quarta-feira, 4 de março de 2026

América: países emergentes

As maiores economias da América Latina


No conjunto dos países latino-americanos, México, Argentina e Brasil formam um grupo à parte: são os chamados países emergentes. Suas economias estão entre as maiores do continente americano ao sul dos Estados Unidos e representaram mais de 66% do Produto Inter no Bruto (PIB) da América Latina em 2020. A economia mexicana, por exemplo, supera a soma do PIB das economias dos países da América Central e da América Andina. Em 2020, o PIB brasileiro foi de aproximadamente 1,4 trilhão de dólares, o do México, de 1,1 trilhão, e o da Argentina, de 0,4 trilhão.

A industrialização tardia


A industrialização do México, da Argentina e do Brasil teve início na primeira metade do século XX. Mas ela somente se intensificou após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando ocorreu a diversificação da produção industrial graças, sobretudo, às corporações industriais transna cionais que se instalaram nesses países latino-americanos.
Assim, comparando os períodos da industrialização de México, Argentina e Brasil com os períodos de industrialização da Inglaterra (Reino Unido), França, Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, Japão e Rússia, que iniciaram suas industrializações nos séculos XVIII e XIX, podemos dizer que a industrialização daqueles países da América Latina foi uma industrialização tardia ou retardatária, isto é, ocorreu com mais de um século de atraso.

A industrialização de 1950 aos dias atuais


Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo entrou em um novo período das relações internacionais, marcado, como já estudamos, pela ordem mundial bipolarizada e pela crescente disputa por áreas de influência geopolítica entre Estados Unidos e União Soviética.
Uma das estratégias empregadas pelos Estados Unidos e por paí ses europeus capitalistas para assegurar suas áreas de influência no mundo foi a de instalar suas empresas na América Latina, na Ásia e na África. Entretanto, isso não teria ocorrido se não houvesse grandes interesses das corporações transnacionais em ampliar seu capital, seu lucro e seu poder econômico e financeiro em escala planetária, apro veitando, então, o baixo nível de desenvolvimento industrial e de empresas de serviços nos países subdesenvolvidos – conjunto em que México, Argentina e Brasil estavam incluídos à época. Assim, ocorreu uma intensa internacionalização da economia des ses países, representada pela participação crescente de corporações ou empresas transnacionais em vários setores de suas economias. 
Na década de 1990, com a aceleração do processo de globalização, ou seja, o aumento de facilidades para exportação e importação e a maior abertura da economia mundial, a concorrência entre empresas nacionais latino-americanas e transnacionais se acirrou. Para se manter competiti vas, muitas empresas nacionais foram obrigadas a passar por um processo de modernização tecnológica e de gerenciamento dos seus negócios.

Diversificação econômica e inserção global


As maiores economias da América Latina são distintas entre si, e cada uma delas trilhou diferentes caminhos de desenvolvimento para enfrentar as incertezas e oportunidades da economia global. Enquanto o México, em 1992, se aliou aos Estados Unidos e ao Canadá, aderindo ao Nafta, atual mente denominado USMCA, o Brasil e a Argentina passaram a integrar o Mercado Comum do Sul (Mercosul).
Nos últimos anos, México, Argentina e Brasil aprofundaram a integração comercial com outros países e regiões do globo. Isso se deve, entre outros motivos, à sua diversificação econômica e ao desenvolvimento de parques industriais com emprego de tecnologia, que se destacam no contexto regional. Brasil e Argentina se diferenciam por ter diversificado mais intensa mente o destino de suas exportações, sobretudo para o mercado asiático – principalmente Índia e China. O México, por sua vez, manteve o predomínio de relações comerciais com os Estados Unidos, mas tam bém diversificou o destino de suas exportações.

As concentrações industriais no México e na Argentina


As maiores concentrações industriais desses dois países encontram-se em torno de suas capitais, respectivamente a Cidade do México e Buenos Aires.

México


Diferentemente do Brasil, cuja concentração industrial não ocorre em sua capital ou em seu entorno, no México há grande concentração e diversidade de ramos industriais na Cidade do México, em decorrência de diferenças relacionadas a eventos e processos históricos entre esses dois países. Existem também outros centros industriais mexicanos importantes: Guadalajara, Monterrey, Lázaro Cárdenas, Monclova etc. (localize-os no mapa). Os ramos têxtil, alimentício, automobilístico (controlado pelas transnacionais), petroquímico, siderúrgico e metalúrgico se destacam.

