terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Agropecuária na Região Nordeste


A agropecuária emprega numerosa mão de obra na Região Nordeste e é desenvolvida em todas as sub-regiões nordestinas. Na Zona da Mata prevalecem as culturas de frutas tropicais, como o caju, a manga e o mamão e, principalmente, as lavouras monocultoras de cana-de-açúcar, cacau e fumo.
Esses gêneros agrícolas desempenham um importante papel na economia regional, pois, além de empregar um grande número de trabalhadores, fornece produtos para a exportação e também matéria-prima para a atividade industrial nacional. No Agreste, predominam pequenas e médias propriedades rurais onde é desenvolvida a policultura.
Em geral, essas propriedades localizadas nas porções mais úmidas da sub-região dedicam-se aos cultivos de mandioca, feijão, milho e também à fruticultura. Atualmente, o Agreste tornou-se um dos mais importantes centros de abastecimento alimentício regional.
Grande parte da atividade agrícola no Sertão ainda é realizada com o emprego de técnicas tradicionais de cultivo, sobretudo nos brejos, áreas que apresentam umidade e solos férteis, o que favorece o desenvolvimento de diferentes tipos de culturas, principalmente de milho, feijão e arroz.
No Sertão, os brejos estão localizados, principalmente, nas encostas das serras e vales fluviais. Além das lavouras desenvolvidas nos brejos, no entanto, o Sertão nordestino vem se destacando pela expansão de polos agrícolas em algumas áreas do semiárido, o que é possível graças aos sistemas de irrigação.
Nas últimas décadas, a atividade agrícola desenvolvida na sub-região Meio-Norte também vem passando por mudanças significativas, proporcionadas, sobretudo, pela inserção de técnicas modernas de cultivo agrícola.
Além dos sistemas de irrigação, entre os recursos utilizados estão adubos e fertilizantes, sementes selecionadas e maquinários agrícolas modernos. No oeste do estado da Bahia e no sul dos estados do Piauí e do Maranhão, por exemplo, a intensa utilização de implementos agrícolas está favorecendo o cultivo de grãos, em especial a soja.
Grande parte da pecuária desenvolvida na Região Nordeste é realizada de ma neira extensiva, com o gado criado solto e a alimentação baseada, principalmente, em pastagens.
No Agreste, a criação bovina está voltada, em grande parte, para o fornecimento de leite e derivados. No Sertão, a criação de gado é a principal atividade econômica. O rebanho pode ser encontrado tanto nos latifúndios, na forma extensiva, quanto em pequenas propriedades familiares.
Já no Meio-Norte, as áreas situadas nas porções mais secas destinam-se, sobretudo, à pecuária leiteira e à avicultura. A pecuária caprina e ovina também é praticada na Região Nordeste desde a colonização.
Esse fato se deve, principal mente, à fácil adaptação desses animais ao clima quente e à vegetação da Caatinga existente na região.

A MODERNIZAÇÃO DA AGROPECUÁRIA


A agricultura no Nordeste é caracterizada pelo cultivo de soja, cana-de-açúcar, grãos, raízes, leguminosas e frutas, além das pecuárias caprina, ovina e bovina.
Nas últimas décadas, a agricultura nordestina tem passado por modificações significativas, seja nos setores mais tradicionais, como o canavieiro, seja na criação de novas culturas, como é o caso da produção irrigada de frutas do Sertão ou dos arranjos produ tivos modernos.
Como consequência da modernização e da especialização de práticas agropecuárias, cuja produção se destina ao mercado externo, houve um crescimento do uso de novas técnicas de correção e fertilização de solos e a implantação de projetos de irrigação e seleção de sementes e espécies.
A modificação da estrutura produtiva agropecuária nordestina tem submetido os agricultores a novas pressões:
• cenários internacionais de competição e de protecionismo, que dificultam a exportação;
• mudança das estruturas de propriedade da terra;
• necessidade cada vez maior de mecanização agrícola e acesso à tecnologia;
• formação do chamado agronegócio, que é a fusão da agricultura com processos industriais, por exemplo: integrar o plantio de cana-de-açúcar à produção de açúcar e álcool.

Com a mecanização e o uso intensivo de recursos biotecnológicos e da atividade agroindustrial, a produção agrícola no Nordeste vem apresentando diversidade de uso de tecnologia e ciência, conforme as características físico-naturais das sub-regiões (Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata).
Nessas áreas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve estudos especializados em genética, microbiologia, engenharia de produção e de alimen tos, nutrição animal, técnicas de reprodução etc. As instalações da Embrapa estão divididas por sub-região ou tipos de atividades.

A agricultura no Sertão


O Sertão seco


Nas áreas do Sertão nordestino onde a reduzida disponibilidade de água dificulta o cultivo durante vários meses do ano, muitas famílias que vivem em pequenas propriedades e que não são beneficiadas pela presença de um rio perene, açude ou construção de cisterna só conseguem cultivar a terra durante o período das chuvas, que dura poucos meses.
No restante do ano, muitos trabalhadores migram sazonalmente para a Zona da Mata, para trabalhar no corte da cana, por exemplo. A região Nordeste é a que possui a menor disponibilidade de água, exceto em algumas áreas do litoral.


O Sertão irrigado


A técnica de irrigação tem se mostrado uma eficiente alternativa adotada no Nordeste para combater a seca e desenvolver a agricultura. Os investimentos realizados em projetos voltados para a irrigação vêm desenvolvendo no Sertão nordestino modernos polos agrícolas, em especial de produção de frutas.
Atualmente, a região nordestina é a primeira produtora nacional das principais frutas frescas. Em áreas onde a técnica de irrigação é utilizada, a produtividade é em média três vezes maior que em áreas sem irrigação. Entre as áreas de destaque na produção de frutas irrigadas estão a região de Petrolina-Juazeiro, entre os estados da Bahia e Pernambuco.
A boa produtividade da fruticultura também é garantida pelas condições naturais do Nordeste. Muitas frutas encontram nas altas temperaturas da região, que são constantes praticamente o ano todo, as condições adequadas para se desenvolverem.
Nas margens dos rios perenes e no entorno de açudes ou de poços artesia nos predominam os latifúndios. Neles, é possível cultivar a terra durante o ano inteiro e obter mais de uma colheita anual.
Além de dispor de água para irrigação, essas áreas agrícolas contam com forte insolação o ano inteiro, o que permite alta produtividade. Boa parte dessa produção é exportada, com destaque para os países da Europa ocidental, os Estados Unidos e o Japão, ou abastece as grandes cidades do Centro-Sul do Brasil. Historicamente, as grandes proprie dades do Nordeste receberam mais recursos do governo que as pequenas.
O algodão também é produzido no Sertão, graças à irrigação, e abastece a indústria têxtil de Fortaleza e do Recife. Como vimos, o cultivo de frutas na região de Petrolina (BA) tem se destacado como importante gerador de renda para o estado. O oeste da Bahia e o sul do Maranhão e do Piauí possuem rios perenes e passaram a ser fronteiras agrícolas com a introdução da moderna cultura de grãos, principalmente de soja, graças à possibili dade de escoamento pela hidrovia do rio Tocantins.
Nas áreas sujeitas a estiagem prolongada, alguns projetos vêm sendo im plantados pelo governo federal e por ONGs para dar às famílias condições de produzirem, mesmo nos períodos de estiagem. A implantação de cisternas, vista no capítulo anterior, é uma delas. Outros projetos ainda se encontravam em desenvolvimento em 2018, como o da transposição do rio São Francisco, que nesse ano tinha a Fase 1 já em operação.
A construção da hidrovia do rio Tocantins impulsionou o movimen to de expansão da soja em direção Ð 40° O ao interior da região Nordeste. Após a construção da hidrovia, o maior volume de soja produzido nessa região – que teve a China como destino principal em 2018 – passou a ser escoado pelos portos da região Norte.


OS CINTURÕES AGRÍCOLAS NAS SUB-REGIÕES NORDESTINAS


Cada sub-região conta com sistemas específicos de produção, que adotam solu ções tecnológicas para alcançar produtividade em áreas com estresse hídrico.
Nos estados do Meio-Norte, vão se concentrar as produções que precisam de maior umidade, chuvas mais frequentes e solos menos ácidos; no Sertão estarão concentradas aquelas ativida des agrícolas que resistem a longos períodos de estiagem e baixa umidade; já no Agreste e na Zona da Mata, estão con centradas as produções que resistem a curtos períodos de estiagem e maior umidade.

