segunda-feira, 18 de maio de 2026

OS BIOMAS TERRESTRES

As regiões do planeta apresentam diferenças quanto à média de chuvas no ano, à faixa de variação de temperatura e até mesmo à intensidade da luz solar que recebem, ou seja, estão sujeitas a diferenças de clima. 
Há ambientes mais secos e outros mais úmidos, alguns muito quentes e outros bem frios. Essas características climáticas são alguns dos fatores que definem quais seres vivos conseguem sobreviver ou não em de terminado ambiente. 
Chamamos de bioma o conjunto de ecossistemas que apresenta uma forma de vegetação dominante, com plantas, animais e outros seres vivos adaptados à condições climáticas semelhantes.
Os ecossistemas terrestres, assim como os aquáticos, apresentam diferentes características e sofrem influência de vários fatores abióticos, como temperatura, luminosidade, precipitação e tipo de solo.
Alguns ecossistemas terrestres apresentam características semelhantes, como o tipo de vegetação e o clima predominante, em uma grande dimensão regional. O conjunto desses ecossistemas com características semelhantes forma um bioma. De maneira geral, os biomas apresentam fauna (animais) e flora (vegetais) distintas,

TUNDRA 


A tundra é um bioma que se localiza próximo à calota polar ártica, onde as temperaturas são baixas e a chuva é escassa. Dessa maneira, o solo permanece coberto por neve e congelado durante quase todo o ano. 
A palavra tundra significa terra sem árvores. Esse bioma se estende pelo norte da Rússia, pela Escandinávia e pelo norte do Canadá, acompanhando o círculo polar Ártico. Esse bioma é frio e seco e apresenta temperaturas médias entre 234 °C, no inverno, e 12 °C, no verão. Por isso, seu subsolo, que está sempre congelado, é chamado permafrost (do inglês permanent = permanente e frost = congelado). O verão é curto demais para permitir o desenvolvimento de árvores de grande porte. 
No verão, a camada mais superficial descongela, o que contribui para o solo permanecer bastante úmido, o que favorece o crescimento de liquens e de plantas como gramíneas e musgos. Além dessas plantas, a vegetação da tundra também é formada por pequenos ar bustos em regiões mais secas. O crescimento da maioria dessas plantas ocorre durante o curto tempo de verão.

No verão, a superfície do solo descongela e a umidade possibilita o crescimento da vegetação rasteira e arbustiva da tundra. Rússia. Foto de 2019.


Embora chova pouco (entre 200 mm e 600 mm por ano), a superfície do solo fica encharcada, pois a evaporação é muito lenta. A vegetação, composta principalmente de arbustos, musgos e liquens, desenvolve-se apenas durante o curto verão. 
A diversidade de animais é baixa, com predomínio de insetos, aves migratórias, roedores (como a lebre), alguns herbívoros (como a rena e o boi-almiscarado) e carnívoros (como o lobo e a raposa-do-ártico). Durante o inverno, tanto as aves quanto os mamíferos costumam migrar para áreas mais ao sul, em busca de alimento.
A fauna é composta de mamíferos, como o urso-polar e o almiscareiro, que possuem uma espessa camada de pelos e de gordura para resistir às baixas temperaturas desse bioma. Na tundra também há aves, como a coruja-da-neve, aves aquáticas e insetos.

TAIGA 


A taiga, também conhecida como floresta de coníferas, é um bioma que se caracteriza pela baixa temperatura, com inverno rigoroso. A vegetação é constituída principalmente de pinheiros e abetos.
Essas plantas apresentam folhas estreitas que evitam, por exemplo, o acúmulo de neve sobre elas. Essas características auxiliam as plantas a resistir às baixas temperaturas, já que no inverno a água disponível no solo encontra-se congelada. Dessa maneira, há pouca diversidade da flora nesse tipo de floresta, pois apenas algumas plantas possuem adaptações para resistir às condições do inverno intenso.
Cobrindo mais de um quarto da superfície das terras emersas do planeta, a taiga é o maior de todos os biomas. Ela está distribuída em regiões localizadas ao sul da tundra: no Canadá, no norte dos Estados Unidos e do Alasca, nos países escandinavos e no extremo norte da Europa e da Rússia. 

