quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

REGIÃO SUDESTE

A Região Sudeste é a mais populosa do Brasil, com cerca de 90 milhões de habitantes em 2021, distribuídos em quatro estados: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Juntas, essas unidades da Federação ocupam uma área de aproximadamente 925 mil km². Isso torna o Sudeste a região mais povoada do país, com uma densidade demográfica média de 86 habitantes por km².  

Sudeste: centro econômico nacional


A Região Sudes te tem a maior participação no PIB brasileiro, gerando a maior parte da riqueza nacional. Isso se deve ao fato de ela concentrar os maiores polos industriais, comerciais e de serviços do país, bem como desenvolver atividades agrope- cuárias modernas e altamente produtivas.
Além disso, o Sudeste conta com uma complexa rede urbana, encabeçada por importantes metrópoles, com destaque para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro (centros financeiros e culturais do país), além de centros urbanos de porte médio, regionais e locais. Essa rede urbana é interligada por uma densa malha viária e de telecomunicações, pela qual se desloca um intenso fluxo de pessoas, mercadorias, informações e capitais. Neste capítulo vamos conhecer um dos principais aspectos econômicos do Sudeste: o alto nível de industrialização. Identificaremos os fatores de concentração da atividade industrial nessa região, conheceremos a infraes trutura criada para atendê-la e sua distribuição espacial.

Concentração industrial no Sudeste


Entre as atividades econômicas que geram grande parte do PIB do Sudeste está a atividade industrial. Atualmente, a região abriga o maior parque fabril brasileiro, com uma produção bastante diversificada, de matérias-primas pro cessadas (aço, papel, álcool etc.) e máquinas (equipamen tos industriais, tratores, caminhões etc.), além de bens de consumo (eletrodomésticos, automóveis, alimentos etc.) e equipamentos de alta tecnologia (computadores, aviões, sa télites artificiais etc.). 
O processo de industrialização do Sudeste tomou força entre as décadas de 1930 e 1950, sobretudo devido aos incentivos financeiros do governo federal e dos governos estaduais. Inicialmente, foram criadas in dústrias de base, como mineradoras, siderúrgicas e petroquímicas. Assim, desenvolveram-se importantes siderúrgicas nessa região, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no estado do Rio de Janeiro; a Acesita e a Belgo-Mineira, em Minas Gerais; e a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), em São Paulo. 
Também foram fundadas a Petrobras, com sede no Rio de Janeiro, com a função de procurar, extrair e refinar petróleo e gás natural, e a Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale), em Minas Gerais, até hoje uma das maiores empresas de extração de minério de ferro do mundo.

A área do Quadrilátero Ferrífero 


O desenvolvimento da indústria de base no Sudeste, sobretudo dos parques siderúrgico e metalúrgico, apoiou-se na presença de jazidas minerais, como as de ferro, manganês e bauxita, matérias-primas essen ciais para a fabricação de ligas metálicas. Destacam-se importantes jazidas localizadas na parte central do estado de Minas Gerais, área denominada de Quadrilátero Ferrífero. Durante o último século, milhares de toneladas de minérios têm sido extraídas das jazidas dessa área, tanto para servir de matéria-prima às indústrias nacionais como para a exportação para outros países do mundo.

Parque industrial diversificado


A partir das décadas de 1950 e 1960, houve a diversificação do parque industrial do Sudeste, com a instalação de indústrias de bens intermediários e de consumo, como fábricas de tratores, caminhões e automóveis, eletrodo mésticos e alimentos.

Mão de obra e mercado consumidor 


Além dos investimentos dos governos federal e estaduais, uma numerosa mão de obra e um amplo mercado consumidor para os produtos manufaturados foram fatores essenciais ao pro cesso de concentração industrial no Sudeste. Vimos no Capítulo 5 que, no final do século XIX e nas pri meiras décadas do século XX, o Sudeste foi, entre as regiões brasileiras, a que recebeu um maior contingente de imigrantes estrangeiros. Desembarcaram nessa região, principalmente, italianos, espanhóis, portugueses, sírios e libaneses, além de muitos japoneses. 
Boa parte desses imigrantes já tinha algu ma experiência como operários em fábricas de seus países de origem, o que facilitou o preenchimento das vagas nas indús trias do Sudeste do Brasil. A presença de um grande mercado consumidor para os produtos fabricados também foi importante para a instalação das indústrias, sobretudo nos grandes centros urbanos, como as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Isso ocorreu por que, já na primeira metade do século XX, o Sudeste se tornou a região mais populosa do país, o que possibilitou o desenvolvimento de ampla rede de co mercialização de produtos, tanto no atacado como no varejo.

Infraestrutura de transportes e de geração de energia 


Outros dois aspectos fundamentais para o desenvolvimento industrial da Região Sudeste foram os altos investimentos dos governos na construção de infraestrutura de transportes e de energia elétrica. Enquanto a infraestrutura dos transportes faci litou a circulação de matérias-primas e dos produtos manufaturados, a de geração de energia elétrica foi essencial para movimentar as máquinas industriais e para que a população pudesse utilizar eletrodomésticos, eletroeletrônicos, entre outros. 
No caso dos transportes, a expansão da rede foi focada na ampliação e na construção de rodovias. Isso ocorreu porque, já no final da década de 1950, im portantes indústrias mecânicas, de peças automotivas, de pneus e montadoras de veículos (cami nhões, ônibus e automóveis) ins talaram-se no Sudeste, fazendo com que a região priorizasse o transporte rodoviário. Tal fato levou a região a ter, atualmente, a mais extensa malha de rodo vias do país, reunindo, inclusive, a maior parte das autopistas (rodovias com pistas duplas). 
Por outro lado, também foram muito importantes os investimentos feitos na am pliação dos portos marítimos da região, como os de Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Tubarão (ES), que auxiliam no escoamento da produção de bens manufaturados, minérios e produtos agrícolas para outras regiões brasileiras e para o exterior. 
Destaca-se, ainda, a rede de aeroportos: dos cinco terminais mais movi mentados do país de cargas e de passageiros, quatro estão na Região Sudeste: Guarulhos (SP), Campinas (SP), Confins (MG) e Rio de Janeiro (RJ).
No caso da ampliação da infraestrutura de geração de energia, além de termoelétricas, a partir da década de 1960 houve a priorização da construção de usinas hidrelétricas, como forma de aproveitar o potencial natural existen te na região. 
O território da maior parte dos estados do Sudeste é composto de planaltos, com a presença de muitos vales e rios caudalosos, o que propi cia a construção de barragens para a geração de energia hidráulica, também chamada de hidroeletricidade. A construção de usinas hidrelétricas em grande escala tornou o Sudeste a região que mais produz energia elétrica no Brasil.

Centros tecnológicos 


A partir da década de 1970, os governos estaduais do Sudeste passaram a investir em centros de pesquisa focados no desenvolvimento de alta tecnologia no entorno de impor tantes universidades e instituições públicas e privadas. 
São exemplos a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Minas Gerais (UFMG), o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA).
Esses centros tecnológicos, também chamados de tecnopolos, influencia ram diretamente a implantação de indústrias nacionais e estrangeiras, que, atualmente, fabricam materiais de telecomunicações, médico-hospitalares, bio químicos, de informática e de tecnologia aeroespacial. A implantação de tecnopolos também foi responsável, em boa parte, por um processo de desconcentração da atividade industrial na própria Região Sudeste. 
Isso ocorreu porque, até então, a maior parte da produção industrial estava concentrada nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro e em alguns municípios de seu entorno. A partir da década de 1980, verificou-se um deslo camento de várias indústrias, sobretudo aquelas ligadas à área de tecnologia, para áreas do interior, como a região das cidades de Campinas (SP), São José dos Campos (SP), Resende (RJ) e a região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

Complexo agroindustrial do Sudeste


A partir da segunda metade do século XX, a concentração e a diversificação das atividades industriais no Sudeste provocaram um amplo processo de mo dernização das atividades agropecuárias, que atingiu não somente essa região como também outras partes do Brasil. 
Isso ocorreu porque as indústrias passaram a fornecer mercadorias ma nufaturadas com novas tecnologias aos proprietários rurais, como tratores, colheitadeiras e arados mecânicos; defensivos agrícolas, adubos químicos e sementes selecionadas; vacinas, medicamentos e rações balanceadas para os animais de criação, entre outros produtos. O emprego dessas tecnologias no campo provocou aumentos expressivos na produtividade agrícola, propor cionando uma maior rentabilidade a sitiantes e fazendeiros. 
Particularmente no Sudeste, essas e outras inovações desencadearam pro fundas mudanças na paisagem rural do interior dos estados, já que foi priorizada a produção de matérias-primas com grande importância para as agroindústrias e para a exportação, como café, soja, laranja e cana-de-açúcar, e a criação de gado bovino e de aves para o fornecimento de carne, leite e ovos. 
Extensas áreas de plantação desses pro dutos agrícolas e de pastagens para animais ocuparam as grandes propriedades rurais dos municípios, ao passo que as áreas plan tadas com culturas alimentares, como feijão, mandioca, batata, frutas e hortaliças em geral, desenvolvidas em pequenas propriedades ou por grupos comunitários de camponeses, foram reduzidas. 
Esse processo de modernização acabou consolidando o Sudeste como um dos polos do setor agroindustrial do Brasil. Compare no mapa abaixo a distribuição e diversificação de agroindústrias na região em que você vive com a do Sudeste.

