Os seres multicelulares se organizam em diferentes níveis, vamos investigar modelos para compreender a organização complexa dos principais sistemas do corpo humano. Os sistemas serão estudados e
representados separadamente, mas não se esqueça de que eles trabalham em
conjunto o tempo inteiro, mantendo o funcionamento do organismo.
Todas as funções dos diferentes sistemas do corpo também estão integradas e o bom funcionamento de um depende do bom funcionamento do outro.
Por exemplo, os nutrientes disponibilizados pelo sistema digestório são encaminhados para as demais partes do corpo pela circulação sanguínea, que também distribui o gás oxigênio capturado pelo sistema respiratório.
Assim, a ação integrada dos sistemas garante o bom funcionamento de todo o corpo. Vamos agora fazer um resumo desses e de outros sistemas do corpo.
Sistema cardiovascular
É formado pelo coração
e pelos vasos sanguíneos.
É por onde circula
o sangue, que transporta
pelo corpo nutrientes,
gases, excretas, hormônios
e outras substâncias.
O coração, os vasos sanguíneos e o sangue formam esse sistema. Através
dos capilares, que são tubos microscópicos, ocorre a passagem de nutrientes,
gases (gás oxigênio e gás carbônico) e outros compostos entre as células e
o sangue. O gás oxigênio e os nutrientes passam do sangue para as células,
enquanto o gás carbônico e outros compostos percorrem o sentido inverso.
O coração é um órgão dividido em quatro câmaras, sendo dois átrios e dois ventrículos. Esse órgão é constituído de tecido muscular que se contrai de forma rítmica, impulsionando o sangue dos átrios para os ventrículos
e depois para todo o corpo por meio dos vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares).
Em seu trajeto, o sangue sai do coração, segue pelas artérias para todo o corpo e volta ao coração pelas veias: essa é a chamada circulação sistêmica. Nela, o sangue rico em gás oxigênio chega às células, enquanto o sangue pobre em gás oxigênio é levado ao coração.
Do coração, o sangue pobre em gás oxigênio é levado por artérias pulmonares até os pulmões, onde se torna rico em gás oxigênio e retorna ao coração pelas veias pulmonares: é a chamada circulação pulmonar. Essas trocas gasosas são chamadas de hematose.
O sangue é o tecido responsável por transportar materiais de uma região do corpo para a outra. Ele é composto do plasma, que é uma parte líquida com nutrientes, resíduos e várias substâncias dissolvidas em água, e dos chamados elementos figurados, que são componentes com diferentes funções.
capilares
Os elementos mais numerosos do sangue são as hemácias, ou glóbulos vermelhos.
As hemácias transportam o gás oxigênio dos pulmões para os tecidos do corpo. Em seu interior há uma substância que transporta o gás oxigênio chamada hemoglobina.
A hemoglobina também transporta uma pequena porção do gás carbônico, mas a maior parte desse gás é levada pelo plasma.
Problemas nesse transporte podem ter diferentes causas, ocasionando diversos efeitos. Na anemia, por exemplo, há menor número de hemácias ou menor quantidade de hemoglobina em cada glóbulo. Consequentemente, há diminuição na quantidade de oxigênio que vai para as células, o que pode causar cansaço e tontura, entre outros sintomas.
Os glóbulos brancos, também chamados de leucócitos, são responsáveis pela defesa do organismo, usando diferentes mecanismos para destruir microrganismos que invadem o corpo. Alguns leucócitos podem combater diretamente bactérias e outros organismos.
Outros leucócitos produzem os chamados anticorpos, que combatem microrganismos e substâncias estranhas que invadem o corpo.
Leucócito (em amarelo) combatendo bactérias (em azul). Imagem obtida ao microscópio eletrônico; aumento de cerca de 3 600 vezes; colorida artificialmente.
Você já deve ter caído e ralado os braços e as pernas. O sangue participa da cicatrização das feridas, regenerando os tecidos afetados; as plaquetas são os elementos que ajudam a interromper o sangramento.
Sistema respiratório
É o sistema por meio do qual são realizadas
as trocas gasosas entre o corpo e o ambiente
externo. Por meio dele, conseguimos
o gás oxigênio do ar atmosférico, usado na
respiração celular, e eliminamos o excesso de
gás carbônico do corpo para o ar atmosférico.
É formado pelas vias aéreas e pelos pulmões.
As células do corpo humano, assim como as de muitos organismos, utilizam
o gás oxigênio para obter energia por meio de um processo chamado respiração celular. Nos seres humanos e em outros animais, o sistema respiratório é
responsável pela obtenção do gás oxigênio do ambiente que será usado nesse
processo. Também é esse sistema que elimina do corpo o gás carbônico, produzido durante a obtenção de energia.
