domingo, 7 de dezembro de 2025

O Fundo Monetário Internacional (FMI)

Com o objetivo de regular a movimentação financeira no mundo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi criado, em 1944, na Conferência de Bretton Woods. Em 2018, o FMI contava com 189 países-membros. Sua sede fica em Washington D.C. (Estados Unidos).
Monitorar a economia de seus países-membros é uma das funções do FMI, que recebe informações e gera anualmente um relatório em que avalia os pontos fortes e fracos da economia de uma nação e os compara com os dos demais in tegrantes. Mas sua maior missão é manter a estabilidade financeira internacional, garantindo que os pagamentos entre bancos e demais empresas financeiras dos países possam ocorrer sem dificuldade.
Quando um dos sócios do fundo necessita de recursos, ele recebe uma visita de técnicos do FMI, que levantam informações sobre a economia do país. Nem sempre eles são bem recebidos. Nesse processo, investiga-se o valor que o país deve, quando deve pagar as dívidas e avaliam-se suas reservas monetárias internacionais para, então, decidir a quantia a emprestar e de que forma isso será feito.
Os recursos para o empréstimo vêm da contribuição de uma parcela do PIB de cada país-membro, que forma uma espécie de poupança que pode ser sacada por um país em difi culdades para honrar seus compromissos financeiros.

Ditadura militar no Brasil e os Estados Unidos na Guerra Fria

Um dos argumentos usados pelos governantes militares na ditadura militar (1964-1985) para se aliar aos Estados Unidos referia-se à posição geográfica do Brasil. Por estar localizado na América do Sul, seria mais fácil, considerando os re cursos técnicos da época, relacionar-se com a superpotência estadunidense. Outro ponto a considerar era a presença de partidos de orientação socialista no Brasil, que queriam se aproximar da União Soviética.
Os Estados Unidos não podiam permitir que o maior país da América do Sul se tornasse aliado do inimigo; assim, como forma de manter a parceria, ofereciam apoio e treinamento militar. O Brasil tinha uma boa relação com os Estados Unidos até meados da década de 1970, momento em que os governos militares quiseram ter acesso à tecnologia nuclear.
Os estadunidenses não venderam tecnologia, apenas máquinas e equipa mentos para a Usina Nuclear Angra I. Como os militares desejavam desenvolver a levou os governos militares a rom perem com os Estados Unidos. Mas o Brasil já tinha dado sinais de tecnologia nuclear, fizeram um acordo com a Alemanha, em 1975, para comprar equipamentos para a Usina Nuclear Angra II, tendo, neste caso, acesso à tecnologia.
Muitos autores apontam esse fato como o principal motivo que que queria liberdade política, de cidindo, por exemplo, retomar as relações diplomáticas com a China, um país socialista, em 1974, e votar, em 1975, pelo fim do bloqueio econômico imposto a Cuba.

Pacto de Varsóvia e Otan

Do lado socialista, em 1955, foi criado o Pacto de Varsóvia, uma aliança militar firmada na capital da Polônia. Para muitos autores, o objetivo maior do Pacto era defender os países socialistas europeus e equilibrar a relação com a Otan. Participaram os seguintes países: Albânia (que saiu em 1968), Bulgária, Tche coslováquia (que na época reunia a República Tcheca e a Eslováquia), Hungria, Polônia, República Democrática da Alemanha, Romênia e União Soviética.
Um episódio marcou a criação do Pacto: o questionamento da hegemonia soviética pela Iugoslávia, governada pelo marechal Tito (1892-1980), também socialista, que não aceitou ingressar na aliança. O argumento de Tito era o de que os interesses soviéticos eram diferen tes dos de seu país.
Os objetivos do Pacto de Varsóvia eram muito semelhantes aos da Otan. A ideia era criar um siste ma de defesa mútuo, que proteges se os membros contra agressões externas. Mas havia uma cláusula que restringia a liberdade dos países e que praticamente os obrigava a permanecer no Pacto. As reuniões de seus membros eram anuais.

