Nos últimos anos, os Estados Unidos vêm utilizando o combate ao narcotráfico – o comércio ilegal de drogas – como argumento para interferir na política interna de vários países da América Latina. As interferências mais inten sas ocorrem na Colômbia e no México, cujos governos recebem ajuda militar e financeira dos estadunidenses com o objetivo de erradicar, sobretudo, as plantações de coca e maconha, e combater os traficantes e os grupos guerrilheiros envolvidos na produção delas. Com essa estratégia, o governo estadunidense visa diminuir a oferta dos entorpecentes em seu país, maior mercado consumidor dessas drogas.
O narcotráfico ocupa atualmente o segundo lugar entre as atividades co merciais ilícitas mais rentáveis do mundo, atrás apenas do comércio de armas, e movimenta centenas de bilhões de dólares todos os anos. É uma prática criminosa, pois promove a distribuição de substâncias tóxicas (drogas) que provocam alterações com portamentais e podem causar, em seus usuários, dependência física, psicológica e, inclusive, a morte. A cocaína é a droga mais produ zida e exportada na América Lati na, principalmente por Colômbia, Peru, Bolívia e México.
Camponeses, narcotráfico e deslocamentos na América Latina
Mascar folhas de coca é um hábito secular entre os povos de algumas regiões dos Andes e, por isso, faz parte da cultura local. A planta, considera da sagrada por esses grupos, tem propriedades nutritivas e analgésicas. No entanto, após a descoberta do processo que transforma a folha em droga, seu cultivo aumentou consideravelmente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), Bolívia, Peru e Colômbia são os maiores produtores de coca do mundo. Não há números exatos sobre isso, mas, de toda a coca produzida nesses países, apenas a menor parte é usada com finalidades legais. Essa situação resulta no empobrecimento da população camponesa, causado principalmente pela queda do lucro com culturas tradicionais, como feijão e laranja.
Por meio do cultivo de coca, os cocaleros (nome dado aos agricultores que cultivam a planta) garantem uma renda bem superior à que obteriam se cultivassem outros produtos que são a base da alimentação da maior parte da população nativa. Além disso, muitos camponeses são pressionados por narcotraficantes e grupos guerrilheiros para cultivar coca, garantindo a produção da droga e o consequente lucro dessas organizações.
Além dos camponeses andinos, também são vítimas dos narcotraficantes outras milhares de famílias latino-americanas em países pobres como Honduras, Guatemala e El Salvador, e aquelas que vivem na região fronteiriça do México com os Estados Unidos, que são obrigadas, pelos grupos mafiosos, a trabalhar no comércio ilegal.
Etapas da produção de cocaína
- O tráfico de cocaína inicia-se com o plantio do arbusto da coca, matéria-prima para a obtenção da droga.
- Da folha da coca é preparada uma pasta-base, que, ao passar por um processo químico (o refino), transforma-se em pó, a cocaína.
- A cocaína é levada até os portos e aeroportos por rotas, de onde é embarcada para os demais continentes, escondidas entre cargas comerciais, por exemplo. Duas das principais rotas passam pelo território brasileiro.
- A etapa final do narcotráfico é a lavagem de dinheiro, feita por meio de investimentos em bolsas de valores, imóveis, comércio de objetos de arte, jogos etc.
- Outra parte do dinheiro do tráfico é destinada a atividades ilícitas, como a manutenção de redes de prostituição, corrupção e contrabando, além de servir para a manutenção de grupos terroristas de guerrilha antigovernista, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
- Diversas organizações criminosas fazem narcotráfico, como os mafiosos de diferentes origens, além de outros grupos menores, obtendo lucros enormes de forma ilícita.
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