terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

As águas continentais na América

Comparada a outras regiões do mundo, a Améri ca se encontra em uma situação relativamente con fortável no que se refere à disponibilidade de água. No entanto, não se trata de um recurso acessível a todos e, mesmo em áreas onde há disponibilidade, muitas pessoas não têm acesso a água tratada, so bretudo na América Latina.
Além de o acesso a água tratada não ser garantido a muitas pessoas, a polui ção de rios e lagos tem comprometido cada vez mais a qualidade das águas superficiais, gerando uma pressão maior nas grandes reservas de águas subterrâneas, como os lençóis freáticos e os aquíferos – formações rochosas nas quais a água se infiltra, se acumula e se movimenta.
Para fazer frente a essa realidade, em 1997, o Brasil criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), um instrumento de gestão dos recursos hídricos no país. O SINGREH, por meio da Política Nacional de Re cursos Hídricos e do Plano Nacional de Recursos Hídricos, desenvolve projetos de recuperação de bacias hidrográficas, gestão compartilhada de bacias e pro cedimentos para cobrança pelo uso da água retirada de fontes subterrâneas ou superficiais. A Agência Nacional de Águas (ANA), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que responde pela implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos.
Para tomar decisões que orientam projetos em bacias hidrográficas e cobran ça pelo uso dos recursos hídricos, por exemplo, são criados Comitês de Bacias Hidrográficas. Esses comitês contam com a participação de usuários, da socie dade civil organizada e de representantes de governos municipais, estaduais e federal. São usuários das bacias aqueles que captam água das fontes superficiais ou subterrâneas, os que lançam efluentes nos rios, os que fazem uso da irrigação, as empresas de saneamento básico e de distribuição de água, indústrias, minera doras e aquicultores (criadores de peixes), entre outros.
Segundo a ANA, cerca de 40% dos municípios brasileiros são totalmente abastecidos por águas subterrâneas.
O aquífero Guarani se estende pelo subsolo de alguns dos países do Merco sul, mas a maior parte se concentra no Brasil: 71%. O restante de sua área está distribuído da seguinte forma: 19% na Argentina (nesse país, os limites e as ca racterísticas do aquífero ainda são pouco conhecidos), 6% no Paraguai e 4% no Uruguai. Em razão desse compartilhamento, foi criado em 2003 o Projeto Aquífe ro Guarani, objetivando uma gestão conjunta desses países do Mercosul com a finalidade de manter a qualidade do aquífero. O projeto determina que os quatro países devem explorar o aquífero de modo sustentável, dentro de certos limites que possibilitem a recarga natural, além de serem responsáveis pelo controle da contaminação para reduzir a poluição.
A principal ameaça às águas subterrâneas é a poluição decorrente do uso de produtos químicos na agricultura, de vazamentos em redes de esgoto e de lixões e aterros sanitários instalados de forma inadequada. Essas formas de degradação atingem os aquíferos nos trechos em que a água da chuva se infiltra e abastece a reserva subterrânea. Esses trechos, em geral, são os afloramentos.

Rios extensos que formam grandes bacias hidrográficas 

Nas Américas do Norte e do Sul há rios bastante extensos, que formam grandes bacias hidrográficas. No entanto, em muitos países a água está mal distribuí da, uma vez que existem também extensas áreas de clima seco. A América Central não apresenta rios de grande extensão. 
A porção central de seu trecho continental é constituída de montanhas, onde se situam nascentes de rios que percorrem um pequeno trajeto até desaguarem no oceano Pacífico ou no oceano Atlântico. A situação é mais dramática nos países insulares, ameaçados por uma carência crônica de água.
As nascentes de rios localizam-se nas regiões mais elevadas do relevo (planaltos, montanhas, cordilheiras), às quais se dá o nome de centros dispersores de águas. 
Entre os centros dispersores de águas do continente americano destacam-se as Montanhas Rochosas, o planalto Canadense, os montes Apalaches, a cordilheira dos Andes, os planaltos Norte-Amazônicos, o planalto dos Parecis, os planaltos e serras de Goiás-Minas e os planaltos e serras do Atlântico. Essas elevações apre sentam declives que orientam as direções dos rios. Esses declives são chamados vertentes. Para conhecer melhor as demais bacias hidrográficas do continente americano, optamos por agrupá-las de acordo com as vertentes que determinam suas direções.

A vertente Ártica 

Os centros dispersores dos rios da vertente Ártica são as Montanhas Rochosas e o planalto Canadense. Entre esses rios, destaca-se o Mackenzie, maior rio do Canadá, que nasce no Grande Lago do Escravo e deságua no oceano glacial Ártico, após percorrer 4.600 quilômetros de extensão. As águas do Mackenzie, bem como as da maioria dos rios dessa vertente, permanecem congeladas durante grande parte do ano.

A vertente do Atlântico Norte o rio São Lourenço e os Grandes Lagos

O rio São Lourenço, cujo centro dispersor são os Apalaches, é o principal rio da vertente do Atlântico Norte. Esse rio interliga o oceano Atlântico (litoral canadense) à região dos Grandes Lagos (lagos Superior, Huron, Michigan, Erie e Ontário), localizada no interior da América do Norte, entre os Estados Unidos e o Canadá. 
A construção de canais e eclusas nos Grandes Lagos e no rio São Lourenço tornou possível a chegada de embarcações de grande porte, provenientes do oceano Atlântico, à cidade de Chicago, localizada às margens do lago Michigan, no interior do continente. 
Entre a cidade de Quebec (Canadá) e o lago Ontário localiza-se a Via Marítima do São Lourenço ou Grandes Lagos-São Lourenço. Essa hidrovia apresenta várias eclusas que permitem a comunicação entre os Estados Unidos e o Canadá.
Às margens da Via Marítima do São Lourenço, além de Chicago (Estados Unidos) e Montreal (Canadá), existem outras grandes cidades com intensa atividade econômica e vários tipos de indústria. 
Nessa hidrovia, o tráfego é intenso entre as cidades de Quebec e Toronto, no Canadá, e entre as cidades de Buffalo, Cleveland e Detroit (importante centro da indústria automobilística), nos Estados Unidos. 
Dessa forma, os cursos de água e os lagos, assim como as diversas obras realizadas nessa hidrovia, possibilitam o escoamento da grande produção industrial e a chegada de mercadorias de outros países. 
Entre os lagos Erie e Ontário, encontra-se um conjunto de saltos e corredeiras que atrai milhares de turistas todos os anos. São as cataratas do Niágara.

A vertente do golfo do México e a bacia Mississípi-Missouri 

Vários rios que deságuam no golfo do México nascem tanto nas montanhas da parte ocidental quanto nas montanhas e planaltos da parte oriental da América do Norte. 
O principal rio da mais importante bacia hidrográfica da América do Norte é o Mississípi, navegável praticamente em toda sua extensão, por ser um típico rio de planície. 
Seu principal afluente é o rio Missouri. Juntos, o Mississípi e o Missouri atingem mais de 6 mil quilômetros de extensão. 
O Missssípi e o Missouri são rios de grande importância econômica, pois suas margens apresentam solos férteis e planos, aproveitados principalmente para os cultivos de milho e de trigo. Além disso, exercem a função de escoadouro de minerais, cereais e outros produtos cultivados nas regiões banhadas por eles e por seus afluentes. 
Alguns afluentes do Mississípi, como o rio Tennessee, provocavam enchen tes com graves consequências. Após várias obras de engenharia (construção de represas e diques) que regularizaram os cursos desses rios, eles passaram a for necer energia elétrica e se tornaram navegáveis em trechos mais extensos. Além disso, suas águas passaram a ser utilizadas na irrigação de plantações. 
A fronteira entre os Estados Unidos e o México, de 3.140 quilômetros, é delimitada em sua maior extensão pelo rio Grande ou Bravo do Norte (para os mexicanos). Essa fronteira é ostensivamente policiada pelos Estados Unidos e delimitada por muros, em diversos trechos, para impedir a travessia ilegal de imigrantes.

