segunda-feira, 2 de março de 2026

Narcotráfico: flagelo latino-americano

Nos últimos anos, os Estados Unidos vêm utilizando o combate ao narcotráfico – o comércio ilegal de drogas – como argumento para interferir na política interna de vários países da América Latina. As interferências mais inten sas ocorrem na Colômbia e no México, cujos governos recebem ajuda militar e financeira dos estadunidenses com o objetivo de erradicar, sobretudo, as plantações de coca e maconha, e combater os traficantes e os grupos guerrilheiros envolvidos na produção delas. Com essa estratégia, o governo estadunidense visa diminuir a oferta dos entorpecentes em seu país, maior mercado consumidor dessas drogas.
O narcotráfico ocupa atualmente o segundo lugar entre as atividades co merciais ilícitas mais rentáveis do mundo, atrás apenas do comércio de armas, e movimenta centenas de bilhões de dólares todos os anos. É uma prática criminosa, pois promove a distribuição de substâncias tóxicas (drogas) que provocam alterações com portamentais e podem causar, em seus usuários, dependência física, psicológica e, inclusive, a morte. A cocaína é a droga mais produ zida e exportada na América Lati na, principalmente por Colômbia, Peru, Bolívia e México.

Camponeses, narcotráfico e deslocamentos na América Latina


Mascar folhas de coca é um hábito secular entre os povos de algumas regiões dos Andes e, por isso, faz parte da cultura local. A planta, considera da sagrada por esses grupos, tem propriedades nutritivas e analgésicas. No entanto, após a descoberta do processo que transforma a folha em droga, seu cultivo aumentou consideravelmente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), Bolívia, Peru e Colômbia são os maiores produtores de coca do mundo. Não há números exatos sobre isso, mas, de toda a coca produzida nesses países, apenas a menor parte é usada com finalidades legais. Essa situação resulta no empobrecimento da população camponesa, causado principalmente pela queda do lucro com culturas tradicionais, como feijão e laranja.
Por meio do cultivo de coca, os cocaleros (nome dado aos agricultores que cultivam a planta) garantem uma renda bem superior à que obteriam se cultivassem outros produtos que são a base da alimentação da maior parte da população nativa. Além disso, muitos camponeses são pressionados por narcotraficantes e grupos guerrilheiros para cultivar coca, garantindo a produção da droga e o consequente lucro dessas organizações.
Além dos camponeses andinos, também são vítimas dos narcotraficantes outras milhares de famílias latino-americanas em países pobres como Honduras, Guatemala e El Salvador, e aquelas que vivem na região fronteiriça do México com os Estados Unidos, que são obrigadas, pelos grupos mafiosos, a trabalhar no comércio ilegal.

Espaço agrário latino-americano

Entre as principais características do espaço agrário da América Latina está a alta concentração fundiária. Em grande parte da América Latina, há grande desigualdade na distribuição das terras. Isso quer dizer que um pequeno número de proprietários rurais concentra a maior parte das terras rurais cultiváveis, constituindo os chamados latifúndios. Por outro lado, a maioria dos proprietários camponeses divide o restante das terras, constituindo as pequenas e médias propriedades.
No Período Colonial, a ocupação do território latino-americano ocorreu, basicamente, mediante a formação de imensas propriedades rurais, tanto para a criação de gado quanto para o cultivo de lavouras monocultoras de exportação. Portanto, a atual estrutura fundiária concentrada na América Latina teve ori gem no sistema de produção colonial. Observe a situação da estrutura fundiária no Brasil e na Bolívia, como exemplos da realidade latino-americana.
De acordo com órgãos e instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Banco Mundial, uma das possíveis soluções para esse problema é a reforma agrária. A refor ma seria a reorganização do espaço rural com o objetivo de distribuir terras aos trabalhadores do campo e, ao mesmo tempo, promover a modernização das pequenas e médias propriedades, tornando-as mais lucrativas e competi tivas. Além disso, é necessária uma política agrícola de incentivo aos pequenos proprietários, que produzem para o mercado interno de cada país, assim como ocorre com os grandes proprietários, que produzem para o mercado externo.

Questão da terra e reforma agrária


Segundo estudos, a realização de uma reforma agrária nos moldes mencio nados anteriormente pode contribuir para a estabilidade social e política de um país na medida em que possibilita melhores condições de vida, sobretudo para os camponeses e os trabalhadores rurais sem terra, diminuindo a pobreza, a marginalidade e a exclusão social. Do mesmo modo, ela também reduz as tensões sociais no campo ao eliminar a disputa pela terra.
Os programas de reforma agrária não se desenvolvem na América Latina porque na maioria desses países os latifundiários (donos de grandes extensões de terras rurais) exercem forte influência no cenário político interno. Em defesa de interesses dessa classe social, muitas vezes impedem a realização, pelo Estado, de projetos voltados à implantação dessa reforma. Por isso, acabam surgindo grupos e movimentos populares que reivindicam a distribuição mais igualitária das terras, entre outras medidas de interesse social.
Em alguns casos, a luta desses grupos envolve ações armadas que enfrentam as forças do governo. Podemos citar como exemplos de milícias armadas o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), no México, e o Exército de Libertação Nacional (ELN), na Colômbia. Em outros casos, a luta ocorre de maneira mais pa cífica, por meio de protestos que pressionam o governo a promover a reforma agrária. É o caso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil, que prega a ocupação de terras improdutivas como forma de pressão.

Produção agrícola da América Latina


Os contrastes do espaço agrário da América Latina se refletem em sua produção agropecuária. Essa situa ção constitui um dos principais entraves ao desenvolvi mento do setor agrícola da região.
As pequenas e médias propriedades respondem por uma parcela significativa dos produtos destinados à alimentação básica da população, como milho, feijão, batata, inhame e mandioca, e por uma pequena parcela da produção pecuária.
Entretanto, a produtividade dessas proprieda des é baixa, pois, em geral, recebem escassos apoio financeiro e assistência técnica dos governos, o que dificulta sua modernização.
Os latifúndios monocultores, por sua vez, apre sentam produtividade rela tivamente maior que a das pequenas e médias propriedades. Nessas grandes áre as são plantadas as monoculturas de commodities, ou seja, gêneros agrícolas que têm alto valor para comercialização no mercado mundial.
São exemplos desses gêneros na América Latina a cana-de-açúcar, o café, a soja, o trigo, o cacau e as frutas tropicais, cujas produções são quase total mente destinadas ao mer cado externo. Em alguns países da América Latina, a criação de gado de corte, sobretudo bovino, também é destinada à exportação.
Muitos países latino-americanos, como Paraguai, Equador, Nicarágua e outros da América Central, ainda se apoiam amplamente no sistema agrário-exportador, pois sua economia depende basicamente da exportação de gêneros agrícolas.

Êxodo rural e urbanização


O aumento da concentração fundiária no espaço agrário latino-americano, principalmente a partir de meados do século XX, associado às difíceis condições de vida no campo, levou uma imensa parcela de camponeses a abandonar suas terras e migrar para as cidades. Esse movimento migratório de êxodo rural, que intensificou o processo de urbanização em vários países da América Latina, deveu-se ainda a outros fatores, como:

- o desenvolvimento da atividade industrial, a exemplo do que ocorreu no Brasil, no México e na Argentina, que gerou muitos postos de trabalho nas fábricas, no comércio e no setor de serviços, atraindo numerosa mão de obra para as cidades;
- a modernização das atividades agrícolas, sobretudo com a introdução de máquinas e equipamentos que substituíram a mão de obra camponesa, eliminando milhares de postos de trabalho na área rural;
- a violência sofrida pelos camponeses por parte de milícias e terroristas sedia dos no interior de pa íses como Colômbia, México e Peru. A perseguição levou cerca de 10 milhões de pes soas, nas últimas dé cadas, a se deslocar internamente nesses três países, buscando refúgio nas cidades.

Além desses fatores, a urbanização dos países latino-americanos deve-se ao crescimento natural da população urbana. Segundo informações de 2018 da Organização das Nações Unidas (ONU), a América Latina é a mais urbanizada das regiões subdesenvolvidas, pois sua taxa média de urbanização encontra-se em torno de 80%, bem maior que a da Ásia (50%) e a da África (42%).