Produtos agropecuários de destaque no Sudeste


Nas últimas décadas, boa parte das atividades agropecuá rias desenvolvidas no Sudeste passou por um amplo processo de modernização, apresentan do atualmente elevado grau de emprego de tecnologia. Entre aquelas que mais se destacam estão as atividades agrícolas que envolvem as lavouras de cana--de-açúcar, laranja, café, além da pecuária de corte e leiteira. 
A produção de laranja tem muita relevância econômica para essa região e estabelece uma grande articulação com a indús tria na produção de sucos. No que se refere à pecuária, observamos o predomínio da pe cuária melhorada ou intensiva em grande parte do território dos estados do Sudeste. Destaca-se a criação de bovinos destinada à produção leiteira, que fornece matéria-prima para as principais agroindústrias de laticínios do país.
O café é outro produto agrícola de destaque do Sudeste, que é a principal região produtora do país. Historicamente, o Brasil tem uma forte tradição no cultivo de cafeeiros e é, na atualida de, o maior produtor mundial de café, o que se deve sobretudo às colheitas obtidas nos quatro estados do Sudeste.

Agricultura 4.0 


Além de importantes instituições de pesquisa, no Sudeste também estão sediadas grandes empresas, algumas delas multinacionais que desenvolvem equipamentos e técnicas de cultivo e de criação com a mais alta tecnologia. Isso vem influenciando diretamente a forma de produzir no campo, dando origem àquilo que especialistas chamam de “agricultura 4.0”. É uma nova eta pa da produção agrícola que agrega recursos tecnológicos avançados como GPS, imagens de satélite, drones e computadores, todos conectados em tempo real.

Produção da cana-de-açúcar


De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil é atualmente o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Na safra entre 2018 e 2019, foram colhidos 625 milhões de toneladas desse produto agrícola no país. A liderança dessa produção fica com a Região Sudeste, com cerca de 405 milhões de toneladas. 
 Em nosso país, as safras da cana-de-açúcar são divididas em dois momen tos. Entre abril e novembro, há um excelente período de safra nos estados da porção centro-sul. Já de setembro a março, essa produção se destaca no eixo norte-nordeste. 
O estado de São Paulo é o maior produtor de cana-de-açúcar do país, porém também há significativa produção nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. 
A cana-de-açúcar é uma matéria-prima agrícola com excelente articulação com a indústria, for mando um complexo agroindustrial para a pro dução de açúcar refinado e álcool combustível, chamado etanol. A Região Sudeste responde por mais de 60% de toda a produção nacional desse tipo de combustível, e a maior produção de etanol anidro e etanol hidratado ocorre nos estados de São Paulo e Minas Gerais. 

As transformações no campo e a urbanização do Sudeste


Na segunda metade do século XX estabeleceu-se no Sudeste um amplo complexo agroindustrial. Esse processo foi apoiado pelos governos estaduais e federal, beneficiando a modernização de atividades agrícolas co merciais, em sua maioria desenvolvidas em grandes propriedades rurais, em detrimento daquelas atividades mais tradicionais, praticadas geralmente em pequenas e médias propriedades. Esse modelo de desenvolvimento agrícola causou profundas transforma ções no espaço rural da região, pois: - ocasionou, por um lado, a perda da terra por boa parte dos agricultores familiares devido às dívidas bancárias e à baixa produtividade de suas pequenas propriedades, e, por outro lado, o aumento da área ocupada por grandes fazendas; 
- provocou a dispensa de um número expressivo de trabalhadores, cuja força de trabalho foi substituída, em sua maioria, por máquinas, implementos agrícolas e outras tecnologias empregadas nas grandes propriedades rurais.
Dessa forma, principalmente entre as décadas de 1970 e 1990, centenas de milhares de pequenos proprietários e de trabalhadores rurais, sem alternativa de sobrevivência, abandonaram o campo e migraram, sobretudo para os médios e grandes centros urbanos da região, em um intenso processo de êxodo rural.

Rápido processo de urbanização


Além do êxodo rural, a mi gração de pessoas de outras regiões brasileiras, principal mente de estados do Nordeste, e as altas taxas de natalidade al cançadas no final do século XX desencadearam um intenso processo de urbanização do Sudeste, ou seja, de aumento da proporção de pessoas vi vendo em cidades. Veja o grá fico ao lado. 
Atualmente, além de ser a região mais populosa do país, com cerca de 90 milhões de habitantes (em 2020), o que corresponde a 43% do total da população brasileira, o Sudeste conta com aproximadamente 95% de seus habitantes vivendo em cidades, boa parte delas de médio e grande porte, como é o caso das metrópoles paulistana, carioca e belo-horizontina. 
Além disso, a Região Sudeste abriga a maior conurbação urbana do país, a chamada megalópole brasileira, também denominada pelo IBGE de Complexo Metropolitano do Sudeste. Dele também fazem parte as cidades localizadas na região do Vale do Rio Paraíba do Sul, como São José dos Campos (SP), Tauba té (SP), Volta Redonda (RJ) e Resende (RJ), e as regiões metropolitanas da Baixa da Santista e de Campinas, ambas localizadas no estado de São Paulo. No total, viviam nessa área, em 2020, aproximadamente 48 milhões de pessoas, ou cerca de 23% do total da população brasileira.

Problemas das metrópoles do Sudeste


Assim como em outras regiões brasileiras, o rápido crescimento das capitais e cidades de porte médio do Sudeste ocasionou uma série de problemas liga dos à infraestrutura urbana, como a falta de saneamento básico e de moradia, o aumento do preço dos imóveis, o colapso do sistema de transportes e a po luição de rios e córregos e do ar atmosférico. 
Além disso, ainda que o crescimento da atividade industrial e principalmen te do comércio e dos serviços tenha ampliado os postos de trabalho, a oferta de emprego não cresceu na mesma proporção que a população urbana. Dessa forma, houve um processo de empobrecimento dos trabalhadores, o que au mentou as desigualdades sociais e a segregação do espaço urbano, sobretudo no interior das grandes cidades. 

Impactos das atividades agroindustriais e da urbanização nos biomas


O processo de crescimento e expansão das atividades agropecuárias e in dustriais, aliado ao intenso ritmo de urbanização, têm causado profundos impactos nos biomas do Sudeste. 
Entre os biomas que se estendem pela região, há a Caatinga, sobretudo no norte de Minas Gerais, o Cerrado, principalmente no interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais, e a Mata Atlântica, atualmente em trechos preser vados apenas na porção leste dos estados do Sudeste.

Mata Atlântica: maior biodiversidade do mundo


Dentre os biomas da Região Sudeste, certamente o mais impactado pelas atividades humanas é o da Mata Atlântica. Isso porque, já no início do século XIX, sua vegetação passou a ser derrubada em grande escala para a expansão das lavouras de café e, mais tarde, durante o século XX, para o avanço das la vouras de cana-de-açúcar, laranja e soja. 
Além disso, nas últimas décadas, nos domínios desse bioma houve uma “explosão” do crescimento de boa parte das cidades do Sudeste, com destaque para os centros urbanos: Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória e Santos.

Florestas, manguezais e restingas


A maior parte da área remanescente do bioma de Mata Atlântica do Brasil está localizada no Sudeste. Atualmente, ela se encontra protegida em parques e em outras áreas de preservação, sobretudo na região da Serra do Mar e do litoral. Nessa região, a área de Mata Atlântica pode ser dividida em três biomas: a floresta atlântica, nas porções de serras e vales; os manguezais, nas áreas alagadas pelas cheias e vazantes das marés nas áreas de planícies litorâneas; e as restingas, que se desenvolvem nos trechos de areia seca das praias e das dunas. Cada bioma apresenta sua complexidade de fauna e flora.
A biodiversidade existente nos domínios de Mata Atlântica do Sudeste é considerada a maior do planeta. Nela vivem centenas de espécies de fauna e flora, sendo boa parte delas endêmicas, ou seja, encontram-se exclusivamen te nessas áreas remanescentes da região e em mais nenhuma outra parte do Brasil ou do mundo. Entretanto, por causa da pressão exercida pelas atividades humanas, é nesse bioma que cerca de 60% de todas as espécies ameaçadas de extinção de nosso país estão abrigadas.






REGIÃO NORTE

Região Norte, a mais extensa do país, com mais de 3,8 milhões de quilômetros quadrados de área, correspondendo a aproximadamente 45% do território brasileiro. 
A porção norte é atravessada pela Linha do Equador, ou seja, a região está totalmente localizada na zona tropical do planeta. Ela faz fron teira com Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia. Além disso, uma pequena faixa, ao norte, é banhada pelo Oceano Atlântico. A região é pouco populosa, com 18 906 962 milhões de habitantes (estimativas do IBGE em 2021), e pouco povoada – são cerca de 4,12 hab./km2. 
Uma das características marcantes da paisagem da Região Norte é o domínio natural, evidenciado pela Floresta Equatorial Amazônica e pela Bacia Hidrográfica Amazônica.