A vertente do Pacífico Norte 

Os rios da vertente do Pacífico Norte, que descem as altas mon tanhas da porção ocidental da América do Norte, são, em geral, de pequena extensão e possuem um curso bastante acidentado, com muitas quedas-d’água. 
Os rios mais expressivos dessa vertente, na América do Norte, são o Colorado e o Sacramento. Os picos das montanhas formam geleiras, que retêm a água durante o inverno e alimentam esses rios na pri mavera e no verão, funcionando, dessa forma, como um reservatório natural. 
A diminuição das geleiras tem afetado o volume de água e apontado problemas à agricultura e ao futuro abastecimento da população da porção noroeste dos Estados Unidos.
O rio Colorado, com mil quilômetros de extensão, nasce no planalto do Colorado. Em seu curso, escavado sobre rochas sedimentares, suas águas abriram vales muito profundos, denominados cânions, como o Grand Canyon. 
O rio Sacramento corre pelo vale da Califórnia e separa as cadeias da Costa da Serra Nevada. Esse rio teve papel de destaque na colonização do oeste norte-americano, pois atraiu grande número de colonos que buscavam ouro encontra do em seu leito.
Ainda na vertente do Pacífico Norte, encontram-se o rio Colúmbia, cujas águas represadas são utilizadas para irrigação e obtenção de energia elétrica, e o rio Yukon, que nasce nas Montanhas Rochosas. 
Em um dos trechos do Colúmbia, localiza-se a usina hidrelétrica de Grand Coulee, uma das maiores do mundo. O Yukon, cuja maior parte de seu curso localiza-se no Alasca, teve grande importância nas explorações auríferas que contribuíram para a ocupação desse território. Apesar de congelado durante boa parte do ano, é possível navegá-lo.

A vertente do Atlântico sul

Essa vertente é a mais extensa e a mais importante do continente. Nela estão situadas as duas maiores bacias hidrográficas do mundo: a bacia Amazônica e a bacia Platina.

A bacia Amazônica 

A bacia Amazônica, cujo principal rio é o Amazonas, ocupa uma área de aproximadamente 7 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 4,8 milhões estão em território brasileiro. Esse rio entra no Brasil com o nome de Solimões e, ao se encontrar com o rio Negro, recebe o nome de Amazonas. 
Os centros dispersores de águas do rio Amazonas situam-se nos Andes (onde o rio nasce), nos planaltos Norte-Amazônicos e no planalto dos Parecis. 
O Amazonas é um rio de planície, propício à navegação, que permite o acesso de navios de grande porte ao porto de Manaus, às margens do rio Negro, no interior do continente. Por essa rede hidroviária são transportados grandes volumes de carga (produtos agrícolas, minerais e industrializados), além de pessoas.
Os afluentes da margem direita do rio Amazonas são mais extensos e pos suem maior volume de água, como o Purus, o Madeira, o Xingu e o Tapajós. Os da margem esquerda, por sua vez, são de menor expressão, exceto o rio Negro, que é um rio de grande porte. 
Em alguns rios da bacia Amazônica foram construídas usinas hidrelétricas, como a de Balbina, no rio Uatumã, e a de Samuel, no rio Jamari, além de Jirao e Santo Antônio, no rio Madeira.
Particularmente nas hidrelétricas de Balbina e de Samuel, foram formados lagos artificiais que provocaram a devastação de grandes áreas florestais, a ex tinção de importantes espécies da fauna e da flora amazônicas e o desalojamen to de habitantes das áreas inundadas. Além disso, a construção de hidrelétricas na Amazônia afeta comunidades indígenas e outras populações tradicionais que vivem da floresta, como as comunidades extrativistas e os ribeirinhos, que vivem da pesca artesanal e da agricultura de subsistência. 
As novas hidrelétricas projetadas para a região são a fio d’água, ou seja, não requerem reservatórios (represas) grandes, pois a geração de energia depende fundamentalmente da vazão do rio. Daí haver uma oscilação grande na capacidade de geração de energia: no período das chuvas gera-se mais energia do que em épocas de estiagem.
Os impactos ambientais provocados pelas hidrelétricas na Amazônia vêm ocasionando uma série de protestos por parte de movimen tos ecológicos nacionais e internacionais. 
En tretanto, há opiniões favoráveis à construção de hidrelétricas na região, sob a justificativa de que se trata de uma fonte renovável e de que, tanto as projetadas (São Luís, no rio Tapajós) quanto aquelas que se encontram em fase de construção (como Belo Monte, no rio Xingu, e Teles Pires, no rio de mesmo nome), atualmen te são a fio d’água, o que reduz os impactos nos ecossistemas amazônicos 
Em 2018, havia dezenas de hidrelétricas projetadas para a região Amazônica.

A bacia Platina

Considerada a segunda maior bacia hidrográfica do mundo, a bacia Platina ocupa uma área de cerca de 4.350.000 quilômetros quadrados, abrangendo terras do Brasil, do Paraguai, do Uruguai, da Argentina e da Bolívia. Os principais rios dessa bacia são o Paraná, o Paraguai e o Uruguai, todos com nascente no Brasil. 
Na divisa da Argentina com o Paraguai, o rio Paraguai deságua no rio Paraná. Este, ao atravessar a cidade de Paraná, na Argentina, tem sua denominação modificada para rio da Prata. O rio Uruguai desemboca na foz do rio da Prata.
Em razão dos inúmeros trechos encachoeira dos, o rio Paraná e muitos de seus afluentes possuem enorme potencial hidráulico, em boa parte já aproveitado. Nesse rio encontram-se várias usinas hidrelétricas, como Itaipu, Sérgio Motta (também chamada de Porto Primavera), Jupiá e Ilha Solteira, que fazem parte do complexo hidrelétrico de Uru bupungá. Nos formadores do rio Paraná há também importantes usinas: Furnas e Volta Grande, no rio Grande; São Simão e Cachoeira Dourada, no rio Paranaíba. 
Com a implantação da hidrovia Tietê-Paraná (interligada ao Paranaíba), possível graças à construção de eclusas em ambos os rios, o Paraná tem sido mais bem aproveitado para a navegação, e por ele é transportada grande quantidade de produtos, principalmente agrícolas.
Formadas pelas ligações Tietê-Paraná e Para guai-Paraná, as hidrovias do Mercosul possibilitam menor custo no transporte de mercadorias e pes soas em comparação aos demais meios de transporte, além de viabilizarem a integração econômica entre os países desse grupo.

