domingo, 21 de dezembro de 2025

Brasil: macrorregiões geoeconômicas

O território brasileiro também pode ser regionalizado segundo outros critérios. De acordo com a regionalização geoeconômica, o Brasil está dividido em três grandes complexos regionais: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Apresentada em 1967 pelo geógrafo brasileiro Pedro Pinchas Geiger.
Ele organizou o Brasil em três grandes blocos deno minados macrorregiões geoeconômi cas ou complexos ec onômicos regio nais. Para isso, ele considerou o grau de desenvolvimento das atividades econômicas e os aspectos naturais. Portanto, os critérios para sua delimitação são diferentes daqueles utiliza dos pelo IBGE.

Amazônia


Os limites da macrorregião Amazônia correspondem à área coberta originalmente pela Floresta Amazôni ca, o que inclui o centro-norte do estado de Mato Grosso, o oeste do Maranhão e grande parte do Tocantins. Além da floresta, em seu interior encontramos diversas outras formações vegetais, como Mangues, Cerrados e Campos. 
É a região de menor densidade demográfica do Brasil. Nas últimas déc adas, vem apresentando elevado crescimento urbano, investimentos em transportes, co municações e energia e é grande a diversificação de suas atividades econômi cas. Muitas áreas vêm sendo ocupadas de forma desordenada. 
Além disso, é importante destacar que o crescimento de atividades como cultivo agrícola, extração de madeira e mineração tem gerado grandes focos de desmatamento na região. 

Nordeste 


A região Nordeste, nessa divisão, abrange as áreas de clima semiárido, por isso também inclui o norte de Minas Gerais. Na faixa litorânea, estende-se pelas áreas mais exploradas no período colonial com emprego de mão de obra escrava e atualmente abriga diversos polos industriais. Onde o solo e o clima são favoráveis à agricultura, pratica-se agricultura desde o período colonial. 
Atualmente encontramos grandes áreas de agricultura irrigada no Sertão, associadas a complexos agroindustriais com produção voltada ao mercado interno e à exportação. Apesar das grandes mudanças nas últimas décadas, são dessa região os piores indicadores sociais do país (mortalidade infantil, analfabetismo, concentração de renda, etc.).

Centro-Sul 


Na região Centro-Sul concentra-se a maior parte da população brasileira e o maior volume e diversificação de atividades econômicas do país. 
Encontra-se a maior concentração de indústrias, uma rede de cidades mais densa e interli gada, agropecuária dinâmica e setor de serviços mais variado. 
Essa região, assim como as demais, possui grande desigualdade social e enormes bolsões de pobreza, principalmente na periferia das grandes cidades.

Os limites das macrorregiões não são fixos 


À medida que novas áreas do território se desenvolvem e ocorre uma descentralização industrial, os limites das macrorregiões geoeconômicas podem se alterar. Desde a década de 1980, as maiores metrópoles do Nordeste – Salvador, Recife e Fortaleza – vêm apresentando elevados índices de crescimento econômico, principalmente nos setores da indústria e do turismo, e várias cidades do interior estão se industrializando, além da modernização da agricultura em regiões como o Vale do São Francisco, como já foi mencionado, e o oeste baiano. 
Os investimentos em transportes e comunicações dos últimos anos também impulsionaram a modernização de outras áreas que antes estavam economicamente marginalizadas – como o sul de Goiás e parte de Mato Grosso do Sul, com a construção da hidrovia Tietê-Paraná; Rondônia e o norte de Mato Grosso, com a hidrovia do rio Madeira; o oeste baiano, Tocantins e parte do Maranhão, com a hidrovia Araguaia-Tocantins e a Estrada de Ferro Carajás. 
Outro exemplo é a expansão das atuais características da região Centro-Sul em direção aos estados de Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí, por causa da modernização agrícola.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

REGIÃO CENTRO-OESTE

Região Centro-Oeste, formada por três estados – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás – e o Distrito Federal, onde fica Brasília, a capital do Brasil. Essa é a segunda maior região em extensão territorial, com 1,6 milhão de km2, equivalente a 19% do território nacional. 
Entre as cinco regiões brasileiras, a Região Centro-Oeste é a única que não é banhada pelo Oceano Atlântico, pois está totalmente localizada no interior do território. É também a única a fazer limite com todas as demais regiões. Além disso, faz fronteira com dois países da América do Sul: Bolívia e Paraguai.

Centro-Oeste: povoamento, urbanização e agronegócio


O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Destacam-se, em nível nacional, justamente os três estados da Região Centro-Oeste: Mato Grosso, principal produtor brasileiro, Goiás e Mato Grosso do Sul, seguidos do Paraná e do Rio Grande do Sul, na Região Sul. A produção dessa commodity agrícola é um fator importante para o desenvolvimento econômico do país, ain da que cause diversos impactos ambientais.

Povoamento e produção do espaço 


Durante muito tempo, a região central do território brasileiro foi habitada por diversos povos indígenas, nativos dessas terras. A ocupação de áreas da atual Região Centro-Oeste pelos portugueses ocorreu somente cerca de 200 anos depois do começo da colonização. Por volta do início do século XVIII, ocorreu novo povoamento nas áreas auríferas da região, o que causou mudanças na organização espacial dos territórios indígenas.
Ao longo do processo de ocupação e de povoamento do Centro-Oeste, as populações indígenas foram expulsas de suas terras em razão dos novos pro cessos de produção do espaço. Ao mesmo tempo, a cobertura vegetal original foi drasticamente reduzida. 
No início do século XVIII, ocorreram as primeiras jornadas de ocupação por tuguesa em áreas que atualmente compõem a Região Centro-Oeste. Os ban deirantes paulistas desempenharam papel fundamental nesse processo, sendo considerados os principais atores na ocupação do interior da colônia.
Com a descoberta de ouro, houve grande deslocamento de portugueses e luso-brasileiros para o interior. Muitos eram motivados pela busca de riquezas, o que elevou a mineração a uma posição de destaque na economia colonial, com indígenas e, principalmente, afri canos escravizados sendo levados às regiões das minas para trabalhar no garimpo. 
A atividade de mineração absorvia o trabalho de muitas pessoas; assim, formaram-se os mais antigos núcleos de povoa mento que existem ainda hoje, como as cidades de Cuiabá (MT), Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) e Goiás (GO), antiga Vila Boa de Goiás. 
O governo português tinha interesse em ocupar a região por causa das riquezas minerais e para evitar o avanço de espanhóis, que colonizavam as terras a oeste, seguindo o que estava estipulado no Tratado de Tordesilhas.
A demanda por alimento nas áreas de mineração impulsionou a pecuária, que se desenvolveu parale lamente à atividade mineradora. Com o esgotamento das minas e a decadência da exploração aurífera, a Região Centro-Oeste deixou de ser área de atração econômica e populacional. 
As atividades de pecuária e agricultura passaram a ser mais importantes; no entanto, economicamente tinham expressão apenas local, e a população praticamente parou de crescer.