As indústrias maquiladoras


A partir dos anos 1960, com a expansão econômica dos Estados Unidos no mundo e após um acordo com o governo do México, indústrias estadunidenses passaram a ser implanta das no território mexicano. Muitas delas se instalaram na fronteira entre Estados Unidos e México, visando diminuir os custos de produção. 
As maquiladoras passaram a realizar parte de sua produção no México, atraí das, principalmente, pelos baixos impostos, pela mão de obra barata e pela proximidade com os Estados Unidos, o que reduz tanto os custos de produção como os de transporte.

México: agropecuária


Com a criação do Nafta, em 1992, a economia mexicana apresentou maior crescimento graças aos investimentos estrangeiros e ao aumento das exportações para os Estados Unidos e o Canadá. Em 2020, enquanto 64,3% do valor do PIB mexicano foi derivado do setor terciário (comércio e serviços), 31,6% foi formado pelo setor secundário – construção e indústria de transformação e extrativa mineral, em que a exploração de petróleo participou na formação desse PIB – e 4,1% pelo setor primário (agropecuária). O território mexicano é pouco favorável à agropecuária.
A presença de montanhas e de climas áridos e semiáridos reduz a disponibilidade de áreas cultiváveis. Ainda assim, esse setor emprega mais de 12% da População Economicamente Ativa (PEA) do país. Cerca de 39% do território mexicano é ocupado pela pecuária, voltada principalmente para a criação de gado bovino e praticada no centro-norte do país.
Os produtos com maior área de cultivo e voltados para o abastecimento do mercado externo são: algodão, sisal, café e cana-de-açúcar. Para o mercado interno são cultivados: milho, batata, trigo, arroz, feijão etc. Após a entrada em vigor do Nafta, a produção de milho per deu espaço diante da concorrência estadunidense. Mas, mesmo assim, por se tratar de alimento tradicional desde o tempo dos astecas e maias, o México foi o sexto produtor mundial de milho, na safra 2020/21.
Como em toda a América Latina, com exceção de Cuba, há no México grande concentração da propriedade rural: 1% das propriedades concentra 56% da área de terras – na Argentina, que estudaremos mais adiante, 2% concentram cerca de 50%; no Brasil, 0,3% concentra 32,8%.

As transnacionais de alimentos no México


Grandes empresas transnacionais de alimentos têm se estabelecido no México. Compram as melhores terras e orientam a produção para atender ao mercado externo, principalmente os Estados Unidos. Controlam 90% da produção mexicana de algodão, aspargos, morangos, cebolas, hortaliças e outros vegetais. 
Embora as grandes empresas também cultivem esses produtos nos Estados Unidos, preferem o México, onde podem obter lucros maiores, uma vez que a terra e a mão de obra são mais baratas, além da proximidade do mercado consumidor estadunidense.
Entre as consequências desse estabelecimento de empresas transnacionais de alimentos no México, destacam-se: diminuição da área de cultivo de milho e de feijão – produtos básicos e tradicionais na alimentação do mexicano – e sua consequente alta de preços; aumento da carência alimentar; alteração dos hábitos alimentares da população em decorrên- cia da influência da propaganda das transnacionais; valorização da terra rural, dificultando seu acesso aos camponeses e aos sem-terra etc.

Argentina


A maior concentração espacial industrial na Argentina se localiza na região metropolitana de Buenos Aires, onde se con centram indústrias de diferentes ramos. No entanto, o eixo que se estende a noroeste de Buenos Aires, que abrange as cidades de Rosário, Santa Fé e Córdoba – a segunda cidade mais populosa, após a capital –, forma a mais importante região de diversificação industrial do país.

Argentina: agropecuária


Em 2020, o setor terciário respondeu por 52,4% do PIB argentino, en quanto o secundário participou com 41% e o primário com 6,6%. Apesar da menor participação deste setor, a agropecuária ocupa posição importante na economia do país. Cerca de 60% do valor total de suas ex portações é constituído por produtos agropecuários: soja (3° produtor mundial, depois do Brasil e dos Estados Unidos, em 2021); produtos de rivados da soja (maior exportador mundial); milho; trigo; cana-de-açú car; girassol (óleo comestível); carne; além de outros.