Ocupação da região 

Os primeiros habitantes das áreas que hoje com preendem a Região Norte, assim como de todo o res tante do território brasileiro, foram os povos indígenas. Depois da chegada dos colonizadores, houve uma gradual alteração dos espaços e do modo de vida da população nativa. 
No período da colonização, a partir de meados do século XVII, os bandeirantes chegaram à região em busca de metais preciosos e procuravam indígenas com o objetivo de escravizá-los. Eles não pretendiam ocupar e povoar aquelas terras, pois sua moti vação era econômica. Por conta do trabalho de catequização feito pelos padres jesuítas, mais europeus chegaram à região. 
O propósito dos jesuítas era disse minar os ensinamentos cristãos entre os indígenas, como você pode observar na pintura acima. Aos poucos, os colonizadores portugueses perceberam que as chamadas “drogas do sertão”, que nada mais eram do que os produtos da floresta, como castanha-do-pará, guaraná, louro, canela e cravo, somadas à grande disponibi lidade de madeira da floresta, poderiam atrair a cobiça e o interesse de outras potências europeias da época, como franceses e holandeses. 
Assim, a estratégia adotada foi a construção de fortes, principalmente ao longo do vale do Rio Amazonas. Essas fortificações deram origem a novos núcleos de povoamento.

Povoamento recente 

Os movimentos populacionais mais recentes (final do século XIX e início do século XX) também ocorreram por motivação econômica. Foi o caso do período da extração do látex, entre 1860 e 1910. O látex, utilizado na fabricação de borracha, é um produto extraído da seringueira, árvore nativa da Floresta Amazônica. 
Nessa época, a indústria do automóvel come çava a surgir nos Estados Unidos e na Europa, o que demandava grande produção de pneus. A impor tância da borracha no período atraiu muitos traba lhadores de outras partes do país, principalmente do Nordeste, que contribuíram para o povoamento da região formando comunidades na floresta.
Na segunda metade do século XX, o governo brasileiro entendeu que era preciso adotar algumas iniciativas para estimular o domínio e o controle do território. Assim, passou a estimular a efetiva ocupação da região. 
Foram criados projetos de pesquisa com o objetivo de fazer o levantamento e o mapeamento dos recursos da região e planejar a construção de estradas para acessá-la. Exemplo disso foi a construção da Rodovia Transamazônica na década de 1970, que atravessaria o Brasil de leste a oeste. 
Essa estrada se tornou importante símbolo de integração nacional, promovida pelo governo militar da época. Entretanto, ela não foi concluída – há alguns trechos em fun cionamento. A obra ficou cara demais e as condições naturais impuseram várias dificuldades a seu andamento. 
Como a região é muito úmida, com chuvas diá rias, e a construção da estrada exigia o desmatamento de amplas áreas, o solo, desprotegido, sofreu erosão e foi sendo destruído, o que resultou em grande impacto ambiental.
Outras iniciativas que visavam incentivar a pro dução na Região Norte a partir da segunda metade do século XX foram a criação da Zona Franca de Manaus e de diversos projetos agropecuários e minerais. Esses projetos atraíram tanto habitantes locais quanto de outras regiões do país. Até hoje, os nordestinos continuam sendo o grupo que mais se deslocou para a Região Norte. 
Em todo esse período histórico, antigo e recente, os rios foram um fator natural fundamen tal para a ocupação do Norte. Como se trata de um território extenso, coberto de florestas e inúmeros rios, a hidrovia é um sistema bastante eficiente de deslocamento nessa área. Se, por um lado, algumas investidas coloniais e projetos recentes proporcionaram maior povoa mento e ocupação da Região Norte, por outro, também foram – e são – responsáveis pela ocupa ção irregular das terras indígenas e por parte da devastação da floresta.

Amazônia: um bioma complexo

Muitas vezes confunde-se a Região Norte com a Amazônia. Na verdade, a Região Norte é apenas parte desse bioma.
Região Norte, compreende os estados do Acre (AC), Amazo nas (AM), Amapá (AP), Pará (PA), Rondônia (RO), Roraima (RR) e Tocantins (TO).
A Amazônia, como também pode ser chamado o bioma amazônico, compreende a floresta equatorial amazônica e áreas menores de campos e cerrados, formações vegetais que extrapolam os limites dos sete estados da Região Norte, compondo a chamada Amazônia Legal, delimitação legal estabelecida em 1996 para fins de políticas de Estado (por exemplo, incentivos fiscais). Compreende os estados da Região Norte, bordas e áreas vizinhas, como o norte de Mato Grosso e o oeste do Maranhão,
Ao todo, o bioma amazônico ocupa aproximadamente 7,5 milhões de km², estendendo-se também por parte do território de oito países vizinhos ou próximos ao Brasil. É a área da chamada Amazônia Internacional, onde cerca de 4,5 milhões de km² estão em território brasileiro. Com florestas associadas a outros ecossistemas (mangue, cerrado, campos, várzeas etc.). Estende-se, também, a outros países da América do Sul. O bioma Amazônia também coincide, aproximadamente, com o domínio fitoclimático Amazônico.
Vamos estudar as principais características do bioma amazônico, entendendo, sobretudo, como os elementos da natureza se inter-relacionam e criam diferentes tipos de paisagens, proporcionando as condições neces sárias para a existência de uma grande biodiversidade nessa região do Brasil.

Domínio fitoclimático Amazônico

Predominam nesse domínio formas de relevo com baixas altitudes (planícies, depressões e baixos planaltos), clima equatorial, vasta rede hidrográfica e vegetação florestal, asso ciada a outras coberturas, como cerrado, campos e manguezais. Esse domínio, o qual estudaremos em detalhes a seguir, abrange a área da Região Norte.

Relevo 

Para entender o relevo dessa e das demais regiões, é importante lembrar que, sobre essas formas de relevo (planícies, planaltos, serras, morros, vales etc.), as sociedades constroem o espaço geográfico, onde ocorrem constantes interações entre os seres humanos e a natureza. Para compreender a natureza da Região Norte, você deve retomar o que aprendeu nos estudos do relevo do Brasil, ou seja, como as diferentes formas de relevo estão distribuídas pelo país. As grandes formas do relevo são: as montanhas, os planaltos, as depressões, os tabuleiros e planícies.
O relevo da Região Norte é formado, na maior parte, por depressões. As depressões apresentam baixa altitude e formas de relevo com predomínio de colinas, com pouca irregularidade na morfologia. Na Região Norte, as depressões se diferenciam em: 
• Depressão ou Superfície Norte-amazônica, nos estados de Roraima e do Amapá e no norte dos estados do Pará e do Amazonas; 
• Depressão ou Superfície Sul-amazônica, no estado de Rondônia e no sul do Pará; 
• Depressão da Amazônia Ocidental, no estado do Acre e em boa parte do estado do Amazonas; 
• Depressão do Guaporé, no estado de Roraima; 
• Depressão do Araguaia-Tocantins, no estado do Tocantins. As áreas de planaltos da Região Norte destacam-se, sobretudo, nas bor das da região: são áreas de nascentes de rios e funcionam como divisores de águas. 
Ao norte encontram-se os Planaltos Residuais Norte-amazônicos, que apresentam as maiores altitudes da região. Esses planaltos dividem as águas das bacias hidrográficas do Rio Amazonas e do Rio Orinoco, na Venezuela. 
É nele também, na Serra do Imeri, localizada no norte do estado do Amazonas, que fica o ponto mais alto do Brasil: o Pico da Neblina, com 2 995 metros de altitude.
Ao longo do Rio Amazonas e de suas áreas de influência direta encontra-se a planície mais extensa da região, um terreno plano e baixo – a Planície do Rio Amazonas. É nela que se concentra a maior parte da população da Região Norte, com destaque para os povos ribeirinhos, que vivem às margens dos rios.

Hidrografia 

O território brasileiro é cortado por muitos rios. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o país tem, em suas diversas bacias hidrográficas, 13% da água doce disponível no planeta. 
Apenas a Região Norte concentra, aproximadamente, 68% de todos os recursos hídricos do país. É nela que está a maior bacia hidrográfica do mundo: a Bacia Amazônica. Formada pelo Rio Amazonas e por seus inúmeros afluentes e subafluentes, ela estende-se por áreas do Brasil e de países vizinhos. No leste da região há ainda a Bacia do Tocantins-Araguaia e a do Atlântico Nordeste Ocidental, de menor extensão.
O maior e mais importante rio da região é o Rio Amazonas, cuja nascente está na Cordilheira dos Andes, no Peru, e origina-se do degelo da neve das montanhas. 
Ao entrar no Brasil é chamado de Rio Solimões e, depois da confluência com o Rio Negro (próximo à cidade de Manaus), passa a se chamar Rio Amazo nas, até a foz, no Oceano Atlântico, ao nordeste do Pará. Os rios da Região Norte são a principal via de transporte local. 
Como há poucas estradas, por causa dos limites impostos pela Floresta Amazônica, o Rio Amazonas e seus afluentes são utilizados como hidrovias, que funcionam como se fossem as estradas da região. Em época de cheia dos rios, a vida da população ribeirinha sofre limitações, principalmente em relação ao plantio de subsistência. 
A navegação é favorecida pelo fato de a Região Norte se estender em um terreno de baixa altitude (planícies e depressões), que forma uma imensa área navegável. Como alguns rios da Bacia Amazônica – Xingu e Tapajós, por exem plo – percorrem longos trechos de áreas planálticas, formam quedas-d’água que têm grande potencial hidráulico. 
O potencial elétrico de aproveitamento da energia hidráulica do Brasil está entre os cinco maiores do mundo. Desse potencial, cerca de 40,5% estão loca lizados na Bacia Hidrográfica do Amazonas. No total, a Região Norte detém aproximadamente 60% de todo o potencial hidrelétrico do país, mas boa parte tem restrições ambientais para exploração.
Na Região Norte também se encontra o maior volume de água subterrânea do mundo, o Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), localizado principalmente no sub solo dos estados do Amazonas, Pará e Amapá. Várias cidades da região utilizam suas águas para consumo humano, com destaque para Manaus. 
Estudos feitos por pesquisadores brasileiros, principalmente por cien tistas da região amazônica, avaliam que o Saga é quatro vezes maior que o Aquífero Guarani (que se estende por parte do território do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina).

