domingo, 1 de março de 2026

A região platina na América

A América Platina recebe essa denominação porque parte dos territórios dos países da região – Argentina, Paraguai e Uruguai – é banhada pelos rios que compõem a bacia Platina.
A região recebeu esse nome por ser atravessada pelo Rio da Prata, o que facilitou a ocupação desse território no período colonial.
Além dos aspectos hidrográficos, os países platinos com partilham um mesmo passado colonial. Argentina, Paraguai e Uruguai, além de Bolívia e parte do Chile, estiveram, durante o domínio espanhol, sob mesma administração, o Vice-Reino do Rio da Prata.
Algumas características físicas da região, como o predomínio do relevo plano, a extensa rede hidrográfica e a presença de solos férteis, possibilitam aos países platinos uma expressiva produção agrícola e a prática de pecuária. A região apresenta três áreas que podem ser diferenciadas com base em suas características físicas:

• Chaco: abrange o norte da Argentina e parte do Paraguai; caracteriza-se pelos terrenos planos, pelo clima subtropical e pela presença de florestas; destacam-se as culturas de algodão, erva-mate e a prática da pecuária. 
• Patagônia: abrange o sul da Argentina; caracteriza--se pelos terrenos planálticos, clima seco e vegeta ção rasteira; destacam-se a prática da pecuária e a exploração de petróleo e carvão mineral. 
• Pampa: abrange o sul do estado do Rio Grande do Sul, parte da Argentina e o Uruguai; o relevo plano e a qualidade do solo possibilitam a prática agrícola; destaca-se, também, pela pecuária. Fruto da colonização espanhola, a população da região é predominantemente branca, com exceção do Paraguai, marcado pela presença indígena.
Economicamente, os países que compõem a América Platina apresentam uma diversidade maior que os países andinos. Os três países mantêm uma relação comercial muito próxima com o Brasil, graças ao Mercosul.
A economia dos países platinos é bastante dinâmica. O setor agropecuário, por exemplo, tem grande des taque na pauta de exportações, especialmente em relação à pecuária de bovinos de qualidade, principalmente na Argentina e no Uruguai.
A atividade industrial é diversificada e os principais recursos naturais explorados são o petróleo e o gás natural na Argentina e os rios volumosos para geração de hidreletricidade no Paraguai, produzida nas usinas de Itaipu e Yacyretá. 
No setor de serviços, a atividade turística se destaca nos três países, e no Paraguai há uma grande área comercial de produtos importados, em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil (Foz do Iguaçu).

A Argentina


Na Argentina, cuja capital é Buenos Aires, vivem aproximadamente 45 milhões de pessoas. Cerca de um terço da população argentina vive na região metropolitana de sua capital e o restante em áreas do centro e do norte do país, como nas cidades de Córdoba e Rosário. 
Os principais recursos naturais do país são: chumbo, zinco, estanho, cobre, minério de ferro, manganês, petróleo e gás natural. O país apresenta solos férteis nas planícies dos pampas, onde se desenvolve a agricul tura. A Argentina produz energia elétrica a partir de combustíveis fósseis, fontes hidráulicas e outras fontes renováveis, além da energia nuclear – é o país da América Latina com a maior capacidade instalada desse tipo de energia.
Apesar das sucessivas crises que vem enfrentando, a Argentina apresenta os melhores indicadores econômicos e sociais dos países platinos. O país pode ser dividido em três regiões geoeconômicas: o Pampa, que concentra as principais cidades e a atividade industrial do país, além de possuir elevada produção de grãos, em razão do clima temperado e do solo fértil; o Chaco e a Mesopotâmia argentina, áreas mais pobres, com produções de milho, soja, algodão e erva-mate, além da pecuária bovina; os Andes e a Patagônia, regiões menos populosas em razão do clima frio.
A Argentina é reconhecida internacionalmente por seu setor agropecuário. Boa parte da criação de bovinos abastece o mercado interno, e cerca de 5% é exportada. Os principais destinos da carne produzida são China, Israel, Estados Unidos, América Latina e Europa.
A atividade agropecuária está concentrada nos pampas, região de planícies cobertas de vegetação de Pradarias ou campos. Além das características naturais favoráveis, os pampas concentram grande parte do mercado consumidor argentino e infraestruturas importantes para o escoamento da produção, como os portos de Rosário, no Rio Paraná, e Buenos Aires, no Rio da Prata. 
O modelo agropecuário argentino apresenta muitas semelhanças com o modelo brasileiro. Ambos são pautados na produção para o mercado externo, com elevado grau de mecanização, uso de sementes geneticamente trans formadas e agrotóxicos e cultivos em grandes propriedades monocultoras.
Na Argentina, o avanço da soja e do milho sobre as áreas de pastagens tem feito com que os pecuaristas adotem sistemas intensivos de criação de animais, chamados feedlots (lotes de alimentação). Nesse modelo, que já abrange mais de 80% do rebanho argentino, milhares de animais são confinados em áreas reduzidas para que possam engordar rapidamente, alimentados com soja transgênica. Além disso, recebem medicamentos para evitar doenças causadas pelo confinamento.
As características climáticas e o relevo predominantemente plano favorecem o desenvolvimen to da agricultura, com destaque para o cultivo de milho, algodão, soja e cana-de-açúcar. A porção oeste apresenta elevadas altitudes e climas rigorosos da cordilheira dos Andes. Há baixa densidade demográfica, e as principais ati vidades econômicas são a fruticultura irrigada e a extração de petróleo.
No sul, na região chamada de Patagônia, há o predomínio do clima frio com invernos rigorosos. As características naturais fazem a região também ser pouco povoada. Além da pecuária bovina, desenvolve-se a criação de ovinos. Também há importantes jazidas de petróleo e gás natural. 
Sobre a população argentina, ressaltar que grande parte tem origem espanhola por conta da colonização, mas que há grande número de descendentes de outros imigrantes, sobretudo italianos. Vale destacar que há parcela significativa da população de origem ameríndia, decorrente da miscigenação dos povos europeus com os nativos que habitavam o atual território argentino. 
Grande parte da população está concentrada nos arredores de Buenos Aires, sendo a densidade populacional no interior mais baixa, sobretudo na região sul e extremo sul do território, por conta das baixas temperaturas e solos impróprios para a atividade agropecuária.
A exemplo do México e do Brasil, a Argentina é um dos países mais industrializados da América Latina. Destacam-se as indústrias alimentícias, têxteis, mecâ nicas, eletroeletrônicas, metalúrgicas e automobilísticas.
Em 2001, a Argentina decretou a moratória (suspensão do pagamento da dívida externa) e passou a ser vista com desconfiança pelos investidores internacionais. Esse foi o período da mais grave crise econômica, social e política da conturbada história do país. 
Durante as últimas duas décadas, o único período de maior estabilidade econômica do país foi entre 2002 e 2007, quando o PIB cresceu em média 8,5% ao ano, resultado de políticas econômicas e do aproveitamento da capacidade industrial e de trabalho, que estavam ociosas na crise. No entanto, após essa breve estabilidade, o país voltou a passar por períodos de recessão. Em 2020, o PIB argentino foi de 389 bilhões de dólares.
Em 2014, o país decretou nova moratória, o que diminuiu as perspectivas de avanços econômicos e sociais para os anos subsequentes. A partir de 2016, com o governo do então presidente Maurício Macri, houve um crescimento econômico inicial (PIB de 2,9% em 2017), fruto da tentativa de controlar as contas públicas e a inflação. 
Porém, com a alta do dólar e dos juros nos Estados Unidos, a queda da safra agrícola em torno de 30% e a falha na tentativa de conter a inflação e os gastos públicos, o governo mergulhou em nova crise econô mica e de confiança e se viu obrigado a recorrer, em agosto de 2018, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), algo que não acontecia desde 2003. Em 2021, o governo argentino iniciou a negociação de um novo acordo com o FMI, com o objetivo de refinanciar a dívida de 44 bilhões de dólares.