Distinguem-se duas grandes regiões agropecuárias na Argentina

• a região pampeana (pampa úmido) compreende grande área de terras extremamente férteis, com formato semelhante ao de um leque, tendo Buenos Aires na base e abrangendo as cidades de Santa Fé, Rosário e Baía Blanca. É grande a produção de trigo, soja e milho, assim como a criação de bovinos e ovinos na região: o relevo plano ou pouco ondulado permite a mecanização da agricultura, e os Campos (Pampas) são excelentes para a pecuária. Cerca de 50% dos produtos agrícolas argentinos são oriundos dessa região. É aí, também, que estão 66% do rebanho bovino e 50% do ovino, entre os mais importantes rebanhos do mundo, não exatamente pelo número, mas pela excelente qualidade do gado;

• a grande região extrapampeana apresenta condições naturais di versificadas. Afastando-se da região pampeana em direção ao norte, oeste e sul, a umidade diminui, o que exerce influência sobre os tipos de cultura praticados na região. Assim, surgem culturas regio nais, como a do algodão, no Chaco, região situada ao norte, próxima da cidade de Corrientes, onde também se faz extração vegetal do quebracho e da erva-mate, e a cultura da cana-de-açúcar, em Salta e Tucumán, além da cultura das frutas, vinhas e oliveiras no entorno das cidades de Mendoza e San Juan, cuja parte da produção de vinho é exportada para vários países.
A Patagônia, vasta região do sul, formada por planaltos e planícies de clima frio e semiárido e por vegetação de estepes, possui baixa ocupa ção humana. Ela se destaca na criação extensiva de ovinos, cuja produção de lã é largamente exportada.

Circuitos da carne e da soja nos Pampas argentinos


A expressão “circuito” é entendida como rota ou caminho percorrido para atingir certo lugar. Nos casos da soja e da carne, refere-se, assim, ao caminho percorrido desde a área de produção até o mercado consumi dor interno e aos portos de exportação, para chegar ao mercado consumidor externo. Há diferenças marcantes entre os circuitos da soja e da carne na Argentina e no Brasil. A vantagem é argentina.
As maiores concentrações de plantio de soja e de criação de gado bovino e ovino na Argentina se encontram na região dos Pampas. Nela concentra-se cerca de 66% da população da Argentina, o que representa a maior parte de seu mercado consumidor interno.
Nos Pampas, localizam-se dois importantes portos: Buenos Aires, no Rio da Prata; e o porto fluvial da cidade de Rosário, no Rio Paraná, que tem acesso ao Oceano Atlântico pelo Rio da Prata.
O Porto de Rosário permite o atracamento de navios graneleiros de grande porte para o transporte de soja e também de navios frigoríficos para o transporte de carne. Assim, desse porto partem navios até portos marítimos situados em outros países, como a China.
Grande parte das propriedades agropecuárias argentinas se localiza a cerca de 300 km de distância do Porto de Rosário, que, por sua vez, está aproximadamente a essa mesma distância de Buenos Aires.
Entretanto, a infraestrutura de transporte na Argentina – rodoviária, ferroviária e hidroviária –, assim como no Brasil, apresenta proble mas ou gargalos para o escoamento de grãos – soja, milho, trigo etc. Há congestionamentos de caminhões nas estradas e nos portos para descarregar os grãos e demora para transferi-los para os navios durante o pico da safra. Mas, mesmo assim, os produtores rurais argentinos levam vantagem em relação aos do Brasil, principalmente aos da Região Centro-Oeste.
Essa vantagem ocorre porque na Argentina os produtores rurais não estão distantes do mercado interno de consumo, representado pelas indústrias e pelos próprios criadores de gado, que usam o farelo de soja como ração animal, e também por não estarem distantes dos portos de exportação. Além disso, o tempo de espera causado pelos congestio namentos de navios graneleiros e frigoríficos nos portos da Argentina é menor do que nos portos brasileiros. Esses fatores conferem vantagens competitivas e mais ganhos aos produtores argentinos.

Brasil


O Brasil é considerado uma potência na América Latina por causa da influência econômica que exerce sobre a região. Destacaremos, a seguir, alguns aspectos relacionados ao cultivo da soja na Região Centro-Oeste e à industrialização na Região Sudeste do país.

