Os vírus são parasitas que obrigatoriamente precisam de outros seres vivos para sobreviver, como bactérias, protozoários, algas, plantas e animais.
Muitas doenças causadas por vírus (viroses) – como a gripe, o resfriado, a poliomielite, o sarampo, a rubéola, a caxumba ou parotidite e a catapora – são transmitidas de uma pessoa para outra por meio de espirro, tosse ou fala, que espalham gotículas no ar. A transmissão dessas doenças pode ocorrer também por meio de água ou alimentos contaminados com a saliva de pessoas infecta das. Com exceção do resfriado, há vacinas eficazes contra essas doenças citadas.
Outras viroses, como a dengue, a zika, a chikungunya e a febre amarela, são transmitidas por mosquitos, enquanto a raiva é transmitida por mordidas de animais infectados. Vamos conhecer com mais detalhes algumas viroses.
Gripe e resfriado
A gripe e o resfriado são causados por vírus diferentes. No entanto, alguns
de seus sintomas são semelhantes: coriza, nariz entupido, tosse e espirro; em
geral, a febre só aparece nos casos de gripe.
Nos dois casos, a transmissão se dá quando os vírus de uma pessoa infectada são espalhados por gotículas eliminadas pelas vias respiratórias durante
a fala, o espirro ou a tosse.
O contágio acontece também
quando se leva a mão ao nariz ou à boca depois de ter tocado em uma superfície contaminada com o vírus.
Por essa razão, medidas de higiene, como lavar as mãos com frequência e usar
lenços ao espirrar ou tossir, podem evitar essas infecções virais.
A vacina contra a gripe oferece uma proteção limitada, de cerca de um ano.
Isso acontece porque os vírus da gripe sofrem muitas mudanças em seu mate
rial genético, ou seja, mutações. Assim, depois de um ano, novas variantes do
vírus já estarão no ambiente e não serão sensíveis às mesmas vacinas.
O SUS fornece gratuitamente a vacina para certas idades (idosos e crianças), profissionais da área da saúde, professores das redes pública e privada,
entre outros.
Poliomielite
Na maioria das pessoas, a poliomielite causa ape
nas febre e mal-estar. Em algumas, porém, pode afetar o sistema nervoso e provocar paralisia ou até levar
à morte (o nome “poliomielite” vem do grego poliós =
”cinzento“; mielos = “medula”; ite = “inflamação”; o vírus ataca as células na parte cinzenta da medula).
O vírus é transmitido por meio de água ou alimentos
contaminados ou por contato com a saliva ou fezes de
uma pessoa doente. Para evitar a doença, é muito importante as crianças serem vacinadas na época recomendada pelas autoridades de saúde pública. Também
são importantes o saneamento básico e as medidas de
higiene para evitar a propagação do vírus.
Com as campanhas de vacinação, o número de casos de pólio caiu drasticamente no mundo todo. Mas,
mesmo sendo considerada oficialmente eliminada em
muitos países (como no Brasil), não se pode garantir
que o vírus tenha sido extinto. Além disso, como o vírus ainda existe ao redor do mundo, pode reaparecer
em países onde já está eliminado. Por isso, a vacinação
deve continuar.
Sarampo, rubéola, catapora e caxumba
O sarampo, a rubéola, a catapora e a caxumba são doenças virais comuns
em crianças. Elas geralmente se curam sozinhas depois de alguns dias, mas po
dem causar algumas complicações que exigem cuidados médicos. Todas elas
podem ser prevenidas por meio de vacinação.
O sarampo acomete principalmente crianças de até 10 anos de idade. Elas
apresentam tosse, febre alta e manchas vermelhas no corpo, mas geralmente
são curadas naturalmente em poucos dias. Mas, sobretudo em
crianças com problemas de nutrição, podem ocorrer complicações. Nesses casos, a criança deve receber atendimento médico imediato. A transmissão se dá
pela eliminação do vírus pelas vias respiratórias. A prevenção é feita com vacina
(vacina tríplice viral contra sarampo, rubéola e caxumba).
A rubéola também é doença típica de crianças. Seus sintomas são semelhantes aos da gripe, além de aparecerem manchas rosa na pele, menores que
as do sarampo. A doença geralmente termina naturalmente, mas, em mulheres
grávidas, o vírus pode passar através da placenta e provocar problemas no feto,
como surdez.
A catapora é uma doença comum em crianças. Entre os sintomas estão febre, enjoo, vômitos e pequenas bolhas no corpo. A pessoa geralmente melhora
sozinha em poucos dias, mas pode ser necessário procurar um médico. As bolhas não devem ser coçadas, pois pode haver contaminação por bactérias.
Em alguns casos, o vírus pode permanecer anos
sem efeito, mas provocar sintomas no adulto, como
bolhas na pele e dor.
A caxumba é uma inflamação que atinge mais
comumente a parótida (glândula salivar situada à
frente da orelha). Daí o nome parotidite para a doença.
A cura é espontânea, mas o doente deve ficar
em repouso. Em adultos, pode haver complicações
em outros órgãos, como os testículos e os ovários
(nesse caso, pode causar esterilidade). A vacinação
é a melhor medida preventiva.