A IMPORTÂNCIA DO RIO SÃO FRANCISCO

O Rio São Francisco é o principal rio perene da Região Nordeste. Suas nascentes localizam-se no estado de Minas Gerais; de onde segue na direção norte e deságua no oceano Atlântico, na divisa entre Sergipe e Alagoas. Atravessa três das quatro sub-regiões do Nordeste: Sertão, Agreste e Zona da Mata.
É um rio extremamente importante para a região nordestina. Além de garantir água para uma vasta área, em especial, o Sertão, possibilita a instalação de hidrelétricas em diversos trechos de seu percurso, que abastecem as principais cidades do Nordeste.
No entanto, a falta de planejamento no uso das águas e o desmatamento das matas ciliares têm causado sérios problemas, como o assoreamento do rio, a diminuição do canal fluvial e a poluição de suas águas.
Oficialmente chamado Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, a transposição do rio São Francisco é um empreendimento que, segundo o governo federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, vai assegurar a oferta de água a cerca de 12 milhões de habitantes da região semiárida. É um projeto antigo e polêmico, com alguns argumentos contrários e outros favoráveis à sua realização.

O projeto de transposição do rio São Francisco

A transposição consiste na construção de dutos de ligação das águas do São Francisco para alimentar rios intermitentes e açudes nas regiões mais afetadas pela seca, com previsão de abastecer um total de 390 municípios nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
O Projeto de Integração do Rio São Francisco é uma prioridade do governo federal. Com a aceleração das obras, (a partir de 2016) o Ministério da Integração Nacional conseguiu inaugurar o Eixo Leste do empreendimento, em março de 2017. No mesmo ano, foi verificada a melhora no acesso à água nas áreas próximas a açudes, o que levou a novos projetos para beneficiar outros estados nordestinos.
O objetivo desse eixo é garantir a segurança hídrica da população da Paraíba e de Pernambuco com uma maior oferta de água. No mês seguinte – em abril de 2017 –, as águas do “Velho Chico”, apelido dado ao rio São Francisco, chegaram ao reservatório Epitácio Pessoa, em Boqueirão (PB), e, naquela ocasião, já foi possível reduzir o regime de racionamento de água na Região Metropolitana de Campina Grande.
Cerca de 700 mil pessoas, de 20 municípios pernambucanos e paraibanos, melhoraram a qualidade de vida. A partir dessa data, a população não sofre mais com o racionamento. Dois grandes canais principais e canais complementares levam água do rio São Francisco para canais intermitentes (temporários) do semiárido.
Apesar disso, há críticas ao modelo da transposição, que apontam como possíveis fatores negativos o aumento do assoreamento do rio, a diminuição de seu volume de água, o que afetaria os peixes e outros animais desse hábitat, e a perda de vegetação nativa causada pelas obras. Além disso, os projetos de irrigação colocados em prática até então favoreceram principalmente os latifúndios monocultores, que destinam toda a sua produção à exportação.

O biocombustível


O biocombustível é um combustível biodegradável fabricado à base de fontes reno váveis, como óleos vegetais e gorduras animais. Ele é menos poluente que os combustíveis convencionais, como o diesel, proveniente do petróleo.
O biocombustível utilizado em veículos movidos a diesel, caminhões e tratores, por exemplo, é conhecido como biodiesel. Por beneficiar o desenvolvimento da atividade agrícola, o biocombustível recebe insumos da pecuária, como o sebo bovino, que pode ser usado em sua composição.
No futuro, ele poderá reduzir a exploração do petróleo, uma vez que é, em muitos casos, um substituto desse recurso. A produção de biocombustível no Nordeste é significativa, em especial, no que diz respeito ao aproveitamento de oleaginosas, como o babaçu, o girassol e a mamona.

A indústria na região Nordeste


Nas últimas décadas, parte significativa do crescimento da região Nordeste deve-se ao incremento da produção industrial. Desde a inauguração da usina hidrelétrica em Paulo Afonso, no rio São Fran cisco, e a instalação de uma fábrica de linhas de costura nas proximidades, em 1913, foram feitas várias tentativas para industrializar o Nordeste. O incremento da atividade industrial na região, no entanto, deu-se principalmente após a criação da Sudene e a aplicação da política de incentivos fiscais para os empresários que se estabelecem na região.

Principais setores e centros industriais

Até meados do século XX, a porção Centro-Sul concentrava a grande maioria das indústrias existentes no Brasil. Essa predominância seguiu sem grandes mudanças até a década de 1970. A partir de então, a Região Nordeste passou a apresentar alguns avanços no setor industrial, porém nada muito significativo.
Diante das desigualdade entre as diferentes regiões brasileiras, muitos nordestinos migraram para a Região Sudeste em busca de trabalho, sobretudo no setor industrial, entre as décadas de 1950 e 1990.
A industrialização nordestina sempre esteve ligada à agricultura da cana-de-açúcar e do algodão, o que beneficiou o desenvolvimento de usinas de açúcar e de fábricas de fiação e tecelagem. Com a descoberta do petróleo, passou a se destacar também a indústria petroquímica. Outros setores que vêm crescendo na região são o de softwares e o de produtos automobilísticos, químicos e farmacêuticos.
Porém, nas últimas décadas, as atividades industriais desenvolvidas na Região Nordeste têm se diversificado, já que importantes tipos de indústrias, antes restritas às regiões Sudeste e Sul, passaram a exercer suas atividades em estados nordestinos. 
Entre os mais importantes setores industriais da região estão o têxtil, o de produtos alimentícios e bebidas e o petroquímico. Em torno dos locais de extração de petróleo e de gás natural, vêm se estruturando diversos complexos industriais.
Isso ocorreu devido a uma série de investimentos governamentais em infraestrutura, tais como instalação de usinas hidrelétricas, construção ou modernização de portos marítimos, construção e ampliação de rodovias, além da concessão de incentivos fiscais para as empresas, como baixos impostos.
A Zona da Mata é a região onde está localizada grande parte das indústrias da Região Nordeste, por exemplo, o Distrito Industrial de Ilhéus, na Bahia, e o Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco. Além da presença de um importante mercado consumidor, essa sub-região conta com uma rede de transporte composta por rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Entre as principais empresas que se instalaram no Nordeste estão as do ramo de autopeças, softwares, componentes químicos, automóveis, tecidos e calçados. A partir de 2010, a Petrobras anunciou uma série de descobertas de petróleo em diversos pontos do litoral nordestino e essa também tem sido um atrativo para diversas empresas do setor ao Nordeste.
As três maiores Regiões Metropolitanas do Nordeste – Fortaleza, Salvador e Recife – são também os grandes centros industriais da região. A geração de riqueza dos polos industriais da Bahia, de Pernambuco e do Ceará e os serviços comerciais gerados indiretamente por eles contribuem para que esses estados tenham os maiores PIBs da região.
Importantes áreas industrializadas também movimentam a economia da região Nordeste.
Na Bahia, indústrias mecânicas, químicas, automotivas e de celulose foram implantadas nas proximidades de Salvador, no Polo Industrial de Camaçari, transformando o Recôncavo Baiano em uma das áreas mais importantes do país.
No Recôncavo Baiano, há um importante complexo industrial que transforma o petróleo bruto em vários subprodutos (gasolina, óleo diesel, querosene, etc.). Trata-se da Refinaria de Petróleo Landulpho Alves, que  pertence à Petrobras.
Na Região Metropolitana de Salvador, nos municípios de Camaçari e Dias D’Ávila, foi criado o polo petroquímico de Camaçari, em 1978, a maior concentração industrial de todo o Nordeste e uma das maiores do Brasil.
O Centro Industrial de Aratu, próximo a Salvador, também aloja muitas indústrias e serviços, assim como o município de Feira de Santana, cuja posição geográfica o torna atrativo para as indústrias.
Com os incentivos oferecidos pela Sudene, outros setores foram instalados na região. Indústrias de eletrodomésticos e de produtos eletrônicos, higiene e limpeza fixaram-se na Região Metropolitana do Recife e as de produtos alimentícios, na região de Fortaleza
A intensificação do desenvolvimento industrial do Ceará a partir dos anos 1990 vem alterando o cenário do estado. O destaque fica para Horizonte, município na Grande Fortaleza que conta com uma montadora de automóveis e indústrias do setor têxtil e alimentício. 
Os grandes centros industriais da região Nordeste situam-se na sub-região da Zona da Mata, onde se localizam o Grande Recife e a Grande Salvador. Nessas áreas existem os distritos industriais, que concentram muitas indústrias de diversos setores, além de centros de distribuição de mercadorias. 
No Grande Recife, destacam-se, entre outros distritos industriais, o de Cabo de Santo Agostinho, o de Abreu e Lima, o de Ipojuca, o de Paulista e o de Jaboatão dos Guararapes. Ainda na Grande Salvador, encontra-se o Centro Industrial de Aratu (criado em 1967). Ele ocupa áreas dos municípios de Salvador, Simões Filho e Candeias, em torno da baía de Aratu, e reúne várias indústrias (de eletrodomésticos, químicas, de cerâ mica, de óleos vegetais, de calçados, etc.). Há tam bém uma indústria de base de grande porte, a Usina Siderúrgica da Bahia (Usiba).
Em Camaçari (BA), no ano de 2001, foi inaugurada a primeira grande indús tria automobilística instalada fora do Centro-Sul. O empreendimento recebeu in centivos dos governos federal, estadual e municipal. 
A partir da década de 1990, a instalação de indústrias no Nordeste passou a ser estimulada pelos próprios estados, que ofereceram isenção de impostos por alguns anos para áreas não localizadas nas regiões metropolitanas ou redução do imposto em até 50%, como se faz no Ceará, para a instalação de indústrias nessas regiões. Os estados passaram também a doar terrenos e a investir em infraestrutura (rede de energia elétrica, de transportes e de comunicações).
Como resultado dessa guerra fiscal, o Ceará, tradicional produtor têxtil, rece beu mais indústrias têxteis, muitas delas de capital externo (de outros países). No sudeste baiano, região de Itapetinga, Jequié, Serrinha, Ipirá e Itaberaba, cerca de trinta empresas gaúchas instalaram-se em um polo calçadista criado pelo go verno baiano, em meados da década de 1990, com incentivos fiscais. Também no estado do Ceará, empresas calçadistas instalaram-se em Sobral, Crato e Fortale za. Fortaleza é, hoje, o terceiro principal centro industrial do Nordeste.
Ainda na Bahia, em Feira de Santana, encontra-se o terceiro principal Centro Industrial do estado. Em Ilhéus, formou-se um polo de informática e indústrias eletroeletrônicas, em virtude de incentivos oferecidos pelo município, pelo estado e pela Sudene. Cerca de 10% dos microcomputadores vendidos no Brasil são produzidos por empresas instaladas em Ilhéus. Outros distritos baianos que mere cem destaque são: Itabuna, Jequié, Vitória da Conquista e Juazeiro.
Em Pernambuco, há o polo gesseiro em Araripina, que produz cerca de 90% do gesso do Brasil; nesse estado também se destacam as confecções de Caruaru. Em todos esses casos, a mão de obra barata também é um forte atrativo para as empresas.