Setor agropecuário


Em 2021, de acordo com dados da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), o setor agropecuário representou cerca de 7% do PIB do país, chegando a 27% quando consideradas as atividades do agronegócio. A agropecuária responde por cerca de 20% das exportações brasileiras.
O país se destaca na produção e exportação de soja, café, açúcar e milho. Em 2020, o Brasil contava com o segundo maior rebanho de bovinos e o terceiro de aves do mundo, sendo o maior exportador mundial de frangos.
A China é a principal parceira comercial do Brasil e a maior compradora da soja produzida no país. Desde 2010, os chineses têm realizado grandes investimentos no território brasileiro, principalmente nos setores de energia, logística e agropecuária.
O objetivo desses investimentos é garantir a produção e o escoamento de recursos e maté rias-primas, para a China. Além disso, pretendem melhorar o processo de distribuição de produtos das empresas chinesas que estão se instalando no país.
Em 2018, o grupo chinês CMPort comprou 90% do terminal de cargas do porto de Paranaguá (PR), localizado em um ponto estratégico para o escoamento de produtos agrícolas para a Ásia. Desde então, o terminal vem passando por obras de expansão e renovação.

A concentração industrial no Brasil


No Brasil, a maior concentração espacial da atividade industrial se formou, historicamente, na Região Sudeste do país ou mais propria mente no polígono formado pelos estados de São Paulo, do Rio de Ja neiro e de Minas Gerais, que já foi chamado de “coração econômico do Brasil”.

O Polígono Industrial


Certos fatores locacionais influenciaram para que ocorresse essa concentração espacial industrial no Sudeste: disponibilidade de ener gia elétrica; mercado consumidor; infraestrutura ferroviária, rodoviá ria e de portos marítimos; mão de obra especializada; rede bancária; empresas importadoras e exportadoras; capitais disponíveis para in vestimentos industriais resultantes das exportações de café e políticas industriais estabelecidas pelos governos brasileiros entre 1956 e 1979, que facilitaram a implantação de indústrias.

Atividade industrial no Sudeste


A indústria brasileira está concen trada na Região Sudeste, com 45,4% dos estabelecimentos em 2020, de acordo com o Conselho Nacional da Indústria. Essa distribuição espacial pode ser explicada por diversos fatores, sendo o processo histórico de ocupação do território o mais importante.
Nos anos 1930, quando o país iniciou de fato o processo de industria lização, as áreas urbanas do Sudeste reuniam condições necessárias para a implantação de indústrias, como a existência de infraestruturas, disponibi lidade de mão de obra e proximidade dos mercados consumidores.
A partir da década de 1990, com o desenvolvimento da rede urbana nacional, as indústrias começaram a transferir suas unidades de produção dos grandes centros urbanos para outras localidades, como cidades de médio porte, em um processo conhecido como desconcentração industrial. Nesse período, estados e municípios atraíam as indústrias com redução de impostos, criação de infraes truturas, terrenos a preços mais baixos, entre outras vantagens. Também influenciaram a desconcentração os altos custos da produção em áreas industriais tradicionais, como salários comparativamente mais altos, assim como valores mais altos de aluguéis e impostos, além de problemas de mobilidade urbana.
Atualmente, a desconcentração industrial está relacionada à diminuição da importância da atividade industrial na economia dos países (em 2021, a indústria teve 22,2% de participação no PIB brasileiro), ocorrendo com maior intensidade entre as atividades industriais que não empregam tecnologia muito avançada, como processamento de recursos naturais.
Apesar da queda na participação do PIB nacional e do processo de desconcentração, o Sudeste continua se destacando no setor industrial. De acordo com dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o estado de São Paulo participou com 38,1% da produção da indús tria de transformação em 2018. O segundo colocado, Minas Gerais, havia participado com 10,1%.
Outra característica das indústrias do Sudeste é o emprego crescente de tecnologias de ponta e inovações, como robôs, inteligência artificial, impressoras 3-D, entre outras, principalmente nos setores automotivo, alimentício, químico e têxtil.
As aplicações vão desde o uso da reali dade virtual para análise de peças durante o processo de fabricação até a criação de equipamentos que podem ser “vestidos” pelos operários, dando sustentação em tarefas que exigem esforço físico e precisão nos gestos.

