Formada por 12 países, mais um território da França, a América do Sul ocupa uma área de 17,8 milhões de km2, na qual se encontram muitos recursos naturais, como minério de ferro, petróleo e água. Além disso, por estar situada, em sua maior parte, na faixa Tropical, a região recebe chuvas e insolação regulares, o que amplia seu potencial agrícola.
O continente sul-america no detém 27% da água doce do pla neta, parte em estado sólido nos An des, e cerca de 8 milhões de km 2 florestas, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o de Meio Ambiente (Pnuma).
Até o século XVI, a América do Sul era ocupada por povos pré-colombianos, que foram dominados pelos europeus, sobretudo espanhóis e portugueses. Entre os séculos XVI e XVIII, foram trazidos para essas terras africanos escravizados e, a partir do final do século XIX, grandes levas de imigrantes japoneses e italianos, entre outras nacionalidades, desembarcaram nessa parte do continente. O resultado é uma grande diversidade cultural.
Durante o período colonial, as sociedades locais eram obrigadas a comercializar com as metrópoles. Após a independência das colônias, esse quadro mudou, porém, a maioria dos países sul-americanos ainda apresenta uma inserção des vantajosa na Divisão Internacional do Trabalho, o que se reflete na qualidade de vida de suas populações, com grande desigualdade socioeconômica.
Entre as características comuns apresentadas por esses países, destaca-se o período da história, entre as décadas de 1950 e 1980, em que o continente sul-americano foi governado predominantemente por governos militares, que che garam ao poder por meio de golpes de Estado. A partir dos anos 1980, esses países passaram por processos de redemocratização, acompanhados da adoção de políticas econômicas e sociais neoliberais, isto é, fundamentadas na concepção de que o Estado deve interferir o mínimo possível na regulação da economia e abrir mão de suas funções sociais, delegando ao mercado o equilíbrio econômico e social.
O empobrecimento dessas sociedades e o aumento da concentração de ren da gerou descontentamentos que fizeram emergir, no decorrer dos anos 2000, governos com propostas voltadas à promoção da igualdade social. Contudo, os desdobramentos da crise mundial de 2008 abalaram esses países econômica e politicamente, levando novamente, à ascensão de governos de cunho neoliberal.
A época das ditaduras
A primeira ditadura militar instalada em um país sul-americano no século pas sado teve início em 1954, no Paraguai, quando o general Alfredo Stroessner (1912--2006) derrubou o presidente Federico Chavez (1882-1978). Em 1989, o próprio Stroessner sofreu uma derrota ao ser expulso da presidência por outro militar, Andrés Rodriguez (1923-1997), que levou o país à democracia, em 1993.
No Brasil, em 1964, uma junta militar derrubou o então presidente João Goulart (1918-1976), inaugurando um ciclo que se encerrou em 1985, com a realização de eleições indiretas. Apenas em 1989 houve eleição direta para presidente no Brasil, apesar da intensa mobilização popular que pediu eleições diretas em 1983 e 1984.
Em 1964, também teve início na Bolívia um regime comandado por uma jun ta militar que destituiu o presidente Paz Estenssoro (1907-2001) e perdurou até 1982, quando a democracia foi restaurada.
Em 1968, o general Juan Velasco Alvarado comandou um golpe contra o pre sidente Fernando Belaunde Terry (1912-2002), no Peru. Os militares se mantiveram no poder até 1980.
Uma junta militar atuou no Equador em 1972 para derrubar o presidente José María Velasco Ibarra (1893-1979). As eleições foram retomadas em 1979.
Em 1973, o general Augusto Pinochet (1915-2006) liderou o golpe contra o governo de Salvador Allende (1908-1973), no Chile. A ditadura teve fim apenas em 1990, quando Pinochet entregou o poder.
Ainda em 1973, teve início no Uruguai um período sem votação para presi dente, após o fechamento do Senado e da Câmara dos Deputados pelo então presidente Juan María Bordaberry (1928-2011), com apoio dos militares. As eleições só foram retomadas em 1985.