Multinacionais na América Latina

A economia latino-americana é influenciada pela presença de empresas multinacionais estrangeiras, também chamadas transnacionais. Essas empresas, oriundas principalmente dos Estados Unidos, do Japão e da Europa, instalaram-se na região sobretudo a partir da segunda metade do século XX, aproveitan do as condições favoráveis oferecidas pelos países latino-americanos, como:

- custo reduzido da mão de obra se comparado aos salários pagos por essas empresas nos países de origem;
- abundância de matérias-primas em muitos desses países;
- existência, em muitos desses países, de um mercado consumidor grande e em expansão, suficiente para absorver a produção dessas multinacionais;
- vantagens que muitos países ofereciam, como in fraestrutura implantada pelo Estado e concessão de incentivos fiscais (isenção de impostos, financiamentos e subsídios generosos), além da liberdade para remeter os lucros às empresas matrizes.

Esses fatores favoreceram a expansão das multi nacionais, que, atualmente, estão instaladas em qua se todos os países da América Latina, sobretudo nos mais industrializados.

América Latina: atividade industrial

De maneira geral, o nível de industrialização dos países da América Latina na atualidade ainda é bastante reduzido. As exceções são Brasil, México, Argentina e, mais recentemente, Colômbia, Venezuela e Chile, países nos quais a atividade industrial assume participação maior no Produto Interno Bruto em relação às atividades primárias, sobretudo as agrícolas.
Mesmo entre os países latino-americanos com predomínio de atividades primárias, existe um tipo de atividade industrial que se destaca: a indústria extrativa. Esse tipo de indústria se caracteriza, em geral, pelo emprego de tecnologia avançada e de equipamentos pesados na extração de minérios como ferro, cobre ou bauxita, além de petróleo e gás natural, o que é feito em larga escala. 
Há ainda, complexos extrativos minerais e de recursos energéticos fósseis, destacando-se as áreas de extração de cobre e de gás natural nos altipla nos andinos chileno e boliviano; as bacias petrolíferas de Campos e do Pré-Sal, no Brasil, de Yucatán, no México, e de Maracaíbo e Orinoco, na Venezuela, e os complexos de extração de minério de ferro de Carajás e de Minas Gerais, no Brasil. Além desses recursos primários, a América Latina destaca-se na produção de ouro, prata, estanho, carvão, manganês, entre outros.
A exploração desses recursos minerais e energéticos fósseis é voltada basicamente para exportação, suprindo amplamente a demanda de países altamente industrializados, como Estados Unidos, China e Japão, além da União Europeia. Essa característica reforça a manutenção da clássica divisão internacional do trabalho, na qual os países latino-americanos se configuram como fornecedores de recursos primários, situação que perdura desde os tempos coloniais.

Industrialização por substituição de importações


Entre os países da América Latina com nível de industrialização mais expressiva estão Brasil, México e Argentina. Nessas nações, o crescimento da atividade industrial foi motivado por acontecimentos externos, desencadeados sobretudo pelas duas grandes guerras mundiais, na primeira metade do século XX. Durante esses conflitos, os países que tradicionalmente forneciam produtos industrializados à América Latina (Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha, por exemplo) diminuíram de forma drástica suas exportações.
Para manter o abastecimento do mercado interno, alguns países latino-americanos passaram a produzir os gêneros que, até então, eram importa dos. Dessa forma, tanto o Brasil como o México e a Argentina começaram a investir, inicialmente, no desenvolvimento da atividade industrial, sobretudo no setor de bens de consumo, como vestuário, artigos têxteis, calçados, gêneros alimentícios e utensílios em geral. Mais adiante, vieram os investimentos em outros setores estratégicos, por exemplo, indústrias de base e de bens inter mediários, como siderúrgicas, máquinas industriais, montadoras de veículos, entre outras. 
Esse desenvolvimento ficou conhecido como industrialização por substituição de importações. Diferentemente dos países mais desenvolvidos de outras regiões do mundo, que se industrializaram ainda nos séculos XVIII e XIX, Brasil, México e Argentina tiveram uma industrialização tardia, iniciada apenas no século XX. Ela se caracterizou pela transferência de capitais e de tecnologias dos países mais industrializados para aqueles que apresentavam tecnologia deficiente. 
Como resultado desse processo, temos nesses países latino-americanos um parque industrial diversificado, abrangendo praticamente todos os setores desse segmento. 

América Latina: relevo e hidrografia

Para a caracterização do quadro natural latino-americano, são fundamen tais também os aspectos relacionados ao relevo e à hidrografia da região. No que se refere ao relevo, é possível identificar unidades geomorfológicas como planaltos, depressões, montanhas e planícies.
Planícies costeiras: surgem em praticamente todo o litoral oriental e são decorrentes do constante processo de deposição de sedimentos trazidos pelas correntes marítimas.
Planícies interiores: ocorrem sobretudo nas áreas próximas às margens dos grandes rios e resultam do constante processo de deposição de sedimentos trazidos pelos rios da região, como o Rio Amazonas e o Rio da Prata.
Planaltos e depressões: localizam-se principalmente na região central do México e no centro-leste da América do Sul. São áreas compostas por ter renos geologicamente antigos (alguns datam da era pré-cambriana) e que foram bastante aplainados pelo processo erosivo. Por isso, apresentam alti tudes médias (entre 300 e 1 200 metros).
Montanhas: estendem-se por toda a parte ocidental da América do Sul, América Central e do México. São as formas de relevo geologicamente mais recentes que existem (em geral da Era Cenozoica). Por isso, foram pouco desgastadas pela erosão e atingem as maiores altitudes da região.

As unidades geomorfológicas estudadas anteriormente são fundamentais para compreendermos os aspectos ligados à hidrografia latino-americana. Com base nelas, é possível delimitar cinco grandes bacias hidrográficas na região. Veja a seguir.
Bacia do Bravo ou Grande: estende-se pelo extremo norte do México e parte dos Estados Unidos. Seu rio principal é o Rio Bravo ou Grande, com cerca de 3 mil quilômetros de extensão.
Bacia Platina: seu rio principal é o Rio da Prata, formado pelo encontro dos rios Paraná e Uruguai. Abrange boa parte dos territórios da Argentina, Uruguai, Paraguai, Brasil e Bolívia.
Bacia do Orinoco: abrange o extremo norte da América do Sul. Seu curso de água principal é o Rio Orinoco, que deságua no Mar do Caribe.
Bacias dos Rios Patagônicos e do Rio Salado: é um conjunto de bacias hidrográficas cujos rios principais, como o Salado, o Colorado, o Negro e o Chubut, têm suas nascentes na Cordilheira dos Andes, correm pela Patagônia argentina, no sentido oeste-leste, e deságuam no Oceano Atlântico.
Bacia Amazônica: com cerca de 7 milhões de km², é a maior bacia hidrográ fica do mundo em extensão, abrangendo parte do território de oito países sul-americanos. Seu rio principal é o Rio Amazonas, que recebe águas de milhares de cursos de água diferentes. Nele correm aproximadamente 20% da água doce do planeta.

Os aquíferos Guarani e Grande Amazônia


Além dos mananciais, que dão origem às redes hidrográficas compostas por rios e lagos, existem, na América Latina, importantes mananciais de águas subter râneas. Entre eles destacam-se os aquíferos Grande Amazônia, cuja maior parte se localiza no território brasileiro, e o Guarani, que se distribui por quatros países da América do Sul.

O Aquífero Grande Amazônia ou Alter do Chão, como também é chamado, estende-se por aproximadamente 437 mil km2 sob a porção central da Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas. Tem uma capacidade estimada de 86 mil km3 de água doce, o que, segundo os especialistas, seria suficiente para abastecer toda a população mundial durante décadas. Por isso, é considerado a maior reserva de água potável do mundo.
O Aquífero Guarani é um sistema de lençóis subterrâneos que se estende por aproximadamente 1,2 milhão de km2 e abrange parte dos territórios da Argentina, do Uruguai e do Paraguai, além de oito estados brasileiros: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Estima-se que ele retenha 39 mil km3 de água. Ainda que seja mais extenso do que o Aquífero Alter do Chão, pesquisas recentes mostram que o manejamento do lençol subterrâneo do Guarani exige muitos cuidados, pois seu potencial hídrico pode ser menor do que se supõe.