Clima

A Região Norte registra constantemente altas temperaturas e grande quantidade de chuvas. Isso ocorre principalmente em razão da baixa latitude, ou seja, do fato de essa região se localizar nas proximidades da Linha do Equador. 
A zona tropical ou intertropical é a que recebe mais intensamente a inci dência de raios solares. A região tam bém apresenta baixas altitudes, com maior pressão atmosférica e retenção de calor.
Como você pôde constatar na leitura do mapa da página anterior, na Região Norte pre domina o clima equatorial. Esse tipo climático caracteriza-se por apresentar altas tempera turas e chuvas muito intensas (elevada pluviosidade) durante todo o ano. 
A formação de chuvas também é influenciada pela exuberante cobertura vegetal, cuja água decorrente da transpiração evapora e se condensa, contri buindo para a formação das nuvens. As médias térmicas variam entre 25 °C e 28 °C, o que indica baixa amplitude térmica anual, e o índice de chuvas varia de 1 500 mm a 2 500 mm anuais. Em razão dessas características, o clima equato rial configura-se como quente e muito úmido.
Além da evapotranspiração, a evaporação das águas dos rios da Bacia Amazônica também contribui para o elevado nível de chuvas da região. Essa umidade é transportada pelos ventos a outras partes do país. 
Na Região Norte, apesar de o clima ser predominantemente quente e úmido, pode ocorrer um fenômeno denominado friagem, caracterizado por uma queda brusca de temperatura. Esse fenômeno se deve à atuação da Massa Polar Atlântica (mPa), que entra pelo sul do Brasil. Quando chega com muita intensidade, atinge a porção ocidental da Região Norte, especificamente no sul do Amazonas, no Acre e em Rondônia. 
Em um trecho do norte da região, em uma pequena parte do sudeste do Pará e no estado do Tocantins, o tipo climático é o tropical, que se caracteriza pelas altas temperaturas durante todo o ano, com estações bem definidas: uma estação seca e outra chuvosa.

Vegetação

O território brasileiro é amplo, e em razão de sua extensão latitudinal, apresenta diversos tipos climáticos. Essa condição está associada à variedade de tipos de vegetação.
A Floresta Amazônica abrange, ape nas no território brasileiro, uma área de aproximadamente 4,2 milhões de quilômetros quadrados. Nessa imensa área há muitos ecossistemas, os quais abrigam uma rica fauna e flora – a maior biodiversi dade do planeta. 
Na Região Norte também são encontrados, em pequenas áreas, o cerrado, os campos e a vegetação litorânea, em especial os manguezais. Grande parte da diversidade e das características biológicas da região é ainda bastante desconhecida.

Nessa floresta distinguem-se quatro níveis de vegetação, decorrentes de pequenas variações do relevo, do tipo de solo e da proximidade dos rios. 

1. Mata periodicamente inundável sobre diques marginais fluviais;
2. Mata e gramíneas em várzea – terras inundadas (Caa-igapó);
3. Mata de terra firme sobre terraços fluviais;
4. Mata de terra firme sobre colinas.

Conjuntos florestais da Amazônia

Muitas vezes, quando falamos na Amazônia, logo vem à mente a imagem de uma imensa floresta verde, com extensão a “perder de vista”. De fato, a Floresta Amazônica é a principal formação vegetal do bioma amazônico. Sua vegetação é composta de grandes árvores, cujas copas proporcionam certo aspecto homogêneo à paisagem da região.
Entretanto, é importante entender que esse bioma tem características de relevo, solos, cursos de água, clima e de espécies de fauna e flora que dão origem a quatro tipos principais de conjuntos florestais diferentes: as matas de igapó, as matas de várzea, a floresta de terra firme e a floresta semiúmida.

Campos e cerrados amazônicos

Além das áreas florestais, há dois tipos de formações vegetais que se desta cam na área de domínio do bioma amazônico: os campos e os cerrados. Os campos amazônicos, também chamados de campinaramas, ocorrem sobretudo no norte do Amazonas e no sul de Roraima. Em geral, são formações abertas, compostas de gramíneas, palmeiras e peque nos arbustos.  
Os cerrados se desenvolvem no sul do Pará, em Roraima e, sobretudo, no Tocantins, expandindo-se também para o centro do Mato Grosso. Além de gramíneas, nos cerrados há muitos arbustos de médio porte dis tribuídos de forma esparsa pela paisagem. 

Inter-relações entre elementos naturais na Amazônia 

A existência de diferentes paisagens naturais, com formações florestais, cerrados e campos, deve-se a uma complexa inter-relação entre os elemen tos da natureza, sobretudo entre clima, relevo, hidrografia, solos, fauna e flora locais. 

Inter-relações de clima, vegetação e hidrografia 

O tipo de clima predominante na Região Norte é o equatorial. Contudo, para entender melhor as dinâmicas naturais da Amazônia brasileira, é necessário de talhar os aspectos dos climas que atuam nessa região.
De maneira geral, predominam na Amazônia os climas quentes, ou seja, com altas temperaturas médias (em torno de 25 °C), e bastante chuvosos, variando entre 1 500 mm e 3 300 mm anuais de pluviosidade. Há, contudo, algumas diferenças entre esses tipos climáticos que devem ser consideradas: na porção oeste ou ocidental da região, por exemplo, existe uma distribuição mais regular de chuvas entre os meses; já em sua porção central e oriental, há uma estação mais seca e outra mais chuvosa durante o ano. 
Deve-se destacar também que existe uma diferença nos períodos do ano em que ocorrem as estações seca e chuvosa entre a porção norte e sul da Amazônia. Verifique que a estação chuvosa em Boa Vista (RR), localizada na porção norte, ocorre entre abril e setembro, e a seca, de outubro a março; em Porto Velho (RO), por sua vez, a estação chuvosa vai de outubro a março, e a seca, de abril a setembro. Portanto, é a alternância entre estações secas e chuvosas que influencia diretamente as épocas de cheias e de vazantes dos rios da região.
Ainda que se observem diferenças climáticas na Amazônia, um aspecto im portante é que a abundância de chuvas e as altas temperaturas em toda a re gião criam condições favoráveis para o desenvolvimento de formações vegetais exuberantes, com inúmeras espécies vegetais, assim como uma gigantesca diversidade de espécies animais.

Inter-relações dos solos, rios e vegetação 

Além do clima, há aspectos dos solos e da hidrografia da Amazônia que tam bém influenciam as características da floresta. De acordo com estudos realiza dos por especialistas, cerca de 90% dos solos da região amazônica são predo minantemente arenosos e pobres em nutrientes. No entanto, sobre esse solo existe uma camada de matéria orgânica, composta de fezes de animais, folhas, frutos, galhos e troncos em decomposição, entre outros. 
É dessa camada rica em húmus, denominada serrapilheira (ou serapilheira), que praticamente to das as plantas da Floresta Amazônica extraem os nutrientes necessários para sua sobrevivência. De maneira geral, os solos mais férteis da Amazônia encontram-se nas ma tas de igapó e de várzea. Essas áreas recebem, sobretudo na época das cheias, uma grande quantidade de sedimentos e de matéria orgânica trazida pelos cur sos de água e que se deposita sobre os solos. Assim, rios e igarapés têm um papel fundamental na manutenção da vida no bioma amazônico. 
As águas dos rios alcançam largas faixas de terras nas matas de igapó, já que na Bacia Amazônica predomina o relevo relativamente plano. Com mais de sete mil cursos de água principais, a bacia hidrográfica amazônica é a maior do mundo. No leito de seus rios e outros corpos de água corre cerca de 20% de toda a água doce superficial existente na Terra.
No centro da bacia, está o Amazonas, o maior rio em extensão e em volume de água do planeta, com aproximadamente sete mil quilômetros de extensão. Na maior parte da bacia hidrográfica amazônica, em razão do relevo pre dominantemente plano, os rios são caudalosos e repletos de meandros. Esses cursos de água são as principais vias de comunicação e, consequentemente, o transporte hidroviário é o principal meio de deslocamento da população e de mercadorias na região.

