quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

América do Sul: economia

Os países sul-americanos têm uma economia muito variada, apesar da herança colonial, da história comum de desigualdades sociais e da influência política, econômica e cultural dos Estados Unidos desde o início do século XX.
Há, por exemplo, países emergentes com um parque industrial relativamen te diversificado, como o Brasil, a Argentina, o Chile e a Colômbia, enquanto em outros, menos desenvolvidos, predominam as atividades minerais e agrárias, como a Bolívia, o Equador, o Paraguai e a Guiana.
No setor agrícola dos países sul-americanos há agroindústrias que utilizam tecnologia avançada na produção de alimentos, biocombustíveis e matérias-primas para indústrias de papel, móveis, químico-farmacêuticas, etc. Ao mesmo tempo, há regiões em que prevalece a agricultura tradicional apenas para o consumo da própria família.
Nos países emergentes, o parque industrial é integrado à economia mun dial em diversos setores, como o de bens de capital (máquinas e equipamentos), bens intermediários (aço, celulose, derivados de petróleo etc.) e bens de consumo (automóveis, eletrônicos, vestuário, alimentos, etc.). Além disso, contam com investimento de capital privado nacional e estrangeiro, além de capital estatal.

O Produto Interno Bruto

O Brasil é o país que possui o maior PIB do subcontinente, mais de três vezes maior que o segundo colocado, a Argentina. Em todos os países, o setor de serviços (que inclui o comércio) é o que mais contribui na composição do PIB e também o que ocupa mais mão de obra. Novamente, é o Brasil a economia em que esse setor tem mais peso, seguido pela Argentina.
Já nos países em que a agricultura ainda tem grande participação no PIB, como é o caso do Paraguai e da Guiana, a participação dos serviços se reduz um pouco, mas ainda é predominante.
Durante a alta do preço das commodities nos anos 2000, as economias dos países sul-americanos cresceram com taxas elevadas, o que contribuiu para a redução do desemprego e a melhoria das condições gerais de vida da população. 
No entanto, após a passagem desse ciclo de alta (e também como resultado de políticas econômicas malsucedidas), desde 2010 as economias dos países sul-americanos vêm reduzindo o ritmo de crescimento, com alguns paí ses passando por recessão econômica. Em 2018, a pior situação é a da Vene zuela, cujo PIB vem encolhendo fortemente desde 2014.

Agropecuária

Os dois países que dispõem das maiores extensões de terras agrícolas são o Brasil e a Argentina. No Brasil, pratica-se agricultura mecanizada em grandes propriedades no estado de São Paulo, com destaque para a cana-de-açúcar (produção de açúcar e etanol) e nos estados da região Centro-Oeste, com destaque para o cultivo de soja e milho.
Esses dois cultivos também são desenvolvidos no Paraná e no Rio Grande do Sul e a soja tem sido muito cultivada no oeste da Bahia. Vale destacar ainda o cultivo de café em grandes e médias propriedades no sul de Minas Gerais e do Espírito Santo (nesses estados o grau de mecanização é menor devido ao relevo montanhoso).
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricul tura (FAO), em 2016 o Brasil era o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e de café, o segundo produtor de soja e o terceiro de milho. Essa produção em grande parte é voltada para a exportação. No Brasil central também se concentra a maior parte dos 218 milhões de cabeças que compõem o rebanho bovino brasileiro, o maior do mundo, outro produto importante na pauta de exportação brasileira.
A modernização das atividades agrícolas reduziu sensivelmente a utilização de mão de obra empregada no setor primário da economia. Sem contar que dos poucos que permanecem empregados se exige maior qualificação: hoje em dia, a agricultura moderna emprega engenheiros agrônomos, técnicos em agricultura, tratoristas, mecânicos de máquinas, etc.
Na Argentina, a agricultura mais importante encontra-se na região da planície dos Pampas, com destaque para a soja (terceiro produtor mundial), o milho (quarto produtor) e o trigo, cultivados em grandes proprie dades com alto grau de mecanização. Esses produtos aparecem, respecti vamente, na pauta de exportação de ambos os países, sendo que o Brasil importa trigo argentino. A Argentina também se destaca como grande produtor e exportador de carne bovina.
Outro país que tem uma agricultu ra relevante é o Chile, com destaque para a fruticultura – uva, pêssegos, pe ras, cerejas, entre outras. As frutas têm um grande peso na pauta de exporta ção chilena, só ficando atrás do cobre. A agricultura chilena se concentra na região central, pois o sul é muito frio e o norte é muito árido e ocupado pelo deserto de Atacama.