Dengue
Essa virose é causada por um vírus transmitido principalmente pela picada
do mosquito Aedes aegypti (figura 7.19). O mosquito não causa a doença, mas
transmite o vírus e por isso é chamado de vetor.
Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta, mal-estar, muito cansaço, dores de cabeça, nos olhos, nos músculos e nas articulações. Podem aparecer também vômito, diarreia e vermelhidão no corpo.
Pessoas com suspeita de dengue devem procurar atendimento médico imediato, para que se identifiquem os sinais de alarme, que indicam evolução mais
grave e necessidade de cuidados maiores, com hidratação intravenosa e até internação. Além de repouso e reposição de sais e líquidos, o médico pode indicar
remédios para baixar a febre.
Aedes aegypti (cerca de 5 mm de comprimento), mosquito transmissor da
dengue. No detalhe, fase larval do mosquito (1 mm a 6 mm de comprimento,
conforme estágio larval).
O mosquito vetor da dengue põe ovos em água parada. Por isso, é necessário que a população não deixe água acumulada em vasos de plantas, garrafas,
etc. É preciso também que, nas regiões mais atingidas pela dengue, sejam feitas
campanhas de educação e conscientização da população, com material educativo. Outra medida promovida pela saúde pública é o uso
de produtos que matam as larvas ou os insetos adultos.
Febre amarela, chikungunya, zika
A febre amarela ocorre nas regiões de matas (febre amarela silvestre), onde
é transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. No entanto,
se uma pessoa contaminada na região de mata voltar para a cidade, há o risco
de transmissão do vírus para outras pessoas pelo mosquito Aedes aegypti. Essa
condição caracteriza a febre amarela urbana. O último caso de febre amarela
urbana no Brasil ocorreu em 1942.
Além dos seres humanos, muitas espécies de macacos são sensíveis à febre amarela, especialmente os bugios, que, assim como as pessoas, podem
morrer em decorrência da doença. Outros macacos
podem ter a doença, como os saguis e os macacos-prego, mas geralmente são mais resistentes e sobrevivem. A morte de macacos é investigada para
determinar onde o vírus da febre amarela está circulando. O objetivo dessa investigação é imunizar
as pessoas que vivem ou frequentam esses locais.
Com medo da infecção, algumas pessoas mataram macacos durante a epidemia de febre ama
rela em 2017 e 2018. Os macacos, no entanto, não
transmitem a doença, e, ao fazerem isso, as pessoas
acabam por dificultar a identificação dos focos de
febre amarela.
O doente apresenta febre, vômito (muitas vezes com sangue), dor no estômago e lesões no fígado que podem levar à morte.
Para saber se a pessoa está com febre amarela é necessário fazer um exame
de sangue que se chama sorologia. Esse exame vai dosar os anticorpos que a
pessoa tem contra o vírus da febre amarela.
Atualmente não existe um tratamento que cure a febre amarela. O que se
faz é compensar as alterações que o organismo apresenta em decorrência da
doença, como manter a hidratação e repor sangue perdido, por exemplo. Em
pouco mais de uma semana, a pessoa vai desenvolver anticorpos que se encarregarão de destruir o vírus, possibilitando que o paciente se recupere.
A febre amarela pode ser prevenida por uma dose única da vacina, que garante imunidade contra a doença por toda a vida, ou pela dose fracionada. A
vacina, que é gratuita, é disponibilizada pelo SUS; consulte informações atualizadas em sites do governo.
A chikungunya (ou chikungunha), transmitida por mosquitos do gênero
Aedes, provoca febre alta, dor nas articulações, dor de cabeça e erupções na
pele que duram, em média, de 3 a 10 dias, mas as dores nas articulações podem
persistir por meses ou anos.
O mosquito Aedes aegypti pode transmitir também o vírus da zika. Os sinto
mas são manchas na pele e, às vezes, febre baixa e dores nos músculos e nas articulações. O problema maior ocorre com as mulheres grávidas: o vírus pode passar
para o embrião e afetar o desenvolvimento do encéfalo, entre outros problemas.
A prevenção e o combate a essas doenças são semelhantes às medidas que
devem ser tomadas contra a dengue.
Raiva (ou hidrofobia)
O vírus da raiva afeta o sistema nervoso.
É transmitido por mordidas de morcegos ou
por mordidas de cães, gatos ou ratos contaminados. A saliva desses animais, quando
contaminados pelo vírus da raiva, também
pode transmitir a doença. Se não houver
atendimento médico rápido, a raiva pode
ser fatal.
Se uma pessoa tocar em um animal que
possa estar contaminado, deve procurar o
serviço de saúde mais próximo. Se for mordida, deve lavar a ferida com água e sabão
e procurar o posto de saúde mais próximo
para receber a vacina e o soro antirrábico,
antes que os sintomas da doença (dor de
cabeça e contrações musculares, entre outros) se manifestem. A raiva também causa dificuldade de engolir água e por isso é
conhecida como hidrofobia.
É muito importante manter em dia a carteira de vacinação de cães, gatos e
outros animais de estimação, seguindo sempre as instruções do médico veterinário.