Biodiversidade da Amazônia

Além da inter-relação dos elementos físico-naturais, como nos exemplos es tudados nas páginas anteriores, outra particularidade que se destaca no bioma amazônico, sobretudo na Região Norte do Brasil, é sua grande biodiversidade. 
Aqui se entende por biodiversidade ou diversidade biológica a variedade de espécies da fauna, flora e microrganismos e suas respectivas funções em um ecossistema. Até o momento, os especialistas conhecem cerca de 150 mil espécies de seres vivos na Amazônia. Contudo, acredita-se que esse número não representa nem a metade das espécies existentes, havendo muitas outras ainda desconhecidas e não catalogadas pela ciência. 
Entre os seres vivos conhecidos, há aproximadamente 40 mil espécies de vegetais, 1 300 de aves, 1 400 de peixes e 300 de mamíferos, sem contar as dezenas de milhares de espécies de insetos e microrganismos. Calcula-se que 80% desses seres vivos sejam endêmicos, ou seja, vivem exclusivamente nesse bioma e em nenhuma outra parte do planeta. 
Muitos cientistas têm alertado para o fato de que podemos acabar não conhe cendo toda a riqueza do bioma amazônico em virtude do intenso processo de ocupação e de destruição desse ambiente, observado sobretudo nas últimas décadas. 

Atividades econômicas

Por muito tempo, o extrativismo foi a única fonte de renda de grande parte da população da região, e ainda é a atividade que envolve a maioria dos habi tantes da floresta. Apesar disso, a indústria e, sobretudo, a agropecuária têm se ampliado nas últimas décadas.

Extrativismo 

Antes da chegada dos colonizadores, os povos indígenas da região já extraíam da floresta o necessário para sua sobrevivência. A atividade desses povos era sustentável, isto é, não gerava impactos ambientais relevantes. 
Pos teriormente, os portugueses viram nessa atividade a possibilidade de comercia lização e enriquecimento, o que deu origem a processos de grandes impactos ambientais na região. Atualmente, o grande desafio é promover a exploração das riquezas naturais da floresta de forma sustentável, preservando o equilíbrio ambiental para seu aproveitamento pelas gerações futuras. 
Uma iniciativa importante para quem vive da atividade extrativista é a organização dos trabalhadores em cooperativas. Nelas, povos da floresta aprendem a retirar o sustento do meio ambiente respeitando-o. É o conceito de extrativismo que mantém a “floresta em pé”. 
No sistema cooperativista, as pessoas trabalham de maneira integrada, organizando a coleta e a venda dos produtos em feiras locais. Dependendo do desenvolvimento da atividade, podem formar uma agroindústria dos produtos coletados e, assim, dividir o lucro e melhorar a qualidade de vida dos cooperados. 
Ainda hoje o extrativismo vegetal é uma importante atividade econômica na região, com destaque para os seguintes recursos: castanha-do-pará (usada na produção de alimentos, cosméticos, óleos, remédios), látex (borracha), guaraná, açaí, madeira (móveis, carvão, construção civil) e cupuaçu (sucos, cremes, geleia, doces, sorvetes), entre outros. 
O extrativismo animal na Região Norte é representado sobretudo pela pesca. Os rios da Bacia Amazônica têm grande variedade de peixes que servem de alimento para a população. 
Por questões ambientais, a pesca na região é controlada e monitorada por órgãos governamentais. Essa atividade extrati vista ocorre praticamente em toda a região, pois é fonte de alimento para a população ribeirinha. Atualmente, muitas empresas nacionais e internacionais operam na exploração mineral do Norte do país, pois é grande a quantidade de minerais no subsolo amazônico.

Implantação das atividades mineradoras e industriais 

Na década de 1970, foram descobertas na Região Norte importantes jazidas minerais de ferro, cobre, manganês, ouro, cassiterita, entre outros. Com isso, a Sudam estimulou a implantação de projetos de extração em escala industrial, como o Projeto Grande Carajás, na Serra dos Carajás, no Pará. Esse projeto envolveu a construção da infraestrutura necessária para a exploração da maior jazida de minério de ferro do mundo: rodovias de acesso, alojamentos de ope rários, hidrelétrica para o fornecimento de energia e ferrovia para o escoamento da produção.
O Programa Grande Carajás (PGC), implantado na década de 1980, é um dos maiores projetos de ocupação econômica da Região Norte. Está localizado no estado do Pará, em uma área de 900 mil quilômetros quadrados – conside rada a maior “província mineral” da Terra. A área mineralógica é fundamental para a região porque possui diversos recursos, como grandes e variadas jazidas minerais de ferro, manganês, bauxita, cobre e outros.
Além da extração, a Sudam passou a financiar a construção de indústrias de transformação de minérios, por exemplo, o polo siderúrgico da Albras/Alunorte no município de Barcarena, tam bém no Pará, que transforma a bauxita extraída na região em alumínio, matéria-prima exporta da para todo o país e o exterior. 
A implantação de atividades mineradoras como essa na Região Norte transformou o Brasil em um dos maiores produto res mundiais de ferro, bauxita e ouro. Entre os grandes compradores da maior parte desses minérios estão, ainda hoje, países da Europa, os Estados Unidos, a China e o Japão. 
Outra ação de destaque da Sudam foi a criação do Polo In dustrial de Manaus (PIM), área fabril localizada na periferia da capital amazonense. Em pleno “coração” da Floresta Amazônica, foram instaladas dezenas de em presas nacionais e multinacionais que produzem desde artigos eletroeletrônicos e motocicletas até insumos químicos. No ano de 2020, o PIM reunia cerca de 500 empresas e gerava aproximada mente meio milhão de empregos diretos e indiretos.
Contudo, a intensa exploração dos recursos na Região Norte tem levado ao esgotamento das reservas, como é o caso da exploração do minério de manga nês na Serra do Navio (AP). Além disso, observa-se diversos impactos ambien tais ligados às atividades minerais. 
Um dos casos mais significativos ocorre com a exploração de ouro feita, em certos casos, de forma ilegal. Ela ocasiona gran des danos ambientais. Alguns deles surgem pelo uso de mercúrio, elemento líquido que ajuda na coleta e separação do ouro. 
Ele causa poluição hídrica e contamina os peixes, um dos principais alimentos consumidos pela população local. Destaca-se também na região a extração de minerais fósseis – como o petróleo e o gás natural – na Amazônia, nas proximidades do Rio Urucu (Campo de Urucu), no estado do Amazonas.

Agropecuária 

Na Região Norte é comum a agricultura de subsistência, praticada sobretudo pela população ribeirinha nas várzeas dos rios, cujo solo recebe matéria orgânica quando ocor rem as cheias. Os principais produtos cultivados são cana-de-açúcar, arroz e banana. 
Na agricultura comercial, destacam-se a cultura da pimenta-do-reino, da mandioca, do arroz, do feijão, da soja e do cacau. A fruticultura, com des taque para o cultivo de banana, merece destaque na região. Ao longo da história da Região Norte, muitos projetos agropecuários fra cassaram. Além de causar profundos impactos ambientais, eles acabaram contribuindo para o aumento de conflitos rurais – a região concentra o maior número de conflitos por terras do país. 
Nos estados do Pará, Tocantins, Acre e Rondônia predomina a criação extensiva de gado bovino para corte. Grandes áreas de floresta foram derru badas para o plantio do pasto destinado à criação extensiva de gado, em espe cial em Rondônia e no Pará. Segundo estudos, a maior parte da área desmatada da região é ocupada pela pecuária. 
Nas últimas décadas, tem ocorrido na região um aumento da ocupação de terras para pecuária extensiva. A “terra limpa” pela pecuária e pela extração madeireira, aliada ao relevo mais aplainado e aos baixos custos das terras e da produção, atraiu muitos empresários do ramo da soja vindos do Sul e do Sudeste. 
Há um enorme potencial de expansão da agricultura mecanizada de grãos – com destaque para soja e milho – nas áreas onde o relevo e os solos são mais favoráveis, o que põe em risco uma área considerável da floresta.

Indústria 

Na Região Norte, o maior destaque do setor industrial é a Zona Franca de Manaus, criada pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), entre os anos de 1967 e 1972, com o objetivo de incrementar a atividade industrial na região. O plano do governo de ocupação e desenvolvimento econômico da região oferecia às empresas facilidades e incentivos fiscais por meio da isenção da taxação de impostos.
A iniciativa atraiu muitos investimentos. Hoje, estão fixadas na cidade mais de 500 empresas de diversas atividades. O governo prorrogou o prazo de isen ção de impostos para 2073. Atualmente, o Polo Industrial de Manaus tem importante participação no PIB da região, empregando, de forma direta, mais de 100 mil pessoas. 
As principais indústrias são as de eletroeletrônicos (televisores, computadores, celula res, aparelhos de som etc.), além das montadoras de motocicletas. Entretanto, a capital do Amazonas não é a única cidade com produção industrial: Belém, capital do Pará, também é um centro industrial importante na região.