O Uruguai


O Uruguai possui aproximadamente 3,5 milhões de habitantes, dos quais grande parte se concentra no sul do país, sobretudo na capital, Montevidéu, que abriga 50% de toda a população do país. O relevo aplanado e a vegetação de Pradarias contribuíram para que a pecuária se tornasse uma atividade relevante para o país, que apresenta um dos melhores indicadores sociais do continente latino-americano.
Os principais recursos naturais do país são: solos aráveis, recursos hídricos e pesca. Aproximadamente, 75% do território uruguaio é formado por terrenos baixos e planos, o que favorece a criação de gado para a produção de carne. 
O país obtém energia elétrica por meio da queima de combustíveis fósseis, da atividade hidrelétrica e, principalmente, de fontes renováveis, como a eólica e a solar. O país não produz petróleo nem gás natural, sendo obrigado a importá-los. A economia é baseada no setor agropecuário. 
O país é um grande produtor de cereais, como trigo, arroz e soja. Contudo, a maior força da economia uruguaia está relacionada à criação de gado bovino e ovino e à exportação de seus subprodutos, como carne, couro e lã. 
O país tem uma arrecadação significativa com o turismo, com destaque para o balneário de Punta del Este. China, Brasil, Estados Unidos e Argentina são os principais destinos da exportação uruguaia.
No começo da década de 1990, o país iniciou uma política de privatização de empresas estatais, o que permitiu o aumento da arrecadação do governo e a diminuição dos gastos públicos. Essa medida também atraiu empresas e instituições financeiras internacionais, fazendo com que o país ganhasse fama de “paraíso fiscal”. 
Entre 2004 e 2008, o Uruguai passou por um momento de forte cresci mento econômico, com médias anuais de 8%. Em 2009, a crise econômica internacional fez com que o crescimento econômico do país fosse de apenas 2,9%. No entanto, os uruguaios conseguiram evitar a recessão e a economia continuou crescendo por meio de investimentos privados e gastos públicos. 
No período entre 2012 e 2016, devido à desaceleração da economia global e de seus parceiros do Mercosul (sobretudo Brasil e Argentina), a economia uruguaia diminuiu sua velocidade de crescimento. Uma das marcas do país nos últimos quinze anos é a combinação de abertura para o livre-comércio e fortes investimentos sociais. 
O PIB do país em 2020 foi de aproximadamente 54 bilhões de dólares. Em relação aos seus indicadores sociais, o Uruguai apresenta alta expectativa de vida e índices satisfatórios de alfabetização, sendo classificado como um ótimo país para se viver.

O Paraguai


Com cerca de 7 milhões de habitantes, o Paraguai, cuja capital é Assunção, tem a maioria de sua população vivendo na parte leste do país. Na porção oeste (área do Chaco), embora corresponda a 60% do território paraguaio, vivem apenas 2% dos habitantes do país. Os principais recursos naturais do país são: madeira, minério de ferro, manganês, calcário e recursos hídricos. O país não possui reservas conhecidas de petróleo nem de gás natural.
Como não apresenta saída para o mar, o Paraguai utiliza portos argentinos e brasileiros para escoar seus produtos. Desenvolve atividades extrativistas (madeira), agricultura (algodão, tabaco e soja) e pecuária bovina. O comércio nas áreas de fronteira é uma importante atividade econômica, com a venda de mercadorias baratas, as quais depois são revendidas nos países vizinhos, especialmente no Brasil.
A economia paraguaia é pouco diversificada e sua produção industrial é modesta. O fraco desempenho da economia pode ser explicado, em primeiro lugar, pela ausência de saída para o mar, o que dificulta a ampliação das relações comerciais do país. 
A principal via de acesso para o Oceano Atlântico é o Rio Paraguai, que se une ao Rio Paraná e às rodovias brasileiras. O Porto de Paranaguá, no Paraná, é o local de entrada e saída da maioria dos produtos. 
Além disso, a infraestrutura do país é pouco eficiente, o que resulta em baixo volume de exportações e pouca arrecadação para o Estado, que possui uma enorme dívida externa. 
É um dos poucos países do mundo em que a agricultura arrecada mais que a indústria. Os principais produtos de exportação são: soja, trigo, mandioca e cana-de-açúcar.
O país é um grande exportador de energia elétrica, excedente da Usina Binacional Itaipu, e o Brasil é seu maior comprador. Na fronteira com o Brasil, mais preci samente com Foz do Iguaçu, no estado do Paraná, existe uma grande área comercial localizada na Ciudad del Este. 
Essa espécie de zona franca atrai diariamente muitos brasileiros que cruzam a Ponte da Amizade, que separa os dois países, em busca de produtos importados. O Paraguai apresenta os piores índices sociais entre os países platinos, porém, nos últimos anos, vem apresentando crescimento da sua economia, ainda que em 2020 apresente uma balança comercial deficitária. O PIB paraguaio foi de 35 bilhões de dólares.



A região andina na América

A América Andina é formada pelos países que têm em seu território partes da cordilheira dos Andes (Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e Chile).
Os Andes têm um papel importante na hidrografia da América do Sul, funcionando como um importante divisor de águas. Os rios que nascem a oeste da cordilheira são pouco extensos, correm sobre terrenos íngremes e deságuam no oceano Pacífico. Os rios que nascem a leste apresentam grande extensão, correm em terrenos mais planos e deságuam no oceano Atlântico, como é o caso do Rio Amazonas, cuja nascente está localizada no Peru.
As montanhas também influenciam o clima regional, as atividades econômicas e a cultura, com vestuários, alimentos e habitações adequados à vida em grandes altitudes. 
Os países da América Andina têm em comum aspectos históricos e culturais, como a colonização e a língua oficial espanhola. Com população formada principalmente por etnias indígenas e miscigenada, seus países também mantêm muitos costumes e tradições das sociedades pré-colombianas.
Economicamente, os países andinos são dependentes da exportação de produtos primários (as chamadas commodities), como cobre, petróleo, gás natural, café, frutas e pescados, e da importação de grande parte dos produtos industrializados de maior valor agregado, procedentes de países desenvolvidos. Esse cenário de dependência faz com que alguns desses países, que apresentam déficit na balança comercial internacional agravado por elevado endividamento externo, não consigam solucionar seus problemas sociais crônicos.
A América Andina tem a economia pautada na exploração e no beneficiamento de recursos minerais e energéticos, além de uma agricultura diversificada, com destaque para produtos como café, banana, cacau, cana-de-açúcar, trigo e aveia, cultivados em grandes propriedades.
Os países andinos são bastante dependentes das variações nos preços internacionais das matérias-primas que exportam. Com a pandemia de covid-19, a demanda por petróleo e outras commodities diminuiu drasticamente no mundo todo, gerando uma queda significativa nos preços, o que vulnerabilizou ainda mais a economia regional. 
Por outro lado, no primeiro semestre de 2022, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia fez com que os preços do petróleo, gás natural e carvão mineral subissem (a Rússia era o terceiro maior produtor de petróleo e o segundo maior produtor de gás natural), beneficiando os países exportadores da América Andina, com destaque para a Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.
Não se pode, no entanto, compreender esse grupo de países de forma homogênea do ponto de vista econômico. O Chile possui o maior IDH da América do Sul, com um parque industrial mais desenvolvido do que seus vizinhos andinos; Peru e Colômbia vêm experimentando crescimento do PIB nos últimos anos. Já Equador e Bolívia apresentam uma performance econômica mais modesta.
Politicamente, a maioria dos países andinos apresenta um cenário de estabilização, com a consolidação da democracia, eleições diretas, voto secreto, fortalecimento das instituições e liberdade de expressão garantida por lei. A exceção é a Venezuela que desde meados dos anos 2010 passa por uma grave crise política e econômica.