Outras bacias 

Também faz parte da vertente do Atlântico Sul a bacia do São Francisco, lo calizada totalmente em território brasileiro. O rio São Francisco atravessa uma área de clima Semiárido (Sertão nordestino) e é aproveitado para irrigação e para transporte de pessoas e mercadorias entre diversas cidades do Sertão. Além disso, esse rio possui enorme potencial hidráulico, o que favoreceu a cons trução de grandes usinas hidrelétricas, como as de Sobradinho, Paulo Afonso, Xingó e Três Marias. 
No território brasileiro há diversas outras bacias hidrográficas cujos rios deságuam no oceano Atlântico. Na bacia do Tocantins-Araguaia há algumas hi drelétricas importantes, como a de Tucuruí e de Serra da Mesa, no rio Tocantins. A hidrovia do Tocantins-Araguaia serve para o escoamento de parte da produção agrícola do Centro-Oeste do Brasil.
Na bacia do rio Doce, ocorreu um dos maiores desastres ambientais da his tória do Brasil, provocado pelo rompimento de duas barragens de reservatórios que armazenavam resíduos de atividade mineradora, no município de Mariana, em Minas Gerais. Essa tragédia ocasionou o assoreamento de rios e riachos, em função da deposição de grande carga de sedimentos em seus leitos, além de afetar e provocar a mortandade de diversas espécies animais e vegetais. Muitas comunidades ribeirinhas que vivem da pesca perderam seu meio de sustento e o abastecimento de água de diversos municípios ficou comprometido. 
No norte da América do Sul, nos territórios da Venezuela e da Colômbia, en contra-se a bacia fluvial constituída pelo rio Orinoco e seus afluentes. Com cerca de 950 mil quilômetros quadrados de área, é a terceira maior bacia da América do Sul. O Orinoco é navegável por embarcações de grande porte, desde sua foz até a confluência com o rio Caroní, em Ciudad Guayana, por onde são transportadas mercadorias industrializadas e agropecuárias.
Às margens do Orinoco, na Venezuela, desenvolve-se a criação de gado, enquanto em seu baixo curso concentram-se indústrias e usinas hidrelétricas. Em suas proximidades há uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a faixa petrolífera do Orinoco, no norte da Venezuela. As atividades econômicas, porém, têm gerado considerável impacto am biental em toda a bacia, inclusive no delta do rio, onde vivem comunidades de pescadores e povos indígenas. 
O território da Colômbia é também atraves sado por um rio que constitui um importante re curso natural: o Madalena. A importância desse rio se deve ao aproveitamento de suas águas para geração de energia elétrica e para irrigação, que propicia o desenvolvimento de atividades agrícolas às suas margens.

Lagos Sul-Americanos

Na América do Sul, dois lagos merecem destaque: o lago Maracaibo (16 mil quilômetros quadrados), localizado na Venezuela, onde se realiza a extração de petróleo; e o lago Titicaca (8 mil quilômetros quadrados), situado nos Andes, a 3.800 metros de altitude. 
Desde o século X, as margens do Titicaca (na fronteira entre a Bolívia e o Peru) têm sido utilizadas para a prática agrícola, como o cultivo de cevada, de quinoa e de batata.


Geologia e relevo na América


Os processos exógenos que atuam na superfície terrestre são movidos pela energia solar, por meio da atmosfera, e agem na modelagem do relevo. A origem dos tipos de relevo é marcada pela relação entre os processos de formação geológicos (como tectônica de placas, composição das rochas e vulcanismo) e as variações climáticas que atuam nas paisagens terrestres (incidência solar, umidade e precipitação, altitude, temperatura, pressão e circulação dos ventos). Isso significa que as formas do relevo resultam de processos ocorridos no interior da crosta terrestre e na litosfera, assim como da ação dos processos atmosféricos (intemperismo e erosão).

De forma geral, distinguem-se três grandes grupos no relevo da América: a oeste, as formações montanhosas, como as cordilheiras; ao longo da costa ocidental e em áreas centrais, as planícies e as depressões; e a leste, os planaltos.

Estrutura geológica da América

A atuação dos agentes internos e externos contribuiu para a formação de um relevo diversificado e de rara beleza na América.
Na América estão presentes os três tipos de estrutura geológica: maciços antigos (ou escudos cristalinos), bacias sedimentares e dobramentos modernos. Essas estruturas são caracterizadas pelos tipos de rochas predominantes, por seu processo de formação e por sua idade geológica.
Os dobramentos modernos apresentam rochas menos rígidas, em trechos da crosta terrestre de formação recente e localizados perto de zonas de contato entre as placas tectônicas. Como você pôde verificar no início deste capítulo, esse proces so de choque entre as placas ocorreu há aproximadamente 70 milhões de anos e participou da formação da cordilheira dos Andes, na América do Sul, e das Montanhas Rochosas, na América do Norte, além de outras unidades montanhosas de relevo.
Devido à pressão de uma placa sobre outra, ocorre a formação de dobramen tos, num processo lento e contínuo que origina as cordilheiras.
Os maciços antigos são terrenos que se formaram há muito tempo. Em al guns deles encontram-se minerais metálicos, como ferro, ouro, manganês, prata, cobre, bauxita e estanho.
As bacias sedimentares resultam do acúmulo de sedimentos provenientes do desgaste das rochas e de organismos vegetais e animais. Delas são extraídos recursos energéticos, como o petróleo, o gás natural e o carvão mineral.
A exploração de recursos minerais ocorre tanto nos terrenos dos maciços antigos quanto nas áreas das bacias sedimentares, em diversos trechos do con tinente americano.

As placas tectônicas da América

A crosta terrestre pode ser grosseiramente comparada a uma casca de ovo rachada em doze pedaços. Cada grande pedaço corresponde a uma placa tectô nica, ou litosférica. Essas placas flutuam e se movimentam continuamente sobre um manto de magma pastoso, provocando choque ou separação entre elas. As regiões do globo mais sujeitas a terremotos de grande intensidade são aquelas onde as placas tectônicas se chocam umas contra as outras.
Devido à sua grande extensão, o continente americano possui áreas situadas próximo às zonas de contato entre as placas tectônicas e em sua porção central. Trechos do Caribe e praticamente toda a costa ocidental do continente americano estão sujeitos a terremotos. Na porção norte, a placa Norte-Americana se choca com a do Pacífico e, na porção sul, a placa Sul-Ameri cana se choca com a de Nazca.
A placa Sul-Americana se movimenta de leste para oeste, enquanto a placa de Nazca se movimenta no sentido contrário, de oeste para leste. No choque entre elas, a placa Sul-Americana se sobrepôs à placa de Nazca, e o resultado foi a formação da cordilheira dos Andes, há cerca de 70 milhões de anos. É o atrito entre essas duas placas sobrepostas que provoca os terremotos na região dos Andes.
Desse atrito resultou uma imensa falha geológi ca na costa oeste dos Estados Unidos, chamada de falha de San Andreas, que corta a Califórnia no senti do norte-sul. A tensão na falha é gigantesca e, quan do acontece um deslocamento de uma das camadas da falha, os terremotos são percebidos. Às vezes, o deslocamento é violento, como aconteceu em 1906, quando um terremoto provocou grandes estragos em São Francisco.

As unidades de relevo da América 

A América do Norte e a América do Sul apresentam semelhanças quanto à dis posição das suas formas de relevo. Nessas duas grandes porções territoriais do con tinente americano são encontradas, no sentido oeste-leste, três grandes unidades de relevo: as grandes cadeias de montanhas, as planícies centrais e os planaltos. 
As grandes cadeias montanhosas do oeste, de formação geológica recente, estendem-se do Alasca (América do Norte) ao sul do Chile (América do Sul). Nos Estados Unidos e no Canadá, o conjunto de cadeias montanhosas do oes te é formado pelas cadeias da Costa, pela serra Nevada, pela serra das Cascatas e pelas Montanhas Rochosas. 
Na América do Sul, as montanhas recebem o nome de cordilheira dos Andes. No México, o prolongamento das Montanhas Rochosas forma a serra Madre Oriental e o prolongamento das cadeias da Costa forma a serra Madre Ocidental.
As cadeias da Costa acompanham o litoral do oceano Pacífico desde o Alasca até o México. Nessas cadeias se encontra o ponto culminante do relevo da América do Norte, o monte McKinley (Alasca), com 6.187 metros de altitude. A serra Nevada, localizada nos Estados Unidos, está alinhada paralelamente às cadeias da Costa. Ao norte, a serra Nevada recebe o nome de serra das Cascatas e se estende até o terri tório canadense. As Montanhas Rochosas, formações montanhosas mais expressivas da Améri ca do Norte, localizam-se numa porção interior desse subcontinente e se estendem até o Alasca. 
Entre a serra Nevada e as Montanhas Rochosas encontram-se alguns planaltos, como o de Colúmbia, o da Grande Bacia — onde estão localizados o grande lago Salgado e o vale da Morte (83 metros abaixo do nível do mar – depressão absoluta) — e o do Colorado, que se estende para o sul, formando o planalto Central Mexicano.
Entre a serra Nevada e as cadeias da Costa localiza-se uma depressão alon gada (sentido norte-sul), o vale da Califórnia, que se tornou uma importante área agrícola dos Estados Unidos, graças ao sistema de irrigação, muito importante para viabilizar o cultivo em locais onde há escassez ou chuvas irregulares. 
No planalto do Colorado, no estado do Arizona, localiza-se o Grand Canyon, profundo vale aberto pela ação erosiva do rio Colorado ao longo de milhões de anos. 