América Latina: clima e vegetação

Por se estender desde as regiões próximas do Trópico de Câncer até as proximidades do Círculo Polar Antártico, passando pelos paralelos da Linha do Equador e do Trópico de Capricórnio, a América Latina tem uma ampla variedade de climas, de extremamente frios e temperados a climas quentes; dos semiáridos e desérticos até aqueles com altos índices de pluviosidade (ou seja, com chuvas abundantes). Como decorrência da inter-relação com essas características do clima, há também grande diversidade de formações vegetais, desde estepes e formações áridas e semiáridas a exuberantes florestas tropicais.

Domínio equatorial: ocorre no norte da América do Sul, parte do istmo e das ilhas do Caribe. Devido às elevadas temperaturas médias (em torno de 26 °C) e à abundante quantidade de chuvas, entre 2 mil e 3 mil milímetros (mm), bem distribuídas entre os meses do ano, desenvolvem-se as exuberantes florestas tropicais equatoriais, como a Amazônica. O calor e a farta evapotranspiração causam a formação de nuvens e o fenômeno chamado chuvas de convecçã. Os elevados índices de umidade e calor são condições favoráveis para o desenvolvimento de ampla biodiversidade nesses ambientes.

Domínio tropical: estende-se pela parte central-leste e norte da América do Sul, do México, da América Central e do Caribe. Assim como o domínio equatorial, apresenta médias térmicas anuais elevadas, em torno de 24 °C, e duas estações climáticas bem definidas – uma estação chuvosa e outra seca, com precipitação média de 2 mil mm anuais. Essas são as condições naturais propícias para o desenvolvimento das formações vegetais de savanas, como o Cerrado brasileiro e o Chaco argentino e paraguaio. A exceção fica para as áreas de serras, voltadas para o oceano, que são controladas pelas chamadas chuvas orográficas (veja o esquema a seguir). Aí as precipitações provocadas pelos ventos oceânicos, carregados de umidade, dão origem a florestas frondosas, como é o caso da Mata Atlântica, no Brasil.

Domínio de altas montanhas: característico das regiões mais elevadas do continente, em geral acima dos 1 500 metros de altitude. Tem clima frio, com médias térmicas em torno de 10 °C, e invernos rigorosos, muitas vezes com precipitação de neve. Nele podem se desenvolver florestas temperadas de coníferas, estepes ou, em altas altitudes, a vegetação de tundra.

Domínios desértico e semiárido: ocorrem principalmente em regiões que recebem forte influência de correntes marítimas frias, como os desertos do Atacama e do Peru, na América do Sul (sob influência da corrente fria de Humboldt), e do Deserto de Sonora, no noroeste do México (sob influência da corrente da Califórnia). De maneira geral, as correntes frias retiram a umidade do ar oceânico, causando longos períodos de seca, que podem durar vários anos. Já o semiárido ocorre em áreas de baixa precipitação, cerca de 300 mm anuais, como a Patagônia argentina e o Sertão nordestino brasileiro, onde predominam, respectivamente, a vegetação de estepes e a de Caatinga.

Domínios subtropical e temperado: estendem-se, sobretudo, pelo sul e sudeste da América do Sul. Caracterizam-se por temperaturas médias anuais mais amenas (sempre abaixo dos 20 °C), com precipitações muito bem distribuídas durante o ano, acumulando cerca de 1 500 mm anuais. São condições climáticas propícias ao desenvolvimento de florestas temperadas de pinheiros, como a Mata de Araucárias e as pradarias, chamadas de Pampas argentino, uruguaio e brasileiro.

América Latina: Diversidade étnico-cultural

A América Latina é uma região do extenso continente americano. O que confere unidade à região é o fato de o idioma oficial da maioria dos países nela localizados ser uma língua de origem neola tina, como o espanhol e o português. Contudo, essa forma de regionalizar não esconde a grande diversidade linguística e étnico-cultural desses países.
A partir do século XVI, com o estabelecimento dos exploradores europeus, iniciou-se o desenvolvimento da atividade mineradora e da agricultura mono cultora nas áreas coloniais. Isso exigiu o emprego de numerosa mão de obra. Para tanto, os colonizadores exploraram, em regime de escravidão, o trabalho das populações nativas que habitavam os territórios e também o dos povos trazidos de várias partes da África. Dessa forma, iniciou-se o processo de formação étnico-cultural da América Latina, que contou com a participação de três grupos principais: indígenas, europeus e africanos.
A miscigenação entre tais povos resultou na grande diversidade cultural do espaço latino-americano. Porém, esse processo não ocorreu da mesma maneira em todo o território. Assim, atualmente, a cultura de alguns países, como o Brasil, resulta do contato entre os três grupos mencionados; já em países como Bolívia, Guatemala e Peru, predominou a cultura indígena, visto que a maioria da po pulação descende desse grupo. A população afrodescendente é mais marcante, por exemplo, no Haiti e na Jamaica, ao passo que a população e as tradições de origem europeia predominam em países como Argentina e Uruguai.
Embora existam essas diferenças, a influência do colonizador europeu foi, sem dúvida, muito marcante na formação cultural dos países latino-americanos, sobretudo em razão da imposição da religião e do idioma dele. Além disso, o passado histórico de colonização europeia resultou em diferentes formas de preconceito contra descendentes de africanos e indígenas, mesmo nos países em que eles constituem a maioria da população.


O Triângulo do Lítio

Bolívia, Argentina e Chile detêm 56% das reservas mundiais de lítio, sendo o Chile o segundo maior produtor do mundo. Os depósitos situam-se em salares na fronteira entre os três países.
O lítio é um metal muito leve, ótimo condutor de energia térmica e com grande capacidade de armazenar energia elétrica. Por todas essas características, vem sendo cada vez mais utilizado na produção de baterias para carros elétricos, computadores, telefones celulares e outros equipamentos eletrônicos, pilhas, ligas metálicas para aviões, vidros e cerâmicas de alta resistência ao calor e alguns medica mentos. Em 2001, apenas 5% de todo o lítio produzido era usado na fabricação de baterias. Em 2021, esse percentual atingiu 74%.
No contexto de transição energética, a indústria vem estimulando a fabricação e o uso de carros elétricos, o que aumenta a demanda por lítio, que está adquirindo importante papel na economia mundial. Diversos países têm buscado garantir seus suprimentos do metal, gerando uma corrida pela descoberta de novas áreas de exploração e de técnicas de extração e transformação do produto.
O lítio é extraído de uma substância aquosa rica em minerais (salmoura) que é bombeada para a superfície e armazenada em piscinas de evaporação durante meses, para que o lítio se concentre. O processo de extração do lítio utiliza grandes volumes de água em uma das regiões mais áridas do mundo, causando impactos ambientais nos ecossistemas dos salares.

GUIANAS

As Guianas apresentam composição étnico-cultural complexa. Escravizados africanos e imigrantes chineses, indonésios e indianos juntaram-se a povos indígenas, ingleses, holandeses e fran ceses, contribuindo para a formação de sociedades com ampla variedade étnica, linguística e religiosa.
A Guiana Francesa é um depar tamento ultramar da França, com cerca de 90% de seu território coberto por florestas. A economia baseia-se na extra ção de madeira, especialmente pau-rosa, usado na produção de perfumes, e na atividade pesqueira. As principais relações comerciais ocorrem quase exclusivamente com a França.
O Suriname, antiga Guiana holandesa, conquistou sua independência em 1955. Atualmente, o ouro é o principal metal extraído no país, e a agricultura apoia-se no cultivo de arroz, café e cana-de-açúcar.
A Guiana, antiga colônia inglesa que se tornou independente em 1966, é o país da região que mais se destaca na exploração e produção de recursos minerais, com destaque para a bauxita. Em 2020, a mineração representava aproximadamente 30% do PIB do país. Os principais produtos agrícolas são cana-de-açúcar, algodão e arroz.
Em 2015, importantes jazidas de petróleo foram descobertas em alto-mar no espaço terri torial da Guiana. A exploração dessas jazidas, cujas reservas são estimadas em quase 11 bilhões de barris, teve início em 2020. Nesse mesmo ano, as receitas obtidas com o petróleo somaram mais de 185 milhões de dólares.
A tendência é que a exploração petrolífera aumente nos próximos anos, permitindo a produ ção de 1 milhão de barris ao dia até 2025. Para atingir essa meta, a Guiana estabeleceu parcerias com grandes empresas estadunidenses e chinesas, pois não possui a tecnologia necessária para a extração do petróleo em plataformas.
O interesse pelo petróleo na Guiana, que tem potencial para se tornar uma das maiores produtoras da América do Sul, tem gerado algumas preocupações:

- garantia da soberania do país com a exploração do recurso, por causa da influência crescente de investidores estrangeiros no setor;
- melhoria efetiva nas condições de vida da população com a renda gerada pelo petróleo – já que boa parte dela vai para as empresas parceiras;
- riscos ambientais decorrentes do aumento da emissão dos gases de efeito estufa e da perfuração de poços profundos, que afetam os ecossistemas marinhos;
- o retorno das tensões com a Venezuela que, retomou as reivindicações pela região do Essequibo, que corresponde a dois terços da Guiana e de suas águas territoriais.