Marcha para o Oeste 


Já no século XVIII, estabeleceram-se os primeiros povoados e as vilas na Região Centro-Oeste, principalmente em razão da atividade mineradora, impulsionada pelos bandeirantes paulistas, como foi o caso da cidade de Goiás Velho (GO). 
Até as primeiras décadas do século XX, o Centro-Oeste apresentava grandes vazios demográficos, em comparação a outras regiões brasileiras. Era con siderado uma região desintegrada e desarticulada das demais e, por muitos, de economia estagnada.
Em 1914, a construção da ferrovia Noroeste, que liga o estado de São Paulo ao oeste de Mato Grosso e se estende até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, aproximou a Região Centro-Oeste da Região Sudeste. Essa aproximação não se limitava apenas às trocas comerciais, mas acabou estimulando a migração de paulistas para o Mato Grosso.
Mas foi somente a partir do século XX que se desenvolveu um grande processo de ocupação da região, promovido pelo go verno federal, nos anos 1940: a Marcha para o Oeste, um pro grama governamental para ocupação das regiões Centro ‑Oeste e Norte do país, por meio da criação de colônias de povoamento e do desenvolvimento da produção agrícola e pecuária. Esse programa oferecia terras na região com valores baixos e crédito bancário facilitado, para estimular a migração voluntária de trabalhadores e o desenvolvimento da agricultura familiar. 
Na década de 1940, o governo brasileiro intensificou o incentivo à migração para o Centro-Oeste, ampliando os povoados e as cidades que já existiam e incentivando a criação de gado. Essa política visava garantir a integração do território nacional e sua ocupação. Em decorrência dessa iniciativa, mais populações indígenas foram perdendo suas terras de forma violenta.
Assim, várias colônias se formaram nos estados de Mato Grosso e Goiás, ora por incentivos federais, ora estaduais e mu nicipais, e até mesmo por incentivos particulares. Intensos fluxos migratórios ocorreram na região, sobretudo de nordestinos. 
Dos anos 1950 até o início dos anos 1980, ocorreram muitas mudanças na região, refletindo a economia e a sociedade brasileiras, que passaram a se caracterizar pela industrialização e urbanização. Em áreas limítrofes com o estado de São Paulo, desenvolveu-se a atividade da pecuária melhorada, com a instalação de frigoríficos.
Nesse período, em razão da construção de Brasília, que passou a ser a capital federal em 1960, ocorreu uma grande onda migratória para a região, em espe cial de pessoas vindas do Norte e do Nordeste brasileiros. 
Um dos principais objetivos da construção da capital era ocupar áreas do interior do país. Muitos trabalhadores foram atraídos para a região, o que integrou o Centro-Oeste ao resto do território brasileiro e contribuiu para aumentar seu povoamento. 
A construção de rodovias ligando Brasília às demais regiões propiciou maior integração econômica e comercial, facilitando as migrações.

Colonização e cidades planejadas 


A partir da década de 1960, o processo de ocupação do Centro-Oeste ganhou novos contornos, em uma articulação da urbanização com a colonização agrícola. Assim, os projetos de colonização oficiais e particulares passaram a criar “cidades pla nejadas” no interior do Mato Grosso e em áreas da chamada Amazônia Legal. A formação de novas colônias agrícolas obje tivava diminuir os conflitos agrários que ocorriam em diferentes partes do país.
 Destacou-se também nesse período a participação dos sulistas no processo de ocupação da região, uma vez que muitos migrantes eram do Paraná e do Rio Grande do Sul. A ocupação reorganizou a região econômica e politicamente – um exemplo foi a criação do estado do Mato Grosso do Sul, em 1977 – e atraiu novas ondas migratórias nas décadas seguintes.

Produção agropecuária na atualidade


O processo de ocupação do Centro-Oeste consolidou a região, a partir da década de 1980, como importante área de produção de monoculturas para ex portação. Entre essas monoculturas, destacam‑se as plantações de cana‑de-açúcar, soja, milho, arroz, algodão, entre outras. 
Mais recentemente, o uso de sementes transgênicas contribuiu para ampliar as áreas de mono cultura, com o objetivo de elevar a produção de commodities e a geração de divisas para o Brasil, apesar das diversas críticas a essa prática. Já vimos que os três estados da Região Centro-Oeste se destacam na pro dução de soja; conforme dados do Censo Agropecuário (2017), Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul colheram, juntos, mais de 48 milhões de toneladas desse grão no período analisado, sendo Mato Grosso o maior produtor. 
Nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul destacam-se, também, a produ ção das culturas de milho, cana-de-açúcar e sorgo, enquanto no Mato Grosso a produção de algodão está em segundo lugar. Segundo o IBGE (2018), esse estado era o principal produtor brasileiro de algodão respondendo por, aproxi madamente, 66% de toda a produção nacional.
Grande parte da colheita de cana-de-açúcar é destinada à produção de etanol. Em Mato Grosso, somente em 2018, foram plantados mais de 220 mil hectares, cuja colheita foi destinada para a produção de, aproximadamente, 215 mi lhões de litros desse combustível. 
A produção agropecuária é praticada de forma extensiva e intensiva na região. Nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso destacam-se a criação de bovinos e a de gali náceos, seguidas pela criação de suínos. Em Goiás, além de galináceos e bovinos, a criação de perus também se desenvolve bem. Segundo o IBGE (2017), em termos nacionais, a Região Centro‑Oeste lidera a criação de bovinos com 34,5% da cria ção nacional (cerca de 75 milhões de cabeças); a maior parte do rebanho está concentrada em Mato Grosso. A criação de equinos também se destaca na região, com, aproximadamen te, um milhão de cabeças, distribuídas pelos três estados.

Os produtos agrícolas transgênicos


Os chamados organismos transgênicos ou organismos geneticamente modificados (OGM) são seres vivos que rece beram genes das células de outros organismos para modificar algumas de suas características naturais. 
Nas últimas décadas, os genes de várias plantas de grande valor econômico, como soja e milho, foram alterados pela introdu ção de material genético de outras espécies vegetais, ou mesmo de animais, fungos ou bactérias. A ideia é tornar essas plantas mais resistentes à falta de água ou às pragas que as atacam durante o crescimento, por exemplo. 
A criação e o uso de produtos agrícolas transgênicos têm desencadeado muitas discussões na sociedade, porque vários especialistas afirmam que ainda não foram feitos estudos suficientes e conclusivos mostrando que a introdução desses organismos na natureza e para o uso humano seja segura. 

Crescimento das cidades


Os primeiros núcleos urbanos da Região Centro-Oeste surgiram a partir do século XVIII, com o desenvolvimento das atividades de mineração de metais preciosos. Posteriormente, já em meados do século XX, com o desenvolvimento de programas governamentais e de empresas particulares, a formação de cidades intensificou-se na região. 
Naquele período, dois fatores foram fundamentais para acelerar a urbani zação: a construção de Brasília e, principalmente, o processo de modernização das atividades agropecuárias, com aplicação intensiva de tecnologias, como máquinas e equipamentos que dimi nuem o uso da mão de obra no campo. Associado a esses fatores, o crescimento das atividades industriais ligadas ao beneficiamento de produtos agrícolas, dos serviços e do comércio potencializou a urbanização do Centro-Oeste. 
Se na década de 1940 essa era a região menos urbanizada do país (21,52%), o cenário se modificou nas décadas se guintes. De acordo com o IBGE, em 2020, a taxa de urbanização chegou a aproxi madamente 90% e o Centro‑Oeste pas sou a ser a segunda região mais urbanizada do Brasil.
Nos últimos anos, o crescimento populacional médio da Região Centro-Oeste é o maior do Brasil, notadamente marcado pela presença de migrantes. Segundo o IBGE, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad) de 2018, a participação média dos migrantes na população total do Centro‑Oeste ultrapassava 34%, com destaque para Mato Grosso, que apresentava um índice de 38%.

Importantes centros regionais e nacionais 


Além de Brasília (DF), as capitais esta duais Cuiabá (MT), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS) tornaram-se importantes centros regionais e nacionais. Há tam bém, em todos os estados, municípios que atuam como polos agroindustriais, comerciais ou centros prestadores de serviços. No Mato Grosso destacam-se, por exemplo, Rondonópolis, como polo agroindustrial, e as cidades de Sinop e Sorriso, como centros prestadores de serviços e comércio.
Em Mato Grosso do Sul, destacam-se municípios como Dourados, com a se gunda maior população do estado, com economia bastante diversificada e bom desenvolvimento nas áreas de educação e turismo; e Corumbá, que faz divisa com Bolívia e Paraguai e tem o quarto maior PIB do estado. 
Em Goiás, destacam-se os municípios de Catalão, Anápolis, Itumbiara, Rio Verde e Jataí, entre outros. Em Catalão, a agropecuária tem grande peso eco nômico, com destaque para a produção de soja, milho, arroz, trigo e café, além de atividades de extração mineral, como as minas de argila, fosfato, nióbio, ti tânio etc. Jataí se destaca por ser o maior produtor de grãos e leite do estado de Goiás e por dispor de um importante distrito agroindustrial, que comporta diferentes empresas.

Brasília e a integração nacional 


A necessidade de integração do território nacional preocupava a sociedade e os governantes do Brasil há muito tempo e já havia sido abordada na Consti tuição de 1891. Uma das medidas pensadas para promover essa integração era a mudança da capital federal do litoral para o interior. Porém, somente na década de 1950 esse projeto passou a ser concretizado, com a construção de Brasília durante o governo de Juscelino Kubitschek. As obras se iniciaram em 1957, com o estabelecimento da área do Distrito Fede ral (DF). A nova capital foi inaugurada em 1960. 
As obras de construção da capital federal estimularam um grande fluxo migratório, inicialmente marcado por trabalhadores da construção civil, que se deslocavam de diversos lugares do país, especialmente do Nordeste, para tra balhar nas obras do Plano Piloto (onde se localizam os prédios administrativos, as residências oficiais, as embaixadas, as asas Norte e Sul, entre outras edifica ções do governo federal). 
Os migrantes que se deslocaram para o Planalto Central eram chamados de candangos. Estima-se que durante os quatro anos de construção da capital federal, aproximadamente 60 mil pessoas fizeram esse movimento migratório. Posteriormente, a migração se intensificou, uma vez que, nos anos seguin tes à inauguração, diversas atividades começaram a ser desenvolvidas em Brasília e no seu entorno, impulsionadas, entre outros fatores, pela chegada de funcionários públicos e outras pessoas para trabalhar no comércio e nos servi ços urbanos. 
Isso acelerou o projeto de criação das cidades-satélite, as quais, conforme o projeto inicial, deveriam ser construídas para abrigar a maior parte dos trabalhadores. Nas últimas décadas, algumas cidades-satélite tornaram-se tão populosas quanto Brasília, como Taguatinga e Ceilândia. Além disso, a aglomeração urbana transformou o Distrito Federal em uma importante metrópole, com influên cia em praticamente todo o território nacional.
reúnem uma população de cerca de 3,3 milhões de habitantes, com grande parcela de migrantes. Segundo o IBGE (2017), a população de Brasília apresenta boa expectativa de vida ao nascer, baixa taxa de mortalidade infantil, elevado IDH e baixas taxas de analfabetismo, em comparação com outras capitais e cidades brasileiras. 
Entretanto, há diversos problemas derivados da urbanização acelerada, como aumento da favelização e dos índices de violência urbana, sistema de transporte ineficiente e insuficiente para atender à demanda da sociedade e carência de infraestrutura de serviços de saúde, saneamento etc., especialmente nas cidades-satélite, onde vive a maior parte dos trabalhadores.

A malha rodoviária consolida a integração 


A construção de Brasília e o processo de ocupação territorial do Distrito Federal causa ram grande reconfiguração na Região Centro‑Oeste, que, a partir dos anos 1960, passou a ganhar maior projeção no cenário nacional. A execução do projeto de transferência da ca pital pode ser considerada a continuidade de uma política territorial iniciada, como vimos, com a Marcha para o Oeste, nos anos 1940. 
Essa política articulou ações de povoamento com intenso deslocamento populacional e a construção de vias de transporte e comuni cação que visavam integrar áreas chamadas de “vazios demográficos” – as regiões Norte e Centro‑Oeste – com as regiões litorâneas, mais densamente ocupadas e com maior desenvolvimento econômico, com destaque para o Centro-Sul e parte do Nordeste. Após a construção de Brasília, a partir dos anos 1970, já nos governos militares, finalizou-se a construção de rodovias federais para estimu lar o povoamento do Centro-Oeste e do Norte, com destaque para as que ligam Belém (PA) a Brasília (DF); Cuiabá (MT) a Santarém (PA) e Porto Velho (RO); e Brasília (DF) a Fortaleza (CE).

Centro-Oeste: biomas ameaçados


Nos últimos anos, por causa de belezas naturais, as atividades de turismo aumentaram enormemente na Região Centro-Oeste. Nesse contexto, destaca-se o município de Bonito, no estado do Mato Grosso do Sul, que conta com vários rios, cachoeiras, cavernas e fauna e flora exuberantes, que atraem muitos visitantes para a região. A partir de então, conheceremos as características de destaque do quadro natural da Região Centro-Oeste no que se refere a seus principais biomas: Cerrado, Floresta Amazônica e Pantanal.

Cerrado


O Cerrado é o segundo maior bioma em extensão do Brasil. Ele predo mina em todo o Centro-Oeste e caracteriza-se por vegetações de gramíneas e de arbustos, os quais, em geral, não ultrapassam a altura de 20 metros. Os espécimes dessa vegetação arbustiva são mais afastados entre si e seus galhos são retorcidos, com casca grossa. As raízes das plantas são profundas, pois, nos períodos de seca, torna-se necessário captar água em maiores profundidades para hidratação. Além dessas características gerais, as formações vegetais de cerrado podem ser diferenciadas.
O solo desse bioma é considerado antigo, profundo, e contém muito alumínio, manganês e ferro. Por essa razão, é um solo ácido e com baixo índice de nutrientes, sendo necessário usar corretivos agrícolas nele, como calcário e fertilizantes, para a prática da agricultura. A biodiversidade no Cerrado é enorme. Estima-se que existam mais de 2 500 espécies de animais, entre eles mamíferos, como antas, preás, quatis e macacos, além de aves, répteis e insetos, como borboletas. 
As áreas da Região Centro-Oeste pelas quais se es tende esse bioma são banhadas por cursos de água pertencentes a quatro grandes bacias hidrográficas: as dos rios Paraná, Paraguai, Araguaia-Tocantins e São Francisco. Além disso, boa parte do Aquífero Guarani se encontra nos três estados da região. Devido a essa grande riqueza hídrica, o Cerrado recebe o apelido de “Caixa-d’água do Brasil”.
Introduzida no Brasil pelos imigrantes japoneses no início do século XX, a produção de soja tornou-se relevante somente a partir da década de 1970, com o processo de modernização agrícola do país. Grande parte da Região Centro-Oeste, principalmente as áreas de Cerrado, tornou-se preferencial para a expansão do plantio desse grão. Isso porque, ainda que os solos necessitem de correção – como foi dito, eles são “pobres em nutrientes” –, as áreas de Cerrado encontram-se preferencialmente sobre rele vos de planalto, chapadas e depressões, com terrenos muito planos e que permitem a ampla mecanização das lavouras, ou seja, o uso de máquinas e equipa mentos agrícolas, como tratores, colheitadeiras e sis temas automatizados de irrigação.
O cultivo da soja em áreas do Cerrado é tão marcante que representa, aproxi madamente, 90% de tudo o que é plantado no Centro-Oeste. Entre 2000 e 2014, por exemplo, a expansão dessa cultura foi de 87%, ou seja, a soja tomou o lugar da vegetação original do Cerrado, de outros produtos agrícolas e, também, de pastagens. Isso contribuiu para que o Brasil se transformasse em um dos principais exportadores de soja do mundo. Na safra de 2018/2019 foram exportadas, aproximadamente, 75 milhões de toneladas. Atualmente, o Brasil desponta como um dos maiores produtores de soja do mundo, disputando, ano a ano, a primeira colocação com os Estados Unidos e estando à frente de países como a Argentina, a China, a Índia e o Paraguai. 