Região Norte: última fronteira econômica

Até os anos 1950, a circulação de pessoas e de mercadorias na Região Norte era feita, integralmente, por meio de sua ampla rede hidrográfica. Com a instalação do governo militar no Brasil (1964-1985), foi colocado em prática um plano de incorporação efetiva que pretendia transformar a Amazônia em uma região economicamente produtiva integrada ao restante do país. Para tanto, foi estabeleci do o chamado Plano de Integração Nacional (PIN), que visava, entre outros pontos:
- à construção de rodovias que interligas sem o Norte às demais regiões, principalmente ao Sul e ao Sudeste; 
- à implantação de projetos de colonização agrícola, com a distribuição ou a venda a baixo custo de pequenas, médias e grandes propriedades rurais; 
- à criação de polos de desenvolvimen to industrial e de extração mineral em meio à floresta. 
Para executar o PIN, o governo federal criou a Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Esse órgão governamental foi res ponsável por viabilizar a implantação dos projetos de colonização e exploração agropecuária e mineral e dos polos de desenvolvimento da Amazônia, como a Zona Franca de Manaus, local para onde a instalação de empresas nacionais e estrangeiras era estimulada devido à isenção de impostos, na periferia da capital amazonense, em plena Floresta Amazônica. Além disso, linhas de crédito foram aprovadas pelo governo por meio do Banco da Amazônia, com baixas taxas de juros, para financiar obras públicas e o estabelecimento de empresas na Região Norte.

Norte: integração pelas rodovias 

A construção de rodovias foi uma das primeiras ações do governo federal, que buscava integrar o Norte às demais regiões brasileiras. Entre as décadas de 1960 e 1980, foram construídas as rodovias Cuiabá-Porto Velho e Cuiabá-Santarém e reestruturada a Belém-Brasília (iniciada nos anos 1950), exemplos dos chamados eixos de integração no sentido sul-norte. 
O governo também projetou vias de penetração no sentido leste-oeste, como as rodovias Transamazônica e Perimetral Norte, que percorreriam, respectivamente, as margens direita e es querda do Rio Amazonas. Contudo, destas últimas, somente a Transamazônica foi parcialmente concluída, ligando o Maranhão ao estado do Amazonas. 

Avanço das atividades florestais e agropecuárias 

A fim de promover o desenvolvimento das atividades florestais e agro pecuárias na região amazônica, além da Sudam, o governo federal criou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para estabe lecer as diferentes modalidades de ocupação. A maioria delas iniciou-se na década de 1970, sendo implantadas próximas aos grandes eixos rodoviários que rasgavam a floresta. As três principais modalidades de ocupação são:
- agrovilas, núcleos urbano-rurais criados para assentar famílias de migran tes, sobretudo nordestinos, nos estados do Amazonas, Pará e Rondônia. Cada família recebia uma casa e uma pequena área de terra onde plantava produtos de subsistência (milho, mandioca, feijão etc.); 
- propriedades médias rurais, áreas de terras vendidas para empresas de co lonização que visavam, prioritariamente, atrair migrantes sulistas, como paulis tas, paranaenses, gaúchos e catarinenses. As principais áreas de implantação se localizavam nos estados de Rondônia, Tocantins e no norte de Mato Grosso; Agrovilas: 
- grandes propriedades empresariais, imensas extensões de terras públicas vendidas a baixíssimos preços para empresas nacionais e estrangeiras, que buscavam desenvolver atividades ligadas principalmente à extração de madeira nativa e de reflorestamento e à pecuária extensiva.

Agrovilas: um projeto que não prosperou

Entre os objetivos do Plano de Integração Nacional (PIN) esteve o programa de coloniza ção da Região Norte, o qual promoveu a vinda de migrantes do Nordeste e demais regiões brasileiras. Especificamente no trecho da ro dovia Transamazônica, entre os municípios de Altamira e Itaituba, no Pará, foram estabeleci das as chamadas agrovilas. Em áreas de apro ximadamente 100 hectares, eram implantados entre 48 e 64 lotes urbanos para abrigar os colonos assentados. Estes também recebiam lotes rurais, para terem criação e lavoura. 
Além das residências, cada agrovila deveria contar com escolas, posto médico, centro de lazer, entre outros. Ainda que bem elaborado, o pla no governamental não prosperou, pois muitas famílias não se adaptaram a vida em meio à floresta e ao isolamento, deixando posterior mente a região. A primeira agrovila, batizada de Medicilândia (PA), é um dos poucos centros ur banos existentes na região atualmente.

População da Região Norte 

A Região Norte abrange sete estados. Nela concentram-se mais de 18,9 milhões de pessoas (segundo estimativa do IBGE, em 2021). Como se trata de uma região de grande extensão territorial, dominada por densas florestas, há áreas com baixa densidade demográfica.
A maior densidade demográfica é registrada em Manaus e nas proximidades, área localizada no vale do curso médio do Rio Amazonas. Outro alto adensamento popu lacional ocorre na Região Metropolitana de Belém, onde desemboca o Rio Pará. Em média, a Região Norte tem 4 hab./km2. 
Nas proximidades dos rios concentra-se a população ribeirinha, que os utiliza amplamente para transporte e obtenção de alimentos. Aproximadamente 75% da população reside em cidades, em uma região que tem cerca de 450 municípios.
A Região Norte tem dez regiões metropolitanas (dados de 2020): Manaus (AM), Belém (PA), Santarém (PA), Palmas (TO), Gurupi (TO), Macapá (AP), Porto Velho (RO), Capital (RR), Central (RR) e Sul do Estado (RR). 
Nas regiões metropolitanas de Manaus, Belém e Macapá há maior concentração de pessoas e ocorre o desenvolvimento de atividades ligadas aos setores secundário e terciário.
Assim como em outras regiões do país, no Norte há uma expressiva popu lação de imigrantes, além de descendentes de indígenas nativos. Tal como ocorreu com os portugueses – os primeiros colonizadores da região –, houve grande imigração de japoneses. Eles aportaram nas proximidades de Belém, no início do século XX, onde passaram a cultivar pimenta-do-reino e, posterior mente, frutas. 
Os africanos e afrodescendentes estabeleceram-se, sobretudo, nas áreas litorâneas dos estados do Amapá e Pará. 
Há grande população de pardos com ascendência indígena e de brancos europeus. Todas essas etnias têm presença marcante na composição da população da Região Norte. 

Urbanização da Região Norte 

O Norte é a região geográfica brasileira com as menores densidades demográficas. Entretanto, cabe ressaltar que, nas últimas décadas, tem ocorrido um acelerado crescimento de sua população: enquanto a média de crescimento populacional brasileiro foi, no início da década de 2020, de 0,8% ao ano, o índice do Norte foi de aproximadamente 1,6% ao ano, o maior entre as regiões brasileiras. 
Outro recorde de crescimento da região está relacionado à taxa de urbanização, que saltou de 35%, no final da década de 1960, para os atuais 77%. Contudo, diferentemente do que vem ocorrendo com as demais regiões geográficas – em que há concentração da população em cidades de médio e grande porte (com população entre 100 mil e 1 milhão de habitantes ou mais) –, na Região Norte as taxas de urbanização são maiores nas cidades pequenas, com até 50 mil habitantes. As exceções são alguns centros urbanos regionais, na maioria capitais de estado, como Porto Velho, em
Rondônia (cerca de 500 mil habitantes), e Palmas, no Tocantins (cerca de 300 mil habitantes). Existem ainda as duas grandes metrópoles da Amazônia, Belém (Pará) e Manaus (Amazonas), cidades que abrigam, respectivamente, 1,5 milhão e 2 milhões de habitantes aproximadamente.

Problemas urbanos da Região Norte 

O rápido crescimento da população urbana na Região Norte deve-se, em grande parte, aos seguintes fatores:  
- fracasso dos projetos voltados ao assentamento de agricultores em pequenas propriedades rurais; 
- desapropriação de extensas áreas de terras do governo federal para a implantação de grandes projetos e obras de infraestrutura, como estradas e hidrelétricas;  
- expansão das grandes fazendas, da grilagem de terras e de áreas de garimpo, levando à expulsão das populações tradicionais, como posseiros, ribeirinhos e indígenas de seus lugares de origem, obrigando-as a migrar para os centros urbanos. 
Ao chegarem às cidades, a maioria desses migrantes acaba indo morar em locais sem infraestrutura adequada para abrigá-los, por exemplo, ruas sem calçamento e bairros sem sistema de distribuição de água ou de coleta de esgoto. Além disso, nessas cidades não existem moradias e empregos suficientes, o que contribui enormemente para a expansão da miséria e da existência de bairros carentes.

Impactos na Amazônia e na biosfera

Nas últimas décadas, o processo de ocupação da Região Norte, e mais amplamente da Amazônia, foi baseado na implantação de diversos projetos econômicos que visavam à exploração de recursos naturais e à colonização de terras. Esse processo tem provocado, desde então, o desmatamento ou desflorestamento de extensas áreas para a extração de madeira da floresta nativa e a formação de pastos para a criação de gado bovino e o estabelecimento de lavouras, sobretudo de soja. 
O desflorestamento e a introdução de áreas de pastos e de plantações têm impactado diretamente nas atividades extrativas tradicionais no interior, por exemplo, dos territórios indígenas, bem como nos seringais e castanhais, já que destroem os ecossistemas da região. Além disso, o avanço das grandes proprie dades com atividades agropecuárias e madeireiras sobre áreas indígenas e o processo de grilagem de terras têm desestruturado as formas de subsistência e a cultura de centenas de comunidades tradicionais da Amazônia. Tal fato provocou, nas últimas décadas, um intenso movimento migratório para os centros urbanos da Região Norte.