O canal do Panamá

O Panamá localiza-se onde o istmo da América Central se junta à América do Sul. Seu território é cortado pelo Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico e por onde passam mais de 13 mil embarcações anualmente.
Durante o século XVI, os exploradores europeus já tinham interesse em encurtar os caminhos entre o Atlântico e o Pacífico. Em 1523, o rei Charles V (1500-1558) solicitou estudos para a construção de um canal no istmo do Panamá, mas nenhum projeto foi realizado.
Séculos depois, em 1879, a Colômbia – que manteve a posse do território panamenho até 1903 – autorizou a França a iniciar as obras de abertura de um canal, mas o empreendimento foi à falência dez anos depois.
Uma rebelião incentivada pelos Estados Unidos em 1903 levou o Panamá a se separar da Colômbia, proclamando sua independência. No mesmo ano, os Estados Unidos obtiveram do governo panamenho o direito de retomar as obras de construção do canal, que foi inaugurado em 1914.
Em troca do controle perpétuo da zona do canal, o governo estadunidense pagava uma quantia anual ao Panamá. No entanto, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), cresceu a tensão interna contra a presença estadunidense no país.
Somente em 1977 foi assinado um acordo entre Panamá e Estados Unidos, garantindo que o canal e suas instalações passariam ao controle panamenho no ano 2000, o que efetivamente aconteceu. Mas o acordo reserva aos Estados Unidos o direito de intervir na zona do canal, caso a livre navegação seja ameaçada.
Para que a obra de construção do canal fosse bem-su cedida, foi necessário construir o Lago Gatún, situado 25 metros acima do nível do mar, e várias eclusas que represam água dentro de grandes tanques e permitem que os navios vindos do Atlântico alcancem o Pacífico.
Atualmente, o Canal do Panamá ocupa posição de destaque no cenário internacional, movimentando 3,5% do comércio marítimo mundial e conectando mais de 140 rotas que ligam 1 700 portos em 160 países.
A ampliação entregue em 2016 permite que porta-con têineres maiores circulem na região. A capacidade máxima dos navios passou de 5 mil para 14 mil contêineres, reduzindo o custo final dos produtos transportados e confirmando a importância estratégica dessa obra, em uma travessia que pode ser feita entre oito e dez horas.

América Latina: conflitos e tensões

Os principais conflitos na América Latina estão relacionados a dis putas territoriais que remontam ao passado colonial e aos processos de independência dos países, à presença de guerrilhas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), ao narcotráfico e a conflitos pela exploração de recursos naturais.
Os conflitos entre os países são mediados por organismos internacionais vinculados à ONU, entre os quais destacam-se a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
A CIJ foi instituída em 1945 e, entre as missões que lhe são confiadas, está a resolução de disputas territoriais entre os Estados, tomando-se por base a aplicação de tratados interna cionais. Para que a decisão da CIJ seja acatada, é preciso que os Estados envolvidos estejam de acordo, o que nem sempre acontece já que, em muitos casos, há interesses econômicos envolvidos. O interesse principal de uma resolução rápida e pacífica deveria ser o de proteger as populações locais, que são bastante prejudicadas por essas disputas, pois geralmente perdem acesso aos meios de sobrevivência.
Nessas situações, outros organismos interferem na mediação, como a OEA, cuja missão é “garantir a paz e a justiça, defendendo a soberania, a integridade territorial e a independência dos Estados americanos” (artigo 1° da Carta OEA).

MIGRAÇÕES NA AMÉRICA LATINA

Na América Latina, os fluxos migratórios contemporâneos ocorrem com menos intensidade quando comparados aos de outras regiões do globo, como na Europa, América do Norte, Ásia e África.
Atualmente, os grandes fluxos migratórios na América Latina estão relacionados a países da América Central, México e Venezuela.
Durante as últimas décadas do século XX, em decorrência de crises econômicas, o aumento do desemprego e da pobreza, as migrações de latino-americanos se diri giam principalmente em direção aos países desenvolvidos, sobretudo para os Estados Unidos e o continente europeu.
No início do século atual, entretanto, os fluxos migratórios de latino-americanos também se intensificaram no interior da própria região, ou seja, eles passaram a se deslocar também para os países vizinhos. Entre 2009 e 2015, por exemplo, o fluxo migratório entre os países da região aumentou em 50%.

Entre as razões que vêm contribuindo para o aumento das migrações na região destacam-se:
• a adoção de regras mais rígidas para a entrada dos imigrantes la tinos nos países desenvolvidos;
• as características históricas e cul turais comuns entre os países da região;
• as oportunidades no mercado de trabalho, sobretudo nos países de maior economia da região, como o Brasil, a Argentina e o Chile.

Em geral, os latinos encontram certa facilidade para deixar seu país de origem e entrar em outros países da região. A maioria dos governos da região adota políticas migratórias pouco restritivas, permitindo a entrada dos imigrantes. Por outro lado, pela falta de fiscalização e de controle nas zonas de fronteiras, muitos imigrantes conseguem chegar clandestinamente aos países de destino.
De maneira geral, a busca por trabalho e melhores condições de vida são os prin cipais fatores que levam os latino-americanos a deixar seus países de origem. Nos últimos anos, por exemplo, milhares de venezuelanos têm migrado para os países vizinhos, inclusive para o Brasil, em decorrência da grave crise econômica que afeta a economia daquele país. Mas, além dos problemas socioeconômicos, as migrações na região também têm outras causas. Em 2010, o forte terremoto que atingiu o Haiti, um dos países latino-americanos mais pobres, localizado no mar do Caribe, causou milhares de mortes e deixou milhões de desabrigados, muitos dos quais migraram para outros países, inclusive para o Brasil.
O Brasil também participa das migrações que ocorrem na América Latina, tanto recebendo imigrantes latino-americanos quanto tendo a saída de brasileiros para ou tros países da região. De acordo com dados de 2020, entre os imigrantes latinos em maior número no Brasil estão os venezuelanos (172 mil), os haitianos (149 mil), os bolivianos (56 mil) e os argentinos (25 mil). Os emigrantes brasileiros, por sua vez, também são numericamente expressivos em vários países do continente. Cerca de 240 mil brasileiros vivem no Paraguai, 89 mil na Argentina, 72 mil na Guiana Francesa e 43 mil no Uruguai.
A pandemia de covid-19 teve impactos na dinâmica migratória latino-americana. Apesar da imposição de restrições para entrada e saída de pessoas dos países, mais rigorosa no ano de 2020, os fluxos migratórios não pararam, já que as migrações, nesse contexto, são forçadas. Além disso, com o aumento da pobreza e das desigualdades pós-pandemia, tudo indica que haverá uma intensificação desses fluxos nos próximos anos.

Em linhas gerais, a América Latina apresenta três tendências migratórias importantes:
- dos países da América Latina para a América Anglo-Saxônica (aproximadamente 26 milhões de migrantes);
- dos países da América Latina para outras regiões do mundo (aproximadamente 6 milhões de migrantes);
- entre os países da América Latina (aproximadamente 11 milhões de migrantes).

Os Estados Unidos são o principal destino de migrantes do mundo. Em 2020, 51 milhões de migrantes internacionais viviam no país. Desse total, 67% eram latino-americanos.
Além dos cubanos, dominicanos e mexicanos, que têm grandes populações migrantes nos Estados Unidos, o país tem recebido muitos hondurenhos, guatemaltecos e salvadorenhos. A população desses países centro-americanos está em situação de grande vulnerabilidade.
Os problemas econômicos, a violência causada pelo tráfico de drogas e eventos climáticos, como enchentes, secas e furacões, forçam milhões de pessoas ao êxodo. Esses migrantes se organizam em caravanas para realizar a viagem.
O percurso, saindo da América Central, passando pelo México e chegando à fronteira dos Estados Unidos, é um dos mais perigosos do mundo, sendo muito frequentes casos de desaparecimento, agressões e mortes.
Apesar das promessas de revisão das leis de imigração, os Estados Unidos continuam a fazer um rígido controle diante da quantidade de pessoas que chegam à fronteira do país. A fiscalização foi reforçada e medidas polêmicas vêm sendo adotadas, como a detenção e deportação de migrantes e o uso da violência por policiais.

Fluxos intrarregionais


Em 2020, mais de 11 milhões de pessoas migraram no interior da América Latina. As migra ções intrarregionais têm como principal destino Argentina, Colômbia e Chile, atraindo pessoas dos países andinos e do Paraguai.
A situação da Venezuela tem alterado os fluxos na região. Aproximadamente 85% dos mais de 5 milhões de venezuelanos que já deixaram o país permaneceram na América Latina, tendo a Colômbia como principal destino. Pela proximidade geográfica, também são áreas de atração de venezuelanos, República Dominicana, Trinidad e Tobago e Guiana.
O México é um país de trânsito e de imigração. Milhares de migrantes latino-americanos atravessam o país e se juntam aos mexicanos que tentam, diariamente, entrar nos Estados Unidos, ampliando a crise migratória. Com as detenções e deportações na fronteira, a tendência é que os migrantes permaneçam no México, agravando a situação socioeconômica do país.
Muitos desses migrantes vivem no Sul e na Costa Oeste dos Estados Unidos, onde são conhe cidos por braceros (trabalhadores) e atuam na colheita de produtos agrícolas. Outros trabalham em indústrias, na construção civil, no setor de serviços, entre outras ocupações.
A Venezuela é o principal produtor e exportador de petróleo da América Latina. A renda gerada pela atividade é controlada pelo governo e distribuída de forma desigual, o que contribui para o grande número de pessoas vivendo na pobreza e em condições precárias no país.
No ano de 2014, o preço do barril do petróleo começou a cair rapidamente no mundo todo. A consequência imediata foi a diminuição das receitas e o agravamento das dificuldades econômicas e sociais já existentes.
Foram feitos cortes nos programas sociais, e uma grave crise de abastecimento de produtos básicos teve início, pois a Venezuela importa mais de 70% dos produtos que consome. Esse contexto, somado à insatisfação popular com o governo e à altíssima inflação, mergulhou o país em uma grave crise econômica e humanitária, forçando os venezuelanos a deixar o país.


domingo, 1 de março de 2026

A região platina na América

A América Platina recebe essa denominação porque parte dos territórios dos países da região – Argentina, Paraguai e Uruguai – é banhada pelos rios que compõem a bacia Platina.
A região recebeu esse nome por ser atravessada pelo Rio da Prata, o que facilitou a ocupação desse território no período colonial.
Além dos aspectos hidrográficos, os países platinos com partilham um mesmo passado colonial. Argentina, Paraguai e Uruguai, além de Bolívia e parte do Chile, estiveram, durante o domínio espanhol, sob mesma administração, o Vice-Reino do Rio da Prata.
A economia dos países platinos é bastante dinâmica. O setor agropecuário, por exemplo, tem grande des taque na pauta de exportações, especialmente em relação à pecuária de bovinos de qualidade, principalmente na Argentina e no Uruguai.
A atividade industrial é diversificada e os principais recursos naturais explorados são o petróleo e o gás natural na Argentina e os rios volumosos para geração de hidreletricidade no Paraguai, produzida nas usinas de Itaipu e Yacyretá. 
No setor de serviços, a atividade turística se destaca nos três países, e no Paraguai há uma grande área comercial de produtos importados, em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil (Foz do Iguaçu).

A Argentina

Apesar das sucessivas crises que vem enfrentando, a Argentina apresenta os melhores indicadores econômicos e sociais dos países platinos. O país pode ser dividido em três regiões geoeconômicas: o Pampa, que concentra as principais cidades e a atividade industrial do país, além de possuir elevada produção de grãos, em razão do clima temperado e do solo fértil; o Chaco e a Mesopotâmia argentina, áreas mais pobres, com produções de milho, soja, algodão e erva-mate, além da pecuária bovina; os Andes e a Patagônia, regiões menos populosas em razão do clima frio.
A Argentina é reconhecida internacionalmente por seu setor agropecuário. Boa parte da criação de bovinos abastece o mercado interno, e cerca de 5% é exportada. Os principais destinos da carne produzida são China, Israel, Estados Unidos, América Latina e Europa.
A atividade agropecuária está concentrada nos pampas, região de planícies cobertas de vegetação de Pradarias ou campos. Além das características naturais favoráveis, os pampas concentram grande parte do mercado consumidor argentino e infraestruturas importantes para o escoamento da produção, como os portos de Rosário, no Rio Paraná, e Buenos Aires, no Rio da Prata. 
O modelo agropecuário argentino apresenta muitas semelhanças com o modelo brasileiro. Ambos são pautados na produção para o mercado externo, com elevado grau de mecanização, uso de sementes geneticamente trans formadas e agrotóxicos e cultivos em grandes propriedades monocultoras.
Na Argentina, o avanço da soja e do milho sobre as áreas de pastagens tem feito com que os pecuaristas adotem sistemas intensivos de criação de animais, chamados feedlots (lotes de alimentação). Nesse modelo, que já abrange mais de 80% do rebanho argentino, milhares de animais são confinados em áreas reduzidas para que possam engordar rapidamente, alimentados com soja transgênica. Além disso, recebem medicamentos para evitar doenças causadas pelo confinamento.
As características climáticas e o relevo predominantemente plano favorecem o desenvolvimen to da agricultura, com destaque para o cultivo de milho, algodão, soja e cana-de-açúcar. A porção oeste apresenta elevadas altitudes e climas rigorosos da cordilheira dos Andes. Há baixa densidade demográfica, e as principais ati vidades econômicas são a fruticultura irrigada e a extração de petróleo.
No sul, na região chamada de Patagônia, há o predomínio do clima frio com invernos rigorosos. As características naturais fazem a região também ser pouco povoada. Além da pecuária bovina, desenvolve-se a criação de ovinos. Também há importantes jazidas de petróleo e gás natural. 
Sobre a população argentina, ressaltar que grande parte tem origem espanhola por conta da colonização, mas que há grande número de descendentes de outros imigrantes, sobretudo italianos. Vale destacar que há parcela significativa da população de origem ameríndia, decorrente da miscigenação dos povos europeus com os nativos que habitavam o atual território argentino. 
Grande parte da população está concentrada nos arredores de Buenos Aires, sendo a densidade populacional no interior mais baixa, sobretudo na região sul e extremo sul do território, por conta das baixas tem peraturas e solos impróprios para a atividade agropecuária.

O Uruguai

O Uruguai é um país pouco populoso, com 3,5 milhões de habitantes, e a maior parte deles mora nas cidades. O relevo apla nado e a vegetação de Pradarias contribuíram para que a pecuária se tornasse uma atividade relevante para o país, que apresenta um dos melhores indicadores sociais do continente latino-americano.

O Paraguai

Como não apresenta saída para o mar, o Paraguai utiliza portos argentinos e brasileiros para escoar seus produtos. Desenvolve atividades extrativistas (madeira), agricultura (algodão, tabaco e soja) e pecuária bovina. O comércio nas áreas de fronteira é uma importante atividade econômica, com a venda de mercadorias baratas, as quais depois são revendidas nos países vizinhos, especialmente no Brasil.

