A CAPTAÇÃO DOS ESTÍMULOS
Como foi estudado na Unidade anterior, uma das características dos seres vivos é a capacidade de perceber e reagir a estímulos do ambiente.
Vamos estudar como acontecem a percepção e a interação com o ambiente, considerando os animais vertebrados, mais especificamente os seres humanos.
Os seres vivos têm a capacidade de perceber e interagir com o ambiente externo ou interno, ou seja, com o mundo ao seu redor e com o que acontece no seu próprio corpo. É dessa forma que nós percebemos que estamos com fome, que a água do banho está gelada, que determinado som é agradável e assim por diante.
Nós captamos os estímulos ambientais por receptores sensoriais específicos, localiza dos em diversas partes do nosso corpo. Os receptores são formados por células especializadas em captar estímulos, as chamadas células sensitivas. Em alguns locais, certos receptores se agrupam e formam os órgãos dos sentidos: olhos, nariz, boca, orelhas e pele.
A ideia de que temos cinco formas básicas de perceber o mundo, ou seja, cinco sentidos – visão, olfato, gustação, audição e tato – data do século IV a.C. e foi sugerida pelo filósofo grego Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.). Essa ideia permanece popular até os dias de hoje.
Contudo, o estudo do corpo humano progrediu muito desde os tempos de Aristóteles.
Já sabemos, por exemplo, que o sentido do equilíbrio fornece informações sobre a posição
do corpo e nos ajuda a manter a postura corporal.
Assim, podemos acrescentar à relação
dada pelo filósofo grego mais um sentido que utilizamos para perceber o ambiente. Para
andar de skate, patinar, andar de bicicleta ou mesmo apenas caminhar, o
sentido do equilíbrio permite manter a postura do corpo para
ajustarmos braços, pernas e tronco, para não cair.
Os cientistas sugerem que os nossos sentidos passam de
20 e que são bastante complexos.
Esse assunto ainda exige
muita discussão e estudo, pois não há consenso de quantos
sentidos realmente temos. Muitos desses sentidos, apesar de
terem nomes pouco conhecidos pelas pessoas, referem-se a sensações e percepções bastante familiares. A propriocepção, por
exemplo, é o sentido que permite que você saiba onde se localiza
cada parte do seu corpo, mesmo de olhos fechados.
Feche os olhos
e coloque seu dedo indicador no seu joelho esquerdo. Aposto
que você conseguiu realizar esse feito. Mesmo que essa seja
a primeira vez que você tenha ouvido falar em propriocepção, esse sentido faz parte da sua forma de
perceber seu próprio corpo.
Porém, como os cientistas ainda não têm um consenso de quantos e quais são os senti
dos humanos, vamos nos ater ao estudo dos sentidos mais tradicionalmente abordados nos
materiais de Ciências: visão, olfato, gustação, audição, equilíbrio e tato.
Visão
Os olhos são os órgãos responsáveis pelo sentido da visão. Neles há receptores que
captam os estímulos luminosos e permitem distinguir cores, formas e a posição dos objetos.
Os olhos têm estruturas acessórias responsáveis pela sua proteção e por alguns de seus
movimentos. Os supercílios e os cílios impedem a entrada direta de objetos estranhos,
suor e raios solares. As pálpebras permitem sua lubrificação, fechamento e abertura,
enquanto o sistema lacrimal produz as lágrimas, que lubrificam e limpam os olhos.
Quando estamos em um ambiente muito iluminado e
passamos rapidamente para um local pouco iluminado, demo
ramos um certo tempo para enxergar os objetos com nitidez.
Isso acontece porque os olhos precisam de um tempo para
se adaptar à nova condição de luminosidade, o que recebe o
nome de adaptação visual.
O funcionamento do olho e os problemas de visão
O olho pode ser considerado um instrumento óptico,
pois permite a formação de imagens pelo processo de
refração, ou seja, de desvio da luz. A luz sofre refração
quando passa de um meio para outro, sendo esse meio
qualquer material pelo qual a luz é capaz de passar, como
o ar ou a água.
A luz que atinge o olho humano sofre algumas refrações ao passar do ar para dentro do olho e ao atravessar
algumas estruturas oculares. Quando os raios luminosos
atingem a córnea, eles sofrem o primeiro desvio. A lente
do olho focaliza esses raios luminosos, fazendo-os chegar
até a retina, depois de passarem pelo humor vítreo.
A lente do olho é biconvexa. Para entender isso, é
preciso saber o que é convexo e também o que é côncavo. A forma é a principal diferença
entre côncavo e convexo. A parte de dentro de uma colher, na qual você coloca alimento,
por exemplo, é côncava, enquanto a parte de fora é convexa. Côncavo é qualquer superfície
que se curva para dentro, enquanto convexo é uma superfície que se curva para fora.
Agora ficou mais fácil entender por que a lente do olho é biconvexa: ela é formada por
duas superfícies que se curvam para fora.
Para que consigamos enxergar, os raios luminosos devem atingir a retina e estimular
os receptores presentes nessa região.
Dessa forma, as imagens devem ser focalizadas sobre
a retina. Nesse processo, elas são projetadas de forma invertida. A razão para que você não
enxergue tudo de cabeça para baixo é que o sistema nervoso se encarrega de interpretar
as imagens.
Porém, o globo ocular pode ter irregularidades, sendo mais curto ou mais longo, o que
prejudica a visualização das imagens. Nessas situações, há os problemas de visão, como
miopia e hipermetropia, que impedem que as imagens sejam formadas de maneira nítida.
• A miopia é caracterizada pelo alongamento do globo ocular, de modo que a imagem
se forma antes da retina.