No Brasil: a soja e a carne na Região Centro-Oeste


No Brasil, em 2020, o setor primário foi responsável por 6,8% do PIB nacional, enquanto os setores secundário e terciário responderam por 20,4% e 72,8%, respectivamente. 
O país foi o maior produtor de soja no mundo nas safras de 2020/2021 e 2021/2022, seguido pelos Estados Unidos. A produção de soja no mundo nessas safras foi de quase 750 milhões de toneladas, sendo que o Brasil produziu quase 280 milhões de toneladas desse total e os Estados Unidos produziram mais de 235 milhões de toneladas. Mato Grosso foi o maior es tado produtor de soja brasileiro e o Rio Grande do Sul, o segundo. Só Mato Grosso produziu, nessas safras, quase 75 milhões de toneladas de soja. 
Em 2020, o Brasil possuía o maior rebanho de gado bovino e foi o maior exportador dessa carne. A Região Centro-Oeste é a que responde pela maior produção de soja e é a que possui maior rebanho de gado bovino.
Os produtores de soja e carne do Centro-Oeste estão a longas dis tâncias dos portos de exportação do Brasil. Para se ter ideia, a distância dos municípios de Sinop e Sorriso, no estado de Mato Grosso, que são grandes produtores de soja, até o Porto de Santos, no litoral do estado de São Paulo, é de mais de 2 mil quilômetros.
Considerando que cerca de 65% da soja produzida no Brasil e a quase totalidade do gado bovino e da carne são transportadas pela via rodoviária, existe desvantagem em relação à Argentina e, sobretudo, aos Estados Unidos, pois os custos de transporte oneram mais os produtos brasileiros. Nos Estados Unidos, os produtores de soja se encontram tam bém distantes dos portos de exportação, cerca de mil a 2 mil quilô metros.
No entanto, cerca de 60% da soja produzida é transportada por via hidroviária ou aquaviária, que é um modal de transporte mais barato – seu custo (tonelada por quilômetro percorrido) é cerca de 60% inferior ao do rodoviário e 37%, ao do ferroviário. Consequentemente, os Estados Unidos possuem vantagens competitivas superiores às do Brasil e da Argentina.
No Brasil, as distâncias deixariam de ser um inconveniente caso houvesse boa infraestrutura de transporte rodo-ferro-aquaviário, juntamen te com terminais de transbordo e suficiente aparelhamento portuário.
Persistem problemas como rodovias malconservadas e mal sinalizadas, elevados preços de pedágios, altos custos das tarifas portuárias, baixa capacidade instalada dos terminais marítimos ocasionando filas de caminhões e de navios em época de safra, entre outros.





Potências emergentes

Algumas nações estabeleceram acordos e associações de cooperação, formando grupos e blocos econômicos. O Brasil é considerado uma potên cia emergente e faz parte de alguns desses grupos, entre eles o Brics. 
Considera-se potência emergente um país cujo crescimento econômico ocorreu de forma significativa ao longo das últimas décadas, que atraiu investimentos e ajustou sua economia aos padrões estabelecidos pela globalização e pela nova ordem internacional. 
As potências emergentes começam a ter maior peso, influenciam a economia e participam de forma mais ativa das discussões políticas mundiais, e são verdadeiros representantes de um grupo de países em ascensão. Entre as potências emergentes, os países que formam o Brics estão em destaque. 
Em 2001 o economista inglês Jim O’Neill cunhou o termo “Bric”, um acrônimo composto pelas letras iniciais de quatro países: Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2011, com a entrada da África do Sul (em inglês, South Africa) no grupo, incorporou-se a letra S ao final da sigla. 
O termo faz referência a “tijolo” (brick, em inglês), pois os cinco países são considerados importantes bases de sustentação para a economia do mundo contemporâneo. Vale ressaltar: o Brics não é um grupo econômico, mas sim um grupo político de cooperação. Esses países compartilham uma situação econômica com índices de desenvolvimento e elementos diversos parecidos.

Brasil na Antártica

O Brasil é signatário do Tratado da Antártica e realizou a primeira expedição ao território em 1982, quando passou a vigorar o Programa Antártico Brasileiro (Proantar), iniciando os trabalhos na região. Os cientistas brasileiros desenvolvem pesquisas ligadas à Climatologia, Meteo rologia, Glaciologia, Oceanografia, Biologia, Cartografia e Astrofísica, garantindo a participação do país nas decisões sobre o continente.
Para o desenvolvimento das pesquisas, é utilizada a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), localizada na Ilha Rei George, a 130 km da Península Antártica. As pesquisas brasileiras, sobretudo na área de Climatologia, têm auxiliado no conhecimento de fenômenos que se originam na região polar sul e afetam o Brasil.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Brasil amplia influência na América Latina

O Brasil tem se destacado como liderança regional desde a década de 1980, fato que fica evidente em sua progressiva influência sobre os outros países da América Latina, tanto nas relações comerciais como nas diplomáticas.
As relações comerciais entre o Brasil e os demais países latino-americanos intensificaram-se rapidamente. O país vem aumentando a importação de maté rias-primas e a exportação de produtos industrializados. Argentina e Venezuela, por exemplo, estão entre os maiores fornecedores de petróleo para o Brasil; a Bolívia vende boa parte do gás natural utilizado em nosso país; o Uruguai forne ce, sobretudo, arroz e cevada; o Paraguai vende ao Brasil boa parte de sua safra de grãos e quase toda a energia hidrelétrica que gera.
As exportações brasileiras aos países lati no-americanos, por sua vez, chegam a cerca de 15% do total, de modo que, hoje, o principal mercado consumidor dos produtos industrializados brasileiros é a América Latina.
A fim de facilitar esse comércio e ao mesmo tempo estimulá-lo, o país está desenvolvendo uma série de projetos e tem investido na cons trução de vias de transporte (rodovias, ferrovias, hidrovias e gasodutos, promovendo a integração territorial.
Além das crescentes relações comerciais, o Brasil vem firmando liderança na área das relações diplomáticas após assinar acordos que visam à aproximação do Mercosul com outros blocos econômicos importantes, como a Aliança do Pacífico e a União Europeia. 
Tal atuação político-econômica coloca o país em posição de liderança, o que exigirá o desenvolvimento de novas formas de organização política externa para cumprir as responsabilidades assumidas com os países associados.



Integração da América Latina

Desde o processo de independência das colônias europeias na América Latina, no século XIX, houve vários projetos e tentativas de integração entre as nações latino-americanas, sobretudo no que se refere aos aspectos culturais e econômicos. 
Esses projetos, em sua maioria, acabaram não sendo levados adiante, o que causou certo isolamento, principalmente do Brasil em relação aos países de colonização espanhola. Na realidade, ainda hoje, boa parte das nações latino-americanas mantém relações comerciais e econômicas mais estreitas com países da Europa e da Ásia e com os Estados Unidos do que com seus vizinhos. 
Por outro lado, organizações internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indicam que a integração regional seria, para essas nações, uma saída da estagnação econômica em que se encontram.
É com base nesses indicativos que, nas últimas décadas, vêm ganhando impulso algumas iniciativas de integração regional, com o estabelecimento de acordos, alianças e pactos de cooperação econômica e polí tica. Entre elas, destacam-se as do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e da Aliança do Pacífico, que têm ampliado as relações políticas e comerciais entre alguns países latino-americanos.

Mercosul


Em vigor desde 1991, o Mercosul é um bloco econômico constituído por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela (esta última na condição de membro suspenso). Todos os demais países sul-americanos fazem parte do Mercosul na condição de membros associados, e a Bolívia se encontra na condição de membro associado em adesão. A constituição do Mercosul insere-se em um amplo processo de formação e consolidação de espaços econômicos, por meio dos quais os países buscam ampliar as relações comerciais e, assim, acelerar o próprio crescimento econômico.
Na prática, o Mercosul ainda é somente uma união aduaneira, ou seja, os membros desse bloco formam uma área de livre comércio, na qual são eliminadas as tari fas alfandegárias, à exceção das provenientes de alguns setores estratégicos, como informática e telecomunicações. Além disso, os países-membros praticam uma Tarifa Externa Comum (TEC) sobre os produtos importados das demais nações.
A demora na formação completa do Mercosul deve-se, principalmente, às grandes diferenças socioeconômicas entre os países que compõem o bloco. 
Para resolver esse problema, os países precisam de determinados critérios que os levem ao controle inflacionário, à adequação das legislações trabalhistas e à de finição de uma política salarial comum, entre outras medidas que exigem certo tempo para serem efetivadas. Existem grandes contrastes socioeconômicos entre os países-membros do Mercosul.

Narcotráfico: flagelo latino-americano

Nos últimos anos, os Estados Unidos vêm utilizando o combate ao narcotráfico – o comércio ilegal de drogas – como argumento para interferir na política interna de vários países da América Latina. As interferências mais inten sas ocorrem na Colômbia e no México, cujos governos recebem ajuda militar e financeira dos estadunidenses com o objetivo de erradicar, sobretudo, as plantações de coca e maconha, e combater os traficantes e os grupos guerrilheiros envolvidos na produção delas. Com essa estratégia, o governo estadunidense visa diminuir a oferta dos entorpecentes em seu país, maior mercado consumidor dessas drogas.
O narcotráfico ocupa atualmente o segundo lugar entre as atividades co merciais ilícitas mais rentáveis do mundo, atrás apenas do comércio de armas, e movimenta centenas de bilhões de dólares todos os anos. É uma prática criminosa, pois promove a distribuição de substâncias tóxicas (drogas) que provocam alterações com portamentais e podem causar, em seus usuários, dependência física, psicológica e, inclusive, a morte. A cocaína é a droga mais produ zida e exportada na América Lati na, principalmente por Colômbia, Peru, Bolívia e México.