Recursos minerais e indústria

Em conjunto, os países do subcontinente produzem quase todos os produtos minerais e energéticos de que necessitam. A produção de petróleo é relevante no Brasil, na Venezuela e na Colômbia. Este país e o Brasil, apesar de não serem membros da Opep, também são exportadores de petróleo.
Vale destacar a produção de minério de cobre, no Chile e no Peru; de estanho e gás natural, na Bolívia; e de ferro, manganês e bauxita, no Brasil. Esses recursos minerais têm grande importância na pauta de exportações dos respec tivos países. A Venezuela, cuja economia passa por profunda crise desde 2014. Segundo estimativas do Banco Mundial, suas exportações caíram de 65,7 bilhões de dólares em 2010 para 23,9 bilhões de dólares em 2017. Isso se deve à desagregação socioeconômica que o país vive. Cerca de 95% da pauta de exportação da Venezuela é composta de petróleo.
As maiores regiões industriais se localizam no Brasil e na Argentina, as duas maiores e mais industrializadas economias sul-americanas. No Brasil a indústria contribui com 18% do PIB, e emprega 28,2% dos trabalhadores e 10,1% das traba lhadoras; na Argentina esse setor é responsável por gerar 22% do PIB e em pregar 34,1% dos trabalhadores e 8% das trabalhadoras no país.
No Brasil, a produção industrial é muito diversificada e, embora tenha se espalhado pelo território, ainda está bastante concentrada nas regiões metro politanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com indústrias de ali mentos, de vestuário, automobilísticas, petroquímicas, farmacêuticas, etc.
Na Argentina, a maior concentração industrial encontra-se no eixo formado pela região metropolitana de Buenos Aires e a cidade de Rosário, com indústrias de alimentos, de vestuário, automobilísticas, petroquímicas, etc. Além dessas duas regiões industriais principais, há outras concentrações menores na América do Sul.
Sobretudo no Brasil, há polos in dustriais de alta tecnologia, com des taque para a região de Campinas (SP). Nessa cidade do interior paulista exis te um importante tecnopolo em torno da Universidade Estadual de Campi nas (Unicamp) e de outros centros de pesquisa, que formam mão de obra qualificada para trabalhar nas indús trias da região (eletrônicas, telecomu nicações, mecânicas, biotecnologia, entre outras), assim como produzem avanços científico-tecnológicos, fruto de suas pesquisas.

Turismo

No setor de serviços, uma das atividades que mais tem crescido e gerado renda na América do Sul é o turismo. Em todos os países sul-americanos, os setores de comércio e serviços são os que empregam maior percentual da população economicamente ativa.
O subcontinente tem diversas cidades históricas tanto do período pré-colombiano como do período colonial, que atraem muitos turistas interessados principalmente na arquitetura das construções, que imprimem na paisagem as marcas de outros tempos.
Além disso, pelo extenso litoral (principalmente do Brasil) em zona inter tropical, é muito favorecido para o desenvolvimento do turismo de sol e praia, mas também o de montanha (lembre-se de que é nesse subcontinente que está uma das maiores cadeias de montanha do planeta, a cordilheira dos An des), de inverno (nas áreas situadas ao sul do trópico de Capricórnio) e ecológico (em função dos diversos parques nacionais e outras áreas protegidas).
Dos turistas internacionais que entram nos países da América do Sul, boa parte é oriunda do próprio subcontinente. Muitos dos turistas internacionais que entram na Argentina, por exemplo, são brasileiros (e vice-versa), assim como grande parte dos visitantes estrangeiros no Chile é composta de brasileiros. Há também um significativo fluxo interno de turistas, especialmente no Brasil.