A Venezuela


O relevo venezuelano divide-se em uma estreita faixa da cordilheira dos Andes a oeste; planaltos mais baixos a leste; planície do Rio Orinoco no centro; e planície costeira ao norte, onde se encontra a maior parte da população.
Os principais recursos naturais do país são: petróleo (extraído no delta do Rio Orenoco e próximo ao Lago de Maracaibo), gás natural, minério de ferro, ouro, bauxita, diamante e potencial hidráulico para produção de energia.
Em algumas áreas pratica-se a agricultura semicomercial mecanizada de café, cacau, cana-de-açúcar, entre outros cultivos. 
Esse país apresenta importantes jazidas de petróleo, seu principal produto de exportação. As divisas geradas por ele contribuem para que a renda per capita do país seja elevada. Entretanto, a desigualdade social é acentuada, pois nem todos se beneficiam dessa riqueza.
A Venezuela possui um território rico em recursos energéticos, com destaque para o petróleo e o gás natural. Em 2020, o país detinha a maior reserva mundial de petróleo (17,5% do total) e a segunda maior reserva de gás natural da América.
A Venezuela é o principal produtor e exportador de petróleo da América Latina, totalizando 95% das exportações do país. O governo optou por destinar esses recursos à importação de bens de consumo e equipamentos, em vez de investir em infraestruturas e no desenvolvimento dos setores agropecuário e industrial. 
Essa opção tornou a economia venezuelana extremamente dependente da venda e, consequentemente, da variação dos preços do petróleo. 
O país é extremamente dependente da exportação do produto, que é responsável por quase a metade da receita do governo. Porém, a maior contradição interna da economia venezuelana é o fato de o país arrecadar muito dinheiro com a exportação de petróleo e ter grande desigualdade social. Uma pequena parcela da população tem boas condições de vida, enquanto a maioria não se beneficia dos lucros e da arrecadação dessa atividade comercial. 
Soma-se a essas desigualdades uma grave crise econômica, que resulta tanto da queda do preço internacional do petróleo quanto de um conflito político que se arrasta há anos.
A Venezuela entrou em grave crise econômica e humanitária quando o preço do barril de petróleo caiu em 2014. A produção petrolífera já vinha caindo desde o início dos anos 2010, passando de 2,7 milhões de barris por dia em 2011 para 640 mil barris em 2020. Essa queda na produção pode ser explicada principalmente pela já citada falta de investimentos em infraestruturas, também, na indústria do petróleo. Com diminuição da produção, também houve reduções nos postos de trabalho no setor. 
A crise econômica levou a Venezuela a uma crise política. O presidente Nicolás Maduro foi reeleito em maio de 2018 após uma eleição boicotada pela oposição, que não o reconhecia como presidente legítimo e representante da democracia. Estados Unidos, Canadá, União Europeia e outros países pró-oposição aplicaram sanções à Venezuela, incluindo um embargo ao petróleo, o que agravou ainda mais a crise econômica. 
O petróleo venezuelano, que até então era refinado nos Estados Unidos, foi substituído pelo petróleo russo. Desde então, a China passou a adquirir as exportações da Venezuela a um preço reduzido.
Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço do petróleo – que já havia variado bastante durante a pandemia de covid-19 – aumentou por causa das sanções contra os russos. Nesse contexto, a Venezuela surge como uma alternativa importante para substituir parte das exportações russas de petróleo, o que explica as tentativas de reaproximação do governo estadunidense com o governo venezuelano a partir de 2022.

A Colômbia


A Colômbia tem cerca de 50 milhões de habitantes e a sua capital é Bogotá. 
A Colômbia é o país mais populoso da América Andina. A maioria da população colombiana vive no norte e no oeste do país, áreas de maior desenvolvimento agrícola e onde estão os principais recursos minerais.
Sua economia é pautada na agricultura, especialmente de café. A folha de coca é mascada pelos andinos para facilitar a respiração em altitudes elevadas. Além disso, é matéria-prima para a fabricação de drogas ilícitas, como a cocaína. Com isso, o narcotráfico tornou-se uma atividade comum no país, realizada principalmente por grupos guerrilheiros que lutam contra o governo, como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Possui importantes reservas de carvão mineral e de petróleo. As atividades agrícolas que se destacam são: café, produção de flores, cana-de-açúcar, banana, milho, cacau e fumo. As planícies litorâneas favorecem a criação de gado, como bovinos, caprinos e equinos. A indústria colombiana restringe-se à fabricação de bens de consumo, como alimentos, bebidas e roupas.
A Colômbia é um dos países da região com maior potencial econômico. Novos investimentos na economia têm gerado elevado crescimento, graças à diversificação da atividade industrial e dos serviços, bem como ao aumento do comércio exterior. As redes no território da Colômbia são bem desenvolvidas e têm boas conexões com os países vizinhos, principalmente no que diz respeito aos meios de transporte.
Entre altos e baixos, na última década, a Colômbia recuperou a capacidade de fazer a economia crescer, apresentando elevação considerável no PIB, que atingiu 271 bilhões de dólares em 2020. Governo e sociedade, aliados em programas de cidadania, segurança e infraestrutura urbana, estimularam o consumo e aqueceram a economia. 
No entanto, há muito ainda a se fazer na Colômbia. O narcotráfico e os conflitos internos que envolvem grupos guerrilheiros, paramilitares e o exército nacional são graves problemas para o país.


O Equador


No Equador, vivem cerca de 17 milhões de pessoas e sua capital é Quito.
O Equador é o menor país andino. Sua população é originada da miscigenação de indígenas com europeus. A economia é pautada na agricultura (banana, café e cana-de-açúcar) e na mineração (petróleo). O país apresenta uma grande variedade de espécies endêmicas, especialmente nas Ilhas Galápagos, o que faz do Equador o país de maior biodiversidade do mundo por unidade de área.
Assim como a economia da maioria dos países da América Latina, a do Equador está voltada para a exportação de produtos primários: banana, café, cacau, pescados e petróleo. O petróleo é a principal fonte de riqueza, responsável por 40% das exportações do país, seguido de madeira, pescado e agricultura, em que se destaca o cultivo de banana, café e cacau. 
A economia equatoriana tem sua história recente marcada por crises e breves momen tos de recuperação. No ano 2000, devido a uma grave crise em seu sistema bancário, o país adotou o dólar americano como moeda nacional. Na década seguinte, o país apresentou crescimento – no ano de 2008, por exemplo, cresceu 6,4% – e renegociou sua dívida externa em 2009. A partir de 2013, a economia equatoriana sofreu novos abalos, decorrentes da queda dos preços do petróleo e da redução do investimento estrangeiro. 
Em 2016, um terremoto agravou os problemas, trazendo prejuízos a vários setores produtivos, como indústria, agricultura e turismo. Desde então, o país tentou sair da recessão adotando algumas medidas, como o aumento das tarifas sobre os produtos importados e a criação de impostos sobre as heranças. Em 2020, o PIB foi de aproximadamente 98 bilhões de dólares (dado do Banco Mundial).

A Bolívia


Com quase 11 milhões de habitantes (dados da ONU de 2020), a Bolívia, cuja capital administrativa é La Paz, é o país com a maior fronteira terrestre com o Brasil, totalizando 750 quilômetros de extensão. Uma característica marcante do território boliviano é a ausência de saída para o mar. A população boliviana se concentra nos altiplanos andinos e é marcada por forte presença indígena.
A Bolívia também é um país com fragilidades no setor econômico, ainda que tenha grandes fontes de recursos naturais energéticos, como petróleo e gás natural.
As atividades econômicas predominantes são a mineração, a agricultura e a pecuária. Destaca-se, ainda, a produção de gás natural, exportado para o Brasil por meio do gasoduto Brasil-Bolívia, que se estende por 1 400 km.
Os principais recursos naturais do país são o petróleo, o gás natural, a madeira, o pescado e o potencial hidráulico para geração de eletricidade. A principal atividade econômica do país é a extração de gás natural. A indústria boliviana é pouco desenvolvida, estando principalmente relacionada à produção mineral, de alimentos e de vestuário. 
A maior parte do gás natural extraído pela Bolívia é exportado. Em 2017, cerca de 74% da sua produção foi comercializada com o exterior. De acordo com dados do Ministério de Hidrocarbonetos e Energias da Bolívia, em 2021, o país arrecadou cerca de 2,241 bilhões de dólares com a exportação desse recurso. O Brasil é um dos principais compradores do gás natural boliviano, transportado por dutos – o Gasoduto Bolívia-Brasil.
O país vem tentando reduzir suas desigualdades sociais, mas ainda é marcado por tensões sociais e raciais. A Bolívia possui uma grande população de origem indígena, que nos últimos anos tem se destacado no cenário político.

O Peru


Com cerca de 32 milhões de habitantes, o Peru está dividido em três grandes áreas naturais: a costa (11% do total do território), que concentra cerca de um terço de sua população, especialmente na região metropolitana da capital, Lima; os Andes (27% do território); e a Floresta Amazônica (62% do território).
O Peru é composto, em grande parte, de populações indígenas. Muitos habitantes falam a língua quíchua, dos incas. Diversas cidades peruanas apresentam material arquitetônico e arqueológico inca preservado, como Cuzco e Aguas Calientes, onde se localiza Machu Picchu. Por esse motivo, o turismo é uma atividade de relevância para o país. Destacam-se, além disso, a mineração (prata, estanho e cobre) e a agricultura de produtos tropicais.
A economia do país é um reflexo dessa diversidade de ambientes naturais. Em 2020, o PIB foi de aproximadamente 202 bilhões de dólares (dado do Banco Mundial). A maioria de seus recursos minerais são encontrados na área montanhosa da cordilheira dos Andes e na área costeira.
A atividade de maior destaque na economia peruana é a pesqueira, graças à corrente marítima de Humboldt. Na agricultura, destaca-se a produção de cana-de-açúcar, algodão, café e trigo. Os principais recursos minerais exportados são ouro, zinco, chumbo, prata e cobre. 
O país tem concentrado esforços para fechar acordos de livre-comércio com outros países, como Canadá, Singapura, Japão, Costa Rica e União Europeia, com destaque para a recente Parceria Transpacífico.