O novo papel da Otan e o fim do Pacto de Varsóvia 


Após a crise dos países socialistas do Leste Europeu, no fim da década de 1980, o Pacto de Varsóvia esvaziou-se, e acabou sendo dissolvido em 1991. 
Com o fim da Guerra Fria, a Otan vem passando por uma reestruturação e iniciou um processo de expansão para áreas do antigo bloco soviético na Europa. 
Em 12 de março de 1999, a República Tcheca, a Hungria e a Polônia ingres saram na organização. Em 2004, foi a vez de Bulgária, Romênia, Eslovênia, Eslo váquia, Letônia, Lituânia e Estônia. Posteriormente, ocorreram outras adesões de países do chamado Leste Europeu. 
A Otan constitui atualmente uma organização militar que oferece apoio e cooperação em matéria de segurança para a ONU, defesa contra o terrorismo e combate ao tráfico de drogas. Estrategicamente, a manutenção de uma organização militar envolvendo a Europa e os Estados Unidos reduz a possibilidade de criação de uma organização dessa natureza representando a União Europeia. 
Assim, ampliar a atuação da Otan nos principais conflitos mundiais e pro cessos de ocupação significa ampliar a participação financeira da Europa nesses processos. A Otan, dessa forma, vem se colocando em uma posição de equilíbrio entre Estados Unidos e União Europeia, apesar dos desentendimentos entre am bos, como no caso da ocupação do Iraque, em 2003. 
Em maio de 2002, a Rússia e a Otan selaram um acordo de cooperação, com a criação do Conselho Otan-Rússia. Até 2014, o país participou das deci sões dos países-membros em assuntos de interesse mútuo, como a definição de estratégias político-militares a serem aplicadas no controle da proliferação de armas nucleares e no combate ao terrorismo. 
Nesse ano de 2014, no entanto, a Rússia anexou a Crimeia, república autônoma, pertencente à Ucrânia, e, em razão disso, a Otan suspendeu o acordo de cooperação e, desde então, somente em abril de 2016 ocorreu um encontro que contou com a participação de representantes russos.

sábado, 6 de dezembro de 2025

O Grupo dos 7 e o Grupo dos 20

Em 1975, na França, após reuniões entre representantes das cinco maiores economias do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido), chegou-se a um acordo para a criação de um grupo de países para coordenar as relações econômicas internacionais. 
Com a adesão da Austrália e do Canadá, surgiu o chamado Grupo dos 7, ou G-7, grupo que reunia os sete países mais industrializados e desenvolvidos do mundo. No final da década de 1990, esse grupo passou a englobar também a Rússia, que, apesar de ser um país emergente, foi admitida em função de sua importân cia geopolítica e poderio militar. 
O Grupo dos 8, ou G-8, permaneceu em ativida de até 2014, quando a Rússia foi suspensa por descumprir determinados valores comuns entre os países-membros. Na ocasião, voltou-se a constituir o G-7. 
As reuniões do G-7 abordam principalmente questões econômicas, mas ou tros assuntos de importância internacional também são discutidos: não proliferação nuclear, terrorismo, crise de alimentos e meio ambiente. No final da década de 1990, foi criado o Grupo dos 20 (G-20), que, além dos países desenvolvidos, abrange os principais países emergentes. 
O G-20 surgiu como um reconhecimento de que era necessário ampliar o espaço de participa ção dos emergentes nas decisões que afetam a economia global. 
Os países que integram o G-20 são atualmente responsáveis por 96% do PIB mundial, além de representarem aproximadamente 90% do comércio internacio nal e concentrarem quase dois terços da população do mundo. Confira, na página seguinte, os países que compõem o G-7 e o G-20 listados de acordo com o PIB.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

A Organização Mundial do Comércio (OMC)

A Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma instituição internacional que tem a função de regulamentar as bases jurídicas do comércio entre as nações. 
Sediada em Genebra, na Suíça, foi criada em 1994 e entrou em vigor no início de 1995, substituindo o antigo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT – General Agreement on Tariffs and Trade, na sigla em inglês). 
Com base nos mesmos princípios do GATT, a OMC objetiva a liberalização do comércio internacional por meio da diminuição das práticas protecionistas, como os subsídios, as tarifas alfandegárias, as cotas de importação e outras barreiras que se tornaram entraves às trocas comerciais entre os países. Também estabelece o princípio da não discriminação ou da igualdade de tratamento, o que significa que um país-membro da OMC não pode oferecer condições especiais de comércio somente a um de seus parceiros, marginalizando os demais. Desse modo, qualquer acordo comercial entre dois ou mais países passa auto maticamente a valer para todos os países-membros da organização. 
Assim, vantagens e privilégios concedidos para a comercialização de um produto de determina do país deverão ser estendidos a produtos similares comercializados por todos os outros países-membros.
A exceção a essa regra é o comércio feito no interior dos blocos regionais, como a União Europeia, o Nafta e o Mercosul. Além disso, tratamentos diferenciados são permitidos para os países menos desenvolvidos, como facilidades nos pagamentos. 
Os motivos das disputas comerciais estão ligados, de modo geral, a conflitos de interesses entre países em desenvolvimento e os desenvolvidos. Os primeiros, no caso, pedem a diminuição ou mesmo a eliminação dos subsídios dados pelos pa íses ricos, principalmente os Estados Unidos e os integrantes da União Europeia, aos seus agricultores. 
Ao propiciar subsídios à sua agricultura, como a isenção de impostos ou a concessão de financiamentos com juros abaixo do valor de mercado, os países ricos barateiam os preços de seus produtos domésticos. Sem isso, seus agricultores teriam dificuldades em competir com a agricultura de alguns países em desenvolvimento, como o Brasil, cuja produção, em alguns casos, é maior e realizada com menores custos.

 O Brasil na OMC

 
Na OMC, cada país tem direito a um voto, o que a torna mais democrática se comparada, por exemplo, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no qual o poder de influência de cada país é definido pelo capital que ele investe no fundo. O Brasil é um dos membros fundadores e atua como um dos países emergentes mais influentes na organização. 
O governo brasileiro reivindica ações contra quem desrespeita acordos e normas definidos pela organização e já obteve respostas positivas da Organização Mundial do Comércio, como na contestação das medidas protecionistas à produção de algodão nos Estados Unidos e também às barreiras impostas à entrada de suco de laranja brasileiro em território estadunidense.
A OMC também mediou disputas entre o Brasil e os países europeus, em busca do mercado mundial de produtos de cana-de-açúcar. Com esses acordos, a participação dos produtos agrícolas brasileiros no comércio internacional cresceu nos últimos 20 anos.  

As regiões polares

O planeta Terra possui duas regiões polares, assim chamadas por abrangerem áreas ao redor dos polos geográficos Norte e Sul do planeta.
A região polar ártica é delimitada pelo Círculo Polar Ártico, no extremo norte do planeta. Essa região é caracterizada pela existência de um manto de gelo oce ânico (ou seja, uma calota de gelo sobre o oceano), rodeado pelo Oceano Glacial Ártico e por terras continentais da Europa, Ásia e América do Norte.
Já a região polar antártica é delimitada pelo Círculo Polar Antártico, no extre mo sul do planeta. Essa região é marcada pela presença de um continente cha mado Antártida, coberto e rodeado por um extenso manto de gelo.

Principais características naturais das regiões polares


Em razão da curvatura terrestre e da baixa incidência dos raios solares nas áreas de elevada latitude, as temperaturas nas regiões polares da Terra permanecem baixas durante todo o ano e as precipitações ocorrem na forma de neve. 
Na Antártida, o solo coberto por gelo e a baixa umidade do ar praticamente impedem a existência de cobertura vegetal, a qual é composta de algumas espécies de liquens e musgos. Pinguins, peixes, focas e baleias são algumas das espécies que compõem a fauna antártica. No entanto, as cadeias alimentares na região são sustentadas por um pequeno crustáceo chamado krill. 
No Ártico, embora as formações da vegetação não se desenvolvam sobre a calota polar, as partes de terras continentais são marcadas pela presença da ve getação de tundra, composta de líquens, musgos e alguns arbustos. 
O caribu, a raposa-do-ártico, o lobo-do-ártico e o urso-polar são alguns dos animais da fauna do ártico, que também abrange baleias e outras espécies marinhas.

