Para a caracterização do quadro natural latino-americano, são fundamen tais também os aspectos relacionados ao relevo e à hidrografia da região. No que se refere ao relevo, é possível identificar unidades geomorfológicas como planaltos, depressões, montanhas e planícies.
Planícies costeiras: surgem em praticamente todo o litoral oriental e são decorrentes do constante processo de deposição de sedimentos trazidos pelas correntes marítimas.
Planícies interiores: ocorrem sobretudo nas áreas próximas às margens dos grandes rios e resultam do constante processo de deposição de sedimentos trazidos pelos rios da região, como o Rio Amazonas e o Rio da Prata.
Planaltos e depressões: localizam-se principalmente na região central do México e no centro-leste da América do Sul. São áreas compostas por ter renos geologicamente antigos (alguns datam da era pré-cambriana) e que foram bastante aplainados pelo processo erosivo. Por isso, apresentam alti tudes médias (entre 300 e 1 200 metros).
Montanhas: estendem-se por toda a parte ocidental da América do Sul, América Central e do México. São as formas de relevo geologicamente mais recentes que existem (em geral da Era Cenozoica). Por isso, foram pouco desgastadas pela erosão e atingem as maiores altitudes da região.
As unidades geomorfológicas estudadas anteriormente são fundamentais para compreendermos os aspectos ligados à hidrografia latino-americana. Com base nelas, é possível delimitar cinco grandes bacias hidrográficas na região. Veja a seguir.
Bacia do Bravo ou Grande: estende-se pelo extremo norte do México e parte dos Estados Unidos. Seu rio principal é o Rio Bravo ou Grande, com cerca de 3 mil quilômetros de extensão.
Bacia Platina: seu rio principal é o Rio da Prata, formado pelo encontro dos rios Paraná e Uruguai. Abrange boa parte dos territórios da Argentina, Uruguai, Paraguai, Brasil e Bolívia.
Bacia do Orinoco: abrange o extremo norte da América do Sul. Seu curso de água principal é o Rio Orinoco, que deságua no Mar do Caribe.
Bacias dos Rios Patagônicos e do Rio Salado: é um conjunto de bacias hidrográficas cujos rios principais, como o Salado, o Colorado, o Negro e o Chubut, têm suas nascentes na Cordilheira dos Andes, correm pela Patagônia argentina, no sentido oeste-leste, e deságuam no Oceano Atlântico.
Bacia Amazônica: com cerca de 7 milhões de km², é a maior bacia hidrográ fica do mundo em extensão, abrangendo parte do território de oito países sul-americanos. Seu rio principal é o Rio Amazonas, que recebe águas de milhares de cursos de água diferentes. Nele correm aproximadamente 20% da água doce do planeta.
Os aquíferos Guarani e Grande Amazônia
Além dos mananciais, que dão origem às redes hidrográficas compostas por
rios e lagos, existem, na América Latina, importantes mananciais de águas subter
râneas. Entre eles destacam-se os aquíferos Grande Amazônia, cuja maior parte
se localiza no território brasileiro, e o Guarani, que se distribui por quatros países
da América do Sul.
O Aquífero Grande Amazônia ou Alter do
Chão, como também é chamado, estende-se
por aproximadamente 437 mil km2 sob a porção
central da Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas.
Tem uma capacidade estimada de 86 mil km3
de água doce, o que, segundo os especialistas,
seria suficiente para abastecer toda a população
mundial durante décadas. Por isso, é considerado
a maior reserva de água potável do mundo.
O Aquífero Guarani é um sistema de
lençóis subterrâneos que se estende por
aproximadamente 1,2 milhão de km2 e abrange
parte dos territórios da Argentina, do Uruguai e do
Paraguai, além de oito estados brasileiros: Goiás,
Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul. Estima-se que ele retenha 39 mil km3 de água.
Ainda que seja mais extenso do que o Aquífero
Alter do Chão, pesquisas recentes mostram que o
manejamento do lençol subterrâneo do Guarani
exige muitos cuidados, pois seu potencial hídrico
pode ser menor do que se supõe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário