domingo, 7 de dezembro de 2025

O Fundo Monetário Internacional (FMI)

Com o objetivo de regular a movimentação financeira no mundo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi criado, em 1944, na Conferência de Bretton Woods. Em 2018, o FMI contava com 189 países-membros. Sua sede fica em Washington D.C. (Estados Unidos).
Monitorar a economia de seus países-membros é uma das funções do FMI, que recebe informações e gera anualmente um relatório em que avalia os pontos fortes e fracos da economia de uma nação e os compara com os dos demais in tegrantes. Mas sua maior missão é manter a estabilidade financeira internacional, garantindo que os pagamentos entre bancos e demais empresas financeiras dos países possam ocorrer sem dificuldade.
Quando um dos sócios do fundo necessita de recursos, ele recebe uma visita de técnicos do FMI, que levantam informações sobre a economia do país. Nem sempre eles são bem recebidos. Nesse processo, investiga-se o valor que o país deve, quando deve pagar as dívidas e avaliam-se suas reservas monetárias internacionais para, então, decidir a quantia a emprestar e de que forma isso será feito.
Os recursos para o empréstimo vêm da contribuição de uma parcela do PIB de cada país-membro, que forma uma espécie de poupança que pode ser sacada por um país em difi culdades para honrar seus compromissos financeiros.

Ditadura militar no Brasil e os Estados Unidos na Guerra Fria

Um dos argumentos usados pelos governantes militares na ditadura militar (1964-1985) para se aliar aos Estados Unidos referia-se à posição geográfica do Brasil. Por estar localizado na América do Sul, seria mais fácil, considerando os re cursos técnicos da época, relacionar-se com a superpotência estadunidense. Outro ponto a considerar era a presença de partidos de orientação socialista no Brasil, que queriam se aproximar da União Soviética.
Os Estados Unidos não podiam permitir que o maior país da América do Sul se tornasse aliado do inimigo; assim, como forma de manter a parceria, ofereciam apoio e treinamento militar. O Brasil tinha uma boa relação com os Estados Unidos até meados da década de 1970, momento em que os governos militares quiseram ter acesso à tecnologia nuclear.
Os estadunidenses não venderam tecnologia, apenas máquinas e equipa mentos para a Usina Nuclear Angra I. Como os militares desejavam desenvolver a levou os governos militares a rom perem com os Estados Unidos. Mas o Brasil já tinha dado sinais de tecnologia nuclear, fizeram um acordo com a Alemanha, em 1975, para comprar equipamentos para a Usina Nuclear Angra II, tendo, neste caso, acesso à tecnologia.
Muitos autores apontam esse fato como o principal motivo que que queria liberdade política, de cidindo, por exemplo, retomar as relações diplomáticas com a China, um país socialista, em 1974, e votar, em 1975, pelo fim do bloqueio econômico imposto a Cuba.

Pacto de Varsóvia e Otan

Do lado socialista, em 1955, foi criado o Pacto de Varsóvia, uma aliança militar firmada na capital da Polônia. Para muitos autores, o objetivo maior do Pacto era defender os países socialistas europeus e equilibrar a relação com a Otan. Participaram os seguintes países: Albânia (que saiu em 1968), Bulgária, Tche coslováquia (que na época reunia a República Tcheca e a Eslováquia), Hungria, Polônia, República Democrática da Alemanha, Romênia e União Soviética.
Um episódio marcou a criação do Pacto: o questionamento da hegemonia soviética pela Iugoslávia, governada pelo marechal Tito (1892-1980), também socialista, que não aceitou ingressar na aliança. O argumento de Tito era o de que os interesses soviéticos eram diferen tes dos de seu país.
Os objetivos do Pacto de Varsóvia eram muito semelhantes aos da Otan. A ideia era criar um siste ma de defesa mútuo, que proteges se os membros contra agressões externas. Mas havia uma cláusula que restringia a liberdade dos países e que praticamente os obrigava a permanecer no Pacto. As reuniões de seus membros eram anuais.

O novo papel da Otan e o fim do Pacto de Varsóvia 


Após a crise dos países socialistas do Leste Europeu, no fim da década de 1980, o Pacto de Varsóvia esvaziou-se, e acabou sendo dissolvido em 1991. 
Com o fim da Guerra Fria, a Otan vem passando por uma reestruturação e iniciou um processo de expansão para áreas do antigo bloco soviético na Europa. 
Em 12 de março de 1999, a República Tcheca, a Hungria e a Polônia ingres saram na organização. Em 2004, foi a vez de Bulgária, Romênia, Eslovênia, Eslo váquia, Letônia, Lituânia e Estônia. Posteriormente, ocorreram outras adesões de países do chamado Leste Europeu. 
A Otan constitui atualmente uma organização militar que oferece apoio e cooperação em matéria de segurança para a ONU, defesa contra o terrorismo e combate ao tráfico de drogas. Estrategicamente, a manutenção de uma organização militar envolvendo a Europa e os Estados Unidos reduz a possibilidade de criação de uma organização dessa natureza representando a União Europeia. 
Assim, ampliar a atuação da Otan nos principais conflitos mundiais e pro cessos de ocupação significa ampliar a participação financeira da Europa nesses processos. A Otan, dessa forma, vem se colocando em uma posição de equilíbrio entre Estados Unidos e União Europeia, apesar dos desentendimentos entre am bos, como no caso da ocupação do Iraque, em 2003. 
Em maio de 2002, a Rússia e a Otan selaram um acordo de cooperação, com a criação do Conselho Otan-Rússia. Até 2014, o país participou das deci sões dos países-membros em assuntos de interesse mútuo, como a definição de estratégias político-militares a serem aplicadas no controle da proliferação de armas nucleares e no combate ao terrorismo. 
Nesse ano de 2014, no entanto, a Rússia anexou a Crimeia, república autônoma, pertencente à Ucrânia, e, em razão disso, a Otan suspendeu o acordo de cooperação e, desde então, somente em abril de 2016 ocorreu um encontro que contou com a participação de representantes russos.

sábado, 6 de dezembro de 2025

O Grupo dos 7 e o Grupo dos 20

Em 1975, na França, após reuniões entre representantes das cinco maiores economias do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido), chegou-se a um acordo para a criação de um grupo de países para coordenar as relações econômicas internacionais. 
Com a adesão da Austrália e do Canadá, surgiu o chamado Grupo dos 7, ou G-7, grupo que reunia os sete países mais industrializados e desenvolvidos do mundo. No final da década de 1990, esse grupo passou a englobar também a Rússia, que, apesar de ser um país emergente, foi admitida em função de sua importân cia geopolítica e poderio militar. 
O Grupo dos 8, ou G-8, permaneceu em ativida de até 2014, quando a Rússia foi suspensa por descumprir determinados valores comuns entre os países-membros. Na ocasião, voltou-se a constituir o G-7. 
As reuniões do G-7 abordam principalmente questões econômicas, mas ou tros assuntos de importância internacional também são discutidos: não proliferação nuclear, terrorismo, crise de alimentos e meio ambiente. No final da década de 1990, foi criado o Grupo dos 20 (G-20), que, além dos países desenvolvidos, abrange os principais países emergentes. 
O G-20 surgiu como um reconhecimento de que era necessário ampliar o espaço de participa ção dos emergentes nas decisões que afetam a economia global. 
Os países que integram o G-20 são atualmente responsáveis por 96% do PIB mundial, além de representarem aproximadamente 90% do comércio internacio nal e concentrarem quase dois terços da população do mundo. Confira, na página seguinte, os países que compõem o G-7 e o G-20 listados de acordo com o PIB.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

A Organização Mundial do Comércio (OMC)

A Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma instituição internacional que tem a função de regulamentar as bases jurídicas do comércio entre as nações. 
Sediada em Genebra, na Suíça, foi criada em 1994 e entrou em vigor no início de 1995, substituindo o antigo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT – General Agreement on Tariffs and Trade, na sigla em inglês). 
Com base nos mesmos princípios do GATT, a OMC objetiva a liberalização do comércio internacional por meio da diminuição das práticas protecionistas, como os subsídios, as tarifas alfandegárias, as cotas de importação e outras barreiras que se tornaram entraves às trocas comerciais entre os países. Também estabelece o princípio da não discriminação ou da igualdade de tratamento, o que significa que um país-membro da OMC não pode oferecer condições especiais de comércio somente a um de seus parceiros, marginalizando os demais. Desse modo, qualquer acordo comercial entre dois ou mais países passa auto maticamente a valer para todos os países-membros da organização. 
Assim, vantagens e privilégios concedidos para a comercialização de um produto de determina do país deverão ser estendidos a produtos similares comercializados por todos os outros países-membros.
A exceção a essa regra é o comércio feito no interior dos blocos regionais, como a União Europeia, o Nafta e o Mercosul. Além disso, tratamentos diferenciados são permitidos para os países menos desenvolvidos, como facilidades nos pagamentos. 
Os motivos das disputas comerciais estão ligados, de modo geral, a conflitos de interesses entre países em desenvolvimento e os desenvolvidos. Os primeiros, no caso, pedem a diminuição ou mesmo a eliminação dos subsídios dados pelos pa íses ricos, principalmente os Estados Unidos e os integrantes da União Europeia, aos seus agricultores. 
Ao propiciar subsídios à sua agricultura, como a isenção de impostos ou a concessão de financiamentos com juros abaixo do valor de mercado, os países ricos barateiam os preços de seus produtos domésticos. Sem isso, seus agricultores teriam dificuldades em competir com a agricultura de alguns países em desenvolvimento, como o Brasil, cuja produção, em alguns casos, é maior e realizada com menores custos.

 O Brasil na OMC

 
Na OMC, cada país tem direito a um voto, o que a torna mais democrática se comparada, por exemplo, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no qual o poder de influência de cada país é definido pelo capital que ele investe no fundo. O Brasil é um dos membros fundadores e atua como um dos países emergentes mais influentes na organização. 
O governo brasileiro reivindica ações contra quem desrespeita acordos e normas definidos pela organização e já obteve respostas positivas da Organização Mundial do Comércio, como na contestação das medidas protecionistas à produção de algodão nos Estados Unidos e também às barreiras impostas à entrada de suco de laranja brasileiro em território estadunidense.
A OMC também mediou disputas entre o Brasil e os países europeus, em busca do mercado mundial de produtos de cana-de-açúcar. Com esses acordos, a participação dos produtos agrícolas brasileiros no comércio internacional cresceu nos últimos 20 anos.  

As regiões polares

Quando se ouve falar em regiões polares, as pessoas logo imaginam lugares com temperaturas baixíssimas. De fato, essas são as porções mais frias do planeta e abrigam grande variedade de espécies animais e vegetais. São regiões ainda pouco conhecidas, mas já se sabe que são ricas em recursos minerais e energéticos fósseis.
O planeta Terra possui duas regiões polares, assim chamadas por abrangerem áreas ao redor dos polos geográficos Norte e Sul do planeta.
A região polar ártica é delimitada pelo Círculo Polar Ártico, no extremo norte do planeta. Essa região é caracterizada pela existência de um manto de gelo oce ânico (ou seja, uma calota de gelo sobre o oceano), rodeado pelo Oceano Glacial Ártico e por terras continentais da Europa, Ásia e América do Norte.
Já a região polar antártica é delimitada pelo Círculo Polar Antártico, no extremo sul do planeta. Essa região é marcada pela presença de um continente chamado Antártida, coberto e rodeado por um extenso manto de gelo.
As regiões polares correspondem às áreas localizadas no interior e próximas ao Círculo Polar Ártico, ao norte do planeta, e do Círculo Polar Antártico, ao sul. Nelas encontram-se, respectivamente, o Polo Norte e o Polo Sul terrestres. Por causa da forma arredondada da Terra, os raios solares incidem com pouca intensidade nessas regiões, que têm as temperaturas médias mais baixas do globo, nunca superiores a –10 °C no inverno.
Além disso, a falta de umidade atmosférica nas regiões polares deixa o ar bastante seco, reduzindo as precipitações, que, quando ocorrem, são em forma de neve.
Nas regiões polares, as baixas temperaturas congelam grande parte da superfície das águas oce ânicas. As águas congeladas formam banquisas, cuja área de abrangência aumenta no inverno e diminui no verão. 
Outra característica natural importante des sas regiões é a formação de inlândsis, camadas espessas de gelo constituídas pela compactação de neve sobre a terra que podem chegar a 4 mil metros de espessura. No litoral, as inlândsis des lizam sobre o oceano, partindo-se em grandes blocos de gelo que flutuam no mar: os icebergs.
As grandes camadas de gelo e as características climáticas polares, no entanto, não impedem o desenvolvimento da fauna e da flora. Especial mente no verão, quando ocorre degelo em algu mas áreas, bandos de aves migratórias e mamí feros dirigem-se às regiões polares para procriar. É também nessa época que se desenvolvem os musgos e liquens que recobrem os solos e as rochas. 
Os oceanos nas regiões polares abrigam gran de diversidade de formas de vida, como algas, corais, camarões, diferentes espécies de baleias e peixes. Boa parte desses seres vivos ainda está sendo estudada por pesquisadores.

Principais características naturais das regiões polares


Em razão da curvatura terrestre e da baixa incidência dos raios solares nas áreas de elevada latitude, as temperaturas nas regiões polares da Terra permanecem baixas durante todo o ano e as precipitações ocorrem na forma de neve. 
Na Antártida, o solo coberto por gelo e a baixa umidade do ar praticamente impedem a existência de cobertura vegetal, a qual é composta de algumas espécies de liquens e musgos. Pinguins, peixes, focas e baleias são algumas das espécies que compõem a fauna antártica. No entanto, as cadeias alimentares na região são sustentadas por um pequeno crustáceo chamado krill. 
No Ártico, embora as formações da vegetação não se desenvolvam sobre a calota polar, as partes de terras continentais são marcadas pela presença da vegetação de tundra, composta de líquens, musgos e alguns arbustos. 
O caribu, a raposa-do-ártico, o lobo-do-ártico e o urso-polar são alguns dos animais da fauna do ártico, que também abrange baleias e outras espécies marinhas.

A população do Ártico 


Enquanto na Antártida inexistem habitações permanentes, o Ártico abriga em algumas cidades diversos povos nativos. No entanto, as condições naturais desafiam a sobrevivência humana e, por isso, as pessoas precisaram encontrar meios para se adaptar à região. 
As terras geladas do Ártico são habitadas há cerca de 4 mil anos por diferentes grupos humanos: os inuítes, na zona costeira e nas ilhas do extremo norte da América; os lapões, no norte da Europa; e alguns povos no norte da Rússia (évènes, sakhas, chuckchis, entre outros). Esses povos nativos, tradicio nalmente nômades, viviam isolados em pequenos grupos e dependiam basicamente da caça e da pesca.
Entre os povos que compõem a população no Ártico, os inuits constituem um dos principais, ocupando partes da região entre o Estreito de Bering e a Groenlândia. 
No entanto, a maneira como grande parte dos inuits vive atualmente no Ártico não se assemelha ao modo de vida de seus antepassados, que eram nômades e cuja manutenção da vida era garantida pela caça, sobretudo de mamíferos, no verão.
Por volta da década de 1950, iniciou-se o povoamento mais intenso da região ártica, sobretudo após a descoberta de grandes jazidas minerais e de petróleo. A exploração desses recursos atraiu imigrantes do sul, proporcionando o surgimento de povoados e cidades, além de atividades industriais, de comércio e de serviços. Tudo isso modificou o espaço ártico e a vida dos habitantes nativos, rompendo o isolamento da região. 
Atualmente, as principais atividades econômicas no Ártico estão relacionadas à pesca e à extração de recursos minerais e energéticos fósseis. Esses recursos são transportados por oleodutos, gasodutos e navios, e destinados principalmente aos Estados Unidos, ao Canadá, à Rússia e a alguns países europeus.
A ampliação de atividades econômicas voltadas para o comércio trouxe significativas transformações no espaço geográfico da região ártica, afetando o modo de vida das populações nativas.

Povos do Ártico: mudança nos costumes e tradições 


As transformações ocorridas no espaço geográfico do Ártico modificaram o modo de vida dos povos nativos. As atividades econômicas levaram esses po vos, que antes viviam como nômades, a habitar cidades ou povoados e a traba lhar em atividades industriais, comerciais, de serviços ou, ainda, na mineração, pecuária ou na pesca (atualmente praticada com modernas embarcações). 
Entre os povos nativos do Ártico destacam-se os inuítes e os lapões. O povo inuíte vive em áreas do norte da América e na Groenlândia, constituindo um grupo de pouco mais de 135 mil pessoas. Tradicionalmente nômades, os inuítes viviam em pequenos grupos, e caçavam e pescavam apenas o necessário para sobreviver. Contudo, após passarem a residir em cidades e povoados, a maioria deles se tornou sedentária e usuária de novas tecnologias.
Já os lapões formam uma comunidade de cerca de 80 mil pessoas, divididas em diferentes grupos que habitam os territórios do norte da Finlândia, Suécia, Noruega e Rússia. Antigamente, os lapões viviam em barracas de couro e sua subsistência de pendia, em grande parte, da caça, da pesca e do pastoreio nômade. Atualmente, assim como os inuítes, muitos habitam povoados e se dedicam principal mente à criação extensiva de renas. 
Tanto os lapões quanto os inuítes lutam por direitos sobre os territórios que habitam. O governo canadense, por exemplo, após sofrer muitas pressões, cedeu uma área de 2 milhões de km2 a um grupo de inuítes daquele país, a fim de que usufruam os recursos do local. Para defender seus interesses, é necessário que os líderes inuítes busquem novas e fortes representações políticas no governo dos países em que vivem.

A economia do Ártico 


Enquanto a exploração dos valiosos recursos minerais do subsolo antártico não é permitida sob o Tratado da Antártida, a exploração econômica dos recursos do ártico já se encontra em andamento e tem grande potencial, embora esteja relacionada a diversos impactos ambientais. 
Nos dias atuais, embora a caça e a pesca comercial de determinadas espécies de mamíferos marinhos estejam proibidas, parte dos povos nativos pode continuar capturando esses animais apenas para sua subsistência. 
A partir de meados do século XX, contudo, a economia tradicional dos povos nativos passou a conviver cada vez mais com atividades econômicas modernas. 
Isso ocorreu, principalmente, em razão da descoberta de grandes jazidas minerais e de petróleo na região, que atraiu muitas empresas extrativas, que, por sua vez, acabaram por impulsionar a expansão urbana e a infraestrutura regional, incentivando a vinda de imigrantes para a região.

Esquimó


O nome esquimó, designação indígena para “comedores de carne crua”, deriva do costume dos nativos de comer carne de mamíferos marinhos sem cozinhá-la. No entanto, especialmente nos últimos vinte anos, grande parte dos costumes do povo esquimó, que prefere ser chamado de inuíte, passou por muitas modificações.
A caça de focas e baleias foi substituída pela importação de carnes bovina, suína e de aves, que passaram a ser cozidas. Os iglus (habitações feitas de gelo) foram trocados por casas de madeira com calefação, água encanada e luz elétrica. Os novos costumes trouxeram comodidades; no entanto, vieram acompanhados de problemas como de semprego e criminalidade.

Antártica 


A região polar sul tem extensa área de terras formada pela Antártica, continente com cerca de 13 milhões de km2. No inverno, essa área aumenta devido ao congelamento da superfície oceânica à sua volta, chegando a 19 milhões de km2. 
Embora o congelamento máximo ocorra no inverno polar, a maior parte do solo antártico permanece coberta por espessas camadas de gelo (as inlândsis) durante o ano todo. Estima-se que as geleiras que cobrem o continente concentrem cerca de 70% das reservas de água doce do planeta.
As temperaturas médias na região polar sul são mais baixas que as da re gião polar norte e também as menores da Terra. No verão, são inferiores a 0 °C; no inverno podem chegar a – 80 °C em alguns lugares.

Imenso laboratório de pesquisas 


A Antártica não é povoada como o Ártico; nela vivem somente pesquisadores de diferentes nacio nalidades. Nas bases científicas são feitas pesquisas que beneficiam diversas áreas do conhecimento, como Biologia, Geologia e Climatologia. 
A ocupação desse território é regulamentada desde 1961, quando foi ratificado o Tratado Antártico. Com ele decidiu-se que o continente não per tenceria a nenhum país, sendo liberadas apenas pesquisas com fins pacíficos e proibidos testes nucleares, depósitos de lixo radioativo e exercícios militares na região.
Além dessas resoluções, foram proibidas atividades econômicas extrativas, com exceção da pesca, permitida no oceano. Estima-se que na Antártica existam importantes reservas de petróleo, além de ouro, prata, urânio, manganês, cobre, entre outros minérios. Todas as medidas de proibição visam proteger o ambiente polar, que abriga aproximadamente 50 espécies de aves, leões-marinhos, baleias, focas, entre outros ani mais de sua riquíssima fauna.