A região andina na América

A América Andina é formada pelos países que têm em seu território partes da cordilheira dos Andes (Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e Chile).
Os Andes têm um papel importante na hidrografia da América do Sul, funcionando como um importante divisor de águas. Os rios que nascem a oeste da cordilheira são pouco extensos, correm sobre terrenos íngremes e deságuam no oceano Pacífico. Os rios que nascem a leste apresentam grande extensão, correm em terrenos mais planos e deságuam no oceano Atlântico, como é o caso do Rio Amazonas, cuja nascente está localizada no Peru.
As montanhas também influenciam o clima regional, as atividades econômicas e a cultura, com vestuários, alimentos e habitações adequados à vida em grandes altitudes. 
Os países da América Andina têm em comum aspectos históricos e culturais, como a colonização e a língua oficial espanhola. Com população formada principalmente por etnias indígenas e miscigenada, seus países também mantêm muitos costumes e tradições das sociedades pré-colombianas.
A América Andina tem a economia pautada na exploração e no beneficiamento de recursos minerais e energéticos, além de uma agricultura diversificada, com destaque para produtos como café, banana, cacau, cana-de-açúcar, trigo e aveia, cultivados em grandes propriedades.
Os países andinos são bastante dependentes das variações nos preços internacionais das matérias-primas que exportam. Com a pandemia de covid-19, a demanda por petróleo e outras commodities diminuiu drasticamente no mundo todo, gerando uma queda significativa nos preços, o que vulnerabilizou ainda mais a economia regional. 
Por outro lado, no primeiro semestre de 2022, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia fez com que os preços do petróleo, gás natural e carvão mineral subissem (a Rússia era o terceiro maior produtor de petróleo e o segundo maior produtor de gás natural), beneficiando os países exportadores da América Andina, com destaque para a Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela.

A Venezuela


O relevo venezuelano divide-se em uma estreita faixa da cordilheira dos Andes a oeste; planaltos mais baixos a leste; planície do Rio Orinoco no centro; e planície costeira ao norte, onde se encontra a maior parte da população.
Esse país apresenta importantes jazidas de petróleo, seu principal produto de exportação. As divisas geradas por ele contribuem para que a renda per capita do país seja elevada. Entretanto, a desigualdade social é acentuada, pois nem todos se beneficiam dessa riqueza.
A Venezuela possui um território rico em recursos energéticos, com destaque para o petróleo e o gás natural. Em 2020, o país detinha a maior reserva mundial de petróleo (17,5% do total) e a segunda maior reserva de gás natural da América.
A Venezuela é o principal produtor e exportador de petróleo da América Latina, totalizando 95% das exportações do país. O governo optou por destinar esses recursos à importação de bens de consumo e equipamentos, em vez de investir em infraestruturas e no desenvolvimento dos setores agropecuário e industrial. 
Essa opção tornou a economia venezuelana extremamente dependente da venda e, consequentemente, da variação dos preços do petróleo. A Venezuela entrou em grave crise econômica e humanitária quando o preço do barril de petróleo caiu em 2014. A produção petrolífera já vinha caindo desde o início dos anos 2010, passando de 2,7 milhões de barris por dia em 2011 para 640 mil barris em 2020. Essa queda na produção pode ser explicada principalmente pela já citada falta de investimentos em infraestruturas, também, na indústria do petróleo. Com diminuição da produção, também houve reduções nos postos de trabalho no setor. 
A crise econômica levou a Venezuela a uma crise política. O presidente Nicolás Maduro foi reeleito em maio de 2018 após uma eleição boicotada pela oposição, que não o reconhecia como presidente legítimo e representante da democracia. Estados Unidos, Canadá, União Europeia e outros países pró-oposição aplicaram sanções à Venezuela, incluindo um embargo ao petróleo, o que agravou ainda mais a crise econômica. 
O petróleo venezuelano, que até então era refinado nos Estados Unidos, foi substituído pelo petróleo russo. Desde então, a China passou a adquirir as exportações da Venezuela a um preço reduzido.
Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço do petróleo – que já havia variado bastante durante a pandemia de covid-19 – aumentou por causa das sanções contra os russos. Nesse contexto, a Venezuela surge como uma alternativa importante para substituir parte das exportações russas de petróleo, o que explica as tenta tivas de reaproximação do governo estadunidense com o governo venezuelano a partir de 2022.

A Colômbia


A Colômbia é o país mais populoso da América Andina. Sua economia é pautada na agricultura, especialmente de café. A folha de coca é mascada pelos andinos para facilitar a respiração em altitudes elevadas. Além disso, é matéria-prima para a fabricação de drogas ilícitas, como a cocaína. Com isso, o narcotráfico tornou-se uma atividade comum no país, realizada principal mente por grupos guerrilheiros que lutam contra o governo, como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
A Colômbia é um dos países da região com maior potencial econômico. Novos investimentos na economia têm gerado elevado crescimento, graças à diversificação da atividade industrial e dos serviços, bem como ao aumento do comércio exterior. As redes no território da Colômbia são bem desenvolvidas e têm boas conexões com os países vizinhos, principalmente no que diz respeito aos meios de transporte.


O Equador


O Equador é o menor país andino. Sua população é originada da miscigenação de indíge nas com europeus. A economia é pautada na agricultura (banana, café e cana-de-açúcar) e na mineração (petróleo). O país apresenta uma grande variedade de espécies endêmicas, especialmente nas Ilhas Galápagos, o que faz do Equador o país de maior biodiversidade do mundo por unidade de área.

A Bolívia


A Bolívia também é um país com fragilidades no setor econômico, ainda que tenha grandes fontes de recursos naturais energéticos, como petróleo e gás natural.
As atividades econômicas predominantes são a mineração, a agricultura e a pecuária. Destaca-se, ainda, a produção de gás natural, exportado para o Brasil por meio do gasoduto Brasil-Bolívia, que se estende por 1 400 km.
A população boliviana se concentra nos altiplanos andinos e é marcada por forte presença indígena.

O Peru


O Peru é composto, em grande parte, de populações indígenas. Muitos habitantes falam a língua quíchua, dos incas. Diversas cidades peruanas apresentam material arquitetônico e arqueo lógico inca preservado, como Cuzco e Aguas Calientes, onde se localiza Machu Picchu. Por esse motivo, o turismo é uma atividade de relevância para o país. Destacam-se, além disso, a mineração (prata, estanho e cobre) e a agricultura de produtos tropicais.

O Chile


Localizado entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico, o território do Chile é o mais estreito do mundo. Sua largura máxima é de 175 km, enquanto sua extensão norte-sul é de 4,3 mil km.
O Chile é, social e economicamente, o país mais desenvolvido da região andina. A população e as principais cidades chilenas se concentram no centro do país, já que o norte abriga um grande deserto – o Atacama – e o sul apresenta baixas temperaturas. 
A maior parte dos cerca de 19 milhões de habitantes (2021) vive na região central do país, principalmente na área metropolitana de Santiago, capital do país que concentra a atividade industrial, com destaque para a produção de celulose, de produtos químicos e têxteis, de equipamentos de transporte e de alimentos.
A economia chilena passou por um processo de aceleração a partir da década de 1990, com a abertura para investimentos estrangeiros e a instalação de empresas transnacionais, a privatização de empresas estatais e a redução de impostos. Além da indústria, o país também conta com as atividades de mineração, pesca, agricultura e pecuária.
Na agricultura, destacam-se o cultivo e a exportação, principalmente para a Europa, de frutas e cereais típicos de climas mais frios. O Chile também é um importante produtor de vinhos, concentrando as viniculturas no sul do território.
No norte do país, na região do deserto do Atacama, o extrativismo mineral é a atividade que mais se destaca, sendo uma das mais importantes para a economia chilena. 
O Chile é o maior produtor mundial de cobre, sendo esse recurso mineral o principal produto de exportação do país. Apresenta também importantes jazidas de prata, ouro, ferro e carvão. 
Tanto a mineração quanto a agricultura utilizam muita água. No Chile essas atividades são desenvolvidas em uma das zonas mais áridas do planeta, onde a pressão sobre os recursos hídricos é naturalmente elevada. 
Os períodos de seca, característicos do clima chileno, vêm se agravando pelas mudanças climáticas. Desde 2010, o país atravessa uma grande crise hídrica, com redução de aproximadamente 30% das precipitações. 
Além de racionamentos de água nos centros urbanos, pecuaristas são forçados a deslocar rebanhos inteiros para o sul do país em busca de pastagens, evitando, assim, a morte dos animais.
Além dos aspectos climáticos e econômicos, a questão da água no Chile envolve uma opção política. O país é o único no mundo onde a água é privatizada, ou seja, empresas podem deter o acesso ao recurso por meio de títulos que, como uma mercadoria qualquer, podem ser alugados ou vendidos. 
Essa situação favorece os grandes proprietários de terras em detrimento dos pequenos agricultores. Cerca de 90% dos direitos sobre a água estão nas mãos de empresas de mineração e do agronegócio, que a utilizam e poluem indiscriminadamente, deixando as populações sem acesso à água potável e impossibilitadas de realizar tarefas básicas do cotidiano. A sociedade chilena, organizada em diversos movimentos populares, vem exigindo mudanças na Constituição, sendo a desprivatização das águas uma delas.


