Por se estender desde as regiões próximas do Trópico de Câncer até as proximidades do Círculo Polar Antártico, passando pelos paralelos da Linha do Equador e do Trópico de Capricórnio, a América Latina tem uma ampla variedade de climas, de extremamente frios e temperados a climas quentes; dos semiáridos e desérticos até aqueles com altos índices de pluviosidade (ou seja, com chuvas abundantes). Como decorrência da inter-relação com essas características do clima, há também grande diversidade de formações vegetais, desde estepes e formações áridas e semiáridas a exuberantes florestas tropicais.
Domínio equatorial: ocorre no norte da América do Sul, parte do istmo e das ilhas do Caribe. Devido às elevadas temperaturas médias (em torno de 26 °C) e à abundante quantidade de chuvas, entre 2 mil e 3 mil milímetros (mm), bem distribuídas entre os meses do ano, desenvolvem-se as exuberantes florestas tropicais equatoriais, como a Amazônica. O calor e a farta evapotranspiração causam a formação de nuvens e o fenômeno chamado chuvas de convecçã. Os elevados índices de umidade e calor são condições favoráveis para o desenvolvimento de ampla biodiversidade nesses ambientes.
Domínio tropical: estende-se pela parte central-leste e norte da América do Sul, do México, da América Central e do Caribe. Assim como o domínio equatorial, apresenta médias térmicas anuais elevadas, em torno de 24 °C, e duas estações climáticas bem definidas – uma estação chuvosa e outra seca, com precipitação média de 2 mil mm anuais. Essas são as condições naturais propícias para o desenvolvimento das formações vegetais de savanas, como o Cerrado brasileiro e o Chaco argentino e paraguaio. A exceção fica para as áreas de serras, voltadas para o oceano, que são controladas pelas chamadas chuvas orográficas (veja o esquema a seguir). Aí as precipitações provocadas pelos ventos oceânicos, carregados de umidade, dão origem a florestas frondosas, como é o caso da Mata Atlântica, no Brasil.
Domínio de altas montanhas: característico das regiões mais elevadas do continente, em geral acima dos 1 500 metros de altitude. Tem clima frio, com médias térmicas em torno de 10 °C, e invernos rigorosos, muitas vezes com precipitação de neve. Nele podem se desenvolver florestas temperadas de coníferas, estepes ou, em altas altitudes, a vegetação de tundra.
Domínios desértico e semiárido: ocorrem principalmente em regiões que recebem forte influência de correntes marítimas frias, como os desertos do Atacama e do Peru, na América do Sul (sob influência da corrente fria de Humboldt), e do Deserto de Sonora, no noroeste do México (sob influência da corrente da Califórnia). De maneira geral, as correntes frias retiram a umidade do ar oceânico, causando longos períodos de seca, que podem durar vários anos. Já o semiárido ocorre em áreas de baixa precipitação, cerca de 300 mm anuais, como a Patagônia argentina e o Sertão nordestino brasileiro, onde predominam, respectivamente, a vegetação de estepes e a de Caatinga.
Domínios subtropical e temperado: estendem-se, sobretudo, pelo sul e sudeste da América do Sul. Caracterizam-se por temperaturas médias anuais mais amenas (sempre abaixo dos 20 °C), com precipitações muito bem distribuídas durante o ano, acumulando cerca de 1 500 mm anuais. São condições climáticas propícias ao desenvolvimento de florestas temperadas de pinheiros, como a Mata de Araucárias e as pradarias, chamadas de Pampas argentino, uruguaio e brasileiro.
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