Na Argentina, em 1966, os militares depuseram o presidente Arturo Illia (1900-1983) e tomaram o poder. Em 1973, cedendo à pressão popular, realizaram eleições. Delas saiu vitorioso o General Juan Domingo Perón (1895-1974), que fa leceu um ano depois. Sua viúva e então vice-presidente, Isabelita Perón (1931-) assumiu a presidência. Um novo golpe de Estado, em 1976, tirou Isabelita do poder, inaugurando um ciclo de ditadura militar. Em 1983, os militares deixaram o poder.
O que esses regimes políticos tiveram em comum? Primeiro, aumentaram a dívida externa dos países por meio de empréstimos de países europeus, dos Es tados Unidos e de organizações internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, facilitaram a instalação de novas em presas estrangeiras e a consolidação das que já estavam instaladas no país, prin cipalmente as que atuavam na exploração mineral.
Ao final das ditaduras, todos os países apresentavam desigualdade socioeconômica acentuada. Grande parte dos golpes de Estado que levaram militares ao poder contou com o apoio dos Estados Unidos, que temiam a instalação de go vernos de orientação socialista ou comunista nos países sul-americanos, como ocorrera em Cuba, mas o aspecto mais grave das ditaduras foi a repressão políti ca, que resultou na prisão, na tortura e na morte de muitas pessoas.
Desafios no século XXI
Depois de anos de autoritarismo, surgiram novas possibilidades para os países da América do Sul. Desde o fim do século XX e o início do século XXI, vários go vernantes eleitos assumiram uma visão da sociedade e do mundo que pode re sultar em uma maior aproximação entre esses países. Conheça a seguir algumas mudanças recentes em países sul-americanos.
Venezuela
No período em que Hugo Chá vez (1954-2013) governou o país, de 1999 a 2013, a Venezuela teve uma maior projeção interna cional, sobretudo por sua resistência em relação aos Estados Unidos e a seus vizinhos, aliados à superpotên cia mundial. Hugo Chávez imple mentou políticas que visavam me lhorar a distribuição de renda no país, mas isso não resultou na erra dicação da pobreza, embora a tenha reduzido.
Com a morte de Chávez, assu miu o vice-presidente Nicolás Ma duro (1962-). Na eleição ocorrida logo a seguir, Maduro foi eleito pre sidente e manteve a agenda traça da por seu antecessor, mas não obteve o mesmo sucesso político que ele.
Maduro enfrentou uma época adversa, com redução drástica do preço do petróleo, principal produto exportado pela Venezuela. O resultado foi a instalação de uma crise política e econômica iniciada no final de 2014.
Colômbia
Um aspecto que diferencia a Colômbia dos demais países da América do Sul é que o país é o único que há décadas enfrenta uma guerra civil. Desde a década de 1960, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) lutam para introduzir o socialismo no país.
Depois de um período tenso e sem negociação, o governo colombiano conse guiu restabelecer o diálogo com as lideranças das Farc. Depois de quatro anos de negociações e um referendo de paz rejeitado pela população em 2016 – devido a alguns pontos do documento que dividiram a opinião pública –, o governo colombiano e os líderes das Farc assinaram um acordo de paz. O então presidente Juan Manuel Santos recebeu o prêmio Nobel da Paz por seus esforços em acabar com o conflito, e as Farc se transformaram em um partido político (Força Alternativa Revolucionária do Comum). Em 2018, porém, Iván Duque, representando os opo sitores ao acordo de paz, elegeu-se presidente, trazendo novas incertezas quanto ao futuro político do país.
Economicamente, a Colômbia é um dos países mais prósperos da América do Sul. Destaca-se pela produção e exportação de café, que tem no município de Ma nizales, no estado de Caldas, o grande polo produtor. O país também exporta minerais, como carvão e ouro, além de ser o maior exporta dor de esmeraldas do mundo e o principal fornecedor de flores para os Estados Unidos, atividade que emprega muita mão de obra feminina.