Blocos econômicos regionais

A busca de integração no continente Americano é antiga. Ela vem desde 1948, ano de criação da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a assinatura da Carta da OEA, em Bogotá (Colômbia). A OEA constitui um orga nismo regional dentro do sistema da ONU, de caráter político. Em seu artigo primeiro, apregoa que o objetivo da organização é alcançar nos Estados-mem bros “uma ordem de paz e de justiça, para promover sua solidariedade, inten sificar sua colaboração e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência”.
No entanto, desde sua origem, a OEA, é controlada pelos Estados Unidos, que procurou organizá-la de acordo com seus interesses. Como exemplo, podemos citar a expulsão de Cuba, em 1962, a fim de isolar o regime de Fidel Castro (1926-2016), que em 1959 havia liderado a derrubada do governo do ditador Fulgencio Batista (1901-1973), aliado dos Estados Unidos, e implantado, em 1952, um regime de partido único (Partido Comunista de Cuba), estatizan do a economia e se aproximando da União Soviética. Com o fim da União Soviética e da Guerra Fria, em 1991, cresceu a pressão de países do continen te para o fim da suspensão de Cuba, o que acabou ocorrendo em 2009. No entanto, Raúl Castro, que assumiu o poder após a saída de seu irmão Fidel, não manifestou interesse por voltar à organização, pois, segundo ele, desde sua concepção, a OEA foi e continua sendo um instrumento de dominação imperialista dos Estados Unidos.
O fim da União Soviética e, portanto, da ajuda que concedia a Cuba, por exemplo, vendendo petróleo a preços abaixo do mercado internacional, agra vou os problemas de desabastecimento do país. Com a chegada de Hugo Chávez (1954-2013) ao poder na Venezuela, em 1999, houve uma aproximação entre os regimes chavista e castrista e esse país sul-americano passou a forne cer petróleo em condições vantajosas a Cuba.
Tentando romper o isolamento desses dois países, especialmente o cuba no, em 2004 Chávez e Fidel criaram a Alba – Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, com a participação de Venezuela, Colômbia e Peru. Mais tarde se uniram a ela a Bolívia, o Equador e a Nicarágua. Esses países tinham em comum governos interessados em criar uma alternativa à inte gração a um acordo comercial liderado pelos Estados Unidos. No entanto, acabou não vingando.
A Alba se enfraqueceu depois da morte de Hugo Chávez em 2013 e prin cipalmente após a grave crise econômica que atingiu a Venezuela no governo de seu substituto, Nicolás Maduro.
No entanto, já há bastante tempo os países latino-americanos buscam criar outras organizações de integração regional, especialmente no campo comercial. Um exemplo foi a criação da Aladi – Associação Latino-Americana de Integração, em 1980, com sede em Montevidéu (Uruguai). Ela permitiu a assinatura de acor dos entre apenas dois ou mais países-membros. Isso fez com que aumentasse o número de acordos assinados no âm bito da Aladi. Mas como essa organiza ção é muito ampla, conta com 13 países latino-americanos, de difícil conciliação de interesses, acabou ofuscada pelo crescimento de blocos regionais menores e mais focados em redução de barreiras para o fluxo de mercadorias.
Os blocos econômicos são agrupa mentos de países que fazem acordos regionais para facilitar o trânsito de ca pitais, serviços e, sobretudo, de merca dorias entre eles – isto é, ampliar os mer cados para as empresas. Há quatro tipos de blocos econômicos regionais: zona de livre co mércio, união aduaneira, mercado co mum e união econômica e monetária.

Comunidade Andina (CAN)

Em 1969, com a assinatura do Acordo de Cartagena, foi criado o Pacto An dino, com sede em Lima (Peru). O objetivo do bloco era incentivar a integração política e econômica entre os países-membros: Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador, que formaram uma zona de livre-comércio.
Em 1973, a Venezuela aderiu ao grupo. Em 1976, o Chile renunciou. Em 1997, os países integrantes iniciaram um processo para transformar-se em união aduaneira e mudaram o nome para Comunidade Andina.
Em 2006, com o início das negociações para sua entrada no Mercosul, a Venezuela também se retirou do bloco. Atualmente restam apenas quatro países. Com processo em curso de adesão da Bolívia ao Mercosul e com a entrada de Colômbia e Peru na Aliança do Pacífico, que veremos a seguir, a tendência é haver um esvaziamento da Comunidade Andina.

União das Nações Sul-Americanas (Unasul)

Os doze países independentes da América do Sul integram a Unasul (a Guiana Francesa não faz parte). Criado em 2008, esse grupo tem poderes para negociar com outros países e blocos econômicos e representa os países-mem bros na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em outros órgãos multila terais. Sua sede fica em Quito (Equador).
O objetivo da organização é estabelecer um espaço de integração política, cultural, social e econômica, criando um envolvimento dos países-membros em áreas como a infraestrutura de transportes, energia e comunicações, além do incentivo à cooperação nos setores de educação, saúde, defesa e outros. Se gundo a própria Unasul: “Nosso desafio é eliminar a desigualdade socioeconô mica, alcançar a inclusão social, aumentar a participação cidadã, fortalecer a democracia e reduzir as disparidades existentes”. Ou seja, vai muito além de um acordo comercial como os outros blocos.

