invasoras tendem a prevalecer na competição com as espécies nativas. Esse é o caso de várias espécies, como o caso do mosquito Aedes aegypti, vindo da África e transmissor de doenças como a dengue, a febre chikungunya, a febre amarela e a zika.
Outro exemplo é o da rã-touro, um anfíbio importado dos Estados Unidos para o Brasil, na década de 1960, com a finalidade de ser criado para alimentação humana. No entanto, muitas delas fugiram dos criadouros e hoje são encontradas em ambientes onde atacam espécies nativas como pererecas, outras rãs e filhotes de peixes. São animais muito vorazes e, sem predadores, estão expandindo sua distribuição principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. O desequilíbrio que as rãs-touro estão causando já levou à extinção local de espécies nativas.

Rã-touro.





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