Atraindo indústrias para o Nordeste


Muitas empresas têm se instalado na Região Nordeste atraídas pelos incentivos fiscais concedidos pelos estados ou municípios e pelo menor custo da mão de obra, se compararmos com os salários pagos nas áreas mais industrializadas de outras regiões do país, como a Sudeste.
Desde os anos 1990, o baixo custo da mão de obra nordestina vem atraindo empresários do Centro-Sul e do exterior. Os incentivos dos governos estaduais (redução ou isenção de impostos), conhecidos como guerra fiscal, também têm estimulado a instalação de indústrias no Nordeste.
Entre essas empresas estão as que atuam em setores mais tradicionais, como o alimentício e o de vestuário (têxtil e calçados), e também as mais avançadas tecnologicamente, como as de informática, petroquímica e automobilística.
Também estão presentes na Região Nordeste indústrias extrativas minerais e de recursos energéticos fósseis, voltadas, sobretudo, para a exploração de chumbo, cobre, cloreto de sódio e petróleo.
Esses fatores contribuíram, por exemplo, para a instalação de unidades produtivas de calçados no sudeste baiano e no interior do Ceará; de equipamentos de informática e eletroeletrônicos em Ilhéus, no litoral da Bahia; e de outros setores, como o alimentício, de higiene e limpeza, de telemarketing, confecções, medica mentos e automóveis, inclusive nas regiões metropolitanas.
Outra concentração industrial está em Sobral e Crato, que se especializaram na produção de calçados. O Complexo Industrial Portuário de Pecém, ainda em fase de implantação, vem atraindo muitas indústrias, entre as mais importantes, uma petroquímica e uma siderúrgica.
Também o setor de tecnologia da informação (TI) tem recebido empresas de desenvolvimento de software, equipamentos e acessórios. Em Pernambuco, por exemplo, ao lado de uma centena de pequenas e médias empresas do setor, o Porto Digital abriga multinacionais. No mesmo estado, em Suape, en contra-se um dos maiores polos tecnológicos do Brasil.
Nos anos 2000, Pernambuco passou a ter uma das economias que mais crescem no Brasil, estimulada por novos investimentos. O Complexo Industrial Portuário de Suape, que fica há 40 quilômetros do Recife, recebeu uma refinaria de petróleo e uma grande empresa petroquímica. 
Além disso, desde 2015 opera no município de Goiana, no estado de Pernambuco, mais uma montadora de automóveis que produz cerca de 100 mil carros por ano, parte dos quais destinados à exportação
Em conjunto com essa fábrica atuam cerca de 16 empresas, que empregam, no total, cerca de 8 500 trabalhadores. Também merece destaque o Porto Digital, uma iniciativa do Governo Estadual que criou as condições para que empresas do setor tecnológico se instalassem na capital do estado.
No polo industrial de Camaçari, foi inaugurada em 2001 a primeira indústria automobilística (multinacional estadunidense).
Atualmente, esse polo é responsável por mais de 30% das exportações da Bahia. Destacam-se nele, além da indústria automobilística, as indústrias química e petroquímica, de metalurgia (cobre), bebidas, celulose e fertilizantes, entre outras.
Atualmente, a região nordestina possui o terceiro maior parque industrial do Brasil. Essa posição decorre de uma série de fatores, como os incentivos fiscais oferecidos pelos governos estaduais e municipais e a disponibilidade de mão de obra barata, ou seja, com baixos salários.
O processo de diversificação industrial no Nordeste está transformando sua economia, pois, além de mudar a organização espacial interna regional instalando, por exemplo, novas fábricas em áreas antes ocupadas por atividades, como agricultura e pecuária, vem gerando mais riquezas para a região.
Os governos estaduais da Região Nordeste têm busca do consolidar a formação de polos produtivos especializados. Eles compreendem áreas de grande dinamismo econômico que contribuíram para impulsionar o crescimento regional.

Indústria e tecnologia 


A indústria nordestina tem grande relevância para o país. Seu crescimento ocorreu de forma mais significativa nas últimas duas décadas, por meio do pro cesso de desconcentração industrial: processo de deslocamento das fábricas, antes localizadas em grande parte na Região Sudeste, para a Região Nordeste, em razão dos incentivos fiscais, da mão de obra barata e do crescente mercado consumidor da região. 
Os setores alimentício, calçadista, de vestuário e auto mobilístico, são exemplos de indústrias atuantes. Também merece destaque o crescimento do setor de tecnologia da inovação, principalmente na produção de energias renováveis e no desenvolvimento de softwares. 
Os maiores polos industriais estão localizados no Território de Identidade Metropolitano de Salvador e na Região Metropolitana do Recife, e em expansão crescente na Região Metropolitana de Fortaleza. São destaques, em Pernambuco, os municípios de Jaboatão dos Guararapes e Paulista. Há também um importante polo de indústrias de calçados em Sobral, Crato e Juazeiro do Norte, no Ceará.

AS PRODUÇÕES MINERAL E INDUSTRIAL


O Nordeste apresenta diversas reservas minerais de urânio, amianto, titânio, fosfato, calcário, diamante, ouro, entre outras. As atividades de garimpo e mineração se destacam, entretanto, são superadas pela extração de petróleo e gás natural. Além da produção de combustíveis e gás de cozinha, o gás natural é utilizado na fabricação de fertilizantes.

A produção de petróleo no Nordeste


No Nordeste, a produção de petróleo destaca-se nas áreas da Bacia Potiguar (RN), da Bacia de Alagoas (AL), da Bacia do Recôncavo (BA) e da Bacia do Sergipe (SE). Desde 2013, com a descoberta do pré-sal, houve crescimento na atividade exploratória.
A maior parte das bacias está localizada em campos maduros, ou seja, onde a exploração ocorre há mais de 25 anos. Também existem pesquisas que visam comprovar a existência de reservas de petróleo com grande potencial.
O desta que da produção petrolífera brasileira é a Bacia de Campos e Santos, situada na plata forma marítima entre os estados do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, ainda que Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Maranhão, Alagoas e Ceará tenham menor participação na produção nacional de petróleo, é importante destacar os investimentos realizados no setor, a exten são do litoral e a infraestrutura existente na região nordestina, como o Polo Petroquímico de Camaçari (BA).

A RIQUEZA CULTURAL NORDESTINA

Na história da ocupação e da formação territorial do Brasil, o Nordeste constitui-se como uma das primeiras regiões a concentrar os núcleos urbanos, as atividades agrícolas e, na vida cotidiana, a mistura de várias culturas e povos, como você já estudou. Esses fatos propiciaram a convivência de diferentes povos e possibilitaram a formação de uma cultura que confere uma identidade regional.
A cultura nordestina é o resultado da convivência de vários povos europeus, africanos e indígenas. Essa miscigenação cultural traz aspectos do catolicismo e das religiões africanas e indígenas e materializa-se em ritmos, danças, músicas e festas. 
A miscigenação de grupos étnicos imprimiu à Região Nordeste grande riqueza cultural. O evento cultural e popular de maior destaque é o Carnaval, que atrai turistas do Brasil e do mundo, especialmente para Salvador, Recife e Olinda. A dança é outra forte expressão popular na região, com inúmeros ritmos. Entre eles, destacam-se o maracatu e o frevo, com origem em Pernambuco; o maculelê e o axé, na Bahia; a dança do cavalo Piancó, no Piauí. As festas também são marcantes, como a Festa de Iemanjá e a Festa do Bonfim, na Bahia, e os festejos de São João, na Paraíba. A literatura de cordel – estilo literário característico do Nordeste –, a culinária e o artesanato também integram essa rica e diversificada cultura.