• A hipermetropia é caracterizada pelo globo ocular mais curto que o normal. Isso faz
com que a imagem se forme depois da retina.
A pessoa míope tem dificuldade para enxergar objetos distantes. A pessoa hipermetrope
tem dificuldade para enxergar objetos próximos. Para que a imagem seja focada, é preciso
diminuir ou aumentar a distância do objeto em relação aos olhos.
Por exemplo, na miopia, a
imagem se forma antes da retina, e, por isso, uma pessoa míope tende a aproximar os objetos
de si, para que a imagem se forme exatamente sobre a retina. Pessoas hipermetropes, por
sua vez, tendem a afastar os objetos dos olhos, para que a imagem se forme sobre a retina.
Para a correção desses problemas de visão, são usadas lentes que podem ser convergentes
ou divergentes, dependendo de como se comportam em relação à refração da luz.
• Lentes convergentes são convexas, isto é, a luz toma direções que convergem
(dirigem-se) a um único ponto.
• Lentes divergentes são côncavas, isto é, a luz toma direções que divergem (se
distanciam) de um único ponto.
Olfato e gustação
O nariz é o órgão responsável pelo sentido do olfato. Na cavidade nasal há receptores
que são estimulados por partículas odoríferas que estão no ar. Esses receptores ficam
concentrados em uma região da cavidade nasal, chamada epitélio olfatório.
As partículas aromáticas presentes no ar inspirado estimulam os receptores do epitélio
olfatório; esses estímulos são interpretados pelo sistema nervoso e permitem distinguir
os odores.
A língua é o órgão responsável pelo sentido da gustação, também chamado paladar.
Nela há as papilas gustatórias (ou linguais), nas quais se concentram as células sensitivas
que captam estímulos das substâncias químicas dos alimentos e permitem distinguir os
gostos.
Para que as substâncias químicas sejam percebidas pelas papilas, elas devem estar
dissolvidas na saliva.
As substâncias químicas do alimento dissolvidas na saliva estimulam as células
sensitivas das papilas gustatórias, que detectam os gostos básicos: doce, salgado, ácido,
amargo e umami.
Você pode pensar que os alimentos que costuma ingerir
não apresentam um gosto só. Os sabores são muito
mais complexos. E você está certo. Os sabores dos
alimentos são decorrentes da combinação desses
cinco gostos básicos. Por isso conseguimos apreciar
e diferenciar o sabor de um chocolate, de uma
maçã, de um sanduíche.
Além disso, os sentidos do olfato e da
gustação estão relacionados. As partículas aromáticas dos alimentos estimulam os receptores do
olfato, cooperando para a percepção dos sabores.
Audição e equilíbrio
As orelhas são os órgãos responsáveis pelos sentidos da audição e do equilíbrio. Na audição, elas captam
estímulos de ondas sonoras; no equilíbrio, elas promovem a percepção da posição do próprio corpo.
A orelha pode ser dividida em três partes.
• Orelha externa: formada pelo pavilhão auditivo,
meato acústico externo e membrana timpânica.
• Orelha média: formada pelos ossículos (martelo,
bigorna e estribo) e pela tuba auditiva, canal que
liga a orelha com a parte posterior da garganta.
• Orelha interna: formada pelo vestíbulo, pelos
canais semicirculares e pela cóclea.
Os sons são captados pelo pavilhão auditivo e conduzidos pelo meato acústico
externo até a membrana timpânica. Ao receber as ondas sonoras, essa membrana vibra e
transmite a vibração aos ossículos (martelo, bigorna e estribo). Essa vibração faz movimentar
o líquido no interior da cóclea, estimulando as células sensitivas que lá se encontram.
Já o sentido do equilíbrio está relacionado com os canais semicirculares e o vestíbulo.
Os canais são preenchidos por um líquido, e, no sistema vestibular, há bolsas também
preenchidas por líquido e por pequenos grãos, chamados
estatocônios.
Os cílios presentes nas paredes dessas estruturas detectam o movimento do líquido no seu interior. Somada ao
deslocamento dos estatocônios, essa informação indica a posição
do corpo. Com isso, podemos ajustar a posição de braços, pernas
e tronco, garantindo o equilíbrio e a postura corporal.
Tato
A pele é o maior órgão do corpo humano, recobrindo todo o organismo, interna
e externamente. Ela é o órgão responsável pelo sentido do tato. Na pele, há diferentes
receptores. Cada tipo de receptor é especializado em captar um tipo de estímulo: pressão,
temperatura, dor, entre outros.
Na pele também há estruturas acessórias, como pelos, unhas e glândulas sudoríferas.
Os pelos e as unhas têm a função de proteção. Já as glândulas sudoríferas liberam o suor e
têm a função de regular a temperatura corporal.
A pele é constituída basicamente por duas camadas: a epiderme e a derme.
• Epiderme: camada mais superficial da pele, formada por células justapostas. As
células mais externas são mortas e impregnadas por uma substância impermeabilizante, chamada queratina.
• Derme: camada interna da pele, com muitos vasos sanguíneos e receptores.
Alguns desses receptores apresentam-se encapsulados, formando os chamados
corpúsculos táteis.
Sentir dor não é uma sensação boa, mas é importante, pois
ela nos informa que há algo errado no nosso corpo. Imagine se
nós não sentíssemos dor quando um dente estivesse cariado.
Provavelmente, muitas pessoas já estariam sem dentes na boca,
pois, ao perceber tardiamente a cárie, o dente já poderia estar
todo comprometido. Os receptores que captam os estímulos
de dor estão espalhados em vários tecidos do corpo.
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