Ambiente de taiga no outono. As árvores da foto, chamadas de lariços, são algumas das mais comuns na taiga. Parque Nacional Tunkinsky, Rússia. Foto de 2018.

 A temperatura durante o ano, nesse bioma, pode variar entre 240 °C, no inverno, e 20 °C, no verão, que dura cerca de quatro meses. A taiga é mais úmida que a tundra: chuvas, neblina e neve variam de 200 mm a 800 mm de água por ano. 
Esse bioma também é conhecido como floresta boreal ou floresta de coníferas, pois a vegetação predominante é de coníferas, como os pinheiros, o abeto e o lariço. Essas árvores têm folhas estreitas em forma de agulha, ou folhas aciculadas (do latim acicula = agulha), que não caem durante o inverno. Por isso, são chamadas de evergreen, que significa sempre verde.
Entre outros animais, a fauna é composta de mamíferos, como ursos, cervos, alces, lebres-da-pata-branca, esquilos, lobos, raposas, martas e visons, além de aves, como o pintassilgo e os pardais.
Mamíferos herbívoros, como o alce e o caribu, bem como carnívoros, como os lobos, as raposas e o urso-pardo, são típicos da taiga. Há também várias espécies de insetos, aves e peixes, como o salmão e a truta.

FLORESTAS TEMPERADAS 


Na floresta Temperada, as estações do ano são bem definidas, com invernos de temperaturas muito baixas. Nesse bioma, apesar de serem me nos abundantes do que nas florestas tropicais, as chuvas são relativamente frequentes.
A vegetação é formada por plantas herbáceas, arbustos e por árvores que perdem suas folhas no fim do outono, as quais voltam a nascer na primavera.
Tal característica é essencial para a sobrevivência das plantas, porque, em épocas de baixa temperatura, a maior parte da água disponível no ambiente encontra-se congelada no solo. Assim, ao perder as folhas, essas plantas evitam a perda de água por transpiração e conservam água em estado líquido em seu interior.
As florestas temperadas cobrem grande parte do território da Europa, dos Estados Unidos, da China e do Japão. O nome desse bioma se deve à grande variação de temperatura e de chuva que ele apresenta durante o ano, por estar localizado entre os trópicos e os polos. 
Nesse bioma, as quatro estações são bem definidas, com outono ameno, inverno frio (com temperatura de até 230 °C), primavera amena e verão úmido e quente (com temperatura chegando a 30 °C). As chuvas variam entre 700 mm e 1 500 mm por ano. A reprodução e o crescimento da maioria das plantas e dos animais ocorrem durante a primavera e o verão, devido às condições mais favoráveis.

Vista de uma floresta temperada decídua em Ontário, Canadá, no início do outono. Note as folhas em tons de amarelo e laranja, sem a coloração verde da clorofila; elas estão prestes a cair. Foto de 2018.

Nas florestas temperadas, há grande variedade de árvores com folhas largas, que perdem a clorofila e caem durante o ou tono – adaptação para enfrentar os invernos rigorosos. Por isso, essas florestas também são denominadas temperadas decíduas (do latim deciduus = que cai). 
Nas florestas temperadas, há maior variedade de animais, se comparadas à taiga e à tundra. Há espécies de pássaros e aves de rapina, como águias e gaviões. Entre os mamíferos herbívoros, há veados, esquilos e coelhos; entre os carnívoros, raposas, doninhas e lobos.
A fauna da floresta Temperada é composta de diversos mamíferos, como os veados, ursos, esquilos, linces e raposas. Há também muitos insetos e aves pequenas, como algumas espécies de pica-pau.

FLORESTAS TROPICAIS 


A floresta Tropical é um bioma caracterizado por alta temperatura e chuvas o ano todo. Em geral, as chuvas são diárias e abundantes. Em razão dessas características, esse bioma apresenta fauna e flora bastante diversificadas.
Localizadas quase exclusivamente na região entre os trópicos, as florestas tropicais úmidas estão presentes nas Américas Central e do Sul, na África Central, na China, na Índia e nos países do Sudeste Asiático. A floresta Amazônica é um exemplo típico desse bioma. Nas florestas tropicais, as temperaturas são eleva das o ano todo (entre 20 °C e 40 °C) e praticamente não há estação seca. 
As chuvas constantes variam entre 1 000 mm e 2 500 mm por ano. A combinação de altas temperaturas, água e luminosidade abundantes faz desse bioma o mais rico do mundo em biodiversidade. Embora corresponda atualmente a apenas cerca de 7% da superfície da Terra, esse bioma concentra cerca de 50% das espécies de seres vivos conhecidas.