Equador
O Equador é o principal produtor e exportador de banana do mun do, integrando uma grande cadeia transnacional de produção e comércio desse produto. Quito e Guaiaquil são as principais cidades, que apresentam uma diver sidade de atividades econômicas.
O principal produto de exportação equatoriano é o petróleo bruto, que em 2016 representou 29% do total de exportações do país. O Equador é também um grande produtor de crustáceos, sobretudo camarão.
Peru
No Peru, destaca-se o dinamismo dos setores de exploração mineral, o principal do país, e as exporta ções de cobre e de ouro. Outra atividade econômica importante no país é a pesca marítima. Vale ressaltar que o principal parceiro comercial do Peru atualmente é a China, responsável pela compra de 23% do total de suas exportações.
O Peru tem recebido um importante fluxo de tu ristas e de investimentos nos últimos anos. Os diver sos atrativos culturais e naturais do Peru fazem do país um dos destinos mais procurados na América do Sul, com destaque para Lima e Cuzco. In vestimentos de grupos transnacionais do turismo, associados a políticas desenvolvidas pelo governo, resultaram em melhorias da infraestrutura turística.
Bolívia
A Bolívia, assim como o Paraguai, é desprovida de saída para o mar. O país se destaca como fornecedor de recursos naturais, principalmente petróleo, gás natural e minério de zinco. Juntos, esses produtos representaram 40% das exportações bolivianas em 2016. O Brasil é o principal parceiro comercial da Bolívia, responsável por 18% do total das exportações do país e por cerca de 17% das importações. Além da capital La Paz, desta cam-se a outra capital, Sucre, além das cidades de Cochabamba e de Santa Cruz de la Sierra, que desen volve importante produção agrí cola, principalmente de soja, outro produto boliviano de exportação.
Outra característica representativa do país é o reconhecimen to de sua diversidade cultural. A grande quantidade de povos in dígenas que compõem a popula ção boliviana levou à mudança do nome do país, que passou a se chamar Estado Plurinacional da Bolívia, e ao reconhecimento de 37 línguas oficiais, com predomí nio do espanhol.
Argentina
A Argentina é um país com tradição no setor agropecuário. Seu principal produto de exportação é o farelo de soja, que em 2016 correspondeu a 17% das vendas do país para o mercado externo, seguido do milho, que, no mesmo ano, representou 7,4% das exportações.
A esses produtos soma-se o relevante rebanho bovino, criado, principalmente, nos Pampas. Nessa região, favorecida pelo relevo aplainado e pela fertilidade do solo, são desenvolvidas as principais atividades agropecuárias do país. Além da proximidade a centros urbanos consumidores, como as cidades de Buenos Aires, Santa Fé, Baía Blanca e Rosá rio, a região oferece facilidade de escoamento da pro dução pelo Rio da Prata.
Na Argentina também há cidades que contam com a presença de importantes indústrias, como Buenos Aires e Córdoba. Mendoza, por sua vez, se destaca pela produção de vinhos, exportados para muitos países.
Os principais parceiros comerciais da Argentina são Brasil, China e Estados Unidos. Em 2016, o Brasil adquiriu cerca de 15% dos produtos exportados pela Argentina, enquanto os Estados Unidos 7,9% e a China 7,5%.
Em 2016, o Brasil manteve sua posição de principal país de origem, respondendo por 24% das importações argentinas, seguido da China, com 19%, e dos Estados Unidos, com 13%. No início do século XX, a Argentina era o país mais 280 560 km Figura 29. Prédios inspirados no estilo arquitetônico francês, em Buenos Aires (Argentina), 2017.
Nos dias atuais, a influência europeia pode ser facilmente observada na arquitetura da capital argentina. rico da América do Sul, mas enfrentou sérias crises financeiras e políticas, principalmente nos últimos anos da década de 1990 e no começo do século XXI. De acordo com vários analistas, isso ocorreu em virtude do processo de desindustrialização do país.
Em 2016, o Brasil manteve sua posição de principal país de origem, respondendo por 24% das importações argentinas, seguido da China, com 19%, e dos Estados Unidos, com 13%.
No início do século XX, a Argentina era o país mais rico da América do Sul (figura 29), mas enfrentou sérias crises financeiras e políticas, principalmente nos últimos anos da década de 1990 e no começo do século XXI. De acordo com vários analistas, isso ocorreu em virtude do processo de desindustrialização do país.
A Argentina perdeu competitividade externa e diminuiu a oferta de empregos na última década do século XX. Nas primeiras décadas do século XXI, o país tem buscado recuperar sua atividade industrial, apesar de enfrentar dificuldades em relação a seus credores externos.
Em 2015, foi eleito o presidente Mauricio Macri, que assumiu o governo em dezembro daquele ano. Macri adotou políticas econômicas de cunho neoliberal, enfrentou graves crises econômicas que culminaram no aumento da inflação, na tomada de empréstimos junto ao FMI, no aumento da pobreza e em grande des contentamento popular, que gerou greves pelo país.
Chile
O Chile ocupa um território que se estende pela faixa litorânea do Pacífico, abrangendo uma estreita faixa de terra que vai da costa até a Cordilheira dos Andes.
Como você já sabe, o Chile também depende da exploração de recursos naturais, princi palmente do cobre. Em 2016, o cobre refinado, o minério de cobre e o cobre bruto represen taram mais de 40% das exportações chilenas.
No mesmo ano, os principais compradores de produtos chilenos foram China (28%), Esta dos Unidos (14%), Japão (8,4%), Coreia do Sul (6,9%) e Brasil (4,7%). Por sua vez, as importa ções chilenas tiveram como principais origens a China (24%), os Estados Unidos (18%) e o Brasil (7,7%).
Santiago, a capital, concentra os serviços e empregos do país. Concepción é o segundo polo comercial e industrial chileno e Valparaíso se destaca pela presença do porto mais importante do Chile.
Entre os países da América do Sul, o Chile foi o que mais seguiu o modelo neoliberal predominante na década de 1990. A economia do país é aberta à pre sença de capital internacional, que praticamente não encontra restrições. Alguns direitos sociais foram aos poucos repassados à iniciativa privada, como a educação, o que, nos últimos anos, deu origem a muitas manifestações de estudantes chilenos, contrários às medidas.
Uruguai
Localizado entre Brasil e Argentina, o Uruguai é um
país banhado pelo oceano Atlântico e pelo rio da Prata. Sua capital, Montevidéu, tinha uma população
de aproximadamente 1,4 milhão de habitantes, em 2016 – mais de 40% da população total do país, que nesse
mesmo ano atingiu 3,4 milhões de pessoas.
A atividade econômica mais importante é a agrope
cuária. O país é um tradicional exportador de carne bovina
e também se destaca na produção de soja e celulose. Em
2016, o principal produto de exportação, responsável por
15% do total das vendas do país, foi o sulfato de celulose
química, usado na fabricação de papel. No mesmo ano, a
carne bovina congelada representou 14% das exportações.
China e Brasil são importantes parceiros comerciais do
Uruguai. Em 2016, foram destino de 17% e 16% das ex
portações uruguaias, respectivamente. Esses países foram
a origem dos principais produtos importados pelo Uruguai,
representando, cada um, 18% das importações.
Outro setor que atrai investimentos é o turismo. Os
principais destinos são Punta del Este e Montevidéu, que
abriga a secretaria do Mercosul.
O país ganhou destaque internacional ao se tornar o segundo país da América
do Sul, depois da Argentina, a aprovar o casamento entre homossexuais, em 2013.
No Brasil, esse direito também é reconhecido desde 2013.