O Chile


Localizado entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico, o território do Chile é o mais estreito do mundo. Sua largura máxima é de 175 km, enquanto sua extensão norte-sul é de 4,3 mil km. A população do Chile é de aproximadamente 19 milhões de habitantes, concentrados principalmente na região central, sobretudo na sua capital: Santiago. 
O Chile é, social e economicamente, o país mais desenvolvido da região andina. A população e as principais cidades chilenas se concentram no centro do país, já que o norte abriga um grande deserto – o Atacama – e o sul apresenta baixas temperaturas. 
A economia é uma das mais sólidas da América do Sul. Em 2020, o PIB foi de aproximadamente 252 bilhões de dólares (dado do Banco Mundial). O Chile tem a tendência de abrir sua economia para as principais economias do mundo, como os países europeus, Estados Unidos, China e Japão, reduzindo e até eliminando barreiras comerciais. Por meio desses acordos, o Chile busca vantagens para exportar seus produtos, além de atrair investimentos externos. Recentes acordos comerciais inseriram o país no bloco econômico denominado Parceria Transpacífico, que consiste em uma área de livre-comércio com outras 11 nações banha das pelo Oceano Pacífico.
A maior parte dos cerca de 19 milhões de habitantes (2021) vive na região central do país, principalmente na área metropolitana de Santiago, capital do país que concentra a atividade industrial, com destaque para a produção de celulose, de produtos químicos e têxteis, de equipamentos de transporte e de alimentos.
A economia chilena passou por um processo de aceleração a partir da década de 1990, com a abertura para investimentos estrangeiros e a instalação de empresas transnacionais, a privatização de empresas estatais e a redução de impostos. Além da indústria, o país também conta com as atividades de mineração, pesca, agricultura e pecuária.
Na agricultura, destacam-se o cultivo e a exportação, principalmente para a Europa, de frutas e cereais típicos de climas mais frios. O Chile também é um importante produtor de vinhos, concentrando as viniculturas no sul do território.
No norte do país, na região do deserto do Atacama, o extrativismo mineral é a atividade que mais se destaca, sendo uma das mais importantes para a economia chilena. 
Os principais recursos naturais do país são: cobre, madeira, minério de ferro, metais preciosos e o potencial hidráulico para a produção de energia elétrica. Outros setores importantes nas exportações chilenas são: industrial, agroindustrial (celulose, salmão e vinho) e agrícola (com destaque para o cultivo de frutas). Uma das atividades econômicas com preponderância no país é a pesqueira, influenciada pela corrente marítima fria de Humboldt, que concentra alimentos para os cardumes na costa do país. Outro destaque é para o turismo, principalmente no balneário Viña del Mar, no deserto do Atacama e na região sul dos Lagos Andinos, montanhas associadas ao vulcanismo.
O Chile é o maior produtor mundial de cobre, sendo esse recurso mineral o principal produto de exportação do país. Apresenta também importantes jazidas de prata, ouro, ferro e carvão. 
Tanto a mineração quanto a agricultura utilizam muita água. No Chile essas atividades são desenvolvidas em uma das zonas mais áridas do planeta, onde a pressão sobre os recursos hídricos é naturalmente elevada. 
Os períodos de seca, característicos do clima chileno, vêm se agravando pelas mudanças climáticas. Desde 2010, o país atravessa uma grande crise hídrica, com redução de aproximadamente 30% das precipitações. 
Além de racionamentos de água nos centros urbanos, pecuaristas são forçados a deslocar rebanhos inteiros para o sul do país em busca de pastagens, evitando, assim, a morte dos animais.
Além dos aspectos climáticos e econômicos, a questão da água no Chile envolve uma opção política. O país é o único no mundo onde a água é privatizada, ou seja, empresas podem deter o acesso ao recurso por meio de títulos que, como uma mercadoria qualquer, podem ser alugados ou vendidos. 
Essa situação favorece os grandes proprietários de terras em detrimento dos pequenos agricultores. Cerca de 90% dos direitos sobre a água estão nas mãos de empresas de mineração e do agronegócio, que a utilizam e poluem indiscriminadamente, deixando as populações sem acesso à água potável e impossibilitadas de realizar tarefas básicas do cotidiano. 
A sociedade chilena, organizada em diversos movimentos populares, vem exigindo mudanças na Constituição, sendo a desprivatização das águas uma delas.
Com a adoção de reformas profundas para modernizar a economia, o Chile é o país latino-americano que mais se desenvolveu economicamente nas últimas décadas. Fatores, como privatizações, abertura econômica, controle de gastos públicos e inflacionário e grande impulso no setor de exportação foram responsáveis por esse crescimento. Embora ainda apresente elevada concentração de renda, nos últimos anos, políticas implementadas pelo governo reduziram significativamente os níveis de pobreza e indigência no país.



América do Sul: passado e presente comuns

Formada por 12 países, mais um território da França, a América do Sul ocupa uma área de 17,8 milhões de km2, na qual se encontram muitos recursos naturais, como minério de ferro, petróleo e água. Além disso, por estar situada, em sua maior parte, na faixa Tropical, a região recebe chuvas e insolação regulares, o que amplia seu potencial agrícola.
O continente sul-america no detém 27% da água doce do pla neta, parte em estado sólido nos An des, e cerca de 8 milhões de km 2 florestas, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o de Meio Ambiente (Pnuma).
Até o século XVI, a América do Sul era ocupada por povos pré-colombianos, que foram dominados pelos europeus, sobretudo espanhóis e portugueses. Entre os séculos XVI e XVIII, foram trazidos para essas terras africanos escravizados e, a partir do final do século XIX, grandes levas de imigrantes japoneses e italianos, entre outras nacionalidades, desembarcaram nessa parte do continente. O resultado é uma grande diversidade cultural.
Durante o período colonial, as sociedades locais eram obrigadas a comercializar com as metrópoles. Após a independência das colônias, esse quadro mudou, porém, a maioria dos países sul-americanos ainda apresenta uma inserção des vantajosa na Divisão Internacional do Trabalho, o que se reflete na qualidade de vida de suas populações, com grande desigualdade socioeconômica.
Entre as características comuns apresentadas por esses países, destaca-se o período da história, entre as décadas de 1950 e 1980, em que o continente sul-americano foi governado predominantemente por governos militares, que che garam ao poder por meio de golpes de Estado. A partir dos anos 1980, esses países passaram por processos de redemocratização, acompanhados da adoção de políticas econômicas e sociais neoliberais, isto é, fundamentadas na concepção de que o Estado deve interferir o mínimo possível na regulação da economia e abrir mão de suas funções sociais, delegando ao mercado o equilíbrio econômico e social.
O empobrecimento dessas sociedades e o aumento da concentração de ren da gerou descontentamentos que fizeram emergir, no decorrer dos anos 2000, governos com propostas voltadas à promoção da igualdade social. Contudo, os desdobramentos da crise mundial de 2008 abalaram esses países econômica e politicamente, levando novamente, à ascensão de governos de cunho neoliberal.