Essa biodiversidade está relacionada à elevada produção de alimento resultante da atividade vegetal. As árvores são sempre verdes e existe enorme variedade de espécies de insetos. Aves, como a arara e o papagaio, e mamíferos, como os macacos, são animais típicos de florestas tropicais.
A flora da floresta Tropical é constituída de plantas de diferentes tamanhos. Há árvores de grande porte e com folhas largas, que favorecem a transpiração dessa planta. Assim, a parte superior da floresta é preenchida pelas árvores, o que dificulta a passagem de grande parte da luz solar até o solo. Em razão dessa baixa incidência de luz solar, as plantas que vivem próximos ao solo apresentam folhas largas para absorver o máximo de luz solar que chega até elas. 
Outros tipos de plantas encontrados nesse bioma são as chamadas trepadeiras, que crescem sobre as árvores para acessar a luz solar. Também é possível encontrar arbustos, plantas herbáceas e epífitas.
A fauna distribui-se por todos os estratos da floresta. Por exemplo, várias espécies de aves, insetos e morcegos vivem na parte superior das árvores, e diversos mamíferos podem ser encontrados tanto sobre árvores mais baixas quanto no solo, onde também há serpentes, sapos e lagartos. 

CAMPOS E SAVANAS 


Os campos e as savanas estão distribuídos por todos os continentes, com exceção da Antártida. Em geral, apresentam apenas duas estações: uma seca, com chuvas em torno de 100 mm, e outra chuvosa, com chuvas que podem atingir mais de 1 500 mm. As temperaturas são elevadas, oscilando entre 20 °C e 40 °C. 
Muitas espécies de animais e de plantas que habitam esse bioma estão adaptadas aos incêndios naturais e dependem deles para regular seu ciclo reprodutivo. 
A savana é um bioma que se caracteriza por apresentar altas temperaturas, com chuva durante alguns meses, mas longos períodos de seca.
Essas características influenciam a vegetação da savana, que tem o seu crescimento limitado em razão dos períodos de seca. Dessa maneira, a vegetação é constituída, principalmente, por gramíneas, arbustos e árvores de pequeno porte.

Savana em parque nacional no Quênia. Observe o relevo plano, as árvores esparsas e a vasta área de pastos naturais, fonte de alimento para os grandes herbívoros. 

Como a estação seca pode durar vários meses nos campos e nas savanas, eles apresentam poucas árvores, bem espaçadas, e muita vegetação rasteira e arbustiva. As raízes tendem a ser pro fundas, e as folhas, recobertas com ceras impermeáveis, que reduzem a perda de água por transpiração. A savana africana e o Cerrado brasileiro são exemplos desse bioma. 
A fauna dos campos e das savanas apresenta herbívoros de médio e grande porte, como veados, búfalos, zebras, girafas e elefantes. Também são encontrados grandes carnívoros, como leopardos, leões, crocodilos e hienas, além de grande diversidade de insetos e aves pernaltas. 
O relevo desse bioma, em geral, é plano, favorecendo a ocupação humana para a criação de gado e o cultivo de plantas, o que é uma ameaça aos ambientes naturais.

DESERTOS


A palavra deserto tem origem no latim desertum, que significa lugar abandonado. Os grandes desertos estão localizados nos trópicos de Câncer e Capricórnio e são regiões onde raramente chove. A temperatura pode variar muito ao longo de um dia, entre 0 °C à noite e 45 °C durante o dia. As chuvas atingem, em média, menos de 200 mm ao ano. Desertos como o de Atacama, no Chile, podem passar décadas sem chuva. 
Embora existam desertos semiáridos com alguma vegetação, em geral, as plantas são esparsas, de pequeno porte e apresentam adaptações para evitar a perda de água por transpiração. As plantas que apresentam essas adaptações são chamadas de xerófitas (do grego xeros = seco e phyton = planta). 
No deserto, em geral, o verão se caracteriza por temperaturas elevadas e o inverno, por temperaturas amenas. A ocorrência de chuvas escassas e irregulares ao longo do ano e as altas temperaturas resultam no desenvolvimento de plantas adaptadas a essas condições, como cactos e arbustos.
Algumas dessas adaptações, como as dos cactos, caracterizam-se pela ausência de folhas para evitar a perda de água pela transpiração e por armazenar água em seus tecidos.
Assim como as plantas, os animais que vivem no deserto, em geral, também apresentam características que os auxiliam a viver nesse bioma. Por exemplo, alguns deles têm corpo menor e pele espessa para reduzir a perda de água pela transpiração. Nesse bioma, encontramos animais como ratos-cangurus, jerboas e marmotas, além de lagartos, serpentes e insetos.