Soja e danos socioambientais 


O avanço da soja sobre o bioma Cerrado tem resultado em diversos impac tos socioambientais. Isso porque, para tornar a área agricultável, são utilizadas técnicas altamente agressivas ao meio ambiente. A sequência de imagens a se guir mostra como geralmente ocorre o processo de ocupação de áreas nativas de Cerrado pelos agricultores e pecuaristas.
Várias ONGs que trabalham para proteger o Cerrado brasileiro apontam que, entre os impactos do desmatamento acentuado e da introdução de culturas agrícolas na região, está a diminuição da biodiversidade, pois as atividades põem em risco muitas espécies de animais, como onças, tamanduás-bandeira, emas, entre outras. 
Além disso, o aumento das queimadas resulta em maior emissão de gases de efeito estufa, e a correção do solo, acom panhada do uso intenso de agrotóxicos nas lavouras, con tamina a terra e as águas superficiais e subterrâneas. Por fim, é importante destacar que diversas comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, ribeirinhos etc.) são afetadas e, muitas vezes, obrigadas a se deslocar, já que suas áreas são ocupadas pela soja e outras monoculturas, como a cana-de-açúcar e o algodão.

Floresta Amazônica

 
Parte da Região Centro-Oeste é recoberta pelo bioma amazônico, especialmente o norte e o noroeste do estado do Mato Grosso. São, aproximadamente, 500 mil km2 de densa floresta, com árvores de mais de 50 metros de altura e grande diversidade ecológica. Nessa porção do território, encontram-se o Parque Nacional do Xingu e o Parque Estadual do Cristalino. 
A área ocupada por projetos de colonização e com atividades agrope cuárias e madeireiras nessa parte do Centro-Oeste ficou conhecida pelo nome de franja amazônica. Esse processo de ocupação tornou-se mais intenso nas décadas de 1960 e 1970, assim como ocorreu em outros espaços geográficos do Centro-Oeste e do Norte do Brasil. Os governos federal, estaduais e muni cipais foram os principais articuladores dessa expansão, em associação com empresas de colonização privadas.

Impactos socioambientais da franja amazônica 


Até o início do século XX houve uma ocupação “espontânea” dessa franja da floresta, realizada por pequenos agricultores que se deslocavam especial mente do Nordeste do Brasil. Como vimos, posteriormente, empresas privadas promoveram projetos de colonização estimulando a ocupação e o desenvolvi mento agropecuário em vários municípios. Assim, as ocupações do norte do Mato Grosso foram marcadas pelas seguintes características:
- elevado desmatamento e queimadas para a implantação de culturas, como as de café, com intenso uso de agrotóxicos; 
- plantio de lavouras introduzidas pelos primeiros colonos, como de arroz, feijão e milho, substituídas, em vários municípios, pela pastagem para criação de gado bovino (corte e leite); 
- desenvolvimento de exploração mineral e de madeira (extração de ma deira em toras, em grande escala e, muitas vezes, de forma irregular, em áreas indígenas); 
- expansão da fronteira da soja, com grandes desmatamentos e poluição do solo e das águas. 
Atualmente, ainda se observam nessa franja do bioma atividades de extra tivismo vegetal, pequenas lavouras familiares, práticas de pecuária extensiva e intensiva, além do avanço da agricultura comercial, com vários impactos ambientais, como os já citados. 
Observam-se, também, o avanço de algu mas doenças tropicais, como a malária, resultantes do desmatamento e da ocupação desordenada da região; grande destruição da floresta; e contamina ção de ecossistemas aquáticos causada pelo uso dos agrotóxicos e de mercúrio nos garimpos. Além dos danos ambientais, todos esses problemas atingem diretamente as populações indígenas que vivem na região.

Pantanal 


O Pantanal é um bioma que se estende, em território brasileiro, pelos es tados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Nos países vizinhos, ele tam bém ocupa parte da Bolívia e do Paraguai, totalizando uma área com cerca de 250 mil km2, sendo considerado, pela Organização das Nações Unidas (ONU), Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera. 
Nele encontramos vá rias áreas indígenas homologadas (com a demarcação administrativa ratificada por decreto presidencial) e algumas delimitadas e declaradas (já identificadas e com os limites estabelecidos e demarcados pelo Ministério da Justiça) ou em estudo (áreas em fase de levantamento para identificação e delimitação). Predomina no bioma Pantanal o clima tropical, com elevados índices pluvio métricos, especialmente no verão.
Nesse bioma, há grande ocorrência de gra míneas, arbustos e árvores de porte médio. Também há elevada biodiversidade, com muitas espécies de fauna e flora da Mata Atlântica, da Floresta Amazônica e do Cerrado. Calcula-se que existam mais de mil espécies catalogadas nessa área, entre peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. 
Há ainda uma riqueza de plantas muito grande, e várias delas têm excelente poder medicinal. O relevo da região é extremamente plano – ela é conhecida como planície do Pantanal – e sua altitude varia de 100 a 200 metros. A quase totalidade dos rios que banham esse bioma são afluentes do Rio Paraguai que, devido à planura do relevo, são bastante afetados pelo fenômeno das cheias (meses de verão) e das vazantes (meses de inverno) que ocorre durante o ano.

Pecuária e o meio ambiente pantaneiro


Em decorrência da presença de imensos campos com pastagens e da gran de disponibilidade de água, a pecuária avançou muito na região pantaneira nas últimas décadas. Além desses recursos naturais, diversos pecuaristas, pro curando aumentar a produtividade, têm retirado a vegetação nativa e plantado pastagens para alimentação dos rebanhos. Esse processo é feito com aplicação de diversos insumos, para a correção e fertilização dos solos, que contaminam tanto os solos quanto as águas do Pantanal. Ao mesmo tempo, a expansão das áreas de pastagens aumentou o assoreamento dos rios do bioma. 
Essa prática da pecuária tem contribuído também para diminuir a exploração econômica de outra potencialidade regional: o turismo. A região do Pantanal apresenta inúmeras belezas naturais, porém a expansão da atividade pecuária reduziu as áreas naturais da região, transformando-as em grandes pastagens. 



quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

REGIÃO SUL

Sul: ocupação, economia e urbanização


Curitiba, capital do estado do Paraná, é uma importante metrópole da Região Sul. Ao lado de Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), as outras duas capitais estaduais da região, a capital paranaense tem grande relevância econômica e cultural nos âmbitos regional e nacional. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Região Sul respondeu em 2019 por 17% de todo o PIB brasileiro, perdendo apenas para o Sudeste.

Ocupação e fluxos migratórios


Originalmente, as terras que hoje formam a Região Sul eram ocupadas por povos indígenas, como os charruas, os kaingangs e os guaranis, sendo estes últimos considerados os primeiros agricultores dessa porção do continente. Parte dessas terras foi, séculos atrás, controla da pela Espanha. Com a assinatura do Tratado de Madri, em 1750, os limites fronteiriços en tre as áreas pertencentes à Coroa espanhola e à Coroa portuguesa foram, então, redefini dos. Assim, o Sul passou a ser governado pelos portugueses, que, objetivando ocupar e domi nar todo o território, estimularam a imigração para essas áreas.
Assim, em meados do século XVIII, houve a primeira política migratória no país, já que Portugal incentivou sobretudo a vinda de famí lias paulistas e de casais açorianos (portugue ses do Arquipélago dos Açores) para ocupar a zona litorânea da região. Para tanto, a Coroa cedia terras, dinheiro, moradia, ferramentas e animais para ser usados no trabalho da lavoura.
Ainda no século XVIII, a mineração em Minas Gerais ajudou no cresci mento das terras que hoje formam a Região Sul, já que algumas de suas áreas se especializaram na pecuária para abastecer as áreas mineiras pro dutoras de ouro e diamantes, que careciam de gêneros alimentícios para a subsistência da população. Assim, nas estâncias (fazendas) do Rio Grande do Sul, criava-se gado para a produção de charque, que era vendido para a população mineira, a qual crescia a cada ano. Esse produto era transpor tado por tropas de mulas que levavam a carga ao lombo. Como a distância era grande, estabeleceram-se pousos para os tropeiros ao longo do tra jeto. Muitos desses locais se transformaram, posteriormente, em cidades importantes dessa região brasileira, como Erechim (RS), Lages (SC) e Ponta Grossa (PR).