A população do Ártico 


Enquanto na Antártida inexistem habitações permanentes, o Ártico abriga em algumas cidades diversos povos nativos. No entanto, as condições naturais desa fiam a sobrevivência humana e, por isso, as pessoas precisaram encontrar meios para se adaptar à região. 
Entre os povos que compõem a população no Ártico, os inuits constituem um dos principais, ocupando partes da região entre o Estreito de Bering e a Groenlândia. 
No entanto, a maneira como grande parte dos inuits vive atualmente no Ártico não se assemelha ao modo de vida de seus antepassados, que eram nômades e cuja manutenção da vida era garantida pela caça, sobretudo de mamíferos, no verão. Em meados do século XX, intensificou-se a exploração da região polar ártica em razão da descoberta de suas riquezas minerais e energéticas. 
A ampliação de ativida des econômicas voltadas para o comércio trouxe significativas transformações no espaço geográfico da região ártica, afetando o modo de vida das populações nativas.

A economia do Ártico 


Enquanto a exploração dos valiosos recursos minerais do subsolo antártico não é permitida sob o Tratado da Antártida, a exploração econômica dos recursos do ártico já se encontra em andamento e tem grande potencial, embora esteja rela cionada a diversos impactos ambientais. 
 Nos dias atuais, embora a caça e a pesca comercial de determinadas espécies de mamíferos marinhos estejam proibidas, parte dos povos nativos pode continu ar capturando esses animais apenas para sua subsistência. 
A partir de meados do século XX, contudo, a economia tradicional dos povos nativos passou a conviver cada vez mais com atividades econômicas modernas. 
Isso ocorreu, principalmente, em razão da descoberta de grandes jazidas mine rais e de petróleo na região, que atraiu muitas empresas extrativas, que, por sua vez, acabaram por impulsionar a expansão urbana e a infraestrutura regional, incentivando a vinda de imigrantes para a região.

O fundamentalismo islâmico no Oriente Médio

O fundamentalismo islâmico, ou muçulmano, ganhou força com a ascensão política, econômica e militar do Ocidente e a dominação imperialista de potências europeias, como o Reino Unido e a França, sobre os países muçulmanos do Oriente Médio, logo após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). 
A partir do final da década de 1960, a frustração provocada pelas sucessivas derrotas militares dos países árabes muçulmanos nas diversas guerras contra o Estado judeu de Israel desde a sua fundação, em 1948, ajudou a consolidar o crescimento dessa visão radical dentro do mundo islâmico. 
De modo geral, o fundamentalismo islâmico propõe um retorno ao Islã “puro” e a um modo de vida com características semelhantes às verificadas na época de Maomé e de seus primeiros sucessores (califas), no século VII. 
Os fundamentalistas islâmicos têm uma visão antiocidental: são contrários à globalização e às influências desse lado do mundo. Eles consideram os hábitos ocidentais (liberalismo, individualismo) corruptores, responsáveis pelo declínio mate rial e moral dos países muçulmanos. Por isso, propõem a criação de Estados islâmicos regidos pela sharia, uma legislação civil orientada por princípios religiosos.
Entre os fundamentalistas, a maioria é adepta da vertente sunita do islamismo, mas nem todos pregam a violência contra os “infiéis” e a luta armada para a ins tauração de Estados islâmicos, defendendo um retorno pacífico às práticas tradi cionais do Islã.
Vale ressaltar que a maioria dos muçulmanos repudia qualquer violência por ser contrária à lei islâmica e, apesar de buscarem conservar suas tradições, não são fundamentalistas nem repudiam influências modernas. Muitos defendem, inclusive, o aumento tanto da abertura democrática quanto da concessão de mais liberdades individuais em seus países.

 Os sunitas e os xiitas 


Existe entre os muçulmanos uma antiga divisão entre sunitas e xiitas, que remonta à sucessão do quarto califa, denominado Ali ibn Abu Talib, que era genro e sobrinho do profeta Maomé. No ano 661 d.C., esse califa foi assassinado, e o título passou para Moawiya, um líder muçulmano que não pertencia à linhagem do profeta. 
A maior parte dos muçulmanos, que ficou conhecida como sunita, apoiou o novo governante, enquanto a minoria, conhecida como xiita, defendeu que apenas os membros da família de Maomé poderiam assumir o califado. Dessa disputa, teve origem uma guerra civil que resultou na morte dos descendentes de Ali e na vitória dos partidários de Moawiya. Atualmente, cerca de 90% dos muçulmanos são sunitas, enquanto os xiitas somam cerca de 10%.

A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...