Pradaria


Na pradaria, em geral, as temperaturas são baixas durante o inverno e altas durante o verão. As chuvas são modera das, com seca durante alguns períodos do ano. 
A vegetação desse bioma é constituída principalmente por gramíneas e arbustos capazes de suportar períodos de seca.
A fauna é composta de diversos insetos, lobos, raposas, coiotes e roedores.

sábado, 16 de maio de 2026

Mamíferos

A maioria dos mamíferos vive em ambientes terrestres. Entretanto, alguns possuem adaptações relacionadas à vida em ambientes aquáticos, como os golfinhos e as baleias. Independentemente do ambiente em que vivem, esses animais respiram por pulmões.
Os mamíferos estão amplamente distribuídos pelo planeta, habitando os polos, os topos das montanhas, as florestas, os desertos e os oceanos. Baleias, morcegos, cães, ratos e seres humanos são exemplos de mamíferos. Algumas das principais características desses animais são citadas a seguir.

• São animais endotérmicos.
• Apresentam glândulas mamárias. Nas fêmeas, essas glândulas são desenvolvidas produzindo o leite com o qual alimentam seus filhotes. 
• Sua pele é recoberta por pelos, que auxiliam na manutenção da temperatura do corpo. A presença de pelos é uma característica exclusiva dos mamíferos. De maneira semelhante às penas das aves, os pelos atuam na manutenção da temperatura do corpo, evitando a perda acentuada de calor para o ambiente.
• Apresentam acúmulo de gordura sob a pele e entre os órgãos internos, que funciona como reserva energética e auxilia na manutenção da temperatura corporal. 
• Algumas espécies apresentam glândulas sudoríparas, responsáveis pela produção de suor, que participa dos processos de regulação da temperatura corporal. 
• Possuem glândulas sebáceas, que produzem uma substância oleosa utilizada para lubrificar e impermeabilizar a pele e os pelos. 
• Os movimentos respiratórios são executados por músculos torácicos e pelo diafragma, um músculo que só está presente nos mamíferos. 
• Apresentam dentes de diversos formatos e tamanhos. A arcada dentária é adaptada à dieta e ao modo de alimentação de cada espécie.
• A maioria dos mamíferos é vivípara e apresenta fecundação interna. Os filhotes geralmente se desenvolvem dentro do corpo da mãe ou no marsúpio, uma estrutura externa do corpo da mãe. Após o nascimento, continuam dependentes da mãe durante o período de amamentação.

Alguns mamíferos apresentam unhas, garras ou cascos, estruturas importantes para a locomoção, a alimentação e a defesa.
Os chifres e os cornos são outros exemplos de estruturas que podemos encontrar nos mamíferos. Os chifres são formados por ossos e podem ser utilizados para defesa, como nos alces. Os cornos possuem queratina em sua constituição. Os rinocerontes e os bovinos são exemplos de mamíferos que têm cornos.

 Vaca (Bos taurus).




Aves

O grupo das aves reúne aproximadamente 9 mil espécies, que ocupam praticamente todos os ambientes da Terra. Elas apresentam bico, pés e pernas revestidos por escamas córneas e os membros anteriores modificados em asas. Entre as características das aves, está a presença de penas e de sacos aéreos.
As penas são importantes para manutenção da temperatura do corpo, proteção, impermeabilização e atração de parceiros para a reprodução. Os sacos aéreos são estruturas que atuam como reservatórios de ar, melhorando a eficiência das trocas gasosas realizadas no pulmão. São uma importante adaptação relacionada ao voo.