Imigração e centros urbanos sulistas


Até a segunda metade do século XIX, a ocupação da Região Sul estava basi camente limitada às áreas litorânea e de planalto próximas à costa. Essa rea lidade mudou com a chegada de grandes levas de imigrantes europeus. Eram famílias de várias nacionalidades, sobretudo alemãs, italianas, polonesas, ucra nianas e espanholas, que se instalaram principalmente em colônias, ou seja, lo calidades compostas de pequenas e médias propriedades rurais, cuja produção agrícola era baseada, sobretudo, na policultura e na criação de aves e de gado leiteiro. Algumas dessas colônias de imigrantes deram origem a importantes centros urbanos da atualidade, como as cidades de Novo Hamburgo e Caxias do Sul (RS) e Blumenau e Joinville (SC).
Mais tarde, já no início do século XX, com a expansão das plantações de café, houve uma nova “onda migratória” do interior de São Paulo em direção ao norte do Paraná. Além dos imigrantes paulistas, essa área re cebeu mineiros, nordestinos, descendentes de europeus e muitos japo neses. Com esse processo de ocupação e a riqueza econô mica gerada pela produção de café, foram fundados importan tes centros urbanos, como as cidades de Londrina e Maringá (PR). Isso tornou a ocupação da região mais homogênea, ainda que existissem áreas pouco po voadas, como o oeste de Santa Catarina e o oeste e sudoeste do Paraná. 

Deslocamentos internos e emigração


A partir de 1950, a modernização conservadora da agricultura, ou seja, o processo baseado na expansão do latifúndio, da monocultura e da mecanização do campo, provocou um grande deslocamento populacional dentro da própria Região Sul. Muitas famílias, sobretudo gaúchas, migraram em busca de ter ras mais baratas no oeste de Santa Catarina e no sudoeste e oeste do Paraná, fazendo com que a atividade madeireira e a agricultura se destacassem nessas áreas, o que provocou o desenvolvimento de núcleos urbanos, como Chapecó (SC) e Cascavel (PR).
Contudo, a abertura dessas novas áreas de ocupação não foi suficiente para a fixação da população, o que provocou ondas de emigração, ou seja, a saída de sulistas para ou tras regiões brasileiras. Assim, entre as décadas de 1960 e 1990, grande quantidade de catarinenses, gaúchos e para naenses deslocaram-se em busca de novas terras, princi palmente no interior de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia, chegando a fixarem-se também em países vizinhos, como o Paraguai e a Bolívia. Destacam-se nesse mo vimento emigratório os deslocamentos provenientes do norte do Paraná e do Rio Grande do Sul, talvez o mais expressivo de todos. Segundo o IBGE, no ano de 2010, aproximadamente 2 mi lhões de gaúchos e paranaenses viviam fora de seu estado de origem. 

Agropecuária sulista 


O processo de ocupação da Região Sul esteve ligado ao desenvolvimento de atividades agropecuárias, baseadas sobretudo na mão de obra familiar, com exceção da pecuária extensiva em grandes pro priedades rurais no Rio Grande do Sul. Contudo, durante a segunda metade do século XX, essa realidade começou a mudar com a expansão da chamada agropecuária comercial. Vamos entender como se desenvolvem na atualidade essas duas modalidades agrícolas na Região Sul.

Agricultura familiar


A produção rural desenvolvida em pequenas e médias propriedades (chácaras e sítios) e com base na mão de obra familiar, em que trabalham quase ex clusivamente apenas famílias de camponeses, é um aspecto marcante da paisa gem da Região Sul do Brasil. De acordo com dados do IBGE (2018), cerca de 600 mil famílias se encontram envolvidas com a modalidade da agricultura familiar nos três estados sulistas. Nessas propriedades rurais, prioriza-se a produção de gêneros alimentícios, como arroz, feijão, milho, mandioca, ovos e leite, e de produtos artesanais, como queijos, farinhas, doces e embutidos.
A partir da década de 1970, verificou-se um processo de modernização de boa parte das pro priedades familiares nessa região, com a introdu ção do chamado sistema integrado de produção. Esse sistema consiste na parceria entre os peque nos e médios proprietários rurais e as chamadas agroindústrias, como frigoríficos, laticínios, vi nícolas e outros tipos de indústrias alimentícias. Estas cedem insumos agrícolas, como sementes, filhotes de aves e assistência técnica (agrônomos e veterinários) aos agricultores familiares, os quais se comprometem em comercializar sua produção exclusivamente com essas empresas.

Agricultura comercial moderna 


O espaço rural da Região Sul passou por profundas transformações a partir da década de 1970. Ao lado da modernização de parte das pe quenas e médias propriedades rurais, houve também um intenso processo de concentração de terras (aumento do número de grandes propriedades rurais), de mecanização das lavouras e do cultivo de produtos voltados à exportação, as chamadas commodities. 
Dessa forma, a área de produção do trigo, do milho, do café e principalmen te da soja foi ampliada na região, resultando, nas décadas seguintes, na expulsão de muitos trabalhadores rurais, obrigados a se deslocar para os centros urbanos próximos – e outras regiões distantes, como vimos na página 157. Atualmente, a agricultura comercial moderna é praticada em grandes propriedades e com alta tecnologia (uso de sementes selecionadas, tratores, colheitadeiras etc.). Destacam-se a produção de soja, cana-de-açúcar, algodão e trigo no estado do Paraná; arroz, soja e trigo no Rio Grande do Sul; e arroz e soja em Santa Catarina. 
Segundo o IBGE, em 2020 o Paraná colheu sozinho, por meio dessa modalidade, aproximadamente 20 milhões de toneladas de soja em grãos e 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. No caso do trigo, destacaram-se o Rio Grande do Sul e o Paraná, que são os principais produtores desse grão no país. Além da produção de grãos, destaca-se a monocultura de eucalipto e pínus (silvicultura), que tem avançado em todo o território brasileiro. Na Região Sul, cuja área planta da é de 35% do total nacional, o estado com maior área plantada – a segunda do Brasil – é o Paraná, 1 milhão e meio de hectares, do qual cerca de 53% são de pínus.

Impactos socioambientais no espaço rural 


É possível afirmar que o processo de modernização das atividades agrícolas aumentou a produtividade das lavouras e das criações, gerando riquezas mo netárias para a Região Sul e para o Brasil. Por outro lado, é importante enten dermos que a agricultura e a pecuária comercial moderna também têm causa do graves impactos ecológicos e sociais, que derivam de suas práticas. 
Entre esses impactos estão: a contaminação do solo e da água decorrente do uso excessivo de fertilizantes e agrotóxicos, o aumento do desmatamento das vegetações nativas e, consequentemente, a diminuição da biodiversidade e o aumento da erosão e da perda de fertilidade natural dos solos.
Do ponto de vista social, verificam-se alguns impactos negativos, como a concentração de terras e a expulsão de milhares de famílias camponesas. Na maioria das vezes, estas acabam tendo de atuar como trabalhadores rurais volantes ou migrar para as áreas urbanas da região ou para outras partes do país em busca de melhores condições de vida. Além disso, nas últimas décadas cresceu grandemente a dependência do produtor rural em relação às grandes empresas do setor, que exercem controle sobre a distribuição de sementes e de outros itens da produção agropecuária.

Impactos causados por hidrelétricas


Além da concentração de terras, outro fato que tem expulsado centenas de famílias sulistas de suas propriedades rurais é a construção de barragens de usinas hidrelétricas, pois elas inundam centenas de quilômetros quadrados de terras a fim de formar seus lagos artificiais. Calcula-se que, nas últimas décadas, milhares de famílias tiveram de deixar suas terras em razão da construção de hidrelétricas no Sul do Brasil, e boa parte delas, até hoje, não recebeu a devida indenização pela perda das propriedades. 
O relevo da Região Sul é composto de extensas áreas de planaltos, com terrenos acidentados e muitas serras (veja o mapa ao lado). Essa caracte rística proporciona elevado potencial para a explração de energia hidrelétrica, sobretudo, por meio da construção de barragens em rios de planalto, que cortam os vales bem encaixados à região. É o que ocorre nos vales tanto dos rios Paraná e Iguaçu, no Paraná, como nos rios Uruguai e Pelo tas, na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Calcula-se que o Sul gere aproximada mente 25% de toda a energia elétrica consumida no Brasil. Por outro lado, os lagos formados pelas barragens dessas hidrelétricas cobriram milhares de hectares de terras produtivas.