Regiões polares: meios frágeis


Embora muitos acreditem que, em razão de seu isolamento, as regiões po lares não seriam afetadas pelas alterações ambientais provocadas pelos seres humanos habitantes de distantes centros urbanos e áreas mais povoadas do planeta, algumas constatações têm alertado a humanidade para essa questão. 
A caça e a pesca predatórias ameaçam um número cada vez maior de espécies animais polares, que em pouco tempo podem correr o risco de extinção. Algumas espécies de focas do Ártico, por exemplo, são muito procuradas pelo alto valor de sua pele, enquanto as baleias têm sido caçadas por sua carne, muito apreciada em países como o Japão.
Outros sérios problemas que afetam as regiões polares são o efeito estufa intensificado e o buraco na camada de ozônio. O efeito estufa é um fenômeno natural que mantém as temperaturas da troposfera em médias ideais para a existência de vida na Terra. Contudo, a intensificação desse fenômeno decorrente do lançamento excessivo de certos gases na atmosfera pelas atividades humanas – como dióxido de carbono e metano, que absorvem parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre –, que causa retenção de calor e aumenta a temperatura do planeta, é chamada de aquecimento global. 
Muitos cientistas alertam que esse aumento da temperatura pode atingir a fauna das regiões polares. Na Antártica, por exemplo, o pequeno krill, crustáceo que é a base da cadeia alimentar do ambiente, tem dificuldades de se adaptar a águas menos geladas, o que pode diminuir sua população. O aquecimento da água, portanto, interferiria na dieta de pinguins e de outros animais, levando-os à mudança de hábitos alimentares e prejudicando, consequentemente, muitas outras espécies.




O fundamentalismo islâmico no Oriente Médio

O fundamentalismo islâmico, ou muçulmano, ganhou força com a ascensão política, econômica e militar do Ocidente e a dominação imperialista de potências europeias, como o Reino Unido e a França, sobre os países muçulmanos do Oriente Médio, logo após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). 
A partir do final da década de 1960, a frustração provocada pelas sucessivas derrotas militares dos países árabes muçulmanos nas diversas guerras contra o Estado judeu de Israel desde a sua fundação, em 1948, ajudou a consolidar o crescimento dessa visão radical dentro do mundo islâmico. 
De modo geral, o fundamentalismo islâmico propõe um retorno ao Islã “puro” e a um modo de vida com características semelhantes às verificadas na época de Maomé e de seus primeiros sucessores (califas), no século VII. 
Os fundamentalistas islâmicos têm uma visão antiocidental: são contrários à globalização e às influências desse lado do mundo. Eles consideram os hábitos ocidentais (liberalismo, individualismo) corruptores, responsáveis pelo declínio mate rial e moral dos países muçulmanos. Por isso, propõem a criação de Estados islâmicos regidos pela sharia, uma legislação civil orientada por princípios religiosos.
Entre os fundamentalistas, a maioria é adepta da vertente sunita do islamismo, mas nem todos pregam a violência contra os “infiéis” e a luta armada para a ins tauração de Estados islâmicos, defendendo um retorno pacífico às práticas tradi cionais do Islã.
Vale ressaltar que a maioria dos muçulmanos repudia qualquer violência por ser contrária à lei islâmica e, apesar de buscarem conservar suas tradições, não são fundamentalistas nem repudiam influências modernas. Muitos defendem, inclusive, o aumento tanto da abertura democrática quanto da concessão de mais liberdades individuais em seus países.

 Os sunitas e os xiitas 


Existe entre os muçulmanos uma antiga divisão entre sunitas e xiitas, que remonta à sucessão do quarto califa, denominado Ali ibn Abu Talib, que era genro e sobrinho do profeta Maomé. No ano 661 d.C., esse califa foi assassinado, e o título passou para Moawiya, um líder muçulmano que não pertencia à linhagem do profeta. 
A maior parte dos muçulmanos, que ficou conhecida como sunita, apoiou o novo governante, enquanto a minoria, conhecida como xiita, defendeu que apenas os membros da família de Maomé poderiam assumir o califado. Dessa disputa, teve origem uma guerra civil que resultou na morte dos descendentes de Ali e na vitória dos partidários de Moawiya. Atualmente, cerca de 90% dos muçulmanos são sunitas, enquanto os xiitas somam cerca de 10%.

Ecologia

O termo “Ecologia” foi empregado pela primeira vez em 1869 pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), que combinou a palavra grega oik...