Representação simplificada do sistema respiratório de uma ave, incluindo os sacos aéreos.

Há espécies que não voam, como a ema e o avestruz; outras que são voadoras, como os beija-flores e os gaviões; e existem ainda aquelas que podem nadar e se alimentar no meio aquático, como os patos e os pinguins. Algumas das principais características das aves são: 

• são animais endotérmicos, ou seja, regulam a temperatura corporal, mantendo-a praticamente constante, pelo controle da produção de calor interno;
• o corpo é recoberto por penas, que auxiliam no voo e na manutenção da temperatura corporal, pois retêm uma camada de ar sob elas, exercendo a função de isolante térmico; 
• possuem bico e não têm dentes. O formato e o tamanho do bico estão relacionados ao tipo de alimentação; 
• espécies aquáticas apresentam na pele glândulas uropigianas, que secretam uma substância oleosa, ajudando na impermeabilização das penas; 
• respiram por pulmões, que estão ligados a projeções chamadas sacos aéreos; 
• são animais ovíparos com fecundação interna. Os ovos protegem o embrião da desidratação e apresentam substâncias de reserva.

Capacidade de voo 


Ao facilitar o rápido deslocamento, o voo deu às aves a possibilidade de chegar a lugares dificilmente alcançados por outros animais e de ocupar diversos territórios. Inúmeras características possibilitam o voo. 
Os membros anteriores são asas recobertas por penas; apresentam quilha ou carena, estrutura na qual se prendem os músculos peitorais, responsáveis pelo batimento das asas durante o voo; possuem ossos pneumáticos, que são ossos ocos, preenchidos de ar. Os sacos aéreos, expansões do pulmão, maximizam a capacidade respiratória e influenciam a massa e a densidade corpórea.
Outras características relacionadas ao voo são: o formato aerodinâmico das asas e do corpo, que reduz a resistência do ar; os músculos peitorais desenvolvidos, utilizados para mover as asas; e a presença de ossos pneumáticos, que apresentam espaços em seu interior preenchidos por ar, diminuindo sua densidade.
As aves executam funções importantes no ambiente. Podem auxiliar na polinização de flores, como o beija-flor, atuar na dispersão de sementes, como a gralha-azul, e exercer o controle biológico de muitas espécies, como a garça-vaqueira, que se alimenta de carrapatos parasitas de bois.

Beija-flor-de-pescoço-vermelho (Archilochus colubris).

Gralha-azul (Cyanocorax caeruleus).



Répteis

Os répteis passam todo o ciclo de vida no ambiente terrestre. Eles não dependem da água para a reprodução ou para realizar trocas gasosas. 
A sobrevivência desses animais fora da água é possível devido a um conjunto de características que possibilitam reduzir ou evitar a perda de água pelo corpo, como as listadas a seguir. 
• A pele é mais espessa do que a dos anfíbios e é revestida por placas ou escamas. Isso garante a esses animais resistência à perda de água. 
• A respiração é realizada exclusivamente pelos pulmões. 
• Os ovos são recobertos por uma casca resistente à perda de água para o ambiente. 
• O volume de água na urina é reduzido, quando comparado ao dos peixes e ao dos anfíbios. 

Os répteis são representados por lagartos, lagartixas, tartarugas, jacarés, serpentes, entre outros. As principais características desses animais são:

ovo com casca rígida, que protege o embrião contra a dessecação e os choques mecânicos. Esse tipo de ovo contém reservas de água e nutrientes, utilizadas pelo embrião durante seu desenvolvimento, e apresenta estruturas que dificultam a perda de água para o ambiente;
• a pele da maioria dos répteis é revestida por escamas ou placas córneas, que evitam a perda de água;
• são ectotérmicos;
• respiram por um par de pulmões que apresentam maior superfície para trocas gasosas do que os dos anfíbios; 
• geralmente são ovíparos com fecundação interna. 

Os répteis estão distribuídos de maneira mais ampla em ambientes terrestres do que os anfíbios. Isso está relacionado, entre outras características, à proteção do corpo dos répteis contra o ressecamento, à fecundação interna e aos ovos com casca, que proporcionam independência do ambiente aquático para a reprodução. 
Há três grupos principais de répteis: os quelônios, representados por tartarugas, cágados e jabutis; os crocodilianos, que abrangem os jacarés, os crocodilos e os gaviais; e os escamados, que incluem os lagartos e as serpentes.