Festas tradicionais

Festa tradicional desde o século XVIII no Maranhão, o Bumba Meu Boi traz em seu enredo vários elementos da história colonial do Nordeste, como a pecuária, a monocultura, a presença indígena e o trabalho escravizado.

No decorrer do mês de junho, em vários lugares do mundo, acontecem festejos em homenagem a santos católicos, como Santo Antônio e São José. São as chamadas festas juninas. Essas datas foram trazidas para o Brasil pelos colonizadores portugueses e são muito tradicionais no Nordeste. A tradição das fogueiras, porém, é muito mais antiga e se relaciona às comemorações pela chegada do verão no Hemisfério Norte.

A Festa do Bonfim é uma celebração que acontece todos os anos em Salvador, na segunda quinta-feira do mês de janeiro, e é um exemplo do sincretismo religioso, ou seja, da fusão de elementos de diferentes religiões. Na véspera, acon tece a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim por praticantes do candomblé, em ritual que faz parte da celebração do orixá Oxalá. No dia da festa, acontece uma procissão em direção à igreja dos praticantes do candomblé, que vestem roupas brancas, a cor de Oxalá, e dos católicos com imagens de Jesus Cristo.

O frevo é um ritmo e uma dança com origem no estado de Pernambuco no século XIX. Caracterizado por possuir ritmo muito acelerado, foi criado por músicos para gerar maior animação durante os desfiles de Carnaval. Da junção da música e da capoeira, nasceu a dança do frevo, que possui mais de 120 passos específicos. Em 2012, foi tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

O maracatu nasceu no Recife (PE) entre os negros que misturavam o culto católico a Nossa Senhora com a devoção a seus orixás nos xangôs, e ainda conserva elementos iniciais. O maracatu, uma das ricas manifestações da cultura brasileira, é composto de elementos da religiosidade afro-brasileira, expressos na forma de personagens que também representam a resistência dos povos africanos escravizados. Os agrupamentos de maracatu saem às ruas em cortejos com tambores e outros instrumentos percussivos com toques característicos do estilo.



AS MIGRAÇÕES NORDESTINAS

Historicamente, o Nordeste é uma região de intensos fluxos migratórios, com destaque para o período entre 1950 e 1970, quando houve maior saída de nordestinos para outras regiões do país. O Nordeste caracteriza-se como uma região marcada por surtos de emigração.
Na década de 1950, muitos nordestinos migraram para trabalhar na construção de Brasília, e ficaram conhecidos como candangos. Na década seguinte, o destino passou a ser as cidades da Região Sudeste, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro.
As causas da saída da população foram várias, como a seca do Sertão, a concentração de terras e de renda, a falta de emprego e a estagnação econômica da região durante grande parte do século XX. As pessoas migravam para outros lugares com o intuito de conseguir emprego e ter melhores condições de vida.
Aos poucos, o fluxo de saída de pessoas foi diminuindo e, atualmente, o movimento migratório ocorre mais no âmbito intrarregional: elas saem do interior (Sertão) em direção às médias e grandes cidades do Agreste e da Zona da Mata. Geralmente, as capitais são o principal destino desses migrantes. 
Nas últimas décadas, o Nordeste ampliou seu parque industrial e sua produção agrícola, aumentando, assim, a oferta de emprego. Mais recentemente, também a migração de retorno está aumentando – muitos nordestinos que haviam migrado para outras regiões do país têm retornado aos seus lugares de origem.
Atraída por mais postos de trabalho, grande parte dos migrantes regressou a essa região, em especial para as capitais, como Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). A produção de petróleo e o turismo também têm participação significativa na economia nordestina e na atração populacional para a região. 
O crescimento econômico regional tem contribuído para a inversão do fluxo de migração Nordeste-Sudeste. É cada vez mais intensa a chamada migração de retorno – pessoas nascidas em estados do Nordeste que vivem no Sudeste estão retornando à sua região de origem.
Salvador, Recife e Fortaleza são as cidades que mais recebem migrantes e nem sempre estão preparadas para acolher todas as pessoas que chegam. O resultado são espaços urbanos com grande concentração humana, formação de periferias sem infraestrutura e graves problemas habitacionais.

Os movimentos pendulares e sazonais


Na Região Nordeste, é muito comum ocorrer movimentos temporários de pessoas, por um período mais longo ou no decorrer do mesmo dia. Eles se diferenciam dos fluxos migratórios exatamente por não serem permanentes. São chamados de movimento sazonal e movimento pendular de pessoas. 

O movimento sazonal se refere a migrações que acontecem por um período deter minado. Ocorre principalmente nos períodos de seca no Sertão nordestino, que incentivam os fluxos temporários de pessoas que vão para as grandes cidades para trabalhar. Quando as chuvas retornam, essas pessoas voltam para seu local de origem. Também podem ser trabalhadores de indústrias ou empresas de serviços, que trabalham durante um período em uma das filiais, ou profissionais autônomos, que se deslocam para prestar serviços durante um período em outras cidades.

No movimento pendular, os trabalhadores se deslocam, diariamente, de suas residências em direção ao seu lugar de trabalho. Então, não chegam a mudar de casa. Entre os exemplos, estão os boias-frias, tra balhadores rurais que saem das cidades onde residem e se deslocam para as fazendas em que trabalham, regressando às suas casas depois do dia de trabalho; os trabalhadores da indústria e dos serviços que vivem em cidades-dormitório e se deslocam diariamente ao centro das grandes cidades para trabalhar, algo muito comum nas regiões metropolitanas.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Amazônia: desmatamento e biodiversidade

Diante das dificuldades apresentadas pelos núcleos ou projetos de colonização implantados na Amazônia, o governo federal, a partir de 1974, alterou a política de ocupação e desenvolvimento econômico da região. 
Iniciando um novo processo, deu preferência ao grande capital, ou seja, às grandes empresas agropecuárias e de mineração nacio nais e estrangeiras, que se instalaram na região em áreas gigantescas, às vezes maiores que alguns estados brasileiros e que muitos países.
Nesse novo processo, acentuaram-se os conflitos de interesses e de territorialidade, isto é, a disputa por territórios entre os grupos ou protagonistas sociais da Amazônia, desfavorecendo, geralmente, os de menor poder político e econômico, como os povos da floresta (indígenas, ribeirinhos, seringueiros, castanheiros, pequenos agricultores etc.).

Os protagonistas sociais


Com a entrada do grande capital, o garimpeiro foi vencido pela empresa de mineração e o pequeno agricultor foi suplantado pela grande empresa rural ou pelo agronegócio. O trabalhador sem-terra foi submetido, muitas vezes, à condição de servidão, e o posseiro foi expulso de sua pequena roça. Grupos indígenas perderam suas terras ou aguardam até hoje a demarcação e a legalização delas. Madeireiros ilegais entraram em conflito com indígenas, posseiros, pequenos agricultores e povos da floresta. Grileiros ocuparam terras públicas, onde poderiam ser assentadas famílias de sem-terra. Interessados nas terras chegavam a contratar pistoleiros para assassinar quem se opunha a seus interesses.
A atividade de compra e venda de terras tanto enriqueceu pessoas como ocasionou o desmatamento de várias áreas, com a consequente perda de biodiversidade, acompanhada de desequilíbrios ecológicos e destruição de ecossistemas. As intervenções humanas na Amazônia, como em qualquer meio natural, não podem ser realizadas de forma irresponsável e predatória. É preciso planejá-las considerando os possíveis impactos ambientais.
Há também a necessidade de os governos estaduais e federal resolverem a questão da posse da terra entre os vários protagonistas sociais. Especialis tas sugerem como solução para a exploração econômica da região a práti ca do desenvolvimento sustentável. E, para minimizar os conflitos sociais, apontam a urgência da aplicação de uma política fundiária ou de terras que contemple democraticamente todos os envolvidos na questão.

O desmatamento na Amazônia 


Entre as causas históricas do desmatamento na Amazônia, podemos destacar a expansão urbana, a exploração madeireira e a expan são da fronteira agropecuária. Calcula-se que, desde a década de 1960 até 2021, foram desmatados em torno de 830 mil km² da Amazônia, cer ca de 16% de sua cobertura florestal. Isso corres ponde a uma área qua se equivalente à dos estados do Maranhão, do Piauí e do Ceará juntos.