Urbanização e indústria 


A origem de várias cidades da Região Sul está relacio nada aos fluxos migratórios e ao desenvolvimento de atividades econômicas ligadas à agropecuária. Até os anos 1970, o processo de urbanização sulista foi bastante vagaroso, com exceção das capitais Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). De maneira geral, enquanto o Sudeste apresentava, naquela década, uma urba nização mais acelerada, já com taxas acima de 70%, no Sul elas encontravam-se em torno de 40%. 
Na década de 1990, a taxa de urbanização dessa região chegou a 74% e, em 2010, atingiu 85%. Esse salto no processo de urbanização sulista é decorrente do intenso êxodo rural ocorrido no período, quando milhares de famílias que viviam no campo se dirigiram às cidades, devido, como vimos, à modernização das lavouras, à concentração de terras ou à desapropriação para construção de barragens de usinas hidrelétricas. 
Além desses aspectos, deve-se ressaltar que, nesse mesmo período, a re gião passou por um acelerado desenvolvimento industrial e uma ampliação de seu sistema de transportes (rodovias, portos e aeroportos) e de comunicações, o que atraiu ainda mais pessoas para os centros urbanos. Atualmente, o parque industrial sulista é o segundo maior do Brasil – perde apenas para o Sudeste –, apresentando grande abrangência de setores.

Densa rede de cidades 


Porto Alegre e Curitiba são as principais metrópoles do Sul e exercem grande influência sobre outros centros urbanos. Ao analisarmos a rede urbana da re gião, verificamos que Curitiba, por exemplo, influencia cidades como Londrina, Ponta Grossa e Cascavel, no Paraná. Porém, essa ação ultrapassa os limites do estado, atingindo Florianópolis, Blumenau e Chapecó, em Santa Catarina. Por sua vez, Porto Alegre influencia todas as cidades do Rio Grande do Sul. Além das duas metrópoles regionais, outras cidades se destacam na rede urbana sulista. 

Clima subtropical e biomas sulinos


O clima tropical típico atua somente na parte norte do estado do Paraná. No restante do Sul, que é a maior parte, atua o clima subtropical, caracterizado por boa distribuição de chuvas durante o ano e por médias térmicas anuais inferiores às das demais regiões brasileiras. Sobretudo no inverno, as tem peraturas são bem baixas em comparação com outros lugares do Brasil. Isso ocorre em razão da influência da massa polar atlântica (mPa), uma massa fria que ocasiona geadas e até neve nas áreas de pla nalto com maiores altitudes. Essa massa de ar é responsável tam bém pela geração de minuano, um vento frio que adentra a Região Sul no outono e no inverno, atuando predominantemente no Rio Grande do Sul. Durante o verão, as tempe raturas aumentam, já que há a pre dominância de atuação da massa tropical atlântica (mTa) e da massa tropical continental (mTc).

Biomas sulinos 


As características climáticas e suas inter-relações com outros aspectos natu rais, como o relevo e a hidrografia, criam as condições necessárias à existência dos seguintes biomas na Região Sul: a Mata de Araucárias, a Mata Atlântica, a Vegetação Litorânea e os Pampas ou Campos Sulinos. Observe a distribuição espacial desses biomas pela região no mapa ao lado. Em seguida, vamos conhe cer as características de cada um deles.

Mata de Araucárias 


A Mata de Araucárias, também denominada Mata de Pinhais, ocorre em conjunto com áreas do bioma da Mata Atlântica. Essa formação vegetal desenvolve-se, princi palmente, nas regiões de planaltos de maiores altitudes (como na fotografia da página 166), onde as temperaturas são mais baixas, desde o sul do estado de São Paulo, até o norte do Rio Grande do Sul. Entre as espécies predominan tes destaca-se a Araucaria angustifolia, um pinheiro (conífera) com folhas pontiagudas. São árvores de grande porte, que podem chegar a mais de 30 metros de altura. Entre tanto, na mata, verifica-se a presença de outras espécies, como o cedro, a canela, jacarandá e a guabiroba. A Mata de Araucárias foi intensamente degradada des de a ocupação inicial da Região Sul, tanto pelo desmatamento para a implantação de projetos agropecuários – como o plantio de erva-mate e a criação de gado – quanto pela exploração da madeira para a produção de móveis, por exemplo.

Mata Atlântica e Vegetação Litorânea 


Na Região Sul, bem como em outros locais do territó rio brasileiro, a Mata Atlântica predomina nas áreas de clima mais quente e com maior frequência de chuvas. Esse bioma tem aspecto muito exuberante nas regiões mais próximas ao litoral, como na Serra do Mar, no Paraná e em Santa Catarina, assim como em partes do interior dos três estados sulinos. 
A Mata Atlântica encontra-se bastante degradada na Região Sul, devido à explora ção das áreas ocupadas na época colonial,  e à implantação das monoculturas – como a do café, no norte do Paraná – na primeira me tade do século XX. 
Além das atividades agrícolas, os proces sos de urbanização e industrialização con tribuíram para acelerar essa degradação do bioma, reduzindo drasticamente sua área.

Pampas


O bioma de Pampas, também chamado de Campos Sulinos, ocupa quase a metade do território do estado do Rio Grande do Sul, além de partes do ter ritório dos países vizinhos Uruguai e Argentina. É um bioma caracterizado pela presença de gramíneas e vegetação arbus tiva bem esparsa. O solo é considerado fértil, porém bastante arenoso, muito propenso à erosão.
Desde o Período Colonial, há cerca de 300 anos, os Campos Sulinos são utilizadoscomo pastagens naturais para a criação de gado bovino e ovino. Além da atividade pecuária, mais recentemente, nas últimas décadas, os Pampas também têm sido ocupados pelas lavouras de grãos, em especial de soja. Esse processo de exploração trouxe a essa região sul-rio-grandense gra ves impactos ambientais, como o fenômeno de arenização dos solos.



REGIÃO SUDESTE

A Região Sudeste é a mais populosa do Brasil, com cerca de 90 milhões de habitantes em 2021, distribuídos em quatro estados: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Juntas, essas unidades da Federação ocupam uma área de aproximadamente 925 mil km². Isso torna o Sudeste a região mais povoada do país, com uma densidade demográfica média de 86 habitantes por km².  

Sudeste: centro econômico nacional


A Região Sudes te tem a maior participação no PIB brasileiro, gerando a maior parte da riqueza nacional. Isso se deve ao fato de ela concentrar os maiores polos industriais, comerciais e de serviços do país, bem como desenvolver atividades agrope- cuárias modernas e altamente produtivas.
Além disso, o Sudeste conta com uma complexa rede urbana, encabeçada por importantes metrópoles, com destaque para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro (centros financeiros e culturais do país), além de centros urbanos de porte médio, regionais e locais. Essa rede urbana é interligada por uma densa malha viária e de telecomunicações, pela qual se desloca um intenso fluxo de pessoas, mercadorias, informações e capitais. Neste capítulo vamos conhecer um dos principais aspectos econômicos do Sudeste: o alto nível de industrialização. Identificaremos os fatores de concentração da atividade industrial nessa região, conheceremos a infraes trutura criada para atendê-la e sua distribuição espacial.

