A América do Sul é um subcontinente da América, por isso vamos estudá-la como uma unidade. Esse subcontinente tem 17,8 milhões de quilômetros quadrados de extensão. O Brasil ocupa quase metade dessa área, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados.
Em 2017 vivia na América do Sul 5,6% da população mundial, distribuída em doze países independentes, além da Guiana Francesa, território que pertence à França, e das ilhas Malvinas (também denominadas Falkland), que pertencem ao Reino Unido.
Os países sul-americanos, mais os países da América Central e o México, pertencem à América Latina, onde predominam as línguas derivadas do latim, por influência dos principais colonizadores da região (portugueses e espanhóis).
Nela, grande parte das pessoas fala espanhol. O português ficou circunscrito ao Brasil e o francês é falado na Guiana Francesa e em países do Caribe, como o Haiti. Em alguns países (um deles é o Brasil), são faladas línguas nativas de diversas etnias indígenas.
Além das línguas nativas e derivadas do latim, no Suriname e em algumas ilhas do Caribe, apesar de pertencerem à América Latina, parte da população fala holandês e inglês (por influência de seus colonizadores). Grande parte da população dos países da América do Sul é católica, mas há outras religiões, como as tribais, praticadas por povos nativos, por exemplo.
Além da origem linguística e da influência religiosa europeia, os países sul-americanos compartilham uma história marcada pela dominação colonial. Neles houve intensa exploração de produtos agrícolas e minerais, e para sustentar essas ativida des muitos indígenas e pessoas trazidas à força da África foram escravizados.
Por causa desse passado de exploração, somado ao descaso das elites que assumiram o poder desde a independência, grande parte da sociedade, sobretudo entre os indígenas e africanos (e seus descendentes), ficou marginalizada, sem acesso a educação, saúde e moradia dignas.
Essas circunstâncias, somadas a um histórico de dependência política e econômica em relação aos países europeus, desde o colonialismo, e aos Estados Unidos, desde o imperialismo, ajudam a compreender a acentuada desigualdade social e econômica e as más condições de vida de amplos setores da sociedade dos países da América do Sul.
Atualmente, este subcontinente é composto apenas de países em desenvolvimento, com destaque para alguns emergentes importantes, como o Brasil, a Argentina e o Chile.
Relevo
A América do Sul apresenta variadas formas de relevo. As áreas com maior altitude da América do Sul ficam na porção oeste do subcontinente (cordilheira dos Andes), originadas pelo soerguimento do terreno, ocasionado pela pressão resultante do encontro das placas tectônicas de Nazca e Sul-mericana.
Na borda oeste da América do Sul localiza-se a cordilheira dos Andes. Essa cadeia montanhosa se formou pelo dobramento da crosta terrestre, resultado da pressão exercida pelo encontro das placas tectônicas de Nazca e Sul-Americana. há várias montanhas com altitudes superiores a 4 000 metros. Ali fica também o pico mais alto do continente americano, o Aconcágua, com 6 962 metros de altitude.
Na região central dos Andes também há áreas planas, mas em altitudes elevadas, os chamados altiplanos. É lá, por exemplo, que se encontra o lago Titicaca, na fronteira entre o Peru e a Bolívia, o lago mais alto do mundo, a cerca de 3 800 m de altitude.
A grande planície Platina (formada por Pantanal, Chaco e Pampas), a planície Amazônica e a do Orinoco formam um corredor de terrenos baixos de norte a sul do subcontinente. Elas são constituídas por rochas sedimentares de formação recente.
Do ponto de vista geológico, pode-se dizer que grande parte do relevo da América do Sul desenvolveu essa configuração recentemente, considerando a escala do tempo geológico, tendo em vista que o planeta Terra começou a se formar há cerca de 4,6 bilhões de anos. Estima-se que o início do soerguimento da cordilheira dos Andes e o preenchimento das bacias sedimentares (com destaque para a Amazônica) tenham ocorrido há cerca de 85 milhões de anos, no final da era chamada Mesozoica.
Os planaltos Brasileiro, das Guianas e da Patagônia são formações mais antigas, pré-cambrianas, nas quais há serras rebaixadas, desgastadas por processos erosivos e cercadas por planícies. No Planalto das Guianas estão as maiores altitudes do relevo brasileiro, como o pico da Neblina.
Nas regiões planálticas, formadas por rochas antigas do período Pré-Cambriano, há grande variedade de serras, como as serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço, e também de chapadas, como a Diamantina e a dos Parecis, todas em território brasileiro.
Hidrografia
A América do Sul apresenta uma extensa rede hidrográfica, embora tenha algumas regiões desérticas e semiáridas com poucos rios, como na área do interior do Nordeste do Brasil.
A cordilheira dos Andes é o grande divisor de águas do subcontinente. Em sua vertente leste nascem os rios que formam as bacias Amazônica, Platina, do Orinoco, entre outras bacias menores. Na vertente oeste, em direção ao oceano Pacífico, os rios têm pequena extensão e muitas quedas-d’água.
O planalto das Guianas é o divisor de águas das bacias Amazônica (onde nascem os afluentes da margem esquerda do Amazonas) e do Orinoco; o planalto Brasileiro é o divisor de águas das bacias Amazônica (dos afluentes da margem direita), Platina e do São Francisco.
A América do Sul também tem muitos lagos, com destaque para o lago de Maracaibo (Venezuela) e o Titicaca (na fronteira do Peru com a Bolívia), e lagoas costeiras, como a lagoa dos Patos (no Rio Grande do Sul).
A presença de rios extensos e caudalosos correndo em relevo planáltico faz com que a América do Sul tenha um enorme potencial hidráulico, que vem sendo aproveitado para a geração de energia hidrelétrica, o que tem contribuído para o desenvolvimento do país onde fica a usina e mesmo de países vizinhos.
Além das águas superficiais, a América do Sul tem grandes reservas subterrâneas nos chamados aquíferos, com destaque para o Sistema Aquífero Grande Amazônia e o Sistema Aquífero Guarani, a primeira e a segunda reservas mundiais de água subterrânea, respectivamente.
A conservação dos recursos hídricos é fundamental, já que deles dependem diversas formações vegetais com importante biodiversidade. Além disso, suas águas são usadas no consumo e na irrigação agrícola, no abastecimento das cidades, na produção de energia, pesca e lazer. A poluição dos recursos hídricos afeta o equilíbrio ambiental e o abastecimento de água para a população.
Nas cidades, devido à insuficiência de saneamento básico, os principais poluentes são o esgoto doméstico e os resíduos industriais; no campo, os produtos químicos utilizados na agricultura e os dejetos das agroindústrias. Os rios que atravessam as grandes aglomerações urbanas dos países da América do Sul são os mais afetados pela poluição.
O rio Paraguai, por exemplo, que atravessa os territórios de Brasil, Paraguai e Argentina, tem sofrido com a poluição tanto por causa da agricultura no planalto Central, contaminando suas nascentes e afluentes, como por lançamento de esgotos domésticos e industriais das cidades que atravessa. Apenas a cidade de Assunção, capital do Paraguai, principal aglomeração urbana que o rio corta, lança cerca de 3,2 milhões de litros de esgotos residencial e industrial no leito do rio, comprometendo a qualidade de suas águas. Outros rios da América do Sul têm sido afetados pela poluição.
Algumas ações têm procurado combater o problema da poluição. No Brasil, por exemplo, foi criada em 1997 a lei no 9 433, conhecida como Lei das Águas, que estabeleceu uma Política Nacional dos Recursos Hídricos para orientar a gestão das águas no país. Houve muitos avanços desde então, mas muito ainda é preciso ser feito para a adequada gestão dos recursos hídricos no território brasileiro.
Clima
Por causa de sua localização no globo terrestre, a América do Sul está situada em duas zonas climáticas do planeta, a intertropical e a temperada. Nas áreas situadas na zona intertropical, mais próximas do equador, os climas apresentam temperaturas mais elevadas do que nas áreas situadas na zona temperada.
No subcontinente, há oito tipos climáticos, mas grande parte dele é dominado pelos climas equatorial (que apresenta temperaturas elevadas e chuvas frequentes o ano inteiro) e tropical (com verões quentes e chuvosos e invernos amenos e secos).
Em contraste, no extremo sul encontramos áreas de clima temperado, que apresentam temperaturas baixas em grande parte do ano. Também na zona temperada, há extensa área com predomínio do clima subtropical, com temperaturas mais amenas (se comparadas às do clima temperado) e chuvas bem distribuídas ao longo do ano.
Além da grande extensão em latitude, as acentuadas variações de altitude, a circulação das massas de ar e das correntes marítimas e a proximidade do oceano também são fatores que determinam a diversidade climática da América do Sul.
As correntes marítimas
Várias correntes marítimas atuam na América do Sul. Algumas merecem destaque por exercer forte influência climática.
A corrente marítima de Humboldt origina-se próximo da Antártica e por isso é muito fria. Ela se desloca pelo oceano Pacífico, passando pela costa oeste da América do Sul. Por ser fria, provoca condensação da umidade da atmosfera. Assim, quando as massas de ar atingem o continente, estão secas, de forma semelhante ao que vimos com a corrente de Benguela, que dá origem ao deserto da Namíbia e Kalahari, no sudoeste da África. Esse fenômeno explica o predomínio do clima desértico em parte da costa oeste da América do Sul e a origem do deserto do Atacama (Chile), o mais seco do planeta.