A época das ditaduras


A primeira ditadura militar instalada em um país sul-americano no século pas sado teve início em 1954, no Paraguai, quando o general Alfredo Stroessner (1912--2006) derrubou o presidente Federico Chavez (1882-1978). Em 1989, o próprio Stroessner sofreu uma derrota ao ser expulso da presidência por outro militar, Andrés Rodriguez (1923-1997), que levou o país à democracia, em 1993.
No Brasil, em 1964, uma junta militar derrubou o então presidente João Goulart (1918-1976), inaugurando um ciclo que se encerrou em 1985, com a realização de eleições indiretas. Apenas em 1989 houve eleição direta para presidente no Brasil, apesar da intensa mobilização popular que pediu eleições diretas em 1983 e 1984.
Em 1964, também teve início na Bolívia um regime comandado por uma jun ta militar que destituiu o presidente Paz Estenssoro (1907-2001) e perdurou até 1982, quando a democracia foi restaurada.
Em 1968, o general Juan Velasco Alvarado comandou um golpe contra o pre sidente Fernando Belaunde Terry (1912-2002), no Peru. Os militares se mantiveram no poder até 1980.
Uma junta militar atuou no Equador em 1972 para derrubar o presidente José María Velasco Ibarra (1893-1979). As eleições foram retomadas em 1979.
Em 1973, o general Augusto Pinochet (1915-2006) liderou o golpe contra o governo de Salvador Allende (1908-1973), no Chile. A ditadura teve fim apenas em 1990, quando Pinochet entregou o poder.
Ainda em 1973, teve início no Uruguai um período sem votação para presi dente, após o fechamento do Senado e da Câmara dos Deputados pelo então presidente Juan María Bordaberry (1928-2011), com apoio dos militares. As eleições só foram retomadas em 1985.
Na Argentina, em 1966, os militares depuseram o presidente Arturo Illia (1900-1983) e tomaram o poder. Em 1973, cedendo à pressão popular, realizaram eleições. Delas saiu vitorioso o General Juan Domingo Perón (1895-1974), que fa leceu um ano depois. Sua viúva e então vice-presidente, Isabelita Perón (1931-) assumiu a presidência. Um novo golpe de Estado, em 1976, tirou Isabelita do poder, inaugurando um ciclo de ditadura militar. Em 1983, os militares deixaram o poder.
O que esses regimes políticos tiveram em comum? Primeiro, aumentaram a dívida externa dos países por meio de empréstimos de países europeus, dos Es tados Unidos e de organizações internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, facilitaram a instalação de novas em presas estrangeiras e a consolidação das que já estavam instaladas no país, prin cipalmente as que atuavam na exploração mineral.
Ao final das ditaduras, todos os países apresentavam desigualdade socioeconômica acentuada. Grande parte dos golpes de Estado que levaram militares ao poder contou com o apoio dos Estados Unidos, que temiam a instalação de go vernos de orientação socialista ou comunista nos países sul-americanos, como ocorrera em Cuba, mas o aspecto mais grave das ditaduras foi a repressão políti ca, que resultou na prisão, na tortura e na morte de muitas pessoas.

Desafios no século XXI


Depois de anos de autoritarismo, surgiram novas possibilidades para os países da América do Sul. Desde o fim do século XX e o início do século XXI, vários go vernantes eleitos assumiram uma visão da sociedade e do mundo que pode re sultar em uma maior aproximação entre esses países. Conheça a seguir algumas mudanças recentes em países sul-americanos.

Venezuela


No período em que Hugo Chá vez (1954-2013) governou o país, de 1999 a 2013, a Venezuela teve uma maior projeção interna cional, sobretudo por sua resistência em relação aos Estados Unidos e a seus vizinhos, aliados à superpotên cia mundial. Hugo Chávez imple mentou políticas que visavam me lhorar a distribuição de renda no país, mas isso não resultou na erra dicação da pobreza, embora a tenha reduzido.
Com a morte de Chávez, assu miu o vice-presidente Nicolás Ma duro (1962-). Na eleição ocorrida logo a seguir, Maduro foi eleito pre sidente e manteve a agenda traça da por seu antecessor, mas não obteve o mesmo sucesso político que ele.
Maduro enfrentou uma época adversa, com redução drástica do preço do petróleo, principal produto exportado pela Venezuela. O resultado foi a instalação de uma crise política e econômica iniciada no final de 2014.

Colômbia


Um aspecto que diferencia a Colômbia dos demais países da América do Sul é que o país é o único que há décadas enfrenta uma guerra civil. Desde a década de 1960, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) lutam para introduzir o socialismo no país.
Depois de um período tenso e sem negociação, o governo colombiano conse guiu restabelecer o diálogo com as lideranças das Farc. Depois de quatro anos de negociações e um referendo de paz rejeitado pela população em 2016 – devido a alguns pontos do documento que dividiram a opinião pública –, o governo colombiano e os líderes das Farc assinaram um acordo de paz. O então presidente Juan Manuel Santos recebeu o prêmio Nobel da Paz por seus esforços em acabar com o conflito, e as Farc se transformaram em um partido político (Força Alternativa Revolucionária do Comum). Em 2018, porém, Iván Duque, representando os opo sitores ao acordo de paz, elegeu-se presidente, trazendo novas incertezas quanto ao futuro político do país.
Economicamente, a Colômbia é um dos países mais prósperos da América do Sul. Destaca-se pela produção e exportação de café, que tem no município de Ma nizales, no estado de Caldas, o grande polo produtor. O país também exporta minerais, como carvão e ouro, além de ser o maior exporta dor de esmeraldas do mundo e o principal fornecedor de flores para os Estados Unidos, atividade que emprega muita mão de obra feminina.

Equador


O Equador é o principal produtor e exportador de banana do mun do, integrando uma grande cadeia transnacional de produção e comércio desse produto. Quito e Guaiaquil são as principais cidades, que apresentam uma diver sidade de atividades econômicas.
O principal produto de exportação equatoriano é o petróleo bruto, que em 2016 representou 29% do total de exportações do país. O Equador é também um grande produtor de crustáceos, sobretudo camarão.

Peru


No Peru, destaca-se o dinamismo dos setores de exploração mineral, o principal do país, e as exporta ções de cobre e de ouro. Outra atividade econômica importante no país é a pesca marítima. Vale ressaltar que o principal parceiro comercial do Peru atualmente é a China, responsável pela compra de 23% do total de suas exportações.
O Peru tem recebido um importante fluxo de tu ristas e de investimentos nos últimos anos. Os diver sos atrativos culturais e naturais do Peru fazem do país um dos destinos mais procurados na América do Sul, com destaque para Lima e Cuzco. In vestimentos de grupos transnacionais do turismo, associados a políticas desenvolvidas pelo governo, resultaram em melhorias da infraestrutura turística.

Bolívia


A Bolívia, assim como o Paraguai, é desprovida de saída para o mar. O país se destaca como fornecedor de recursos naturais, principalmente petróleo, gás natural e minério de zinco. Juntos, esses produtos representaram 40% das exportações bolivianas em 2016. O Brasil é o principal parceiro comercial da Bolívia, responsável por 18% do total das exportações do país e por cerca de 17% das importações. Além da capital La Paz, desta cam-se a outra capital, Sucre, além das cidades de Cochabamba e de Santa Cruz de la Sierra, que desen volve importante produção agrí cola, principalmente de soja, outro produto boliviano de exportação.
Outra característica representativa do país é o reconhecimen to de sua diversidade cultural. A grande quantidade de povos in dígenas que compõem a popula ção boliviana levou à mudança do nome do país, que passou a se chamar Estado Plurinacional da Bolívia, e ao reconhecimento de 37 línguas oficiais, com predomí nio do espanhol.

Argentina


A Argentina é um país com tradição no setor agropecuário. Seu principal produto de exportação é o farelo de soja, que em 2016 correspondeu a 17% das vendas do país para o mercado externo, seguido do milho, que, no mesmo ano, representou 7,4% das exportações.
A esses produtos soma-se o relevante rebanho bovino, criado, principalmente, nos Pampas. Nessa região, favorecida pelo relevo aplainado e pela fertilidade do solo, são desenvolvidas as principais atividades agropecuárias do país. Além da proximidade a centros urbanos consumidores, como as cidades de Buenos Aires, Santa Fé, Baía Blanca e Rosá rio, a região oferece facilidade de escoamento da pro dução pelo Rio da Prata.
Na Argentina também há cidades que contam com a presença de importantes indústrias, como Buenos Aires e Córdoba. Mendoza, por sua vez, se destaca pela produção de vinhos, exportados para muitos países.
Os principais parceiros comerciais da Argentina são Brasil, China e Estados Unidos. Em 2016, o Brasil adquiriu cerca de 15% dos produtos exportados pela Argentina, enquanto os Estados Unidos 7,9% e a China 7,5%.
Em 2016, o Brasil manteve sua posição de principal país de origem, respondendo por 24% das importações argentinas, seguido da China, com 19%, e dos Estados Unidos, com 13%. No início do século XX, a Argentina era o país mais 280 560 km Figura 29. Prédios inspirados no estilo arquitetônico francês, em Buenos Aires (Argentina), 2017. 
Nos dias atuais, a influência europeia pode ser facilmente observada na arquitetura da capital argentina. rico da América do Sul, mas enfrentou sérias crises financeiras e políticas, principalmente nos últimos anos da década de 1990 e no começo do século XXI. De acordo com vários analistas, isso ocorreu em virtude do processo de desindustrialização do país.
Em 2016, o Brasil manteve sua posição de principal país de origem, respondendo por 24% das importações argentinas, seguido da China, com 19%, e dos Estados Unidos, com 13%.
No início do século XX, a Argentina era o país mais rico da América do Sul (figura 29), mas enfrentou sérias crises financeiras e políticas, principalmente nos últimos anos da década de 1990 e no começo do século XXI. De acordo com vários analistas, isso ocorreu em virtude do processo de desindustrialização do país.
A Argentina perdeu competitividade externa e diminuiu a oferta de empregos na última década do século XX. Nas primeiras décadas do século XXI, o país tem buscado recuperar sua atividade industrial, apesar de enfrentar dificuldades em relação a seus credores externos.
Em 2015, foi eleito o presidente Mauricio Macri, que assumiu o governo em dezembro daquele ano. Macri adotou políticas econômicas de cunho neoliberal, enfrentou graves crises econômicas que culminaram no aumento da inflação, na tomada de empréstimos junto ao FMI, no aumento da pobreza e em grande des contentamento popular, que gerou greves pelo país.