Camponeses, narcotráfico e deslocamentos na América Latina


Mascar folhas de coca é um hábito secular entre os povos de algumas regiões dos Andes e, por isso, faz parte da cultura local. A planta, considera da sagrada por esses grupos, tem propriedades nutritivas e analgésicas. No entanto, após a descoberta do processo que transforma a folha em droga, seu cultivo aumentou consideravelmente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), Bolívia, Peru e Colômbia são os maiores produtores de coca do mundo. Não há números exatos sobre isso, mas, de toda a coca produzida nesses países, apenas a menor parte é usada com finalidades legais. Essa situação resulta no empobrecimento da população camponesa, causado principalmente pela queda do lucro com culturas tradicionais, como feijão e laranja.
Por meio do cultivo de coca, os cocaleros (nome dado aos agricultores que cultivam a planta) garantem uma renda bem superior à que obteriam se cultivassem outros produtos que são a base da alimentação da maior parte da população nativa. Além disso, muitos camponeses são pressionados por narcotraficantes e grupos guerrilheiros para cultivar coca, garantindo a produção da droga e o consequente lucro dessas organizações.
Além dos camponeses andinos, também são vítimas dos narcotraficantes outras milhares de famílias latino-americanas em países pobres como Honduras, Guatemala e El Salvador, e aquelas que vivem na região fronteiriça do México com os Estados Unidos, que são obrigadas, pelos grupos mafiosos, a trabalhar no comércio ilegal.

Etapas da produção de cocaína


  • O tráfico de cocaína inicia-se com o plantio do arbusto da coca, matéria-prima para a obtenção da droga.
  • Da folha da coca é preparada uma pasta-base, que, ao passar por um processo químico (o refino), transforma-se em pó, a cocaína.
  • A cocaína é levada até os portos e aeroportos por rotas, de onde é embarcada para os demais continentes, escondidas entre cargas comerciais, por exemplo. Duas das principais rotas passam pelo território brasileiro.
  •  A etapa final do narcotráfico é a lavagem de dinheiro, feita por meio de investimentos em bolsas de valores, imóveis, comércio de objetos de arte, jogos etc.
  • Outra parte do dinheiro do tráfico é destinada a atividades ilícitas, como a manutenção de redes de prostituição, corrupção e contrabando, além de servir para a manutenção de grupos terroristas de guerrilha antigovernista, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
  • Diversas organizações criminosas fazem narcotráfico, como os mafiosos de diferentes origens, além de outros grupos menores, obtendo lucros enormes de forma ilícita.

Espaço agrário latino-americano

Entre as principais características do espaço agrário da América Latina está a alta concentração fundiária. Em grande parte da América Latina, há grande desigualdade na distribuição das terras. Isso quer dizer que um pequeno número de proprietários rurais concentra a maior parte das terras rurais cultiváveis, constituindo os chamados latifúndios. Por outro lado, a maioria dos proprietários camponeses divide o restante das terras, constituindo as pequenas e médias propriedades.
No Período Colonial, a ocupação do território latino-americano ocorreu, basicamente, mediante a formação de imensas propriedades rurais, tanto para a criação de gado quanto para o cultivo de lavouras monocultoras de exportação. Portanto, a atual estrutura fundiária concentrada na América Latina teve ori gem no sistema de produção colonial. Observe a situação da estrutura fundiária no Brasil e na Bolívia, como exemplos da realidade latino-americana.
De acordo com órgãos e instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Banco Mundial, uma das possíveis soluções para esse problema é a reforma agrária. A refor ma seria a reorganização do espaço rural com o objetivo de distribuir terras aos trabalhadores do campo e, ao mesmo tempo, promover a modernização das pequenas e médias propriedades, tornando-as mais lucrativas e competi tivas. Além disso, é necessária uma política agrícola de incentivo aos pequenos proprietários, que produzem para o mercado interno de cada país, assim como ocorre com os grandes proprietários, que produzem para o mercado externo.