América do Sul: passado e presente comuns

Formada por 12 países, mais um território da França, a América do Sul ocupa uma área de 17,8 milhões de km2, na qual se encontram muitos recursos naturais, como minério de ferro, petróleo e água. Além disso, por estar situada, em sua maior parte, na faixa Tropical, a região recebe chuvas e insolação regulares, o que amplia seu potencial agrícola.
O continente sul-america no detém 27% da água doce do pla neta, parte em estado sólido nos An des, e cerca de 8 milhões de km 2 florestas, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o de Meio Ambiente (Pnuma).
Até o século XVI, a América do Sul era ocupada por povos pré-colombianos, que foram dominados pelos europeus, sobretudo espanhóis e portugueses. Entre os séculos XVI e XVIII, foram trazidos para essas terras africanos escravizados e, a partir do final do século XIX, grandes levas de imigrantes japoneses e italianos, entre outras nacionalidades, desembarcaram nessa parte do continente. O resultado é uma grande diversidade cultural.
Durante o período colonial, as sociedades locais eram obrigadas a comercializar com as metrópoles. Após a independência das colônias, esse quadro mudou, porém, a maioria dos países sul-americanos ainda apresenta uma inserção des vantajosa na Divisão Internacional do Trabalho, o que se reflete na qualidade de vida de suas populações, com grande desigualdade socioeconômica.
Entre as características comuns apresentadas por esses países, destaca-se o período da história, entre as décadas de 1950 e 1980, em que o continente sul-americano foi governado predominantemente por governos militares, que che garam ao poder por meio de golpes de Estado. A partir dos anos 1980, esses países passaram por processos de redemocratização, acompanhados da adoção de políticas econômicas e sociais neoliberais, isto é, fundamentadas na concepção de que o Estado deve interferir o mínimo possível na regulação da economia e abrir mão de suas funções sociais, delegando ao mercado o equilíbrio econômico e social.
O empobrecimento dessas sociedades e o aumento da concentração de ren da gerou descontentamentos que fizeram emergir, no decorrer dos anos 2000, governos com propostas voltadas à promoção da igualdade social. Contudo, os desdobramentos da crise mundial de 2008 abalaram esses países econômica e politicamente, levando novamente, à ascensão de governos de cunho neoliberal.

A época das ditaduras


A primeira ditadura militar instalada em um país sul-americano no século pas sado teve início em 1954, no Paraguai, quando o general Alfredo Stroessner (1912--2006) derrubou o presidente Federico Chavez (1882-1978). Em 1989, o próprio Stroessner sofreu uma derrota ao ser expulso da presidência por outro militar, Andrés Rodriguez (1923-1997), que levou o país à democracia, em 1993.
No Brasil, em 1964, uma junta militar derrubou o então presidente João Goulart (1918-1976), inaugurando um ciclo que se encerrou em 1985, com a realização de eleições indiretas. Apenas em 1989 houve eleição direta para presidente no Brasil, apesar da intensa mobilização popular que pediu eleições diretas em 1983 e 1984.
Em 1964, também teve início na Bolívia um regime comandado por uma jun ta militar que destituiu o presidente Paz Estenssoro (1907-2001) e perdurou até 1982, quando a democracia foi restaurada.
Em 1968, o general Juan Velasco Alvarado comandou um golpe contra o pre sidente Fernando Belaunde Terry (1912-2002), no Peru. Os militares se mantiveram no poder até 1980.
Uma junta militar atuou no Equador em 1972 para derrubar o presidente José María Velasco Ibarra (1893-1979). As eleições foram retomadas em 1979.
Em 1973, o general Augusto Pinochet (1915-2006) liderou o golpe contra o governo de Salvador Allende (1908-1973), no Chile. A ditadura teve fim apenas em 1990, quando Pinochet entregou o poder.
Ainda em 1973, teve início no Uruguai um período sem votação para presi dente, após o fechamento do Senado e da Câmara dos Deputados pelo então presidente Juan María Bordaberry (1928-2011), com apoio dos militares. As eleições só foram retomadas em 1985.
Na Argentina, em 1966, os militares depuseram o presidente Arturo Illia (1900-1983) e tomaram o poder. Em 1973, cedendo à pressão popular, realizaram eleições. Delas saiu vitorioso o General Juan Domingo Perón (1895-1974), que fa leceu um ano depois. Sua viúva e então vice-presidente, Isabelita Perón (1931-) assumiu a presidência. Um novo golpe de Estado, em 1976, tirou Isabelita do poder, inaugurando um ciclo de ditadura militar. Em 1983, os militares deixaram o poder.
O que esses regimes políticos tiveram em comum? Primeiro, aumentaram a dívida externa dos países por meio de empréstimos de países europeus, dos Es tados Unidos e de organizações internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, facilitaram a instalação de novas em presas estrangeiras e a consolidação das que já estavam instaladas no país, prin cipalmente as que atuavam na exploração mineral.
Ao final das ditaduras, todos os países apresentavam desigualdade socioeconômica acentuada. Grande parte dos golpes de Estado que levaram militares ao poder contou com o apoio dos Estados Unidos, que temiam a instalação de go vernos de orientação socialista ou comunista nos países sul-americanos, como ocorrera em Cuba, mas o aspecto mais grave das ditaduras foi a repressão políti ca, que resultou na prisão, na tortura e na morte de muitas pessoas.

Desafios no século XXI


Depois de anos de autoritarismo, surgiram novas possibilidades para os países da América do Sul. Desde o fim do século XX e o início do século XXI, vários go vernantes eleitos assumiram uma visão da sociedade e do mundo que pode re sultar em uma maior aproximação entre esses países. Conheça a seguir algumas mudanças recentes em países sul-americanos.

Venezuela


No período em que Hugo Chá vez (1954-2013) governou o país, de 1999 a 2013, a Venezuela teve uma maior projeção interna cional, sobretudo por sua resistência em relação aos Estados Unidos e a seus vizinhos, aliados à superpotên cia mundial. Hugo Chávez imple mentou políticas que visavam me lhorar a distribuição de renda no país, mas isso não resultou na erra dicação da pobreza, embora a tenha reduzido.
Com a morte de Chávez, assu miu o vice-presidente Nicolás Ma duro (1962-). Na eleição ocorrida logo a seguir, Maduro foi eleito pre sidente e manteve a agenda traça da por seu antecessor, mas não obteve o mesmo sucesso político que ele.
Maduro enfrentou uma época adversa, com redução drástica do preço do petróleo, principal produto exportado pela Venezuela. O resultado foi a instalação de uma crise política e econômica iniciada no final de 2014.