Comunidades tradicionais da Amazônia 

Além dos povos indígenas originários, a Região Norte recebeu, entre a se gunda metade do século XIX e início do século XX, intensos fluxos migratórios de camponeses provenientes, sobretudo, da Região Nordeste. 
Assim, há mais de um século, convivem em meio ao bioma amazônico co munidades indígenas, de ribeirinhos e de quilombolas, que trabalham, por exemplo, como seringueiros, castanheiros e açaizeiros. Esses habitantes desenvolvem, além do extrativismo vegetal, a caça, a pesca e uma pequena agricultura de roçado, gerando recursos para milhares de famílias, com um baixo impacto no meio ambiente regional. 
Outro grupo que se constituiu com a chegada de trabalhadores nordestinos foram os posseiros, agricultores que se instalaram em terras sem uso do governo federal ou mesmo em fazendas improdutivas, desenvolvendo uma agricultura de subsistência, ou seja, produzindo basicamente alimentos para suas famílias. 
Calcula-se que existam atualmente milhares de famílias de pos seiros em toda a Região Norte e na Amazônia de maneira geral, vivendo e pro duzindo sem ter a propriedade da terra.
 
Saberes tradicionais em risco 

Como resultado do processo de ocupação do Norte e da Amazônia, é possível afirmar que existe na região uma grande diversidade sociocultural. Nela convivem cerca de 180 povos indígenas, totalizando aproximadamente 250 mil pessoas, 357 comunidades quilombolas e milhares de comunidades de seringueiros, ribeirinhos, castanheiros, açaizeiros, babaçueiros etc. 
Todos esses povos e comunidades detêm um amplo conhecimento dos fenômenos naturais e da biodiversidade existente nesse bioma. Contudo, os projetos econômicos de ocupação vêm ameaçando o domínio dessas comunidades sobre esses saberes. 
Isso ocorre porque, além de suas terras serem ameaçadas por madeireiros, garimpeiros e fazendeiros, esses povos têm sido vítimas de outra forma de fraude: o roubo de seus conhecimentos práticos a respeito da fauna e da flora amazônicas por universidades e empresas, sobre tudo aquelas dos ramos químico e farmacêutico. Essa prática é conhecida como biopirataria.

REGIÃO NORDESTE

1- Diversidade territorial nordestina


A Região Nordeste apresenta um mosaico de paisagens diferenciadas que se destacam pelos contrastes de regiões de clima chuvoso e com densa vegetação de florestas até regiões de clima seco e com a presença de savanas-estépicas, de grandes metrópoles, com densidades demográficas acima dos 200 habitantes por km² até áreas rurais e reservas naturais com menos de 1 habitante por km². 

Diversidade natural 


Em relação aos aspectos naturais, os contrastes observados no Nordeste refe rem-se, sobretudo, às características dos tipos de clima e de vegetação da região. 
Na Região Nordeste predominam quase todos os tipos climáticos brasileiros, à exceção do clima subtropical. O clima tropical úmido é encontrado na faixa litorânea oriental; o semiárido e o tropical típico na zona interiorana central; e o equatorial na porção ocidental do estado do Maranhão. Essa diversidade climática é acompanhada por uma variedade de formas de vegetação, a qual apresenta áreas dominadas por florestas tropicais (Amazônia e Mata Atlântica), pela Caatinga, pelo Cerrado e por uma formação de transição denominada Mata dos Cocais.

População e sub-regiões do Nordeste 


No que se refere ao aspecto humano, há na Região Nordeste um forte contraste em relação à distribuição populacional. Ela é caracterizada pela concentração de ha bitantes em algumas áreas extremamente urbanizadas do litoral, sobretudo no en torno das capitais, enquanto áreas do inte rior, como as sub-regiões do Meio-Norte e do Sertão, encontram-se pouco povoadas. Observe o mapa ao lado. Com base nesses contrastes popu lacionais e também na diversidade dos aspectos ambientais, o Nordeste pode ser dividido em quatro sub-regiões distintas: a Zona da Mata, o Agreste, o Meio-Norte e o Sertão.

Sertão nordestino 


O Sertão é a mais extensa das sub-regiões nordestinas, compreendendo aproximadamente 60% do território. Essa imensa área é dominada pelos re levos de planaltos e de depressões, entremeados por serras e chapadas, com altitudes médias de cerca de 500 metros. Nessa sub-região predomina o clima semiárido, que se caracteriza por tem peraturas elevadas (entre 24 °C e 28 °C) e duas estações bem definidas durante o ano: uma seca e outra chuvosa. 
As chuvas concentram-se em três ou quatro meses, com uma pluviosidade média de 750 mm anuais. Porém, em algumas áreas sertanejas, pode chover menos de 500 mm ao ano. Essa característica cli mática influencia diretamente na disponibilidade de recursos hídricos na sub-re gião, com a existência de alguns rios permanentes e muitos outros temporários, ou seja, cursos de água que secam parcial ou totalmente durante as estiagens. Em interação com essas características climáticas e hídricas, desenvolve-se no Sertão o bioma da Caatinga. 
Nesse ambiente, há o predomínio de uma vege tação formada por arbustos lenhosos de porte variado e plantas espinhosas, a exemplo dos cactos, como o mandacaru e o xique-xique. As fotografias a seguir mostram paisagens da Caatinga em dois momentos durante o ano: na estação chuvosa e na estação seca.

Fenômeno das secas 


Existem ocasiões em que o período de estiagem, ou seja, sem chuvas, pro longa-se por mais de um ano, dando origem ao chamado fenômeno das secas. Essa ocorrência natural está presente na vida das populações do interior da Região Nordeste há séculos. Os primeiros registros de estiagens extremas datam do século XVI. 
Com inter valos irregulares, longos períodos sem chuva (de até três anos contínuos) atin gem, sobretudo, a sub-região do Sertão. Essa situação decorre das mudanças sazonais na circulação geral dos ventos atmosféricos por conta, principalmente, da atuação do fenômeno chamado El Niño. 

Secas, perda da terra e migrações 


Durante o século XX, o Sertão foi a sub-região de origem de intensos fluxos migratórios. Além das fortes secas ocorridas, foram causas das migrações o pro cesso de perda da terra por milhares de camponeses e o empobrecimento da população. Tais fatores foram determinantes no desencadeamento de grandes ondas emigratórias, que acabaram se destacando historicamente na dinâmica populacional brasileira.
Muitos brasileiros saíram do Nordeste, sobretudo entre as décadas de 1940 e 1980, em busca de melhores oportunidades de trabalho e melhores condições de vida em outras regiões do Brasil, principalmente a Amazônia, a Região Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro) e o Distrito Federal, por oca sião da construção de Brasília.

Economia sertaneja 


A economia do Sertão nordestino baseia-se na agropecuária, atividade que sofre diretamente com os impactos das condições climáticas, sobretudo na época das estiagens. A pecuária bovina é a principal atividade econômica do Sertão. 
Em geral, essa atividade é praticada na forma extensiva, em grandes lati fúndios, mas também em pequenas propriedades, nas quais o rebanho é pouco numeroso. Além da bovi nocultura, destaca-se a criação de caprinos, que são mais resistentes ao clima semiárido. Em todo o Nordeste, os caprinos somam cerca de oito milhões de cabeças, constituin do o maior rebanho do país. 
Em todo o Sertão, desenvolve-se a agricultura de subsistência, pra ticada, basicamente, em pequenas propriedades rurais por meio da utilização de técnicas tradicionais e de mão de obra familiar. Algumas áreas, como as encostas das serras e os vales fluviais, apresentam maior umidade, sendo, portanto, mais favoráveis à prática agrícola. 
Nessas áreas, também co nhecidas como brejos, destacam-se lavouras como as de milho, feijão, arroz e mandioca. Entre as lavouras comerciais, encontram-se as culturas do algodão arbóreo, destinado principalmente às indústrias, e da soja irrigada (no oeste da Bahia), cuja produção atende, sobretudo, ao mercado externo.

2- Nordeste: sub-regiões e desenvolvimento econômico


Vamos analisar as principais características ambientais e socioeconômicas das demais sub-regiões nordestinas: a Zona da Mata, o Agreste e o Meio-Norte. Este será o ponto de partida para compreen dermos que, embora seja uma região com graves problemas sociais, nos últimos anos o Nordeste tem apresentado uma forte tendência de crescimento econômico e de melhoria da qualidade de vida da população.

Zona da Mata e Agreste


A sub-região da Zona da Mata ocupa a parte leste do Nordeste, área domi nada pelo clima tropical úmido (quente e chuvoso). A pluviosidade é elevada (1 800 mm a 2 000 mm anuais), com temperaturas médias anuais altas, varian do entre 24 °C e 26 °C. 
Esse ambiente quente e úmido favoreceu o desenvolvimento da floresta tro pical, também denominada Mata Atlântica, vegetação exuberante e com grande diversidade de espécies de fauna e flora. Originalmente, a floresta ocupava gran de parte dessa sub-região, que, por isso, passou a ser chamada de Zona da Mata. 
Contudo, desde a ocupação pelos europeus, há mais de cinco séculos, exten sas áreas de florestas foram derrubadas, dando lugar a plantações, sobretudo de cana-de-açúcar e cacau, e a dezenas de cidades. Além disso, atualmente as queimadas e os desmatamentos ilegais contribuem para a devastação do que restou dessa floresta.
Partindo do litoral em direção ao interior da Região Nordeste, o clima vai se tornando mais seco. Essa mudança climática dá origem a uma faixa de transição denominada Agreste, sub-região que se estende entre a Zona da Mata e o Sertão. Dessa forma, o Agreste apresenta características naturais tanto da Zona da Mata como do Sertão, pois em seus trechos mais úmidos desenvolve-se a Floresta Tropical, enquanto nas áreas mais secas predomina a caatinga, vegetação típica sertaneja.