O ar penetra no corpo pelo nariz (ou pela boca), chega à faringe e depois passa pela laringe. Na laringe se encontram as pregas vocais (também chamadas cordas vocais) que podem vibrar durante a saída do ar, produzindo os sons da voz.
Em seguida, o ar passa pela traqueia, pelos brônquios e pelos bronquíolos. Dos bronquíolos o ar é conduzido aos alvéolos pulmonares. O ar que chega aos alvéolos contém gás oxigênio, que acaba sendo absorvido pelo corpo e vai para o sangue. Ao mesmo tempo, o sangue em contato com os alvéolos contém gás carbônico, que é passado para eles e acaba sendo eliminado na saída do ar (expiração). Nos alvéolos ocorre, portanto, a troca do gás carbônico do sangue
pelo gás oxigênio do ambiente.
O ar entra nos pulmões e sai deles por causa da contração de músculos: o diafragma, um órgão muscular localizado abaixo dos pulmões; e os músculos intercostais, que ficam entre as costelas. Esse processo de entrada e saída do ar é chamado ventilação pulmonar.
Sistema linfático
É formado pelos vasos
linfáticos, pelos linfonodos
(nódulos linfáticos) e pelos
órgãos linfoides, como baço,
timo e tonsilas. Participa
dos mecanismos de
defesa do corpo.
Sistema digestório
É o sistema que executa a digestão, isto
é, a quebra dos alimentos em nutrientes,
substâncias mais simples, que podem ser
absorvidas pelo corpo. Além de boca,
esôfago, estômago, intestinos e ânus,
esse sistema conta com as glândulas
anexas, como as glândulas salivares,
o fígado e o pâncreas.
O ser humano, assim como os outros animais, precisa se alimentar de plantas ou de outros organismos para manter suas funções.
O sistema digestório é responsável pela digestão dos alimentos e absorção
dos seus nutrientes. A passagem por esse sistema começa na boca, onde os
dentes cortam e trituram os alimentos.
Esse sistema é formado por um tubo principal associado a glândulas. As glândulas salivares, por exemplo, lançam na boca a saliva, líquido responsável por umedecer a comida e iniciar a digestão de determinados alimentos. O fígado, além de
desempenhar inúmeras funções, produz um líquido, a bile (armazenada na vesícula
biliar), que facilita a digestão das gorduras.
Outra glândula que produz uma secreção responsável pela digestão de vários tipos de alimentos é o pâncreas.
A digestão permite que os nutrientes presentes nos alimentos atravessem a
parede do tubo digestório, por onde o alimento passa, impulsionado pela ação
muscular. Nas paredes do tubo digestório, os nutrientes são absorvidos pelo
sangue, que os transporta até as células do corpo todo.
Depois de passar pela boca e ser engolido, o
alimento passa pela faringe e pelo esôfago, chegando ao estômago, onde a digestão continua.
Em seguida, é empurrado para o intestino delgado, que, juntamente com o fígado e o pâncreas,
atua na digestão do alimento.
Após a digestão,
ocorre a absorção da maior parte dos nutrientes.
Na próxima etapa da digestão, o alimento chega ao intestino grosso, onde boa parte da água
contida nos alimentos é absorvida pelo corpo e
ocorre a formação das fezes, compostas de tudo
que não foi digerido nem absorvido pelo organismo. As fezes são eliminadas passando pelo reto e
chegando ao ambiente externo pelo ânus.
Sistema endócrino
É formado pelo conjunto de glândulas
endócrinas, que produzem e liberam
hormônios, substâncias que controlam
o funcionamento dos órgãos do corpo.
Enquanto o sistema nervoso alcança os
órgãos por meio dos nervos, o sistema
endócrino depende do transporte dos
hormônios pela circulação sanguínea.
Embora sejam estudados separadamente e tenham funções próprias, todos
os sistemas do corpo humano são integrados. Um dos responsáveis por essa
integração é o sistema endócrino, juntamente com o sistema nervoso.
Ele é formado por um conjunto de glândulas que produzem e lançam hormônios no
sangue. Os hormônios são substâncias que influenciam na atividade de vários
órgãos.
Exemplos de ações que são controladas por hormônios produzidos na
glândula hipófise: o crescimento do
corpo, a perda de água pela urina, a
produção de leite na amamentação e
as contrações do útero no parto, além
de controlar outras glândulas do corpo. Já a glândula tireoide produz hormônios que estimulam o consumo de
gás oxigênio pelos órgãos e aumentam a frequência e a intensidade dos
batimentos cardíacos, além de controlar a formação dos ossos durante
o crescimento.
Localização da glândula
tireoide sobre a traqueia,
vista em transparência
através do corpo.
(Elementos em tamanhos
não proporcionais entre si.