Além da influência climática, a corrente de Humboldt também se destaca por sua importância para a economias de alguns países banhados pelo oceano Pacífico, entre eles o Chile e o Peru. Isso porque ela provoca uma grande concentração de plânctons próximo à superfície do oceano, atraindo grande quantidade de peixes, que se alimentam desses microrganismos, o que contribui para o desenvolvimento da indústria pesqueira nesses países.
A costa da Argentina é banhada pela corrente das Falkland (também chamada de Malvinas), que, por ser fria como a corrente de Humboldt, também provoca a condensação da umidade atmosférica sobre o oceano, antes que ela chegue ao continente. Essa corrente é um dos fatores que determinam a origem do deserto da Patagônia (Argentina).
Na costa brasileira, as correntes das Guianas e do Brasil, ambas quentes e carregadas de umidade adquirida no oceano, provocam aumento das chuvas no litoral, sobre tudo no verão.
A altitude
Ao longo da cordilheira dos Andes predomina o clima típico de montanha. Por causa das altitudes elevadas, a média de temperatura do ar é baixa durante o ano e nas localidades de maior latitude neva durante o inverno. Observe as médias de temperatura e precipitação em La Paz, na Bolívia, que se encontra a 3 600 metros de altitude, embora esteja na zona intertropical do planeta.
A proximidade do oceano
O oceano atua como um regulador da temperatura do ar. Isso acontece porque, mesmo no inverno, a evaporação é mais relevante próximo aos grandes corpos de água. A temperatura média do ar nos lugares em que há abundância de água na atmosfera é mais elevada do que nos luga res secos, porque o vapor de água retém parte do calor irradiado pelo planeta.
O clima de Santiago (Chile), por exemplo, é um clima mediterrâneo influenciado pela proximidade do mar e por isso não é tão frio e seco como o mediterrâneo da Espanha, que tem características mais continentais.
As chuvas estão concentradas no inverno, que não é tão frio. É por isso que o inverno da porção meridional do continente sul-americano é menos rigoroso do que o da América do Norte, por exemplo, apesar de ambos estarem na zona temperada. Note como a América do Sul tem formato “triangular”. Quanto mais próximo do polo Sul, mais estreita é a porção continental e, com isso, o oceano exerce maior influência climática, amenizando os rigores do inverno.
Vegetação
A grande variedade de climas na América do Sul originou diversos tipos de formações vegetais, adaptados às condições de temperatura e umidade, ao relevo e aos tipos de solo do subcontinente. Há biomas florestais – florestas tropicais, subtropicais e temperadas –, bioma tipo savana – cerrado, chaco, caatinga –, vegetação de desertos e de montanha.
Ação humana sobre a vegetação
A distribuição original das formações vegetais, isto é, antes de a ação humana transformá-las. Em maior ou menor grau, todos os tipos de vegetação do planeta vêm sofrendo a ação humana, por causa tanto da extração de madeira para comercialização e da atividade mineradora como da criação de áreas para plantações, pastagens e do desenvolvimento de cidades. Essa agressão aos biomas é um dos problemas ambientais que enfrentamos e que, entre outras consequências, ameaça a biodiversidade do planeta.
A América do Sul abriga a maior floresta tropical do planeta, a Amazônica. Ela ocupa cerca de sete milhões de quilômetros quadrados e se estende por vários países, mas a maior extensão está em território brasileiro.
O bioma Amazônia ainda tem grande parte de sua área preservada, mas o desmatamento tem avançado muito, sobretudo em território brasileiro. A abertura de rodovias, a expansão da atividade de mineração, as queimadas para desenvolvimento da agropecuária, além do corte ilegal de árvores para venda de madeira são os principais motivos de desmatamento de parte dessa floresta.
Em 2017, apenas no Brasil, o desmatamento da Floresta Amazônica foi de 6,9 mil quilômetros quadrados, segundo estimativa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a pecuária extensiva e a exploração madeireira ilegal são as atividades que mais contribuem para o desmatamento na Floresta Amazônica.
A pecuária ocupa cerca de 80% das áreas desmatadas na região. Se não forem tomadas medidas eficazes, como aumento da fiscalização do Estado e punição aos agressores, para combater as queimadas e a derrubada de árvores, a tendência é que o desmatamento cresça novamente.
O desmatamento provoca impactos que têm consequências locais, como a erosão dos solos e o assoreamento dos rios. Afeta o ambiente também em escala global, já que as queimadas ampliam a emissão de gases estufa na atmosfera e diminuem a biodiversidade.
A proteção dos ambientes naturais é responsabilidade dos governos – por meio de criação de leis, planejamento e fiscalização – e da sociedade – por meio de ações individuais e coletivas.
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