O arco do desmatamento 


A Amazônia atualmente está sujeita a uma série de ameaças ambientais. Essa destruição já chegou a boa parte do interior dos estados de Rondônia, Mato Grosso e Pará.
Na Amazônia Legal, o desmatamento é intenso em vários estados. No entanto, cerca de 75% da degradação ambiental se concentra historicamente em uma vasta área denominada arco do desmatamento. 
O desmatamento na Amazônia aumentou intensamente desde a década de 1970. Também é possível perceber que a maior parte do desmatamento da floresta tem se concentrado ao longo de um “arco” que se estende do Maranhão ao sudeste do Acre. 
O arco do desmatamento avança em direção ao centro da Floresta Amazônica. A exploração dessas áreas ocorre, em geral, da seguinte maneira: 
• primeiramente, ocorre a derrubada das árvores para o comércio de madeira; 
• em seguida, as áreas são ocupadas pela atividade pecuária, que, por sua vez, explora o solo ao transformar os terrenos em pastos para o gado; 
• por fim, muitas áreas desocupadas pela pecuária são utilizadas para o plantio de lavouras monocultoras de soja.
Atualmente, há dois grandes fatores relacionados ao desmatamento da Amazônia: a exploração ilegal da madeira e a expansão da área ocupada por grandes propriedades rurais onde se desenvolvem atividades agrícolas. 
A abertura de estradas tem facilitado o desmatamento: aproximadamente 80% da área total desmatada está localizada até 30 km de uma rodovia. Há grandes áreas desmatadas ao redor das rodovias.
Após a retirada das árvores com valor de mercado, as áreas são queimadas para eliminar a vegetação que sobra e abrir pastos e áreas agrícolas. Entretanto, isso causa empobrecimento do solo pela queima da matéria orgânica, o que reduz a produtividade da terra. 
As queimadas realizadas sem controle e em períodos de estiagem podem se propagar facilmente. Além disso, liberam grande quantidade de gases poluentes na atmosfera. Atualmente, porém, essa prática começa a ser combatida: algumas grandes empresas nacionais e estrangeiras que compram madeiras e produtos feitos a partir delas exigem que sejam provenientes de áreas legalizadas, se recusando a adquirir o que foi produzido em regiões de desmatamento ilegal.
Ainda que recentemente as imagens de satélites tenham significado um importante avanço no monitoramento ambiental da Amazônia, esse recurso ainda é insuficiente e tem uma série de dificuldades, relacionadas especialmente ao controle da retirada da madeira, considerada o início da degradação florestal.
Além das atividades já mencionadas, o desmatamento na Amazônia é agravado por outras que, ainda que em menor proporção, também causam sérios prejuízos à natureza da Região Norte. Destacam-se a caça e a pesca predatórias, o narcotráfico com suas plantações proibidas, o tráfico de plantas e animais silvestres – denominado biopirataria – o garimpo e, principalmente, as grandes obras, como usinas hidrelétricas, hidrovias, gasodutos, grandes minerações industriais e novos eixos rodoviários.

Desmatamento e problemas ambientais 


A ocupação mais efetiva e a exploração realizada pelas atividades econômicas cada vez mais intensas na floresta Amazônica vêm resultando em uma rápida e progressiva devastação dessa formação. 
De maneira geral, a devastação acompanha os projetos de ocupação implantados pelo governo federal na região. No Tocantins e no Maranhão, ela é mais intensa ao longo da rodovia Belém-Brasília; no Pará, nas proximidades da usina hidrelétrica de Tucuruí e do Projeto Grande Carajás e na região da cidade de Paragominas, onde foram implantados vários projetos agropecuários; no norte do Mato Grosso, ocorre principalmente nas áreas ocupadas pela expansão da mo nocultura da soja e da pecuária extensiva; estende-se até Rondônia, ao longo da rodovia Cuiabá-Porto Velho, e alcança os arredores de Rio Branco, capital do Acre.
O desmatamento da Floresta Amazônica é preocupante pelos danos ambientais que provoca, como a extinção de espécies vegetais e animais, a erosão do solo, o assoreamento dos rios e a emissão de gases de efeito estufa. A devastação também afeta a precipitação. 
Calcula-se que a evapotranspiração na Amazônia é responsável por mais de 50% das chuvas que ocorrem nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Com a cessação da evapotranspiração, países mais distantes também seriam afetados, causando prejuízos para a agricultura e para a produção de alimentos.
De acordo com cálculos do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espa ciais (Inpe), cerca de 17% da floresta já foi devastada, o que corresponde a apro ximadamente 729 mil km². 
Além de toda essa devastação, a derrubada da floresta prossegue em ritmo acelerado. A cada ano, ainda de acordo com o PRODES, cerca de 10 mil km² da floresta são perdidos.

Expansão da pecuária 


A abertura de pastagens para a pecuária na Amazônia é responsável por 75% das áreas desmatadas, muitas delas de forma ilegal. Para combater esse problema, são realiza das campanhas e ações a fim de evitar a comercialização de gado oriundo de áreas desmatadas ilegalmente e aumentar a consciência da população sobre esse grave problema.

 A biodiversidade da Amazônia


O Brasil apresenta grande biodiversidade, isto é, variedade biológica em suas fauna e flora, e está entre os chamados “países megadiversos”, pois estima-se que 20% de todos os animais e vegetais vivos do planeta estejam em território brasileiro. 
A Amazônia contribui bastante para essa megadiversidade: tem cerca de 21000 espécies ve getais – 2500 de árvores –, 1400 espécies de peixes, 300 espécies de mamíferos e 1300 espécies de pássaros, além de milhares de insetos e micro-organismos. Várias dessas espécies são endêmicas. 
A biodiversidade da Floresta Amazônica, como também a de outros domínios morfoclimáticos brasileiros, constitui grande riqueza e pode fornecer, entre outros, substâncias usadas como matérias-primas de medicamentos para tratamento de várias enfermidades.
O uso de plantas para a elaboração de medicamentos é uma práti ca antiga. Porém, com o desenvolvimento da ciência, esse fato se acentuou. Os denominados produtos fitoterápicos ganharam muita importância e suas vendas aumentam em todo o mundo. Compreende-se, então, a corrida dos laboratórios farmacêuticos, sobretudo estrangeiros, para pesquisar plantas, animais e micro-organismos na Amazônia. 

A biopirataria 


A biopirataria consiste no roubo de animais, plantas e conhecimentos tradicionais (principalmente das culturas indígenas) para fins de exploração comercial, sem o consentimento ou controle do país de origem e das comunidades locais. 
Para evitar que o Brasil perca os direitos sobre sua biodiversidade ou sobre os resultados das pesquisas realizadas por empresas estrangeiras, bem como para proteger a diversidade de plantas e animais, o governo brasileiro colocou em prática, em junho de 2000, o acordo conhecido como Convenção da Biodiversidade.
Esse documento foi assinado, em 1993, por representantes de 160 países que atestam a necessidade de preservação da biodiversida de, a exploração dos recursos naturais de forma sustentável e a divisão justa dos benefícios obtidos com a pesquisa científica.

O desenvolvimento econômico 


A primeira atividade econômica de grande relevância a se desenvolver na Amazônia foi a produção de borracha, que começou no século XIX. A partir do látex, líquido bran co extraído da seringueira, árvore nativa da Floresta Amazônica, a borracha é produzida. 
Essa atividade alcançou seu auge no fim do Império e início da República, entre 1870 e 1910, quando o Brasil se tornou o maior fornecedor mundial de borracha. Uma das principais áreas produtoras era a fronteira entre o Brasil e a Bolívia (parte do atual estado do Acre). 
Naquela época, cerca de 500 mil seringueiros brasileiros – na maioria provenientes da atual região Nordeste – exploravam o látex das seringueiras da floresta sem que soubessem exatamen te em que país estavam. Na floresta não há marcos que indiquem os limites territoriais, e muitos seringueiros avançaram sobre o antigo território boliviano.
Depois que milhares de seringueiros brasileiros se instalaram na Bolívia – o que levou a vários conflitos –, o governo brasi leiro propôs a compra desse território ocupado. 
Para isso, ofereceu pagamento em dinheiro de 2 milhões de libras esterlinas, cedeu porções de terra de Mato Grosso e comprometeu-se a viabilizar uma ligação entre a Bolívia e o oceano Atlântico, por meio da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, partindo de Rondônia e acompanhando as margens dos rios Ma deira e Mamoré. O acordo foi assinado em 1903, e a área passou a pertencer ao Brasil.
Durante esse período houve grande crescimento da economia da região Norte e as cidades portuárias de Belém e Manaus passaram a ser locais de intensa circulação de pessoas e de consumo de artigos de luxo importados da Europa. 
No início do século XX, porém, o Reino Unido começou a produzir látex em suas colônias do Sudeste Asiático, como a Malásia, utilizando seringueiras culti vadas a partir de sementes contrabandeadas da Amazônia, em fazendas de monocultura, que atingiram alta produtividade e preços mais baixos. Isso provocou a decadência dessa atividade extrativista no Brasil. Como resultado, a região Norte permaneceu, por décadas, relativamente isolada do restante do espaço geográfico brasileiro e mundial.