As glândulas paratireoides são quatro pequenas glândulas localizadas na
parte de trás da glândula tireoide. Elas produzem o hormônio que regula a quantidade de cálcio no sangue.
Já as glândulas suprarrenais produzem adrenalina,
hormônio que prepara o corpo para enfrentar situações de perigo, em que a reação necessária pode ser de luta ou de fuga. É pelo efeito da adrenalina que percebemos, entre outras sensações, o coração acelerar em uma situação de risco.
O pâncreas é uma glândula mista. Esse órgão é uma glândula anexa ao sistema digestório, lançando suco pancreático no intestino delgado. O pâncreas também é responsável por liberar no sangue um hormônio
chamado insulina.
Quando nos alimentamos de doces, pães, massas e mandioca, eles são pro
cessados pelo sistema digestório. No intestino delgado, a glicose obtida desses
alimentos vai para o sangue. A ação da insulina faz com que a glicose que está
circulando no sangue entre nas células, onde será utilizada como fonte de energia. Este é mais um exemplo de homeostase no organismo.
O pâncreas também produz o hormônio glucagon, que tem um efeito oposto ao da insulina: quando cai a taxa de glicose no sangue, ele promove o seu
aumento, transformando glicogênio armazenado no fígado em glicose.
Tanto o excesso quanto a falta de glicose no sangue prejudicam o funciona
mento do organismo.
Quando o pâncreas deixa de produzir insulina ou passa a
produzi-la em quantidade insuficiente, a taxa de glicose no sangue aumenta, o
que caracteriza a doença conhecida como diabetes melito.
O tratamento da diabetes consiste em monitorar e controlar a taxa de glicose no sangue com injeções de insulina (ou outro medicamento) ou, às vezes,
apenas com uma dieta que evite alimentos ricos em açúcar. Exercícios físicos
também são recomendados.
Sistema
esquelético
O esqueleto é o
eixo de sustentação
do corpo e protege
muitos órgãos
vitais, como os
pulmões, o coração
e o cérebro.
Sistema nervoso
Os órgãos desse sistema desempenham
a função de coordenação do corpo, em
conjunto com o sistema endócrino. Pode
ser dividido em duas partes: sistema
nervoso central, formado pelo encéfalo
e pela medula espinal, e sistema nervoso
periférico, formado pelos nervos.
Sistema muscular
estriado esquelético
Os músculos desse
sistema são responsáveis
pelos movimentos
voluntários do corpo.
Sistema urinário
É relacionado com a excreção de
substâncias nitrogenadas que não são
úteis ao corpo. Esse sistema é formado
por dois rins, que filtram o sangue e
removem as excretas, e dois ureteres,
que conduzem a urina dos rins até a
bexiga urinária. A bexiga armazena a
urina, que é conduzida para fora do
corpo pela uretra.
Os processos que acontecem dentro do corpo, em conjunto com a alimentação, produzem substâncias que podem se tornar tóxicas ou podem estar em
excesso no corpo. Nesses casos, elas são eliminadas pela urina em forma de
excretas e esse trabalho é feito pelos rins.
Representação do sistema urinário visto em transparência através
do corpo.
A excreção das substâncias tóxicas ou em excesso (as excretas) ajuda a
manter constante a composição química do organismo. Essa capacidade, fundamental para a sobrevivência dos organismos, é chamada homeostase.
Nos rins, várias substâncias do sangue passam para o interior de milhões
de tubos microscópicos. Aquelas que não são tóxicas nem estão em excesso
retornam ao sangue. O líquido resultante é a urina, formada em cada rim, que
passa para os ureteres, fica armazenada na bexiga urinária e sai pela uretra.
A bexiga é um reservatório muscular que armazena temporariamente a uri
na. À medida que ocorre o acúmulo de urina, a bexiga aumenta. Ao atingir certo
volume de urina, surge a vontade de urinar. Nesse momento, os músculos em
forma de anel, localizados em torno da uretra, relaxam e a urina é eliminada do
corpo pela micção, que é o ato de urinar.
Sistema genital masculino
Relacionado com a reprodução.
O sistema genital masculino é formado
externamente pelo pênis, que abriga
em seu interior a uretra, e pelo escroto.
Este abriga os testículos, onde os
espermatozoides são produzidos,
e os epidídimos, que armazenam
os espermatozoides. Na cavidade
abdominal estão as glândulas seminais,
a próstata e as glândulas bulbouretrais.
As secreções dessas glândulas, com os
espermatozoides, compõem o esperma.
Sistema genital feminino
Relacionado com a reprodução, o sistema genital
feminino é formado pela genitália externa (pudendo,
formado por lábios maiores, lábios menores e clitóris) e
pela genitália interna (vagina, útero e ovários). Por meio
da interação com hormônios, nos órgãos do sistema
genital feminino ocorrem a ovulação, a menstruação e
a gravidez.