Chile


O Chile ocupa um território que se estende pela faixa litorânea do Pacífico, abrangendo uma estreita faixa de terra que vai da costa até a Cordilheira dos Andes.
Como você já sabe, o Chile também depende da exploração de recursos naturais, princi palmente do cobre. Em 2016, o cobre refinado, o minério de cobre e o cobre bruto represen taram mais de 40% das exportações chilenas.
No mesmo ano, os principais compradores de produtos chilenos foram China (28%), Esta dos Unidos (14%), Japão (8,4%), Coreia do Sul (6,9%) e Brasil (4,7%). Por sua vez, as importa ções chilenas tiveram como principais origens a China (24%), os Estados Unidos (18%) e o Brasil (7,7%).
Santiago, a capital, concentra os serviços e empregos do país. Concepción é o segundo polo comercial e industrial chileno e Valparaíso se destaca pela presença do porto mais importante do Chile.
Entre os países da América do Sul, o Chile foi o que mais seguiu o modelo neoliberal predominante na década de 1990. A economia do país é aberta à pre sença de capital internacional, que praticamente não encontra restrições. Alguns direitos sociais foram aos poucos repassados à iniciativa privada, como a educação, o que, nos últimos anos, deu origem a muitas manifestações de estudantes chilenos, contrários às medidas.

Uruguai


Localizado entre Brasil e Argentina, o Uruguai é um país banhado pelo oceano Atlântico e pelo rio da Prata. Sua capital, Montevidéu, tinha uma população de aproximadamente 1,4 milhão de habitantes, em 2016 – mais de 40% da população total do país, que nesse mesmo ano atingiu 3,4 milhões de pessoas. 
A atividade econômica mais importante é a agrope cuária. O país é um tradicional exportador de carne bovina e também se destaca na produção de soja e celulose. Em 2016, o principal produto de exportação, responsável por 15% do total das vendas do país, foi o sulfato de celulose química, usado na fabricação de papel. No mesmo ano, a carne bovina congelada representou 14% das exportações.
China e Brasil são importantes parceiros comerciais do Uruguai. Em 2016, foram destino de 17% e 16% das ex portações uruguaias, respectivamente. Esses países foram a origem dos principais produtos importados pelo Uruguai, representando, cada um, 18% das importações. 
Outro setor que atrai investimentos é o turismo. Os principais destinos são Punta del Este e Montevidéu, que abriga a secretaria do Mercosul. 
O país ganhou destaque internacional ao se tornar o segundo país da América do Sul, depois da Argentina, a aprovar o casamento entre homossexuais, em 2013. No Brasil, esse direito também é reconhecido desde 2013.



América Central: países latino-americanos do istmo e do Caribe

O espaço geográfico dos países centro-americanos foi formado sob forte influência dos interesses estadunidenses, a exemplo do Haiti, um dos primeiros países da América Central a se libertar do domínio colonial francês. Os Estados Unidos não reconheceram a independência do país e logo em seguida estabeleceram um bloqueio comercial.
Além da produção agrícola voltada para o mercado externo, a economia dos países da América Central baseia-se no setor de serviços, principalmente no turismo, atividade favorecida pelo clima tropical e pelo litoral banhado pelas águas quentes do oceano Atlântico, que formam as famosas praias do Caribe.
A América Central é formada majoritariamente por países que foram colonizados pela Espanha. Ao longo da história, porém, essa região foi alvo da cobiça de piratas e de disputas por parte de outras potências europeias, entre elas o Reino Unido, que se estabeleceu e dominou algumas áreas, dando origem a países que hoje adotam o inglês como idioma oficial. Esses países constituem exceções na regionalização baseada em aspectos histórico-culturais, que divide o continente americano em América Latina e América Anglo-Saxônica.
A América Central se divide em duas partes: ístmica (continental) e insular (ilhas). O istmo é uma estreita faixa de terra que liga as Américas do Norte e do Sul. As ilhas do Caribe se dividem em dois grupos: as Grandes Antilhas e as Pequenas Antilhas.
O termo “ístmica” deriva de “istmo”, uma estreita faixa de terra que liga duas porções terrestres maiores. A palavra “insular”, por sua vez, se refere a ilha. Assim, a América Central Ístmica compreende a faixa estreita de terra que liga a América do Norte à América do Sul, abrangendo sete países. A América Central Insular é formada por ilhas, banhadas principalmente pelo mar do Caribe.
A América Central continental, composta de sete países, é formada por um istmo situado entre o México e a Colômbia, com 2.300 quilômetros de extensão. Sua população está concentrada nos planaltos centrais e no litoral do Pacífico, onde se localizam as maiores cidades: Guatemala, San Salvador, Manágua e São José, respectivas capitais de Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica.
As atividades do setor primário, especialmente a agricultura, praticadas na parte ístmica da América Central são muito importantes para a economia de diversos países. Entre elas, se destaca a agricultura de exportação (frutas e produtos tropicais).
A cana-de-açúcar, o algodão e o abacaxi são produtos agrícolas cultivados em grande quantidade na América Central ístmica, em plantations que ocupam os solos mais férteis.
Nas florestas que recobrem o litoral caribenho é praticada a exploração de madeiras de grande valor comercial (peroba, pau-rosa e cedro) e do chicle, exportado principalmente para os Estados Unidos, que o utilizam na fabricação da goma de mascar.
Nos planaltos, em função dos bons solos de origem vulcânica, os produtos mais cultivados são o café (El Salvador) e o milho (Guatemala). Nas zonas de maior altitude cultiva-se o trigo. Nas baixadas litorâneas, desde Belize até o Panamá, o principal cultivo é o da banana, no sistema de plantation.
A porção insular da América Central pode ser dividida, ainda, segundo o tamanho das ilhas. As maiores ilhas, chamadas Grandes Antilhas, são: Cuba, Haiti, República Dominicana, Jamaica e Porto Rico. Este último é um Estado Livre Associado aos Estados Unidos.
As ilhas menores, chamadas Pequenas Antilhas, possuem distintos estatutos políticos. Algumas delas constituem países autônomos, enquanto outras são possessões francesas, britânicas ou holandesas.
A América Central apresenta bastante diversidade étnica. Em alguns países, predominam brancos de origem europeia, como na Costa Rica; em outros, a população indígena, a exemplo da Guatemala; já na Jamaica, a população é predominantemente negra. Também encontramos uma grande diversidade linguística na região, com países cujos idiomas principais são espanhol, inglês, francês e holandês.
Algumas características, entretanto, são comuns aos países da América Central: economia frágil e dependente, população predominantemente rural e baixos indicadores socioeconômicos. 
Alguns países, como o Haiti, estão entre os que apresentam os piores IDHs do mundo, com altas taxas de analfabetismo e de mortalidade infantil. Os problemas socioeconômicos são agravados pelas intempéries naturais da região, como terremotos e furacões.
A economia regional depende de atividades do setor primário e do turismo. Destaca-se a agricultura de cana-de-açúcar, banana, cacau e outros cultivos tropicais, realizada em sistema de plantation. Na mineração, os destaques são a produção de bauxita, na Jamaica, e de petróleo, em Trinidad e Tobago.
Em vários países da América Central, como Nicarágua, Panamá, Honduras e El Salvador, as precárias condições de vida da maioria da população, os grandes desníveis sociais e a ação de governos autoritários ligados aos interesses da pequena classe dominante têm provocado crises e revoltas populares.
Para conter revoltas, algumas de caráter socialista, os Estados Unidos inter ferem nesses países sob justificativas de proteger a democracia, restaurar a paz, promover a estabilidade interna, proteger o continente americano de agressões externas, entre outras. 
Entretanto, há alguns anos os Estados Unidos apoiavam ditaduras militares, do mesmo modo que apoiam governos civis atuais. Essa atitude mostra que o que está em jogo de fato são seus interesses geopolíticos e econômicos e a necessidade de demonstrar seu poderio político-militar.

Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador


No passado, a área onde hoje se situa a Guatemala era ocupada pelo povo maia, uma das principais civilizações pré-colombianas. No século XIX, em 1822, essa área foi integrada ao México, mas no ano seguinte se tornou independente e passou a fazer parte das Provincias Unidas del Centro de América. Em 1838, o país deixou as Provincias e declarou novamente sua independência.
A agricultura guatemalteca se baseia no cultivo de produtos tropicais, com destaque para o café, a banana e a cana-de-açúcar. Nos últimos anos, o país recebeu novos investimentos no setor de produção de açúcar e álcool, o que pode aumentar sua presença no mercado internacional desses produtos.
As terras do Belize também eram ocupadas pelos maias, mas foram colonizadas pelos ingleses depois de uma negociação com os espanhóis, que, segundo historiadores, não chegaram a pisar as terras que hoje formam o país. O Belize só conquis tou sua independência em 1981, mas faz parte da Commonwealth. A principal atividade econômica desenvolvida no país é o cultivo de frutas para exportação.
Honduras, segundo país em extensão territorial da América Central, apresenta baixos níveis de desenvolvimento social e econômico. O país está entre os mais pobres do mundo, apesar de ser um tradicional aliado dos Estados Unidos. Desde o início do século XX, a base econômica hondurenha é a produção de frutas para exportação. Além disso, foi uma das bases estadunidenses para o combate ao movimento revolucionário socialista que se instalou em El Salvador e na Nicarágua, nas décadas de 1970 e 1980.
El Salvador passou por uma intensa guerra civil entre 1980 e 1992, período em que a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional tentava implantar o socialismo no país. Como ocorreu na Nicarágua, os Estados Unidos financiaram o go verno salvadorenho para combater os rebeldes, num esforço de evitar que se repetisse o que aconteceu em Cuba, como veremos adiante. Anos de luta transformaram o país em um dos mais pobres do mundo. Parte importante do PIB nacional provém do dinheiro enviado por imigrantes salvadorenhos aos parentes residentes no país.

Nicarágua


Como ocorreu em diversos países da América Central, a Nicarágua também foi dominada pela Espanha. A independência veio em 1821. Dois anos depois, o país integrava as Provincias Unidas del Centro de América.
A Nicarágua passou por um período de guerra civil, quando os sandinistas, grupo de esquerda radical, conquistaram o poder. O turismo cresceu após o final dos conflitos, em 1979. A atividade produtiva nicaraguense está predominante mente voltada ao setor primário. O país se destaca no cultivo de produtos tro picais, especialmente frutas, e abriga um dos maiores rebanhos da América Central.
Existe interesse da China em construir um novo canal interoceânico na Nicarágua. Essa iniciativa é critica da pelo Panamá, que alega não haver necessidade de mais um canal, uma vez que o Canal do Panamá está apto a receber embarcações de maior por te. A China, porém, argumenta que a obra reduziria ainda mais o tempo de travessia. O projeto também é rejeitado pelos Estados Unidos, que sente ameaçado seu domínio sobre a América Central.

Costa Rica


Existe interesse da China em construir um novo canal interoceânico na Nicarágua. Essa iniciativa é critica da pelo Panamá, que alega não haver necessidade de mais um canal, uma vez que o Canal do Panamá está apto a receber embarcações de maior porte. A China, porém, argumenta que a obra reduziria ainda mais o tempo de travessia. O projeto também é rejei tado pelos Estados Unidos, que sente ameaçado seu domínio sobre a América Central. Entre as atividades econômicas costarriquenhas destacam-se o cultivo de café e banana, principais produtos de exportação do país. O turismo também tem papel de destaque, dada a beleza natural da Costa Rica, que apresenta paisagens diversificadas, com montanhas, resultado da presença de vulcões, e praias exuberantes, na costa do Pacífico e do Atlântico.
Dois fatos curiosos projetam a Costa Rica no mundo. O primeiro é o de terem sido abolidas as forças armadas no país, em 1949. Por esse motivo, a Costa Rica é sede da Universidade para a Paz, instituição de educação superior da ONU que assume a missão de promover a tolerância e a coexistência pacífica, contribuindo para a cooperação entre os povos, para a redução das ameaças à paz no mundo e para o progresso. O segundo é o de o país ser sede da Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão judicial responsável pela 194 aplicação da Convenção Americana de Direitos Humanos e outros documentos que enfocam a mesma temática.
Outro aspecto responsável pela projeção da Costa Rica no mundo é seu mo delo de conservação ambiental. O país inovou ao trocar parte de sua dívida externa pela concessão de exploração da biodiversidade de suas florestas nos primeiros anos do século XXI. Essa iniciativa, porém, foi alvo de críticas, segundo as quais esse modelo privilegiaria apenas as empresas concessionárias e que o povo não seria beneficiado pelos produtos gerados.
A Costa Rica também converteu cerca de 40% de seu território em áreas protegidas, ampliando sua oferta de atrativos turísticos e seu papel de fornece dora de informação genética, obtida a partir da biodiversidade, para pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, materiais e alimentos.

Panamá


O Panamá tem sua formação territorial ligada ao Vice-Reino de Nova Granada, sob dominação espanhola, no período colonial. Posteriormente, fez parte da Colômbia, tornando-se independente em 1903.
Trata-se de um país de pequena extensão territorial, que apresenta as menores distâncias terrestres em relação aos oceanos Pacífico e Atlântico. Esse fator estratégico possibilitou a construção do canal que faz com que o Panamá tenha no fluxo de mercadorias e pessoas sua maior fonte de riqueza.
O Canal do Panamá possui 81 km de extensão e corta o istmo do Panamá, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. O canal começou a ser construído em 1880 e foi concluído em 1914, e é uma importante rota para o comércio internacional, pois possibilita a diminuição do percurso feito pelos navios. Os Estados Unidos e a China são seus principais usuários.
Além do canal, o Panamá possui um importante aeroporto, o Aeroporto Internacional de Tocumen, que recebe voos de diversas localidades e, através da companhia aérea local, funciona como ponto de conexão entre vários países das sub-regiões americanas.
No mesmo período, o Panamá registrou um elevado crescimento econômico, de aproximadamente 5% ao ano, enquanto a maioria dos países do mundo cresceu, no máximo, 2% ao ano.
Com a devolução da área do canal e políticas governamentais de atração de investimentos, como benefícios fiscais e trabalhistas, muitas grandes empresas multinacionais se mudaram para a Cidade do Panamá, capital do país. Em 2014, foi inaugurado na cidade o primeiro metrô da América Central.
Nos últimos anos, o governo também tem procurado incentivar o turismo por meio do estímulo à construção de hotéis de luxo, sobretudo na Cidade do Panamá.

América Central Insular: as ilhas do mar do Caribe


A América Central Insular tem no Caribe sua principal referência. Trata-se de uma região formada por inúmeras ilhas, também chamada de Antilhas ou Índias Ocidentais, pelo fato de os europeus, inicialmente, acreditarem estar na Índia. O nome Caribe, dado pelos colonizadores espanhóis no século XVI, se originou dos indígenas caribes, também conhecidos como caraíbas, que habitavam as ilhas da região.

