A colonização europeia iniciou-se pela América Central, no século XVI, e foi caracterizada pela exploração de produtos agrícolas e minerais, e emprego de mão de obra escrava indígena e africana. Esse processo de colonização, como veremos, deixou marcas que perduram até hoje. Além disso, veremos que a América Central se destaca por suas condições naturais, que propiciam o desenvolvimento de algumas atividades econômicas.
A América Central é formada por uma parte continental e uma parte insular, composta de um grupo de ilhas localizadas no mar do Caribe e no oceano Atlântico. Observe no mapa político da América Central os vinte países inde pendentes que a compõem. Destes, sete são continentais e treze são insulares. Há ainda treze territórios no mar do Caribe que pertencem a outros países, como Reino Unido, França, Países Baixos e Estados Unidos. Porto Rico, por exemplo, é um protetorado estadunidense com o status de Estado Livre Associado.
A localização do subcontinente e o predomínio do clima tropical tiveram papel importante na especialização econômica dos países da América Central. Desde o início da colonização europeia, a economia de grande parte da região baseia-se no cultivo de produtos tropicais.
Outra atividade econômica importante para a região é o turismo. O clima tropical e a enorme variedade de praias estimularam o desenvolvimento do turismo de sol e praia, sobretudo na região do Caribe. As paisagens naturais de florestas tropicais, montanhas e vulcões também impulsionaram o turismo ecológico e de aventura. Há ainda as ruínas de civilizações pré-colombianas que atraem turistas de diversos países.
Relevo e hidrografia
A América Central localiza-se em uma região de encontro de diversas placas tectônicas e isso explica a origem das cordilheiras que existem ali, principalmente no encontro da placa de Cocos com a placa do Caribe. Além das cadeias monta nhosas, a movimentação tectônica no subcontinente dá origem a vulcões ativos e inativos e à ocorrência de terremotos, como mostra o mapa de placas tectônicas.
A oeste da porção continental, o relevo é mais movimentado e íngreme. Note, no mapa físico abaixo, como as cores variam de verde a marrom em uma distância muito curta nessa porção do subcontinente. Já a leste, estendem-se as terras mais baixas das planícies litorâneas, onde é possível perceber faixas mais largas na coloração de verde a amarelo no mapa. Na parte insular, há várias ilhas de origem vulcânica.
Os maiores rios da América Central, como o rio Grande (Nicarágua) ou o rio Patuca (Honduras), nascem nas montanhas, atravessam as planícies e deságuam no mar do Caribe. Já os rios que correm das montanhas em direção ao oceano Pacífico são menos extensos, porque, como você já viu, a planície costeira a oeste é estreita. Destaca-se na América Central a presença de lagos, como o lago Nicarágua e o lago de Manágua (Nicarágua) e o Izabal (Guatemala).
No Panamá, na parte mais estreita do istmo, foi construído um canal ligan do o oceano Atlântico e o mar do Caribe ao oceano Pacífico (canal do Panamá). Desse modo, o percurso nas rotas de navegação oceânica foi bastante redu zido. A elevada pluviosidade da região e a enorme disponibilidade de água doce garantem o bom funcionamento do canal.
O canal do Panamá
A localização e a exten são do canal do Panamá, construído pelos Estados Unidos. O canal levou onze anos até ser concluído, de 1903 a 1914, o que indica a complexidade da obra, que envolveu a construção de uma barragem na desem bocadura do caudaloso rio Chagres e originou uma represa de 26 metros acima do nível do mar. Apenas em 2000 a administração do canal foi transferida pelos Estados Unidos ao Panamá.
Em 2016, foram concluídas as obras de ampliação do canal, com um novo conjunto de eclusas mais largas e mais profundas, ao lado do antigo, com o objetivo de comportar navios maiores.
A obra, feita por um consórcio liderado por uma construtora espanhola, custou 5,3 bilhões de dólares e demorou nove anos para ser concluída. O antigo canal comportava a passagem de navios com capacidade de transpor tar, no máximo, 6 mil contêineres; já o novo canal pode receber navios que transportam até 14 mil contêineres. Com isso, além de o Panamá triplicar as receitas com pedágio pela passagem dos gigantescos navios de hoje em dia, que não conseguiam passar no antigo canal, também foi possível reduzir o preço do frete nas viagens entre os oceanos Atlântico e Pacífico, beneficiando principalmente o comércio entre a Ásia e os Estados Unidos (costa leste). O antigo canal do Panamá era responsável pelo trânsito de aproximadamente 5% do comércio mundial; com o novo canal, essa participação deve subir para cerca de 8% das trocas internacionais.
Clima e vegetação.
Quase toda a América Central está situada na Zona intertropical do planeta. Como as únicas correntes marítimas que lá atuam são quentes, as tempe raturas são elevadas em grande parte do subcontinente, assim como as pre cipitações. Predominam os climas equatorial e tropical, este último com uma estação chuvosa abundante e outra com menores índices de chuva. Nas regiões montanhosas as temperaturas são mais ba ixas em razão do efeito da altitude, que também provoca variação na vegetação.
Em função dos climas quentes, neste subcontinente predominam as Florestas Tropicais, que, como as flo restas da América do Sul, sofrem com o desmatamento.
Furacões
No mar do Caribe e no golfo do México é frequente a ocorrência de tor mentas tropicais, ali chamadas de furacões (do espanhol huracan, que vem de hurakan, “deus do vento e da tempestade” para os maias). No oceano Índico e nas proximidades da Austrália essas tormentas são chamadas de ciclones tropicais e, no oceano Pacífico, de tufões. Esse fenômeno meteorológico começa como uma depressão tropical (ventos de até 50 km/h); à medida que ganha intensidade, transforma-se numa tempes tade tropical e, quando os ventos ultrapassam os 119 km/h, passa a ser chamada de furacão, que pode chegar até a categoria 5 na escala Saffir-Simpson.
Fenômenos naturais como os furacões não podem ser controlados pelos seres humanos e, geralmente, causam muita destruição. Porém, já faz algum tempo que se pode prevê-los com certa antecedência, por meio de imagens de satélite. Ainda assim, é muito difícil deslocar grandes grupos de pessoas, especialmente em países pequenos e pobres, como muitos do Caribe.
O ano de 2017 ficou marcado por uma das mais intensas temporadas de furacão no mar do Caribe. Foram 17 tempestades tropicais, das quais dez evoluíram para a categoria de furacão, provocando muita destruição nos países da região. Estima-se que os prejuízos superaram os 280 bilhões de dólares. Apesar de ser uma área do planeta onde as tempestades tropicais ocorrem com certa frequência, a maioria das construções não foi projetada para resistir a furacões.
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