Concentração industrial no Sudeste


Entre as atividades econômicas que geram grande parte do PIB do Sudeste está a atividade industrial. Atualmente, a região abriga o maior parque fabril brasileiro, com uma produção bastante diversificada, de matérias-primas pro cessadas (aço, papel, álcool etc.) e máquinas (equipamen tos industriais, tratores, caminhões etc.), além de bens de consumo (eletrodomésticos, automóveis, alimentos etc.) e equipamentos de alta tecnologia (computadores, aviões, sa télites artificiais etc.). 
O processo de industrialização do Sudeste tomou força entre as décadas de 1930 e 1950, sobretudo devido aos incentivos financeiros do governo federal e dos governos estaduais. Inicialmente, foram criadas in dústrias de base, como mineradoras, siderúrgicas e petroquímicas. Assim, desenvolveram-se importantes siderúrgicas nessa região, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no estado do Rio de Janeiro; a Acesita e a Belgo-Mineira, em Minas Gerais; e a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), em São Paulo. 
Também foram fundadas a Petrobras, com sede no Rio de Janeiro, com a função de procurar, extrair e refinar petróleo e gás natural, e a Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale), em Minas Gerais, até hoje uma das maiores empresas de extração de minério de ferro do mundo.

A área do Quadrilátero Ferrífero 


O desenvolvimento da indústria de base no Sudeste, sobretudo dos parques siderúrgico e metalúrgico, apoiou-se na presença de jazidas minerais, como as de ferro, manganês e bauxita, matérias-primas essen ciais para a fabricação de ligas metálicas. Destacam-se importantes jazidas localizadas na parte central do estado de Minas Gerais, área denominada de Quadrilátero Ferrífero. Durante o último século, milhares de toneladas de minérios têm sido extraídas das jazidas dessa área, tanto para servir de matéria-prima às indústrias nacionais como para a exportação para outros países do mundo.

Parque industrial diversificado


A partir das décadas de 1950 e 1960, houve a diversificação do parque industrial do Sudeste, com a instalação de indústrias de bens intermediários e de consumo, como fábricas de tratores, caminhões e automóveis, eletrodo mésticos e alimentos.

Mão de obra e mercado consumidor 


Além dos investimentos dos governos federal e estaduais, uma numerosa mão de obra e um amplo mercado consumidor para os produtos manufaturados foram fatores essenciais ao pro cesso de concentração industrial no Sudeste. Vimos no Capítulo 5 que, no final do século XIX e nas pri meiras décadas do século XX, o Sudeste foi, entre as regiões brasileiras, a que recebeu um maior contingente de imigrantes estrangeiros. Desembarcaram nessa região, principalmente, italianos, espanhóis, portugueses, sírios e libaneses, além de muitos japoneses. 
Boa parte desses imigrantes já tinha algu ma experiência como operários em fábricas de seus países de origem, o que facilitou o preenchimento das vagas nas indús trias do Sudeste do Brasil. A presença de um grande mercado consumidor para os produtos fabricados também foi importante para a instalação das indústrias, sobretudo nos grandes centros urbanos, como as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Isso ocorreu por que, já na primeira metade do século XX, o Sudeste se tornou a região mais populosa do país, o que possibilitou o desenvolvimento de ampla rede de co mercialização de produtos, tanto no atacado como no varejo.

Infraestrutura de transportes e de geração de energia 


Outros dois aspectos fundamentais para o desenvolvimento industrial da Região Sudeste foram os altos investimentos dos governos na construção de infraestrutura de transportes e de energia elétrica. Enquanto a infraestrutura dos transportes faci litou a circulação de matérias-primas e dos produtos manufaturados, a de geração de energia elétrica foi essencial para movimentar as máquinas industriais e para que a população pudesse utilizar eletrodomésticos, eletroeletrônicos, entre outros. 
No caso dos transportes, a expansão da rede foi focada na ampliação e na construção de rodovias. Isso ocorreu porque, já no final da década de 1950, im portantes indústrias mecânicas, de peças automotivas, de pneus e montadoras de veículos (cami nhões, ônibus e automóveis) ins talaram-se no Sudeste, fazendo com que a região priorizasse o transporte rodoviário. Tal fato levou a região a ter, atualmente, a mais extensa malha de rodo vias do país, reunindo, inclusive, a maior parte das autopistas (rodovias com pistas duplas). 
Por outro lado, também foram muito importantes os investimentos feitos na am pliação dos portos marítimos da região, como os de Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Tubarão (ES), que auxiliam no escoamento da produção de bens manufaturados, minérios e produtos agrícolas para outras regiões brasileiras e para o exterior. 
Destaca-se, ainda, a rede de aeroportos: dos cinco terminais mais movi mentados do país de cargas e de passageiros, quatro estão na Região Sudeste: Guarulhos (SP), Campinas (SP), Confins (MG) e Rio de Janeiro (RJ).
No caso da ampliação da infraestrutura de geração de energia, além de termoelétricas, a partir da década de 1960 houve a priorização da construção de usinas hidrelétricas, como forma de aproveitar o potencial natural existen te na região. 
O território da maior parte dos estados do Sudeste é composto de planaltos, com a presença de muitos vales e rios caudalosos, o que propi cia a construção de barragens para a geração de energia hidráulica, também chamada de hidroeletricidade. A construção de usinas hidrelétricas em grande escala tornou o Sudeste a região que mais produz energia elétrica no Brasil.

Centros tecnológicos 


A partir da década de 1970, os governos estaduais do Sudeste passaram a investir em centros de pesquisa focados no desenvolvimento de alta tecnologia no entorno de impor tantes universidades e instituições públicas e privadas. 
São exemplos a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Minas Gerais (UFMG), o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA).
Esses centros tecnológicos, também chamados de tecnopolos, influencia ram diretamente a implantação de indústrias nacionais e estrangeiras, que, atualmente, fabricam materiais de telecomunicações, médico-hospitalares, bio químicos, de informática e de tecnologia aeroespacial. A implantação de tecnopolos também foi responsável, em boa parte, por um processo de desconcentração da atividade industrial na própria Região Sudeste. 
Isso ocorreu porque, até então, a maior parte da produção industrial estava concentrada nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro e em alguns municípios de seu entorno. A partir da década de 1980, verificou-se um deslo camento de várias indústrias, sobretudo aquelas ligadas à área de tecnologia, para áreas do interior, como a região das cidades de Campinas (SP), São José dos Campos (SP), Resende (RJ) e a região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

Complexo agroindustrial do Sudeste


A partir da segunda metade do século XX, a concentração e a diversificação das atividades industriais no Sudeste provocaram um amplo processo de mo dernização das atividades agropecuárias, que atingiu não somente essa região como também outras partes do Brasil. 
Isso ocorreu porque as indústrias passaram a fornecer mercadorias ma nufaturadas com novas tecnologias aos proprietários rurais, como tratores, colheitadeiras e arados mecânicos; defensivos agrícolas, adubos químicos e sementes selecionadas; vacinas, medicamentos e rações balanceadas para os animais de criação, entre outros produtos. O emprego dessas tecnologias no campo provocou aumentos expressivos na produtividade agrícola, propor cionando uma maior rentabilidade a sitiantes e fazendeiros. 
Particularmente no Sudeste, essas e outras inovações desencadearam pro fundas mudanças na paisagem rural do interior dos estados, já que foi priorizada a produção de matérias-primas com grande importância para as agroindústrias e para a exportação, como café, soja, laranja e cana-de-açúcar, e a criação de gado bovino e de aves para o fornecimento de carne, leite e ovos. 
Extensas áreas de plantação desses pro dutos agrícolas e de pastagens para animais ocuparam as grandes propriedades rurais dos municípios, ao passo que as áreas plan tadas com culturas alimentares, como feijão, mandioca, batata, frutas e hortaliças em geral, desenvolvidas em pequenas propriedades ou por grupos comunitários de camponeses, foram reduzidas. 
Esse processo de modernização acabou consolidando o Sudeste como um dos polos do setor agroindustrial do Brasil. Compare no mapa abaixo a distribuição e diversificação de agroindústrias na região em que você vive com a do Sudeste.