Questão da terra e reforma agrária


Segundo estudos, a realização de uma reforma agrária nos moldes mencio nados anteriormente pode contribuir para a estabilidade social e política de um país na medida em que possibilita melhores condições de vida, sobretudo para os camponeses e os trabalhadores rurais sem terra, diminuindo a pobreza, a marginalidade e a exclusão social. Do mesmo modo, ela também reduz as tensões sociais no campo ao eliminar a disputa pela terra.
Os programas de reforma agrária não se desenvolvem na América Latina porque na maioria desses países os latifundiários (donos de grandes extensões de terras rurais) exercem forte influência no cenário político interno. Em defesa de interesses dessa classe social, muitas vezes impedem a realização, pelo Estado, de projetos voltados à implantação dessa reforma. Por isso, acabam surgindo grupos e movimentos populares que reivindicam a distribuição mais igualitária das terras, entre outras medidas de interesse social.
Em alguns casos, a luta desses grupos envolve ações armadas que enfrentam as forças do governo. Podemos citar como exemplos de milícias armadas o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), no México, e o Exército de Libertação Nacional (ELN), na Colômbia. Em outros casos, a luta ocorre de maneira mais pa cífica, por meio de protestos que pressionam o governo a promover a reforma agrária. É o caso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil, que prega a ocupação de terras improdutivas como forma de pressão.

Produção agrícola da América Latina


Os contrastes do espaço agrário da América Latina se refletem em sua produção agropecuária. Essa situa ção constitui um dos principais entraves ao desenvolvi mento do setor agrícola da região.
As pequenas e médias propriedades respondem por uma parcela significativa dos produtos destinados à alimentação básica da população, como milho, feijão, batata, inhame e mandioca, e por uma pequena parcela da produção pecuária.
Entretanto, a produtividade dessas proprieda des é baixa, pois, em geral, recebem escassos apoio financeiro e assistência técnica dos governos, o que dificulta sua modernização.
Os latifúndios monocultores, por sua vez, apre sentam produtividade rela tivamente maior que a das pequenas e médias propriedades. Nessas grandes áre as são plantadas as monoculturas de commodities, ou seja, gêneros agrícolas que têm alto valor para comercialização no mercado mundial.
São exemplos desses gêneros na América Latina a cana-de-açúcar, o café, a soja, o trigo, o cacau e as frutas tropicais, cujas produções são quase total mente destinadas ao mer cado externo. Em alguns países da América Latina, a criação de gado de corte, sobretudo bovino, também é destinada à exportação.
Muitos países latino-americanos, como Paraguai, Equador, Nicarágua e outros da América Central, ainda se apoiam amplamente no sistema agrário-exportador, pois sua economia depende basicamente da exportação de gêneros agrícolas.

Êxodo rural e urbanização


O aumento da concentração fundiária no espaço agrário latino-americano, principalmente a partir de meados do século XX, associado às difíceis condições de vida no campo, levou uma imensa parcela de camponeses a abandonar suas terras e migrar para as cidades. Esse movimento migratório de êxodo rural, que intensificou o processo de urbanização em vários países da América Latina, deveu-se ainda a outros fatores, como:

- o desenvolvimento da atividade industrial, a exemplo do que ocorreu no Brasil, no México e na Argentina, que gerou muitos postos de trabalho nas fábricas, no comércio e no setor de serviços, atraindo numerosa mão de obra para as cidades;
- a modernização das atividades agrícolas, sobretudo com a introdução de máquinas e equipamentos que substituíram a mão de obra camponesa, eliminando milhares de postos de trabalho na área rural;
- a violência sofrida pelos camponeses por parte de milícias e terroristas sedia dos no interior de pa íses como Colômbia, México e Peru. A perseguição levou cerca de 10 milhões de pes soas, nas últimas dé cadas, a se deslocar internamente nesses três países, buscando refúgio nas cidades.

Além desses fatores, a urbanização dos países latino-americanos deve-se ao crescimento natural da população urbana. Segundo informações de 2018 da Organização das Nações Unidas (ONU), a América Latina é a mais urbanizada das regiões subdesenvolvidas, pois sua taxa média de urbanização encontra-se em torno de 80%, bem maior que a da Ásia (50%) e a da África (42%).





América Latina no início do século XXI

A América Latina não é um conjunto homogêneo de países em desenvolvimento. Alguns fatores provocaram uma diferenciação de ordem econômica e ...