O desenvolvimento sustentável na Amazônia


Atualmente, muitas pessoas preocupadas com a preservação da Amazônia concordam que a exploração econômica da região é necessária e que existem métodos para que ela ocorra sem afetar o equilíbrio ecológico de seus diver sos ecossistemas.
Em razão da necessidade de gerar emprego e renda para a população local, muitas propostas de desenvolvimento sus tentável – isto é, em que se utilizem os recursos atuais sem comprometer sua disponibilidade para as futuras gerações – já vêm sendo aplicadas com sucesso. 
Embora essas medidas ainda beneficiem uma parcela muito pequena da população, elas têm conseguido elevar o padrão de vida de algumas co munidades sem provocar agressões ambientais ou destruição da cultura local.
A atuação das ONGs contribuiu para aumentar a consciência social ecológica das populações, fazendo com que as questões ambientais passassem a ser discutidas em reuniões internacionais. 
Em 1972, a Organização das Nações Unidas realizou a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, na cidade de Estocolmo, capital da Suécia, em que alertou governos, grupos econômicos e toda a sociedade sobre os graves riscos a que o planeta e as populações estão sujeitos em razão da destruição ambiental e da intensa exploração dos recursos naturais. 
Foi nessa conferência de 1972 que nasceu a ideia do desenvolvimento ecologicamente sustentável, que visa à exploração dos recursos na turais de forma racional, sem desperdício e sem a degradação ambien tal, de modo que as gerações futuras possam também se beneficiar deles. 
Nos últimos anos, têm ocorrido alguns progressos na questão am biental: leis severas foram criadas para proteger o meio ambiente e procuram-se novos caminhos para o desenvolvimento econômico e social. A consciência social ecológica, no entanto, ainda está muito aquém das reais necessidades.
Estudos realizados na Amazônia Legal mostram que vastas áreas da região apresentam solos impróprios para a prática da agricultura, por serem arenosos e rasos. Quanto à floresta, ela “vive por si só”, isto é, ela mesma alimenta o solo por meio da decomposição de troncos, galhos e folhas, que caem e formam uma espessa camada de solo or gânico – o húmus. Por causa disso, se retirada, a vegetação de flo resta teria poucas chances de se recompor, ainda que ficasse intoca da por muitos anos, aumentando a possibilidade de desertificação na região. Assim, existe na Amazônia – como também em outras regiões e em todas as atividades humanas – a necessidade de aplicação do desenvolvimento ecologicamente sustentável. 
Na Amazônia, muitas comunidades e empresas já praticam a exploração de recursos da floresta de acordo com os prin cípios do desenvolvimento ecologicamen te sustentável. É o caso do extrativismo do látex, da castanha-do-pará, do jambo, do açaí, de fibras vegetais para a confecção de diversos artefatos, gomas para a fabricação de chicletes etc., sem causar a degradação ambiental. 
Atualmente, além de coletados, são também cultivados o guaraná, o cupuaçu, o bacuri, a pupunha e o açaí, usados na indústria de refrigerantes e de alimentos ou vendidos in natura.

O Plano de Integração Nacional e a expansão das fronteiras agrícolas 


Alguns anos mais tarde, a partir da década de 1960 (com a construção de Brasília), o governo federal passou a preocupar-se com a integração da região Norte à economia nacional. Essa integração começou a ser vista como um modo de conseguir crescimento econômico e enfrentar qualquer possibilidade de a Amazônia passar a ser controlada por outros países ou organis mos internacionais. 
Para tanto, o governo federal criou um projeto de integração do território das regiões Norte e Centro-Oeste às áreas de economias mais dinâmicas do país. Esse projeto recebeu o nome de Plano de Integração Nacional. 
Fazia parte dele a construção de várias rodovias, entre elas a Transamazônica, que ligaria a região Nordeste até as proximidades de Rondônia, e a Cuiabá-Santarém, ligando a capital de Mato Grosso à Transamazônica. 
Com o objetivo de incentivar a ocupação do território, o governo também se propôs a doar terras na Amazônia para grandes empresas que se dispusessem a instalar fazendas e para pes soas que se mudassem para lá, estimulando a produção agropecuária. 
Várias cidades da região surgiram a partir dos projetos de colonização do governo federal. Foram oferecidos, ainda, incen tivos fiscais, como isenções de impostos, e fi nanceiros, como empréstimos bancários com taxas de juros baixas.
Milhares de famílias oriundas de diversos lugares do Brasil, especialmente das regiões Nordeste e Sul, deslocaram-se ao longo de toda a década de 1970 para a beira da rodovia Transamazônica, onde o governo estava distribuindo terras. No entanto, mesmo conseguindo produzir algum excedente para comer cializar, essas famílias tinham grande dificuldade em escoar e vender sua produ ção devido à falta de infraestrutura básica. Em curto prazo, a falta de tecnologia para produzir transformou a produção em agricultura de subsistência. Muitos colonos, como eram chamados esses migrantes, abandonaram a região. 
Embora os pequenos agricultores não fossem beneficiados por investimen tos em infraestrutura, as indústrias, os bancos e outros tipos de empresa – em geral sediadas na região Sudeste – receberam títulos de propriedade de terra para implantar suas fazendas no Norte. Com a abertura das rodovias e a construção de hidrovias em alguns rios da região, a Amazônia começou a atrair principalmente grandes produtores de carne bovina e soja.
A ocupação de novas fronteiras agrícolas, ou seja, de novas áreas do território brasileiro para a implantação de propriedades rurais, fez com que alguns estados das regiões Norte (Tocantins e Pará) e Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás) se transformassem em grandes exportadores de carne bovina, soja e outros produtos. 
Porém, gerou grandes impactos ambientais por causa do desmatamento. Na década de 1970, desmatar a floresta para criar gado era uma ação incentivada pelo governo federal.


As reservas extrativistas


Desde a década de 1970, seringueiros e castanheiros se opõem à for ma como a Amazônia vem sendo ocupada. Com o avanço da colonização na região, eles têm sido expulsos das áreas onde praticavam o extrativismo vegetal. Diante disso, decidiram se organizar e pressionar o governo federal para a criação de reservas extrativistas. Estas devem ser entendidas como Unidades de Conservação (UCs), legalmente instituídas pelo poder público para serem utilizadas por populações extrativistas tradicionais. 
Nas reservas extrativistas, além de os recursos da floresta serem explorados de forma sustentável, praticam-se a agricultura de subsistência e a criação de animais de pequeno porte, assegurando os meios de vida das populações tradicionais. São ainda garantia de proteção con tra a invasão dessas terras e contra o desmatamento e a destruição de ecossistemas. 
Na criação das reservas extrativistas, destacou-se a atuação do seringueiro e líder sindical Chico Mendes, que lutou por essa causa e foi assassinado em 1988 por aqueles que se opunham à criação das reservas, pois elas contrariavam seus interesses. 
A primeira reserva extrativista foi criada pelo poder público em 7 de março de 1990, após a morte de Chico Mendes. Essa reserva localiza-se no município de Xapuri, no estado do Acre, onde o líder sindical vivia. Posteriormente, foram criadas outras reservas extrativistas na Região Norte e em outras regiões do Brasil.


Os povos indígenas 


A maioria das comunidades vive em Terras Indígenas, declaradas pelo governo federal para seu usufruto exclusivo. Algumas delas vivem hoje sob a jurisdição político-administrativa de mais de um país, porque as fronteiras entre os Estados nacionais na América do Sul se sobrepuseram às áreas ocupadas pelos povos indígenas. 
São mais de 240 povos vivendo na Amazônia, que apresentam muitas diferenças entre si, como a língua, a forma de organização social e política, os rituais, os mitos, as formas de expressão artística, as habitações e as maneiras de se relacionar com o ambiente em que vivem. 
As concepções indígenas de “natureza”, por exemplo, variam bastante, pois cada povo tem um modo particular de conceber o meio ambiente e de compreender as relações que estabelece com ele. Mas é comum a ideia de que o “mundo natural” é, antes de tudo, uma ampla rede de inter-relações entre agentes, sejam eles humanos ou não. Isso significa que, para os povos indígenas, os seres humanos estão sempre interagindo com a “natureza” e que esta jamais é intocada. 
Os indígenas têm consciência da sua dependência em relação ao meio ambien te e, em função disso, desenvolveram formas de manejo dos recursos naturais que têm se mostrado fundamentais para a conservação da cobertura florestal no Brasil. 
Entre os povos conhecidos que vivem na Amazônia, os mais numerosos são os Ticuna, os Makuxi e os Yanomami. Existem, ainda, na Amazônia brasileira, mais de 50 evidências de indígenas isolados, mas pouco se sabe a respeito deles.