Produtos agropecuários de destaque no Sudeste


Nas últimas décadas, boa parte das atividades agropecuá rias desenvolvidas no Sudeste passou por um amplo processo de modernização, apresentan do atualmente elevado grau de emprego de tecnologia. Entre aquelas que mais se destacam estão as atividades agrícolas que envolvem as lavouras de cana--de-açúcar, laranja, café, além da pecuária de corte e leiteira. 
A produção de laranja tem muita relevância econômica para essa região e estabelece uma grande articulação com a indús tria na produção de sucos. No que se refere à pecuária, observamos o predomínio da pe cuária melhorada ou intensiva em grande parte do território dos estados do Sudeste. Destaca-se a criação de bovinos destinada à produção leiteira, que fornece matéria-prima para as principais agroindústrias de laticínios do país.
O café é outro produto agrícola de destaque do Sudeste, que é a principal região produtora do país. Historicamente, o Brasil tem uma forte tradição no cultivo de cafeeiros e é, na atualida de, o maior produtor mundial de café, o que se deve sobretudo às colheitas obtidas nos quatro estados do Sudeste.

Agricultura 4.0 


Além de importantes instituições de pesquisa, no Sudeste também estão sediadas grandes empresas, algumas delas multinacionais que desenvolvem equipamentos e técnicas de cultivo e de criação com a mais alta tecnologia. Isso vem influenciando diretamente a forma de produzir no campo, dando origem àquilo que especialistas chamam de “agricultura 4.0”. É uma nova eta pa da produção agrícola que agrega recursos tecnológicos avançados como GPS, imagens de satélite, drones e computadores, todos conectados em tempo real.

Produção da cana-de-açúcar


De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil é atualmente o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Na safra entre 2018 e 2019, foram colhidos 625 milhões de toneladas desse produto agrícola no país. A liderança dessa produção fica com a Região Sudeste, com cerca de 405 milhões de toneladas. 
 Em nosso país, as safras da cana-de-açúcar são divididas em dois momen tos. Entre abril e novembro, há um excelente período de safra nos estados da porção centro-sul. Já de setembro a março, essa produção se destaca no eixo norte-nordeste. 
O estado de São Paulo é o maior produtor de cana-de-açúcar do país, porém também há significativa produção nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. 
A cana-de-açúcar é uma matéria-prima agrícola com excelente articulação com a indústria, for mando um complexo agroindustrial para a pro dução de açúcar refinado e álcool combustível, chamado etanol. A Região Sudeste responde por mais de 60% de toda a produção nacional desse tipo de combustível, e a maior produção de etanol anidro e etanol hidratado ocorre nos estados de São Paulo e Minas Gerais. 

As transformações no campo e a urbanização do Sudeste


Na segunda metade do século XX estabeleceu-se no Sudeste um amplo complexo agroindustrial. Esse processo foi apoiado pelos governos estaduais e federal, beneficiando a modernização de atividades agrícolas co merciais, em sua maioria desenvolvidas em grandes propriedades rurais, em detrimento daquelas atividades mais tradicionais, praticadas geralmente em pequenas e médias propriedades. Esse modelo de desenvolvimento agrícola causou profundas transforma ções no espaço rural da região, pois: - ocasionou, por um lado, a perda da terra por boa parte dos agricultores familiares devido às dívidas bancárias e à baixa produtividade de suas pequenas propriedades, e, por outro lado, o aumento da área ocupada por grandes fazendas; 
- provocou a dispensa de um número expressivo de trabalhadores, cuja força de trabalho foi substituída, em sua maioria, por máquinas, implementos agrícolas e outras tecnologias empregadas nas grandes propriedades rurais.
Dessa forma, principalmente entre as décadas de 1970 e 1990, centenas de milhares de pequenos proprietários e de trabalhadores rurais, sem alternativa de sobrevivência, abandonaram o campo e migraram, sobretudo para os médios e grandes centros urbanos da região, em um intenso processo de êxodo rural.

Rápido processo de urbanização


Além do êxodo rural, a mi gração de pessoas de outras regiões brasileiras, principal mente de estados do Nordeste, e as altas taxas de natalidade al cançadas no final do século XX desencadearam um intenso processo de urbanização do Sudeste, ou seja, de aumento da proporção de pessoas vi vendo em cidades. Veja o grá fico ao lado. 
Atualmente, além de ser a região mais populosa do país, com cerca de 90 milhões de habitantes (em 2020), o que corresponde a 43% do total da população brasileira, o Sudeste conta com aproximadamente 95% de seus habitantes vivendo em cidades, boa parte delas de médio e grande porte, como é o caso das metrópoles paulistana, carioca e belo-horizontina. 
Além disso, a Região Sudeste abriga a maior conurbação urbana do país, a chamada megalópole brasileira, também denominada pelo IBGE de Complexo Metropolitano do Sudeste. Dele também fazem parte as cidades localizadas na região do Vale do Rio Paraíba do Sul, como São José dos Campos (SP), Tauba té (SP), Volta Redonda (RJ) e Resende (RJ), e as regiões metropolitanas da Baixa da Santista e de Campinas, ambas localizadas no estado de São Paulo. No total, viviam nessa área, em 2020, aproximadamente 48 milhões de pessoas, ou cerca de 23% do total da população brasileira.

Problemas das metrópoles do Sudeste


Assim como em outras regiões brasileiras, o rápido crescimento das capitais e cidades de porte médio do Sudeste ocasionou uma série de problemas liga dos à infraestrutura urbana, como a falta de saneamento básico e de moradia, o aumento do preço dos imóveis, o colapso do sistema de transportes e a po luição de rios e córregos e do ar atmosférico. 
Além disso, ainda que o crescimento da atividade industrial e principalmen te do comércio e dos serviços tenha ampliado os postos de trabalho, a oferta de emprego não cresceu na mesma proporção que a população urbana. Dessa forma, houve um processo de empobrecimento dos trabalhadores, o que au mentou as desigualdades sociais e a segregação do espaço urbano, sobretudo no interior das grandes cidades. 

Impactos das atividades agroindustriais e da urbanização nos biomas


O processo de crescimento e expansão das atividades agropecuárias e in dustriais, aliado ao intenso ritmo de urbanização, têm causado profundos impactos nos biomas do Sudeste. 
Entre os biomas que se estendem pela região, há a Caatinga, sobretudo no norte de Minas Gerais, o Cerrado, principalmente no interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais, e a Mata Atlântica, atualmente em trechos preser vados apenas na porção leste dos estados do Sudeste.

Mata Atlântica: maior biodiversidade do mundo


Dentre os biomas da Região Sudeste, certamente o mais impactado pelas atividades humanas é o da Mata Atlântica. Isso porque, já no início do século XIX, sua vegetação passou a ser derrubada em grande escala para a expansão das lavouras de café e, mais tarde, durante o século XX, para o avanço das la vouras de cana-de-açúcar, laranja e soja. 
Além disso, nas últimas décadas, nos domínios desse bioma houve uma “explosão” do crescimento de boa parte das cidades do Sudeste, com destaque para os centros urbanos: Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória e Santos.

Florestas, manguezais e restingas


A maior parte da área remanescente do bioma de Mata Atlântica do Brasil está localizada no Sudeste. Atualmente, ela se encontra protegida em parques e em outras áreas de preservação, sobretudo na região da Serra do Mar e do litoral. Nessa região, a área de Mata Atlântica pode ser dividida em três biomas: a floresta atlântica, nas porções de serras e vales; os manguezais, nas áreas alagadas pelas cheias e vazantes das marés nas áreas de planícies litorâneas; e as restingas, que se desenvolvem nos trechos de areia seca das praias e das dunas. Cada bioma apresenta sua complexidade de fauna e flora.
A biodiversidade existente nos domínios de Mata Atlântica do Sudeste é considerada a maior do planeta. Nela vivem centenas de espécies de fauna e flora, sendo boa parte delas endêmicas, ou seja, encontram-se exclusivamen te nessas áreas remanescentes da região e em mais nenhuma outra parte do Brasil ou do mundo. Entretanto, por causa da pressão exercida pelas atividades humanas, é nesse bioma que cerca de 60% de todas as espécies ameaçadas de extinção de nosso país estão abrigadas.






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