Aliança do Pacífico

A Aliança do Pacífico é o mais recente bloco econômico criado na América Latina. Essa zona de livre-comércio é formada por três países andinos da Amé rica do Sul – Chile, Colômbia, Peru – mais o México, país da América do Norte.
Este é o único bloco econômico realmente latino-americano, os outros são sul-americanos ou centro-americanos. Criada em 2011, entre seus objetivos destacam-se: impulsionar o crescimento econômico e a competitividade das economias de seus integrantes, buscando a liberalização do comércio de bens e serviços; promover a livre circulação de pessoas entre os países-membros, transcendendo o âmbito comercial; promover uma arti culação política e de projeção ao mundo, com ênfase na região da Ásia-Pacífico. A integração tem sido bem sucedida: mais de 90% dos produtos comercia lizados entre eles já circulam com tarifa zero.

Mercado Comum do Sul (Mercosul)

O Mercosul é um acordo econômico assinado em 1991 por Argentina, Bra sil, Paraguai e Uruguai. Sua sede fica em Montevidéu (Uruguai). Em 2006, a Venezuela foi admitida como país-membro, mas em 2017 foi suspensa porque o governo de Nicolás Maduro desrespeitou o compromisso democrático esta belecido pelo Protocolo de Ushuaia (acordo assinado em 1998 nessa cidade argentina), que prevê em seu artigo 1o que “A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes”. Nessa condição, o país perdeu o direito de participar nos diferentes órgãos do bloco e tem seus direitos e obrigações também suspensos, como prevê o artigo 5o desse protocolo. Em 2018, a Bolívia estava em processo de adesão.
O Mercosul criou facilidades para a circulação de mercadorias entre os paí ses-membros, visando, primeiramente, à implantação de uma zona de livre-co mércio. Em janeiro de 1995, passou a vigorar também uma tarifa externa comum, que ainda não é válida para todos os produtos, por isso o bloco é considerado uma união aduaneira imperfeita.
Essa proposta de integração econômica não é livre de conflitos de interes ses. A Argentina, por exemplo, de forma recorrente estabelece cotas de impor tação de produtos brasileiros e eleva as tarifas aduaneiras de forma unilateral.
Desde a criação do Mercosul, o objetivo maior é tornar a economia dos países sul-americanos mais forte e competitiva e com maior poder de negocia ção com os Estados Unidos, a União Europeia (com quem negociava, em 2018, um acordo de livre-comércio), a China e outros parceiros comerciais.
O Mercosul, além dos Estados-membros, também chamados de Estados-partes, tem seis países que são considerados Estados associados – Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Com esses países, o Mercosul tem acordos de livre-comércio e eles estão autorizados a participar das cúpulas do bloco.

Investimentos brasileiro e chinês

O Brasil é o país que produziu o maior PIB dentre os países da América do Sul, e por isso podemos considerá-lo a maior economia do subcontinente. Embora tenha apresentado a menor taxa de crescimento no perío do 2000-2017, a economia brasileira é bem maior que a de seus vizinhos, o que faz com que naturalmente tenha mais influência na região. Por exemplo, há mui tas empresas multinacionais brasileiras atuando na América do Sul e mesmo na América do Norte.
No entanto, nos últimos anos, assim como vem acontecendo na África, também na América do Sul tem havido um aumento dos investimentos chineses em diversas atividades.
A China tem investido em infraestrutura, mineração e agricultura para lhe assegurar o forneci mento de alimentos, de matérias-primas minerais e agrícolas, além de vender seus produtos industrializados. Como a economia brasileira é bem maior e mais complexa do que as dos países vizinhos, aqui o capital produtivo chinês, além de investir em infraestrutura, mineração e agricultura, como ocorre em toda a América do Sul, também tem comprado indústrias nacionais e montado fábricas novas.
No entanto, os chineses estão inte ressados apenas em abastecer o mercado interno brasileiro, e não em usar o território nacional como plataforma de exportações de produtos industrializados. Eles preferem abastecer os vizinhos sul-americanos a partir da produção das fábricas instaladas em seu próprio território, concorren do diretamente com produtos brasileiros no mercado regional. Em 2007, de todas as importações dos países da América do Sul, 14,8% provinham do Brasil e 10% da China. Em 2013, a participação brasileira no abastecimento dos países vizinhos caiu para 11,2%, enquanto a chinesa subiu para 17,4%. Em outras palavras, a indústria brasileira tem perdido mercado para a produção chinesa.

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