Como funciona o manejo florestal


O manejo florestal é um conjunto de medidas utilizadas para que a exploração econômica das florestas seja feita de for ma sustentável, tanto para os produtos madeireiros (toras ou pranchas) como para os produtos não madeireiros (óleos, se mentes, castanhas, etc). 
A extração de madeira, por exemplo, deve ser realizada respeitando o desenvolvimento das árvores menores, que as sim poderão ser aproveitadas futuramente, assegurando uma exploração contínua e a permanência da biodiversidade. 
Delimita-se uma área de onde se retira anualmente uma quantidade de árvores, de forma seletiva e em quantidade que possibilite sua reposição natural. Além disso, a propriedade de uma área florestal e toda a atividade precisa ser legalizada, o que significa pagar os tributos e respeitar os direitos trabalhistas.
O manejo é obrigatório por lei e, desde 1993, as empresas que o praticam recebem um certificado chamado selo verde (FSC), emitido pelo FSC Brasil (Conselho Brasileiro de Manejo Florestal). 
Esse certificado prova a origem sustentável da madeira e é cada vez mais exigido pelos países importadores e pelas empresas que a utilizam como matéria-prima para a produção de móveis e outros artigos. 
Fatores como solo raso e pouco fértil, com deficiência de nutrientes, e a ocorrência de muitas chuvas na região limitam o desenvolvimento da agropecuária em grande parte da Amazônia. 
Com toda essa situação, ainda é possível promover o desenvolvimento de atividades que garantam a geração de trabalho e a renda para os milhões de habitantes que vivem na região sem impactar a floresta.
Práticas sustentáveis de exploração garantem o desenvolvimento de atividades econômicas e conservam a biodiversidade da floresta. Dos recursos florestais é possível obter produtos como óleos, resinas, fibras, castanhas, frutos, raízes, entre outros.
No caso da exploração madeireira, o ideal é que seja feita com base em um rigoroso plano de manejo, técnica que consiste em derrubar apenas as árvores adultas, após atingirem determinado tamanho (que pode variar de acordo com a espécie), e que realmente podem ser aproveitadas para fins comerciais. Agindo dessa forma, evita-se a derrubada das árvores mais jovens, que poderiam ser exploradas futuramente.


Economia da Região Norte

Uma atividade de grande importância econômica para a Região Norte é o extrativismo. O extrativismo vegetal e o mineral são atividades desenvolvidas na região que são muito significativas tanto em nível nacional como internacional. 
Faz parte desse ramo, por exemplo, a extração de madeira, comercializada no Brasil e no exterior para a fabricação de móveis ou para ser utilizada em construções.
Mas no Norte do país também estão presentes atividades agropecuárias, fábricas de veículos e de equipamentos eletrônicos, exploração de madeira e de recursos minerais, que são realizadas muitas vezes sem os devidos cuidado
A exploração dos recursos regionais de maneira sustentável, no entanto, é um desafio. Isso porque grande parte das atividades econômicas desenvolvidas na região envolve a exploração da Floresta Amazônica que, muitas vezes, ocorre com base na destruição de extensas áreas de vegetação nativa.

O extrativismo da Região Norte


Em razão da grande variedade de recursos naturais existentes no Norte, há muito tempo a atividade extrativa vegetal e mineral é realizada nessa região. A atividade extrativista mineral é fundamental para a produção industrial na atualidade, porém, dependendo da forma como é realizada, pode gerar muitos impactos ambientais. Na Região Norte isso não é diferente.

Extrativismo vegetal


Até o século XIX, o extrativismo vegetal desenvolvido na Região Norte esteve relacionado, basicamente, à exploração das chamadas drogas do sertão, ou seja, produtos como o cacau, o urucum e o gengibre, muito apreciados, naquele período, pelo mercado consumidor europeu. Atualmente, o extrativismo vegetal nessa região envolve a exploração de vários produtos, como madeira bruta, látex, castanha-do-pará, açaí e buriti.
Considerado um dos produtos mais nutritivos da Floresta Amazônica, o açaí representa a base alimentar de milhares de pessoas na região. O Pará e o Amazonas são os dois estados brasileiros que se destacam na extração do açaí.
Na floresta Amazônica, a exploração de mogno e cedro, por exemplo, é regulada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), porém essa atividade acaba se tornando alvo de desmatamento ilegal pelo seu grande valor comercial. As áreas de maior exploração de madeira localizam-se próximas às rodovias, devido à facilidade de transporte.
Desde o final do século XIX até os dias de hoje, as seringueiras são muito exploradas para a extração do látex, material à destinado fabricação de borracha. 

As reservas extrativistas 


As reservas extrativistas, também conhecidas por Resex, são áreas de domínio público destinadas ao extrativismo sustentá vel de recursos naturais renováveis. Nelas os recursos são explorados de forma organizada e planejada, a fim de não comprometer o meio ambiente para as gerações futuras.
De maneira geral, as reservas extrativistas são utilizadas pelas populações tradicionais, cuja subsistência estrutura-se, principalmente, na prática do extrativismo. O objetivo dessas reservas é preservar tanto o meio ambiente quanto o modo de vida tradicional da população local. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), atualmente a Região Norte abriga aproximadamente 43 reservas extrativistas. 

Extrativismo mineral 


O extrativismo mineral é uma das atividades mais lucrativas da Região Norte. No subsolo da Região Norte, há importantes jazidas minerais. Entre as áreas de maior exploração destacam-se a serra dos Carajás e o vale do rio Tapajós, am bas localizadas no estado do Pará. Os estados do Amazonas, de Rondônia, de Roraima e do Amapá também apresentam significativas reservas minerais. 
A exploração mais intensa dos minerais nessa região ocorreu a partir da dé cada de 1960, quando tiveram início os projetos governamentais de ocupação dessa porção do território brasileiro. Entre os projetos promovidos pelo governo estava a criação de áreas de mineração. 
A atividade extrativa mineral atraiu brasileiros de várias regiões do país e também muitas empresas japonesas, alemãs e estadunidenses, todas interessadas na exploração dos recursos naturais.
Os principais minerais extraídos são ferro, bauxita, manganês, cassiterita, níquel, cobre e ouro. Esse tipo de extração ocorre principalmente na serra do Carajás, no Pará, responsável por grande parte da produção mineral do país. 
A serra dos Carajás, localizada no sudoeste do estado do Pará, abriga grandes jazidas de manganês, metal utilizado na fabricação de aço. Seu escoamento ocorre por meio da Estrada de Ferro do Carajás, que chega até o Porto do Itaqui, na cidade de São Luís, capital do Maranhão.

O garimpo 


O garimpo consiste em uma prática artesanal, baseada em técnicas rudimen tares de extração de minérios como ouro, diamante, esmeralda e cassiterita. A garimpagem gera uma série de problemas ambientais. Entre eles, podemos citar: 
• o desmatamento do terreno para a instalação do garimpo e remoção do solo. Além da retirada da vegetação, muitos materiais extraídos dessas áreas são despejados nos rios, causando seu assoreamento e colocando em risco o equilíbrio da vida existente em seu interior; 
• a poluição do solo e da água dos rios pelo óleo diesel utilizado como combustível nos maquinários do garimpo; 
• a contaminação da água dos rios e dos peixes pelo mercúrio usado na garim pagem do ouro. Nesses garimpos, o mercúrio é usado para auxiliar a separação entre a argila e o metal precioso.

Agropecuária da Região Norte 


A agropecuária da Região Norte é marcada, principalmente, pela expansão da fronteira agrícola. A agricultura, de caráter tradicional, desenvolve principalmente lavouras de gêneros alimentícios, como arroz, feijão e mandioca. Esses produtos são comercializados e, geralmente, atendem ao consumo interno da população.
A agropecuária vem aumentando significativamente sua participação na economia da região, em razão, principalmente, da expansão de lavouras monocultoras de soja e da pecuária extensiva. 
Os produtos de maior importân cia comercial da região são a juta e a malva, cujas fibras destinam-se à indústria têxtil, e a pimenta-do-reino, trazida para a região por imigrantes japoneses. 
Nas últimas décadas, as lavouras monocultoras de soja vêm ganhando destaque na Região Norte. Os estados que mais se destacam na produção deste grão são Rondônia e Tocantins. 
Grande parte dos agricultores que atualmente cultivam soja na Região Norte são migrantes vindos do Sul e do Sudeste do país. Segundo o IBGE, em 2010, cerca de 40% da população de Rondônia são migrantes de outros estados brasileiros.
A pecuária bovina desenvolvida na Região Norte ganhou força a partir da década de 1970, quando os projetos agropecuários promovidos pelo governo incentivaram a expansão dessa atividade na região. Pesquisas indicam que nos últimos quinze anos a pecuária bovina apresentou um significativo crescimento.
De modo geral, a pecuária também é praticada em grandes propriedades, de forma extensiva. Seus principais rebanhos são de gado bovino de corte, ou seja, criados para comercialização de carne. As criações de suínos e aves têm pequena participação na pecuária regional e destinam-se, principalmente, ao consumo interno da população. 
Essa atividade vem sendo responsabilizada pelas maiores áreas de desmatamento da região. Isso porque a expansão da pecuária de forma extensiva exige a ampliação de pastagens para alimentar o gado, as quais são obtidas à custa de áreas de floresta derrubada. 
Além dos bovinos, o rebanho de búfalos é bem expressivo na Região Norte, sendo atualmente o maior rebanho do país. Inseridos na região no início do século XIX, es ses animais ocupam principalmente as porções de terras alagáveis da ilha de Marajó.