Os quelônios apresentam carapaça óssea, que confere proteção ao corpo. São representantes desse grupo: as tartarugas, os jabutis e os cágados.

Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), um quelônio aquático que sobe à superfície para respirar.

Os crocodilianos apresentam corpo revestido por placas córneas. Os crocodilos, os jacarés e os gaviais são representantes desse grupo.

Jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris).

Os escamados são assim denominados por possuírem o corpo revestido por escamas. São representados pelas serpentes e pelos lagartos.

Lagarto da espécie Holcosus festivus.


Os répteis podem ser organizados em três grupos: os quelônios, os crocodilianos e os escamados.

Jacarés, crocodilos e gaviais apresentam focinho alongado, dentes pontiagudos e corpo recoberto de placas córneas, formando uma couraça resistente. Esses animais pertencem ao grupo dos crocodilianos. Na foto, jacaré-do-pantanal (Caiman yacare).

As serpentes têm corpo revestido por escamas e realizam mudas de pele ao longo da vida. Juntamente com os lagartos (como as lagartixas, as iguanas e os camaleões), elas compõem o grupo dos escamados. Na foto, jiboia (Boa constrictor) durante o processo de muda.

Tartarugas, cágados e jabutis constituem o grupo dos quelônios. Apresentam uma carapaça dura, constituída por placas ósseas, em volta do tronco. Essa carapaça funciona como proteção para os órgãos internos. Na foto, tartaruga- verde (Chelonia mydas).


Animais venenosos e peçonhentos 


Animais venenosos são aqueles que produzem toxinas (veneno), mas não apresentam estruturas para inoculá-las em suas vítimas. Ou seja, dependem do contato físico para que essas toxinas sejam liberadas. Esse é o caso de alguns sapos, rãs e peixes. 
animais peçonhentos são aqueles capazes de inocular as toxinas em outros animais. Esses animais possuem estruturas especializadas na introdução da peçonha no organismo da vítima. Esse é o caso de algumas serpentes, que têm dentes ligados às glândulas de peçonha.
 




sexta-feira, 15 de maio de 2026

Anfíbios

Os anfíbios são representados por sapos, rãs, pererecas, salamandras e cobras-cegas. O nome anfíbio (do grego amphi = dupla; bios = vida) deve-se ao fato de a maioria das espécies passar uma parte da vida na água (fase larval) e outra no ambiente terrestre (adulto).
Durante a fase larval, os anfíbios respiram por brânquias e, durante a fase adulta, por pulmões e pela pele. A troca de gases pela pele é possível, pois esse revestimento, nos anfíbios, é extremamente fino e úmido. 
De maneira geral, os anfíbios podem ser reunidos em três grandes grupos: anuros, urodelos e cecílias.

Os anuros têm quatro membros. Algumas espécies se locomovem por meio de saltos, outras caminham e outras nadam. Na fase adulta, esses animais não apresentam cauda. Os machos dessas espécies podem produzir sons, denominados coaxos, com a finalidade de atrair as fêmeas para a reprodução e de marcar território. São exemplos os sapos, as rãs e as pererecas.

Rã-touro (Lithobates catesbeianus).

Os urodelos apresentam um corpo mais alongado, quatro membros e cauda comprida. Muitas espécies são totalmente aquáticas. As salamandras são representantes desse grupo.

Salamandra da es pécie Ambystoma maculatum.

As cecílias são caracterizadas pela ausência de membros e pelo corpo alongado. Para se locomover, elas rastejam, promovendo ondulações no corpo. Podem ser aquáticas ou escavadoras. As cecílias são também conhecidas como cobras-cegas, pois seus olhos são recobertos por tegumento ou osso.

Cobra-cega da espécie Siphonops annulatus.


Os sapos apresentam pele enrugada e membros posteriores curtos, preferindo viver em solos úmidos. Na foto, indivíduo da espécie Leptodactylus sp.

Os animais desse grupo foram os primeiros vertebrados a colonizar o meio terrestre, embora parte de sua vida ainda dependa do meio aquático. 
Algumas das principais características dos anfíbios são mencionadas a seguir.