Antilhas 


O arquipélago das Antilhas, ou Caribe, é constituído por um grande número de ilhas, das quais apenas 70 a 80 são habitadas. As Antilhas formam uma espécie de arco insular que começa em Cuba, a ilha maior e mais próxima da América do Norte, e termina bem próximo do litoral setentrional da América do Sul. De acordo com a posição geográfica e o tamanho, as ilhas das Antilhas estão distribuídas em quatro grupos: Grandes Antilhas, Pequenas Antilhas, arquipélago das Bahamas e ilhas Bermudas. 
A agricultura é a principal atividade econômica das Antilhas, destacando-se o cultivo da cana-de-açúcar. Depois de Cuba, a República Dominicana é a maior produtora da região.
Além da cana, são cultivados algodão, banana, abacaxi, café e fumo. Nesse arquipélago encontram-se importantes jazidas minerais de ferro, cobre, petróleo e bauxita. A Jamaica é um dos maiores exportadores mundiais de bauxita. 
O setor industrial das Antilhas não apresenta grande desenvolvimento. No entanto, em razão da não cobrança de imposto de renda, várias empresas indus triais estadunidenses optaram por abrir escritórios em ilhas da região, para diminuir os custos dos impostos.
O turismo é uma grande fonte de divisas para as Antilhas. Anualmente, o arquipélago recebe milhões de turistas que visitam suas ilhas a bordo de cruzeiros realizados por suntuosos navios turísticos e se hospedam em luxuosos resorts. Essa atividade é, em boa parte, controlada por empresas estrangeiras.
Em Porto Rico, estado livre associado aos Estados Unidos, é grande o número de indústrias estadunidenses que produzem alimentos, bebidas (principalmente rum), equipamentos eletrônicos e produtos farmacêuticos. 
A agricultura é totalmente voltada para a exportação, tornando necessária a importação de mais da metade dos alimentos consumidos por sua população. Cerca de 40% dos porto-riquenhos vivem nos Estados Unidos. 
As ilhas Virgens americanas (dependência dos Estados Unidos) fazem parte das Pequenas Antilhas. Sua população é predominantemente de origem africana e suas principais fontes de renda são o turismo e o petróleo. 
A economia de Trinidad e Tobago (composta de duas ilhas e 23 ilhotas) gira em torno da exploração do petróleo, responsável por 70% de suas exportações.
As ilhas Bermudas constituem um importante centro financeiro internacional, com muitas seguradoras e bancos. Na região da América Central e do Caribe, os bancos não questionam a origem do dinheiro depositado. Por esse motivo, Bahamas, ilhas Cayman, ilhas Bermudas e Panamá, entre outros, são conhecidos como “paraísos fiscais ou financeiros”. 
Nesses locais, empresas instalam sedes, mas não realizam suas atividades, apenas depositam dinheiro ganho por meio de práticas de corrupção, sonegação de impostos e tráfico de drogas.

Grandes Antilhas


A região contém quatro ilhas no norte do Caribe: Cuba, Hispaniola (que abriga dois países, Haiti e República Dominicana), Jamaica e Porto Rico. Vale reforçar que este último é um Estado Livre Associado aos Estados Unidos, não tendo, portanto, autonomia de Estado soberano.

Cuba


Cuba se diferencia dos demais países latinos por sua história. Após a independência da metrópole espanhola, a ilha passou a sofrer grande influência dos Estados Unidos. No século XX, ocorreu um golpe militar no país, comandado pelo ditador Fulgêncio Batista (1901-1973). Insatisfeitos, os cubanos, sob a liderança de Fidel Castro (1926-2016), promoveram uma revolução que culminou na derrubada da ditadura: a Revolução Cubana, em 1959, que marca a adoção de um regime socialista no país.
Cuba, único país socialista de toda a América, é a maior ilha das Grandes Antilhas, com uma extensão de 110 860 km2. Sua capital é a cidade de Havana. 
A Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara em 1959, depôs o governo do ditador Fulgencio Batista, aliado estadunidense, e instalou um governo socialista que se aliou à ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), inimiga dos Estados Unidos durante o período da Guerra Fria. A localização de Cuba, no golfo do México, representava uma ameaça aos Estados Unidos.
O governo socialista promoveu uma série de reformas, motivo por que Cuba apresenta bons indicadores sociais, como baixas taxas de analfabetismo e de mor talidade infantil, por exemplo. O regime socialista, no entanto, afastou Cuba dos Estados Unidos, aproximando-a de seu rival no período da Guerra Fria, a União Soviética. Isso levou os estadunidenses a promover um bloqueio econômico a Cuba, ou seja, a romper as relações comerciais com esse país
Em sinal de oposição ao governo socialista cubano, os Estados Unidos, em conjunto com países europeus capitalistas, impuseram ao país um embargo comercial, ou seja, romperam relações comerciais e diplomáticas com Cuba. Durante a Guerra Fria, a ex-União Soviética forneceu ao país uma série de produtos. A dissolução da superpotência, em 1991, representou o fim do apoio político e material ao governo e ao povo cubanos, o que levou Cuba a uma terrível crise econômica.
Nos últimos anos, Cuba ampliou sua política de cooperação internacional, oferecendo apoio, inclusive ao Brasil, principalmente nas áreas de saúde e educação. 
Em 2014, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (1961-), declarou-se favorável ao fim do embargo e retomou relações diplomáticas com o país, o que poderia ter sido um passo decisivo para o fim das barreiras comerciais impostas a Cuba. Entretanto, seu sucessor, Donald Trump, eleito em 2016, voltou atrás nas decisões de Obama e afirmou não ter interesse em reatar relações com a nação caribenha.
Desde a revolução, Cuba foi governada pelos irmãos Fidel e Raúl Castro. Fidel governou até 2006, quando, devido a problemas de saúde, transferiu o cargo a seu irmão mais novo. Raúl Castro foi presidente de Cuba até 2018, quando a Assembleia Nacional elegeu Miguel Díaz-Canel para o cargo, mantendo Raúl como primeiro-secretário do Partido Comunista.
Com a morte de Fidel Castro em 2016 e a saída de Raúl da presidência, uma nova era política teve início em Cuba, com a implantação de algumas modificações. Díaz-Canel terá um mandato de cinco anos, renovável por outros cinco, e não mais do que isso. Entre os desafios do novo presidente estão o encaminhamento das reformas iniciadas por Raúl Castro, o impulso à economia cubana e a retomada das negociações com o governo estadunidense para a retirada do embargo.
Diferentemente dos demais países da América Central, os indicadores de educação e saúde de Cuba apresentam níveis semelhantes aos de países mais ricos. O governo investe fortemente no setor de saúde, com destaque para a produção de vacinas e medicamentos.
No que diz respeito à economia, tradicionalmente, Cuba produz cana-de-açúcar. Mais de 80% da produção de açúcar é exportada, mas o setor sofre as oscilações de preço das commodities no mercado internacional.
Atualmente, Cuba enfrenta uma recessão econômica. Grande parte de suas riquezas vem do turismo.

Haiti

O Haiti é um dos países mais pobres do mundo. Cerca de 85% de sua população vive abaixo da linha de pobreza, ou seja, sem que o mínimo de suas necessidades básicas de alimentação, saúde, educação e saneamento seja atendido.
Primeiro país a se tornar independente a partir de um movimento liderado por africanos escravizados, o Haiti teve suas terras ocupadas inicialmente por espanhóis. Em 1697, as terras passaram ao domínio francês, com a divisão da Ilha Hispaniola entre Espanha e França. Foram anos de luta até que, em 1804, foi conquistada a independência, reconhecida bem mais tarde pela França e pelos Estados Unidos.
No século XX, sucederam-se governos autoritários no comando do Haiti e ocorreram golpes de Estado contra governantes eleitos, o que revelou uma democracia muito frágil. A economia do país é baseada na agricultura de frutas para exportação. Como resultado desse processo, o Haiti está entre os países mais pobres do mundo. 
Desemprego, instituições fracas e dissolução de sua polícia e das forças armadas fazem parte da difícil situação do país, que é classificado por muitos analistas como um Estado falido, ou seja, um Estado que A não consegue garantir condições de vida dignas à sua população. Além disso, segundo relatório do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR), de 2016, o Haiti é o país que está no topo da lista de mortes provocadas por catástrofes naturais, como terremotos e furacões.
Várias intervenções externas foram realizadas no Haiti por intermédio da ONU, que, entre ou tras atribuições, presta ajuda humanitária a países que atravessam dificuldades. Inicialmente, essas ações eram comandadas pelos Estados Unidos, interessados em estabilizar os conflitos sociais no Haiti pelo fato de o país estar próximo a Cuba, que poderia querer ampliar o modelo socialista no Caribe a partir da instabilidade política do país vizinho. Problemas como tráfico de drogas e imi gração também levaram os Estados Unidos a se envolver com o Haiti. Em 2004, uma nova missão de paz foi estabelecida no Haiti, sob a liderança do Brasil.

Pequenas Antilhas


As pequenas ilhas localizadas no Caribe, conhecidas como Pequenas Antilhas, constituem Estados independentes ou departamentos e territórios insulares. Historicamente, essa região foi ponto de distribuição de pessoas trazidas força damente da África para servirem de mão de obra escrava no continente americano.
Atualmente, a maior parte dos países e territórios das Pequenas Antilhas tem nas atividades do turismo e da agricultura do tipo plantation sua base econômica. Entretanto, alguns deles fazem parte dos chamados paraísos fiscais. Politicamente, a área interessa aos Estados Unidos.



Neurotransmissores

As células nervosas  O sistema nervoso humano é formado por células especializadas, os neurônios e os gliócitos. Os gliócitos, também denom...