A questão fundiária na Região Norte 


Até a década de 1960, grande parte das terras da Região Norte pertencia à União, ou seja, ao governo brasileiro. Muitas dessas terras eram ocupadas por populações que obtinham seu sustento da floresta, dos rios e de pequenas lavouras. Essa população era formada, em sua maioria, por povos indígenas e ribeirinhos, que ainda hoje habitam essa região. 
A concessão de terras da Região Norte a partir da década de 1960 pelo governo brasileiro, como parte dos projetos de povoamento, deu início a uma série de conflitos, pois não considerou a presença dos povos indígenas em seus respectivos territórios. Além disso, com a falta de demarcação, era comum a venda de um mesmo terreno para vários compradores. 
Quando todos os envolvidos reivindicaram apos se das terras que já estavam ocupadas havia séculos, iniciaram-se vários conflitos, que até hoje ocorrem, cada vez mais violentos e registrando muitas mortes. Há décadas, alguns grupos religiosos e organizações não governamentais (ONGs) atuam na região com o intuito de amenizar os conflitos relacionados à posse de terras.
Exploração econômica e conflitos pela terra Na Amazônia, assim como em outras regiões do país, as terras das populações indígenas sofrem grandes ameaças. Veja, a seguir, alguns exemplos de como isso tem ocorrido. 
• muitas das estradas que começaram a ser implantadas na região Amazônica a partir da década de 1970 foram traçadas em terras indígenas, levando doenças. O povo indígena Waimiri Atroari, no estado de Roraima, por exemplo, sofreu uma forte redução populacional após a construção da estrada que liga Manaus a Boa Vista;
• epidemias que vitimaram muitos desses povos;
• muitas terras indígenas, sobre tudo as que ainda não foram demarcadas pelo governo, con tinuam sendo invadidas pela ati vidade ilegal de madeireiros; 
• atraídos pela existência de ouro e outros metais preciosos, muitos garimpos clandestinos se formaram em terras indígenas, gerando violentos conflitos entre garimpeiros e indígenas;
• nas áreas de fronteira agr cola da Amazônia, extensas áreas de pastagens e lavouras monocultoras, sobretudo de soja e milho, têm avançado sobre terras indígenas.
Outras comunidades tradicionais que vivem na Amazônia, como populações ribeirinhas e comunidades extrativistas, como a dos seringueiros, por exemplo, também sofrem constantes ameaças. A construção de grandes hidrelétricas, por exemplo, inunda extensas áreas de florestas, desalojando populações ribeirinhas e comunidades de pescadores que vivem nas margens dos rios.

A atividade industrial da Região Norte


A atividade industrial da Região Norte, sobretudo de indústrias de transformação, como as de eletrodomésticos e equipamentos de comunicação, concentra-se no estado do Pará e, principalmente, no estado do Amazonas, em razão do grande polo industrial ali existente, denominado Zona Franca de Manaus (ZFM). Juntos, esses dois estados concentram aproximadamente 58% das atividades industriais da região.
A criação dessa área industrial foi incentivada por políticas do governo federal a partir do final da década de 1960 com a intenção de incentivar o desenvolvimento econômico e o maior povoamento dessa região.

Zona Franca de Manaus 


Em 1967, o governo criou a Zona Franca de Manaus, uma área de 10 mil km² delimitada para a instalação de indústrias, centros de comércio e projetos agropecuários. 
Esse projeto consistia em instalar no município de Manaus uma área voltada para a atividade industrial que promovesse o desenvolvimento econômico e social da região.  
O setor que mais cresceu foi o industrial, para o qual eram concedidos isenção de impostos de importação, redução de alíquotas de outros impostos e incentivos financeiros, como empréstimos com taxas de juros abaixo das praticadas pelo mercado. A palavra “franca” indica justamente a isenção de impostos.
Essas medidas atraíram muitas indústrias de outras regiões brasileiras e de outros países, gerando grande crescimento econômico, populacional e urbano na região de Manaus, onde destacam-se indústrias químicas, de produtos eletroeletrônicos, de motocicletas e de bicicletas, entre outras.
No início, o princípio básico da atividade industrial da Zona Franca foi a fabricação de produtos por meio da montagem, utilizando peças importadas. No entanto, atualmente algumas empresas da ZFM já fabricam parte das peças necessárias para a produção. Essas empresas montam os próprios produtos e depois os comercializam, tanto no mercado interno quanto no externo.
Um fator que contribuiu para a atração de indústrias à ZFM foram os incentivos fiscais fornecidos pelo governo federal. Esses incentivos consistiam basicamente na isenção de taxas alfandegárias às peças importadas que fossem necessárias à montagem dos produtos. 
Inicialmente esses incentivos fiscais durariam um período de trinta anos, porém uma emenda constitucional, em 2014, prorrogou o período de vigência dos incentivos até 2073. 
Após a instalação da ZFM na Região Norte, o município de Manaus apresentou um crescimento considerável em seu PIB, tendo hoje o sexto maior PIB nacional. 

As atividades econômicas e as ameaças ambientais na Floresta Amazônica 


A Amazônia está muito distante de sobreviver livre de ameaças que comprome tam seu futuro, assim como o dos povos que nela habitam. Considerada o maior reservatório de biodiversidade do mundo, suas riquezas naturais – existentes na mata e em seu subsolo – têm despertado muito interesse, não somente no Brasil, mas no mundo todo. 
Foi somente a partir do século XX, com os avanços das atividades econômicas na Região Norte, que a exploração das riquezas naturais passou a ameaçar o futuro da floresta em médio e em longo prazo.
A ocupação mais efetiva e a exploração realizada pelas atividades econômicas cada vez mais intensas na floresta Amazônica vêm resultando em uma rápida e progressiva devastação dessa formação. Entre as atividades econômicas predatórias e incompatíveis com sua preservação, destacam-se: 
• a agropecuária, que ocasiona a queimada de extensas áreas de floresta para a formação de lavouras ou de pastagens para a criação de gado bovino; 
• a ação predatória de muitas madeireiras, nacionais e estrangeiras, que praticam a exploração descontrolada da floresta, derrubando espécies já ameaçadas de extinção ou extraindo árvores sem valor comercial, as quais acabam sendo abandonadas no meio da floresta; 
• a atividade mineradora e a construção de grandes usinas hidrelétricas, que inundam vastas áreas da floresta para a formação de reservatórios.
De acordo com cálculos do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espa ciais (Inpe), cerca de 17% da floresta já foi devastada, o que corresponde a apro ximadamente 729 mil km². 
Além de toda essa devastação, a derrubada da floresta prossegue em ritmo acelerado. A cada ano, ainda de acordo com o PRODES, cerca de 10 mil km² da floresta são perdidos.

O arco do desmatamento 


A Amazônia atualmente está sujeita a uma série de ameaças ambientais. Essa destruição já chegou a boa parte do interior dos estados de Rondônia, Mato Grosso e Pará. Trata-se do chamado arco do desmatamento.
O arco do desmatamento avança em direção ao centro da Floresta Amazônica. A exploração dessas áreas ocorre, em geral, da seguinte maneira: 
• primeiramente, ocorre a derrubada das árvores para o comércio de madeira; 
• em seguida, as áreas são ocupadas pela atividade pecuária, que, por sua vez, explora o solo ao transformar os terrenos em pastos para o gado; 
• por fim, muitas áreas desocupadas pela pecuária são utilizadas para o plantio de lavouras monocultoras de soja.
Ainda que recentemente as imagens de satélites tenham significado um importante avanço no monitoramento ambiental da Amazônia, esse recurso ainda é insuficiente e tem uma série de dificuldades, relacionadas especialmente ao controle da retirada da madeira, considerada o início da degradação florestal. 
Além das atividades já mencionadas, o desmatamento na Amazônia é agravado por outras que, ainda que em menor proporção, também causam sérios prejuízos à natureza da Região Norte. Destacam-se a caça e a pesca predatórias, o narcotráfico com suas plantações proibidas, o tráfico de plantas e animais silvestres – denominado biopirataria – o garimpo e, principalmente, as grandes obras, como usinas hidrelétricas, hidrovias, gasodutos, grandes minerações industriais e novos eixos rodoviários.



A regionalização do espaço mundial

Vivemos em um mundo no qual vêm ocorrendo grandes mudanças em ritmo cada vez mais intenso, mas que apresenta fortes desigualdades: países co...