• São ectotérmicos
• Na maioria das espécies adultas, a respiração é pulmonar e cutânea. Na pulmonar, as trocas gasosas ocorrem nos pulmões, enquanto na respiração cutânea as trocas são feitas diretamente através da pele, que é dotada de glândulas mucosas. Nas fases larvais e nos adultos de algumas espécies, a respiração é branquial
• A maioria das espécies é ovípara e apresenta fecundação externa. Os ovos são colocados na água e originam larvas aquáticas chamadas de girinos, que sofrem metamorfose e se desenvolvem em indivíduos adultos.
Dependem do meio aquático: precisam viver em ambientes úmidos para evitar a dessecação da pele, o que prejudicaria a respiração cutânea, e necessitam da água para a fecundação e a postura de seus ovos. Os anfíbios podem ser classificados em três grupos: os urodelos, que compreendem as salamandras e os tritões; os ápodes, representados pelas cobras-cegas; e os anuros, que incluem os sapos, as rãs e as pererecas.

Glândulas de veneno 


As glândulas paratoides dos sapos liberam substâncias tóxicas ao serem pressionadas. Essas glândulas servem de defesa contra predadores. Quando um sapo é abocanhado, suas paratoides são pressionadas e liberam o veneno, fazendo com que o predador o solte.

Representação esquemática de um sapo, mostrando a localização das glândulas paratoides.




Peixes

Os peixes são vertebrados que vivem em ambientes marinhos ou de água doce. Muitos peixes apresentam escamas protegendo e revestindo o corpo. Em outros há um revestimento de placas ósseas.
A maioria dos peixes apresenta nadadeiras, estruturas associadas à locomoção, ao equilíbrio e à orientação. Os peixes são capazes de perceber a movimentação da água por meio de uma estrutura sensorial denominada linha lateral.
Algumas espécies apresentam um órgão chamado vesícula gasosa (ou bexiga natatória), que pode ser preenchida por gases e auxilia na flutuação. Quando a vesícula gasosa se esvazia, o peixe desce na coluna de água; quando ela se enche de ar, o peixe sobe.
A respiração da maioria dos peixes é realizada exclusivamente por brânquias, estruturas localizadas na lateral da cabeça, que retiram o gás oxigênio da água. As brânquias podem estar protegidas por placas chamadas opérculos.
Os peixes apresentam uma grande variedade de formas e tamanhos. Existem espécies que vivem em água doce e outras que vivem em água salgada. As seguintes características são compartilhadas pela maioria das espécies:

• a pele dos peixes secreta muco, que lubrifica a superfície do corpo e ajuda no deslocamento do animal na água;
• apresentam nadadeiras, órgãos responsáveis pela locomoção no meio aquático;
• a respiração da maioria dos peixes ocorre por meio de brânquias, estruturas ricas em vasos sanguíneos e especializadas na realização de trocas gasosas com a água. Em peixes ósseos, as brânquias são recobertas por uma estrutura óssea em forma de lâmina denominada opérculo. Há um grupo de peixes que, além de brânquias, apresenta pulmões rudimentares. São os peixes pulmonados, também chamados de dipnoicos
• os peixes apresentam nas laterais do corpo uma estrutura sensorial, a linha lateral, com a qual captam as vibrações aquáticas, que lhes possibilitam a percepção do movimento e da direção das correntes de água em torno do corpo; 
• a maioria das espécies é ectotérmica, ou seja, depende de fontes externas de calor para regular a temperatura do corpo, que, em geral, varia de acordo com a temperatura do ambiente.

Os peixes que apresentam esqueleto formado só por cartilagem são denominados peixes cartilaginosos. Os principais representantes desse grupo são os tubarões, as raias e as quimeras.

Tubarão-branco (Carcharodon carcharias), um peixe cartilaginoso.

Os peixes com esqueleto constituído principalmente por ossos são chamados peixes ósseos. Podemos citar como exemplos desse grupo o lambari, o dourado e o pintado.

Lambaris do gênero Astyanax, peixes ósseos.