 Os planaltos do México da América Central

Entre a serra Madre Oriental (próxima ao Atlântico) e a serra Madre Ociden tal (próxima ao Pacífico) estão localizados os planaltos elevados do México. No norte do país, encontra-se o planalto Chihuahua e, no sul, o planalto de Anáhuac, onde se desenvolveu a civilização asteca e foi fundada a Cidade do México, núcleo inicial da ocupação espanhola. Na parte ístmica da América Central situam-se planaltos elevados, localiza dos entre as planícies costeiras do Atlântico e as montanhas do oeste.

A cordilheira dos Andes e os planaltos da América do Sul

A cordilheira dos Andes se estende da Venezuela até o extremo sul do Chile e possui aproximadamente 7.500 quilômetros de extensão e 300 quilômetros de largura. 
Em alguns trechos, os Andes são formados por duas ou três cadeias paralelas, entre as quais despontam vastos planaltos elevados, denominados altiplanos, como os da Bolívia, do Peru e do Chile, onde se destaca a criação de lhamas e alpacas. No altiplano boliviano, a cerca de 3.700 metros de altitude, localiza-se a cidade de La Paz, capital da Bolívia.

As planícies centrais 

A porção central da América do Norte e da América do Sul é formada por extensas planícies, em geral atravessadas por grandes rios. Na América do Norte encontram-se:
- a planície do rio São Lourenço, que acompanha o vale desse rio desde a re gião dos Grandes Lagos até o oceano Atlântico. Essa planície corresponde à área mais povoada do Canadá e possui grande expressão econômica; 
- as Prairies (Pradarias), próximo aos Grandes Lagos, que, graças à topografia plana dessa região, correspondem a uma área intensamente cultiva da com o favorecimento da agricultura mecaniza da, onde se destaca a cultura do trigo; 
- a planície central dos Estados Unidos, atravessada por diversos rios, entre eles o Mississípi e o Missouri, onde também se desenvolve intensa atividade agrícola, destacando-se o trigo, o milho e o algodão.

Na América Central ístmica, as planícies são mais amplas a leste, junto ao mar do Caribe. 
Essa região é a menos povoada. Na América do Sul destacam-se três planícies:
• a planície do rio Orinoco, situada entre os Andes e os planaltos residuais Norte-Amazônicos, ocu pando, em maior parte, o território venezuelano. Apresenta vegetação de Savana, conhecida como Lhanos, onde se desenvolve a criação de bovinos; 
• a planície Amazônica, que acompanha o rio Ama zonas e se caracteriza por intenso processo de sedimentação; 
• a planície Platina, que ocupa terras do Brasil, da Bolívia, do Paraguai, do Uruguai e da Argentina, e é atravessada por vários rios, como o Paraguai e o Paraná. Este último, depois de um trecho, ao aden trar em território argentino, passa a se chamar rio da Prata. Essa planície se subdivide nas planícies do Chaco, do Pantanal e do Pampa. O Pantanal, apesar de ser o bioma que, proporcio nalmente, foi o menos devastado no Brasil, sofre as ameaças da exploração de recursos, como a atividade mineradora (que polui os rios), a pesca predatória e a expansão agrícola em suas bordas. No caso do Pampa, ocorre o fenômeno da areni zação, provocado por fatores naturais, mas agra vado pela intensificação da agricultura da soja na região, levando à formação de areais, no sudoeste do Rio Grande do Sul.

Os planaltos da porção oriental 

A parte leste, ou oriental, do continente americano é composta de extensos planaltos que, pela antiguidade de sua formação, são bastante desgastados, apresentando formas mais arredondadas e com altitudes mais modestas do que aquelas encontradas no oeste. Entre os planaltos da América do Norte destacam-se:
• o planalto Canadense, que tem a forma de uma grande ferradura voltada para a baía de Hudson; 
• os montes Apalaches, onde se encontra o monte Mitchell, com 2.027 me tros, situado no estado da Carolina do Norte. Na América do Sul, os planaltos mais importantes são: 
• os planaltos e serras do Atlântico-Leste-Sudeste, no Brasil; 
• o planalto da Patagônia, no extremo sul do continente.

Nessas formações mais antigas encontram-se muitos recursos minerais, como o ferro e o manganês, que são intensamente explorados no Canadá e no Brasil (serra do Espinhaço). Nos Apalaches, desenvolve-se uma importante atividade extrativa, cujo produto mais abundante é o carvão, obtido com relativa facilidade em minas a céu aberto devido à sua ocorrência próximo à superfície. Essa característica barateia o custo de extração, em comparação com as minas subterrâneas.
No Brasil, a prática da atividade agrícola nessas áreas está condicionada à utilização de técnicas que favorecem o cultivo em encostas, como o terraceamen to, que minimiza os impactos do processo erosivo e permite o acúmulo de água nos terraços, irrigando a plantação. Essa técnica consiste na construção de ter raços de aproximadamente 1,5 metro, que permitem a circulação de tratores de pequeno porte para a manutenção do cultivo e para a colheita.

Antártica e bases científicas

A Antártica, ou Antártida, diferentemente do Ártico, constitui-se em um continente coberto de gelo com grande área emersa de terras de, aproximadamente, 14,1 milhões de km², porém, durante o inverno, com a ampliação do tamanho das banquisas, a área do continente chega a 19 milhões de km², mais que o dobro do território brasileiro. 
É o quarto maior continente em extensão, superando a Europa e a Oceania. É banhado pelas águas dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico.
No período do inverno, devido ao congelamento das águas superficiais dos oceanos na região, sua superfície aumenta, chegando a atingir cerca de 20 milhões de km2.
O continente antártico contém muitas ilhas e abriga o Polo Sul geográfico da Terra, aproximadamente a 90° de latitude sul. Segundo pesquisas geológicas, há 200 milhões de anos a Antártica esteve unida à América do Sul, à Austrália e à Nova Zelândia. Pelo movimento contínuo das placas tectônicas, essa grande massa continental se deslocou para o extremo sul do planeta.
A devastação é uma ameaça constante no continente americano. Por isso a preservação ambiental em algumas áreas se faz tão importante. Já no caso da Antártica, por conta do gelo que cobre sua superfície, ela não apresenta formações vegetais para serem preservadas, mas, mesmo assim, desempenha um papel muito importante nos estudos e nas pesquisas sobre o meio ambiente.
Ao contrário da Região Ártica, a Antártida não tem povos nativos, mas sim estações de pesquisas científicas que abrigam pesquisadores de diversos países. O estabelecimento dessas bases é permitido desde 1961, quando entrou em vigor o Tratado da Antártida, estabelecendo que nenhum país poderia tomar posse de terras antárticas, embora pudessem construir bases de pesquisas científicas no continente. Esse acordo para o uso do continente para fins pacíficos proibiu atividades militares, testes nucleares e depósitos de materiais radioativos.
O Protocolo de Madri, estabelecido em 1991, complementou o Tratado da Antártida ao proibir, por mais cinquenta anos, qualquer exploração dos recursos minerais, vegetais e animais do continente, exceto para pesquisas. As pesquisas na Região Antártica são de grande importância para diversas áreas científicas. Entre elas, destacam-se as que procuram compreender as mudanças climáticas no planeta e suas consequências (como o derretimento das calotas polares e a elevação do nível médio dos oceanos).