Zona da Mata e Agreste: aspectos econômicos


Atualmente, a Zona da Mata é a sub-região economicamente mais impor tante do Nordeste. Nela, concentram-se diferentes segmentos da atividade fabril, como indústrias têxteis e alimentícias, agroindústrias (sobretudo usinas de açúcar e álcool), indústrias extrativas minerais, petroquímicas e, mais recentemente, automobilísticas.
As indústrias extrativas são responsá veis pela exploração de cobre, chumbo, tungstênio e cloreto de sódio (sal de cozinha). Também ocorre a extração de petróleo, recurso energético fóssil cuja exploração favoreceu a instalação de grandes indústrias petroquímicas, principalmente na área do Recôncavo Baiano, próxima a Salvador, no estado da Bahia. A existência de um grande mercado consumidor, formado pela população dos principais centros urbanos do Nor deste, contribui de maneira significativa para o desenvolvimento industrial dessa área.
Outro fator que favorece a atividade industrial na Zona da Mata é sua rede de transportes (rodovias, ferrovias, portos e aeroportos), mais bem estruturada do que a das outras sub-regiões, o que facilita o deslocamento de matérias-pri mas e de produtos industrializados para as demais áreas do país e o exterior. 
Além das atividades industriais, na Zona da Mata desenvolvem-se impor tantes atividades econômicas ligadas ao meio rural, predominando os latifúndios monocultores de cana-de-açúcar, fumo e cacau, que atendem ao consumo industrial e ao comércio exterior. Outras culturas importantes são as de frutas tropicais, como manga, mamão, coco--da-baía e caju.
Grande parte dos gêneros alimentí cios básicos que abastecem os grandes centros urbanos da Zona da Mata vem do Agreste. Nessa sub-região, desta cam-se pequenas e médias propriedades rurais policultoras, que produzem principalmente mandioca, feijão, milho e hortaliças, além de criarem gado para o fornecimento de leite e derivados.
O desenvolvimento das atividades agropecuárias no Agreste contribuiu para o crescimento de cidades como Campina Grande (PB), Caruaru e Garanhuns (PE), Arapiraca (AL) e Feira de Santana (BA), que se tornaram polos de comercializa ção e de distribuição de produtos agrícolas. Atualmente, essas cidades também são importantes centros regionais de comércio e de prestação de serviços.

Meio-Norte 


A sub-região do Meio-Norte corresponde a uma área de transição entre o clima semiárido do Sertão e o clima equatorial da Floresta Amazônica, abran gendo o estado do Maranhão e parte do Piauí.

Economia do Meio-Norte 


As atividades econômicas predominantes no Meio-Norte são ligadas ao campo. A atividade extrativa vegetal é praticada em grande parte dessa região, sobretudo na Mata dos Cocais, onde são exploradas duas espécies de palmei ras: o babaçu e a carnaúba. Com base em técnicas de exploração tradicionais, essa coleta constitui a principal fonte de renda para muitos trabalhadores. Na região da Mata dos Cocais, também é comum a criação extensiva de gado bovino. 
Nas margens dos principais rios do Meio-Norte, onde os solos são mais úmidos, desenvolvem-se grandes plantações de arroz de várzea, no Piauí e no Maranhão, sendo este último estado um dos maiores produtores do país. Nas áreas mais secas, são cultivadas lavouras de mandioca, milho e algodão. 
Além dessas lavouras, há cerca de três décadas a cultura de soja vem sendo praticada em diversos municípios localizados no Meio-Norte, sobretudo nas áreas de Cerrado, como no sul do Maranhão e em parte do Piauí e no sertão baiano. Essa região foi recentemente denominada pela sigla Matopiba, como veremos mais adiante. 
A criação do Complexo Portuário e Industrial de São Luís, no Maranhão, que congrega os portos do Itaqui e da Madeira, também tem colaborado para im pulsionar o crescimento dessa sub-região nordestina. Esses portos são funda mentais para as exportações agrícolas e o embarque de minério de ferro, cobre e manganês extraídos da Serra dos Carajás, no Pará.

Desigualdades sociais e crescimento econômico nordestino


Ainda que o Nordeste apresente alguns dos índices de qualidade de vida mais baixos do país, sobretudo nas áreas rurais, verifica-se nos últimos anos um ritmo de crescimento da economia mais intenso nessa região do que nas demais, como apontam as notícias acima. Isso tem se refletido na melhoria de alguns indicadores socioeconômicos importantes, como o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). 
O IDHM é um indicador que avalia com maior fidelidade as condições em que vivem os habitantes de um município. Para calcular o IDHM são utilizados os seguintes índices em relação à população do município: 
- a expectativa de vida, ou seja, o número de anos que os habitantes po derão viver, levando-se em consideração as taxas de mortalidade locais; 
- o nível de escolaridade, que se refere ao número médio de anos de estudo da população adulta; 
- a renda média dos trabalhadores, que possibilita determinado nível de consumo de bens e serviços.

Frentes do crescimento nordestino: indústria e geração de energia 


É possível afirmar que a melhoria do IDHM em boa parte do Nordeste se deve às significativas modificações ocorridas nos últimos anos em sua economia. De maneira geral, nas primeiras décadas do século XXI, a região destacava-se no panorama financeiro nacional, apresentando crescimento econômico acima da média brasileira. Sua população tinha alto potencial de consumo, apesar da forte concentração de renda. 
Por isso, o Nordeste tem sido chamado por alguns especialistas de “China brasileira”, em uma comparação às atuais características socioeconômicas da potência econômica asiática. Durante a década de 2010, foram feitos grandes investimentos em diversos setores da economia nordestina. No setor industrial, além do crescimento das próprias empresas, muitas fábricas de outras partes do país, sobretudo do Sul-Sudeste, estão mudando para a região ou abrindo filiais no Nordeste. 
Estão sendo atraídas indústrias dos mais diversos setores, como alimentício, calçadista, de vestuário e até mesmo automobilístico e de informática. Essas empresas são estimuladas, principalmente, pelo menor custo da mão de obra e pelos benefícios que vários governos estaduais estão concedendo, como a redução e até mesmo a isenção de impostos. Outro estímulo para a instalação de empresas é a posição geográfica do Nordeste em relação a alguns merca dos de exportação.

Potencial turístico do Nordeste 


Outro setor que demonstra grande potencial de desenvolvimento na região é o turismo, que cresceu consideravelmente nos últimos anos e apresenta pers pectivas promissoras para a economia nordestina. A grande quantidade de cidades litorâneas com belas praias e o inves timento da maioria dos estados na construção de complexos hoteleiros, parques aquáticos e polos de ecotu rismo contribuem de maneira deci- siva para o desenvolvimento do setor. Esse crescimento, entretanto, favorece também a especulação imo biliária, que, em muitos casos, ame aça a preservação de importantes ecossistemas da região.
Além das belezas naturais, a cultura nordestina atrai muitos turistas, tanto brasileiros como estrangeiros. Em cada estado há danças, canções e ritmos pró prios, hábitos seculares preservados, artesanatos e comidas tradicionais, entre outros aspectos, que fascinam visitantes de várias partes do Brasil e do mundo. As Festas Juninas em Campina Grande (PB) e em Caruaru (PE), por exemplo, são as mais populares do país, e o Carnaval é o evento que mais atrai turistas, principalmente para Salvador (BA),  Recife (PE) e Olinda (PE). Cada uma dessas cidades chega a receber mais de 1 milhão de turistas durante a folia carnavalesca.

Matopiba: nova fronteira agrícola 


No espaço rural nordestino, merece destaque o crescimento agrícola ocor rido em áreas do Sertão. A introdução de projetos de irrigação viabilizou o avanço de uma moderna agricultura fruticultora para exportação, proporcio nando a obtenção de elevados índices de produtividade. Atualmente, estão sendo colhidas grandes safras, sobretudo de cebola, tomate, frutas tropicais (maracujá, manga, melão) e uva. Além disso, na última década, extensas áreas, como o oeste da Bahia e o sul do Maranhão e do Piauí, junto com o norte do Tocantins, estão sendo ocupadas por plantações de soja, algodão e milho, mediante a correção dos solos do Cerrado. É a região agrícola chamada pelo Ministério da Agricultura de Matopiba, sigla que utiliza as sílabas iniciais de cada um dos estados onde está localizada. 

Números do Matopiba 


Essa região, que se configura como uma das últimas fronteiras agrícolas do mundo, é constituída por: 
• 337 municípios dos quatro estados; 
• 5,9 milhões de habitantes; 
• 73 milhões de hectares ao todo; 
• 13 milhões de hectares so mente no oeste baiano. Além disso, a previsão da safra de 2024 é de 24 milhões de toneladas.




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