Peixes ósseos e cartilaginosos 


Existem cerca de 27 mil espécies de peixes. A maior parte delas é classificada em dois grandes grupos: peixes cartilaginosos, caracterizados pela presença de esqueleto cartilaginoso, sem tecido ósseo; e peixes ósseos, que apresentam esqueleto ósseo com cartilagens.
Entre os peixes cartilaginosos, podem ser citados os tubarões e as raias. Eles apresentam um esqueleto de cartilagem resistente e a pele revestida por escamas muito pequenas, chamadas dentículos. O fígado desses animais acumula óleo, que os auxilia na flutuação. 
A fecundação é interna nos peixes cartilaginosos. Os machos apresentam uma modificação em uma de suas nadadeiras, a nadadeira pélvica, chamada clásper, que é utilizada na cópula. Podem ser ovíparos, ovovivíparos ou vivíparos, e as fêmeas geralmente têm poucos filhotes. 
Existe uma grande diversidade de peixes ósseos (mais de 20 mil espécies) que vivem em praticamente todos os ambientes aquáticos. Eles apresentam um esqueleto com ossos calcificados e cartilagens, pele mucosa revestida por escamas e bexiga natatória, um órgão que ajuda a regular a flutuação do peixe de acordo com a quantidade de gás que fica em seu interior.  
Na maioria das espécies, os peixes ósseos têm sexos separados, apresentam fecundação externa e são ovíparos, podendo depositar no ambiente desde algumas dezenas até milhares de ovos.

Cavalo-marinho macho da espécie Hyppocampus reidi incubando ovos na bolsa ventral. Os cavalos-marinhos são peixes ósseos e os machos são os responsáveis pela incubação dos ovos.




Equinodermos

O filo Echinodermata é composto de animais exclusivamente marinhos, como o ouriço-do-mar, a estrela-do-mar e o pepino-do-mar. Todos os equinodermos possuem um endoesqueleto (esqueleto interno) calcário. Com poucas exceções, os equinodermos adultos têm simetria radial. Sua digestão é exclusivamente extracelular, e o sistema digestório tem boca e ânus.
Os equinodermos vivem exclusivamente em ambientes marinhos. Eles não apresentam cabeça e seu esqueleto é interno, podendo apresentar pequenas projeções para fora do corpo, em forma de espinhos, que auxiliam na sua locomoção. Os equinodermos podem ser divididos em cinco grupos.

- Os asteroides possuem formato de estrela e, em sua maioria, cinco braços, como a estrela-do-mar.

 Estrela-do-mar da espécie Echinaster sepositus.

- Os equinoides, como o ouriço-do-mar, possuem corpo arredondado e espinhos que recobrem o corpo. Nesses animais, não há braços.

Ouriço-do-mar da espécie Echinometra viridis.

- Os ofiuroides, em geral, apresentam cinco braços, mas, em comparação com asteroides, seus braços são mais finos e separados do centro do corpo, como na serpente-do-mar.

 Serpente-do-mar da espécie Ophiothrix suensoni.

Os holoturoides, como o pepino-do-mar, apresentam corpos alongados e, assim como os ouriços-do-mar, não têm braços.

Pepino-do-mar da espécie Thelenota ananas.

Os crinoides vivem geralmente fixos ao substrato e possuem braços finos e numerosos, como o lírio-do-mar.

 Lírio-do-mar do gênero Comaster.

Uma característica exclusiva desse grupo é a presença de um sistema ambulacral no interior do corpo. Esse sistema é formado por um conjunto de canais preenchidos por um líquido composto basicamente de água do mar. Esses canais se comunicam com apêndices chamados pés ambulacrais, que podem ser usados na locomoção, na alimentação e na fixação do animal. A água do mar entra no sistema por uma placa perfurada do esqueleto, o madreporito
Grande parte dos representantes desse filo possui sexos separa dos. A reprodução pode ser assexuada ou sexuada. A fecundação é externa, com a liberação dos gametas na água do mar. 
Algumas estrelas-do-mar podem se reproduzir assexuadamente dividindo seu corpo em dois ou mais pedaços que contenham uma parte do disco central. Cada pedaço é capaz de regenerar o resto do organismo e originar uma nova estrela-do-mar.

Estrela-do-mar da espécie Linckia multifora em processo de regeneração de outros quatro braços. Ela pode regenerar braços danificados e até mesmo originar um novo animal a partir de um único braço que contenha parte do disco central.


ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

A distribuição dos seres vivos nos ecossistemas, tanto terrestres como aquáticos, está intimamente relacionada com fatores abióticos. Nos ec...