A vida na Antártica


A localização geográfica e os rigores climáticos da Antártica fazem desse continente um vazio demográfico, além de impossibilitarem o desenvolvimento de fauna e flora diversificadas. A Antártica é o continente mais frio da Terra, podendo alcançar 80 °C negativos no inverno. Ela comporta cerca de 70% das reservas de água doce do planeta; mas, como essas águas estão na forma de gelo e neve, não são próprias para consumo.
O gelo que recobre a superfície da Antártica tem espessura média de dois quilômetros. Essa camada de gelo impossibilita a formação de solos e, assim, as espécies animais e vegetais que se desenvolvem na região concentram-se, sobretudo, nos oceanos que a cercam. A tundra, por exemplo, ocorre apenas nas bordas do continente antártico.
Os icebergs na Antártica são formados pelo gelo acumulado durante milhares de anos nas bordas do continente. Os mais comuns são os do tipo tabular, de superfície plana. 
O rigoroso frio das regiões polares não impede que nelas existam espécies animais e vegetais adaptadas às condições climáticas. Em suas variadas espécies, os pinguins são as aves mais conhecidas da região. No entanto, são apenas parte de uma população maior de espécies animais, como as de outras aves, de peixes e de mamíferos. 
Em uma pesquisa sobre as regiões polares, realizada ao longo de dez anos por cientistas de 22 países, chamada de Censo da Vida Marinha Antártica, ou CAML, foram registradas mais de 12 mil espécies de animais vivendo nessas áreas.
Na vida marinha da Antártida, encontramos diversas espécies de animais, como atuns, baleias, leões-marinhos e o krill – espécie de camarão rico em proteínas. Além desses animais, focas, albatrozes e pinguins vivem no continente.
A pesca em grande escala vem causando sérios riscos a diversas espécies de animais existentes nos polos. Algumas espécies de baleias, por exemplo, por serem muito apreciadas como alimento em alguns países (como o Japão), já correm risco de extinção.

O contexto geopolítico mundial da Antártica


No início do século XX, iniciaram-se as investigações científicas no conti nente. Entre as décadas de 1920 e 1930 começaram a ser utilizados instrumentos que facilitaram a exploração da região: aeronaves, tratores e trenós motorizados. Entre 1939 e 1941, os Estados Unidos ocuparam a Antártica permanente mente, implantando suas bases científicas.
Durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética defenderam a continuidade da internacionalização da Antártica e sua consequente ocupação para fins científicos. Apesar de alguns países reivindicarem a partilha da Antártica, a visão dos Estados Unidos e da União Soviética prevaleceu.
Durante o Ano Geofísico Internacional, entre 1957 e 1958, 12 países esta beleceram cerca de 30 estações de pesquisa ao redor do continente antártico. A investigação científica da região expandiu-se muito por meio de estudos realizados nas áreas de Geologia, Climatologia, Meteorologia, Biologia e Oceanografia.
Embora o continente não tivesse sido povoado, não deixou, desde sua descoberta, de ser alvo de caçadores: em busca de carne, couro e óleo, eles abateram muitos animais, como focas, baleias e leões-marinhos.
Essa matança diminuiu quando foi firmado o Tratado Antártico, em 1961, entre os países que mantinham bases científicas no local. Esse tratado teve como objetivo colocar um fim às disputas internacionais na região.
Com o consentimento internacional para explorar o continente apenas para fins científicos, a Antártica não pertenceria a nenhum país em especial. No entanto, as divergências ainda permanecem entre os que têm como critério para estabelecer a posse de terras na região a proximidade geográfica e aqueles que têm como critério para as conquistas realizadas.
Sete países (Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido) reivindicam áreas da Antártica, mas os outros não as reconhecem. Por isso, o continente é administrado pelas 50 nações signatárias atuais do Tratado Antártico, das quais somente 29 têm direito a voto para decidir o futuro da região, entre as quais o Brasil.
Apesar de ser signatário atualmente, o Brasil não participou do grupo que construiu inicialmente o Tratado Antártico, conhecido como Clube Antártico. Os únicos participantes da América do Sul eram a Argentina e o Chile. Esses países começaram suas expedições para o continente antártico na década de 1930, e o Estado brasileiro aderiu ao Tratado apenas em 1975, momento em que houve uma mudança na política externa brasileira – essa ação estava inserida na política de segurança nacional pensada pelos militares.
No ano de 1982, o Brasil criou o Programa Antártico Brasileiro e lançou a primeira expedição nacional para a Antártica, que durou de 1982 a 1983. Assim, nosso país obteve a autorização de ser um membro consultivo do Tratado, tendo direito a voto e a participação nas decisões sobre o futuro do continente.
Embora os acordos internacionais ainda garantam que ao longo das próximas décadas o continente antártico seja utilizado apenas para fins pacíficos e pesquisas científicas, temas como a ocupação do território e a exploração econômica dos seus recursos naturais continuam despertando interesses de várias nações. 
Mesmo antes da assinatura do Tratado da Antártida, Chile, Argentina, Reino Unido, França, Noruega, Austrália e Nova Zelândia, por exemplo, reivindicavam territórios em vastas áreas do continente, delimitação que não foi reconhecida por outras nações. Os governos contrários ao reconhecimento da soberania de qualquer país sobre essa região alegam que isso significaria assegurar o direito de uma possível futura exploração econômica.
O que está em jogo nessa disputa é a apropriação futura das riquezas existentes no continente, visto que a proibição de exploração econômica estabelecida atualmente no Tratado da Antártida pode não ser novamente renovada. No âmbito internacional, por exemplo, continuam ocorrendo discussões sobre a regulação de futuras atividades mineradoras no continente.
Se, por um lado, certos países atuam no sentido de fazer prevalecer seus interesses estratégicos e econômicos sobre a região, por outro, também ganha força a ação de movimentos ambientalistas e ONGs (organizações não governamentais) que lutam em defesa da preservação ambiental da região.

Preservação da Antártica


Em 1991, os países que firmaram o Tratado Antártico consideraram outros fatores – como a paz, a preservação ambiental e a coleta de informações científicas – e ampliaram o acordo. O Protocolo ao Tratado Antártico para Proteção ao Meio Ambiente, conhecido como Protocolo de Madri, está em vigor desde 1998. A principal determinação foi proibir por 50 anos (até 2048) a exploração econômica dos recursos minerais da Antártica. A região é rica em reservas de petróleo, ferro, cobre, carvão, urânio e outros minerais.
Os acordos internacionais que reconhecem a Antártica como reserva ecológica mundial são de grande importância na proteção do hábitat e da biodiversidade do continente. A exploração descontrolada de sua biodiversidade preocupa os cientistas, principalmente em relação às reservas e potencialidades da região. O aumento do turismo, nos últimos anos, também é motivo de alerta.
O interesse em desenvolver pesquisas na Antártica estimulou vários países a instalar bases científicas no continente.
Assim como ocorre no Ártico, a permanência das geleiras do continente antártico está ameaçada. Segundo estudiosos da região, a maior incidência de icebergs e a desintegração de banquisas nas últimas décadas se devem, principalmente, às mudanças climáticas no planeta.

Turismo e meio ambiente


Muitas pessoas procuram as regiões polares para conhecer tanto as belas paisagens quanto a vida selvagem existente nessas áreas. No entanto, são necessárias medidas para evitar que o turismo cause pro blemas ao meio ambiente polar. 
Nesse sentido, o protocolo ambiental do Tratado da Antártida, assinado em 1959, procura assegurar a proteção ao meio ambiente antártico frente às atividades humanas, como a turística.

Programa Antártico Brasileiro (Proantar) 


O Brasil realiza pesquisas científicas na Antártida por meio do Programa Antártico Brasileiro, o Proantar. Entre essas pesquisas, destacam-se aquelas que visam compreender a atmosfera antártica e a sua influência sobre o clima do Brasil. A base de pesquisa brasileira, denominada Estação Antártica Comandante Ferraz, fica localizada na ilha Rei George.