Colômbia


Um aspecto que diferencia a Colômbia dos demais países da América do Sul é que o país é o único que há décadas enfrenta uma guerra civil. Desde a década de 1960, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) lutam para introduzir o socialismo no país.
Depois de um período tenso e sem negociação, o governo colombiano conse guiu restabelecer o diálogo com as lideranças das Farc. Depois de quatro anos de negociações e um referendo de paz rejeitado pela população em 2016 – devido a alguns pontos do documento que dividiram a opinião pública –, o governo colombiano e os líderes das Farc assinaram um acordo de paz. O então presidente Juan Manuel Santos recebeu o prêmio Nobel da Paz por seus esforços em acabar com o conflito, e as Farc se transformaram em um partido político (Força Alternativa Revolucionária do Comum). Em 2018, porém, Iván Duque, representando os opo sitores ao acordo de paz, elegeu-se presidente, trazendo novas incertezas quanto ao futuro político do país.
Economicamente, a Colômbia é um dos países mais prósperos da América do Sul. Destaca-se pela produção e exportação de café, que tem no município de Ma nizales, no estado de Caldas, o grande polo produtor. O país também exporta minerais, como carvão e ouro, além de ser o maior exporta dor de esmeraldas do mundo e o principal fornecedor de flores para os Estados Unidos, atividade que emprega muita mão de obra feminina.

Equador


O Equador é o principal produtor e exportador de banana do mun do, integrando uma grande cadeia transnacional de produção e comércio desse produto. Quito e Guaiaquil são as principais cidades, que apresentam uma diver sidade de atividades econômicas.
O principal produto de exportação equatoriano é o petróleo bruto, que em 2016 representou 29% do total de exportações do país. O Equador é também um grande produtor de crustáceos, sobretudo camarão.

Peru


No Peru, destaca-se o dinamismo dos setores de exploração mineral, o principal do país, e as exporta ções de cobre e de ouro. Outra atividade econômica importante no país é a pesca marítima. Vale ressaltar que o principal parceiro comercial do Peru atualmente é a China, responsável pela compra de 23% do total de suas exportações.
O Peru tem recebido um importante fluxo de tu ristas e de investimentos nos últimos anos. Os diver sos atrativos culturais e naturais do Peru fazem do país um dos destinos mais procurados na América do Sul, com destaque para Lima e Cuzco. In vestimentos de grupos transnacionais do turismo, associados a políticas desenvolvidas pelo governo, resultaram em melhorias da infraestrutura turística.

Bolívia


A Bolívia, assim como o Paraguai, é desprovida de saída para o mar. O país se destaca como fornecedor de recursos naturais, principalmente petróleo, gás natural e minério de zinco. Juntos, esses produtos representaram 40% das exportações bolivianas em 2016. O Brasil é o principal parceiro comercial da Bolívia, responsável por 18% do total das exportações do país e por cerca de 17% das importações. Além da capital La Paz, desta cam-se a outra capital, Sucre, além das cidades de Cochabamba e de Santa Cruz de la Sierra, que desen volve importante produção agrí cola, principalmente de soja, outro produto boliviano de exportação.
Outra característica representativa do país é o reconhecimen to de sua diversidade cultural. A grande quantidade de povos in dígenas que compõem a popula ção boliviana levou à mudança do nome do país, que passou a se chamar Estado Plurinacional da Bolívia, e ao reconhecimento de 37 línguas oficiais, com predomí nio do espanhol.

Argentina


A Argentina é um país com tradição no setor agropecuário. Seu principal produto de exportação é o farelo de soja, que em 2016 correspondeu a 17% das vendas do país para o mercado externo, seguido do milho, que, no mesmo ano, representou 7,4% das exportações.
A esses produtos soma-se o relevante rebanho bovino, criado, principalmente, nos Pampas. Nessa região, favorecida pelo relevo aplainado e pela fertilidade do solo, são desenvolvidas as principais atividades agropecuárias do país. Além da proximidade a centros urbanos consumidores, como as cidades de Buenos Aires, Santa Fé, Baía Blanca e Rosá rio, a região oferece facilidade de escoamento da pro dução pelo Rio da Prata.
Na Argentina também há cidades que contam com a presença de importantes indústrias, como Buenos Aires e Córdoba. Mendoza, por sua vez, se destaca pela produção de vinhos, exportados para muitos países.
Os principais parceiros comerciais da Argentina são Brasil, China e Estados Unidos. Em 2016, o Brasil adquiriu cerca de 15% dos produtos exportados pela Argentina, enquanto os Estados Unidos 7,9% e a China 7,5%.
Em 2016, o Brasil manteve sua posição de principal país de origem, respondendo por 24% das importações argentinas, seguido da China, com 19%, e dos Estados Unidos, com 13%. No início do século XX, a Argentina era o país mais 280 560 km Figura 29. Prédios inspirados no estilo arquitetônico francês, em Buenos Aires (Argentina), 2017. 
Nos dias atuais, a influência europeia pode ser facilmente observada na arquitetura da capital argentina. rico da América do Sul, mas enfrentou sérias crises financeiras e políticas, principalmente nos últimos anos da década de 1990 e no começo do século XXI. De acordo com vários analistas, isso ocorreu em virtude do processo de desindustrialização do país.
Em 2016, o Brasil manteve sua posição de principal país de origem, respondendo por 24% das importações argentinas, seguido da China, com 19%, e dos Estados Unidos, com 13%.
No início do século XX, a Argentina era o país mais rico da América do Sul (figura 29), mas enfrentou sérias crises financeiras e políticas, principalmente nos últimos anos da década de 1990 e no começo do século XXI. De acordo com vários analistas, isso ocorreu em virtude do processo de desindustrialização do país.
A Argentina perdeu competitividade externa e diminuiu a oferta de empregos na última década do século XX. Nas primeiras décadas do século XXI, o país tem buscado recuperar sua atividade industrial, apesar de enfrentar dificuldades em relação a seus credores externos.
Em 2015, foi eleito o presidente Mauricio Macri, que assumiu o governo em dezembro daquele ano. Macri adotou políticas econômicas de cunho neoliberal, enfrentou graves crises econômicas que culminaram no aumento da inflação, na tomada de empréstimos junto ao FMI, no aumento da pobreza e em grande des contentamento popular, que gerou greves pelo país.

Chile


O Chile ocupa um território que se estende pela faixa litorânea do Pacífico, abrangendo uma estreita faixa de terra que vai da costa até a Cordilheira dos Andes.
Como você já sabe, o Chile também depende da exploração de recursos naturais, princi palmente do cobre. Em 2016, o cobre refinado, o minério de cobre e o cobre bruto represen taram mais de 40% das exportações chilenas.
No mesmo ano, os principais compradores de produtos chilenos foram China (28%), Esta dos Unidos (14%), Japão (8,4%), Coreia do Sul (6,9%) e Brasil (4,7%). Por sua vez, as importa ções chilenas tiveram como principais origens a China (24%), os Estados Unidos (18%) e o Brasil (7,7%).
Santiago, a capital, concentra os serviços e empregos do país. Concepción é o segundo polo comercial e industrial chileno e Valparaíso se destaca pela presença do porto mais importante do Chile.
Entre os países da América do Sul, o Chile foi o que mais seguiu o modelo neoliberal predominante na década de 1990. A economia do país é aberta à pre sença de capital internacional, que praticamente não encontra restrições. Alguns direitos sociais foram aos poucos repassados à iniciativa privada, como a educação, o que, nos últimos anos, deu origem a muitas manifestações de estudantes chilenos, contrários às medidas.

Uruguai


Localizado entre Brasil e Argentina, o Uruguai é um país banhado pelo oceano Atlântico e pelo rio da Prata. Sua capital, Montevidéu, tinha uma população de aproximadamente 1,4 milhão de habitantes, em 2016 – mais de 40% da população total do país, que nesse mesmo ano atingiu 3,4 milhões de pessoas. 
A atividade econômica mais importante é a agrope cuária. O país é um tradicional exportador de carne bovina e também se destaca na produção de soja e celulose. Em 2016, o principal produto de exportação, responsável por 15% do total das vendas do país, foi o sulfato de celulose química, usado na fabricação de papel. No mesmo ano, a carne bovina congelada representou 14% das exportações.
China e Brasil são importantes parceiros comerciais do Uruguai. Em 2016, foram destino de 17% e 16% das ex portações uruguaias, respectivamente. Esses países foram a origem dos principais produtos importados pelo Uruguai, representando, cada um, 18% das importações. 
Outro setor que atrai investimentos é o turismo. Os principais destinos são Punta del Este e Montevidéu, que abriga a secretaria do Mercosul. 
O país ganhou destaque internacional ao se tornar o segundo país da América do Sul, depois da Argentina, a aprovar o casamento entre homossexuais, em 2013. No Brasil, esse direito também é reconhecido desde 2013.



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