AMÉRICA: ASPECTOS NATURAIS


A América apresenta grande diversidade natural. As caracterís ticas de hidrografia, relevo, clima e vegetação exercem influência na ocupação e distribuição da população, no território e nas atividades humanas, resultando em paisagens variadas de norte a sul do continente.

Hidrografia

Vários rios da América nascem nas montanhas do oeste e correm em direção ao leste.
Na América do Sul, encontra-se a maior bacia hidrográfica do mundo, a do Rio Amazonas, que recebe águas de afluentes cujas nascentes se localizam nas serras do Planalto das Guianas, na cordilheira dos Andes e em chapadas do planalto brasileiro. Na região amazônica, o transporte fluvial ainda é importante para a circulação de cargas e pessoas. Na Região Sudeste do Brasil, os rios Tietê e Paraná desempenham importante papel no transporte de mercadorias entre os países do Mercosul.
Na América do Norte, a maior bacia é a do Rio Mississipi. Esse rio, que deságua no Golfo do México, recebe afluentes que nascem no oeste (nas Montanhas Rochosas), como o Missouri e o Arkansas; e no leste (nos Apalaches), como o Ohio. Também ressalta-se a presença de muitos lagos na região, como os Grandes Lagos (Michigan, Erie, Huron e Superior), situados na fronteira entre Canadá e Estados Unidos e que têm importante aproveitamento para navegação e transporte. Muitos rios do continente americano são úteis para a geração de energia hidrelétrica. Estados Unidos, Canadá e Brasil figuram entre os maiores produtores desse tipo de energia no mundo. As bacias mais vantajosas para esse fim são as localizadas a oeste dos Estados Unidos e do Canadá, como as dos rios Colorado e Columbia. Os rios da Bacia Platina, na América do Sul, também se destacam no setor energético, principalmente os rios Paraná e Uruguai.

Vertente hidrográfica

Vertente hidrográfica é a direção na qual os rios de uma bacia hidro gráfica correm e desembocam. Essa direção está associada à declividade predominante do terreno.
O continente americano é muito rico em rios, com escoamento em quatro vertentes hidrográficas: do Ártico, do Atlântico, do Pacífico e do Golfo do México. 

Vertente do Ártico 

São os rios do centro-norte do Canadá que escoam para o Oceano Glacial Ártico. Não é uma vertente muito densa em rios, pois o clima frio e polar da região os mantém congelados quase o ano todo. 
O principal desses rios é o Mackenzie, no noroeste do Canadá, navegável por aproximadamente cinco meses ao ano e fonte de ali mento para a pequena população da região, além de ser um ponto turístico.
A partir da década de 1970, o potencial hidrelétrico do rio passou a ser aproveitado, com a construção da hidrelétrica do Rio Peace, cujo potencial hidrelétrico é de cerca de 5 gigawatts por hora, o suficiente para fornecer energia a aproxima damente 450 mil residências.

Vertente do Atlântico 

A vertente do Atlântico, Norte e Sul, é caracterizada pelas grandes bacias hidro gráficas do continente e composta dos rios que se dirigem para o Oceano Atlântico. 

- Vertente do Atlântico Norte 

Às margens do Rio São Lourenço, principal rio da vertente do Atlântico Norte, estão localizadas as áreas mais populosas e industrializadas dos Estados Unidos e do Canadá. 
Por ser navegável – principalmente depois de concluídas as obras de alargamento e abertura de canais –, esse rio é rota de transporte da produção industrial da região para o Oceano Atlântico, além de possibilitar o comércio entre as cidades que banha. Pelo São Lourenço escoam produtos agrícolas, merca dorias do setor industrial e minérios.
Nos Estados Unidos e no Canadá, muitas cidades se formaram ao longo do Rio São Lourenço, e algumas, como Montreal, no Canadá, tornaram-se importantes centros de comércio e de serviços. 
Esse rio também liga o Oceano Atlântico à região dos Grandes Lagos (Superior, Erie, Huron, Michigan e Ontário) nos Estados Unidos e no Canadá, maior região lacustre do mundo.

- Vertente do Atlântico Sul

Na América do Sul, o Brasil é o país mais bem servido de rios. A Bacia do Rio Amazonas é a maior do mundo. Os rios dessa bacia têm suas nascentes na Cordilheira dos Andes, no Planalto das Guianas e no Planalto Brasileiro. Ela drena a Floresta Amazônica e, por irrigar extensas áreas de planície, é ampla mente utilizada para navegação. 
A Bacia do Rio São Francisco é muito importante para o Nordeste brasileiro. Seu rio principal é o São Francisco, que é navegável em alguns trechos e fornece, por meio de usinas, energia elétrica e água para a população da região, muito utili zada no abastecimento público e para irrigação de cultivos agrícolas. Esse rio, que atravessa parte do sertão semiárido do Nordeste brasileiro, está ameaçado pelo assoreamento, entre outras razões, graças à retirada de matas ciliares.
A Bacia Platina (ou do Rio da Prata) está entre as maio res do mundo. O Rio da Prata tem curta extensão, mas recebe águas de rios volumosos, como Paraná, Paraguai e Uruguai. Os rios Paraná e Uruguai são grandes fornecedores de energia hidrelétrica, e o Rio Paraguai é importante para a navegação na região do Pantanal Mato-Grossense. 
Outros rios importantes da América do Sul, com vertente para o Atlântico, são o Orinoco, na Venezuela (formando a Bacia do Orinoco), e os rios Salado, Colorado e Negro, na Argentina (Bacia do Salado). 
Os rios da América do Sul, assim como os de todo o continente, são utilizados para navegação, fornecimento de energia elétrica, pesca, irrigação de terras agrícolas e abastecimento de água para as áreas urbana e rural. 
Além dos rios, o Brasil se encontra em situação privilegiada em relação à ocorrência de águas subterrâneas. Entre os aquíferos brasileiros está um dos maio res mananciais de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo, o Aquífero Guarani, que se estende por Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. 
Sua maior ocorrência se dá em território brasileiro, abrangendo os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As águas subterrâneas vêm assumindo importante papel como fonte de água potável. 
Esse interesse surgiu em razão da grande disponibilidade (quantidade) e excelente qualidade natural associadas ao desenvolvimento tecnológico que facilita sua extração. Atualmente, 40% da água de abastecimento público no Brasil provém de reservas subterrâneas.

Vertente do Golfo do México

A Bacia do Rio Mississippi – da qual também fazem parte os rios Missouri, Ohio e Arkansas, seus principais afluentes – é muito importante para a economia dos Estados Unidos. O Rio Mississippi foi fundamental no processo de formação territorial do país, porque foi por onde os exploradores ingleses se deslocaram rumo ao interior.
É considerada a terceira maior bacia hidrográ fica do mundo, superada em área apenas pela Bacia do Rio Amazonas, no norte da América do Sul, e pela Bacia do Rio Congo, na região central da África. 
Os rios da Bacia do Mississippi irrigam as ter ras das planícies centrais dos Estados Unidos, cuja elevada produção de grãos é neles transportada para os portos do Golfo do México.
Dependendo da quantidade de chuvas na região, podem ocorrer enchentes nos rios dessa bacia, destruindo lavouras e acarretando prejuízo também para as cidades próximas. 
Outro rio de destaque que deságua no Golfo do México é o Rio Grande (ou Bravo do Norte). Esse rio tem a função, em parte, de separar os territórios dos Estados Unidos e do México.

Vertente do Pacífico 

Os principais rios dessa vertente são os localizados na América do Norte: o Rio Yukon, localizado no estado estadunidense do Alasca, que é separado do restante dos Estados Unidos pelo território do Canadá, e os rios Colorado e Colúmbia, nos Estados Unidos, com nascentes na região das Montanhas Rochosas. São rios de pequena extensão e encachoeirados, muito utilizados como fonte para a energia hidrelétrica.

Relevo

O relevo do continente americano apresenta três modelagens, com altas montanhas e planaltos elevados a oeste, planícies e depressões ao centro e planaltos a leste. 
O relevo do continente americano apresenta similaridades entre as Américas do Norte, Central e do Sul. Distinguem-se três grandes unidades ou formas, que se diferenciam pelas altitudes, pela idade geológica e pelas características de formação dos terrenos: planaltos orientais, planícies centrais e cadeias montanhosas ocidentais.

Planaltos orientais

Na costa leste ou oriental da América há predomínio de planaltos antigos, muito desgastados pela erosão, principalmente pelo vento e pelas chuvas. Esse desgaste explica as altitudes mais baixas, quando comparadas com a paisagem montanhosa da costa oeste do continente e os topos de formas, em geral, mais arredondadas.
Nas terras planálticas, na porção leste do continente, há grande concentração populacional, principalmente nos Estados Unidos e no Brasil. Essa concentração humana é ainda maior na direção das planícies litorâneas do Atlântico. Essa foi a primeira região do continente a receber povoamento no período colonial.
Também há, nessas áreas planálticas, elevada urbanização e polos industriais. Os planaltos são ricos em minerais metálicos, com destaque para o minério de ferro, explorado por alguns países, principalmente Estados Unidos, Canadá e Brasil.
No leste do continente, encontram-se planaltos de altitudes modestas, formas de topos arredondados e bastante desgastados pela ação dos agentes externos do relevo. Os principais planaltos orientais são:

- Planalto do Labrador ou Canadense, localizado no nordeste do Canadá;

- Montes Apalaches, no leste dos Estados Unidos;

- Planalto das Guianas, Planalto Central e Planalto da Patagônia, na América do Sul.

Os planaltos orientais são ricos em recursos minerais, principalmente manganês, cobre, bauxita e minério de ferro, explorados por indústrias extrativistas e amplamente utilizados para produção de matéria-prima. A exploração dos recursos minerais tem provocado grandes impactos ambientais, como a retirada da cobertura vegetal e a destruição de morros e serras. Tanto na América do Norte quanto na do Sul, esses planaltos abrangem grandes cidades e importantes áreas industriais e agrícolas.

Planícies centrais

Na região central do continente americano predominam as planícies e depressões, de formação sedimentar recente. São exemplos a Planície Central na América do Norte, as planícies e depressões da Amazônia, a Planície do Pantanal e a Depressão do Chaco, na América do Sul.
Pelas características de relevo plano e baixo, a maioria dessas planícies é formada por rios navegáveis e aproveitada para atividades agropecuárias.
No Canadá, a Planície Central, em sua porção sul, é uma região de grande cultivo, principalmente de trigo. Nos Estados Unidos, nessa forma de relevo pratica-se a ativi dade agrícola, com destaque para o cultivo de trigo, milho e algodão. Na América do Sul, as planícies são regiões menos povoadas, geralmente com destaque para a pecuária e o plantio de soja, prin cipalmente no Brasil e na Argentina.
Na porção central do continente predominam grandes planícies, banhadas pelas bacias de rios, como o Amazonas e o Mississipi. As principais planícies americanas são:

Planície Central, na América do Norte;

Planície Amazônica, Planície Platina e Planície do Pantanal, na América do Sul.

Nos Estados Unidos, a Planície Central é uma área de intensa atividade agrícola, com desta que para o cultivo de trigo e milho.

Cadeias montanhosas ocidentais

A porção oeste do continente americano, desde o Alasca até o extremo sul do Chile, é marcada pela presença de montanhas de formação geológica recente, vulcanismo e terremotos, o que dificulta a ocupação humana, mas não a inviabiliza.
O relevo da costa oeste ou ocidental do continente americano é predominantemente montanhoso. Sua estrutura geológica é formada por dobramentos modernos, do Período Terciário (Era Cenozoica). Essa modelagem do relevo, com forte atuação de agentes internos, é o mais extenso conjunto de cadeias montanhosas do mundo, estendendo-se por mais de 40 mil quilômetros, do Alasca, extremo norte da América do Norte, ao sul do Chile, extremo sul da América do Sul.
Essas cadeias montanhosas recebem nomes diferentes no continente. Na América do Norte, a principal cadeia montanhosa é denominada Montanhas Rochosas; no México, Serra Madre (ocidental e oriental); e na América do Sul, Cordilheira dos Andes. Por serem formações geológicas recentes (surgidas há cerca de 65 milhões de anos), as montanhas ultrapassam os 4 mil metros de altitude, com formatos pontiagudos e neve nos picos. O ponto culminante da América está na Cordilheira dos Andes, o Aconcágua, localizado entre a Argentina e o Chile, com 6 962 metros.
Essa região montanhosa da costa oeste da América é uma área de contato de placas tectônicas, com frequente atividade sísmica e, com menor regularidade, atividade vulcânica. O relevo montanhoso, associado ao clima frio de montanha, dificulta a presença humana por causa das condições difíceis de vida em áreas elevadas, limitando principalmente as atividades produtivas. Assim, em vários trechos da Cordilheira dos Andes e das Montanhas Rochosas, a den sidade demográfica é muito baixa, muitas vezes inferior a 1 hab./km².
Entre essas montanhas e as planícies da costa oeste do continente também há planaltos de altitudes elevadas e, em alguns espaços, grande concentra çãopopulacional, como os planaltos elevados do México, entre a Serra Madre Oriental e a Serra Madre Ocidental.
Áreas populosas também existem nos altiplanos andinos, na América do Sul, principalmente na Bolívia. Esses altiplanos já foram habitados no passado por tiahuanacos, aimarás, incas e outros grupos étnicos nativos.


Clima

A diversidade climática na América é influenciada por diferentes fatores, como latitude, altitude, relevo, massas de ar e correntes marítimas. Esses fatores exercem influência direta sobre os elementos climáticos: temperatura, precipitação e pressão atmosférica.

Diversidade de climas 

Por ter grande extensão territorial no sentido norte-sul, o continente americano apresenta muitos tipos climáticos, desde condições extremas de frio no norte da América Anglo-Saxônica e no sul da América Latina até o clima tropical da maior parte da América Latina. 
Essa diversidade climática explica-se por diversos fatores, principalmente pela latitude, pois a América é o maior continente disposto no sentido norte-sul, cortado por quatro paralelos principais. Além da latitude, as correntes marítimas, as massas de ar e a disposição do relevo interferem na variedade climática do continente.

Climas da América Anglo-Saxônica 

Na maior parte da América Anglo-Saxônica predominam climas temperados e frios, pois, em grande parcela, os países que a compõem estão localizados entre o Trópico de Câncer e o Círculo Polar Ártico, em altas latitudes. 
Os tipos climáticos dessa porção do continente americano apresentam características diversas de temperatura e de índices de chuva ao longo das estações do ano. 
No extremo norte do continente americano (parte do Canadá, Alasca e Groenlândia), as temperaturas são negativas o ano todo por conta do clima polar, caracterizando áreas de baixa densidade demográfica.
Ao sul das regiões polares, ocorre o clima frio, com invernos rigorosos e verões curtos. Canadenses e estadunidenses estão adaptados a essas condições climáticas e contam com serviços de remoção de neve e residências e áreas comerciais equipadas com sistema de calefação.
Nos Estados Unidos predomina o clima temperado, que apresenta estações do ano bem definidas. No litoral ocorre maior quantidade de chuvas graças às massas de ar úmidas provenien tes dos oceanos, e no interior o clima é mais seco, pois as cadeias montanhosas impedem o avanço dessas massas para a região. Na área central, são frequentes os tornados. 
Na costa atlântica é comum a ocorrência de furacões, que se formam no Golfo do México e atingem a porção sudeste dos Estados Unidos. Tornados e furacões, são ventos bastante fortes que podem causar muita destruição. A duração do furacão é maior que a do tornado, podendo atingir uma mesma área durante vários dias.

Climas da América Latina 

Na América Latina predominam climas quentes, pois a maior parte de suas terras está localizada entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio. Nessa região também predominam as correntes marítimas e as massas de ar quente. Além disso, ela recebe maior incidência dos raios solares e tem pluviosidade elevada. 
Na América Latina também há os extremos climáticos, como o Sertão do Nordeste brasileiro, com elevadas temperaturas o ano todo; as áreas de baixas temperaturas, como o extremo sul da Argentina e do Chile; e as áreas áridas, como no deserto de Huacachina, no Peru.
O clima das diferentes regiões da Amé rica Latina depende de diversos fatores, sobretudo da altitude, da maritimidade e dos deslocamentos das massas de ar. 
As massas de ar tropicais, por exemplo, apresentam altas temperaturas, enquanto as massas polares trazemtem peraturas mais baixas. Isso ocorre porque a incidência dos raios solares diminui com o aumento da latitude.
As massas marítimas são, em geral, mais úmidas do que as continentais, em decorrência da maior evaporação em áreas oceânicas. Ao se deslocarem, as massas de ar carregam as características dos locais de onde se originam.

Latitude

Os climas polar e frio, caracterizados por médias baixas de tempera tura, ocorrem no extremo norte do continente, região localizada em altas latitudes. Os climas quentes e úmidos, como o equatorial e o tropical, encontram-se em áreas de médias e baixas latitudes na América Central e na América do Sul.

Altitude e relevo

O relevo influencia os climas por causa da ação que exerce sobre as massas de ar. A baixa umidade e as médias de temperatura elevadas dos climas semiárido e desértico quente nos Estados Unidos e no México sofrem influência das grandes cadeias de montanhas, que barram as massas de ar úmidas vindas do Pacífico. Na porção leste do continente, as planícies facilitam a entrada de massas de ar frias e úmidas originadas nas regiões polares. Na América do Sul, essas massas se dirigem para o norte pelas planícies Platina e do Pantanal, alcançando, às vezes, a Amazônia e provocando o fenômeno denominado friagem.

Correntes marítimas

As correntes marítimas quentes elevam as temperaturas e a umidade do ar, enquanto as correntes marítimas frias exercem efeito contrário. Em alguns casos, as correntes marítimas contribuem para a formação de desertos.

A corrente do Golfo (quente) é formada no Golfo do México e ameniza as temperaturas dos climas frios da costa leste norte-americana até a costa da Noruega, no norte da Europa.

A corrente do Peru (fria), também denominada corrente de Humboldt, atua na costa oeste sul-americana e influencia a formação do deserto do Atacama, no Chile. Por ser uma corrente fria, atua diminuindo a evaporação das águas do oceano Pacífico na região e, em consequência, a umidade e a possibilidade de chuvas, tornando o clima seco.

Vegetação

A vegetação tem estreita ligação com os tipos de clima, relevo e solo. As diferentes espécies adaptam-se às condições climáticas, como baixas ou altas temperaturas, escassez ou abundância de chuva etc. 
De norte a sul, as vegetações apresentam formações das mais variadas, indo da florestal – mais exuberante – às arbustivas e herbáceas – com árvores mais baixas, arbustos e espécies rasteiras.
A vegetação nativa do continente americano foi bastante devastada, dando lugar a cidades, áreas agrícolas e de pastagens, estradas, hidrelétricas etc. Analise algumas paisagens do continente americano, onde a vegetação original ainda resiste.
A Taiga é adaptada ao clima rio, com invernos longos e rigorosos. As espécies vegetais ue se destacam na paisagem são as coníferas.
As espécies vegetais da Tundra são rasteiras, compostas predominantemente de liquens, algas e musgos. É a vegetação característica do clima polar, com ai as temperaturas e solos congelados durante grande parte do ano.
Na Floresta Temperada, as árvores perdem as folhas no inverno (decíduas) e têm tons vermelhos e amarelos no outono. No Brasil, a Floresta Subtropical representa uma formação vegetal que pode ocorrer em associação às Florestas Temperadas, em áreas de temperaturas mais amenas. Ao contrário da Floresta Temperada, as espécies encontradas na Floresta subtropical são perenifólias, ou seja, as folhas nunca caem.
As expressão Floresta Tropical engloba grande diversidade de formações vegetais, as quais ocorrem em áreas que se estedem pela América Central e do Sul, abrigando a maior parte da biodiversidade terrestre. As Florestas Tropicais úmidas estão sempre verdes e são constituídas por árvores de grande porte, densas e exuberantes. Estão associadas aos climas tropicais e equatoriais, quentes e úmidos.
As Savanas estão associadas aos climas tropicais, quentes e com estação seca bem definida. Enconradas em climas quentes, podem ser consideradas Florestas Tropicais secas, também ocorre do em porções da América Central e do Sul. No Brasil, correspondem ao Cerrado, que apresenta vegetação variada com áreas de vegetação densa e outras com árvores de pequeno porte, arbustos e vegetação rasteira constituída por gramíneas.
Na América, as Estepes são encontradas em áreas de transição entre os climas semiárido e subtropical, marcados por uma estação seca prolongada. Correspondem às Pradarias norte-americanas e aos Pampas sul americano. Constituem estensas áreas de pastagens naturais, com destaque para plantas herbáceas.

Formações vegetais da América Anglo-Saxônica

Composta de musgos e liquens, a tundra é a vegetação da região ártica – Canadá, Alasca e sul da Groenlândia – de clima polar. Em áreas do Alasca e na região centro-norte do Canadá, onde o clima é frio, desenvolve-se a floresta boreal ou de coníferas, também conhecida como taiga, uma vegeta ção de grande porte, com predomínio de espécies de pinheiros. 
Na região centro-leste dos Estados Unidos, onde o clima é temperado, forma-se a Floresta Temperada. Essa floresta foi muito devastada, principalmente pelo avanço da agricultura mecanizada, pela formação das cidades e pela construção de estradas.
Pradarias ou estepes formam-se na região das planícies centrais dos Estados Unidos e do Canadá, e, no sudoeste dos Estados Unidos, onde o clima é árido, forma-se a vegetação desértica.

Formações vegetais da América Latina

Nas áreas de clima equatorial desenvolve-se a floresta equatorial ou tropical úmida. 
A Floresta Amazônica é um exemplo de floresta equatorial que vem sofrendo um sistemático processo de desmata mento, principalmente por causa do avanço das atividades de agricultura e pecuária.
Nas áreas de clima tropical desenvolve-se a floresta tropical, como a Mata Atlântica, na costa leste do Brasil. Seu desmatamento ocorreu por conta do crescimento populacional e do consequente aumento dos espaços urbanos. 
A vegetação de savana desenvolve-se em boa parte do México, caracterizada principalmente pela presença de extensas áreas de gramíneas, arbustos e árvores baixas. Na região central do Brasil, onde o clima é tropical, ela é cha mada de cerrado e sofre desmatamento em razão do avanço da agricultura e da pecuária e da atividade do garimpo, com perdas importantes para a biodiversidade. No Sertão do Nordeste brasileiro é classificada como caatinga, com clima semiárido e predomínio de cactáceas.
Estepes e pradarias (campos) são áreas de clima subtropical, observadas no Rio Grande do Sul, na Argentina e no Uruguai (pampas). No sul do Brasil predomina a Mata de Araucária (floresta subtropical) e, no litoral do Peru, no litoral norte do Chile e na Patagônia (sul da Argentina), encontra-se a vegetação desértica.


Haiti

O Haiti ocupa uma área territorial de aproximadamente 27 mil quilômetros quadrados, o que corresponde à área do estado brasileiro de Alagoas...